quinta-feira, 23 de março de 2017

Curso Ponta de Flecha.


Conversa ao Pé do Fogo.
Curso Ponta de Flecha.

                Vez ou outra eu vejo um convite para um Curso Ponta de Flecha. Alguns anos atrás um Chefe meu amigo me pediu opinião do curso. Não costumo deixar sem respostas qualquer indagação que me fazem do escotismo. Minha resposta não foi o que ele esperava e nem adequada pelo que ele acredita ser o curso para seus monitores. No passado vi dezenas de cursos ou treinamento de monitores. A primeira vez que ouvi falar no curso foi no inicio da década de sessenta. Já me disseram que ele é oriundo de Gilwell. Quem sabe seja, mas nunca vi nada na história de Gilwell sobre o tema. Comentam que existem apostilhas com boas UD (unidade didáticas) e que o curso tem respaldo da UEB. Em um pequeno manual que guardo em meu poder o introito ou prefácio diz: – “Acampamento ou curso Ponta de Flecha é destinado somente para monitores e sub-monitores, pois tem o enfoque em técnicas e liderança, que é necessário para os responsáveis das patrulhas.”.

                   Fui durante muitos anos Chefe de Tropa. Simultaneamente fui Dirigente de cursos para chefes escoteiros. Aos poucos fui assimilando e até mesmo aceitei dirigir um Ponta de Flecha e olhe que foi uma luta para ter somente 32 graduados no curso. Apareceram mais de 180 candidatos. Não ouve nada relevante na aplicação do método, no treinamento e adestramento dos monitores. Sinceramente anos depois vi que este não era o caminho. Pensei muito e cheguei à conclusão que o papel do Chefe é estar junto aos seus monitores, treinando-os, aprendendo com eles, estar ao lado deles faça chuva ou sol. Ter um ombro amigo para ajudar e colaborar. Conhecer os pais, conversar trocar de ideia, pois nenhum Chefe substitui o pai do jovem. Um Chefe que se preocupa com seus monitores, tem atividades só com eles, acampamentos, excursões supre perfeitamente qualquer curso que venha a ser planejado.  

                   Pensando por este lado, o responsável para treinar os monitores é o Chefe e mais ninguém. Ele pode até participar com eles em uma palestra, conferencias, mas é dele sua responsabilidade. Nem todos os chefes têm conhecimentos e porque não um ponta de flecha para os chefes? Uma vez fiz uma visita em uma Tropa e um dos monitores comentou que o curso foi ótimo. Pena o Chefe não estar lá para aprender como agir com os monitores. Aquele jovem se sentiu melhor com os dirigentes do curso que com seu Chefe. É como dizem de pais que deixam os filhos nas reuniões para ter um tempo livre. Será que o Chefe não faz o mesmo com seus monitores? E quanto às palestras, são tantos sábios formadores que ficam tempo demais a falar a falar e a maioria a dormir, dormir e sonhar e no final o que aprenderam?

                   Acredito que a responsabilidade única de formar preparar e treinar os monitores é seu Chefe e de mais ninguém. Muitos dos dirigentes de tais cursos, ou de encontros casuais em acampamentos não têm nenhum treinamento ou aprendizado do sistema de liderança que os monitores devem conhecer. Eu se fosse hoje um Chefe não levaria meus monitores para um curso assim. Eles são meus amigos e eu os prezo muito para jogá-los neste ninho de marimbondos. (sem ofensas). Vá lá que se o curriculum do curso e os chefes dirigentes terem exemplos pessoais na sua lide escoteira posso até pensar a respeito. Agora se eles não tem uma boa Tropa, se o sistema de patrulhas que fazem for perfeito, se a Tropa não tem evasão e se a alegria é reinante por muitos anos quem sabe até compreenderia entregar meus monitores para um curso assim.

                    Não existe nada mais sensacional que ir acampar só o Chefe e os monitores, juntos aprenderem pioneirías, construções rústicas, pescar, observar a natureza, sentar em volta de um fogo, cantar, sorrir contar piadas (dentro da lei escoteira) e trocar ideias de como liderar e ser liderado. Porque não nestas atividades só para monitores o Chefe passar o comando da patrulha para outro? Ele mesmo entrando em forma como um cozinheiro, bombeiro lenhador, faz tudo, intendente e outros? Ir fazendo trocas tantas como forem necessárias para todos sentirem como desenvolver sua patrulha. Treinar e ensinar aos monitores é papel do seu Chefe. Ele os conhece bem. Sabe como são e conhece sua vida pregressa e seus pais.

                      Técnicas de campo, técnicas especiais de orientação jornadas bivaques, medidas, percurso de Gilwell entre muitos outros é responsabilidade do Chefe e de mais ninguém. Interessante que o nome Ponta de Flecha é sugestivo. Chamativo. Mas eu fico mais na aplicação dele para formar e treinar os chefes. Um curso especifico para mostrar como desenvolver a potencialidade do monitor. Lembro que no passado adaptei um curso técnico para chefes sobre o Sistema de Patrulhas e formação de monitores. Se ele valeu ou não eu o repetiria sempre. Sei que em alguns estados que fazem cursos de Técnicas mateiras e Sistema de Patrulha para o Chefe é sucesso absoluto.

                      Posso até concordar com um Ponta de Flecha ou similar voltado para a troca de ideias entre monitores, dando possibilidades a cada um em dinâmica própria e desenvolvida democraticamente em grupos de trabalho, deixando que os monitores liderem sob a supervisão de um Chefe. Isto quem sabe poderia superar as expectativas. Não serei muito radical com o curso Ponta de Flecha. Baden-Powell comentava que o importante são os resultados. Se ele achava que dez anos seria o tempo ideal para que o escotismo pudesse aplicar seu método para formar bons cidadãos, eu acredito piamente que os monitores tem parte importante nesta idéia.

                       Finalmente lembro que sem bons monitores não existe sistema de patrulhas e sem esta não existe escotismo. Se tivesse que tomar resoluções, em faria tudo para que um distrito motivasse sempre seus chefes para aprenderem a motivar, adestrar e formar seus monitores. Os chefes repito. Ajuda sempre é valido, mas que o Chefe esteja sempre presente é ele quem toma decisões, ele é o monitor de seus monitores e através dele a formação de todos os jovens da patrulha poderá ser concretizada conforme esperamos. Como dizia Baden-Powell, me mostre uma patrulha desleixada, com poucos elementos e direi que o erro está na preparação dos monitores. Em síntese também do Chefe que não soube preparar seus monitores.


                 Sei que o mundo está mudando, aceito isto. Mas eu não mandaria meus monitores para alguém que desconhece o que eles são não sabem de sua vida e nem de seus conhecimentos escoteiros. Sempre Alerta!

Ser Chefe escoteiro é ser condutor de escoteiros e de seus sonhos. É como lapidar diamantes. Muito cuidado com o que fazes. Lembre-se que mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Pensamentos de quem tem orgulho de ser Escoteiro.


Pensamentos de quem tem orgulho de ser Escoteiro.

Não importa se você gosta de uniforme, de farda, de traje de vestimenta, ou seja, lá o que for. Não importa se você aprecia o caqui, o verde, o azul o amarelo ou o vermelho. Importa sim é que você saiba que o público está julgando você pela sua postura e seu garbo. O escotismo não pode perder seu prestígio por causa de uns poucos que ainda não se tocaram na apresentação. Veja o que disse BP sobre o uniforme:
- O garbo e a elegância no uso do uniforme e a correção dos detalhes podem, talvez, parecer coisa fútil e sem importância. Muito pelo contrário, desenvolvem amor-próprio e exercem grande influência na reputação do Movimento perante o público, que julga pelas aparências. Nesta matéria, o exemplo é tudo! Apresentem-me uma tropa descuidada com seus uniformes e eu (sem ser Sherlock Holmes!) poderei deduzir que seu chefe é negligente com seu uniforme escoteiro. Você deve pensar bem nisto, quando estiver envergando seu uniforme ou dando um toque pessoal impróprio a ele. Você é modelo para os jovens e seu garbo e elegância vai refletir neles.

Agora se você não liga pelas palavras de BP, se você acha que é moderno se apresentar de qualquer jeito, lembre-se que se o escotismo não tem o reconhecimento que merece ter, quem sabe você também tem um pouco de culpa.


- Amar o escotismo, não é só dizer eu te amo, é demonstrar isso sem precisar de palavras! 

sábado, 18 de março de 2017

sabado, dia de reunião


Hoje tem reunião, alegria de montão.

“Arriba” em frente Caqueanos,
Pé na taboa vestimenteiros...
Vai na trilha sem engano,
Hoje é dia de escoteiros.

No barco estão os do mar,
Içam a vela da flor de lis,
No céu voando os do ar,
Todos cantam, pedem bis.

Alguns estão na estrada,
Vão fazer acampamentos.
No almoço tem carne assada,
Isto é bom, belos momentos.

Canta a lobada altaneira,
Guias e Sênior de montão,
Pioneiras bem faceiras
Chefes fazem boa ação.

Aprendem a ser verdadeiros,
Honra pátria e coração
Eles são bons escoteiros
Orgulho da nossa nação.

Ventos que vem do norte,
Neste céu cor de anil,
Desejamos boa sorte
Aos escoteiros do Brasil!   


sexta-feira, 17 de março de 2017

Técnicas de acampamento.


Conversa ao Pé do Fogo.
Técnicas de acampamento.

                  A arte de acampar. Existe? Li em algum lugar que se instalamos barracas e dormimos nelas, então estamos acampando. Simples não? Vejam outra descrição: Acampamento (do inglês, camping) é um local onde se estabelecem barracas ou tendas, geralmente com proximidade à natureza onde toda a infraestrutura é levada pelos campistas, tal prática é conhecida por campismo. Bem essa é mais abrangente. Mas ainda está longe do que chamamos Técnicas de Acampamento olhando é claro nossos objetivos escoteiros.

                 Não estou e nem pretendo ensinar as nossas e nossos escotistas, que são chefes de tropas escoteiras ou seniores (guias). Sei perfeitamente que estão aptos a desenvolverem essas técnicas e suas tropas são exímios mateiros no bom sentido da palavra. Penso ou até posso estar enganado que BP tão maravilhosamente nos trouxe essas técnicas dentro dos seus princípios e métodos escoteiros para nos dar uma visão do seu método. Ele sempre foi enfático em dizer que atividades ao ar livre é o mais importante meio para a formação escoteira. É nessas atividades que os jovens podem jogar o seu próprio jogo, aprender a fazer fazendo e conhecer melhor seu livre arbítrio.

            Técnicas de Acampamento. Existe mesmo? Dizem que foi isso que BP fez quando acampou pela primeira vez em Brownsea. Dizem, não sei. Várias vezes eu conheci tropas que fizeram assim e alcançaram excelentes resultados. E quais são esses resultados? – Sem sombra de dúvida manter o jovem por mais tempo nas fileiras escoteiras e quando adultos mostrar que é digno, que aprenderam a levar a sério seu caráter, sua honra e demonstra que possui um espírito Escoteiro do qual todos se orgulham. Faça um teste com você mesmo se está aplicando as técnicas de acampamento em sua Tropa:

- Fazem um mínimo de dois acampamentos por ano, três excursões por ano e ao menos uma atividade aventureira por ano? Sem contar atividades do distrito e região.
- Vocês acampam com seus monitores pelo menos quatro vezes ano e seus monitores já se desincumbem sozinhos na arte mateira, estão em perfeita sintonia com suas patrulhas e no campo as patrulhas são livres para desenvolver o sistema de patrulha independente da chefia? Seja em acampamento de uma noite ou mais, constroem um fogão suspenso, uma mesa, bancos e toldos, fazem uso de um WC/particular ou Geral e conhecem perfeitamente a segurança que deve ser observada nos acampamentos?

- Suas patrulhas já possuem e mantêm com esmero seu material de intendência? Incluído o material de sapa, vasilhame, barracas, e outros? As patrulhas já conseguem se transportar para distâncias longas em sacos ou similares. Ao primeiro sinal de chuva elas já estão devidamente preparadas, pois conhecem a técnica de previsão do tempo e sabem como agir nesses casos? As patrulhas tem liberdade para fazer acampamentos e atividades ao livre sem a presença do Chefe?

- Na falta de cabos ou sisal as patrulhas são peritas no uso do cipó ou embiras? Conhecem suas especificações e sabem a melhor maneira de utilizá-lo? Além dos nós, amarras e costuras de arremate elas dominam perfeitamente a confecção de uma cabana ou oca indígena sabem improvisar um abrigo natural em pouco tempo?
- A Tropa tem a mão pelo menos três locais de acampamento e mantem amizade com o proprietário mostrando a ele que sabem cuidar da área utilizada sem prejudicar a natureza? Já entregaram para ele um lenço do grupo em uma cerimônia de bandeira como prova de agradecimento ou então fizeram outro agrado para que ele sempre colocasse a disposição à área a ser utilizada? Ele sabe que vocês irão deixar o campo exatamente como o encontraram?

- Os monitores já discutem em patrulha os programas da tropa principalmente as atividades ao ar livre com os demais patrulheiros? A chefia tem como rotina consultar suas sugestões nas programações ou atividades extra-sede? As funções na patrulha tais como cozinheiro, aguadeiro, construtor de pioneirías, intendente, escriba entre outras são realmente levadas a sério na patrulha ou são apenas denominações sem nenhum sentido? O monitor já sabe que na sede ou no campo cumprem satisfatoriamente suas funções?

- O Chefe e os demais só visitam o campo de patrulha se convidado? Os chefes nos acampamentos tem seu próprio campo e cozinham para si sem depender das patrulhas? Confiam nos seus monitores para que aprendam a fazer fazendo? Ensinou a eles o respeito pela natureza, sabem distinguir uma água potável de uma não potável, e é exigente com o uniforme mesmo acampado? Suas inspeções são sempre pela manhã ou pode haver outras durante o dia? Você conhece perfeitamente as regras do POR sobre normas de segurança para acampar?

- No retorno de um acampamento é feito uma inspeção no material não só pelo monitor como pela chefia? A exigência de que tudo deve estar bem limpo, afiado, oleado, empacotado e somente em casos especiais estas normas são feitas na sede em dias que não seja o da reunião? Estão preparados para uma borrasca, chuva intermitente ou uma grande ventania sem se preocupar com o estrago no campo? Uma semana após, você pede às patrulhas que se reúnam e façam um relatório do que gostaram e do que não gostaram? Este relatório é discutido em Corte de Honra e lavrado em ata? Finalmente, os pais confiam nos chefes sem ficar importunando sobre a segurança, sobre os cuidados que devem ter com o filho principalmente quando é novato?

                     Se você fez assim parabéns. Você está no caminho certo se não desculpe. Seu sistema de patrulhas vai mal, a técnica de campo não existe e finalmente por experiência eu sei que muitos não voltarão ao próximo acampamento. Se os chefes ainda não possuem esta técnica devem procurar o mais breve possivel aprender. Muitas vezes nos acampamentos de monitores se aprende mais que um curso técnico. Lembre-se ser Chefe é fácil, atuar como um nos princípios escoteiros não. Se não está a praticar pelo menos um mínimo que se espera para um bom acampamento repense o que está fazendo. Você será um Chefe quando tiver a certeza que encontrou o Caminho para o Sucesso. Boa sorte!


Acampar não é somente armar uma barraca. Acampar tem muito mais. Estamos perdendo muitos jovens porque acharam que iam para o campo aprender ou viver a vida de um herói da floresta, um explorador, um bandeirante a explorar lugares nunca vistos. Este artigo pode dar uma ideia para você que é Chefe Escoteiro se realmente está conduzindo sua Tropa no caminho para o sucesso. Bom campo, bons ventos e seja feliz! 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Apenas uma carta bem intencionada.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Apenas uma carta bem intencionada.

Guaíba, Berço da Revolução Farroupilha, 16 de maio de 2015.
Meu Caro Monitor,
Sempre Alerta!

- Nada de SAPS ou qualquer outro modismo inventado para “fazer diferente”. “Fazer a diferença” é o que devemos procurar. Somos uma família onde devemos nos destacar pela qualidade e não pela modicidade. Li os seus artigos sobre a evasão do Movimento Escoteiro e por mais que isso me doa sou obrigado a discordar do senhor.

Não há evasão do Movimento Escoteiro no Brasil pela simples razão que o mesmo já está morto, e não se pode sair de algo que não existe mais. Não tenho tanto tempo de Escotismo como o senhor, mas sou do tempo do chapelão, da calça curta, do meião, do cabo solteiro, da moeda no bolso da Boa Ação diária. Sou do tempo em que existiam Escoteiros e Chefes Escoteiros, Patrulhas, Conselho de Tropa e Corte de Honra. Sou do tempo em que durante a semana do Dia do Escoteiro atazanávamos a vida do nosso pobre chefe pelos ofícios solicitando o dispensa do uso do uniforme da escola naquela semana, para podermos ir uniformizados para a sala de aula.

Sou do tempo da malfadada frase: “O Escoteiro é uma criança vestida de idiota, comandada por um idiota vestido de criança.” Mas também sou do tempo em que “Ser Escoteiro” era motivo de orgulho. Do tempo em que aprendia a fazer nós não apenas para trocar de classe, mas para saber na hora em precisar fazer um, e fazer o certo. Do tempo em que as patrulhas faziam atividades em dias diferentes das reuniões de Grupo, para treinar e se qualificar para as especialidades, na busca de sempre estar um passo a frente das outras patrulhas. Do tempo em que o “Sistema de Patrulhas” era aplicado e não apenas um nome no rol das lembranças, onde a Bandeirola de Patrulha era cuidada, honrada e respeitada e nunca era largada no chão.

Como escreveu o senhor, do tempo da B.O.I.A. nos hasteamentos e arreamentos. E para quem não conhece a sigla significa Bandeira, Oração, Inspeção e Avisos. Lembro como o nosso GE (pequeno e um dos poucos no Estado do Rio Grande do Sul que não era patrocinado por ninguém) buscava apoio na comunidade, participava de campanhas, guarda à Pira da Pátria, ajudava na organização do desfile cívico e era conhecido e conceituado na comunidade.

Francisco Floriano de Paula e Caio Vianna Martins eram nomes conhecidos, mas como se diz aqui na minha terra, era no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Hoje não vemos mais nada disso.

Vemos jovens que não tem motivação, pois não existe mais com que motivá-los. Escotistas (tenho horror dessa palavra) que não sabem o que é Escotismo. Cursos que são uma piada de mau gosto e taxas, taxas e mais taxas. Não se dá o devido valor aos antigos Escoteiros formando as chamadas Patrulhas Dinossauro nos GE. Não se convida os antigos membros para participar ou mesmo visitar um acampamento. E sabe por quê? Pelo simples fato de que os Escotistas de hoje tem medo de ouvir: “No meu tempo de Escoteiro era diferente!” Tem medo de ter que dar explicação para os jovens dos motivos que levaram as mudanças. Culpa deles? Não, pois nem eles mesmos sabem dos motivos, guardados a sete chaves pelos medalhões.

 No Brasil o Escotismo criado por BP não existe mais. Temos um simulacro, militarizado ou completamente solto. Uma disciplina imposta ou ignorada e não mais aquela disciplina que vinha de “dentro para fora” na medida em que íamos aprendendo o que era o Movimento Escoteiro. Tínhamos os “Escoteiros” e não como hoje “Escoteiro disso” ou “Escoteiro daquilo”. Nada contra, pois são tentativas de uma volta as origens, mas que (até onde consegui ver) não conseguiram descobrir a verdadeira origem do Escotismo ou são impedidas de praticá-lo.

O senhor listou quatro pontos: - Programa, Apresentação pessoal, Formação/qualificação do Chefe e Ouvir sempre o ponto de vista do jovem. Todos são válidos, mas se não resgatarmos a “Tradição Escoteira” e o “Escotismo de B.P.” eles de nada valerão. Se não devolvermos ao jovem o “Orgulho de ser Escoteiro” ele continuará a buscar isso em outros locais nem sempre muito recomendados.

          É inerente ao jovem participar de um agrupamento de iguais e buscar reconhecimento. B.P. identificou esse fato e criou um movimento voltado para aproveitar essa energia, esse sentimento de agregação, dando um norte e uma filosofia de vida baseada no caráter e na honra. E hoje, aqui no Brasil, foi realizado um excelente trabalho no sentido de desmantelar todo esse esforço e banalizar o termo Escoteiro a tal ponto que o jovem sente vergonha de ser identificado com Escoteiro e chegar à reunião com o seu uniforme ou aquele simulacro de uniforme adotado atualmente.

O senhor deve ter notado que não tenho participado muito das suas postagens, mas isso não significa que não estou acompanhando elas, mas sim que sei que vou acabar em uma ou outra rusga com alguém. Sou chato demais nesse ponto e para mim, quando eu fiz a minha Promessa Escoteira foi para toda a vida. E a minha promessa não foi para o que se apresenta hoje como Escotismo, mas sim para o Escotismo de Baden Powell que estava em espírito representado na foto colorida sobre a mesa, entre o machado no tronco de Gilwell e a vela votiva com a promessa.

Deixo aqui o meu (considerado arcaico) Sempre Alerta e os meus votos de força e perseverança nessa sua jornada, a qual com certeza eu não escolheria por causa de meu pavio curto.
Um Velho Escoteiro com muito orgulho.



Rogério Joaquim Sarczuk me escreveu esta carta há quase dois anos. A guardei com carinho. Rogério foi um Escoteiro do tipo que existia no passado onde o orgulho de ser Escoteiro começava no uniforme e terminava no amor da patrulha. Lendo hoje resolvi publicar. A ele meu forte abraço fraterno e meu Anrê pela sua dedicação no tempo das diligências cujo escotismo ele guarda com muito amor em seu coração. 

domingo, 12 de março de 2017

Em meus sonhos volto sempre a Gilwell.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Em meus sonhos volto sempre a Gilwell.

                   Dizem que passado é passado. Ficou para a história. É página virada no livro da vida. Uma utopia que como o vento vem e vai. Cada um tem uma maneira de pensar. Tem aqueles que analisam tudo friamente, outros intelectualmente e eu com o coração. Não sei escrever sem por um pouco de fantasias e ilusões e crendices em minhas palavras. Ouve uma época, não sei se foi antes ou depois de Cristo – Risos desculpem. Mas houve uma época em que se esperava tudo de um Escotista portador da Insígnia de Madeira. Qualidades técnicas, conhecimentos, experiência, e o melhor de tudo, o exemplo. Você não ia ver um Escotista com Insígnia se portando de maneira inadequada. Nunca. Ele sempre tinha um porte altivo sem ser antipático e que alguns que não o conheciam se sentiam constrangidos. Eu o via como um destemido, ou melhor, um catedrático em escotismo. Afinal ele já era um docente no escotismo. Tinha que se portar como tal.

                    Esquecer o abraço? O sorriso? O primeiro Sempre Alerta firme para mostrar que estava mais alerta que os demais? Sim, eram assim os Insígnias que eu conheci no passado. Sei que haviam outros, mas não é destes que gostaria de falar. Eles não foram exemplos de que nós escoteiros esperávamos. Insígnia ou não somos irmãos e amigos dos demais. Davam gosto ver seu porte, seu olhar, alguns se sentindo escotistas de Giwell, outros se sentindo mais próximo da perfeição que nunca terminava, pois sabiam que um dia uma volta a Giwell ia acontecer. “Volta a Giwell terra boa, um curso assim que eu possa eu vou tomar”. Ele ou ela sabiam que seus conhecimentos precisavam de mais. De mais e mais. Ele ou ela sabiam que suas sessões agora seriam exemplo, mais olhadas, mais vistas e mais cobradas.

                    Eles sabiam que seus uniformes deviam ser impecáveis. Nada de invenções. Quando você via um ou uma, com seu porte altivo, seu lenço bem dobrado, seu anel bem colocado, colarinho abotoado, uniforme bem passado, seu cinto brilhando, o orgulho do sapato engraxado você sorria. Ali está mesmo um membro de Giwell. Quando você convidava um para lhe ajudar em um curso qualquer, ele olhava na agenda. Diferente de hoje. Olhe Chefe preciso ver. Posso dar uma resposta outro dia? Temos acampamento, ou temos excursão ou prometi aos jovens participar com eles para assistir um filme no shopping. Era assim. Não saiam correndo e aceitando e dizendo aos quatros ventos – Agora sou da equipe! Nada disto.
            
                    E quando você visitava suas sessões? Dava gosto de ver. A gente sabia que seu esforço pessoal em aprender não foi uma ficção. A gente sabia que os livros de Baden Powell não foram encadernados e colocados no fundo do armário. Claro, eram outros tempos. Sei e me desculpem os amigos insígnias de hoje. Conheço centenas deles hoje que nada ficam a dever daqueles do passado. Eles quando se apresentam sabem que muitos sentem orgulho de suas sessões escoteiras. A eles, os de hoje meus parabéns. Entretanto tem alguns que não “pegaram” (termo de BP) o sentido da coisa. O que são. Suas responsabilidades. Ou quem sabe agora com o modernismo que dizem por aí, amarrar o lenço de Giwell no pescoço e sair por aí de chinelo, ou sandália.

                     Será que eles também acreditam que é moda até para um Insígnia? Lembro quando se recebia o certificado e lenço a gente tinha um arrepio na espinha, a gente tremia, e pensava, agora será tudo diferente. Tenho que ser mais do que era. Em questão de minutos e segundos a gente se transformava. Hoje fico triste em saber que temos muitos irmãos Insígnias de Madeira que se foram. Não estão mais na ativa no escotismo. Cada um com seus motivos. Com a falta que temos de mão de obra Escoteira qualificada é triste ver este abandono. Eu sei que nossos dirigentes não pensam como eu. Para muitos dirigentes se eles se foram nada mais que um adeus e pronto. Fico pensando se tivéssemos em cada direção regional ou nacional, uma pequena equipe de arregimentação? Ir atrás deles. Quanta experiência jogada fora. Porque Chefe? Volte conosco. Precisamos de você! Ajude-nos a mudar! Ajude-nos trazendo sua experiência. Mas para isto acontecer precisaríamos ser mais flexíveis, mais humildes, aprender de novo a ouvir. Saber como entender posições antagônicas. Isto seria possível?

                        Fico pensando se o passado é melhor que o presente. Não é. Ambos temos o mesmo ideal. Quantos de nós ainda estamos fazendo escotismo? Não sei, gostaria de saber quantos somos e quantos estão na ativa nas sessões Escoteiras. Às vezes penso que se um dia pudéssemos fazer a maior Reunião de Gilwell já existente, centenas ou milhares deles, de todas as partes do Brasil, não importando suas ideias, suas ideologias, e abraçados, com as mãos entrelaçadas, cantando com orgulho nossas canções de Giwell? Fico pensando, se estivéssemos em uma clareira qualquer, em volta de uma fogueira, sentindo o calor do fogo e da fraternidade presente; as brasas aos poucos adormecendo, as fagulhas lânguidas e serenas subindo aos céus, todos nós fechando os olhos e lembrar que o escotismo foi e sempre será nossa vida, nosso amor. Ele sempre estará presente na nossa mente, na nossa alma e em nosso coração. Ah BP! De você trago o espírito, sempre na mente, junto de mim e no meu coração estará!

                     Lembranças. Eternas lembranças. Elas nunca se apagam. E nos meus sonhos, nos meus devaneios, lá naquela clareira, um céu estrelado um violão toca Lindamente as notas são repicadas e todos começam a cantar, são milhares de Insígnias juntos de mãos entrelaçadas, cantando sobre o manto azul do céu, sobre o brilho das estrelas iluminando ali os corações de todos os presentes. É, é bom sonhar. Porque não?

“Em meus sonhos volto sempre a Gilwell
Onde alegre e feliz eu acampei
Vejo os fins de semana com meus velhos amigos
E o campo em que eu treinei “

 “É mais verde a grama lá em Gilwell
Onde o ar do Escotismo eu respirei
E sonhando assim vejo B-P
Que sempre viverá ali”

Canção de Gilwell

Letra e Música: Ralph Reader

sexta-feira, 10 de março de 2017

Correr ou bater em Brasília.


Jogando conversa fora.
Correr ou bater em Brasília.

                    Retornava a minha morada em Osasco mancando e resfolegando quando na esquina da Avenida dos Remédios com a São José uma SUV Mitsubishi Pajero preto parou ao meu lado. Dele desceram quatro parrudos de terno e gravata, com os indefectíveis óculos escuros nem me disseram nada. Agarraram-me pelos braços e me jogaram dentro da SUV saindo em disparada. – É este o Talzinho? Perguntou uma loira desbotada com um lenço Escoteiro no pescoço. Se tem coisa que não me agrada é lenço no pescoço sem um uniforme. Nem vem que não tem principalmente se usa a camisa solta então é pior. – Um deles respondeu: - É ele sim. – Ela falou: - Mas tem cara de fuinha, feio que dói, e não para de gemer! – Dizem que está dodói e convenhamos o velhote já passou dos 76 anos!

                     O carro em disparada foi direto para o Aeroporto de Guarulhos. Um deles me disse para ficar calmo, nada iria me acontecer. – Para onde vou? – Vai saber quando chegar lá. Entraram direto no portão da Base Aérea. Um VC-2, da Embraer Lineage 1000 estava pronto para decolar. Pensei que seria um jato E190. O piloto deu uma risadinha: - Então é este? Todos balançaram a cachola. Um Copiloto da Aeronáutica fez um deboche e senti falta do meu bastão de duas e meia polegada com ponteira de aço. O voo não demorou. Em Brasília me levaram direto para o Palácio do Planalto. Gemi ao subir a rampa. Afinal eu mal ando e respiro. – Fomos direito para a sala de Reuniões. Lá estava o Michel, Vulgo presidente Temer, a Carmem Lucia, presidenta do Supremo, o Presidente do Senado Eunicio Oliveira, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, e o Renan. Sempre Ele. Afinal o que fazia ali? Ninguem se levantou com a minha entrada.

                    O Presidente Temer olhou fundo nos meus olhos e disse: - Sabe por que está aqui? – Eu presidente? Eu não sei de nada. Me pegaram a força próximo a minha morada. – O Botafogo, melhor o Rodrigo Maia riu e falou baixinho: - Um pandego. Velho, feio, banguelo e pançudo. Para mim o jogava para o Moro e o acusava de ser responsável pela bagunça na Petrobrás. – Olhei para ele com os olhos chispados de fogo. Eita que falta faz meu bastão. Duro, só com dois reais no bolso e eles cheio de dólares da Petrobrás. Ah! Uma bastonada e eles iriam saber que Escoteiro era eu. – Olha Chefe, disse o Temer, precisamos do senhor! – Ufa! Agora mais respeito, me chamou de Chefe e senhor! – Estamos precisando de um novo ditador para por ordem na casa, ou melhor, no Brasil. Fechar a Lava Jato, por o Moro prá correr, acabar com esta perseguição que estão fazendo contra nós!

                  Perguntei presidente onde está o Caju? (O Romero Jucá) e o Primo? (Eliseu Padilha). Falta muita gente aqui! – Sem pedir licença entrou na sala de reunião gritando o ex-ministro da Justiça agora empossado no seu novo cargo no Supremo. Alexandre de Morais em carne e osso: - Como dizia o Simão o Kinder Ovo é metido a valente. Presidente! Acho uma perda de tempo trazer este chefete aqui para o plano F. – Pois é Morais, os Planos A B C D não deram certo, sobrou este! Olhei de soslaio para aquela cambada. Salvo a Presidenta Carmem Lucia o resto eu não botaria a mão no fogo por ninguém! – Ela com sua vozinha simples, honesta me disse: - Chefe Vado, Iremos abdicar dos nossos cargos e eleger o senhor para Ditador da Republica do Brasil!

                 Putz grila! Nem pensar! – Doutor Temer, porque não chamaram os 14 do forte? – Quem são eles disse o presidente! – O CAN, A cambada que dirige o escotismo no Brasil. Eles sim iriam mudar o Brasil. Já mudaram tanto o escotismo que breve ele vai parar no buraco fundo do Amazonas. – Seu Vado Escoteiro, se quiser mandamos prender todos eles. Afinal como Ditador vai ser o substituto de Baden-Powell e aqui no Brasil o senhor manda e não pede! – Que horror! Substituir B.P? Meu ídolo? Meu guru? Nem pensar. Mas olhe que a ideia de mandar eles para comissão de ética até que não seria nada mal. Risos. Kkkkkk. Olhei fundo nos olhos de cada um: - Formem em Linha. Vou fazer uma inspeção. Preciso saber se estão armados. – O General Golbery espirrou em sua cova. Ele sabia que o SNI já não existia mais. Lá nos sete palmos gritou que ninguém faz busca no Presidente do Brasil!

                  Olhei pela janela e vi na esplanada dos ministérios milhares de escoteiros formando uma enorme ferradura. Gritavam sem parar: - Chefe Vado! Chefe Vado! O novo ditador do Brasil! Chamei o Ministro da defesa Raul Jungmann. Leve todos eles para o Palácio da Alvorada. Café pão e manteiga para todos. Estou assumindo o Brasil. Agora ou vai ou racha. Chame o Moro, quero ele aqui até à tarde. Vai ser meu vice-presidente. Que ele escolha quem aqui vai direto para Curitiba. Veja se tem vaga para tanta gente no Complexo Penal e se necessário reserve vaga em Bangu Sete e na penitenciaria da Papuda. – Todo mundo no xilindró! Levei uma paulada nas costas. Cai feito avião de papel molhado. Olhei para cima e vi rindo um dos catorze do forte de Curitiba. Não ia esquecer-me dele, se não me engano é da turma do Inté, é nois traveis. Sempre eles com aquelas camisas soltas e meinha branca. Sua vez vai chegar, ora se vai!


                   Uma turba entrou gritando a me defender. Vi logo que eram os amigos do Facebook a me salvar. Como foram parar ali? Levei outra pancada e um beliscão. Acordei! Era a Célia fazendo tudo para que eu acordasse. Acorda marido, acorda que o galo já cantou! Eita pesadelos que não me deixam. Não quero ser presidente, não quero ser ditador, nem tampouco Escoteiro Chefe. Prefiro continuar escrevendo meus continhos inocentes para meus salvadores do Facebook! – Levantei, fui até a varanda, olhei o sol que queimava o asfalto. Uma SUV passou cantando pneus com a sirene ligada. Deus meu! De novo não!


Gosto de escrever. Tá na mente, tá na caneta. Escrevo contos escoteiros, histórias alegres e tristes, escrevo um pouco das minhas memórias e até mesmo artigos visando dar sugestões a chefes novos. Gosto de escrever artigos “peçonhentos” muitas vezes criticados por alguns dos meus leitores. Afinal não sou um animador de auditório da União dos Escoteiros do Brasil. Eu sei que sempre irei perder um leitor ou quem sabe uma amizade virtual com estes artigos. Assim seja. Gosto destes temas e o farei enquanto viver. Desculpe aos que não gostam, mas eu gosto e dou risadas. Kkkkkk. Fiquem com Deus.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O dia Internacional da Mulher. A você menina, moça, mulher escoteira.


O dia Internacional da Mulher.
A você menina, moça, mulher escoteira.

                       Passei o dia arrostado, encalhado em uma cama e eis que me dei conta do dia de hoje. Dia da “Mulher”! Dizem que o dia 08 de março é, desde 1975 comemorado pelas Nações Unidas (ONU) como o dia internacional da Mulher. A história conta que em 1913 as mulheres russas observaram seu primeiro dia internacional da Mulher no último sábado de fevereiro (pelo calendário Juliano, usado na Rússia). São tantas historias como a que em 1903 profissionais liberais norte-americanas criaram a Women’s Trade Union League. Uma associação com objetivo de ajudar todas as trabalhadoras e exigirem melhores condições de trabalho. Foi também em 1917 que em São Petersburgo (Rússia) desencadeou uma greve na qual as mulheres desta cidade fizeram diversas exigências. Dizem também que este evento foi o estopim da greve geral que marcou o início da Revolução Russa.

                       A história é prodiga em atos sublimes em que as mulheres do mundo inteiro fizeram realizar pelos seus direitos. Ainda estamos atrasados e muito em reconhecer o valor da mulher em nosso mundo de hoje principalmente no Brasil. Leis foram criadas, a imprensa falada escrita e televisada noticia quase todos os dias fatos em que elas sofrem e não tem direito assegurados. Muitas ainda são subjugadas, maltratadas, e com direitos diferente de nós homens.

                     No escotismo tivemos algumas mulheres que fizeram pelo movimento tanto como muitos homens e que alguns nem lembram mais seus valores. Poderia dizer sobre Lady Olive Baden-Powell, sobre Agnes Baden-Powell, sem esquecer-se da famosa romancista Vera Barclay que deu uma enorme colaboração a Baden-Powell. Nos dias atuais são tantas que não podemos deixar de lado outra escoteira famosa: - Joanne Kathleen Rowling a famosa autora da saga Harry Potter.

                    Em países mais adiantados que praticam o escotismo a participação das mulheres é enorme. Até mesmo Kate Middleton a duquesa de Cambridge foi escoteira. Mas fiquemos aqui no Brasil. São tantas que poderia começar pela Chefe de Lobinhos e Professora emérita reconhecida no mundo inteiro. Estou falando de Maria Pérola Sodré. Tive a honra de fazer um CAB e um IM Lobo sob sua direção. Temos muitas outras famosas, Leda Nagle apresentadora, Maria Bethânia cantora, Maria Clara Machado escritora (bandeirante) Marieta Severo atriz (bandeirante) e Adriana Birolli que deu seu testemunho em redes de TV uma das poucas que fez um belo marketing do nosso amado escotismo.

                   Mas não podemos esquecer estas formidáveis mulheres que fazem no seu grupo um papel inesquecível pela juventude não só no Brasil mas no mundo. Enumerá-las é impossível. Elas trabalham, cuidam dos seus lares, dos filhos e ainda tiram um tempo para todos os sábados estarem presentes a escoteirar, a lobear ou mesmo Pioneirar. O escotismo seria outro sem a presença delas. Desde áureas épocas e principalmente em 1984 quando surgiu a Coeducação no Escotismo Brasileiro, o movimento deu um salto em qualidade e quantidade. O escotismo deve muito a todas as mulheres. São elas o baluarte da formação dado  aos jovens na metodologia Badeniana.


                  Sem puxar a sardinha não posso esquecer-me da minha linda Célia. Escoteira, bandeirante, Akelá e minha companheira em jornadas não só escoteira mas pela vida que passamos juntos. A todas vocês, lobinhas, escoteiras, guias, pioneiras, chefes e dirigentes, meu Fraterno Abraço. Tiro o meu chapéu e jogo no ar dizendo: - Bravôo! Anrê! Sem vocês não seriamos nada do que somos hoje!            

domingo, 5 de março de 2017

Se eu morrer amanhã...


Se eu morrer amanhã...

           - Se eu morrer amanhã, não levarei saudades do mau caratismo de muitos dos nossos políticos. Quem é mau caráter, sempre vai achar uma desculpa para tornar legítimas suas ações. – Se eu morrer amanhã não levarei saudades de muitos que podiam ser justos, mas não são por falta de honra e ética dos seus governantes. – Se eu morrer amanhã, não levarei saudades de muitos líderes escoteiros que se esqueceram de suas promessas, do valor da amizade, em ser leais, amigo e irmão de todos, não importando qual associação pertençam. – Se eu morrer amanhã, não levarei saudades de tantos prepotentes, donos da verdade em diversas áreas do escotismo, cujo respeito com os demais irmãos escoteiros não é levado a sério.

            - Se eu morrer amanhã, não levarei saudades desta sanha em ser alguém, em ser o melhor e adorado, a procura de cargos que não tem salários só para se mostrar como um dirigente que não percebe que se esconde sob o manto da falsidade. – Se eu morrer amanhã, não sentirei saudades dos que se julgam os melhores, não dão a mínima para o que pensa o seu próximo, decidem sem consultar a esta plebe valorosa que luta para fazer dos jovens de hoje os homens e mulheres honrados de amanhã. – Se eu morrer amanhã, não sentirei saudades da falta do garbo, da apresentação pessoal, de uns poucos que esquecem que somos exemplos aos olhos do público e que só um pode denegrir a imagem de uma grande fraternidade como a nossa.

             - Se eu morrer amanhã, não levarei saudades de chefes que não sabem dialogar, querem vencer suas ideias pela força de sua palavra, não sabem ouvir e acham que sendo prepotentes e fingidos vão conquistar o respeito da plebe escoteira. Se eu morrer amanhã, não levarei saudades daqueles que nunca consultaram seus jovens, que falam em nome deles, que acham que sabem o que querem e fazem um escotismo diferente do que se preocupava o nosso fundador. Se eu morrer amanhã, não levarei saudades de uniformes ou trajes sem apresentação, daqueles que se acham escoteiros só por colocar um lenço no pescoço e esquecem que não se engana uma fraternidade como a nossa  por muito tempo.

            - Se eu morrer amanhã, não levarei saudades de falsos amigos, que dizem o que não ouço pelas bandas das esquinas que destroem amizades que pareciam verdadeiras. Se eu morrer amanhã, não levarei saudades daqueles que fazem os seus preços como se aqueles mais humildes não possam realizar seus sonhos. Se eu morrer amanhã, não levarei saudades de aberrações que muitos novos fazem achando que isto é natural. Que esquecem que a escoteirada tem sua família, sua crença seus tabus e que nunca são consultados se isto pode ser aplicado. Se eu morrer amanhã, não levarei saudades do escotismo que não é o meu, que não respeita o que disse nosso fundador, que acha que ele é ultrapassado e nem sabe como seria o mundo de hoje.

              - Mas se eu morrer amanhã, irei sentir muitas saudades dos amigos verdadeiros, da fraternidade sem hierarquia, do respeito e da consulta do poder de dar sua opinião seja o que for para o benefício do crescimento do nosso movimento cujas hostes tem muitos que merecem um bravôo e um Anrê do fundo do coração. E encerro dizendo que se eu morrer amanhã, digo que gostar de mim é um direito de todos, agora fingir que gosta de mim é uma falta de caráter daqueles que não mostram sua cara e nem dizem o que deviam dizer.  


Sempre Alerta e um excelente domingo aos amigos e amigas que prezam com amor a minha amizade.


Deus, se um dia eu estiver prestes a perder as esperanças, me ajude a lembrar de que os teus planos são maiores que os meus sonhos... A vida me ensinou que chorar alivia, mas sorrir torna tudo mais bonito.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Crônicas de um Velho Escoteiro.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

                         Difícil escrever sobre religiosidade. Difícil mesmo. Acredito que muitos sabem que sou espiritualista. E como tal tenho um enorme respeito pela escolha religiosa de cada um. Todos que acreditam no Senhor estão indo para o mesmo caminho. Não existem errados existe sim uma plêiade de homens e mulheres filhos de Deus. No escotismo tive contato com vários tipos de crenças. Em nenhuma delas desconheciam a palavra “amor”. Em todas elas se dizia que sem a caridade não há salvação! Afinal não foi “Ele” quem disse que devemos amar uns aos outros? Mas cada um tem uma interpretação da palavra “amor”. Vai chegar uma época que ela será igual para todos. Tal e qual o Cristo nos ensinou.

                      Lembro que nos velhos tempos de escotismo tínhamos um grande apoio dos católicos cujas paroquias sempre havia um lugar para acampar. Difícil um pároco recusar um pedido para criar ali um Grupo Escoteiro. Tive inúmeros amigos padres. Até um Bispo. A maioria vestia o caqui com calças curtas. Vários deles participavam sempre do meu convívio familiar. Muitos deles foram meus companheiros nas jornadas, nos acampamentos e nos vários cursos que participei. Ficaram marcados na lembrança para sempre. O Escotismo sempre foi um marco no catolicismo. Até hoje em alguns países ele se sobressai com a colaboração de católicos apostólicos romanos.

                         Na minha época os evangélicos não davam muita importância. Os desbravadores ainda não estavam organizados nos templos evangélicos, mas hoje eles são uma potência que em quantidade supera a UEB. Pelo que sei eles tem boas relações com todas as religiões e tive a honra de acampar com eles. Não entro no mérito dos que não acreditam em Deus. É uma escolha pessoal e me abstenho de comentar aqui sobre o que penso a respeito. Se amanhã a UEB resolver modificar a promessa para que eles possam também fazer seu compromisso, lhes dou as boas vindas.

                     A religiosidade está sempre presente no Movimento Escoteiro. Sei que existe um estudo por parte da nossa liderança para que estes também possam participar e fazer seu compromisso Escoteiro. Escolhas são escolhas e devemos respeitar. Eu fico pensando se seria convencido a não acreditar em Deus. Acho impossível isto acontecer. Acredito deste que fiz minha promessa. Afinal faz parte da minha vida os dizeres de cumprir nossos deveres para com Deus e a Pátria. Para ser franco não entendo muitos que fizeram sua promessa e pouco ligam para o que prometeram. Não posso aceitar esta indiferença que alguns têm com aqueles que não são da mesma associação ou não pertencem a UEB. Se eles escolheram outro caminho porque não os considerar irmãos? Ou será que só nós temos direitos e eles não?

                       Vejo muitos julgando como se fossem juízes, dão sentenças como se fossem jurados. Quem é certo quem é errado? O que diz o quarto artigo? Amigos de todos? Tenho amigos em todas as organizações e associações escoteiras existente no Brasil. Já vi meninos e meninas em todas elas fazendo um escotismo de boa qualidade. E sorrindo o que mostra que estão orgulhosos de onde estão. E ficam alguns adultos não se entendendo. Cada um com seu motivo. Quando vejo isto me lembro das palavras de Chico Xavier – Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível! Lindo isto. Amar aos outros sobre todas as coisas, dar as mãos em todas as horas, será que podemos acreditar que um dia nós seremos assim?

                       E o sexto artigo da lei? Só vale para os chegados e que estão juntos na mesma associação? Tenho que acreditar que a evolução dos tempos fará do escotismo uma escola de amor e fraternidade sem igual. Baden Powell (BP) disse isto quando assentou as bases do escotismo. Uma grande fraternidade mundial unindo nações. Sou feliz quando encontro um Escoteiro. Não importa de onde ele seja. Meu abraço e o aperto de mão não irão faltar. Um dia vamos chegar lá onde todos saberão respeitar e serem respeitados. Sem donos da verdade, sem serem donos do escotismo, pois não foram eles que tiveram a ideia e quem teve não deu procuração a ninguém.

                       Sem falsas interpretações eu prefiro mais um sorriso nos lábios e amor no coração. Sou um admirador de Chico Xavier, não esqueço nunca suas palavras – “Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nele corre por nossa conta”, e para finalizar ele disse também – “O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros”.

                Saudades do Padre Tonino, do Padre Antônio, do Padre Julio, do Padre João, do Padre Henrique, do Padre Salvador, do Padre Bruno, do Padre Francisco do Padre Lara e depois bispo que já partiu para uma estrela no céu. Saudades de muitos outros cujos nomes não me vêm à memória. Saudades de todos eles. Grandes religiosos, grandes Escoteiros e grandes amigos. Sempre tinham uma palavra amiga para todos. Nunca discutimos religião. Um enorme respeito entre nós. Nossas conversas eram sobre a Lei Escoteira, sobre programas e fazer do escotismo uma nação fraterna.


                 Bons tempos que se foram, mas tenho certeza que muitos pastores, padres e outros religiosos hoje também estão na luta para um escotismo de amor de respeito e fraternidade. Parabéns a todos eles e aceitem do fundo do coração o meu Sempre Alerta com um vigoroso aperto de mão esquerda!