domingo, 6 de dezembro de 2015

Gentileza é um jeito delicioso de fazer amigos.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Gentileza é um jeito delicioso de fazer amigos.

                    Ele olhava para dentro dos meus olhos. Falava firme sem denotar nenhuma sombra de dúvida de suas palavras. Havia estudado cada frase e o tema dominava por inteiro. Eu um Velho Chefe Escoteiro das antigas educadamente prestava atenção. Dizem que ouvir é melhor que falar para não dizer o que não deve. Penso assim, mas a língua coça. Ela quer ser usada. Risos. Pensei em interromper, mas continuei calado. Sua oratória era estupenda. Quem o visse diria sem sombra de dúvida que conhecia o escotismo mais que Baden-Powell. Ah! Baden-Powell. Seu sonho germinou e multiplicou. – Chefe, ele dizia, precisamos de nos organizar, precisamos ter normas leis se não vira uma anarquia, uma desordem. Sim, sim! Balancei o couro cabeludo como se concordando. Pensei em cochilar. Não! Isto era falta de cortesia. Afinal ele me convidou para um chope e se ofereceu para pagar. Eu um aposentado duro por natureza não podia dizer não. Kkkkkk. Deixei o coitado, Ops! Desculpe, deixei o Uebeano falar a vontade.

                    Às vezes fico pensando por tantos querem mudar sem ao menos experimentar. Muitos chegam mansos e logo se vê que de mansos não tem nada. Quantos já me procuraram para dar a boa nova das modificações que acontecem? Vários. Não só por telefone, e-mail e grupos diversos, mas a gente sabe ler e dá sempre uma volta nas paginas do Site da UEB. Ou melhor, agora é EB. Porque será? Eu admiro aqueles que primeiro vão em busca dos seus sonhos de pés no chão. Vivem o escotismo plenamente esperando encontrar ou ver os resultados do seu trabalho. Quanto se escreve aqui e ali sobre o Chefe Escoteiro. Falam tanto que nem sei se aquela figura tão sublime existe mesmo. E as fotos? Só de chefes. Cursos, medalhas, diplomas, encontros dos lideres do Brasil em qualquer lugar. Rio a vontade com a miscelânea dos uniformes. Belos exemplos estão dando.  Tem hora que me pergunto se os donos da verdade os sabe tudo, os que citam de cor as normas e estatutos com tanta arrogância que me parece que quem vai acampar crescer, aprender a ser alguém não é o jovem e sim ele.

                    Já cansei de dar pitacos e não ver resultados. Vez ou outra vejo alguém descontente dizendo que vai deixar o escotismo. Isto não é mais surpresa. Está acontecendo sempre. Ninguem acusa ninguém, mas sabemos que ele se sentiu uma carta fora do baralho. Não deram importância pelo seu trabalho. Eu me pergunto e sei a resposta, mas pergunto a vocês leitores porque no escotismo temos tantos arrogantes, cheios de pedantismo, com uma imodéstia enorme, muitas vezes insolente quando se dirigem aos mais humildes? Quanta bazófia, quanta presunção, quanta jactância em vangloriar ou tripudiar sobre os outros. Fico feliz quando alguém diz que em sua unidade escoteira não existe altivez, orgulho de ser o melhor. Pensando bem estes tipos não poderiam estar fazendo escotismo, claro se é que estão fazendo escotismo no principio que esperamos. Não temos uma lei? Não fizemos uma promessa? Qual nosso objetivo?

                   Não sei por que muitos lideres de sessão se vestem diferente dos seus escoteiros. Tem cada tipo de fazer inveja. Isto é exemplo? Ele quer ser o melhor? Para quem é a finalidade da formação escoteira? Sabemos que o adulto já é formado. Ele é uma arvore que não dá mais para mudar de lugar, mudar seus galhos e ou se ela nasceu torta. O que se espera de um Chefe Escoteiro, de lobo, de qualquer sessão escoteira? Para mim um irmão mais Velho dos jovens. Um amigo, aquele que ouve muito, fala pouco, sabe que está ali para ajudar. Ele não é pai, não é mãe e não é professor. Nem tampouco é um religioso para impor suas idéias de religiosidade. Quer saber? Fico triste quando vejo alguns se arrostando em normas, em leis, em números e ou página dos estatutos da UEB. Pode ser necessário tudo isto, mas para cada coisa tem seu lugar e hora.

                        Eu tenho escrito aqui e em outras paragens muito do que B-P pensava que deveríamos agir com nossos amigos e irmãos Chefes Escoteiros. Acredito que não estou atingindo o que penso de um líder Escoteiro adulto. Seja homem ou mulher. Ainda bem que milhares estão ainda vivendo o sonho Escoteiro. O sonho do menino ou da menina não o sonho dele. Seu sonho deveria ser aquele de se alegrar e sentir realizado quando atingiu seus objetivos. Esta seria uma importante missão do Líder do Grupo Escoteiro. Do Diretor Técnico, do Presidente e tantos outros cuja importância no cargo nada mais é que uma necessidade hierárquica. A importância não é o cargo que faz e sim da pessoa que se imbui naquele cargo a ajudar aqueles que precisam de sua orientação. Prepotência não pode ter lugar no escotismo. Muitos jovens estão saindo porque seus lideres, seus chefes são arrogantes na maneira de agir e se dirigir a eles.

                        Condenam hoje com veemência a ação de uma formação escoteira militar. Não discordo, mas concordo que muitos ainda não lideram em suas áreas profissionais, não tiveram uma formação de fraternidade e amizade, ou mesmo resultado de amigos que não deram o retorno devido as suas necessidades de liderança e no escotismo o manancial é enorme. Observar a diferença é fácil. Aquele que é simples no seu modo de agir, que tem sempre um sorriso nos lábios, que sabe das necessidades de todos individualmente na sua sessão e sabe elogiar e abraçar. Quem não gosta de um elogio? De Um abraço, de um Sempre Alerta carinhoso? Um aperto de mão e um sorriso? Isto tem um valor enorme. Não só para os jovens, mas para os demais adultos que fazem parte de sua unidade escoteira.

                         Hoje não participo mais de atividades nacionais como indabas, fóruns ou Assembleias. Não é mais minha praia. São tantos ousados, outros desaforados, sem contar a insolência, petulância em mostrar que conhece tudo de escotismo. Fico a olhar e pasmado com aqueles que sempre levantam a mão para mostrar seu saber. Sabem tudo. Será que sabem dormir sob as estrelas? Sabem patrulhar gostosamente como disse nosso fundador? Sabe ser irmão, amigo ouvir sem interromper? Sabem quais são seus direitos e dos outros? Não discuto a validade de normas e leis no escotismo. Mas precisamos aprender a nos respeitar, a dar direitos aos que querem se expressar sem nos julgamos donos da verdade. Costumo dizer que o melhor Chefe é aquele cuja sessão ou grupo é exemplo fraterno e tem em suas fileiras excelentes jovens motivados que estão lá para ficar por anos no escotismo. Mostre-me um tipo assim e direi que ali está a verdadeira família escoteira.


Hummm! Acho que falei demais. Risos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Quem fala muito engole mosca viva!


Conversa ao pé do fogo.
Quem fala muito engole mosca viva!

                  Eu tinha saído para minha caminhada matinal. Andava como sempre despretensiosamente. Nem observei ao meu lado um carro preto com quatro homens mal encarados. Todos de óculos escuros. Boa bisca não são pensei. O carro parou. Agarraram-me e me jogaram na poltrona trazeira. Deram-me um “treco” ruim para cheirar. Desmaiei. – Acordei zonzo em uma saleta com pouca luz. Não estava amarrado, mas na minha frente cinco seguranças. – O que fiz meu Deus! Perdoe meus pecados! A luz ficou mais forte e uma porta se abriu. Em carne e osso o Renan e o Cunha. Danou-se pensei. Agora estou frito. – Tentei argumentar que era um Velho Escoteiro que nem tinha lugar onde cair morto. Salário mínimo Excelência! – Precisamos de você! Falou o Renan. – Olhei para ele assustado, de mim? Mas sou um zero a esquerda! Não respiro direito, não tenho voz e anda claudicando precisando de uma bengala que nem posso comprar Senhor Simpatia Presidente do Senado. Ele me olhou com aquele Velho sorriso de deboche e cutucou o Cunha. – Não te falei? Esta escoteirada do passado é só gogó! O Cunha fechou a cara. – Comigo não tem disso não. Ou ele faz o que eu mandar ou o entrego para o Moro dizendo que é um dos chefões da Petrobrás. – Deus meu! Sou inocente gritei! Pensei no Juiz Moro quem sabe ele já foi Escoteiro e me ajuda? Comecei a rezar. – Renan gritou – Deixa de papagaiada, preste atenção nas instruções, precisamos de um velho Escoteiro metido a besta como você! Sabemos que na infância foi perito em ver sem ser visto!

                 - Mas Doutor Renan! Isto é passado. Já fui um bom explorador, já entrei em grutas enormes, matas fechadas, já prendi bandidos nos jogos escoteiros, pois sempre fui mocinho. Mas hoje estou matando cachorro a grito, sou um traque, uma bombinha que nem tiro tem! – Senhor Osvaldo disse o Cunha raivoso. Não vou lhe chamar de Chefe Osvaldo, é muita pompa, você de Chefe é um réptil que fica na sola dos meus pés! – Cheguei à conclusão que desta vez não ia escapar. O Renan ainda dava para enganar, mas o tal do Cunha era osso duro. – Afinal o homem esbanjava dólares na Suíça. - Doutor Cunha! Eu disse. Juro que não vou dizer para ninguém que o senhor tem cara de tanajura! Vou jurar que o Senhor não é amigo do Delcídio, que o Senhor é inocente e não sabe de nada! É coisa da oposição! Completei.  O senhor sabe que não conheço ninguém no Supremo e minhas amizades passam longe do Cerveró. O André Esteves do Pactual nem sabe que existo. Afinal eu devo o Bradesco o Itaú e a Caixa. Vivo numa pendura danada! Olhe se quiser vou declamar no fogo do conselho que Dona Dilma tem uma quedinha por vossa excelência! Olhe, conte comigo nas eleições vou votar em Vossa Excelência para Presidente do Brasil! - Benavides! Ele gritou. Era outro deputado puxa saco que estava ao seu lado. – Pegue este Chefe de araque e lhe dê uns cascudos!

                   Comecei a chorar. Pare Velho babão e chorão disse o Deputado que se julgava o tal. Olhei para ele de esguelha. Afinal estava com meu uniforme caqui, aquele tradicional lindo de morrer e meu chapelão Escoteiro. Tinha de dar exemplo, o que diriam os da vestimenta me vendo tremer e chorar? – Benavides se aproximou e deu uma enorme pisada no meu pé. Dei um berro de dor. Maldito puxa saco disse baixinho. Sua alma está encomendada daqui com vida vou chamar o Zé Caixão meu amigo e Escoteiro. Ele sabe onde “bota” um olho “bota” uma bala! Quero ver você de longe nas “prefundas dos infernos” pisando no pé do capeta! – Calma Benevides, disse o Renan. Precisamos dele vivo! - Vivo? Daquele jeito eu já estava morto. Gritei por Baden-Powell pedindo socorro. Os dois começaram a rir. Benavides o malvado me olhou e disse: - Aqui se aquele Velho babão metido a general aparecer, o entrego de uma vez por todas ao Procurador Geral de Justiça! O Doutor Janot vai dar um jeito nele e em você! – Cala a boca Benevides, disse o Cunha naquela pose de líder Escoteiro participante do CAN. Você sabe que eu não gosto dele e se passar na minha frente vai virar linha de tiro de treinamento no exército!

                   Renan sempre naquela calma, naquele sorriso matreiro parecia mais um Antigo Escoteiro daqueles que deram no pé e juraram que não voltam mais. - Cruz Credo! Pelas barbas do Profeta! Onde foi que amarrei minha égua? – Renan sorrindo (o danado sempre sorri) pôs a mão em meu ombro. É fácil chefão. Você entra no Palácio, rapta a Dilma e trás ela para nós aqui! Acho que os dois ficaram malucos. Como eu um pé rapado, sem eira nem beira, sem forças e sem respiração iria raptar Madame Dilma, presidenta do Brasil? – Não fique com medo Escoteiro de araque, disse o Cunha. Seja homem, parece um mariquinhas do Facebook escrevendo historinhas! Se porte com um Badeniano, a UEB disse que vai fazer de você farinha de mandioca para comida dos tubarões da Lapônia! Uai! Pensei, não é onde mora Papai Noel? Lá não tem mar! A coisa tava preta! Eu pensei. Concordei quem sabe ao subir a rampa os Dragões me metem na cadeia e eu escapo depois?

                 E eis que me vi de bengala e tudo subindo a rampa do Palácio do Planalto. Espantei-me ao ver a Presidenta vir correndo me abraçar. – Chefe Osvaldinho bonitinho, descobrimos o plano dos Congressistas. Sabemos que foi obrigado. Vamos fingir que você me rapta e me leva para Granja do Torto. Não serei eu que o senhor vai levar. Minha amiga a “bunita” Graça Foster se ofereceu para ficar no meu lugar. Quer redimir-se da barafunda que aprontou na Petrobrás! Quer ficar longe da roubalheira! – Ri baixinho. Ela acha que acredito? – Pensei com meus botões, não dou sorte com mulheres. As bonitas me adoram de longe e as feias ricaças querendo me abraçar! Putz! – Sem dizer nada concordei. Vi o Mercadante batendo palmas. – Dizia baixinho – Desta vez este chefinho de araque desaparece no ar. Vai voar com as gaivotas que vivem no além. O tal Adams advogado geral da união ria sem parar. A Ideli Salvati fingia que não era com ela. Ainda bem que dona Presidenta escolheu a Graça e não ela.


                Entregaram-me Graça Foster amarrada em um tapete vermelho. Deram-me um carrinho de pedreiro para levá-la até os congressistas. Ao descer a rampa um grito se ouviu, Aécio Neves, Fernando Henrique, Serra e Alkmim lutavam ferozmente com o Renan, o Cunha seus asseclas e de lambuja o Color! Joguei a Graça Foster no lago e me mandei. Olhei para trás e centenas de dragões da Independência apontando seus fuzis e atirando até no que não viam. Fechei os olhos e entreguei minha alma a Deus! Acorda marido! Acorda! Para com esta gritaria. Afinal você é um homem ou um rato? Olhei para a Célia engasgado, Mulher, é melhor ser um rato que ficar a mercê destes congressistas. Levantei, fui respirar ar puro e disse para ela: - Nas próximas eleições não vou votar em ninguém. Tenho 74 anos e tenho este direito. Célia bateu palmas, conte comigo amor da minha vida! Ah! Eita mulher nota dez!         

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Não deixe o vento levar o seu sonho.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Não deixe o vento levar o seu sonho.

                    Lá estava ele, altaneiro, cheio de vida, correndo com o vento amigo que o levava onde ele queria ir. Ele sabia de sua importância, sabia que todos sempre pensavam nele e não queria decepcionar ninguém. Afinal ele era um Sonho e fazer os sonhos dos que pensavam nele realizarem o fazia feliz muito feliz... Ele sabia que nem sempre conseguia seus intentos, sonhar e ele ver o a realização do sonhador. Tinha a experiência de ver tantos sonhos realizados, de ver a força de vontade em fazer lembrando sempre que sem isto nada poderia realizar. Ele gostava muito daquele que dizia gostar de sonhar mesmo sabendo que os sonhos são impossíveis. E quando ele os realizava, um sorriso enorme ele dava sentando na nuvem branca onde moram os sonhos. Nunca se importou quando o chamavam de utopia, aquele sonho que não existe. Para estes ele deixava que eles pudessem ver o sol sem cor, a lua sem brilho as estrelas tão longe de se tocar.  

                      Ele sabia que o vento não tinha sonhos, nem a brisa da manhã ao nascer o sol. A nuvem branca que o levava para todo lugar agora estava atravessando um enorme oceano. Seus outros amigos sonhos diziam que eram o oceano dos grandes amores, onde a felicidade existe e ali navegavam felizes para sempre. Ele se lembrou de Conchita. Linda menina sonhadora. Morava em uma cabana no alto da montanha de Cristal. Todas as tardes ela sentava em um pequeno banquinho e nem notava a cor púrpura do sol que se punha no horizonte. Sua mente viajava sem destino, ela nem se lembrava de que um dia alguém disse a ela que se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade. È Conchita é bom acreditar, pois naquele dia o Sonho ali passou e ouviu o que ela queria. Não era impossível, não para ele. Ele viu seus olhos cheios de lágrimas por viver sozinha naquele canto da montanha sem ninguém. Tinha sua mãe e seu pai, mas sonhava com um príncipe encantado para viver com ele para sempre.

                      Ah! O Sonho pensou que o sonho de Conchita podia se realizar. Não se sabe como uma manhã linda de sol vermelho, subindo a montanha vinha oito Escoteiros alegres e cantantes sob a luz do sol vermelho. Junto Miguelito o Chefe que adorava acampar. Solteiro quando viu Conchita na porta da cabana de madeira vermelha ele disse para si: Vais ser minha princesa, você terá tudo de mim. Farei de você a moça mais feliz do universo, darei a você de presente todas as estrelas no céu. À noite rezarei para você e quando a lua cheia surgir irei pedir a ela para iluminar seus caminhos por onde o sol se for. O Sonho sabia que meses depois eles se casaram e viveram felizes para sempre. O Sonho agora atravessava a majestosa floresta verde e formosa de um país tropical. O Sonho sentiu que precisava realizar o sonho de alguém, mas pensava o porquê de muitos se esquecerem de sonhar. Ele sabia que um sonho para ser realizado o sonhador tem de acreditar, tem de partir na estrada dos sonhos e alcançá-lo nas luzes das estrelas e lutar para que ele seja real. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho impossível só porque não acreditou.  

                       Viu um homem perdido nas matas verdes do pais tropical, tropeçando, caminhando sem rumo, pensando que não ia sobreviver. Ele não sonhava, lutava pela vida, pois sabia que em poucos dias ia morrer. O Sonho sorriu, é hora de trabalhar. O homem se chamava Molusco fora no passado um Escoteiro. Aprendeu a navegar, aprendeu onde o norte se encontrava com o sul, nunca precisou de bussola para achar o seu caminho. Tinha vivido em florestas, aproveitou muitas vezes quando menino o que ela poderia oferecer. Um brilho passou diante dos seus olhos. Afinal isto é um sonho? Sonho ou não eu posso vencer! – Ele pensou. Olhou para as árvores, as folhas amarelas que podiam lhe dar um rumo. Um resga do sol lhe mostrou o caminho a seguir. Enquanto caminhava pensava no seu filhinho que deixou na cidade, de Mariazinha sua amada tão pequenina. Um riacho encontrou, uma jangada ele fez. Dois dias depois uma cidade apareceu na curva do rio das almas perdidas. Molusco um Escoteiro estava salvo. Correu a encontrar seus amores, Picolino e Mariazinha sua amada ele foi abraçar.

                         Era hora de dormir para os humanos do mundo. O Sonho não dormia, mas se recolhia quando as noites quentes não deixavam ninguém sonhar. Ele imaginou que tantos poderiam sonhar sonhos lindos mesmo com aquele calor imenso. Ele sabia que poemas não são feitos para serem entendidos. Isso é utopia. Bastam aos poetas que seus poemas e sonhos sejam sentidos. Tiquinho ainda não tinha dez anos. Insistia com seus pais em ser um escoteiro. Nunca foi e este era seu maior sonho. Dom Casmurro tinha um bigodão que todos temiam. A maior fábrica de tecidos era dele. Funcionários tremiam só em olhar para seus olhos. Tiquinho seu filho sabia que ele nunca iria deixar. Uma noite de verão todos os funcionários foram para casa. Ele mesmo fechou as portas e o portão. Altas horas da noite foram lhe chamar: - A fabrica começou a pegar fogo, mas um menino conseguiu apagar. O menino estava queimado deitado na cama do hospital.


                        - Como foi? Ele perguntou. Senhor ele é Juquinha Escoteiro filho de Filó das Mercês sua funcionária. Ele esperava sua mãe pelo fim do turno. Ela não sabia. Dormiu encostado no Varão da Sala Grande. Quando viu a fumaça, já treinado nos Escoteiros pelos bombeiros ele correu e conseguiu o fogo apagar. Um herói Dom Casmurro. Sem ele o senhor estaria pobre e sem sua fabrica querida. Tiquinho teve seu sonho realizado. Promessado com as vistas de seu pai. Uma alegria sem par. O Sonho ali a lembrar dos tempos dos acampamentos, das alegrias que Tiquinho passou a ter. Ah! Os sonhos. Eles têm um destino, um lugar para ficar, um lugar para realizar todas as vontades de quem acredita neles. O Sonho partiu rumo à além mar. Havia outros lugares para ir, encontrar meninos e meninas Escoteiras que sonham e ele na sua sina iria fazer os sonhos deles realizar. E você? Acredita nos seus sonhos? Um sonho verdadeiro pode ser realizado. Um sonho sonhado, amado por aqueles que um dia acreditaram. Como dizia Augusto dos Anjos a Esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a Crença, Vão-se sonhos nas asas da Descrença, Voltam sonhos nas asas da Esperança. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A experiência serve para que?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A experiência serve para que?

                   Um famoso pedagogo e pensador respondeu assim: - Para muito pouco. Só que o pouco para qual ela se presta é muito importante. E completou: - “Experiência é aquela coisa maravilhosa que lhe possibilita reconhecer um erro quando você o comete de novo”. Como ele eu acredito em experiência. Acredito em erros e acertos. E completou dizendo, ou melhor, lembrando B-P que o erro seja o pai dos acertos. Experiência é como escrever um livro. Você vai juntando as palavras e quando vê está tudo completo. Quando vejo hoje dezenas de lideres novos fazendo experiências no escotismo fico preocupado. Mais de vinte anos e até hoje nenhum resultado. Ou melhor, tem sim, aparecem mais e mais adultos para fazerem novas experiências. O escotismo é uma fonte enorme para muitos aventureiros que acreditam mesmo que tudo precisa mudar. Não consultam ninguém. Fecham-se em seus “ninhos” de poder e com um sorriso nos lábios vão apresentando suas novas ideias, que não são mais que copias de outros que assim também pensaram e escreveram.

                   Francamente, eu não bato palmas para estes que se intitulam lideres e lá vão a fazer das suas. As fontes do poder é um prato cheio para eles. Fazem de tudo para ter o poder, ser mais um da corte, quem sabe sorrir por saber que agora é da casta dos Lordes Escoteiros. Adoram e depois começam a alardear suas ideias. Não são sugestões, pois eles já tem tudo definido. Como não existe uma punição para seus erros já que ninguém irá cobrar no futuro eles se sentem prestigiados. Falam bonito. Quem os houve ou lê fica admirado ou pasmo porque ainda não tinham pensado nisto. Como sou um Velho Chefe Escoteiro carcomido pelo tempo não me empolgo. Afinal já vi tantas coisas nesta minha vida que nada mais me surpreende. Mas caramba! E a experiência deles? Porque não exigimos certezas e não dúvidas, resultados e não só experiências? Tudo bem. B-P já dizia quem nunca errou nunca experimentou nada novo. Dou risadas quando leio Marisa Martins em seu blog – “Existem pessoas que tem o cérebro “mais pequeno” do que uma formiga, a boca maior do que um elefante, e ainda se acham os Reis da Selva”!

                     Joaquim aquele português bonachão dono da padaria da esquina nunca foi Escoteiro. – Chefe Osvaldo, eu digo sempre para o padeiro: Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão. Estamos cheios de aprendizes de padeiro nas lideranças Escoteiras. Tratam seus associados como “vaquinhas de presépio. Não consultam, não fazem pesquisa, não são transparentes e nem reconhecem quando deu tudo errado. E mesmo assim lá estão eles com suas propostas incríveis para fazer do escotismo brasileiro um orgulho nacional”. É triste quem se acha dono de tudo, dono das ideias. Esquecem que as pessoas têm sentimentos, constroem sonhos, criam laços e não sabem que um dia o que acreditaram não existe mais. O tempo passa, o Escotista desestimula, põe seu boné e lá vai ele para nunca mais voltar. Eles irão guardar os momentos mágicos que passaram com sua garotada. Nada, além disto, a não ser a decepção de pensar que poderia ter sido diferente. Vez ou outra encontra alguém, fala do passado e hoje no presente passa longe do que se acreditou ser uma filosofia de vida para sempre.    

                        E “cá prá nos” você acha que os donos do poder estão preocupados? Nem pensar. Para eles se foi embora já foi tarde. Afinal eles sabem que centenas de novos aparecerão. Eles compraram as novas ideias e nunca em tempo algum irão reclamar. Irão pagar as taxas com gosto, ficarão anos juntando seu dinheiro suado para ir a uma Aventura Escoteira Nacional. E aqueles mais bem abençoados financeiramente irão sorrir quando pegarem suas mochilas e partir para um Jamboree qualquer nas “Oropa”. É sempre assim. Para cada dois meninos cem adultos viajando para alardearem que estiveram lá. E eu que pensei que o escotismo fosse para os jovens. Enquanto os mais abastados vibram e participam de tudo os menos abençoados ficam lá nas suas tropas nas suas alcateias tentando sobreviver. Afinal eles são imaturos na arte de arrecadar dinheiro, e sorriem quando tentam entender a prestação de contas da sua associação ou região, pois nada entendem disto. Eles aprenderam que o caixa é mais importante que o amor Escoteiro, o abraço Escoteiro a lealdade e o aperto de mão.

                     Eu um Velho Chefe Escoteiro calejado já vi coisas do arco da velha. Dou-me ao luxo de desaprovar, censurar e condenar tais lideres que para mim não sabem “fazer a massa e querem fazer o pão”. Posso falar de cátedra. Já fui um dirigente regional, nos tempos da diligencia eu rodei meu estado, nenhum grupo ficou sem uma visita. Fiz realizar Indabas distritais e regionais, precisava saber o que todos pensavam e por em prática. Realizei com a ajuda de grandes assistentes vários acampamentos regionais. E os cursos? Muitos gratuitos. Outros dizíamos a taxa é mínima se não puder pagar venha assim mesmo. A luta era para conseguir doações e não para fazer caixa. Quantas correspondências enviamos? Quantos parabéns a você? Quantas cartinhas perguntando: - Porque saiu? Podemos ajudar? Estas mudanças, estes sorrisos de vencedores nas fotos quando eles se reúnem me dói fundo. Sei que não o futuro que sonhei dificilmente irá realizar.

                      Posso ser um “garganta”. Metido a profissional Escoteiro, mas não sou amador. Eu e uma equipe formidável que lutou pelo escotismo no passado fizemos o impossível. Hoje não, agora só doutor, pedagogos, copiadores do mau escotismo em alguns países aonde vão a buscar suas experiências para aplicar aos cobaias de um escotismo que tenta se levantar. Quando digo isto muitos se revoltam. Mas revoltar por quê? Quem nos reconhece como um movimento educacional na sociedade Brasileira? Quem nos dá o valor devido nas esferas governamentais e empresariais? Uns gatos pingados. Enquanto isto lá estão eles dizendo que vamos entrar em uma nova era. Que estamos crescendo (quanta potoca, quanta embromação). O que eles sabem fazer mesmo e ainda fazem muito mal é abrir processos judiciais contra aqueles que não querem ser desta associação e fizeram a sua, gastando o dinheiro dos associados, não dando satisfações de quanto foi se perderam ou ganharam. Enfim estou Velho demais para ver que o caminho do sucesso não é este. Quando um “Chefe” me escreve dizendo que temos que viver o presente e o passado só serve para lembrar fico triste. Triste por ele.


                          E lá estou eu neste dia sombrio, na minha varanda, sonhando o impossível que ainda tenho dois braços fortes e duas pernas para andar como disse Caio. Mas a verdade é outra. São recordações que vagueiam a mente no passado e no presente. São boas lembranças que nos faziam felizes, momentos inolvidáveis e inesquecíveis. Se pudesse ter o dom de voltar atrás e decidir estes momentos que vivem na memória eu não mudaria uma vírgula que fosse. Mesmo que as reticências do presente assim o exigissem. Meu passado me ensinou sim, pois hoje eu sei “Fazer a massa e sei fazer o pão”. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Aceita meu convite? Hoje vou convidar você: - Vamos acampar?


Aceita meu convite?
Hoje vou convidar você: - Vamos acampar?

               Aceita? Não se preocupe faremos um acampamento fenomenal eu e você. Vamos seguir o vento que sopra forte e viçoso nas montanhas douradas do Vale Feliz. Vamos até lá. Como é que se canta? – Mochila nas costas, bandeiras ao vento para o nosso acampamento que nunca mais vamos esquecer. Iremos acampar a moda antiga, mesmo sendo só nós dois. Não se preocupe, sei dar um jeitinho em tudo, mas não esqueça se vai para o mar prepare-te em terra. Portanto leve somente o mínimo necessário para três dias. Uma mochila que desliza gostosamente em suas costas, que não vai deixar você não mão. Coloque dentro dela pouca coisa. Só o que vai usar, pois se sujar vou lhe ensinar a lavar e passar a moda escoteira. Leve a Ração A, se faltar lá aonde vamos tem um manancial enorme de coisas deliciosas para comermos. Tem peixe no remanso do Boi Bravo, tem codornas lindas no Penhasco do Sol. Tem quatis ligeiros, tem tatus bola a dar de pau. Não tem coragem de comer? Sem problemas então vamos mudar o cardápio.

                Lá meu amigo ou minha amiga tem maxixe, aquela de caule rasteiro, tem taioba na beira do regato, afogada é gostosa demais. Têm jabuticabas, que dão o ano inteiro, goiabinhas chinesas que afogadas fazem uma sopa nos trinques. Tem mandioca, dizem que é brava, mas bem afogada e frita só de pensar me dá água na boca. Tem Lobrobô, que parece quiabo, mas não é. Vixe! Lá é um paraíso, se quiser podemos ficar lá por anos a fio. Não se encante com as amoras selvagens, são boas, mas que dor de barriga elas dão. E quando lá chegar, você vai me ajudar, Vamos armar um toldo, barraca não, pesa e a subida é de lascar. Tão fácil fazer uma cabana, o teto está lá nas folhas grandes das arvores gigantes, o Bambu não vai faltar, levar sisal? Nem pensar, cipó tem a rodo, daquele tipo minhoca ou jaracuçu. Não é este o nome? Um Engenheiro Florestal um dia me ensinou. Mas a palavra é difícil demais.

                  No primeiro dia conto com você. Vamos fazer um belo campo, com boas camas improvisadas de bambus verdes amarelos ou imperiais. Lá tem todos eles. Você vai aprender a usar o cipó na quadrada, paralela ou diagonal, vai aprender a fazer uma rede na cama toda de cipó trançado usando uma costura de arremate que aprendi com índios nativos de terras distantes. E não se esqueça da Cadeira de Balanço, da mesa circular, do fogão tropeiro, pois o de barro não vamos usar. Claro, faremos um fogo estrela, um fogo reflector se fizer frio. Hã! Esqueci-me de dizer, lá tem Fruta Pão, tem Rosa Silvestre, tem Acácia e Taboa, portanto a sobremesa está na mesa. E quando a tarde chegar vou levar você para conhecer as pedras brilhantes no fundo do Riacho da Chuva. Lindo demais, você mergulha e no fundo são tantas pedras que parecem preciosas, mas não são. No fundo elas brilham, parece um chão de estrelas e se puder prender a respiração iremos mais fundo, até a entrada da Mina Venturosa, lá sim depois que acostumar à escuridão veremos coisas sensacionais.

                 O almoço eu fiz questão de fazer. O jantar é com você. Quem sabe uma sopa de mandioca? Ou de Feijão do mato? Você escolhe. E depois do jantar, à noite chegando, os pirilampos com suas lanternas se mostrando, os vagalumes fazendo sua festa próximo a nós, uma coruja no carvalho piando e quem sabe vamos receber a visita do lobo Guará? Ela ou ele adorava uma carninha. Trouxe a linguiça que lhe falei? Ele ou ela vão adorar. E assim no escuro da lua, a mata falando que logo o Uirapuru vai cantar. Então eu e você sentamos na porta da nossa cabana, um fogo estrela aceso, e como bom Escoteiro uma história vou contar. – Era uma vez, no tempo de Baden-Powell, onde a mata avançava na trilha da estrada, cinco meninos de chapelão e lenço no pescoço iam se aventurar... Ah! Histórias fique tranquilo sei dezenas delas.

                Aos poucos se ouve ao longe o canto da Cotovia, um céu de estrelas brilha no ar. Desculpe a invasão, mas é hora da coruja buraqueira pousar no meu ombro. Ela sempre faz isto. Quer também? Sem problemas, Pegue um inseto qualquer, se achar um gafanhoto melhor. Eu não daria a ela, amo demais o gafanhoto. Mas quem sabe uma minhoca? Ofereça e lá vai ela pousar no seu ombro. Você sabe cantar? Cante! A passarada noturna adora. Já vi um bacurau e um corvo entoarem uma linda canção de ninar. Deixe o fogo sem alimentar. Deixe pequenas chamas elevarem ao céu as labaredas vermelhas, amarelas até o vento as levar no espaço sideral. Lembre-se, você fez um café quentinho. O bule ou a chaleira está nas brasas acesas, mas esqueci, quem sabe é um gaúcho e o chimarrão não vai faltar? Posso tocar minha harmônica? O que gostaria de ouvir? Céu de estrelas? A natureza em flor? O sonho do menino Escoteiro? Quem sabe fugindo da rotina posso tocar a mágica Serenata de Schubert? É linda demais, não há quem resista.

                        Viu como os dias passaram sem a gente perceber? A gente subiu naquele Jequitibá-rosa para ver o ninho do Jaburu, você usou o nó de evasão para descer naquela linda castanheira do Pará. E olhe, eu dei belas risadas na escadinha que fizemos para subir ao alto da Gameleira, que alguns chamam de figueira brava, e você riu demais. Lembra-te quando fomos até o pico do roncador para ver o sol nascer? E você cheio de bocejos não queria levantar para ver o maior espetáculo da terra que é olhar um alvorecer na mata, vendo o sol chegar, jorrando labaredas vermelhas como se fossem luzes de natal. Um espetáculo tão sublime que eu e você deixamos lágrimas molharem nossos olhos naquela manhã gloriosa. Mas tudo que é bom dura pouco. É hora de voltar. Eu e você tivemos a alegria de ver as imensas planícies do Vale Feliz. Procuramos borboletas coloridas que escondidas nas flores silvestres procuravam o mel para se alimentar. Ah! Meu amigo ou minha amiga, eu amo a natureza, eu amo viajar nos vales verdejantes. Eu amo ver o vento soprar. Ele canta suavemente e me diverte quando parte para o infinito.

                    Sei que você assustou com aquelas bravias tempestades que nos pegou de surpresa na curva da Lua Branca. Pegou você não eu. Eu vi aparecerem às nuvens baixas cor de cobre e sabia que seria um temporal que se descobre. Mas se havia vento e depois água me convenci que não iria fazer magoa. A chuva ia passar. Você molhou, brincou pulou na grama daquela clareira onde acampamos. Mas que foi bom foi. Eu me diverti a beça, matei minhas saudades e fiquei feliz estando ao seu lado. Gostoso demais beber a água da fonte, esconder do sol na sombra de uma peroba rosa, dormir sob as estrelas e ver um cometa enorme com sua cauda colorida passar. E então gostou? Vamos voltar um dia? Lembre-se você meu amigo ou minha amiga sempre serão meus convidados.


“Acampar é sentir a natureza no coração, é vibrar com o encanto do nascer e do por do sol”! 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Programas de reuniões de Tropa.


Conversa ao pé do fogo.
Programas de reuniões de Tropa.

                  Você gostaria que eu fizesse cem programas de reuniões de tropa para você? Será isto mesmo correto? Bem se você está acostumado a se matar as noites com seus assistentes para preparar programas a curto médio e longo prazo e gostaria de ter tudo de mão beijada, tudo bem. Desculpe, mas é um problema seu. Eu sei que sua Tropa vai sorrir e muito com o estupendo programa do seu Chefe. Lembro que em muitos cursos quando os alunos chefes discutiam em bases sobre tais assuntos, eram tantas ideias que ao debater em plenário ficávamos abismados com a criatividade de muitos. Daria para escrever um livro de duzentas ou trezentas folhas. Mas se quer mesmo saber este não é o caminho. Afinal se todos receberem de mão beijada hoje o programa pode ser ótimo, mas com o tempo não chegaremos a lugar algum com o que pretendemos na formação dos nossos jovens Escoteiros.

                  Não gosto muito de dar muitos pitacos em programas de reuniões de tropa. Na minha vida de Chefe no inicio sem saber eu fiz milhares deles e participei como jovens sugerindo outros tantos. Custei para chegar à conclusão que programas só são bons quando tem a mão dos escoteiros e principalmente dos monitores. Confiar neles é tão valido como parabenizar suas conversas com seus amigos de rua ou de bairro. Lá fazem programas na hora. E olhem eles adoram. Porque não deixar boa parte do programa na mão da patrulha? Deixar fazer e não ficar dando pitacos. Deixa-os fazerem e depois que discutam entre si as vantagens e desvantagens. Eles são quem devem decidir qual o melhor, sem esquecer que você está ali para orientá-los no caminho certo. Não foi assim que BP criou o método Escoteiro e o Sistema de Patrulhas? Acho que isto deve estar sendo discutido nos cursos de hoje. Se não está temos alguma coisa errada. – Programando o Programa tem de ser a preocupação máxima de um Chefe Escoteiro. Vejamos o que alguns escotistas de tropa hoje em dia estão fazendo para montar seus programas:

- Na semana ou no mês, com auxilio de assistentes (ou mesmo só) em casa de um deles, prepararam o programa. Costumam fazer até cinco ou seis e conheci alguns que faziam para todo o trimestre. Sempre eles decidindo tudo. Como o adestramento ou formação das atividades técnicas e etapas progressivas ficam nas mãos dos monitores, eu sabia que tal programa iria deixar a desejar no crescimento individual de cada um. – Não vamos esquecer do sábio que deixa tudo para o sábado. Antes ou depois do almoço ele rabisca o que acha que será seu programa de Tropa. Eles eu sobe que alguns ainda vestem o uniforme na sede. Bonito exemplo ele está dando.

- Tem aqueles que jactam-se de ter tudo na memória. Sabemos que ele é um ótimo Chefe, com muitos conhecimentos e sabe como improvisar quando preciso. Ele já decorou – BOIA! – Bandeira, oração Inspeção e caramba, esqueci o que seria o A. risos. A garotada se diverte com um “racha” de bola, ou jogos já batidos, mas que fazem sucesso sempre que colocados em ação. No sábado seguinte ele verifica que alguns não vieram. Hora de mandar um aviso ameaçando os faltosos disto e daquilo. Sei que muitos fazem o certo. Bons programas do que foi proposto no Sistema de patrulhas. Bom Chefe é saber ouvir e ser um coadjuvante. Se a tropa aplica o sistema de patrulha não tem erro. Não sei se hoje em dia em qualquer reunião de tropa é dado tempo para que as patrulhas se reúnam entre elas e os monitores liderar como deveriam liderar. É nesta hora que surge boas ideias e se dá liberdade aos patrulheiros de opinar e divergir. Minha opinião (posso estar errado) como deveria funcionar o verdadeiro sistema de Patrulhas. Alguns exemplos:

 - Conselho de Patrulha - Reunião programada pelo monitor, semanalmente, antes ou depois da reunião, onde se discutirá além de outros assuntos de interesse da patrulha, as sugestões de programas, visando o adestramento progressivo, e sugerindo outras atividades extra sede que porventura podem dar mais conhecimentos a patrulha. Muitas patrulhas bem formadas costumam fazer suas atividades ao ar livre sem a presença dos chefes. Claro que todos os cuidados serão tomados.

- Conselho de Monitores – Ideal para montar programas de reunião, com sugestões discutidas nas patrulhas. Um Conselho de Monitores não precisa da presença do Chefe afinal ele é informal, sem místicas, apenas uma reunião de amigos para colaborar com o Chefe. Tudo ali discutido vai passar pelo crivo da Corte de Honra. Ele pode ser feito na sede ou na casa de um dos monitores. Algumas tropas fazem mensalmente e outras de dois em dois meses. Os monitores podem convidar o Chefe ou assistentes quando acharem que precisam de opiniões. Como disse ele é informal e não ter poderes de decisão.

                      Aprender a fazer fazendo, faz parte do programa escoteiro e talvez um dos principais. Se a patrulha não tem esta liberdade ela não cria, não cresce individualmente e muitos jovens se sentem alijados. Motivo pela qual muitas vezes não participam das reuniões e preferem deixar o escotismo. Posso até dizer e a experiência tem demonstrado que as tropas que fazem seus próprios programa e em alguns casos atividades ao ar livre sem a supervisão direta dos chefes, mantém em suas fileiras por mais tempo seus membros. Conheci Grupos Escoteiros que nunca dispensavam a colaboração dos monitores e dos próprios escoteiros.

                    O Sistema de Patrulhas e a razão da existência de uma Tropa Escoteira. Dizer que está ultrapassado e que B-P hoje pensaria diferente é tentar enganar o bom escotismo que devemos fazer. Os adultos são meros colaboradores e responsáveis pelo desenvolvimento da Tropa e de cada Escoteiro individualmente. Não cabe a eles fazer e nem tomarem a frente de tudo. Conheço tropas que em muitos casos os monitores que mantem viva a chama escoteira e elas funcionam até em casos excepcionais da falta do Chefe. Elas valorizam muito quando tem sua própria patrulha de monitores e acampam com seus chefes aprendendo e trocando ideias. Um bom Chefe lidera como irmão mais velho sua tropa e está de mãos dadas com a Patrulha de Monitores. Acampamentos, atividades e passeios com os monitores e subs fazem do chefe um líder amigo cujos benefícios serão conhecidos em pouco tempo.


                  Sei de muitos chefes que procedem de outra forma. Não sou contra. Baden-Powell sempre disse que o importante é o resultado. Se ele acontece nada deve ser alterado. A melhor maneira de analisar se tudo vai bem é ver se a evasão é pequena. Ela sim pode dar a visão exata do sucesso na Tropa escoteira. Aqueles que têm boas patrulhas, bons monitores, patrulheiros/patrulheiras motivados e com mais de um ano de atividade estão no caminho certo do sucesso. A melhor tropa é aquela que está sempre se motivando, procurando fazer o que gostam se sentindo parte do todo e dificilmente deixando as fileiras escoteiras.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Apenas coisas da modernidade.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Apenas coisas da modernidade.

Nova promessa alternativa nos Escoteiros do Brasil.
O Conselho de Administração Nacional (CAN) estuda criar uma promessa alternativa que englobe outras religiões, credos, espiritualidades e que necessariamente têm Deus como referencia. Ela não vai alterar a existente. Diz o CAN que o objetivo é o respeito à diversidade religiosa dentro da associação. Pedem opiniões de todos que possam dar sugestões. Estes devem se dirigir ao local próprio, ou seja, o site da associação. www.escoteiros.org.br/contato/elogio. Vamos aguardar. Como alguém disse se isto vai ajudar no nosso crescimento e teremos uma participação maior da sociedade brasileira. Porque não? Bem vindos aos tempos modernos.

Eleições regionais em 2016.
Aproxima-se a troca de “comando” das regiões Escoteiras. Os candidatos começam a aparecer. A primeira “chapa” se chama POR AMOR A São Paulo. Suas propostas podem ser vistas na sua Fanpage. Todos conhecidos e batalhadores pelo escotismo paulista. Como sempre prometem algum muito importante: - Transparência consulta pesquisa etc. Gosto de ver a turma interessada fazendo politica. Agora aguardar as demais “chapas” e suas “promessas de campanha”. Adoro promessas. Na maioria nunca são cumpridas. Meu medo é sair um Presidente tipo o que temos visto por aí na presidência da Republica e no Congresso Nacional. Risos. Deus me livre. Vamos aguardar. Bem vindos aos tempos modernos!

Membro do CAN prestando contas.
Em seu estado um membro recém-eleito do CAN realizou uma apresentação dos sete primeiros meses de seu mandato como Conselheiro Nacional. Quase setenta presentes na sua explanação. Dissertou sobre algumas ações desenvolvidas junto ao CAN e iniciativas dos Grupos de Trabalho que faz parte. Eventos nacionais, Avaliação do Planejamento Estratégico e participação na Comissão Nacional de Reconhecimento e Condecorações. Mostrou que seu mandado será transparente. Bom mesmo seria uma transparência da liderança escoteira no Brasil. Quem sabe começar a conversar, escutar e pesquisar? Bem vindos aos tempos modernos.

Aumento do efetivo.
A uma euforia no ar. A EB (Escoteiros do Brasil) irá registrar este ano um número superior a 80.000 membros. Poderá chegar a 81.000 ou 82.000. Superou assim quase cinco mil do ano anterior. Só não explicou porque comparou 2014 a 2010 e achou que teve crescimento fantástico. Não explicou a evasão de quase 5.800 membros neste ano. Enfim, é um sobe e desce enorme. Um ano sobe outro ano desce. Quem sabe os novos membros do CAN iriam ser mais transparentes nestas informações? Bem vindos aos tempos modernos.

Pesquisa de avaliação.
Os Escoteiros do Brasil lançaram uma pesquisa de avaliação dos eventos nacionais. Querem conhecer as preferencias e sugestões dos associados. Pretendem oferecer eventos cada vez melhores. Irão discutir também as taxas cobradas para todas as atividades. Os questionários são direcionados conforme o ramo. Pontos diferentes para jovens e adultos. No “Meu Sigue” é aberta a participação de todos associados que estão devidamente registrados. Não entendo bem esta forma de pesquisa. Já fizeram tantas sem sabermos os resultados. E a discussão dos novos estatutos? Vamos aguardar. Bem vindos aos tempos modernos.

A Frente Parlamentar em ação.
Comenta-se que a Câmara de Deputados analisa o Projeto de Lei 20/15 do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) que classifica gastos com o apoio ao escotismo como gastos com educação para efeito do cumprimento do mínimo constitucional de investimento na área (?). Serão válidos os gastos com apoio a programas de inserção do escotismo na rede regular de ensino, em atividade extraclasse fora do horário escolar regular. Pela constituição a União é obrigada a gastar em educação 185 da arrecadação de impostos. Caso a proposta seja aprovada gastos com a promoção do escotismo fariam parte da conta. O deputado em questão já foi relator da medida MP 671 da renegociação das dívidas dos clubes de futebol. Dizem que levou bola nas costas. O lobby da CBF atuou forte para descaracterizar o texto no dia da votação. Bem vamos confiar. Bem vindos aos tempos modernos.

Baden-Powell devia ser esquecido.
Um relato de um articulista Escoteiro dizia que precisamos esquecer um pouco este velhinho Escoteiro. O que ele escreveu não é mais tão importante assim nos dias de hoje. O colunista Escoteiro cita a adoração de muitos pelas suas frases e comentários que hoje não tem mais a validade que teve nos tempos de outrora. Quem sabe suas idéias não todas, mas parte delas são ultrapassadas. O articulista rebate a onda saudosista e diz que precisamos acender a chama para a nova pedagogia dos novos tempos que virão para o escotismo. Confirma que as tradições devem ser lembradas e que elas hoje não têm grande significado para os jovens. O jeito é esperar os resultados. Quando virão? Bem vindos aos tempos modernos.

Um Velho Escoteiro chato de galocha comenta:
Para uma população de mais de 204 milhões de habitantes quantos são os Escoteiros do Brasil? – Quando em 1910 o escotismo espalhou por diversos países nesta data o Brasil estava incluindo entre os dez primeiros que adotaram o escotismo como forma de educação aos jovens. Dentre estes temos o menor número de membros praticantes. Levando em termos nossa população, temos o menor efetivo Escoteiro da América Latina. Este Velho Chefe Escoteiro viu em sua vida adulta muitas promessas, muitas inovações, experiências fantásticas e até mesmo planos que não coadunam com a politica badenianas. Este Velho Chefe Escoteiro acredita, entretanto que um dia teremos um escotismo forte, unido, fraterno e quem sabe, uma pequena pitada do método de B.P. Será que vale a pena esperar? Bem vindos aos tempos antigos. Ops! Modernos, desculpem.


Enquanto isto eu e o Chefe Elmer continuamos a escrever sobre escotismo. Pode? Tempos modernos. Kkkkkkk.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Significado das Cerimônias


Conversa ao pé do fogo.
Significado das Cerimônias

GRANDE UIVO significa uma forma de mostrar que os Lobinhos estão prontos para obedecer às ordens do Akelá e, mais do que isso, fazê-lo da forma Melhor Possível! Assim, é também uma forma de reafirmar a sua Promessa e dar boas vindas ao Akelá. Esta cerimônia lembra as reuniões da Roca de Conselho, onde o Akelá ficava sobre a pedra e os Lobinhos à sua volta, prontos e fiéis para cumprirem as suas ordens.
CAÇA LIVRE significa que a partir deste momento os Lobinhos caçarão sozinhos, sem a liderança do Akelá, por esse motivo deve ser feita somente no final da atividade, realmente no momento em que o chefe da Alcatéia deixa de exercer vigilância sobre os Lobinhos, desenvolvendo assim um sentimento de responsabilidade. Liberações durante a reunião correspondem ao “BOA CAÇADA”.

A PROMESSA além do significado primeiro que é o compromisso assumido que resulta na entrada do membro na fraternidade escoteira, o Lobinho tem o seu lado romântico que é analógico ao tema da Jângal, ou seja, ele passa ser um lobo, ele ingressa na Alcatéia de Seeonee e passará a viver de acordo com as suas leis e sob a liderança do Akelá.

A PASSAGEM DO LOBINHO, indiscutivelmente, é a retratação da história a embriaguez da Primavera, onde o Lobinho deixa a Jângal e ingressa na Terra dos Homens, que vem a ser a Tropa formada ao lado da Alcatéia. O obstáculo existente entre a Alcatéia e a Tropa significa os próximos obstáculos que ele terá que vencer, só com seus próprios conhecimentos e sem ajuda dos Velhos Lobos. Esta é uma das cerimônias mais bonitas e tocantes na Alcatéia; por isso, deve ser preparada com cuidado e observados os seguintes itens para que alcance o seu objetivo:

1.     É importante que seja explicado antes o significado da cerimônia ao Lobinho, para que ele compreenda o seu significado, os demais Lobinhos e a Tropa também deverão estar conhecedores do significado que poderá ser relatado sucintamente no início da cerimônia, acrescentando-se detalhes a cada nova passagem, ou mesmo, poderá vira a ser relatado em uma determinada reunião de Tropa.
2.     É sumamente importante que a Chefia de Alcatéia demonstre a alegria e o orgulho por seu Lobinho estar alcançando este novo estágio, a cerimônia deverá ser alegre o suficiente para demonstrar isso.
3.     É também importante à presença do Presidente/Diretor Técnico do Grupo nesta cerimônia, o que irá evidenciar o sentido de globalidade e identidade do Grupo Escoteiro. Poderá haver algumas atividades conjuntas entre a Tropa e a Alcatéia, coordenada pelos dois Chefes de Seção, neste dia, o que acentuará o espírito de Grupo.
4.     Reafirmar a sua Promessa e participar do Grande Uivo significa fidelidade a estes princípios até o fim.
O regresso de Mowgli já crescido à Aldeia hindu é à entrada do indivíduo adulto, bem equipado, na vida social e comunitária.
Os animais na realidade são como ele, estão no interior dele, mas agora ele está pronto para viver com os homens, agora começa a sua vida humana. A Lei da Selva ensinou-lhe o que é ou não aceito na sociedade e, graças a ela, Mowgli é capaz de uma vida mais evoluída.

O Livro da Jângal encerra toda uma filosofia!

Aplicação destes valores
É preciso ter em mente a importância de todos estes significados para podê-los aplicar corretamente; à medida que associamos nossa vida de Alcatéia a vida de Seeonee, assumimos um compromisso de sermos fiéis a ela, sob pena de destruirmos a própria credulidade nos valores que tentamos transmitir.
Exemplificamos: Um Akelá deverá analogicamente liderar por ser o mais forte, pensar na coletividade, espelhar o que Akelá é na história, então um Akelá que procurar primeiro satisfazer suas necessidades deporá contra a imagem do líder, um Akelá desmazelado demonstrará que não sabe mais, pois não sabe nem se cuidar. Assim, destruiremos tudo o que a história pode construir.

Da mesma forma, não podemos fazer que meninos “encarnem” a figura de lobos se o fundo de cena da atividade for totalmente incompatível com a Jângal, tanto do ponto de vista técnico (daí o fato de não haver Modalidade para o Ramo Lobinho) quanto na própria expressão dos valores (que animal da Jângal praticaria jogos de azar, por exemplo?). Para que estes valores, tão a propósito e de acordo com a realidade infantil possam funcionar, é preciso que primeiro, nós os levemos a sério, os saibamos entender, para depois aplicá-los corretamente, oferecendo assim aos meninos rica flora de aventuras, capaz de fazê-los sonhar e vibrar, acrescentando às suas vidas dádivas importantes de caráter que melhor os prepararão para a vida adulta. Os fundamentos da Alcatéia e a razão do seu sucesso são:
§  Obediência e respeito ao Akelá.
§  Capacidade de renuncia aos interesses individuais em proveito dos interesses coletivos.

§  A lei da selva conhecida por nossos Lobinhos, que estabelecem pensar primeiro nos outros, abrir olhos e ouvidos, estar sempre alegre e limpo, ouvir velhos lobos e dizer sempre a verdade, são como uma tradução infantil das atitudes e condutas próprias do indivíduo que está em boas relações consigo próprio e com a sociedade.

sábado, 14 de novembro de 2015

Nada acontece por acaso.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Nada acontece por acaso.

               Não tenho o dom de conhecer a verdade. Sou um simples mortal e não um Velho feiticeiro. Alguns ainda perdem tempo lendo o que escrevo, mas outros tantos passam longe dos meus escritos. Dizem que tenho a mente no passado sou saudosista e não vejo o presente. Bem cada um tem o direito de dizer ou pensar de mim o que quiser. Tinha uma miscelânea de temas para escrever e separei alguns. Vou me meter em áreas que desconheço, afinal sou um Velho Chefe Escoteiro iletrado e o pior pobre. Risos. Não posso montar uma assinatura bonita nos meus e-mails dizendo tudo que sou. Têm assinaturas lindas, Doutor Fulano, Pedagogo, Professor Universitário, Jornalista, CEO de uma multinacional e assim por diante. Pensei em criar uma: - Chefe Osvaldo, um Escoteiro fora do seu tempo. Chefe? Escoteiro? Já vi alguns do movimento que dizem detestar esta palavra. Dizem que quem tem Chefe é índio. Achei que era cacique. Bem meus conhecimentos não vão a tanto.

                 Estamos aí às voltas com as estudantadas. Agora tomam escolas, fecham tudo e os pais e professores do lado de fora aplaudindo. Devem ter razões de sobra para isto. Afinal nossos governos são ineptos e só se preocupam com eles próprios. Li aqui e ali as razões do Secretário da Educação. Li também as metáforas dos estudantes colocando seus pontos de vista. Nada contra. Como sou antiquado achei que a escola era para estudar, aprender crescer e ser alguém. A minha primeira escola ficava a cinco quilômetros da minha casa. Levantava cedo e só as duas ia almoçar. Devia ter feito uma intervenção ou mesmo uma passeata. Quem dera, era outros tempos como dizem por aí, hoje a liberdade ainda que tardia prevalece. É mesmo. Outro dia mesmo encerraram a greve dos professores. Não sei quantos meses. Receberam seu pobre dinheirinho todo mês e não trabalharam. Mas eles precisavam mostrar que eram abnegados e o governo não reconhecia seus valores. (e não reconhece mesmo).

                        A estudantada se diverte. Já aparece nas janelas o líder. Dá ordens, diz o que deve ser feito, mostra sua indignação. Não posso retirar a razão dele. Sempre olho no futuro e o vejo como um futuro politico, quem sabe começa com vereador e termina como senador. Não tem um lá que foi assim no passado? Falando nos políticos estamos bem arrumados. Todos maldizem a maioria. São chamados de tudo. Levam à pecha de corruptos, alguns dizem que é coisa da oposição. Gosto de ver as defesas que fazem. Não sei se foi Getúlio Vargas quem disse – Que moralidade é essa? “Aos amigos (ricos) tudo; aos inimigos (pobres) os rigores da lei”. Disseram-me que foi Rui Barbosa o autor, mas o Google me contradiz. O pior de tudo que vivem apregoando que o “Petróleo é nosso”. Eu nunca recebi um centavo sei que paguei a gasolina todas as vezes que precisa encher o tanque. Encher? Isto é piada. – Moço, bota dez paus!

                         Querem derrubar a presidenta. Na minha opinião não foi honesta. Eu sempre votei no PSDB, mas o que ele faz hoje? Puxa o saco de quem não merece e quando o barco começa a afundar ele salta fora. Como dizem por aí, descem do muro. São poucos que ainda tem dignidade para continuar no cargo. Mas têm outros de outros partidos que merecem meu apreço. Não sei se eles foram tomar banho na Lava Jato. Ainda bem que os heróis são poucos e um juiz herói mostra a nação que podemos ter leis. Põem grandões engravatados atrás das grades. Eles berram, seus advogados citam leis, na mente deles os diretores e presidentes são perseguidos pela justiça do Juiz. Sei lá. No fundo eu gosto de ver eles no xilindró. Estou a pensar em quem vou votar no ano que vem. Dei uma olhada na lista que a UEB convidou para participarem da Frente Parlamentar Escoteira. Humm! Sei lá. Para mim não sobrou nenhum. Como tenho 74 e entrando nos 75 anos não sou mais obrigado a votar. Mas a coceira de dar meus pitacos é demais.  

                      Queria falar sobre leis, direitos e deveres. Com que argumento devo começar? Veja o que acontece hoje. Todo mundo tem direito. Junta um punhado de vinte ou trinta, tem aqueles que consegue cem ou mil e lá vão eles fazendo sua passeata pelas ruas sem perguntar se o direito deles termina onde começa o meu. Eles tem razão? Claro que tem. Suas causas são justas, mas e a minha que tinha horário para trabalhar, horário da consulta ao médico, horário de estar no fórum para explicar ao Juiz porque não paguei a prestação e ao banco não vale? Pensei com meus botões (quase não tenho nenhum, perdi a maioria da blusa de frio de tão velha que ela é.) Será que não tenho direitos? O moço para o carro na minha porta abre todas as portas e a todo volume coloca suas músicas preferidas. Cada um de correr para os Montes Apeninos.  Eu que gosto de ouvir nas minhas horas calmas um “L’orfeu de Claudio Monteverdi, ou Dido Ands Aeneas de Henry Purcel, ou mesmo um Giulio Cesare In Egitto de Georg Friedrich Händel me estremeço e começo a ficar louco”.

                       Ah! Leis. São estupendas. Outro dia um Chefe me disse: Não podemos mais acampar, mochila as costas, bandeiras ao vento. Se não der certo um pai ou uma mãe nos processa e nos coloca no xadrez. Afinal a UEB insiste no ECA (Estatutos da criança e do adolescente). Agora tem até curso para isto. Se não fizer não pode ser Chefe. Lembro-me de Dona Sinhá, sabe quem é ela? Uma vara de marmelo que minha mãe tinha atrás da porta do banheiro. – Vado Escoteiro! Se errar vai prestar contas a Dona Sinhá! Já pensou eu menino, chegando à escola e dizendo a Dona Terezinha minha professora que ia ocupar a sala e ela se retirasse? Será que mamãe e papai ficariam na porta me aplaudindo? E viva a Dona Sinhá! Enquanto isto a juventude toma conta. Cheguei outro dia em casa de um amigo. Todos na sala. Lindo de morrer! Há tempos não via isto. A mocinha com seu smartfone na mão nem me olhou. O jovem sorriu ao me ver e pregou os olhos mais ainda no seu novo tablet. A esposa velha conhecida me disse oi com os olhos pregados no seu celular. O Chefe meio sem jeito me disse: Chefe Vado Escoteiro pode me esperar um pouquinho?


                        Não desisto, nunca desisti. Sou espiritualista, acredito que novos tempos virão. Hoje está aqui uma horda de espíritos que foram dados novas oportunidades. Se eles vão aproveitar ótimo. Se não irão pagar por isto e voltarão quantas vezes se fizer necessário. Outras religiões também tem sua explicação. Deus acima de tudo e Jesus no coração. Ainda bem. Os Ateístas vivem com os pés no chão. Morreu bau bau. Quem sabe é melhor assim? E o escotismo? Dizem que vai bem obrigado. Ainda com a sede do poder. Que poder? Ah! Sim o tal poder do nada. Mas a fila é grande e a procura enorme. Todos querem uma boquinha na corte. A fila dos formadores não para de crescer. As razões continuam as mesmas, fazer do Brasil uma grande nação escoteira. E tome normas, leis e o escambal. Sem conversa Chefe! Não tem registro? Se prepare, irá pagar todos os seus pecados nas raias de um fórum qualquer. E olhe esqueça o SINGUE. Ele é o coração Escoteiro. Como não tem este direito vai pagar tudo que deve e o que não deve. Aguarde para breve um processo judicial! Falar mais o que?