quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

E não é que Nick Mordekay foi a Assembleia Regional?


Uma história para ser publicada em outro blog. Como as eleições serão no próximo mês, porque não postar aqui?

Fracassar ou ter sucesso num dado dia não constitui indicador de seu próprio valor ou de sua felicidade como pessoa.
Dr. Wayne W. Dyer.

E não é que Nick Mordekay foi a Assembleia Regional?

                       Foi sim. Mas antes é preciso voltar um pouco ao passado. Nick Mordekay não era novo e nem antigo Escoteiro. Tinha somente sete anos como escotista. Não tinha filhos no grupo. Passou viu a escoteirada, gostou e porque não ajudar? Foi bem recebido. Viu que eles precisavam de voluntários. Nunca pensou que uma organização pudesse atraí-lo tanto. Depois soube que foi picado pelo mosquito Badeniando. Risos. A tropa de escoteiros não tinha Chefe. Chefe Fantini o Diretor Técnico era quem tomava conta. Nick Mordekay entregou-se de corpo e alma a sua nova tarefa. Fez tudo direitinho. Os cursos que podia fazer ouviu conselhos e orientações do seu Assessor pessoal e aos poucos desenvolvia com amor a programação feita por ele e os Monitores. Assim aprendeu nos cursos.

                      Nick Mordekay era um Chefe Escoteiro simples. Não falava muito e só o necessário. No grupo tinha amigos, mas só ali. Fora a não ser um e-mail seus contatos eram poucos. Conhecia muitos escotistas dos outros grupos, pois sempre participava das reuniões onde ele era convidado. Bem no grupo eram poucos chefes. Ele, Chefe Beth sua Assistente, Noêmia a Akelá e o Chefe Fantini. De vez em quando alguns pais ajudavam, mas eram poucos. Chefe Beth estava com ele por causa das meninas. Ele mesmo fez o convite. Achava que os jovens poderiam procurar os chefes para um aconselhamento e dependendo o assunto ele não era o mais indicado. Chefe Beth era devagar. Quase não ia às excursões e acampamentos. Pudera. Já entrava nos sessenta anos.

                     De uns tempos para cá, Nick Mordekay passou a observar que em um ano mais de vinte e cinco por cento dos jovens da tropa saíram. Notou também que a procura era pouca e sempre um número maior de meninas. Elas pelo menos ficavam mais tempo em atividade. No principio nem notou. Nick Mordekay era o protótipo do bom Chefe escoteiro. Só se preocupar com os jovens do seu grupo e mais nada. Não discutia com outros Chefes alterações mudanças, nada. Ficou cismado quando na sua tropa o número de escoteiras era maior do que de escoteiros. – Porque os meninos saem mais que elas? Pensou. Procurou o Diretor Técnico. Ele nada tinha a acrescentar. Só disse a ele que aplicasse corretamente o programa de progressão Escoteiro. Mas ele fazia isto. Pelo menos acreditava que praticava o que aprendeu nos cursos e nos livros Escoteiros que tinha.

                    Nick Mordekay pediu autorização ao Diretor de seu grupo e procurou o Comissário Distrital. O que ele disse não ajudou em nada. Mesmo assim perguntou – Chefe! Porque não existe um seminário ou mesmo um curso para podermos discutir com quem faz e dá certo, com quem não tem este problema em seu grupo e assim poderíamos aprender? Nos cursos os formadores falam e falam, eu pergunto se ele tem experiência em seu grupo ou resultados e ele sai pela tangente. O comissário coçou o queixo e não soube responder – Porque não vai a Assembleia Regional? Disse. Lá é o lugar certo. Nick Mordekay não havia pensado nisto. Nunca tinha ido. Era hora de ir. Todos falavam que lá era o lugar onde poderiam sugerir mudar alguma coisa e tirar suas dúvidas. No dia programado levou sua carteirinha da UEB, pois como Chefe de Tropa ele poderia votar. – Minha nossa! Quanta gente! Ele não conhecia quase ninguém. Cumprimentou um ou outro. Os mais graduados só sorriam e iam em frente. Na secretaria perguntou quando iam discutir temas de interesse aos chefes de tropa. A mocinha lá não sabia dizer. – Olhe aquele ali é o atual Presidente. Fale com ele.

                     Decepção. Até que foi educado. – Meu caro Chefe este ano é de eleição, conto com seu voto e se foi. Nick Mordekay viu que se faziam rodinhas aqui e ali. Todos discutindo os planos, os programas tudo que eles os candidatos se propunham a realizar. Nick Mordekay foi de roda em roda. Ouviu tudo. Pensou consigo – Será que irão fazer tudo isto? Eram três chapas que se apresentaram. Nick Mordekay achou aquilo parecido com as eleições em sua cidade. Só faltavam os santinhos. Pelo menos o chão ainda estava limpo. Risos. Soube que em uma sala discutiam um tema. Correu lá – nada! Era uma das chapas apresentando seu programa. Descobriu naquele “montão” de gente outros chefes como ele. Queriam aprender, queriam sugerir, mas não sabiam como. Porque o comissário disse para ele que lá era o lugar certo para mostrar suas ideias?

                      Nick Mordekay ficou decepcionado. Até mesmo com as tais chapas. Pensou que pelo menos uma estaria conclamando a todos caso fossem eleitos, de fazerem um grande mutirão para discutir os temas que os chefes achassem válidos discutir. Que eles seriam transparentes. Que os programas deveriam vir de baixo e não de cima. Não era nada disto. Nick Mordekay pensou que seu problema de saída e abandono dos jovens pelo escotismo era só dele. Ninguém interessou a discutir com ele o tema. Quando um retrucou dizendo que se ele fizesse a progressão bem feita isto não aconteceria, Nick Mordekay se sentiu perdido. Ele não era um bom Chefe? Nick Mordekay ficou até o ultimo dia na Assembleia Regional. Conheceu muita gente. Viu muitos se mostrando com suas medalhas. Viu outros tantos sendo agraciados nas sessões solenes.

                      Nick Mordekay ficou sabendo que lá na Direção Nacional as assembleias não eram diferentes. Ir lá e apresentar um tema era perda de tempo. Um Chefe que foi uma vez disse que ficou decepcionado. Não pela confraternização ela foi ótima. Mas não só de confraternizações o escotismo sobrevive. Uma coisa Nick Mordekay aprendeu. Iria estudar muito. Iria fazer cursos e cursos. Iria conquistar sua Insígnia de Madeira. Lutaria depois para ser um formador. Iria ser um dirigente regional. Iria aprender os meandres do poder. Só assim ele acreditava que poderia um dia dizer a todos que todos, mas todos do escotismo deviam ser ouvidos. Deviam votar, deviam decidir o que eles queriam. Deviam discutir os seus problemas e não os que os outros pensavam.

                     O que Nick Mordekay não sabia era que o poder não corrompe os homens; mas os tolos, se eles adquirem uma posição de poder eles sim a corrompem. Leu isto uma vez. Era de George Bernard Shaw. Assim como também disse Benjamim Disraeli que todos amam o poder, mesmo que não saibam o que fazer com ele. Ele sabia das promessas de campanha. Será que ele também seria corrompido pelo poder? Será que quando se sentisse seguro no alto do seu pedestal seria o mesmo Nick Mordekay de hoje? É. Nick Mordekay pensava tudo isto quando em uma tarde livre, sentado na praça perto de sua casa ele sonhava. Sonhos utópicos. Sonhos de poder. Acordou assustado com o nariz coçando. Fora picado por uma abelha. Mau sinal. Risos.

                    Nick Mordekay chegou à conclusão que era melhor voltar para sua tropa. Ele sim iria descobrir o porquê um bom número dos seus jovens estavam indo embora. Chega de poder, quem foi quem disse que o poder no escotismo era o poder do nada? Que o poder corrompe? O poder absoluto corrompe absolutamente? Deixe com os outros esta liderança Nick Mordekay. Você é somente um simples mortal. Siga os passos de Charles Chaplin que disse: lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante!   

“Sit vir optimus lucror”
Que vença o melhor!
“Abundans cautela non nocet”
Cautela em excesso não faz mal a ninguém!


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O que devemos esperar de uma direção regional e ou nacional Escoteira?



Conversa ao pé do fogo.
O que devemos esperar de uma direção regional e ou nacional Escoteira nestas eleições?

Não esperamos muito. Esperamos que todos eles sejam simpáticos. Não precisam ser bonitos. Mas esperamos que eles tenham um belo sorriso. Ops! Educados é claro. Um passado exemplar. Que depois de eleitos não se achem os tais, que não sejam arrogantes e donos da verdade, que sempre procurem ter uma palavra de estímulo a todos os chefes e jovens. Que saibam incentivar e o mais importante – Que saibam ouvir!

Não esperamos que construam uma sede imponente. Não precisa. Quem precisa de uma boa sede são os grupos escoteiros. Não desejamos que tenham uma grande placa anunciando que se iniciou uma nova era no escotismo em sua região ou país. Desejamos muito que eles comprem a ideia que estão ali para fazer crescer os grupos escoteiros. Que estes sim são a célula mais importante do escotismo e eles é que devem crescer.

Ei! Não esqueçam, eles terão que se desdobrar sem reclamar cansaço. Terão que dar alegria e felicidade a um “montão” de gente. Fazer tudo para que os direitos sejam respeitados. Que conquistem pelo amor sem admoestações. Que façam o máximo para que todos os que tiverem direito a uma condecoração, ou uma ortoga de Lis de Ouro ou Escoteiro da Pátria que a recebam e para isto se precisar passar por cima da burocracia que passem. E olhe se possível que deixem em branco pedido para si, e não recebam nada durante sua jornada na direção. Que lindo exemplo!

Deverão sim ter uma boa estrutura para que os cursos sejam acessíveis. Não como aquele formador que nos disse que a taxa é menor que a diária de um hotel cinco estrelas. Ufa! Ninguém vai até lá em busca de conforto, mas sim de seu aprendizado técnico e teórico Escoteiro. E dormir em barracas não é um sonho? E fazer sua própria comida? Lindo isto. Uma taxa pequena e quem sabe premiar os mais humildes com taxa grátis? Risos. Claro, isto é possível e pode ser realidade.

Portanto, acho que todos ficariam felizes em saber que contrataram bons executivos que irão se pagar e vão dar todas as facilidades nas enormes taxas cobradas hoje. E ficaríamos felizes em saber que eles irão levar todos os cursos aos mais longínquos rincões do estado. Acho que iremos aplaudir e ficarmos felizes em saber que os interessados em fundar um novo grupo eles iriam correr para ajudá-lo em tudo. É assim que nosso efetivo pode aumentar. E sempre ter alguém ao seu lado para ajudar. Não como hoje, com livretos e mais nada, pois nem sempre se fala com o grandão por telefone. Ele não está ou está em reunião (?). E para não esquecer, atividades regionais poucas. Sem muita pompa. Taxas mínimas para que todos possam participar. E claro, ao terminar enviar a todos os grupos participantes o balancete. Transparência? Claro que sim.

 E que tivessem o mínimo de assistentes. Ninguém gosta de falar com assistentes. E nem sub do sub. Distritos sim, bem organizados e fiscalizados para que não surja um distrital déspota que acredita estar acima do bem e do mal. Que o líder da região tivesse um mínimo de dois dias na semana para atender a todos que o procurassem. Que ele fizesse o máximo de esforço de organizar e participar de muitos Indabas, seminários dos distritos e grupos, com programação deles e não imposta pela região.

E finalmente, que fizessem o máximo para um marketing sadio, nas escolas, nas fábricas, nas igrejas, nos colégios, nas grandes empresas de que o escotismo é bom. É sadio. Investir no escotismo é investir em si próprio e no crescimento ético de uma nação. As demais burocracias poderão existir, mas este seria a minha escolha se fosse votar. Risos. Se fosse. Não voto. Mas então, esta é uma diretoria de sonhos? Mas os sonhos não viram realidade? Um sorriso, um aperto de mão sincero, um abraço e o ver dizer – Chefe, eu gosto de você. Você para mim é o mais importante em nossa região. Seja sempre bem vindo e me tenha como seu irmão! Será tão difícil assim?

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A liberdade tem seu preço.


Povos livres lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada.

A liberdade tem seu preço.


                        Os tempos são outros. Lembro que houve épocas que não havia discordâncias, polemicas, e até sugerir temas polêmicos para nossos dirigentes era considerado tabu. Claro o moderno hoje é participar e aquela disciplina não imposta, mas aceita sem contestação não é mais a mesma. Bom isto. Está havendo mudanças no modo de pensar de muitos escotistas. Antes quando fui o pioneiro a lançar minhas ideias em blogs e em páginas de sites sociais e relacionamento poucos se arriscavam a discordar. A defesa que faziam aos nossos dirigentes eram ferrenhas. Ainda tinham aqueles que diziam que no escotismo o importante são os jovens. Uma maneira de dizer que aceitam tudo em benefício dos jovens. Ou quem sabe uma sensação de alívio por não se envolver. Ainda persiste a distância dos dirigentes em relação ao postado ou comentado e alguns escotistas resolveram arregaçar suas mangas e pôr-se a campo na defesa.

                 Em toda minha vida Escoteira de adulto lutei nas duas frentes. Junto aos jovens (que hoje são homens feitos) e em mudanças regimentais no nosso sistema diretivo. Alguns defendem este sistema. Quem sabe tem lá suas razões. Existem outros que se batem querendo mudanças. Insistem que as mudanças são válidas. Também acho que eles têm suas razões. Outros dizem que estamos crescendo ano a ano. Neste caso acho que não existem razões. Um pequeno estudo nas pesquisas do IBGE!2010 e vamos ver que nossa população jovem de hoje na idade de participarem do escotismo é ínfima. Aproximadamente oitenta milhões contra menos de sessenta mil jovens no escotismo. Isto não é nada.

                Não é questão de criticar. A questão é outra. É a de quem assume a liderança da associação e não abre o jogo das palavras, não busca ideias dos associados, resolve temas importantes sem ao menos fazer algum tipo pesquisa para ver se os membros da associação estão de acordo ou quem sabe gostariam de opinar. Nota-se que estes dirigentes se aferrenham em seus cargos, não dão um passo para se aproximarem dos demais e dificilmente alguns deles se arriscam a enfrentar a “turba” discordante. Seus seguidores e defensores próximos é que falam em nome deles. Insistem em dizer que a democracia é uma realidade e que temos o lugar certo para tirar duvidas, sugerir e saber o que se passa. A velha tese antiga para explicar que tudo está funcionando bem até hoje.

                Conta-se a dedo quem criou as regras que rege o escotismo hoje. Um POR que só agora abriram para sugestões, mas mesmo assim dois ou três irão dizer o que serve e o que não serve. Quanto aos Estatutos e o Regimento Interno feito a quatro ou cinco mãos dizem o que devemos ser e fazer. Os associados estão distantes. Alegam os seguidores que tudo pode mudar. Basta ir ao lugar certo. Como? Mais de onze mil adultos praticando escotismo e menos de trezentos falando em nome deles e claro, somente onze tomando posições finais? Um dia pensei que poderíamos ter uma constituinte Escoteira. Absurda a ideia? Não sei. Mas eleita por todos os associados. Adultos ou não. Como? Impossível? Esta é sempre a resposta de quem quer manter um sistema arcaico e feudal.

                Mas está surgindo uma conspiração silenciosa. No bom sentido. Nem todos hoje estão aceitando os mandos e desmandos, claro se existem por parte dos nossos dirigentes. Aqui e ali “pipocam” grupos, listas, blogs que já não são tão subservientes como antes. Quem sabe isto é uma bola de neve. Quem sabe em alguns anos veremos surgir uma nova casta de dirigentes, não tão fechada e sabendo que foram eleitos por uma maioria de toda a associação e não meia dúzia por estados e escolhidos por um sistema arcaico e que até hoje existem ainda defensores. Dizem que estamos crescendo. Como? A porcentagem do que éramos em 1980 populacionalmente diz o contrário. Quem quiser calcular vai ver que só decrescemos.

                Chega-se ao absurdo de alguns que defendem a alta cúpula dizerem que eles estão no caminho certo, que as mudanças foram excelentes e agora é esperar os resultados que já se fazem sentir. Incrível isto. Não se toca na evasão, não se toca na falta de credibilidade do escotismo nas altas esferas federais, empresariais, educacionais e politicas.  Conta-se a dedo quem um dia disse orgulhosamente que o escotismo é uma força educacional para o crescimento de quaisquer pais principalmente o nosso. Ontem um amigo Escoteiro me contou um fato e como piada é ótimo – Dizia ele que alguns antigos em um Grupo Escoteiro gostavam muito de visitar anualmente o grupo. Sempre encontram caras novas.

                     Ninguém é dono da verdade e ninguém tem as soluções à mão. Errado ou certo estas devem vir da maioria. E a maioria não aprovou os Estatutos e regimentos. Como dizia nosso fundador (hoje nas atas do CAN dificilmente falam nele, e ali tem alguns que dizem ser ele ultrapassado) o importante em nosso trabalho são os resultados. Pipocam aqui e ali grupos que aos trancos e barrancos vão alcançando a meta desejada. Mas são poucos. Os frutos que pelo menos existia no passado, hoje quase não existem mais. Quando tentamos dialogar com qualquer autoridade a dificuldade floresce. Temos que explicar o que somos como somos e o que pretendemos. E isto com assessores, pois os titulares dificilmente nos atendem.

                      Não vou entrar de novo na seara das mudanças. Dizem em todas as searas escoteiras que as alterações visando uma melhor compreensão do nosso sistema foi com aprovação geral. Quem sabe esta aprovação de pouco mais de 0,5% da elite do escotismo em suas diversas esferas são válida? Sinto falta do passado. Ele com boa mistura do presente daria um escotismo formidável. Esqueceram o espirito de aventura e estão dando aos jovens o mesmo que ele encontra na escola, no seu bairro e nas redes sociais. Tudo em nome da evolução dos tempos. Um pequeno exemplo. Chefe passou a ser Diretor de alguma coisa. Enquanto na Inglaterra o dirigente máximo ainda usa o título de Escoteiro Chefe e está presente em todas as solenidades fazendo proselitismo, aqui nossos dirigentes se escondem e só dão o ar da graça quando de uma atividade nacional ou por força das normas estatutárias nas reuniões a que são obrigados a ir. Nossa caraterística reconhecida por uma comunidade nacional no passado foi esquecida.

                      Se a liberdade Escoteira tem seu preço, acredito que ela está em andamento. Tudo que está acontecendo, seja o desejo de ser único ou mesmo de ditar as normas escoteiras no país está mudando. Não sei o valor, mas estamos pagando de diversas formas. Nada eu acredito vai impedir as mudanças do sistema hoje arcaico com um sistema mais democrático. Isto aconteceu em todas as organizações. O mundo hoje é outro. Ele não pertence a um só, a uma “casta” a uma minoria. Quem viver verá!




terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Legião dos Esquecidos & Altar dos egos e vaidades.


“Examinai todas as ações que se fazem debaixo do sol; na verdade, não passam de vaidade e correr atrás do vento."
 (Textos Bíblicos)

Conversa ao pé do fogo X.

A Legião dos Esquecidos & Altar dos egos e vaidades.

            Estou à procura deles. Alguém sabe onde estão? Porque os procuro em todos os lugares e não consigo encontrá-los? Agora são outros? Não tem rostos? Não tem nomes? Desapareceram no tempo? Deixaram de ser alguém como nós? Foram esquecidos na memória e ninguém mais lembrou que eles um dia foram como nós? Saudades. Muitas saudades. Difícil não relembrar os momentos vividos um dia. Se eles foram bons ou maus não importa, o que importa na verdade é a essência que ficou e marcou. A Organização peca. Eu sei que ela não é consciente e nem viva. Eu sei que ela é inanimada. Não aproxima de ninguém. Se hoje eles não estão mais ao lado dela para ela sim, eles se tornaram uma Legião de Esquecidos.

            E foram tantos e tantos. Foram aqueles que deram o que tinham e não tinham pela organização. Eles fizeram parte da história e a organização esqueceu. Eles sempre diziam que não era para ela e sim para colher flores colorida nos jardins da juventude. Ah! Foram pessoas que passaram e se foram. Tiveram seus momentos e de repente viraram lembranças. Ações que foram geradas no calor de um ideal e hoje, delas os acontecimentos se acabaram. Mas a organização é implacável. Tem as suas convicções e dela não abre mão. Ela vive o sonho de seus devaneios de altivez de pensar que eles aqueles que são a Legião dos esquecidos não tem mais serventia para ela. Ela sabe que tem sempre uma Legião dos presentes que quem sabe um dia poderá ir para outras plagas e ficaram também no limbo da Legião dos esquecidos.

            A organização não lembra que eles um dia foram presentes sacrificaram o que podiam e não tinham acreditando que ela, a organização estaria sempre ao seu lado. Não foi assim. Nunca foi. Já disse a organização nunca se interessou por eles. Interessa sim pelos vivos presentes nas fileiras do altar que jazem nos escaninhos da organização. Ela se sente bem com a fila que se forma, da reverência que se faz, do sim e o não sem discordar. Para ela todos os momentos que eles viveram intensamente acabaram se transformando em memórias tristes que ela faz questão de apagar e esquecer. Pergunta-se a organização o porquê ela não os procurou? O porquê ela não mandou pelo menos uma carta, pequena, simples, sem afetação, com poucas palavras escritas – Obrigado! Você me fez feliz um dia. Não. Nem isto ela fez e sabemos que ela nunca fará.

           Para ela, esta Legião dos Esquecidos não existe mais. São ignorados, não existe gesto de nobreza, não importa o que eles fizeram, se sacrificaram os seus que viviam ao seu redor, se fez dos seus proventos uma doação sem volta. Se ele ficou sem dormir para domar o vento e que ele pudesse soprar com carinho aqueles que estavam ali a dormir sob as estrelas. Ele deu tudo que tinha e nunca foi agraciado e um dia ele achou melhor partir. Tentou ao seu modo achar o caminho a seguir. Ele não acreditava que todos os momentos vividos intensamente acabariam se transformando em apenas memórias tristes ou quem sabe alegres. Para ele agora não vale a pena lutar. Lutar por um ideal. Não o da organização e sim daquele que criou o espirito aventureiro, que pensou que o amor, que a força de um ideal nunca seria esquecido. Pensou que ali estava o verdadeiro caminho do sucesso para formação de caráter. Esta sim foi sua paga quando ali estava sem um retorno da organização.

            São tantos, são milhares, estão por aí espalhados nesta terra imensa, que Cabral nos deixou. Eles hoje vivem com suas memórias ainda vivas de um passado. Uma poetiza sintetizou tudo sobre eles. O tempo. O tempo passa tão rápido. O tempo deixa para trás, os momentos vividos. Os bons e os sofridos, mas que jamais são esquecidos. Não há volta, não existe convite de retorno. A Organização não se presta para isto. Ela não importa de quem chega e de quem se foi. Claro, já foi dito e falado, ela não é consciente e nem viva e por isto segue seu caminho sem volta. Não haverá medalhas, não haverá um agradecimento, não existe nos escaninhos de seu ser qualquer menção a ser lembrada dos que se foram. Para ela eles são a Legião dos Esquecidos.

             Ah! Organização. Não precisava ser assim. Esta legião podia voltar. Tantas coisas a ajudar. Quem sabe um sorriso furtivo ajudaria? Quem sabe uma palavra de carinho? Porque não apagar esta insensatez, esta frieza e pensar que dar as mãos seria melhor? Sei que não. Não adianta remar sua própria canoa. As águas revoltas e os turbilhões da vida levaram a canoa e ela se foi para sempre. A organização esqueceu-se dos remos, agora ela tem quem rema para ela, sempre será assim, com rumos definidos que não comportam em suas fileiras esta Legião dos Esquecidos. E eu fico aqui matutando, e copiando Estefani Moury, que dizia, - E eu continuo olhando as estrelas e lembrando-se do seu sorriso, dos momentos com você vividos que nunca mais voltarão! 

Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo. Gênero não me pega mais. Além do mais, a vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora. Entender é sempre limitado. As coisas não precisam mais fazer sentido. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro.


O altar dos egos e vaidades existe?

            Se você perguntar irão jurar de “pé junto” que no escotismo não tem. Quando me dizem isto abaixo a cabeça e dou uma risadinha sem graça.  “Minino”! Não ria alto. Será mal interpretado. Pode ser que eles chamam por outros nomes, mas é um festival de vaidades e altos egos na nossa associação que poderíamos chamar de o Altar dos Egos e Vaidades Perdidas. Sei que existe em todo lugar. Mas aqui? Conheci alguns que para falar, se apresentar faziam trejeitos, voz pastosa ou cavernosa, peito inflado, firmando-se nos dois pés, cabeça alta e a técnica de “olho nos olho”. Um muito amigo meu me disse que eles estudavam em frente a um espelho como ficariam mais apresentáveis. Dias e dias ali. Faziam até discursos para a pasta de dente, a escova e o sabonete. Espontaneidade ali não existia. Meu amigo dizem-me, isto não existe mais. Hoje acabou. Todos são “iguais perante a lei”. A lei. Ora a lei.

               Em mil novecentos e antigamente conheci duas escotistas famosas. Ambas DCIM. Uma em um estado e a outra em outro. Também havia mais duas, mas distante ainda do estrelato. Quando se encontravam rajadas de ventos e raios pipocavam por todo o lado. Mas quem visse de longe veria duas chefes sorrindo uma para outra. Sorriso perfeito. Sorriso de grandes atrizes de Hollywood. Ah! Ainda bem que o lobismo ganhava com grandes performances das duas. Eram “feras” na história da jângal. Eu mesmo fiz um curso com uma delas. Mas não vamos deixar de lado os DCIMs que pipocavam de estado em estado. Um ar professoral pose de Velho lobo, não conheci pessoalmente, mas tinham jeito de BP. Alguns diziam que eles sabiam mais do o Velho fundador. Era assim – Pode galgar escada, mas, por favor, não me ultrapasse. Aguarde sua vez aqui ou na eternidade. Risos e risos.

               Garantem-me que isto hoje não existe mais. Só vendo para crer. As vaidades fazem parte da vida. Quem diz que não tem vai direto para um mundo melhor na espiritualidade ou no céu. No meio dos dirigentes infelizmente ainda existem aqueles vaidosos e aqueles que querem um dia ter a sua oportunidade também de ter a honra de ser vaidoso. Nietzsche foi feliz em dizer que a vaidade dos outros só vai contra o nosso gosto quando vai contra a nossa vaidade. Verdade verdadeira. Participei em minha vida de algumas centenas de reuniões onde os Grandes Chefes estavam presentes. Sempre faziam e ainda fazem as reuniões de Giwell. Sem menosprezar o festival de vaidades ali tinha seu lugar ao sol.

               Ei! Espere! Não vamos generalizar. Conheço milhares que não tem isto. São os abnegados. Os que dão a alma e o sangue pelo escotismo. São eles realmente que movimentam a engrenagem desta máquina maravilhosa que é a associação Escoteira. Você dificilmente irá ver neles, ou ostentando orgulhosamente uma Medalha Tiradentes, Uma Cruz São Jorge, uma gratidão ouro ou um Tapir de Prata. Não. Estas são reservadas para outros. Julgados mais importantes para ter este direito. Não me condenem. Tem muitos que recebem estas condecorações e não são vaidosos. Trabalham com amor e esforço para um escotismo melhor. Mas os vaidosos! Hummm! Ego ou egocêntricos? Sem lá.

              Toda vez que escrevo sobre algum tema que machuca na alma, recebo centenas de e-mail, e perco a conta daqueles que discordam falando francamente onde devia colocar a postagem. Risos.  Paciência. Não sou daqueles que arrastam frases como “A verdade dói”. Cada um tem a sua verdade. Mas será que eu já fui um deles? Se fui juro que não fui! Risos. Mas quantos não correm atrás de um taco a mais. De um cargo a mais. Não preciso dizer. Você que me lê e não é um deles sabe quem são. São aqueles que quando estão na alta cúpula e veem você, lhe dão um tapinha, um sorrisinho sem graça, um oi e um até logo. Estão sempre com pressa. Os grupinhos deles se formam na calada da noite. Os temas secretos. Mudanças. Nomeações. Escolhas. Fico com Augusto Cury que dizia – A Vaidade é o caminho curto para o paraíso da satisfação, porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve. Risos.

               Tenho saudades deles. Daria tudo para estar presente de novo nas assembleias e nos Congressos. Adorava no passado a apresentação da equipe em curso. Formados em linha. Empertigados. Podia ali marcar sem sombra de duvida os vaidosos. Já pensou? Eu em uma assembleia? Arre! Tremo só em pensar. Irão olhar para mim, olhos faiscando, dando um risinho sem graça – Você então é o Chefe Osvaldo? Risos. Turma é ele! Podem bater a vontade! Risos. Sem comentários. Não estarei lá. A saúde não permite. Tenho medo de ser expulso sem direito a defesa nas reuniões secretas que ali fazem. São elas sim que deviam ser abertas. Mas o melhor é ficar aqui. Um ermitão que já deu o que tinha de dar. Chega por hoje. Os vaidosos que me desculpem, mas prefiro lembrar-me de Jean de La bruyere e Paul Valéry que diziam - A falsa modéstia é o ultimo requinte da vaidade. Agradar a si mesmo é orgulho, aos demais, a vaidade.

"A vaidade, grande inimiga do egoísmo, pode dar origem a todos os efeitos do amor pelo próximo."
(Paul Valéry)


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Conversa ao pé do fogo IX Aprender a fazer fazendo Sistema de Patrulhas.



Quem quiser vencer na vida tem que fazer como os sábios, mesmo com a alma partida ter um sorriso nos lábios!

Conversa ao pé do fogo IX
Aprender a fazer fazendo Sistema de Patrulhas.

           O método escoteiro é único e foi copiado por muitos, principalmente organizações educacionais e até setores de áreas comerciais e industriais. BP foi realmente benfazejo em suas ideias. Ele sempre enfatizou que nós chefes escoteiros, devemos fazer de tudo para que os monitores conduzam a própria patrulha sua moda. Quando um escotista está sempre olhando se preocupando, não deixando que eles façam sempre para aprender, é um erro e foge completamente do mais puro e mais correto método do Aprender a Fazer Fazendo. Aprender a fazer fazendo. Tão simples e muitas vezes esquecido. Hoje as escolas, organizações e até universidades estão fazendo isso e estão tirando proveito, mais que nós escotistas cujo fundador foi o idealizador do método. E ainda tem alguns educadores que nos chamam de um movimento atrasado e ineficaz. Afinal existe maneira melhor para aprender? Errar quantas vezes for até fazer o certo?

         Existem diversas maneiras para fazermos isto. Primeiro, dando a eles toda a liberdade para programar o programa, ficando a cargo da chefia somente elementos surpresas e condições físicas e ambientais. Outro dia, comentava com um jovem sênior, sobre o programa da tropa, e ele me dizia que a chefia fazia tudo. Perguntei se ele não opinava e me disse que não, pois assim havia surpresa no programa. Finalizei perguntando se no ano anterior quantos entraram e quantos tinham saído? Sua resposta – Somos somente quatro. Os demais saíram e ninguém entrou. Aí veio a realidade. Ali nunca foi dada aos seniores a liberdade de aprender a fazer fazendo. Tanto fizeram para eles que resolveram sair.

        Uma guia me respondeu que nunca pensaram em fazer nada. O chefe fazia tudo, assim ficava mais fácil. Elas não tinham de se esforçar, havia sempre um ar de mistério e todos gostavam. Perguntei como sempre, - Quantos vocês eram no ano passado? O mesmo número de hoje, somos seis, claro, saíram quatro e entraram quatro. Não perdemos nada! Como não existem bons programas que despertaram seus interesses e os mantenham na ativa, ficam sempre comentando, programando, e contando os dias de alguma atividade regional ou nacional. Não tiveram outra em suas tropas que marcaram e pedem bis. Ali nessas atividades eles se realizam, não pelo programa em si, mais pela amizade e fraternidade. Ali nada farão a não ser divertir. Tudo já está pronto, até as refeições. A Direção programou tudo. Desde a chegada ao término. Tudo feito de antemão. Eles serão um Bon vivant. Ou seja, “Comemos e bebemos, a Deus agradecemos”.

        Sempre em toda minha vida escoteira, tentei mostrar as vantagens de deixar os jovens fazer. Seja seu crescimento individual, sua evolução técnica, e lembrava que todos, escoteiros e escoteiras tinham e tem em seus bairros amigos de infância, que se encontravam sempre, faziam seu próprio programa e ficavam eternamente juntos. Nenhum deles jamais reclamou do programa que planejaram ou fizeram. Em recente artigo comentei sobre o programa da tropa. A patrulha tem condições para fazê-lo. Muito mesmo. Claro, não todo ele, mas boa parte sim. E alguns até me disseram que o programa seria ruim, e eles poderiam não gostar. Mas você já tentou? Pelo menos tentou? Agora não é somente em uma ou duas reuniões que você vai conseguir motivá-los. Isso é como se fosse uma pescaria. Tem de escolher a isca, a vara e o local onde vai pescar.

       Pela experiência de observador vi que os jovens que fazem seu próprio programa, ficam mais tempo no escotismo. Facilitam sobremaneira o desenvolvimento de uma atividade, onde a técnica e o conhecimento adquirido é desenvolvido de maneira impar. Se você usa bem a Corte de Honra, se sua tropa faz semanalmente um Conselho de Patrulha e se você tem sua patrulha de monitores bem formada, você sabe como é. Sucesso na certa.  É comum encontrarmos escotistas construindo pioneirias e os jovens formados em circulo olhando ou dando ferramenta ou madeirame. Ele esqueceu que já é formado na escola da vida e não é essa a maneira certa de praticar o sistema de patrulhas. Ficar mostrando que sabe fazer ou é um mestre mateiro, não é o caminho. Inclusive um me disse que assim é melhor, pois os escoteiros podem ver como fazer e aprender no futuro. Não pegou nada.

      Por experiência própria, as tropas que atuam dentro do método, tem melhor desenvolvimento e se orgulham do que fizeram. Observe a alegria de uma patrulha que fez uma mesa mesmo que torta e quase caindo e outra olhando o chefe fazer. A arte de aprender fazendo também se aplica ao programa da tropa. Muitos chefes alegam que eles não entendem, não sabem como fazer, e acha que tudo vai dar errado com muitos meninos saindo por esse motivo. Temos que acreditar. É nossa obrigação. Já vi excelentes tropas, que se formam maravilhosamente, perfilam feito soldadinhos, cantam como passarinhos, jogam de maneira espetacular as atividades próprias, enfim quem não conhece o método escoteiro diria que é uma tropa modelo. Por outro lado já vi tropas usando o método correto, aprendendo a fazer fazendo que se saíram muito bem em tudo àquilo que é exigido deles. Agora com mais sabor, eles fizeram.

      Esqueçam o “Não vai dar – É impossível – Eles não sabe escolher e programar” isso não é verdade. Claro não é de um dia para outro que o chefe terá os resultados esperados. Aprender a pescar demora. Talvez o chefe que ainda não conseguiu não deu a isca certa.

      É preciso lembrar que nosso movimento tem características próprias. Colocar jovens em forma, marchar, perfilar, saudar, gritar e cantar qualquer um com boa postura e voz de comando consegue. Mas esse não é o chefe que esperamos ter. O chefe que precisamos é aquele calmo, que fala pouco, que confia é um irmão mais velho, um aconselhador, tutor, não o dono de tudo. E ainda tem aqueles que dizem – Esta é minha tropa, esta é minha patrulha, este é meu monitor, esta é minha escoteira. Caramba comprou tudo? Experimente. Dê um prazo para você e para eles. Com o tempo irá se surpreender. Se mostrar aos monitores onde devem chegar, eles chegarão lá sem sombra de duvida. Confiar faz parte do método. Quem ensina e adestra é o monitor. Você sim é o monitor dos seus monitores.

Sistemas de Patrulhas.
                       Falar aqui sobre o Sistema de Patrulhas é como falar para o presidente de um banco e ensiná-lo como ganhar dinheiro. Nem pensar. Impossível imaginar que alguém no escotismo não saiba o que significa.  Mas vejamos, será que todo tem consciência da importância de uma patrulha completa na tropa? Por anos e anos com os mesmos patrulheiros? Seja masculina ou feminina? Ou mesmo em matilhas na Alcatéia? Como manter a unidade?
                       Quando fiz meus primeiros cursos no inicio da década de 60, senti na pele o que era conhecer e manter a unidade na patrulha. Vi a diferença do que vivi em uma Patrulha quando jovem e com desconhecidos pela primeira vez. Em um dos cursos ficamos oito dias juntos acampados. Interessante, no primeiro dia todos com um cavalheirismo e com uma cortesia sem par. – Ei! Deixa para mim, eu faço. Quem? Claro pode contar comigo, serei o lavador de panelas. Claro irei correndo buscar na intendência! Lenha? Sou perito. Lavar roupa de todos? Sem problema, minha mãe me ensinou. Todos rindo. Todos os irmãos. Beleza! Como dizem os jovens hoje.
                      Três dias depois começávamos a nos conhecer. Cada um com seu dom de analista, dom que todos possuem, analisavam agora tudo diferente. O numero um, um preguiçoso. O numero dois um mandão. O numero três um dorminhoco. O numero quatro um bobão. O numero cinco o puxa-saco da chefia. O numero seis metido a sabe tudo. O numero sete sempre dizendo que doía aqui e ali. Só eu era perfeito! E assim o curso prosseguia. Aquela amizade inicial ia se desmoronando. Mas no sexto dia, tudo mudava, sentíamos diferente. Mais humanos mais escoteiros. Já admirávamos a todos pela sua maneira de ser. Uma união se formava. Aprendemos a respeitar a individualidade do outro.
                      E no último dia, este era especial. Um amor enorme na Patrulha. Um orgulho de ser um Touro, ou um Morcego, ou um Lobo, enfim, uma união que achamos que ia durar para sempre. Foi assim que vi de forma diferente, o meu tempo de patrulheiro. Diferente porque fazíamos escotismo todos os dias, estávamos sempre juntos, decidíamos na casa de um e outro. Claro que a sede era o ponto de encontro.
                     Atuando em Grupos Escoteiros, vi que muitas vezes os jovens eram advindos de comunidades diferentes. Normas de condutas diferentes. Formação individual diferente. Não se conheciam. Claro, aquelas características em que vi no curso deviam existir entre eles e acredito que de forma diferente também faziam suas análises. E infelizmente por falta de atenção da chefia abandonavam a tropa. Encontrei algumas patrulhas que davam pena. Serviam apenas para jogos, para alegria do chefe em ver um grito de patrulha e a sua satisfação em receber uma apresentação dos meninos.
                      Patrulha? Não. Nenhuma delas tinham entre si jovens que permaneceram por muitos anos. Contava-se a dedo aqueles que participaram de vários acampamentos na mesma patrulha. E tropas novas? Sempre desmanchando as patrulhas para formar outras. Jogos? Os touros tem três? Tira dois da lobo. Por quê? Por quê? Para que viviam em uma patrulha? Para serem jogados aqui e ali? Melhor sair da tropa. O programa na minha rua é melhor. Lá meus amigos me respeitam.
                      - Olhem, dizia o chefe. Sábado como sabem iremos para um acampamento. Como a Lobo e Pantera estão com poucos elementos (elementos? Pensei que eram escoteiros) vamos dar uma mexida e tirar uns daqui, outros dali e assim teremos três patrulhas completas! – Formidável! Perfeito! Encontrou o ovo de Colombo! Um novo BP! Um sistema de patrulhas que devíamos orgulhar!
                          Porque não analisar a saída de alguns, o motivo, ouvir o próprio jovem ou a jovem, e ver onde está o erro? Dele? Dela? Seu? Do monitor? Reuniões ruins? Você já foi a casa deles e procurou saber os motivos reais?  – Meu jovem, o que houve? Qual o motivo? Depois, sim depois mudar se necessário. Claro, você está ali para eles não para sua satisfação pessoal. Eu digo sempre. Tropa com patrulhas de três ou quatro significa que não estão gostando. Pode ser também culpa dos Monitores apesar de que seu treinamento e formação cabe ao chefe. Sempre achei que é melhor prevenir que remediar. Enfim, uma série de fatores que só mesmo os dirigentes da tropa podem saber e analisar.
                       Se isso acontece com você é hora de mudar. Mudar rápido. Como? Ponha seus conhecimentos a funcionar. Você não fez cursos? Não tem uma biblioteca escoteira em sua casa? E afinal não conhece um bom assessor que possa lhe ajudar?  Mas desculpem, estou falando para poucos. A grande maioria dos que me lêem sabem como fazer e fazem certo. Acreditem, não tenho a última palavra, sempre digo e afirmo e repito o que BP disse – Os resultados é que são importantes e se o que está fazendo faz com que sua sessão ande sempre completa, que os jovens estão ficando por mais de dois anos então parabéns. Você está no caminho certo.

Para vencer na vida não é importante chegar em primeiro. Simplesmente é preciso chegar, levantando a cada vez que cair pelo caminho.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Conversa ao pé do fogo VIII.


 Desse modo, quando Jesus disse que certas castas de demônios não saem se não por meio da oração e do jejum, os discipulos simplismente pensarem em sí mesmo, em como seus corações tinhaam aprendido o rito de dizer – “Sai em nome de Jesus”.

Conversa ao pé do fogo VIII.
“Castas” – existem mesmo no escotismo? & Pais escoteiros para que servem?
(dois artigos simultâneos)

“Na sociedade liberal, vivemos em uma cultura onde muitos acreditam que qualquer um pode ascender em termos sociais e econômicos por meio de riquezas acumulas. Contudo na Índia, trabalho e riqueza são parâmetros insuficientes para que possamos compreender a ordenação que configura a posição ocupada por cada indivíduo. Nesse país, o chamado regime de castas se utiliza ade critérios d natureza religiosa e hereditária para formar seus grupos sociais.”

                “Castas”, em sociologia, são sistemas tradicionaishereditários ou sociais de estratificação, ao abrigo da lei ou da prática comum, com base em classificações tais como a raça, a cultura, a ocupação profissional, etc.

               Sei que muitos estão achando graça, mas olhe preste atenção e vais ver que tem um bem perto de você que se acha previlegiado. Sem perceber ele já pertence a “casta” ou assim pensa. Pode ser pelo cargo, pelo seu tempo de movimento ou mesmo pelo seu gráu de conhecimento escoteiro. Portanto pertencem a uma “casta” importante. Os famosos “chefões”, “grandes chefes” “Velhos Lobos” e muitos outros títulos que existem por aí. Os novos ficam admirados, desejando ser igual e lutam por isso. (nem todos) Já os outros acham isso patético não dando a menor atenção a estes que se acha acima da fraternidade que tão bem nos caracteriza.

              Voce não acredita? Ou voce é humilde o bastante para não ver ou é inteligente o bastante para deixar passar ao largo e não rir. Outro dia comentei com alguns amigos que um dia se continuar assim, teremos um deles dizendo – Sabem com quem está falando? Risos. Bem, sob o ponto de vista linguistico é uma frase feita. Talvez o agravante do singnificado encontra-se justamente nas circunstancias em que ela é proferida. O tom de voz, o status de querer ser. Risos. Estão rindo eim? Mas olhe ainda existe em nosso movimento esta casta.

             A casta dos dirigentes, a casta dos Insignia de Madeira, de Comissários, de Diretores e para completar a casta da equipe dos formadores. Quantos lutam para mais um “taquinho”. Conheci um que fez tudo para conquistar um deles. Quando recebeu ficou doente por cinco meses. Risos. Alô! Sem generalizar. Só alguns que ainda não se tocaram que o escotismo é uma grande fraternidade e que vivem a “jactar-se” de tudo o que somos, mas não fazem o que sempre fomos. Amigos e irmãos dos demais escoteiros. Fiquem tranquilos. Eles são menos de 0,5% do nosso efetivo adulto. Portanto uma insignificância. Mas como são chatos!

              Veja bem o que comentou Fernando Pessoa, um célebre poeta – Às vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar vale a pena ter nascido. Risos. Isso não diz nada, é apenas um poema. Melhor continuar o raciocinio dele.  – Precisar dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente. Acho que compliquei mesmo. Melhor é voltar à casta. Só não vê quem não quer. A uma sede de poder surda sendo praticada em diversos orgãos escoteiros. Do mais simples ao mais importante. Não sei bem quem seria o mais importante. Os lá de cima ou os aqui de baixo. Risos. Continuo complicando.

              Mas seria tão bom que não houvesse a casta. Seria dificil é claro. Um dia disse para mim mesmo: Amigo, se houvesse ganhos financeiros no escotismo seria uma luta desigual. Se sem salário a sede do poder é grande e com o salário? Graças ao bom Deus estes são em número irrisorio. Mas como irritam. Não se tocaram ainda. Andam dando pulinhos, olham para você como voce fosse um “coitado”. Se por acaso encontram outro acima dele, correm para bajular. Risos. Não estão acreditando? Tentem participar onde a casta se reunem. Todos sabem onde. Risos.

              Pois é. A casta existe. Pelo menos para mim. Eu vivi tudo isso no passado e vejo até hoje no presente. Interessante é que pouco se manifestam. Falam pouco. Claro, são superiores, eles pertencem à casta dos nobres. Dos aquinhoados com o poder. Eu peço a Deus por eles. Acredito que isso é antigo. Quem sabe BP conheceu alguns antes de fazer sua viagem. Quando no passado estive em vários seminários nacionais e sul americanos e até em um jamboree, fiquei boquiaberto. A casta fazia parte de muitos paises. Não era só daqui não. E o pior de alguns jovens tambem!

              Cheguei a ver e tive que conter o riso de um jovem americano com uma turba atrás querendo trocar distintivos e ele não dando à mínima. E os adultos chefes então? Minha nossa! Tinha cada um que precisava fazer o sinal da cruz e passar de lado. Graças a Deus que tinham milhares que eram de uma humildade enorme. Por eles valeu a pena as centenas de dólares que gastei. 

                    Mas chega por hoje. Um dia tenho certeza todos irão se abraçar e dizer: - Meu amigo, a empatia é muito útil para nos escoteiros. Não seria bom se voce fosse leal, cortês, amigo e humilde? Não seria bom se falase bom dia, e dizer eu gosto de você? Não iria demonstrar que és educado e tem respeito pelos demais? O fato por voce saber mais, ter um lenço mais bonito não significa que não possa ser cordial e ajudar de maneira gentil aos seus irmãos escoteiros. Mas faça isso de uma maneira simples para que todos possam ver em voce um exemplo bom a ser seguido.
E abaixo a “casta” escoteira. Risos e risos.

Pais escoteiros para que servem?

             Antes de me dar uma má resposta leia o artigo. Não se discute a importância dos pais. Acontece que nem todos conseguiram arregimentar para suas fileiras um bom número deles. Vejo grupos escoteiros tendo grandes dificuldades em crescerem em ter uma diretoria boa, em conseguir equipes para colaborar nos acampamentos, nos acantonamentos e até em algumas atividades que alguns grupos organizam visando arrecadação de fundos. Os pais queiram ou não são uma fonte inesgotável para o crescimento e formação do grupo Escoteiro. Conheço grupos que eles querem se aproximar, mas tem receio de melindrar o Chefe que de uma maneira ou outra sem perceber se coloca na posição de insubstituível e de dono das “ações” do grupo. Ou seja, ele acha que não precisa. Costuma dizer que tem tudo sobre controle. Ele não tem culpa. Enquanto tiver forças vai fazendo o que aprendeu e na sua concepção “seu grupo” anda com suas próprias pernas.

                Hoje em dia a maioria dos grupos escoteiros se recente em não possuir em suas fileiras escotistas advindos do próprio grupo. Difícil manter os jovens por muito tempo e quando crescem tem sempre uma admiração por onde viveram, mas agora tem outros afazeres, e quase todos dizem não ter tempo. Lembrei-me de um curso que um dirigente disse – Cuidado com os que têm tempo, eles poderão lhe trazer aborrecimentos, mas acredite nos sem tempo. Eles sim são os que irão trazer benefícios ao Grupo Escoteiro. O número de escotistas advindo dos pais sobrepõe aos que cresceram dentro do grupo. Claro, não estamos afirmando que o escotismo é uma escola de chefes, nada disto. Mas francamente muitos deles poderiam ajudar e não o fazem.

               Eu sempre digo por experiência própria que o primeiro dia é o mais importante para arregimentar os pais. Nunca abri mão da presença deles. E quando digo deles, sãos os dois. Pai e mãe. Claro temos situações que isto pode não acontecer e vamos levar em consideração. Nunca facilitei a entrada do jovem. Facilitei sim a entrada dos pais. Nunca aceitei um não como resposta. Tempo ninguém tem. Alguns de vocês chefes que estão atuando têm tem tempo sobrando? Isto eles devem saber. Vocês estão ali para colaborar com os filhos deles e isto deve ficar bem claro para eles. Sempre digo que é o escotismo que precisa de nós e não o contrário. Iremos encontrar diversas situações e desculpas dos pais para não colaborar. E infelizmente tem aqueles que sem querer substituem em tudo que os pais poderiam colaborar.

                Se o pai ou a mãe de forma alguma não pode ajudar, não pode tirar um dia por mês para auxiliar o grupo me diga, vale a pena ter um jovem em suas fileiras? O que ele vai pensar dos outros pais ajudando e o dele não? E você? Acha que pode dar a ele uma boa formação Escoteira se os pais não se interessam? Não sejamos extremistas. Existem sempre uma saída. Uma vez organizei uma comissão de pais, não mais que cinco só para visitar aqueles que não participavam. Trocamos ideias, alguns deles fizeram treinamento e participaram em cursos. Telefonavam, iam a suas casas, convidavam para atividades sociais e olhe dificilmente os pais deixavam de colaborar. Afinal recebiam a visita de alguém como eles. Sem uniforme. E isto amedronta queira ou não. O importante é mostrar a importância do método Escoteiro para os pais na formação do filho ou da filha. Se ele sabe o valor do escotismo e que isto vai trazer dividendos na formação do jovem, não acho que deixará de colaborar.

                Na maioria das vezes o interesse é do jovem. Quando o contrário acontece o mesmo jovem não dá muito valor. Os pais também em sua maioria aproxima do grupo levado pelo filho. Lembro-me de uma canção que dizia – “Minha mãe vou lhe pedir, e não quero aborrecer, para ser um homem forte um Escoteiro eu quero ser”. Ele aprendia e cantava atrás dos seus pais dia e noite. Vencia pelo cansaço. Agora era hora da comissão de pais agir. O Chefe não deve ser o sabe tudo, o linha de frente. Eles sempre serão dependentes. Se os pais estão motivados, se eles participam se existem atividades para eles tais como Acampamento de Pais, jogos, excursões sem o caráter de obrigação a motivação é certa. (Conheci um Grupo Escoteiro que eles quando se reuniam tinham patrulhas com grito e tudo, claro uma ou duas vezes ao ano). Ser pai em um grupo não é fácil se não tem motivação. Ao contrário é muito mais fácil o Escotista se motivar. O uniforme, uma promessa, liderar os jovens já é meio caminho andado.

               É Inconcebível chefes atuando como pais, chefes pagando para os filhos que não são seus, e os pais aceitando tudo confortavelmente. Nem tanto mar nem tanto terra. Não somos um “negócio” uma empresa, onde tudo é preto no branco. Nada disto. Mas devemos nos ater que nossa função é fazer escotismo com os jovens. Para controlar as finanças, para ter uma área administrativa funcionando, é tarefa de pais. É gostoso quando chega o dia da Assembleia e ver que ali estão quase todos. Mas é decepcionante quando se vê quem só tem uns “gatos pingados”. Sei o valor do Chefe-faz-tudo. Sei que eles estão por aí aos montes fazendo escotismo. Mas não é o caminho certo. Falo com experiência. Sei que eles os pais motivados também são uma fonte inesgotável para suprir a falta de chefes. Experimentem. Deixem-nos andar com suas próprias pernas, mas deixe que eles participem da vida do grupo sem ser um eterno observador. De longe!