domingo, 20 de outubro de 2013

Estarei eu no caminho certo? E você?



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Estarei eu no caminho certo? E você?

Quer saber? Não sei. Tem hora que sim e tem hora que não. Eu tive uma vida diferente e no escotismo me diverti e aprendi como muitos que hoje labutam pelo seu engrandecimento. Mas sempre fui um contestador. Sou um espiritualista convicto e nossa filosofia nos explica bem o “Livre Arbítrio”. Sei que traçamos uma meta todas as vezes que aqui viemos, mas para isto somos lembrados que podemos seguir o caminho que escolhermos diferente daquele que planejamos. Amigos Escoteiros me perguntam se pessoas como eu que somos formadores de opiniões acreditamos que o que fazemos é para um crescimento e um reconhecimento do escotismo, e não uma forma de prejudicar o que alguns tão nobremente vêm fazendo. Bom questionamento. Se pensar que deverei dar o primeiro passo não devo pensar se eles também estão no caminho certo ou se estão prejudicando o crescimento e reconhecimento. Um bom evangelista não pode pensar assim.

Temos que primeiro pensar em nossas ações, os outros serão julgados pelo que fizeram e não por mim. Tenho que ser responsável pelos meus atos e responder quando chegar a hora. Uma busca na história do mundo nos mostra que nenhuma organização pode crescer isolada, sem aceitar aqueles que pensam diferente. A verdade da ação não está nos escritos e nem na palavra. Outro dia li o que Paulo Coelho escreveu sobre a verdade: - “Certos discípulos vivem me perguntando onde está a verdade”, disse Maal-El. “Então, certo dia, resolvi apontar para uma direção qualquer, tentando mostrar que o importante é percorrer um caminho, e não ficar pensando sobre ele”. “Ao invés de olhar para a direção que eu apontava, os discípulos começaram a examinar meu dedo, tentando descobrir onde a verdade estava escondida”. “Quando as pessoas procuram um mestre, deviam estar em busca de experiências que possam ajudá-las a evitar certos obstáculos. Mas, infelizmente, a realidade é outra: estão usando a lei do menor esforço, tentando encontrar respostas para tudo.”
 “Quem deseja beneficiar-se do esforço do mestre para poupar suas forças, nunca chegará a lugar nenhum, e acabará por decepcionar-se.”.

Eu acredito nas vantagens do Movimento Escoteiro. Talvez ele não me desse à fortuna, o sucesso empresarial que muitos tiveram, mas me deu a alegria de viver de ser feliz e poder participar de aventuras que em outro lugar nunca teria. No entanto me tornei um contestador. Sempre fui assim. Alguns dizem ou diziam que sou fato do contraditório, um rebatedor do jogo correto. Porque não me alinhar com a corrente que marcha pensando estar no caminho certo? Huxley disse que em tempos normais, nenhum individuo são pode concordar com a ideia de que os homens são iguais. O Código Samurai afirma que a perfeição é uma montanha impossível de escalar que deve ser escalada um pouco a cada dia. Nosso movimento tem escalado há tempos esta montanha. Demora demais para chegar ao topo. Acho que tenho o direito de pensar que existem outras trilhas e que nos levarão ao outro lado e a forma correta de se chegar mais rápido ao que pretendemos.

Eu gostaria de pensar que o outro lado do eu pensassem como Voltaire: - Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. As palavras do nosso Líder são claras quanto a isto. Ele defendeu a democracia até o fim. Não me podem tirar o direito de contestar e tentar mostrar onde estão os erros que eu por acaso acho que existem. Nosso movimento tem uma finalidade tão séria que não pode pensar que é de alguns poucos. Os milhares que dele participam deveriam ter uma forma de se sentir também proprietários com ações voz e voto. Eu luto de forma diferente. Às claras. Dentro das minhas possibilidades tento vender aos outros meu pensamento. Tão difícil esta venda. A uma proibição forte, uma lei que fizeram e que eu não fiz. Chamam-na de Disciplina e Lealdade. Por ela temos de aceitar as regras do jogo. Jogo que me foi imposto sem me dar o direito de contestar. Dizem que quem participa tema obrigação de obedecer. Eu não dei opiniões. Como Confúcio eu vou aos poucos batalhando. Ele dizia que se transportarmos um punhado de terra todos os dias, nós faremos uma montanha.

Porque estou dizendo tudo isto? Porque é necessário que eu faça uma reflexão dos meus atos. Afinal estão a dizer que sou um Formador de opiniões e tenho que tomar cuidado com minhas palavras. Pode ser, mas até hoje são poucos os amigos que acreditaram nas minhas palavras. Se como disse Cora Coralina eu fiz a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores eu ainda não vou ver se meu objetivo foi alcançado. De uma coisa tenho certeza, toda a oposição é válida. Dizem os críticos que Governo, oposição e democracia se houver unanimidade é burra! Se os nossos irmãos Escoteiros acreditam que a nossa associação é uma democracia, ela sem uma oposição competente e credível é uma fraca democracia. Frágil e doente. Sem ela os dirigentes podem fazer como acreditam. Dizem os poetas que sem oposição o governo tende a governar como quer, o padrão de competência será definido pelo próprio governo e não há memoria de nenhum governo se ter demitido por ter feito uma má avaliação de si próprio.

Finalmente tenho que acreditar que possa estar colaborando para o desenvolvimento do nosso movimento de outra forma. Não posso sair a campo para dizer a todos o melhor caminho. Não tenho mais condições de sair “a escoteira” por aí, é muito difícil, portanto uso a escrita como ação para expandir minhas ideias. Afinal o melhor caminho não é o que aponto. O melhor caminho seria o que democraticamente a unanimidade dos associados iriam apontar. Engana-se quem acha que opositores são perigosos para a organização. Dizia Disraeli que nenhuma organização pode ser sólida por muito tempo se não tiver uma oposição temível. Confirmemos Heráclito que dizia – A oposição produz a concórdia. Da discórdia surge a mais bela harmonia. Fiquemos por aqui com algumas palavras do nosso fundador:

 Tem gente que é um gansinho daqueles quem vão atrás, nas pegadas do pai ganso vai seguindo o filho atrás.
"Não se contente com o que, mas consiga descobrir o porquê e como."
“O homem não é apenas um plano, é vida uma espécie de barco que todo mundo tem que levar a bom termo.”
"Nunca um homem que nunca cometeu erros fez nada."

O Cuco-humano é geralmente uma espécie de gente superior que, numa questão, só vê o lado que lhe interessa e o de mais ninguém. É um homem interessado em si próprio, que quer apenas impor a sua vontade ao mundo; aproveita-se do trabalho de gente mais humilde ou então afasta os outros que possam estar a caminho de conquistar as coisas que ele deseja.
Você vai encontrar o Cuco-humano sob várias formas: fanáticos, políticos demagógicos, pedantes intelectuais, esnobes sociais e outros extremistas e até no escotismo.
Quanto a estes Cucos a dois perigos:
- Um é que você pode ser iludido a seguir a sua liderança.
- O outro é que você pode se tornar num Cuco.

REME SUA CANOA
Canção (Paródia)

Um homem não deve ser boi de rebanho que vai empurrado pra frente sem ver:
Se firma o caráter, faz sua tarefa. E rema a canoa para onde quiser.
Sem medo, ele olha os escolhos que enfrenta: Bebida, mulheres, o jogo e os espertos. Não vai encalhar, porque as rochas contorna.
Remando a canoa com os olhos abertos.

Côro – Portanto, ame o próximo com a si mesmo, Vá indo pra frente como o mundo faz Não fique sentado chorando assustado...
Conduz com o remo a canoa, rapaz!
Do livro, Escotismo para Rapazes de Baden Powell.


sábado, 5 de outubro de 2013

Nada a declarar!

Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Nada a declarar!

A esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe à crença. Vão-se sonhos nas asas da descrença, voltam sonhos nas asas da esperança.

Quem dizia isto? Acho que poucos se lembram. O ministro Armando Falcão foi quem cunhou a frase que ficou célebre. E hoje eu estou plagiando, pois não tenho nada a
declarar. (mais tarde ele escreveu um livro – Tudo a Declarar, mas não declarou nada. Risos). Declarar o que? Desculpem, acho que tenho muito a declarar. Estou lendo o inicio de uns artigos que postei em meus blogs e pensando.

“Castas” – existem mesmo no escotismo? – Castas em sociologia, são sistemas tradicionais, hereditários ou sociais etc. e etc. É um artigo longo. Comparei esse sistema com a maneira com que funciona a direção no nosso escotismo. Sei que muitos não concordam, mas a uma luta desigual para atingir esse privilegio.

Democracia Escoteira. – Sempre falo nisto. Também muitos discordam, chegam mesmo a me dizer que devia ver como foi conduzida na maior lisura tal assembleia ou o Congresso. Nossos dirigentes são como nossos pais, (apenas um exemplo) sempre estamos ali agradecendo o que eles fazem em nosso beneficio. Um chocolate para adoçar a boca. Não perguntam o que queremos, apenas decidem e como somos obedientes e disciplinados, aceitamos sem discutir.

A Ilusão dos Iludidos – Quando escrevi esse artigo foi interessante. Na época disse que era um tema polemico. Muitos discordaram. Sempre aqueles que dizem - Devemos preocupar com os jovens, deixar de lado os que querem dominar. Que eles se entendam. “Eu estou fora”. Isto até soa como subversão para mim. Afinal de que valeram meus 65 anos atuando no escotismo? Tenho que ficar “na minha” e bater palmas para os que dirigem? Afinal não os escolhi. E estão sempre lá se reelegendo ou mesmo indicando quem deve assumir em seus lugares e assumindo outros. Não desgrudam mesmo. É difícil pensar que alguém se preocupa. Lembra-me um adágio do Velho cego conduzindo outro cego e ambos caíram em um buraco.

O Escoteiro que luta só foi outro artigo – Sei que tem muito com eu. Uns poucos dizem o que pensam outros nada dizem. Alguns sempre a me mostrar que estou errado, que não é assim, e tem cada um com palavras lindas que quando olho suas fotos me parecem ver auréolas brilhantes sobre suas cabeças (risos). Queria ser assim. E aqueles que dizem – "Chefe", esqueça isso, vá procurar um grupo, veja o sorriso da meninada! Nestes dou risada. Afinal várias centenas de jovens cresceram no escotismo que colaborei. E quantos milhares de sorrisos. Tenho resultados. Muitos.

São tantos e tantos artigos. Palavras ao vento. Existe uma aceitação que me
amedronta. Não vejo ninguém se preocupando com a estrondosa rotatividade dos jovens no escotismo. Nem estão nem aí com as mudanças, se estão ou não acabando com as tradições. Não enxergam este número sazonal de vai e vem em registros na UEB. Uns defendendo que estamos crescendo (?). Não existem consultas e quando existem são para uma minoria. Não existe uma maneira mesmo que razoável em acreditar em democracia.

Um diz que foi julgado em uma Comissão de Ética e não sabia. Não fora informado. Graças a Deus que foi absolvido. Não é preocupante isso? Afinal quantos estão sendo julgados nessas comissões sem direito de defesa? Mas eles batem palmas. Dão-se por satisfeitos, pois foram inocentados. (quem sabe eu estou lá sendo julgado e condenado?). E assim segue uma liderança que sempre é escolhida por eles mesmos e nunca será substituída. A capitania hereditária existe no escotismo nacional. Talvez em algumas delas um ou outro perca o poder. Engana-me que eu gosto, pois logo ele assume outro cargo. Mas quem o adquiriu sabe, vai lutar até as últimas consequências para ficar lá.

E se alguém como eu levantar a voz, centenas dirão – Cala-te "Chefe"! Não sabes que o Escoteiro é obediente e disciplinado? Não sabes que eles podem te processar? Já pensou? Você não poder falar mais nada? Não sabe que na nossa promessa dissemos que devermos servir a União dos Escoteiros do Brasil? E lá vamos todos a continuar como seguidores. Poucos levantarão a voz. Mas eu não. Agora vou dar um tempo. Estou escrevendo muito. Contos, histórias, todas vendo os meninos e meninas com a mente sã. Vivendo a plenitude do que é o sonho de todos os jovens escoteiros.

E amigos, podem pisar no meu “calo”. Vou ficar quieto por algum tempo. Vou assistir de “camarote” e rir de mim mesmo com essas bravatas que estou lendo. – Foi tudo lindo! Uma democracia perfeita! Tudo muito bem estruturado. Direitos iguais! Risos. Mas os mesmos da corte foram reconduzidos. E viva a democracia Escoteira! Antes que esqueça – Foi distribuída lá uma profusão de medalhas! Você não vai receber. Risos. Sem ofender, pois tenho o maior respeito por todos os Escotista do Brasil e do mundo, sempre quando vejo os ânimos calmos, elogios aos dirigentes, entrega de medalhas em profusões a quem pertence ou se uniu a corte, me lembro de uns provérbios interessantes, que aqui transcrevo sem endereço fixo:

O bom entendedor meia palavra basta. 
A corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco. 
Anda em capa de letrado muito asno disfarçado. 
As paredes têm ouvidos. 
Briga o mar com a praia, quem paga é o caranguejo. 
Cada cabeça, cada sentença. 
Cada leitão em sua teta. 
Cada louco com sua mania. 
Cada macaco no seu galho. 
Água e conselho só se dão a quem pede. 
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. 
Águas passadas não movem moinhos. 
Nada como um dia depois do outro. 
De grão em grão a galinha enche o papo. 
Em boca fechada o seguro morreu de velho e a prudência foi ao enterro (funeral) 
Em boca fechada não entra mosca
 Para bom entendedor meia palavra basta 
Ri melhor quem ri por último. 
Ri-se o roto do esfarrapado e o sujo do mal lavado. 
Quando a barriga está cheia, toda goiaba tem bicho. 
Quando a esmola é demais, o santo desconfia. 
Quando o dinheiro fala tudo cala. 
Quando o pobre come frango, um dos dois está doente. 
É nos tempos maus que se conhecem os bons amigos. 
É preciso ver para crer. 

Bem chega por hoje, que cada um faça bom proveito. Risos e risos.

"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

 (Luther King)


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quem sabe o errado sou eu.



Todos sabem que errar é humano. Mas insistimos em sermos deuses, temos a necessidade neurótica de sermos perfeitos.

Crônicas escoteiras.
Quem sabe o errado sou eu.

          Acho que a maioria sabe que há alguns anos quase não saio de casa. A saúde minha velha amiga resolveu dizer que prefere que eu fique aqui entre quatro paredes. Dizer o que? Melhor aceitar, pois pelo menos ainda tenho os reflexos da mão para escrever e a mente para pensar. Portanto não sou o melhor exemplo como observador participante do nosso escotismo hoje. Pensando bem acho que sou sim. Como lidei por dezenas de anos em cursos, palestras visitas e até atuei em Grupos, distritos e Regiões pensei ter adquirido alguma força interior para analisar de longe o que somos e para onde estamos indo. Chamam-me de muitas coisas, mas não me preocupo com isto não. Fuço mesmo aqui e ali. Afinal esperava um dia ver um escotismo forte, atuante em todas as camadas sociais no nosso querido Brasil.

          Vejo amigos comentando o que os outros países são e fazem. Eles têm retorno e exemplos para dar. Lá está um apertando a mão da Rainha, e outro fazendo a saudação para seu Presidente. Aparece logo a seguir alguém apontando que mais de 80% dos astronautas americanos foram Escoteiros. Abro páginas e lá está escrito que o Presidente Americano Franklin Delano Roosevelt foi aquele que deu enorme impulso a Boy Scout. Citar outros presidentes americanos Escoteiros? Foram vários. Sem esquecer grandes empresários e grandes cientistas. Lá na terra de BP são centenas a elevar o nome de dele e do escotismo aos céus. Afinal recebeu da Rainha a mais alta condecoração da Inglaterra e o titulo de Sir Lord na Câmara dos Comuns vestindo orgulhosamente seu uniforme caqui de calças curtas. Existem muitos outros ex-escotistas importantes, um pouco na França, na Espanha e soube que em muitos outros países está havendo uma revolução de personalidades engrandecendo o escotismo para que ele cresça e fique forte,

           Aqui? Poxa, sempre cobro daqueles que acham que estamos no caminho certo os resultados. Quais são? Soltam foguetes para dizer que chegamos aos setenta e sete mil e vamos logo chegar aos oitenta mil. Mas e daí? Sem produzir resultados não adianta nada. Um dia puseram o lenço no pescoço de um Presidente. São mestres em fazer isto. Não importa se é um bom político ou não. Pode ser Presidente, governador ou senador/deputado sem esquecer os prefeitos. Claro quem não quer uma boa propaganda sua? Eles sorriem em pose de candidatos e não fazem nada pelo escotismo salvo algumas exceções. Sem desmerecer o trabalho realizado tivemos dois presidentes Escoteiros. Um deles produziu bons frutos ao escotismo e o outro muito pouco. Se tivermos nos meios empresariais antigos Escoteiros, mas daqueles que se orgulham de ter sido um de nós eu desconheço. Difícil ver algum deles dizendo que o nosso movimento é para valer, que todos possam acreditar que o escotismo é a maior organização para a formação de jovens do mundo.

           Tentam sempre arregimentar políticos para fazerem uma frente parlamentar e com isto dar uma força em nosso crescimento. Dizem que alguns já foram Escoteiros. Ainda não vi os resultados, mas passa anos e anos e nada. Temos alguns ex-Escoteiros que hoje são professores, cientistas e me disseram ter um bem colocado no Ministério da Educação. Nada se ouve falar deles sobre as vantagens do nosso movimento. Surge aqui e ali tópicos sobre Escotismo nas Escolas. Sei de um estado que deu uma arrancada enorme. Rezo para que dê bons resultados e parece que crescem no dia a dia. Sempre um e outro me diz para acreditar. Eles nossos dirigentes estão lutando para isto. Acreditar? Todos que lá estiveram nestes últimos 40 anos disseram o mesmo. Se pelo menos tivessem feito tudo democraticamente eu até poderia dizer que tentaram.

           Hoje olho para nosso escotismo e não vejo resultados. Entendam bem quando falo de resultados. De maneira nenhuma quero desmerecer o trabalho de muitos de vocês que lutam nas tropas, nas alcateias e acreditam estar no caminho certo. É um bom trabalho e muitos conseguem vencer. Outros no entando estão pisando em ovos. Perdendo jovens anualmente, pouca procura, e o pior, defendendo posições que não são suas. Nossos dirigentes nos tratam como crianças. Dão-nos tudo e não nos perguntam nunca se é isto que queremos. Portanto enumerar os caminhos do sucesso não posso enumerar. Eles são poucos. Mesmo que um bom número de Grupos Escoteiros de qualidade façam o seu melhor é muito pouco para se atingir o objetivo final.

          Precisamos ser mais atentos, mais perseverantes e mais exigentes. Ficar dizendo que temos que olhar nossos jovens, sorrir para eles, fazer nosso trabalho e deixar que os outros façam o deles não é o caminho. Uma andorinha só não faz verão. Se não levantarmos a cabeça e disser que temos nossos direitos de voz e voto nunca seremos nada. Não importa se dizem que estamos crescendo, há um trabalho sendo realizado, um caminho frutífero e vamos chegar lá. Não importa mesmo, pois eu pergunto sempre – E você? Foi consultado? Não gostaria de sugerir? Não gostaria de dizer não? Ou dizer sim? – Ou então dizer que você sabe como deveria ser feito? Pensem bem, um dia alguém disse que o bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil. Não sei se concordo muito com isto, mas eles tem lições enormes para nos ensinar.

         Para mim, e reforço minhas palavras se tudo fosse democraticamente discutido, se houvesse uma melhor transparência, se tivéssemos oportunidade de sermos consultados mesmo não atingindo os objetivos propostos no programa Escoteiro eu não seria contra. Nunca mesmo. Como sei que isto não existe e que tudo que fizerem será discutido e aprovado por poucos eu reafirmo o que sempre disse – O importante são os resultados e até então confirmo minhas palavras – Eles não existem! Espero e torço que eles um dia apareçam. Eu fiquei esperando por anos e anos, mas tem muitos novos escotistas que ainda tem tempo para esperar. Muitos ainda não “pegaram” as palavras do nosso fundador. Alguns até dizem que se ele estivesse vivo estaria batendo palmas pelas modificações que fizeram em seu programa em nome dos novos tempos. Melhor terminar por aqui escrevendo o que ele disse um dia:

“A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta”. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos.
Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz!
- Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente!

Ainda que seus passos pareçam inúteis; vá abrindo caminhos como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão...

sábado, 14 de setembro de 2013

Agora somos conhecidos em todo Brasil. Temos um novo uniforme.



Acredite em si. Engate a mente na sua boa estrela e reconheça que a sua luz interior o conduzirá sempre para cima e para frente.

Jogando conversa fora.
Agora somos conhecidos em todo Brasil. Temos um novo uniforme.

            O marketing do novo uniforme está aí. Alguns se colocam como defensores deles. Arrolam-se em explicações e detalhes que julgam importantes para usá-lo. Dizer o que? Já disse o que tinha de dizer. Foram centenas ou milhares de jovens e adultos contra e o que os dirigentes fizeram? Nada. Já estava programado e decidido. Difícil à transparência. Se é que ela existe para eles. Em quatro paredes decidem e os demais bons escotistas aceitam de bom grado. Mas não vou criticar ninguém, pois cada um tem o direito de escolher e viver como quer. Afinal isto é democrático.

            Se hoje tirei o dia para discordar é porque também tenho este direito. Se eles tem porque eu não tenho? Nós Escoteiros temos uma só palavra e até hoje ainda não vi um que disse que foi consultado ou foi pesquisado. Tudo foi feito de maneira que devagar e aos poucos os tipos escolhidos fossem apresentados de forma bombástica em uma atividade nacional. Um espetáculo a parte. Muitos bateram palmas. A cada mês uma norma uma explicação e apareceram dezenas de defensores. O escotismo sempre tem aqueles que concordam com tudo. Não estão errados. Amarram-nos a uma disciplina que em alguns casos eu me sinto um alienado.

            Lembro que desde 1950 quando fazia minhas atividades aventureiras em qualquer lugar que chegávamos todos diziam – São os Escoteiros. Estive em cada canto, em cada sitio, em cada arraial, pequenas e grandes cidades e até no exterior e sempre os moradores apontavam e diziam – Olhem os Escoteiros chegaram. Sentíamos orgulho com nosso caqui e chapelão. Quando vários grupos se reuniam era um espetáculo a parte. Quer saber? Quando Regional em Minas fui convidado a participar de uma comissão para escolher um novo uniforme social (S O C I  A L!) não gostei muito. Mas a choradeira era geral. Precisávamos de nos apresentar adequadamente reclamavam os insatisfeitos. Pensei comigo se BP de calça curta se apresentou para a Rainha e nós?

            Da década de 80 em diante começaram a forçar um novo estilo de uniforme. O tergal cinza chumbo passou para o jeans. Mais barato diziam. Mas não era um uniforme social? Aos poucos introduziram para os seniores para os Escoteiros e o POR fui modificado para que cada estado cada grupo escolhesse o seu. Então veio o traje. Mais barato e os mais pobres podem usar. Que coisa eim? Os pobres eram já definidos pelo uniforme. Mas aconteceu o contrário. Copiando nações cujos jovens se encontravam em atividades internacionais logo surgiu o modismo. Afinal ele existia em todos os lugares e no escotismo não poderia ficar sem. Uma camiseta, um lenço amarrado na pontinha, chinelos um chapéu virado e pronto. Estava uniformizado apesar de dizerem ser um traje. Até hoje me pergunto o porquê do traje e do uniforme. Pergunto-me porque isto não aconteceu com escolas tradicionais, com as polícias militares, as forças armadas e tantas outras associações que mantiveram suas tradições.

           Foram centenas de explicações. A maioria de pessoas não tinham representatividade na Direção Nacional. Eles os dirigentes pouco disseram. Eles falam pouco – Precisamos mudar, dizia uns, precisamos ter um novo, pois os jovens detestam esse caqui, diziam outros. Meus seniores querem sair se não tiverem um novo uniforme completa outro. E assim centenas de defensores apareceram. Cheguei à conclusão que agora seriamos saudados de norte a sul e a procura de jovens iria duplicar. As alcateias e tropas ficarão completas. Mesmo se as atividades ao ar livre e aventureiras não acontecerem, os jovens ficarão mais tempo no escotismo. Isto irá traduzir no futuro o reconhecimento Escoteiro em nível nacional pelas autoridades do país. Afinal agora estamos bem uniformizados. Antes não estávamos. Dezenas de anos para criar uma raiz, uma tradição, um hábito de comportamento reconhecido por todo o Brasil. Agora um novo. Repicam sonoramente que os outros não vão acabar. A escolha é do grupo. Batem palmas para o caqui Juram sobre isto e demonstram pelas normativas que nada mudou. Quem viver verá. Se uma direção que não consulta ninguém que nunca fez pesquisa com os associados, que nunca se explicou quando muda ou altera ao seu bel prazer, deixa em dúvida o que será o futuro em termos de uniformidade.

          Entendo a posição de muitos amigos que aceitam de bom grado e até tentam justificar as alterações efetuadas. Aceito sim, pois me considero um Escotista democrático. E isto me leva a pensar que só aqui no Facebook quando se falou e se concretizou a ideia do novo uniforme, centenas e milhares foram contra. Ninguém os levou em consideração. Quantos anos vamos levar para sermos reconhecidos como um movimento uniformizado? Quantos anos agora vamos levar para que sejamos reconhecidos em cada canto do nosso sertão Brasileiro com este novo uniforme? Que Deus proteja os Escoteiros. Que agora o sonho de muitos dos 500.000 associados no Brasil seja realidade. Os defensores estão aí para dizerem que estou errado. Eles tem razão. O escotismo é deles e não mais meu. Eles iram viver mais uma dezena de anos e verão se tiveram ou não razão nos aplausos. Claro se forem bastante honestos consigo próprio para dizer – Deu resultado! Valeu!

Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagres.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagres.



domingo, 18 de agosto de 2013

Ser ou não ser eis a questão! Será que vale a pena?



Crônica de um Chefe Escoteiro.
Ser ou não ser eis a questão!
Será que vale a pena?

Todos os dias em me pergunto. Vale a pena continuar a postar aqui? Sou insistente e não desisto fácil, mas estou ficando cansado. Os resultados por desconhecer não me dão muita consistência. Muitos me chamam de contador de histórias, bem é verdade eu escrevo muitas histórias. Mas só isto? E os meus artigos mostrando novos caminhos? Alguns sugerindo, outros comentando, outros dando palpites como fomos, como estamos e como seremos. Verdade? Não. Como fomos talvez sim. Como estamos sim e como seremos é difícil pensar. Mas voltemos ao contador de histórias. Quem sabe meus artigos também não são histórias? Aí eu me pergunto será que sirvo só para isto? Contar histórias? Risos.

        É difícil tentar levar aos novos chefes ideias que não sejam as que eles conhecem e fazem agora. Dezenas de cursos dão a eles novos caminhos. Eu sei que os resultados para eles não virá facilmente. Não sei se entendem. São firmes em suas ideias e acreditam no que fazem e olhe não estão errados. Afinal não viveram como era antes e a não ser por ouvir falar e não acreditam que era melhor que hoje. E nem pode. Tudo seria ótimo e formidável no agora, no que fazemos. Quando pergunto quantos tem alcateias completas, se alguém conheceu alcateias masculinas e femininas separadas e também completas comparar com as mistas de hoje? E as patrulhas? Unidas por muitos e muitos anos? Fizeram grandes atividades ao ar livre conforme prescrito no programa e método de Baden Powell? Ou só podem dizer que ouviram falar?

      Fico pensando no contador de histórias que sou. Lobinho por quase quatro anos, Escoteiro por mais de quatro anos, sênior mais ou menos três anos, pioneiro dois anos, Chefe de Alcateia três anos, Chefe de tropa dez anos, de seniores dois, anos, mestre pioneiro... Putz só seis meses. Várias vezes Diretor Técnico, aos trancos e barrancos consegui a IM lobo, Escoteiro e Chefe de Grupo. Dois cursos avançados. Duas vezes Comissário Distrital, Muitas vezes assistente regional, Comissário Regional por sete anos, membro da Equipe de Formação por muito e muito tempo, tendo a honra de dirigir mais de duzentos cursos e ter conhecido mais de cinco mil alunos amigos escoteiros em vários deles. E as cidades e estados e alguns países que visitei? E os cursos, Indabas, Acampamentos distritais que fiz com eles? E hoje? Um aposentado. Como dizem por aí, ele é um simples contador de história. Sabem? Eu gosto disto. Dizem que contar histórias é uma arte. Mas será que sou arteiro? Risos. Mas eu me preocupo com o resultado. Não o seu resultado em seu grupo (detesto esta palavra meu grupo, ninguém é dono de ninguém) e sim o resultado final da formação que estamos dando aos jovens quando eles se tornarem adultos.

      Sabe o resultado que cobro? Este humilde contador de histórias pensa pequeno. Pelo menos quinhentos mil escoteiros em nosso país. Muito? Temos setenta e poucos mil e nossos lideres dão risadas. Isto é motivo de orgulho? A população brasileira que nasceu nos últimos quarenta anos supera em mais de mil por cento os novos que chegaram ao escotismo. Será que temos gente que foi Escoteiro em todas as camadas sociais nos representando e falando bem da gente? Isto não são resultados? Temos? Quantos CEOS (altos executivos) que nos apoiam nas quinhentas maiores empresas brasileiras? Alguns deles visitam o grupo onde nasceram? Alguns deles são escotistas? Isto se eles foram escoteiros que fique bem claro. Quantos professores reconhecidos em seu meio e na sociedade literária falam bem de nós? E na politica? Esta é difícil. Não gosto dela. A maioria deles pelo que fazem não da para acreditar que possam ter sido escoteiros. Ali não se vê nunca o espírito Escoteiro. Pode até ter um e outro, mas são poucos. Mais difícil ainda é ver os resultados que esperamos nos órgãos governamentais. Apesar de sermos apolíticos, vivemos da fonte de renda paga por todos associados. Começando em cinco reais em algum grupo, tanto para a região e o saldo da UEB. Enquanto em outros países grandes ex-escoteiros doam somas valiosas ao movimento e centenas de profissionais Escoteiros trabalham incessantemente na busca de sócios beneméritos aqui nada disto acontece.

       Mas que seja eu sou mesmo um simples contador de história. Meus sessenta e cinco anos de escotismo me deram outra visão. Não as mesmas dos amigos escotistas que tem o mesmo tempo de movimento que tenho. Eles estão em outro patamar. Quem sabe mais elevado que o meu. Mas isto é bom, é democrático. Daria tudo para ver todos pensando e sugerindo dentro dos princípios da democracia. Ficar pensando que minhas ideias são as melhores é formidável. Será mesmo? Não. Não sou o dono da verdade. Já olhou para dentro do grupo em que colabora e viu os resultados dos últimos dez anos? Sei que muitos tem o que se orgulhar e outros não. Meus amigos, minhas amigas, abram um leque, pois o escotismo não é isto que está acontecendo hoje. Não é. Estão esquecendo em muito o que deveria ser. Eu não contento com pouco. Não mesmo. Não sou de bater palmas para dirigentes. Eles tem a obrigação de acertar. Estão representando milhares de associados. O contador de histórias que sou não deve conhecer muito como poderíamos acertar e diferenciar. E eu concordo com quem pensa assim de mim. Nunca em minha vida fui de tomar decisões só. Sempre fiz questão em minha vida escoteira e familiar tomar decisões em conjunto.

         Acho que é por isto que o contador de historias não é bem visto quando escrevo algum que não agrada. Peço desculpas. Já pensei em parar várias vezes. Sempre me perguntando se está valendo a pena. Não sei se vale. Nada mudou e acho que nada vai mudar. Desculpe dizer, mas a aceitação do hoje nunca vai mudar o amanhã e o passado foi enterrado sem homenagens. Seguir a pista é ótimo, mas fazer a pista também. Muitos só sabem seguir a pista. Esqueceram-se de aprender a fazer o caminho a evitar. É certo isto? E sabem? Continuo pensando, será que vale a pena continuar? Ou seria melhor ser somente um contador de historias? Bah! Contador de histórias mais parece um contador de causos nas lindas praças das belas cidades onde os velhos como eu se reúnem. Contar, narrar apenas para divertir. Risos.


         Desculpem mas ainda estou pensando se vale a pena. O corpo esbelto do Chefe Escoteiro do passado (risos) e das fotos de hoje não mostra seu cansaço, sua saúde e até quando tudo isto vai durar. Mas apesar das mil histórias e contos que contei nada tem a ver com Sherazade que para não ser degolada contava uma história atrás da outra para o Rei da Pérsia. As mil e uma noites poderão ser um dia meus contos, mas eu juro que aprendi um pouco de escotismo e como fazê-lo. Afinal nem sei por que estou dizendo isto, todos não dizem que eu sou um bom Contador de Histórias?


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Se não tens ouro esqueça. Nunca será um Escoteiro!

Para os pobres, é dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é a lei.
Para os ricos, é dura lex, sed latex. “A lei é dura, mas estica”.



 Se não tens ouro esqueça. Nunca será um Escoteiro!

           Existe um velho ditado não escrito que diz: Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo o que balança cai. Interessante e curioso é que o último desses versos repete textualmente uma máxima de Montaigne, que diz: - Tout ce qui branle ne tombe pas. Em síntese nada a ver com o que pretendo escrever. Risos. Mas é interessante, pois folheando frases e fotos aqui e ali ainda vejo esporadicamente meninos maltrapilhos com um lenço no pescoço e dizeres lindos como – Eles também querem ser escoteiros. Têm aqueles outros que já estão em um patamar mais elevado. Ganharam ou adquiriram uma camiseta com dizeres do grupo (a propaganda é a alma do negócio) e assim se apresentam como escoteiros. Mas não duvidem eles são realmente escoteiros e já vi alguém dizendo que não é o uniforme que faz o Escoteiro. Pode ser e concordo. Mas precisa ser e não parecer ser. Não é assim que dizem da donzela ou da mulher de Cesar?

          Eu não tenho dados concretos, mas imagino que mais da metade de nossos Grupos Escoteiros são de origem humilde. Lutam com dificuldade e alguns deles a gente se orgulha em conhecer e visitar. Dá gosto. Estão bem apresentados e fazem da sua postura um marketing que leva o nome Escoteiro aos Píncaros da Gloria. Orgulhamo-nos quando o vemos. Mas cada caso é um caso e não vou generalizar. Em nome da pobreza tem alguns que se comprazem em se contradizer e insistir na pobreza. Não é difícil fazer escotismo sem meios financeiros. Os erros natos de alguns dirigentes é querer mostrar quantidade em vez de qualidade. Sabemos por principio que qualquer grupo bem estruturado começou com poucos. Isto faz parte da formação escoteira. Se vamos trabalhar com monitores eles sim serão os primeiros e os demais virão com o tempo.

          Sabendo onde colocar os pés, e alçando voo aos poucos qualquer grupo Escoteiro poderá ter tudo àquilo que precisa. No passado estas discussões atuais de que para ser Escoteiro tem de ser rico não existia. Conheci meninos cujos pais não tinham nada e os filhos sempre bem uniformizados e com sua tralha escoteira completa. Compete ao Escotista preparar cada um para que ele acredite em si mesmo, que ele aprenda a andar com suas próprias pernas e ele claro irá dar valor ao que adquiriu com seu próprio suor. Não sou muito a favor de sempre dizer que eles nada tem e precisam de ajuda. Parece esmola. Conheci centenas de grupos que todos pagavam sua taxa mensal sem problema. Taxa esta que era acessível aos participantes. Foi combinada e decidida por todos.

         Aprender com os outros é bom. Que são diferentes cada comunidade uma com as outras é real, mas isto não significa que o Grupo Escoteiro não possa trabalhar com o manancial existente nela. Centenas de grupos espalhados em todos os estados brasileiros fazem atividades escoteiras ao ar livre sempre. Acampamentos, excursões, atividades aventureiras enfim, nunca se apertaram por ser pobres. Portanto não sou muito de ter comiseração com os que choram e não procuram aprender como acertar. Participei de três grupos escoteiros em comunidades carentes e fizemos esplêndidas atividades escoteiras. Conheci jovens que demoraram meses e meses para adquirir seu uniforme, mas adquiriram. Como líder de uma região escoteira fizemos juntos com diversos chefes grandes atividades regionais. Facilitamos o mais possível. O intuito não era e nunca foi o de fazer caixa para a região e sim dar aos jovens o sonho de conhecer centenas de irmãos e confraternizar em todas as atividades típicas escoteiras.

          Que me desculpem alguns chefes hoje vejo muitos deles que não dão conta do que podem fazer e realizar. Um Velho ditado diz que quem quer faz quem não quer arruma uma desculpa. Muitas vezes em cursos que participei vi alunos apresentando centenas de problemas em seus grupos de origem. Sempre comentava sobre a velha história escrita por Helbert Hubbard que escreveu há muitos anos um artigo que ficou marcado para sempre e até hoje serve de exemplo em todas as nações. Hoje grandes personalidades dão como exemplo, e surpreendentemente é exaltada em cursos de dirigentes, de Diretores, de CEOS e tantos outros. Trata-se da Mensagem a Garcia. Um herói da Guerra de Cuba foi o protagonista de tudo. Vejamos uma parte do artigo:

- Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer? Alguém lembrou ao Presidente: "Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan". Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregando a carta a Garcia - são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. “O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou a carta e nem sequer perguntou:” Onde é que ele está?”“.

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível e sua estátua colocada em cada escola do país sem esquecer também que todos os grupos escoteiros mereceriam tal estátua. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

               O General Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias por aí. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante um Grupo ou uma tropa escoteira, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la. Não quero de maneira nenhuma culpar aos nossos dignos chefes escoteiros de até hoje não terem conseguido levar a mensagem a Garcia. Claro sei de muitos que assim o fazem sem se mostrarem ser possuídos de liderança incomum. Nosso movimento sofre de uma letargia crônica. Achamos que temos de nos preocuparmos com o atual e muitas vezes deixamos de programar o futuro, pois só ele nos trará os resultados esperado. Deixo o final do meu artigo para o próprio Helbert Hubbard fechar com chave de ouro suas observações e que cada Chefe se coloque na pele daqueles que são citados não como uma empresa, mas sim como se fosse o seu Grupo Escoteiro ou sua tropa:

- Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: "Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio". Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: "Sim, Senhor" e executar o que se lhe pediu? Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas: Quem é ele? Que enciclopédia? Onde é que está a enciclopédia? Fui eu acaso contratado para fazer isso? Não quer dizer Bismark? E se Carlos o fizesse? Já morreu? Precisa disso com urgência? Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer? Para que quer saber isso?

- E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Garcia, e, depois voltará para te dizer que tal homem não existe. Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que ademais se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido a suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: "Leve-a você mesmo".

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura a dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única coisa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta de uma bota de número 42, sola grossa e bico largo. Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este, não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz, justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência. Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como, também tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.

          Nosso movimento precisa de uma sacudidela, de mostrar a todos nós que não estamos vendo tudo que precisamos ver. Que o ouro que dizem por aí que precisamos para ser Escoteiro esteja dentro das próprias ideias, dos próprios passos e tenho certeza que fazendo isto iremos ter um escotismo forte e unido não só em quantidade, mas também em qualidade.

Essa história de que o dinheiro não dá felicidade é um boato espalhado pelos ricos para que os pobres não tenham muita inveja deles.