sexta-feira, 27 de abril de 2012

Causas e efeitos - Você está satisfeito com nosso efetivo atual?


Causas e efeitos
Você está satisfeito com nosso efetivo atual?
Causalidade é a relação entre um evento (a causa) e um segundo evento (o efeito), sendo que o segundo evento é uma consequência do primeiro.
Num sentido mais amplo, a causalidade ou determinação de um fenômeno é a maneira específica na qual os eventos se relacionam e surgem. Apreender a causalidade de um fenômeno é apreender sua inteligibilidade.
Embora causa e efeito sejam em geral referidos a eventos, também podem ser referidos a objetos, processos, situações, propriedades, variáveis, fatos ou estados de coisas. A caracterização de uma relação causal, distinguindo-a da simples correlação, ainda é assunto controverso.

O tema para mim sempre foi fascinante. Não para nossos dirigentes. Pode até ser que estou enganado. Não acredito que o tema mais importante para o Escotismo hoje seja a EVASÃO. Se nossos dirigentes estão preocupados se estão tentando saber as causas e os efeitos estão entre quatro paredes. Os grupos na sua maioria estão contentes com o que fazem. A preocupação com a evasão é mínima. Diversas vezes comentei aqui minha opinião. Mas hoje vou entrar a fundo. Talvez possa ferir susceptibilidades. Paciência. Tenho até a certeza que não atingirei o alvo pretendendo. Que assim seja. Não adianta mais malhar ferro frio.
Vejamos um histórico do passado com respeito à evasão. Até 1980 ela existia, mas não na proporcionalidade de hoje. Os grupos conseguiam manter a maioria dos jovens praticando o escotismo e mesmo que o crescimento não fosse satisfatório, era comum o lobinho passar para Escoteiro, idem Sênior e até Pioneiro se o grupo possuísse o Clã. Sempre se encontrava nos grupos vários escotistas nascidos e crescidos nas hostes escoteiras. Na comunidade em que existiam por não haver a facilidade hoje de locomoção os escoteiros eram bem conhecidos. Isto até ajudava em muito na admissão de novos membros.
Em 1984/85 deu-se o inicio do escotismo feminino. Iniciado com varias normas de conduta e não era totalmente liberado como hoje para sua organização. Isto trouxe novo ânimo aos Grupos, pois muitas jovens queriam participar e o bandeirantismo nem sempre estava acessível. Tropas e alcateias separadas é claro. Não tenho dados em mãos, mas acredito que no período 85/90 com raras exceções o escotismo se fortaleceu bastante.
Foi então que começou a experiência nas alcateias e tropas mistas.  Conheço muitos casos que isto foi provocado pela falta de chefia. Os grupos sem base querendo crescer foram aceitando as inscrições e se viram forçados a entregar as tropas femininas aos chefes que já labutavam em tropas masculinas. Dai foi um pulo a unificação em patrulhas mistas. Mas isto foi bom, podem dizer principalmente os modernistas. Não concordo. Foi o principio do afastamento e saída de muitos jovens. Não só entre os elementos masculinos, mas em alguns casos até com o elemento feminino.
Por quê? Posso afirmar com convicção que o sistema de patrulhas, a maneira de desenvolver as tropas, o programa Escoteiro idealizado por Baden Powell (BP) não podia ser realizado em tropas mistas. Não são palavras minhas, mas a diferença é enorme. Alguns itens que aleatoriamente peguei na internet, mas que poderiam é claro ser interpretados de outra maneira:
- Meninos apresentam níveis mais elevados de testosterona, o que estimula neles um comportamento mais agressivo que o das meninas;
- Desde o início, meninas controlam suas emoções mais que meninos. Eles choram mais quando estão tristes, enquanto elas dão preferência a chupar o dedo; (risos).
- Durante as conversas, as filhas ficam mais tempo olhando para os pais (chefes) do que os meninos. Aos quatro meses, elas reconhecem mais rostos que eles;
- Meninas estão mais preparadas para construir relacionamentos e interpretar suas emoções;
- Meninos comunicam-se por palavras em 60% do tempo. Os 40% restantes são completados por barulhos feitos com a boca, reproduzindo ruídos de socos, carros, motos, aviões. Meninas praticamente só usam palavras e raramente imitam motores.
- E finalmente, nos bairros as turmas de amigos sempre fizeram e fazem programa separado um do outro. Meninas de um lado meninos de outro. Até nas casas onde se é possível existe o quarto do menino e o da menina.
 Como se vê, meninos e meninas são diferentes e apresentariam disparidades de comportamento ainda que criados na selva por gorilas, feito Tarzan. Até chegar a essa conclusão, a ciência consumiu décadas em debates, pois havia uma dúvida. Um segmento de estudiosos achava que as crianças não nasciam com diferenças cerebrais ou comportamentais perceptíveis. Na opinião deles, tal distinção se manifestaria apenas em decorrência das atitudes dos pais durante o processo de criação dos filhos. O debate não acabou, pois há grande divergência sobre o peso do DNA na determinação do "destino" comportamental da criança. Os estudos, no entanto, concordam em que a carga genética produz diferenças menores do que a carga cultural exercida pela criação.
 Por que os pais se preocupam tanto quando uma menina quer brincar com espada ou o menino quer pentear a boneca? Não reforce as diferenças. Meninos dão preferência a jogos competitivos e meninas a brincadeiras cooperativas. Este estudo finaliza - Não obrigue seu filho ou sua filha a brincar com crianças do sexo oposto. Nos primeiros anos de vida, tanto meninos quanto meninas preferem estar com crianças do mesmo sexo.
Sei que haverá centenas de escotistas e pedagogos a me contradizer. Ótimo. Não sou perfeito, só confirmo que o escotismo não cresce em quantidade e qualidade e que talvez, digo talvez este possa ser um dos motivos. Dizer que ele está crescendo a desmerecer a mentalidade de alguém que está vendo o dia a dia do escotismo nacional. Mas vamos continuar o nosso ponto de vista. Se for válido ou não fica a critério dos leitores escotistas. Você já viu uma charge onde se diz que o jovem entrou para o escotismo pensando encontrar atividades fortes, aventureiras e não encontrou nada disto? Seria possível realizar tais atividades com patrulhas mistas?
Dizer que em uma Patrulha os jovens aceitam de bom alvitre as meninas e os meninos seria dizer que eles não conhecem o programa Escoteiro na sua forma tradicional. E olhem, podem dizer: Em minha tropa isto não acontece! Bom, mas não acredito que a liberdade de uma Patrulha se faria com meninos e meninas juntos. Se digo isto tenho experiência própria. Já vi Patrulhas masculinas e femininas em tropas separadas fazendo um excelente escotismo e permanecendo por longos anos no Grupo Escoteiro. Claro, atividades em conjunto existiram. Mas devidamente programadas e aceitas pelos jovens.
Porque as atividades aventureiras, os acampamentos no molde de Gilwell rarearam? O menino tem um sonho. A menina tem outro? Não vejo como haver competitividade entre eles e olhem que esta é base do programa Escoteiro. Quando se tem tropas mistas e patrulhas mistas os jogos não podem ter o mesmo efeito para ambos. Como fazer um jogo de briga de galo (exemplo) entre meninas e meninos? Está fora de propósito nos objetivos a serem conseguidos.
E finalmente as atividades aventureiras rarearam. Os grandes acampamentos de tropa estão desaparecendo. As atividades Intergrupos, distritais regionais e nacionais passaram a ter fator preponderante. O programa de tropa foi substituído por estas atividades e muitas delas surgidas sem programa preparatório. A maneira de programar foi totalmente alterada. Hoje qualquer um pode ver nas redes sociais, jovens e escotistas motivados ou motivando nas participações de atividades que surgem do nada e claro, devem alterar de forma surpreendente qualquer programa de tropa.
Encontros religiosos, encontrões escoteiros, passeio em tal e tal lugar, atividades distritais, regionais e nacionais que tomam todo o tempo de uma sessão Escoteira. Claro, pode ser um chamativo. Mas seria para todos? Que o digam os jovens que estão saindo. Alguém já foi até eles perguntar e fazer uma pesquisa de campo bem feita? E esta disparidade do uniforme? Uns a favor do atual e novas mudanças e outros não? Por acaso a UEB sabe quantos grupos usam só o caqui e quantos só o cinza em todo território nacional?
E o tal do traje? Agora só o lenço identifica o membro do escotismo? Não sei se o sonho do jovem ou da jovem acabou. Aquele chapelão, o caqui conhecido de norte a sul do Brasil e tantas outras coisas que fizeram o sonho daqueles que permaneceram por longos e longos anos. Isto sem dizer da tal progressão do jovem em sua senda Escoteira. Estão confundindo muito a modernidade com o verdadeiro espírito que existia no escotismo. Mudaram tanto que esqueceram o método de BP, as tradições e estão colocando agora um novo escotismo. Este eu não conheço.
Mas nada disto importa, pois nossos dirigentes se reúnem, discutem entre si, e dizem – Vamos mudar. Como existe uma grita aqui e ali, eles simploriamente dão uma “esmola” como se fosse uma pesquisa séria. Não é não. Não seria uma pesquisa de campo a ferramenta certa para suprir a necessidade de desenvolver estratégias? Conhecer melhor o que pensam os membros do escotismo nacional? Enfim, obter de todos e identificar como estão pensando a respeito de tal e tal assunto? Acho que só assim poderíamos tomar decisões que afetam a todos e não uma meia dúzia dizendo o que deve ser feito.
Infelizmente as causas e efeitos da evasão ainda não foram devidamente estudadas e analisadas. Para se ter voz e voto só pertencendo à elite dos dirigentes nacionais. Tudo bem. Se não, é esperar como agora a definição do tal traje que será ditada por poucos. Enquanto isto a procura dos motivos reais da saída de milhares de jovens por ano das fileiras escoteiras ficam sem resposta. Ninguém foi perguntar a eles porque saíram. 
Não tenho o dom da infalibilidade. A perfeição ainda não consegui atingir. Mas não é da maneira que estão fazendo os nossos dirigentes que iremos atingir o ponto X da solução final. Iremos talvez crescer aqui e ali. Mas não será um crescimento real. Enquanto os jovens e adultos participantes do escotismo Brasileiro não permanecerem pelo menos por alguns anos nas fileiras escoteiras o hoje e o amanhã será conforme agora. Que o digam aos dirigentes nacionais.
Nada é mais fácil do que se iludir, pois todo o homem acredita que aquilo que deseja seja também verdadeiro.
Frase de Demóstenes


terça-feira, 17 de abril de 2012

O politicamente correto


"O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra. A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real."
(Abraham Lincoln)

O politicamente correto

O politicamente correto (ou correção política) se refere a uma suposta política que consiste em tornar a linguagem neutra em termos de discriminação e evitar que possa ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como a linguagem e o imaginário racista ou sexista. O politicamente incorreto, por outro lado, são uma forma de expressão que procura externalizar os preconceitos sociais sem receios de nenhuma ordem.

 Estou boquiaberto! Um "Velho" Escoteiro, com 65 anos de escotismo, 71 de idade que não tinha ainda estudado e visto o que significava o Politicamente Correto. Mas como? Pergunto-me. Nunca tinha visto nada igual até hoje. Será que não é coisa da UEB? Risos. Brincadeira.  Bem ainda dá tempo de aprender. Todos sabem que sou uma oposição sadia da UEB. Sempre lutei para que ela fosse forte, grande e atuasse como nós esperamos no aumento quantitativo e qualitativo dos jovens em nossa nação. Claro, interpretações a parte e direito de expressar, nada posso fazer se não usar minhas armas. A ESCRITA. As outras, lutando em campo aberto eu o fiz por longos anos. Agora não dá mais.

Depois de tanta celeuma me pergunto de algumas fotos divertidas de jovens com uniforme “diferente” postadas no face, será que os politicamente corretos já leram a literatura da composição da UEB? Sabem como funciona sua estrutura? O que faz a Assembleia Nacional? Elege quem? O que é o CAN? E como é eleito o DEN? Sabem o nome do Presidente e vice do DEN, conhecem pelo menos dois delegados nacionais em sua região? Será que já leram e compreenderam os Estatutos da UEB conhecem bem o Regimento Interno?

Tem uma boa noção do POR e tomaram conhecimento das novas Normas Disciplinares com informações e determinações sobre como deve agir as Comissões de Ética recém-aprimorada? Nisso a UEB é “batuta” Taxativa! Errou paga! Risos (só faltou dizer como a pessoa seria... melhor esquecer). Sei que centenas que vão ler este artigo sabem tudo isso. Dirijo-me aqueles que são politicamente corretos e discordam de todos e ficam de olhos fechados para o que acontece em sua volta.
    
Pergunto-me se sabem a quem a UEB é afiliada mundialmente, se existem outras organizações mundiais? Conhecem as outras organizações escoteiras que existem no Brasil e no Mundo? Como funcionam? Mas deixo de lado esta complexidade. Vou mais fundo. Será que já analisaram as causas da evasão no movimento Escoteiro? Que a cada um que entra sai outro? Culpa de quem? Outro dia li que em cada adulto que sai saem cinco jovens com ele e o mesmo acontece na entrada. Não seria uma evasão prejudicial? Já viram isso em seus grupos?
Pergunto-me se nas matilhas os lobinhos e lobinhas (mais de oitenta por cento) permanecem por mais de dois anos na alcatéia? E as patrulhas? Bem adestradas? Pelo menos setenta por cento com mais de três anos continuam na tropa? Monitores bem formados? Capaz de liderar como ser liderado? Será que cada um deles na Patrulha tem pelo menos dez noites de campo por ano? Será que pelo menos trinta por cento da tropa atingem o grau Liz de Ouro? E as patrulhas seniores/guias tem o mesmo número da tropa ou estão naquela de uma ou duas? E o Escoteiro da Pátria, pelo menos vinte por cento deles alcançam?

Pergunto-me se os jovens sugerem seus programas anuais? Se a democracia no grupo existe com um Bom entrosamento Conselho de Chefes/Diretoria? Do Grupo Escoteiro para outro assunto. Pergunto-me. Será que agora estão satisfeitos com tudo que vem das autoridades escoteiras? Ela é infalível? Um deles me disse que o local para discutir é a Assembleia Regional e Nacional. Pergunto-me, sabem como chegar lá? Para ter voz e voto? Conhece quantos que são delegados nacionais? E do seu estado? É fácil ser eleito? Pergunto-me se eles não gostariam de ser consultados sobre algum tema importante que são impostos sem consulta?

Sobre a Assembleia, pergunto? – Já estiveram lá? Teve oportunidade de discordar e apresentar novas sugestões e essa ser aprovada? O tempo das discussões é suficiente para artigos importantes? Agora mesmo irão apresentar o tal novo uniforme ou traje. Como vai ser? Quem foi o autor da ideia? Um só? Mais de um? Mas somos 67.000 será que os jovens não interessam em opinar? Afinal eles é quem irão usar tal traje.

Poderia perguntar mais, se estão questionando, se estão ao par como são eleitos e escolhidos os dirigentes nacionais? Pergunto-me se aqueles que dizem que o importante é o jovem já viram e conhecem os resultados do seu grupo na comunidade em que residem? Homens e mulheres de caráter em número razoável para dizer a todos que o escotismo é uma forma de formação de caráter e estão a batalhar junto às autoridades em beneficio do escotismo local?

Claro que muitos dirão que sim e vou acreditar. Tem mesmo boa parte dos nossos escotistas que lutam por um escotismo melhor. Mas saibam que até 1978/80, nosso efetivo era de mais de 45.000 membros. Trinta anos depois temos 67.000 e isto com a entrada do movimento feminino que deveria ter dado um substancial aumento (alguns discordam deste numero). Ninguém até hoje analisou do porque nestes trinta anos não crescemos. Por quê? O programa não era bom? Mas foram os notáveis que mudaram.
Minha luta vai continuar. Não concordo com nosso sistema. Ele não nos dá o direito de escolha. Agora mesmo em uma lista que participo, onde tem bons escotistas opinando, são todos de opinião que precisamos mudar, mas ninguém sabe como. É como os deputados e senadores que quando aparece projetos ou leis que podem interferir em suas “lambanças” engavetam. Sabiam que no Congresso Nacional menos de 0,5% do nosso efetivo votam e decidem? Isto não existe em nenhuma democracia plena.

Mas que venham os politicamente corretos. Só espero que daqui a vinte, trinta cinquenta anos eles estejam ainda no escotismo. Para verem se acertaram ou se erraram. Baden Powell (BP) sempre disse – IMPORTANTES SÃO OS RESULTADOS. Que eles sejam bons, pois até agora produzimos muito pouco em termos de quantidade e qualidade.

Tenho ouvido e conversado com muitos escotistas de norte a sul do Brasil. Um deles me disse que um colégio eleitoral (no caso nossas assembleias) é sistema típico de ditaduras. De regimes de exceção. Continua ele – O atual sistema de escolha dentro da UEB beneficia somente, e tão somente os grupos que se revezam há décadas no poder em todas as esferas. Continua ele – Articulações politicas e de interesse são fatos. Por óbvio que é mais fácil garantir votos com meia dúzia de associados ”delegados” votando do que deixar na mão de todos os adultos envolvidos no Movimento Escoteiro.

 Acha ele que os pais dos jovens servem para bancar seus filhos no ME, mas não para decidir o destino dele. Outro amigo diz – Falar de propostas no Congresso é uma bobagem. As que são aprovadas ao nível regional são levadas a nacional e pronto. Não tem ali como fazer propostas ou se dar voz a ninguém. Exceto para fazer alguma pergunta a um palestrante sobre alguma novidade e que em geral, são respondidas com uma tremenda má vontade, em especial se a pergunta questiona a validade do que sendo feito.
Continua ele (é um participante ativo nestes congressos) – Poderia mencionar as tais “reuniões” e “almoços” reservado à cúpula. Ali é que são costuradas as politicas os conchavos. Lembra ele o que aconteceu Brasília no último Congresso. Uma comissão de notáveis com portas fechadas para ver se conseguiam apoio para candidatos ao CAN entre outros temas importantes. Rindo ele disse que as assembleias servem sim, para rever amigos, turismo, pois a realidade é bem diferente do que se espera de uma verdadeira estrutura democrática. Termina dizendo – Não se pode fugir das influências. O poder está na mão de meia dúzia.
"Bom caráter é para ser mais enaltecido do que talento extraordinário. A maioria dos talentos é de uma certa forma um dom. Bom caráter, em contraste, não nos é dado. Temos que construi-lo peça por peça... por pensamentos, escolhas, coragem, e determinação." 
 (John Luther).

terça-feira, 27 de março de 2012

NADA A DECLARAR!


NADA A DECLARAR!

A esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a crença. Vão-se sonhos nas asas da descrença, voltam sonhos nas asas da esperança.

Quem dizia isto? Acho que poucos se lembram. O ministro Armando Falcão foi quem cunhou a frase que ficou célebre. E hoje eu estou plagiando, pois não tenho nada a declarar. (mais tarde ele escreveu um livro – Tudo a Declarar, mas não declarou nada. Risos). Declarar o que? Desculpem, acho que tenho muito a declarar. Estou lendo o inicio de uns artigos que postei em meus blogs e pensando.

“Castas” – existem mesmo no escotismo? – Castas em sociologia, são sistemas tradicionais, hereditários ou sociais etc. e etc. É um artigo longo. Comparei esse sistema com a maneira com que funciona a direção no nosso escotismo. Sei que muitos não concordam, mas a uma luta desigual para atingir esse privilegio.

Democracia Escoteira um artigo – Sempre falo nisto. Também muitos discordam, chegam mesmo a me dizer que devia ver como foi conduzida na maior lisura tal e tal reunião ou Congresso. Nossos dirigentes são como nossos pais, (apenas um exemplo) sempre estamos ali agradecendo o que eles fazem em nosso beneficio. Um chocolate para adoçar a boca. Não perguntam o que queremos, apenas decidem e como somos obedientes e disciplinados, aceitamos sem discutir.

A Ilusão dos Iludidos – Quando escrevi esse artigo foi interessante. Na época disse que era um tema polemico. Muitos discordaram. Sempre aqueles que dizem - Devemos preocupar com os jovens, deixar de lado os que querem dominar. Que eles se entendam. “Eu estou fora”. Isto até soa como subversão para mim. Afinal de que valeu meus 64 anos atuando no escotismo? Tenho que ficar “na minha” e bater palmas para os que dirigem? Afinal não os escolhi. E estão sempre lá se reelegendo ou mesmo indicando quem deve assumir em seus lugares. É difícil pensar que alguém se preocupa. Lembra-me um adágio do Velho cego conduzindo outro cego e ambos caíram em um buraco.

O Escoteiro que luta só foi outro artigo – Sei que tem muito com eu. Uns poucos dizem o que pensam outros nada dizem. Alguns sempre a me mostrar que estou errado, que não é assim, e tem cada um com palavras lindas que quando olho suas fotos me parecem ver auréolas brilhantes sobre suas cabeças (risos). Queria ser assim. E aqueles que dizem – "Chefe" Escoteiro, esqueça isso, vá procurar um grupo, veja o sorriso da meninada! Nestes dou risada. Afinal várias centenas de jovens cresceram no escotismo que colaborei. E quantos milhares de sorrisos. Tenho resultados. Muitos.

São tantos e tantos artigos. Palavras ao vento. Existe uma aceitação que me amedronta. Não vejo ninguém se preocupando com a estrondosa rotatividade dos jovens no escotismo. Nem estão nem aí com as mudanças, se estão ou não acabando com as tradições. Não enxergam este número sazonal de vai e vem em registros na UEB. Uns defendendo que estamos crescendo (?). Não existem consultas e quando existem são para uma minoria. Não existem uma maneira mesmo que razoável em acreditar em democracia.

Um diz que foi julgado em uma Comissão de Ética e não sabia. Não fora informado. Graças a Deus que foi absolvido. Não é preocupante isso? Afinal quantos estão sendo julgados nessas comissões? Sem direito de defesa? Mas eles batem palmas. Dão-se por satisfeitos. (quem sabe eu estou lá sendo julgado e condenado?). E assim segue uma liderança que sempre é escolhida por eles mesmos e nunca será substituída. A capitania hereditária existe no escotismo nacional. Talvez em algumas delas um ou outro perca o poder. Mas quem o adquiriu sabe, vai lutar até as últimas consequências para ficar lá.

E se alguém como eu levantar a voz, centenas dirão – Cala-te "Chefe" Escoteiro! Não sabes que o Escoteiro é obediente e disciplinado? Não sabes que eles podem te processar? Já pensou? Você não poder falar mais nada? Não sabe que na nossa promessa dissemos que devermos servir a União ados Escoteiros do Brasil? E lá vamos todos a continuar como seguidores. Poucos levantarão a voz. Mas eu não. Agora vou dar um tempo. Estou escrevendo muito. Contos, histórias, todas vendo os meninos e meninas com a mente sã. Vivendo a plenitude do que é o sonho de todos os jovens escoteiros.

E amigos, podem pisar no meu “calo”. Vou ficar quieto por algum tempo. Vou assistir de “camarote” e rir de mim mesmo com essas bravatas que estou lendo. – Foi tudo lindo! Uma democracia perfeita! Tudo muito bem estruturado. Direitos iguais! Risos. Mas os mesmos da corte foram reconduzidos. E viva a democracia Escoteira! Antes que esqueça – Foi distribuído lá uma profusão de medalhas! Risos.

Sem ofender, pois tenho o maior respeito por todos os Escotista do Brasil e do mundo, sempre quando vejo os ânimos calmos, elogios aos dirigentes, entrega de medalhas em profusões a quem pertence ou se uniu a corte, me lembro de uns provérbios interessantes, que aqui transcrevo sem endereço fixo:

A bom entendedor meia palavra basta. 
A corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco. 
Anda em capa de letrado muito asno disfarçado. 
As paredes têm ouvidos. 
Briga o mar com a praia, quem paga é o caranguejo. 
Cada cabeça, cada sentença. 
Cada leitão em sua teta. 
Cada louco com sua mania. 
Cada macaco no seu galho. 
Água e conselho só se dão a quem pede. 
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. 
Águas passadas não movem moinhos. 
Nada como um dia depois do outro. 
De grão em grão a galinha enche o papo. 
Em boca o seguro morreu de velho e a prudência foi ao enterro (funeral) 
Em boca fechada não entra mosca
 Para bom entendedor meia palavra basta 
Ri melhor quem ri por último. 
Ri-se o roto do esfarrapado e o sujo do mal lavado. 
Quando a barriga está cheia, toda goiaba tem bicho. 
Quando a esmola é demais, o santo desconfia. 
Quando o dinheiro fala tudo cala. 
Quando o pobre come frango, um dos dois está doente. 
É nos tempos maus que se conhecem os bons amigos. 
É preciso ver para crer. 

Bem chega por hoje, que cada um faça bom proveito. Risos e risos

"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.
 (Luther King)


sábado, 24 de março de 2012

As três portas do sucesso – Parte I - II e III


As três portas do sucesso – Parte I

A Alcatéia, a Tropa Escoteira e a tropa Sênior.

Deveriam ser quatro. Porque não incluí a última ficarei devendo. O Clã Pioneiro. Claro tem validade. Muita mesmo. Entretanto neste artigo não é primordial na aplicação do método Escoteiro que vou explanar aqui. Sua importância não se discute. É fundamental. Mas não cabe agora comentar. Por quê? Um artigo sobre os pioneiros pretendo escrever proximamente. Afinal fui um deles. Outra época, mas fui por dois anos e meio.

Muitos podem discordar e até aceito. Mas a porta principal do movimento Escoteiro é a tropa Escoteira. Ela é o coração do Grupo Escoteiro. Com o passar dos anos as idades sucessivas para as sessões escoteiras foram alteradas, sempre pensando no desenvolvimento do rapaz. As idades que na maneira de ver dos dirigentes deveriam receber formação Escoteira foram alteradas através dos tempos conforme se pensa da maturidade nos dias de hoje.

E os Lobinhos? Não são importantes? Claro que são. Mas vejamos – BP vendo que os “pequenos” também queriam participar deu uma oportunidade a eles. Como não podiam ainda viver a vida aventureira do Escoteiro, surgiu os lobinhos com a fenomenal ideia da Mística da Jângal. Assim como os escoteiros, naquela época tudo era muito simples. Nada como o tal mundo sociológico e pedagógico de hoje. Risos.

Sempre houve uma preocupação com a tropa Escoteira. Sem desmerecer, ela é um baluarte em qualquer Grupo Escoteiro. É comum termos alcateias sempre cheias. Mas as tropas não são fáceis de manter. Tanto que nem sempre os lobos advindos da alcatéia permanecem muito tempo na tropa. Existem é claro aqueles abnegados e também existem boas tropas que sabem receber e manter o lobo em seu meio por mais tempo. Mas isso é exceção e não a regra.

Se olharmos com atenção, os seniores/guias tem sempre o menor número das sessões escoteiras. Por quê? Porque todos os jovens que passam para esta tropa abandonam em menos de um ano? Em minhas andanças por este Brasil afora, vi poucas tropas seniores/guias com mais de duas patrulhas. Advindos todos da Tropa Escoteira só encontrei uma meia dúzia com quatro patrulhas. Se não fosse as moças acredito mesmo que ter duas seria uma exceção e não a regra. Será um tema interessante para discutir.

Portanto a Tropa Escoteira era e ainda é o sustentáculo da permanência dos jovens dentro da vida Escoteira. Se ela for realmente uma tropa onde se pratica um bom escotismo, é claro que muitos desses jovens ao passar para a idade da Rota Sênior irão pelo menos “engordar” mais as patrulhas que lá estão. Mas não podemos e esquecer que, se eles aprenderam a opinar, a sugerir, a fazer seus próprios programas e ali forem tolhidos pelos chefes, não irão ficar por muito tempo.

Acredito, portanto, que as três partes do sucesso do escotismo são: A Alcatéia, A tropa Escoteira e a Tropa Sênior. Agora temos que pensar que sem uma boa tropa Escoteira dificilmente o Grupo Escoteiro irá ter o sucesso esperado no seu crescimento quantitativo e qualitativo. Pretendo dissecar o assunto com mais clareza em artigos futuros. É para ela que sempre se volta o pensamento quando se organiza um grupo e é ela quem dará o caminho para o sucesso a todas as demais que irão se materializar ali.

Para não alongar, no próximo artigo irei dar minhas opiniões sobre a tropa Escoteira em especial. As três partes do sucesso da Tropa está presente nesta sessão de outra forma. Podem ser reconhecidas como O Monitor a Patrulha e a Corte de Honra.  Aqueles que por um motivo ou outro não concordam com o meu raciocínio, aceito de bom grado. Insisto e torno a insistir que somos amadores. Se não nos virem assim nunca iremos fazer o escotismo como queria Baden Powell (BP).

E torno a afirmar que nosso movimento é de fim de semana e não semanal. Quando todos nós nos imbuirmos que nosso voluntariado deve ser exercido de maneira simples, então tenho a certeza que vamos ter sucesso em nossa jornada.

As três portas do sucesso – Parte II

A Tropa Escoteira

Quem viu o vídeo de Ian Hislops, sobre a vida de Baden Powell (BP) (Escotismo para Rapazes segundo Ian Hislops – Ficheiro único (pt-pt) no You Tube poderá ter uma ideia mais clara do que significa escotismo tradicional, ou seja, na minha modesta opinião escotismo em sua forma simples, atingindo de maneira clara seus objetivos. Sempre acreditei que isso que o jovem procura quando adentra no escotismo.

As ideias e as práticas com o passar dos anos foram sendo alteradas. BP nos deixou um legado. Muitos hoje em nome dele dizem que se estivesse vivo estaria mudando também. Será? (quantos gostam de falar por ele). Quando ele escreveu em forma de fascículos o Escotismo para Rapazes, estava assentado as bases do movimento Escoteiro. Os jovens aos milhares começaram a fazer o escotismo na sua forma original. Claro precisavam de um rumo. Se isso não acontecesse não seria benéfico para uma organização que se avizinhava.

E foi aí que surgiu à organização. Homens querendo dar um rumo a historia do escotismo. Lembramos que conforme Aldous Huxley em seu livro Admirável mundo Novo ele dizia: Uma organização não é consciente nem viva. Seu valor é instrumental e derivado. Não é boa em si, é boa apenas na medida em que promoveu o bem dos indivíduos que são parte do todo. Dar primazia as organizações as pessoas é subordinar os fins ao meio. A organização precisava mostrar a que veio.

Se pudéssemos ver o passar da história veríamos que a cada década um pouco do escotismo original mudava. Agora acrescentavam suas ideias no método escoteiro na forma como começou. Chegamos a tal ponto que hoje os pedagogos entre outros acreditam piamente que o passado deve ser enterrado. O escotismo na sua nova fórmula atual não permite a simplicidade. Os cursos de formação a cada ano vão dando novo sabor ao aprendizado. Ainda lembro que quando comecei a labutar na seara do adestramento, os manuais mimeografados eram ainda em língua inglesa. Não era a pureza na sua forma original, mas se aproximava muito.

Seria interessante ver que na “época de ouro” se podemos chamar assim, o aumento quantitativo foi surpreendente. Analisar o que aconteceu em muitos países seria difícil, mas em alguns deles o escotismo chegou a multiplicar-se anualmente. Porque os jovens gostavam tanto? Todos irão responder que era pela maneira nova e simples que se apresentava aos rapazes, dando oportunidade a todos que ali ingressassem em ser heróis, a fazer o que sempre liam nos quadrinhos. A busca da aventura, das atividades mateiras, enfim o sonho de toda criança.

E o tempo foi passando. Em nosso país ele não cresceu tanto. Poderia analisar aqui talvez os motivos. Mas fica para um futuro próximo. É bom lembrar que tudo já foi absorvido e aplicado de maneira constante e sistemática. Isto se tornou um hábito de comportamento. Esta a maneira com que os ditadores fazem para mudar a mentalidade dos seus povos. Não quero dizer que no escotismo tenhamos ditadores, não.  Mas os dirigentes a cada ano passaram a pensar pelos jovens. Passaram a dizer o que é bom ou ruim para eles.

O escotismo na sua forma original passou a ser considerado ultrapassado e ineficaz. Não deram condições de ver o outro lado. Quem sabe se tivessemos seguido outro caminho ele poderia ser mais bem aceito pelos jovens do que é hoje. As mudanças foram feitas. O advento da internet, da TV avançada, do celular da ultima geração. Ou então a velha crença de que os jovens estão crescendo mentalmente acima de suas idades. Penso que isso deu espaço para que o desejo da aventura fossem substituídos por outros valores. A debandada foi natural. Muitos ADULTOS falando em nome dos jovens.

As três portas do sucesso – Parte III

A Tropa Escoteira

Tentaram colocar os jovens para opinar. Como? Já havia um hábito de comportamento entre eles. Aprenderam com a nova terminologia. Agora só se sabia fazer o que faziam. Não tiveram nenhuma possibilidade de fazer o que BP pensou nos primórdios escoteiros. Não funciona agora! – Dizem. Se alguns de voces prestarem atenção no que falam alguns jovens que publicam em sites de relacionamentos, se vê que o desejo da aventura está ainda arraigado em seus pensamentos. Já viu algum deles dizerem que adoram as provas escoteiras para pesquisa na internet?

É como dizem. Temos que mudar para viver bem no meio sociológico e pedagógico de hoje. Os jovens querem mudar. Estão pensando diferente. Vamos dar a eles o que eles querem. Será mesmo? Sempre adultos falando em nome dos jovens. Sei que tem muitas tropas espalhadas pelo rincão brasileiro que ainda vivem um pouco da originalidade. Não se preocupam com as mudanças. Fazem ou dizem que fazem o escotismo tradicional.

Lembro-me bem que nosso "Chefe" Escoteiro era uma pessoa esplendida. Não ficava ali a apitar, fazer sinais manuais e inventar atividades sociológicas e pedagógicas. Cada um de nos tinha em suas casas o Guia do Escoteiro. (escrito pelo Almirante Benjamim Sodré em 1925). A cada página uma descoberta, uma aventura, um desejo de fazer o que estava escrito. Sei que hoje isso não é possível. Mas se pudesse se tivesse condições iria fazer uma tropa nesses moldes. Convidar oito rapazes. Entregar a cada um deles o Guia do Escoteiro e perguntar um mês depois – E aí? Vamos fazer nossa Patrulha? E tenho certeza que quase todos iriam topar.

Seria é claro algum novo. Deixar que eles fossem responsáveis pelo seu adestramento, sua formação. Mas podem me dizer, é isso que fazemos hoje. Não é não, irei responder. Poucos sabem fazer o Sistema de Patrulhas. Poucos deixam que os monitores façam sua Patrulha andar. Sempre o adulto com seu novo manual na mão a dizer – Vamos treinar isso e aquilo. (vejam meu artigo o Sistema de Patrulhas para não ficar repetitivo).

Seria bom que muitos dos leitores revissem suas estratégias. Sei que poucos procuram estudar melhor a falta de motivação de novos para terem suas tropas completas. É como se fosse uma obrigação semanal ir à reunião e voltar para casa. Mas acredito que muitos devem se perguntar – O que estou fazendo aqui? Formar cidadãos honestos? Mas como se a cada ano sempre tenho escoteiros novos?

Uma pena que poucos grupos tem em suas fileiras as bases escoteiras completas. Sessões em que as vagas são poucas. Mas que lutam para criar outras dando maior poder de participação àqueles que ainda não conhecem o escotismo e agora se motivaram. O vídeo de Ian Hislops nos mostra que aquele escotismo nos seus primórdios ainda persistem em muitas mentes de jovens pela nossa nação hoje e claro pelo mundo.

Melhor seria que nossos audazes dirigentes mudassem nosso nome ou mudassem nosso método. Aprender a fazer fazendo está complicado. Muitas interpretações. Cursos de formação para isso e aquilo. Bastava que dissessem, vamos ver as tropas Escoteiras em ação? Liberdade de pensamento, democracia nas patrulhas, respeito as suas ideias e isso seria o começo de uma nova era.

E para terminar, nada melhor que o que Kipling, que não era Escoteiro escreveu:
   “ Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.


terça-feira, 20 de março de 2012

O SISTEMA DE PATRULHAS I


Três artigos sobre o sistema de Patrulhas.
Aguardem o terceiro

O SISTEMA DE PATRULHAS I
                                                                   
“Cada Tropa Escoteira é formada pôr duas ou mais Patrulhas de seis a oito rapazes. O principal objetivo do Sistema de Patrulhas é dar responsabilidade real a tantos rapazes quantos seja possível. Isto faz com que cada rapaz sinta que tem pessoalmente, alguma responsabilidade pelo bem de sua Patrulha. E leva cada Patrulha a ver sua responsabilidade definida para o bem da tropa. Através do Sistema de Patrulhas os escoteiros aprendem que tem uma considerável participação em tudo que a sua tropa faz”.
Baden Powell

- Se estou entendendo - falou um dos jovens chefes - O senhor esta afirmando que o sistema só funciona com liberdade - Deixar que eles façam desde que devidamente instruídos, preparados e adestrados. Mas e as outras atividades em conjunto?

- Nunca deixaram de existir! - “falou o ““ Velho” Escoteiro - Vocês devem medir a disponibilidade de tempo para que possam guiar a Tropa. - Repito - G U I A R! - Não dirigir. Para isto é necessário algumas reuniões nos dias de semana. Com o tempo os próprios monitores vão procurá-los em suas casas, desde que autorizados para isto e é claro que devem ser autorizados. A amizade que vai uni-los é a mais importante na Direção da Tropa.

- Deve haver diversas atividades em que todos estarão presentes. Seja na sede ou no campo. O que se está insistindo aqui é que os monitores é que dirigem, adestram, ensinam e acompanham o crescimento dos escoteiros da patrulha. Estes, democraticamente fazem do monitor o seu porta-voz. Foram eles que os escolheram e o elegeram.

- Este é o motivo da insistência de termos rapazes advindos do movimento liderando tropas Escoteiras. É claro que nem sempre isso é possível e assim o voluntário terá que ser bem adestrado e se possível fazer algum tipo de estágio em outras tropas que aplicam corretamente o Sistema de Patrulhas. Por experiência eu sei que um adulto que não passou pôr esta fase, nunca vai acreditar ou só acredita pela metade na responsabilidade da patrulha em dirigir a si mesma.

Ele vai fazer uma projeção totalmente errônea do Sistema de Patrulha, sempre baseada em sua experiência, que pode ser da sua vida passada ou da sua atividade profissional. Mas se bem orientado, bem adestrado, tenho a certeza que ele vai ser um excelente Escotista completou. - Tudo vai fluir facilmente se observarem os princípios do método escoteiro. Uma boa patrulha vai bem se a democracia é posta em pratica sempre.

Para isso a Patrulha deve ter livre arbítrio para participar, sugerir e votar. Algumas tropas tem um conselho de monitores cuja função é de assessorar assuntos ou temas que possam ser resolvidos sem a necessidade da Corte de Honra. Principalmente a discussão de programas de tropa ou mesmo de atividades extra sede. O “Velho“ não demonstrava sinais de cansaço e entre uma ou outra conversa e uma cachimbada, aumentava o volume de sua velha vitrola, cujo disco de um trio famoso em sua época, repicava velhas e saudosas canções escoteiras.

Lá fora, uma lua cheia e “rechonchuda” brilhava no céu, e pela janela, apesar das luzes acesas, invadia sem permissão parte da Sala Grande. O Sistema de Patrulhas em principio parecia ter sido absorvido pôr todos, mas à medida que discutíamos detalhes, mais e mais chegávamos à conclusão que pouco sabíamos. E era tão simples! - Chefe - monitor - escoteiro - escoteiro - monitor - chefe! - Simples mesmo.

- Vocês não devem esquecer - falou o "Velho" Escoteiro - O Sistema de Patrulhas é um trabalho em Equipe. Através dele vamos dar aos jovens noções de civilidade, harmonia, compreensão, democracia, honra, fraternidade e formação da personalidade sem impor determinações que não condizem com a formação do caráter. Trabalhamos com o todo, mas visando a unidade, lembrem-se que colaboramos e não substituímos os pais na formação do jovem na escola e a igreja e família. Não sei se me fiz entender bem! - completou o “Velho”.

- O Programa Escoteiro já é conhecido de vocês e basta aplicá-lo. O inicio é simples e para isto a tropa pode ajudar e bem. Em uma conversa ao pé do fogo, em um acampamento de monitores ou em uma reunião de tropa, tracem algumas metas e deixe que cada um use da palavra para alterar o que achar conveniente. Peçam aos monitores para irem anotando. Quinze a vinte minutos no máximo. Maior tempo é cansativo e não vai ser produtivo. Depois, nesta mesma reunião ou numa próxima, sugiram uma Reunião de Patrulha, para discutir novamente os tópicos e o seu desenvolvimento.

- Lembrem-se que ali devem ter dados concretos, pois eles é que vão dizer as metas a serem cumpridas, tanto no programa da tropa como no adestramento progressivo de cada um. É importante que cada jovem tenha uma copia da ficha modelo 120(não sei se existe outra) para anotar e acompanhar como está indo o seu adestramento progressivo e todas as vezes que for alterada o monitor apresenta ao chefe da Tropa para atualização de uma segunda via e devolvida. A “Corte de Honra“ define sempre as etapas onde se exige parte da Lei e Promessa.

- Claro que uma só reunião não será o bastante. Talvez mais. Cada tropa tem suas necessidades. Mas em três reuniões, seja de patrulha, Conselho de Monitores e Corte de Honra, acredito que terão um programa sadio e pronto para ser desenvolvido. Isto acaba com “detalhes” de programa semanal, mensal e trimestral. Falo assim, pois tenho visto dezenas de amadores falando sem nexo sobre o Sistema de Patrulhas e o pior, nunca passaram pôr isto. Falam na teoria e na prática não se vê os resultados.

- Lembre-se, o importante é deixar boa parte do programa na mão dos jovens. E vai funcionar. Disso tenho certeza. Compete a cada um acompanhar e se necessário alterar de comum acordo com os monitores e sempre levando em consideração a disponibilidade da chefia. A cada passo deve-se verificar o resultado. Este é que deve ser cobrado a todo instante. Afinal, qualquer programa pode sofrer uma correção de rumo e se for o caso, discuta novamente com eles. Se passarem um ano fazendo assim e conseguirem manter pelo menos 65% dos jovens na tropa com etapas sendo vencidas estão no caminho certo.

 É um percentual baixo para uma boa tropa, mas acredito que a media em nosso país não passa de 25%! - Tudo isto tem de vir acompanhado da parte mais importante que é a Lei e a Promessa. Façam seus escoteiros decorarem-na. Eles tem de saber na ponta da língua o que é e o que significa. A cada segundo não deixe de repetir para você e para eles uma Lei.

E para finalizar, toda experiência é valida se depois de anos verificarem que deu certo ou não. Muitos chefes não acreditam nisso, pois aprenderam infelizmente com outros que não tiveram esta experiência ou mesmo em muitos casos nem passaram em tropas bem formadas no sistema de Patrulha. Acredito que os resultados só serão visto a longo prazo.

Os raios do luar não respeitava a rua pôr onde passávamos. Deserta e calma, sentíamos o orvalho a cair e o aroma gostoso completava nossa caminhada no começo daquela manhã. Acredito ter valido a pena ir para casa aquela hora. Nós três, cada um contando cada um suas façanhas do passado, algumas vezes cantando as velhas canções escoteiras. Graças ao “Velho” sentíamos orgulho em participar do Movimento Escoteiro.

Leiam a seguir – O SISTEMA DE PATRULHAS II