domingo, 28 de setembro de 2014

Afinal, mudar ou não mudar? Eis a questão.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Afinal, mudar ou não mudar? Eis a questão.

Vejamos:
                         No Brasil o Grupo Escoteiro é considerado a célula mater para manter a formação do jovem deste a mais tenra idade até a idade da razão (24 anos) ou mais. Isto até hoje é um fato e nunca foi discutido abertamente se tem vantagens ou não. Aceitamos sem discutir. Chamamos o Grupo de a grande família. O jovem entra e cresce entre amigos aprendendo e fazendo o que o método Escoteiro propõe. Pensando em termos de 4 sessões em funcionamento (Alcateia, Tropa Escoteira, tropa sênior e Clã Pioneiro) tem que existir uma estrutura quase empresarial para o desenvolvimento das necessidades do grupo escoteiro. Uma boa diretoria, um bom corpo técnico de chefia e claro, uma sede própria (sonho de todos) ou não. Área para atividades enfim uma parafernália de necessidades que todos nós sabemos que deve existir afinal foi de lá que surgimos como Escoteiros.

                     Sabemos que nem cinco por cento dos grupos Escoteiros no Brasil alcançam com sucesso estas necessidades. As maiorias dos grupos sofrem com a falta de estrutura, muitas vezes nas mãos de um idealista, que fundou o grupo e permanece a sua frente por toda sua vida. Para ele é sua capitania e ele não abre mão. Certo ou errado dificilmente vinte por cento dos que iniciaram suas atividades como lobos irão até pioneiros. Francamente estes vinte por cento é ainda benevolente.
Temos uma série de dificuldades para crescer. Batemo-nos em muitos temas pensando em crescimento quantitativo e qualitativo e aos poucos cada um vai evoluindo seu aprendizado, mas deixando pelo caminho amigos que resolveram mudar seu rumo de vida assim como muitos jovens que preferem não continuar.

                    Pensando em termos de países que tem uma estrutura diferente, já com um efetivo consolidado por anos e anos sabemos que muitos deles não utilizam a estrutura de um Grupo Escoteiro. Seria então uma razão para pensar se estamos no caminho certo com esta célula que dizem ser a mais importante no escotismo nacional? Nossos resultados até hoje dizem que não somos vencedores. Pensar em termos de BSA onde se forma tropas ou sessões independentes, vemos que eles são bem considerados pela sociedade americana. Seria exemplo para nós? Poderia servir para nós o seu sistema?  Vale a pena pensar no assunto? Ou é melhor esquecer e dizer: - O Grupo Escoteiro tem sua razão de ser e nada pode ser mudado.

                    Mas convenhamos, o tema é discutível? Temos como exemplo outros temas interessantes, mas por nos acostumarmos a ele, nos fechamos como uma ostra. A própria UEB merecia uma longa discussão se sua estrutura é a melhor ou não. Entramos no escotismo, vivenciamos e aprendemos a gostar de tudo. Nunca discordar. Sempre tem aqueles que dizem que a prioridade é o jovem. Eles os novos sem perceber acreditam que nossa estrutura é badeniana. Tudo que temos aqui é fruto do que BP nos deixou. Claro que os entendidos, os dirigentes, os politicamente corretos sabem que não é assim. E assim vamos levando sem nunca entrarmos nesta seara. Seria imutável? Sempre me lembro de que apesar de todos dizerem que o Grupo Escoteiro é a razão de ser do escotismo, sabemos que ele não tem voz e voto nas diretrizes organizacionais.  Claro que tem aqueles que dizem o contrário. Mas quem se arrisca a dizer que não?

                  Pegue um voluntário. O coloque a frente de alguma sessão Escoteira. Pronto. Se ele for mordido pelo bichinho Escoteiro não terá mais tempo nas suas atividades familiares e sociais quiçá a profissional. Outro dia recebi um relato de um ex Chefe que exemplificou bem o tema. Estava saindo, pois a pressão era grande e a estrutura de um Grupo Escoteiro não o fazia sentir que participava de uma grande família. Achava ele que para ser um líder Escoteiro a entrega pessoal é tão grande que se esquece da vida familiar e social. Lembremos que tem muitos cuja família não participa e até cobra sua participação. Quem sabe em uma unidade ou sessão autônoma ele teria mais tempo? Sem as programações hoje de grupo distrito e região? Bem para ter certeza precisamos saber como os outros países fazem. Aqui o lema é ou você é um Escoteiro obediente e disciplinado, ou então desista. Escoteiro para muitos é aquele que está presente, sempre dando seu Sempre Alerta, firme junto aos demais não importa se chove ou não. Não seria isto motivo de desistência por parte de centenas ou milhares que desistem do escotismo não importando a idade?

                  Teríamos nós a coragem de repensar o que fazemos? Será que algum dia poderíamos idealizar um escotismo perfeito? Se nos países de primeiro mundo a estrutura de um Grupo Escoteiro como o nosso não existe, porque não discutir o sucesso deles, afinal tem muito maior número de membros Escoteiros não só em qualidade como em quantidade. Qualquer um bem informado sabe que nestes países mais avançados o escotismo é visto como um importante meio auxiliar na educação de um jovem para a vida. E nos enquanto isto pecamos por falta de uma boa divulgação e ficamos na rotina de dizer a A ou B que não vendemos biscoito e nem ajudamos a velhinha a atravessar a rua. É pena que até hoje tenhamos medo de discutir o obvio, ou melhor, discutir se nosso caminho para o sucesso é o mais correto.


                   Vale a pena pensar a respeito?

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O meu rico dinheirinho que o escotismo quer me tomar.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O meu rico dinheirinho que o escotismo quer me tomar.

                    Tem hora que eu estranho a mim mesmo. Do contra? Acho que não. Como ser do contra de um movimento que me deu tudo o que sou? Minha visão pensava eu e ainda penso seria a mesma de todos que em uma época dizia que não precisaríamos de dinheiro para fazer escotismo. Desde os primórdios dos tempos que me sentia feliz escoteiramente falando sem pensar em dinheiro. Na nossa época não precisávamos. – Ei Rael! Sábado vamos para o Vale dos Sinos, ração B! – Simples assim. – Neves, mês que vem vamos a Conselheiro Pena. Dá para passar na estação e falar com o Senhor Nonato? Bom demais. Ele reservava um vagão para nós. Mesmo que fossemos poucos e dizia – Vocês merecem! Material? Uma dupla nas lojas bem uniformizados (disso não abríamos mão), nos armazéns e com aquele belo sorriso para o “Seu” Manoel – Tem um facão sobrando? Sobrando Escoteiro? Sobrando não, mas aqui está eu tenho um para vocês!

                    E nas festas do grupo? – Um telegrama e nele escrito – Camilo, mês que vem é aniversário do grupo, avise todos daí. Aqui não tem problema, conseguimos toda a alimentação. É só vocês conseguirem um caminhão na prefeitura e o resto é conosco! Taxa? Esta palavra não existia para nós. Acho que foi lá por volta de 1952 que soubemos que precisávamos fazer o registro na UEB. Tinha taxa. Tinha papelada. Tinha exigências. Ninguém se preocupou o escotismo continuou seguindo seu caminho como sempre seguiu. Não havia a preocupação de hoje. Alguém se machucou? Lembro-me do Fulgêncio. Quebrou o braço em um acampamento, seu pai disse – Meu filho aprenda, escotismo é prá homem! Era bom demais fazer um escotismo alegre e solto. Mamãe nossa panela furou tem uma para doar? Simples demais. A mochila parecia que ia falar. Leve isto, aquilo e aquilo outro. Pronto. Mochila nas costas, material na carrocinha e lá iam as patrulhas estrada afora cantando o Rataplã!

                  Mas a vida moderna não perdoa. O tempo passa e nós temos que seguir o tempo. Ele não dá trégua. Um dia me disseram que eu era registrado na UEB. Acho que foi em 1956 não tenho certeza e olhe que já era Escoteiro desde 1947. – Chefe na “carteirinha” está escrito que as autoridades são solicitadas a nos prestar toda colaboração que pedirmos. O que vamos pedir? (existia algum parecido no verso da Carteira) – O Chefe gente boa ria e dizia – Não vamos pedir nada, mas já falei com o Doutor Leôncio e o Padre Damalto, ela sendo apresentada vocês podem ir ao cinema de graça! Depois soube que foi a prefeitura quem pagou o registro na UEB por muitos anos. E o mundo continuou a girar, o tempo foi passando, tudo foi se alterando e agora eram exigências atrás de exigências. Não havia como fugir dela, afinal eu cresci e tive de me adaptar. Será que daria adeus aquele escotismo de BP? Chapéu na cabeça, lenço no pescoço, bandeiras ao vento, um sorriso nos lábios e um cantar diferente: - Avançam as patrulhas, ao longe, ao longe...

                  Fecho os olhos e vou para os dias atuais. Não tem como fugir. Taxas da UEB podem ser conseguidas de graça. Temos agora duas classes no escotismo brasileiro. Os ricos e os isentos. Claro que dos ricos tem muitos pobres que passam o ano todo juntando seu rico dinheirinho para pagar a UEB. Nada contra, mas haja dinheiro para eles. O que tem de grupos a fazerem festas e promoções tudo para que o “dólar” entre e possa pagar os materiais Escoteiros, a intendência, o ônibus do acampamento e Deus do céu! Agora tem gente alugando seu sitio ou fazenda para eles acamparem! Pode isto? Todo mundo quer tirar sua xepa. E os vendedores Escoteiros que dizem ter tudo? Panelas, distintivos, camisetas, chapéus lenços, anéis, caramba agora é assim, não tem como fugir. Ou cai de bruços na loja Escoteira ou nos atravessadores. Eles estão errados? Never! Errado sou eu por ser das antigas. Meus distintivos minha mãe fazia e só o noviço, a segunda classe e a primeira classe a gente comprava. Sapato daqui sapato dali, uma engraxadinha e pronto. Meu rico dinheirinho estava pronto para gastar.

                    Mas será que o escotismo é mesmo só para ricos? Alguém me disse que não e outro disse que sim. Eu mesmo tenho vontade de visitar grupos na minha cidade. Lá estão muitos a me convidar. Festa do sorvete, festa do bacalhau, festa do peão, Feijoada de dar água na boca, festa dançante, festa disto, festa daquilo. Seria ótimo eu chegar lá e dar um abraço e um sempre alerta em todo mundo, mas não. Tudo é pago. Beneficente Chefe! Putz! Eu sou um duro, não tenho Money então o melhor é ficar em casa. Obrigado pelo convite! Este ano recebi centenas deles quase todos  seria dinheiro para lá comidinha pra cá! Errado? Nunca, afinal o mundo é outro. Eles precisam. Mas eu nos meus anos de vida sempre fui contra este tal dinheiro. Meu escotismo não precisava e se tivesse forças eu faria o mesmo que fazia no passado. Ninguém se preocupa muito com o Escoteiro pobre. Coitado dele. Inventaram uma vestimenta que ele só pode comprar na mão deles. Ou compra ou fica pelado escoteiramente falando. Como diz o Caco Antibes, “detesto pobre”. Afinal o que ele pode contribuir para o escotismo nacional? Pode pagar? Pode viajar? Tem Money para taxas? Pode ir num jamboree? Pode ir no acampamento regional e distrital? Ele nunca terá condições de ir a uma reunião dos grandões lá em Genebra na Suíça e se sentir importante na WOSM. Nunca. Então o melhor é ele sumir do mapa. Escotismo para pobre? Nem pensar!

                Mas eu gostaria de fazer o Escoteiro pobre feliz. Sem taxas, sem pagar nada. Afinal desafio a alguém que acampou mais que eu. Que rodou terras de bicicleta como eu neste Brasil gigante. Que nunca teve nada e seu rico dinheirinho era uma caixa de engraxate. Quem sabe ainda temos centenas de chefes lutando pelo Escoteirinho pobre, dando a ele todas as condições para que ele um dia não se arrependa de ter sido um Escoteiro. Nada de esmolas. Não precisamos disto. Basta uma vontade, um querer, pensar que somos um por todos e todos por um. Pensar que ou todos vão acampar ou não vai ninguém. – Pedrinho! Vamos na sexta à noite. Leve a ração A e o material C para três dias. Todos sabem do que se trata. Vamos divertir, vamos viver a aventura que ninguém viveu. Vamos deixar os rapazes e moças  serem os aventureiros que querem ser sem pensar no seu rico dinheirinho. Ainda tem muitos lugares para ir de graça. Pagar pela terra para acampar? Na minha terra? Onde dizem que o petróleo é nosso e nunca me deram uma gota dele? Deus meu! Que Cabral me condene, mas nem pensar. Ainda tem muitas pessoas que gostariam de ajudar. Lembre-se que a melhor esmola é aquela que, quando suas mãos estão vazias, você oferece ao próximo à ajuda que elas podem lhe dar.


E por favor, não me leve a mal. Abaixo a riqueza no escotismo e a burocracia. Deus do céu! Quanta burocracia! Mas eu? Eu meu amigo só sei hoje criticar, afinal fiz outro escotismo e como a vida para mim não será mais tão longa, eu meto o pau nos que ainda não aprenderam que o pobre tem de ter o seu lugar. E como diz o mineiro – “Inté” a todos! 


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O Movimento Escoteiro é apolítico?



Acho que ao contrário de ficarmos reclamando devíamos arregaçar as mangas e cobrar dos políticos um lugar melhor

O Movimento Escoteiro é apolítico?

            Não é um tema dos mais interessantes. Mas como teremos eleições neste ano, gostaria de expressar minha opinião, principalmente por ter vivido situações pitorescas em minha vida escoteira. Nosso movimento tem por principio ser apolítico. Acha ele que devemos ficar a margem e não tomar nenhuma atitude em relação a A ou B dos candidatos ou mesmos dos partidos. A Escolha e decisão são individuais e cada um deve saber em quem votar. Até certo ponto concordo. Mas isto não acontece em muitos países que o escotismo cresceu e floresceu. Lá o escotismo deu um enorme salto. Certo ou errado não sei.

Temos como convicção, talvez a maioria de nós, que a palavra escoteira, tem muitas traduções e algumas delas seriam a honestidade, o caráter, a ética, a benevolência, o respeito ao próximo, as leis, enfim tudo aquilo que se espera de uma pessoa respeitada e digna na comunidade. Antônimo de muitos políticos que vemos hoje atuando. Claro, não são todos, têm muitos com excelentes qualidades, mas, não é fácil separar o joio do trigo.

É interessante, quando candidatos estavam sempre nos procurando, mas depois é o contrario. Prometiam como todo político, e depois desaparecem como poeira no ar. Dificilmente vemos na comunidade, na imprensa, qualquer menção de candidatos dizendo admirar o movimento. Difícil, no entanto é mostrarem seu currículo escoteiro, do tempo que colaborou da importância para ele da Lei e Promessa Escoteira, se orgulhar do que aprendeu no escotismo. Nunca vi um candidato de uniforme Escoteiro se orgulhando de ter sido ou ser um de nós. do tempo que colaborou da importância para ele da Lei e Promessa Escoteira, (hoje seu currículo só é mostrando quando em algumas reuniões formais o convidamos a falar sobre seu passado).

Fazendo um pequeno retrospecto, não se encontra em nosso país nenhuma organização, seja ela religiosa, empresarial, social entre outras que de uma maneira ou de outra não se envolvam na política, escolhendo seus candidatos e fazendo marketing deles. Visando sempre se eleitos um futuro melhor seja financeiramente ou socialmente em proveito delas (as organizações) Isto não está errado. No entanto o Movimento Escoteiro no Brasil não faz isto. Diz-se apolítico. Da maneira como estamos concordo plenamente. Não vejo até então alguém que tenha sido Escoteiro (salvo alguns poucos que desconhecemos seu passado e seus objetivos) e que após ter sido eleito, mostrou durante seu mandado que tem honra e honestidade (temos uns poucos casos como exceções) do ponto de vista da Lei e Promessa. Seria bom se tivéssemos condições de conhecer sua plataforma e se basear dentro dos princípios éticos, e que demonstrar ser admirado e respeito como Escotista. Seria o candidato ideal. Será que teríamos?

Nossa arregimentação de adultos na maioria dos Grupos Escoteiros é pequena e a participação quase nula. O que acontece hoje é diversamente contrário do que sonhamos, pois não temos força para reivindicações. Por outro lado sem conhecer profundamente o candidato poderíamos eleger alguém não condizente com os propósitos escoteiros. Isto seria uma decepção em nossos sonhos futuros. Eu mesmo fico constrangido quando alguém próximo tenta me mostrar o valor do candidato que escolheu. Tento ver seu currículo, não aquele de rotina, dizendo eu fiz isto e aquilo e vou mudar o Brasil. Eu gostaria de saber do seu passado, onde pudesse pesquisar se realmente é uma pessoa com elevado Espírito Escoteira, e olhe, mesmo não tendo sido escoteiro.

Mesmo com um pequeno numero de adultos atuantes, tenho certeza que somos uma força respeitável de votos. Como usá-los é que sabemos. Quando descobrirmos isso um salto enorme se terá dado no escotismo nacional.  

Antes de encerrar, gostaria de comentar um filme que assisti há algum tempo, em preto e branco de 1939, onde um chefe escoteiro, estimado em sua cidade e no movimento escoteiro, (foi escoteiro toda sua juventude) e por um motivo ou outro foi “guindado” a Senador em seu país. Achou que encontraria algum em que pudesse acreditar e fazer dos seus sonhos realidade. Viu que não era nada disto. Se um dia encontrarem em alguma locadora aluguem. Vale a pena nestas épocas de eleições.
Mr. Smith goes to Washington –(em português a Mulher faz o homem) Direção de Frank Capra - 1939: EUA:  129 min: branco e –preto - Com James Stewart (Mr. Smith), - Jean Arthur (Clarissa), - Claude Rains (Senador Paine) e - Edward Arnold (Jim Taylor).

Sinopse - O escoteiro encontra as raposas

Somente escoteiros acreditariam na existência de políticos como o senador Smith. Ele é honesto, idealista e tem uma incrível disposição para lutar pelo que acha correto. Está certo que ele é um caipira ingênuo que caiu no ninho das velhas raposas de Washington, mas os filmes de Frank Capra são assim: falam sobre pessoas simples com valores simples.

Jefferson Smith é um inocente homem do interior que é levado a Washington por um grupo de políticos para se tornar senador dos Estados Unidos da América. Mr. Smith (James Stewart) foi designado para o senado americano após a morte do titular da cadeira. O governador que o indicou queria apenas um fantoche para terminar o mandato que não atrapalhasse os planos dos donos do poder local. Mr. Smith foi para Washington e ficou deslumbrado com todos aqueles símbolos patrióticos que ele só conhecia através dos livros escolares e de sua vida escoteira. Os problemas começaram para ele quando resolveu apresentar um projeto no senado. Sua intenção era construir um acampamento para escoteiros em seu estado natal (espécie de campo escoteiro para ser usado por vários grupos em qualquer tempo). Até aí, nada de errado, mas infelizmente, seu projeto seria erguido em uma área que o poderoso magnata Jim Taylor (Edward Arnold) queria inundar com a construção de uma represa.

O senador Smith, que até então só divertia os jornalistas políticos com sua ingenuidade, passou a ser uma pedra no sapato do homem mais poderoso de seu estado. Só vendo o filme para saber como Mr. Smith enfrenta a confusão. Eles o querem transformar em uma marionete a serviço de seus interesses. Aos poucos, o homem vai percebendo o mar de lama em que se enfiou e que seria capaz de destruir tudo o que sempre acreditou em relação à bondade e ao caráter dos semelhantes.

Começamos pelo idealismo, depois vamos ficando mais e mais pragmáticos, até que no final nos tornamos só ambição e cobiça? Bem, talvez o idealismo não seja apenas uma febre juvenil. O que o mestre Frank Capra nos dá a entender é que o povo quer líderes entusiasmados, que lutam pelos valores básicos que qualquer escoteiro conhece. Talvez esse filme pareça ingênuo a muita gente, mas é essa pureza que o mantém década após década na lista dos melhores filmes de todos os tempos.

Tudo o que peço aos políticos é que se contentem em mudar o mundo sem começar por mudar a verdade.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MINHAS PUBLICAÇÕES EM PDF:


MINHAS PUBLICAÇÕES EM PDF:

Quando eu tive a honra de dirigir cursos Escoteiros, sentia a força dos alunos em tentar aprender tudo em poucos dias. Muitos da equipe queriam a todo custo passar para eles uma vida de conhecimentos Escoteiros. Impossível. A literatura sim, ela passa para a gente um aprendizado que nenhuma unidade didática dita por um grande formador pode passar. A leitura trás conhecimentos fantásticos. Não só sobre o escotismo. Fiz uma lista de livros em PDF que podem ajudar a todos. Sei que a maioria os chefes já possuem conhecimento, no entanto tem aqueles que não.
Você pode ter qualquer um destes títulos em PDF. Se um dia souber que estou ajudando me sinto remunerado. Você pede e não paga nada.  

Livros com histórias Escoteiras. (minha autoria)

- A Patrulha da Esperança;
- As incríveis peripécias do Comissário Leocádio;
- O estranho funeral do Chefe Gafanhoto;
- O Fantástico Jogo Noturno na Ilha do Gavião Negro.

Condensados de histórias Escoteiras. (minha autoria)

- As maravilhosas histórias Escoteiras II;
- As maravilhosas histórias Escoteiras III;
- Os pensamentos de Lord Baden-Powell;
- Antologia de meus Artigos Escoteiros;
- Frases e lembranças de Baden-Powell;
- Acampamentos de Gilwell e Sistema de Patrulha.
- Jim, o Escoteiro do futuro e suas aventuras;
- As fabulosas aventuras do Escoteiro Juquinha
- Os Cinco Magníficos – Seniores aventureiros;
- Os contos incríveis da Meia Noite (não Escoteiros);
- Orações Escoteiras;
- A Bravura de um Herói. Baseado na história de Caio Vianna Martins;

Também a disposição em PDF de outros autores:

- O Sistema de Patrulhas – Roland Phillips;
- Interpretação do Livro da Jângal – Blair de M. Mendes;
- O guia do Chefe Escoteiro – Por Baden-Powell;
- Aplicando o Sistema de Patrulhas – de Bi. E.E. Reynolds;
- Sistema e espírito de Patrulha;
- Aprendendo o percurso de Giwell;
- O Ramo sênior;

Se você quer aprimorar seu conhecimento, será uma honra atender ao seu pedido. Não peça todos de uma vez. Não tenho condições de fazer um download de todos. Peça dois, três ou quatro e com o tempo vá pedindo os demais. Escreva: Chefe me mande...


E lembre-se. Só poderei atender quando receber um e-mail do interessado. Portanto deixar o seu aqui não posso atender. Desculpe.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os Sete Perigos


Acredito que muitos novos amigos não conhecem este artigo de John Thurman. Nada melhor que republicar aqui. (me desculpem os que já o conhecem) John Thurman foi durante muito tempo Chefe de campo de Giwell Park. O artigo ainda tem muito de atual. Nada que possamos dizer – Não somos mais assim! O mundo mudou. Será?

 

Os Sete Perigos


Por John Thurman - agosto de 1957 (chefe de campo de Giwell Park)


Existem sete perigos para o Escotismo, para os quais, me parece, devemos estar alertas e tomar cuidado:

1. Complacência, do tipo de pessoas que pensam: "há cinqüenta anos temos trabalhado assim e temos feito um bom trabalho, portanto continuemos assim". Recordemo-nos que o trabalho para os rapazes de hoje tem que ser feito pelos homens do presente. Estou tão orgulhoso, como qualquer outro Escotista, do nosso passado, mas isso não nos leva a parte alguma. Há, hoje, muito mais a ser feito do que houve em qualquer outra época e o máximo que o passado pode fazer para nós é inspirar-nos para um maior esforço;

2. Centralização. Acampamentos Nacionais, Regionais e Jamborees são muito bons, mas quando muito freqüentes, podem ser desastrosos. Devemos dar ao Escotista a maior oportunidade possível para trabalhar com a sua Tropa e infundir-lhe os bons princípios e não juntar os rapazes em grandes massas para um grande espetáculo. Às vezes existe tal número de atividades organizadas pelo Distrito ou Região que praticamente não resta tempo ao Escotista para trabalhar com as Patrulhas ou Alcatéias;

3. Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

4. Seriedade Demasiada. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

5. Exclusividade, o perigo de pensar que "os chefes devem provir do próprio Movimento". Penso que necessitamos de gente de fora, com diferentes experiências - homens de bem que tenham a faculdade de crítica construtiva e que tragam sangue fresco para o Movimento; 

6. Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

7. Trabalhar para fazer super escoteiros. Devemos estar conscientes, no que diz respeito a adestramento, de não tratar de começar um curso a partir de onde deixamos o anterior, sem pensar que necessitamos começar e recomeçar sempre pelas bases e os princípios para progredir a partir destes.

Para terminar, recordemo-nos que Baden-Powell, em 1938, proclamava com orgulho e alegria o número de três milhões e meio de Escoteiros no mundo. Agora podemos ver um movimento que ultrapassou os oito milhões, (1957) devido justamente à sua simplicidade e ao prazer dos rapazes que tem sido contínuo.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis idéias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou.

OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.

Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

Feliz palavra de John Thurman. O mundo está mudando, e a mudança que o escotismo tem feito não está dando resultados. Muitos rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Precisamos meditar.


Afinal estamos em 2014 não? Agora temos um novo escotismo. Sei não. Sei não! 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Adoro lavar panelas no acampamento. E quem não gosta? Rsrsrsrs.


Conversa ao pé do fogo.
Adoro lavar panelas no acampamento. E quem não gosta? Rsrsrsrs.

¶No acampamento, o nosso tormento,
é ter que usar PANELAS.
Pois o alimento requer cozimento,
e ao fogo vão as PANELAS¶.

         Dizem e eu assino embaixo que o escotismo é maravilhoso. Disse também nosso líder que escotismo se faz no campo e o acampamento é o melhor meio para ensinar honra ética e formar caráter. Perfeito. Tem aqueles que adoram um grande jogo, outros amam fazer uma bela pioneira. E aqueles que se sentem bem com uma lauta refeição no campo. São coisas que marcam principalmente o Fogo do Conselho. Mas meus amigos, e lavar panelas quem gosta? Dei uma olhada no filme da minha vida Escoteira. Consultei amigos daquela época, fiz uma pesquisa tipo as da UEB em Grupos Escoteiros e a conclusão? – Ninguém, mas ninguém mesmo gosta de lavar panelas. Soube de um Escoteiro novato que gostava e até hoje faz terapia de grupo com um Psiquiatra. Mas por que não gostam? Elas não são importantes? Porque os chefes são tão exigentes na limpeza das panelas? Afinal em cada casa os Escoteiros sabem que não fazem isto. A mamãe ou a empregada que se virem.

¶Lá o carvão e a fumaça,
põe tisna no caldeirão.
Dentro se é macarrão,
fica um grude que não sai não¶.

         Eu gostava de cantar o hino do Ajuri Nacional do Rio de Janeiro. Tinha uma estrofe que dizia – ¶ Se ele é gaúcho, você do Amazonas, debaixo das lonas são todos irmãos, qualquer cor ou classe, qualquer raça ou credo lavando as panelas são todos irmãos¶. Arre! É isto mesmo? Lavar panelas para sermos irmãos? Rsrsrs. Sei que cada um entendeu. Afinal pegar as sebentas e agachar em um riacho ou ficar curvados em um tanque, limpando, esfregando aquelas negras queimadas, nojentas, sebentas, pára muitos é um horror. Imagine os novatos pata tenra. Já vi alguns deles gritarem – Deixa que eu lavo! E dá aquele sorriso que todos nós conhecemos – Todos os outros da patrulha batem palmas. Coitado, nem sabia o que estava dizendo. Era terminar e o Monitor dizer – Limpas? Faz favor Escoteiro, toma vergonha na cara e lave direito! Depois quando o noviço Pata-tenra crescia na patrulha ele chegava à conclusão que já tinha direito de escolher e falar sim ou não, e o bom nisto tudo é que sempre havia um novato chegando. Panela nele!

¶Foi-se o alimento, chegou o momento,
de ter que lavar, PANELAS.
Negras, queimadas, nojentas, sebentas,
nas mãos, nos dão as PANELAS¶.

              Não esqueço o dia que o Pinta Silgo da Patrulha Coruja chegou correndo na casa do Jaci Cata Prego, Monitor da patrulha e disse para ele: - Monitor! Monitor! Acabou o suplicio. – Porque respondeu Jaci Cata Prego – Elas estão sendo aceitas. – Elas quem? As meninas Monitor, as meninas. Agora a função é delas, afinal sempre foi. Não é a mamãe, a titia a vovô quem lavam? Melhor que elas comecem agora desde cedo para aprender! Bem nem todas as patrulhas e patrulheiros são revoltados em lavar panelas. Eu mesmo em cursos Escoteiros sorria azedamente quando lavava panelas só para demonstrar meu espírito Escoteiro. Putz! Que idiotice! Mas pense bem, se você é menino e entrou em uma patrulha, viu que as panelas eram poucas logo pediu a sua mãe para doar uma. Qual ela vai escolher? Claro, as amassadas, as mais negras e as mais sebentas. Elas existem em sua casa? Em principio você nunca prestou atenção, mas cuidado quando pedir uma doação.

¶Chega à chefia no meio dia,
para inspecionar, PANELAS.
E os escoteiros respondem fagueiros,
não existem mais, PANELAS¶.

          Sei que existem exceções. Conheci um grupo que de tão podre de rico levava senhoras contratadas para lavar as panelas. Quem pode, pode quem não pode se sacode! E tem aqueles que lutaram para arrumar um dinheirinho e compraram aqueles famosos conjuntos de panelas. Uma cabia dentro da outra. Beleza. Mas no segundo acampamento não se encaixavam mais. Que houve? – Ficaram amaçadas, pretas, sebentas e puxa vida agora eram sucatas! Rsrsrs. Bem falando em exceções encontrei patrulhas excelentes, com panelas brilhando e fazia gosto fazer a inspeção na sua intendência. Eram poucas é verdade. Observando quase todos da mesma idade, com o mesmo conhecimento técnico Escoteiro, cada um mais experiente que o outro, enfim patrulha que sempre pensamos em ter em nossos grupos. Como ali só havia mateiros sabidos, ou todos lavavam juntos ou ninguém lavava nada. E sem essa do Monitor mandar e ficar numa boa.

¶Lá o carvão e a fumaça, põe. . .

           Estou sabendo que no escotismo moderno isto não vai mais existir. Agora é pedir uma “quentinha” e elas chegam rapidamente. Um bifinho, um arrozinho, um feijãozinho, um tomatinho e dois pedacinhos de batata frita e pronto. Dizem que será lei e que breve estará nas paginas do POR. Afinal se muitos sonham com as barracas existentes na nave Enterprise que os Escoteiros do futuro usam porque lavar panelas? Veja o que existe na nave NCC-1701-D a mais moderna: - Aperta-se um botão e lá esta ela a barraca armada. Dentro cama de casal, geladeira, TV por assinatura, Kit completo de chuveiros e banheiros. Telefone, interfone, vídeo game, Tablet e smart fone, o que mais você vai querer? Lavar panelas? Putz Chefe, nem morto, nem morto. Afinal agora temos uma vestimenta ultramoderna e o senhor quer nos levar aos tempos da caverna?

  ¶Lá o carvão e a fumaça,
põe tisna no caldeirão.
Dentro se é macarrão,

fica um grude que não sai não¶.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Palavra de Escoteiro! Onde vi isto?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Palavra de Escoteiro! Onde vi isto?

                     - Palavra de Escoteiro! – O Doutor Moisés olhou demoradamente o seu novo funcionário. Olhou seu curriculum e decorou seu nome. João Silva. Um nome simples que não diz nada. Ele só perguntou se ele era um homem de confiança já que seu cargo precisava ser um. João Silva não pestanejou. - Pode confiar Doutor, Palavra de Escoteiro. Doutor Moisés já tinha ouvido falar dos Escoteiros. Nunca prestou atenção, pois na imprensa falada escrita e televisada que  ele lia e diariamente assistia na TV eles os Escoteiros nunca apareciam. Diziam que eles fazem uma boa ação, vendem biscoitos e adoram acampar. Doutor Moisés interessou em conhecer melhor. A tal Palavra de Escoteiro sempre era comentada em filmes americanos. Mas agora não era a hora de se abrir com João Silva. Ele não o conhecia e não podia dar demonstração de afeto e de conhecimento. Um dia dormitava em sua varanda e pensou em visitar o Grupo Escoteiro do João Silva. Porque não? Encantou-se com o que viu. Ele um alto executivo dono de muitas empresas nunca pensou que o escotismo fosse assim.

                      - Com licença senhor! Pode me dar um minuto do seu tempo? - Joel e Mara sentados naquele banco da praça olharam para os jovens meninos que estavam em sua frente. Era uma menina de azul, um lenço verde e amarelo no pescoço e um lindo boné azul com alguns distintos. – Joel e Mara sorriram. Eram seis. Todos educadamente postados um ao lado do outro. – Qual o seu nome? Joel perguntou – Me chamo Patrícia, este é o Pedrinho, depois a Noelí e o Sapa. No final da fila o Jurandir e a Marli. Todos nós somos da matilha vermelha. Estamos com nossa Alcateia aqui na praça fazendo um grande jogo. Temos uma tarefa que é a de convidar duas pessoas ou um casal para serem nossos tutores junto a Akelá que é a nossa Chefe. Os tutores devem mostrar que aprenderam a lei do lobinho, fazer o nó de escota e volta do fiel. Devem ter noção do grande uivo e para que ele serve. E depois falar quem foi o fundador do escotismo – Mas não sabemos nada disto! Respondeu Joel. - Fácil nos vamos ensinar. Vocês topam? Na semana seguinte Joel em sua empresa de Marketing pensava porque não tinha conhecido antes o escotismo. Amou o que viu. Sentiu que ali a verdadeira educação de jovens era uma constante e o escotismo precisava ser conhecido.

                Gian Paulo estava cansado. Naquele sábado ficou até as três no escritório. Precisava ver e rever um processo que na segunda ele iria enfrentar frente a um Juiz. Gian Paulo era dono de um dos maiores escritórios de advocacia do país. Tinha prometido a Rubinho seu filho de sete anos que iria levá-lo à noite ao Parque das Flores. Quantas vezes ele prometeu e não realizou? Atravessava a rua proximo a Igreja do Bom Jesus quando ouviu alguém dizer: – Senhor pode me dar um minuto do seu tempo? – Gian Paulo olhou pensando que era um destes pedintes e já ia dizer que não quando viu um jovem de chapéu Escoteiro, bem uniformizado, com um lenço verde amarelo e um belo sorriso. Ao seu lado uma jovem Escoteira sorrindo. – Pois não? Disse. – Olha senhor tivemos uma solicitação em nossa carta prego em encontrar alguém de idade, se possivel que estivesse de terno e gravata, para fazer dele um Escoteiro por dez minutos. Só dez minutos! Podemos contar com o senhor? Dizer não? Gian Carlos foi com ele até o pátio que dava entrada na igreja.

               Quando viu o que estava fazendo sorriu. Ele com um par de bandeirolas transmitindo semáforos a outro adulto como ele. Os Escoteiros e as Escoteiras orientavam. Depois fez um tampo de mesa com uma costura de arremate. Nunca ouviu falar. Depois aprendeu a hastear uma bandeira em um mastro. Por fim aprendeu o aperto de mão esquerda, o que significava e o sinal Escoteiro. – Agradeceram dando a ele um certificado de participação onde estava escrito: – O Grupo Avante agradece a sua participação em ser Escoteiro por dez minutos! Gian Carlos foi para sua casa pensativo. Gostou do que viu. Da educação e cavalheirismo das crianças. Do porte altivo no uniforme que envergavam. Pensou consigo porque isto não está na imprensa? Na TV? Isto sim faz parte da formação do jovem que pouco recebe de organizações governamentais. Tomou um decisão, Rubinho seria um Escoteiro. Pegou o endereço e no sábado seguinte o matriculou.

              O Doutor Paulo Vinicius não parava. Diretor do Hospital infantil São Judas dedicava inteiramente sua vida ao trabalho com os jovens. Quase todos carentes e sofrendo com as doenças que lhe foram reservadas na terra. Não tinha tempo para nada. O hospital era sua vida e Dona Luiza sua esposa sabia que não adiantava reclamar. – Doutor! – Era Darlene a enfermeira Chefe. – Estão aí fora quatro Escoteiros solicitando dez minutos do seu tempo. – O Doutor Paulo Vinicius não tinha como negar. Mandou-os entrar. Um deles um jovem alto e simpático apertou a mão esquerda dele e o Doutor Paulo sorriu. – Algum truque? Ele disse – Todos os demais Escoteiros sorriram. – Doutor Paulo meu nome é Aniceto, sou o Monitor da Patrulha Pico da Neblina, e venho em nome de nossa tropa sênior lhe fazer um pedido. Somos oito Escoteiros seniores de 15 a 17 anos. Temos ainda cinco jovens guias da mesma idade. Nossa tropa sênior em Conselho de Tropa aprovou uma atividade de boa ação uma vez por mês. Achamos que aqui temos um manancial que nos seniores e guias podemos ajudar. Fazer as crianças aqui internadas sorrirem e quem sabe acreditar em uma vida melhor.

             O Doutor Paulo Vinicius não sabe até hoje como foi à história contada pelos Escoteiros. Mas ele mesmo se diverte quando no último sábado do mês eles aparecem, cantam com os meninos internados, dançam danças esquisitas, fazem jogos que participam inclusive aqueles que não podem levantar da cama. Darlene a Enfermeira Chefe participava e cantava e sorria e brincava como se fosse uma menina de dez anos. Os seniores e guias sabiam que muitos deles nunca mais voltariam ao seio de suas famílias. Mas fazer a felicidade de alguém nem que seja por um breve tempo valia os sorrisos, a alegria e o sonho que um dia passou pela mente deles. Até o ultimo dia de vida na terra, aqueles meninos agradeceram a Deus por ter enviado os Escoteiros em seu meio. Vale a pena dizer – A felicidade dos outros é que me faz feliz!


             Marketing. Quantos grupos fazem e mostram o escotismo para sua comunidade? Seria a UEB a responsável para isto? Uns dizem que sim outros dizem que não. Mas se tivéssemos um profissional na área, alguém que tivesse o dom da oratória, a fazer palestras em fábricas, em organizações ou mesmo aos políticos que pudessem ajudar, seria perfeito. Já tivemos isto no passado, uma época que não tinha a facilidade de hoje dos meios de comunicação. Quem não se lembra dos santinhos da Coca Cola, da Varig, da Gillette, do Banco Lar Brasileiro, e o manual do escoteiro Mirim. Belos tempos. Tivemos centenas e ninguém esquece as musicas cantada pelo Trio Irakitan. Eles de uniforme caqui, calça curta e chapéu com um violão foi sucesso na época. E olhe que eles eram os melhores no seu gênero.  Quem sabe a Toyota, a Votorantim, a Vale ou mesmo a Petrobras irão lá ao site para conhecer e valorizar o escotismo? Se a montanha não vem a Maomé, que Maomé vá à montanha. Enquanto isto como sempre os Grupos Escoteiros fazem o que podem. 

sábado, 16 de agosto de 2014

Para onde vai o Escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Para onde vai o Escotismo?

                 Tenho pensado bastante sobre isto. Até tenho evitado escrever aqui e em meus blogs como escrevia no passado dizendo o que pensava das mudanças e alterações que os dirigentes estão fazendo. Todos são unânimes em dizer que temos que crescer e para isto precisamos mudar. Mudar a forma de ser, o uniforme, a apresentação e muito mais. Tenho visto no site da UEB grandes ideias dos dirigentes. Os cursos estão aí para todos conhecerem melhor nosso movimento. Cada um deles de tirar o chapéu. Já existe membros da corte dizendo que até 2.023 chegaremos a um milhão de escoteiros. Será? Não sou um estudioso no tema. Sei de alguns países que chegaram e passaram de um milhão de membros. Cada um deles com seu estilo e outros com a mão do governo fazendo um escotismo quase obrigatório.

                        Aqui não conheço os planos para este milhão. Só sei que a UEB ainda mantem com mão de ferro suas ideias, elas não transparentes, não existe consulta e quando decidem determinam suas ideias que são aceitas quase que normalmente. Veja o caso da vestimenta. Três anos discutindo estudando e planejando. Todos aguardando para saber o que seria. Poucos sabiam e poucos foram informados. E eles continuaram vendendo o traje para os jovens e adultos sabendo que ele seria extinto. Agora um plano feito a poucas mãos. Os associados levados de roldão. Ninguém sabe de nada a não que consultem os dirigentes ou seu site ou alguém ligado à direção contar para eles. Claro, eu sei que nunca consultaram e quando dizem que consultam só pode ser meia dúzia de grupos dos mais próximos.

                    Hoje temos uma vestimenta com vários tipos para que cada um faça sua escolha. Pensei em outras organizações sem considerar as militares onde seria possivel escolher o que quer vestir. Se existe desconheço. Para todos a UEB sempre tem uma explicação e dizendo por que. O caqui dizem continua. Porque ninguém da alta direção o veste? Porque para sair do Brasil só vale a vestimenta? Porque nos escritos e no site da UEB não aparece o caqui? E porque nossos dirigentes dos estados não usam o caqui? Porque aconselharam todos da cúpula que usassem o novo para dar exemplo. Se eles acharam melhor a vestimenta parabéns! Interessante que publico uma foto de uma tropa escoteira com todos bem uniformizados de caqui e as curtidas passam de 100 com muitos comentários nas minhas duas paginas e dois grupos. E olhe só escrevi que  o verdadeiro uniforme no meu modo de pensar era este.  

                Se vocês tiverem um tempinho para ler os últimos artigos do blog Café Mateiro terão uma surpresa. Uma direção que resolve sem consulta, que indica apadrinhados para seus diversos cargos, que se mantém no poder sem dividir, que não tem um canal aberto com todos. Sei que a UEB fez uma página aqui. Mas não sei se ela não vai ajudar a mostrar os descontentes. Muitos se calam, pois sabem que podem ter represálias. Quem duvida disto? Eles sabem o que acontece se aparecem. Agora leio esta história da Carochinha que poderemos ter até 2023 um milhão de Escoteiros. Pensando baixo teríamos que arregimentar um pouco mais de 100.000 Escoteiros por ano. Um sonho que nunca será realizado. Com um bom trabalho quem sabe lá pelos anos de 2.099 conseguiremos?

Enfim, as mudanças que fizerem já foram efetivadas e outras estão vindo por aí. Como somos um movimento obediente e disciplinado, pois sempre nos cobram a lealdade, pois discordar é considerado anti Escoteiro, não vejo como seria feito uma mudança geral nisto tudo. Afinal a UEB tem os politicamente corretos espalhados por todo Brasil. Em vez de ficar defendendo porque todos não pedem uma nova forma de consultas? Pedir que sejam mais transparentes. Parecem com o papai e a mamãe com os brinquedos que o Papai Noel no natal trouxe para as crianças. Muitos eles escolheram achando que os filhos queriam. É desculpem, mas ainda somos levados pela mão em um movimento que tem tudo para ser uma grande ajuda na formação de caráter e ética, e olhe estamos precisando disto em nosso país.

                Assunto polêmico? Sei não. Dizer que os estatutos dão liberdade para que cada um se manifeste é uma utopia. São poucos que chegam ao topo e a maioria precisou de bons amigos para indicar. Não quero unanimidade, para mim ela é “burra” em uma democracia. Agora cada um deve pensar se o caminho é este. Se ficar por mais vinte anos no escotismo então diga se tudo que planejaram aconteceu, se foi verdade, se os tais milhões apareceram. Só para São Tomé - Quem viver verá! 


                E NÃO DEIXEM DE LER OS ARTIGOS DO BLOG CAFÉ MATEIRO. Lá todos poderão entender bem como funciona a engrenagem da Direção Nacional. E depois tem aquele que vem dizer: - Não concorda? Va a Assembleia e mostre como deve ser! Só rindo. Ir a Assembleia? Experimente e depois me diga como foi.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Joviano Escoteiro também fez sua revolução.



Lendas Escoteiras.
Joviano Escoteiro também fez sua revolução.

O Cavaleiro de Itararé.
“Chorem senhores da retaguarda, que a tropa de Itararé está chorando,
os comandantes, os soldados. Um misto de ódio e pesar. Abriram-se
as portas de S. Paulo, senhores de S. Paulo! Pudessem elas ser
sustentadas com lagrimas”...

              Dizem que histórias são histórias, mas para que servem as histórias? Não são para contar o que aconteceu ou então florear um fato que poderia ter acontecido? Ninguém pode contestar Joviano. Se ele foi um fato ou não isto não importa. Ele foi o primeiro Escoteiro que participou da batalha de Itararé. Um Escoteiro sem Chefe, sem Monitor e demorou muitos anos para ele formar sua primeira patrulha. Contaram-me que ele achou na Casa de Dona Helena, sua madrinha um livro Escoteiro que ele devorou em cinco dias. Demorou, pois lia mal para os seus onze anos. Sabia que seu pai nunca iria lhe dar o uniforme e sua mãe mesmo costureira nunca ia fazer. Mas onde arrumar o meião? O chapéu? Lembrou-se de uma página do livro que dizia – Se quer realizar o que pensa, comece. Tudo precisa de um começo. Pediu emprestado ao Juca do Nestor a caixa de engraxate. Ia usar nos dias de semana, pois aos sábados e domingos ele utilizava.

                 Quando bateu do balcão da Loja do Senhor Euclides ele tinha um belo sorriso. Saiu de lá com o embrulho do pano de seu futuro uniforme. Sua mãe riu quando viu, mas não negou a fazer para ele. Dois dias e ficou pronto. E o lenço? Tinha visto um do seu pai que ele usava quando foi boiadeiro. Serviu na mosca! Nem imaginou que o Zózimo da vendinha perto da igreja tinha um meião. Nem cobrou deu a ele de presente. A meninada de Itararé já sabia o que ele estava fazendo. Muitos também queriam fazer o mesmo – Ele disse – Faça o uniforme e vai ser da minha patrulha! – Que patrulha é Joviano? A patrulha Cuco. Uma patrulha de Baden-Powell. - E quem foi ele? O criador do escotismo. – E o que fazem os Escoteiros? Joviano riu. Não sabe? Acampam, correm pelos montes, fazem sinais, transmitem mensagens – Ele vibrava com isto. Sua casa sempre cheia de meninos para ver o tal livro dos Escoteiros.

                 Todos os dias depois da aula Joviano desfilava com seu uniforme na cidade. Garboso, sorrindo, marchando lá ia ele de rua em rua. Queria cantar uma canção dos Escoteiros, mas viu somente a letra – Rataplã do arrebol! Ele precisava aprender a musica. Uma tarde Joviano levou um susto. Um trem chegou cheio de soldados. Todos querendo saber para que. Seu pai não era muito comunicativo e custou para dizer que eles iriam defender o Túnel da Mantiqueira que levava a Passa Quatro em Minas Gerais. – Pai nós estamos em guerra? – Não filho, apenas uma revolução, mas fique tranquilo, aqui as tropas legalistas não entram! – Ele não sabia o que era legalista, mas não importava. Logo uma montanha de barraca emergiu no campo do Machado. Ele no seu uniforme foi para lá. Fez amizade com um praça cujo nome ele nunca perguntou. Gostava de ver ele todos os dias escrevendo para seus pais:

- Meu pai e minha mãe, escrevo da cidade de Itararé. Não se preocupem aqui estamos numa estação de repouso. Que terra adorável, somos servidos por garotas do outro mundo (não conte para a Mirtes). Sabemos que somos simples soldados e que sempre somos levados ao nosso posto de fronteira. Todas as notícias que circulam de Itararé são faltas. Não temos um ferido sequer. A vida de soldado raso é admirável. Pouco trabalha e só vive a comer reclamar e tapear os outros. Risos.

                Um dia chegou um trem blindado vindo da capital. Joviano correu para ver e ficou pasmado. Pela primeira vez ele conheceu o Capitão Neco que todos chamavam de Fantasma da Morte. Ele até esqueceu sua vida de Escoteiro e acompanhava o capitão para todo o lado. Mas nem tudo são flores. Os Legalistas tentaram invadir Cruzeiro e as Tropas Paulistas abriram fogo dentro do Túnel da Mantiqueira. Joviano ficou de longe espiando o tiroteio. A noite ficou em um acampamento de Soldados Paulistas. Foi o Malaquias, um moreno forte quem contou para ele dos Escoteiros da capital e de campinas. Ele contou uma história que o emocionou. Um menino Escoteiro de nome Aldo Cuioratto juntamente com muitos outros ajudaram as tropas como estafetas. Foi então que Joviano lembrou uma passagem de seu livro do fundador quando na guerra do Bóer, na cidade de Mafeking o coronel Baden-Powell usou meninos como estafetas, almoxarifes e muitas outras atividades.

                 Joviano pensou no heroísmo de Chioratto e quando soube que ele morrera em combate chorou. Um choro compulsivo, mas com uma revolta grande. Chamou seus amigos para fazerem o mesmo que os Escoteiros paulistas faziam. O Capitão Neco não quis e os mandou de volta. Joviano insistiu e o Capitão deu de ombros. Com seu uniforme Joviano liderava outros seis meninos. Ficavam até tarde ajudando os feridos, levando e trazendo mantimentos. No final ele soube que ali no túnel da Mantiqueira morreram mais de duzentos soldados. A guerra acabou. A cidade voltou a sua calma. As moçoilas chorando seu amor partir. Joviano foi aclamado pela cidade como um verdadeiro soldado revolucionário. Do Capitão Neco recebeu um capacete de aço e uma adaga.

                 Os anos passaram. As marcas da revolução ainda sobrevivem e se tornaram pontos turísticos principalmente o Grande Túnel da Mantiqueira. Joviano agora Chefe Escoteiro se tornou guia turístico. Ele sempre estava lá junto aos visitantes a dizer: - Só no Grande Túnel da Mantiqueira eu encontrei duzentos corpos. Acreditava que existiram outros, porque tem ainda os que moram lá e que tomaram, por exemplo, as balas perdidas. Em uma trincheira proximo ao túnel mais cinco soldados mortos que tentei socorrer. Para mim, continuava, nossos soldados foram heróis. Lutaram com forças quatro vezes maiores. Eles cantavam e sorriam nas trincheiras. Nossa cidade permaneceu firme apesar de muitas outras a população fugir. Vi caminhões lotados e vi a metralha das tropas federais. A cidade ficou estarrecida quando um avião federal sobrevoou a cidade. Muitas pessoas saíram às ruas admirados. No avião sem saber que havia mulheres e crianças a metralha pipocou deixando dezenas de mortos.  

                 Dizem que Joviano viveu até os sessenta anos. Morreu com seu uniforme Escoteiro e deixou no seu Grupo Escoteiro relatos do que viu e participou. Para ele o Capitão Neco foi o Fantasma da Morte. Nunca se escondeu da metralha. Sua história que alguns tentam transformar em livro termina citando o capitão:

-  Foi tentando consertar os trilhos e reativar o trem, que um comandante paulista disse uma das frases mais famosas da revolução. O capitão do Exército, Manoel de Freitas Novaes, conhecido como Capitão Neco, comandante das tropas na região tinha a missão de colocar o trem blindado para andar novamente. "Ele foi com um destacamento, mas os soldados desistiram no caminho. Contudo, o capitão manteve sua posição. Quando foi cercado pelos inimigos, foi questionado diversas vezes. Diziam: paulista se renda, e ele respondia que 'um paulista morre, mas não se rende'. Ali foi ferido e acabou morrendo em Cruzeiro".