A análise de memória
social e memória individual é um tanto ilusória quanto fascinante, pois não
pode se analisar uma sem a outra, visto que ambas estão ligadas, formando a
história e cultura de um povo.
Até que enfim! Vem aí o novo Uniforme da UEB!
Tanto se falou tanto se comentou
que a UEB resolveu dar sua posição no tema. Afinal isto vem se arrastando. Uns
dizendo que ela comentou com muitos, outros dizendo que não sabiam de nada. E
ainda aqueles que defendem com unhas e dentes esta maneira de agir um pouco
autoritária. Prometeram apresentar no
Congresso Nacional. Depois prometeram mostrar no Jamboree do Rio de Janeiro.
Nada. Uma ata do CAN mostrou a divergência de alguns da maneira com que o tema
era conduzido. Isto é próprio de dirigentes? Uma organização que dizem ter
chegado aos 70.000 não pode ser dirigida assim. No passado mudaram tanto, muito
do que se considerava tradição foi esquecido ou sepultado, por um simples ato
de uma liderança de poucos. A memória individual e a memória social são um
tanto ilusórias e não deixa de ser fascinante. Assim dizia um poeta que nunca
poderíamos analisar uma sem a outra, visto que ambas estão ligadas, formando a
história e a cultura de um povo.
Mas os tempos
são outros. Sentindo talvez a pressão de alguns dos seus milhares de adeptos, eis
que a UEB se tocou e através de uma Nota de Esclarecimento explica a razão do
novo vestuário no escotismo. Ela simplesmente deu suas razões, alega ter feito
consultas e claro, dando como referencia a tendência mundial, resolveu mudar
nosso Uniforme Escoteiro. Fico a pensar o que vai levar tudo isto. Centenas de
jovens e adultos se afastando por acharem que foram tapeados pela organização.
Sei de muitos IMs que não participam mais pelo autoritarismo imposto por eles.
Quem ler com atenção a nota de esclarecimento publicada no site da UEB pode
observar quanta incoerência com o dito anteriormente e sua explicação de uma
decisão já tomada há tempos.
Tentam analisar de varias maneiras
o crescimento pífio que estamos tendo nos ultimos anos. Agora parecem dizer que
o novo uniforme seria uma espécie de tábua de salvação. Em vez de fazerem uma
grande pesquisa nacional com os membros registrados, pois eles são os
interessados ela a UEB simplesmente escora numa explicação sem eira nem beira,
dizendo que o SENAI de São Paulo, gentilmente se ofereceu gratuitamente com
seus profissionais do ramo a dar as sugestões necessárias à implantação.
“Insistem em dizer que foram feitas pesquisas “ocultas” e virtuais”. Ninguém
sabe ninguém viu. Fico pensando que eles não iriam meter a mão na cumbuca em
ouvir milhares de jovens de todo o Brasil com suas ideias estapafúrdias (risos).
Seria um trabalhão. Bom isto. Agora já temos algum sólido. Antes eram
conjecturas. Aqui e ali pequenas frações do assunto. Eu francamente não soube
de nenhum Escotista ou Escoteiro que conheço que deu sua opinião. Isto ela diz
em seu comunicado. Se foi assim não tenho como contradizer. Deve sim ter sido
um número considerável que ninguém sabe quem é ou quem são. Repetindo, afinal
foram pesquisas ocultas e virtuais. Interessante isto. E quem para contradizer?
Sempre ouvi
dizer por aí que muitos queriam continuar com seu caqui amado, outros com seu
azul cinza. Alegres mesmos estão os do ar e mar, pois ninguém mexeu com eles.
Porque será? Diz a UEB que neste mês será apresentado pelo DEN ao CAN todos os
detalhes para a implantação. Mas e a ata passada que o CAN comenta o assunto?
Diz ainda que acredita que na alteração isto fará com que nosso movimento tenha
um novo significado e será muito eficaz para nosso crescimento quantitativo.
Interessante que através deste novo traje Escoteiro alega a UEB que teremos
maior solidez e maior aceitação pelos jovens nas lides escoteiras. Nunca achei
que um traje ou uniforme poderia dar um salto estupendo na procura e na
permanência de jovens no Escotismo. Claro sua explicação dá a entender que
antes isto não acontecia com os uniformes que serão substituídos. Nunca pensei
isto. 64 anos participando para ser esclarecido agora que o uniforme antigo é
ultrapassado. Alguns sábios agora analisaram qual o melhor para o movimento e
buscam o bode expiatório do uniforme antigo como culpado.
Assim entendemos
que o nosso antigo uniforme nada representa na sociedade atual. Com o novo as
esperanças de crescimento terão agora maior firmeza. Como é uma tendência
mundial (?) estamos sempre seguindo nossos irmãos do outro lado do oceano. Quem
são eles não sei, pois a maioria dos países que mantenho contato. não pretendem
fazer nenhuma alteração no uniforme. E crescem a cada ano. Nossos dirigentes
sempre com uma explicação estapafúrdia para explicar a extinção e alterações de
tudo que até hoje em nome de seus modernos estudos modificaram. Interessante.
De uma época a outra eles são mestres em tentar tapar o sol com a peneira.
Continua assim a
maneira com que os membros da UEB são tratados. Sem consulta as bases, sem uma
pesquisa nacional e uns poucos decidindo por todos. Agora é um novo uniforme.
Quem sabe daqui a alguns anos a tendência mundial irá novamente dar nova ideia
para um novo uniforme brasileiro? Quem sabe, quem sabe. A cada ano surge algum
novo, uma nova ideia, um novo dirigente e assim vai evoluindo o escotismo em
nosso país.
Em vez de fazerem
uma grande pesquisa nacional, não só do uniforme que na minha ultrapassada
opinião nunca deveria ser alterado, quem sabe discutir o porquê da estagnação
do escotismo? Porque este efeito sanfona de entra e sai? Porque não discutir
ainda esta enorme evasão e que explica tudo que tentam contradizer? Claro,
sempre vai sobrar para os chefes, eles sim são os responsáveis pelo
crescimento. A UEB faz sua parte. Cursos à vontade. Modificações à vontade.
Engraçado. Nosso movimento se sente culpado pelos desmando de uma organização.
Poucos dizem alguma coisa. A maioria aplaude e diz que a culpa é nossa.
Em uma nota que
postei no face sobre o novo uniforme, além de dezenas de outros comentários e
diversas opiniões, vi um que me chamou a atenção. Declino aqui seu nome. Posso
dizer que estou autorizado para publicar o que escreveu. Na minha modesta
opinião, perfeito. Explica tudo. Mostra que os argumentos da UEB não tem
nenhuma base para sustentar esta troca da maneira com que estão tentando mudar.
Vejamos o que diz o comentário:
- A nota publicada pela UEB se apoia em dois argumentos: em Jean
Cassaigneau, alegando que “a mudança do traje era um dos principais focos do
relatório” (vide relatório aqui publicado neste blog), o que é uma
meia-verdade. Das 70 páginas, creio que somente uma ou duas falam de “nova
imagem para a instituição”. As demais páginas tratam justamente da falta de
transparência da associação e do tratamento indiferente ao associado. Neste
quesito, entendo que não adianta mudar o traje se o ato em da mudança, a
exemplo de outras decisões, não é feito as claras.
- Apoia-se, também, na “tendência mundial”, o que é outra
meia-verdade. Os países que mudaram suas vestimentas já vinham de um bom efetivo
e não tinham, em sua história, a inclusão de um traje (azul mescla nos anos 90)
que resultou, entre outros motivos, na evasão de 20.000 mil escoteiros. Mesmo
assim, para cada país que muda sua identidade visual, basta sair de nossas
fronteiras para citar outros dois que mantem sua imagem exatamente como décadas
atrás.
- Nem entremos no mérito das pesquisas, pois é uma jogatina
“démodé” para que não tenhamos meios de comprová-las: pesquisa oculta, pesquisa
virtual etc. Fiquemos com o fato que, ao menos em redes sociais e grupos de
discussão, ninguém sabe ou viu nada. Cita, no final do documento, que a
atualização da vestimenta “é tão importante quanto o programa e o planejamento
estratégico”. Cabe lembrar que o planejamento estratégico não contemplava
mudança alguma no traje e que a inclusão deste novo vestuário no documento foi
feita às pressas DEPOIS de terem se decidido por um novo traje (vide ata do CAN
nr.70).
- Mais do que uma nota informativa, é um texto que pode
incendiar ainda mais as discussões. Se me permitem, discutir se vai ser azul ou
verde, moderno ou tradicional não é o caminho. O importante é que decisões que
afetam jovens e adultos (financeiramente até) não mais sejam tomadas a portas
fechadas e que a opinião e participação do associado, patrimônio máximo da
associação, possam ser levadas em boa conta.
Acho que
não preciso dizer mais nada. Que cada um pense a respeito. Sempre perguntei se
por acaso a culpa de perdemos mais de quarenta por cento dos nossos jovens a
cada ano, e a falta de interesse do programa que hoje foi implantado ou então
não seria culpa da UEB pela sua falta de criatividade. Nesta hora milhares de
vozes se erguem. Mas nenhuma tenta analisar porque erramos tanto. Cabe a cada
um fazer um exame de consciência e dizer a sí próprio – Estou satisfeito com os
resultados, ou – Não estou satisfeito com os resultados. Melhor deixar como
está. Quem sabe poderia dizer a cada um: – Mãos a obra! Faça sua parte pois eu
já fiz a minha!
As
pessoas com privilégios preferem arriscar a sua própria destruição a perderem
um pouco da sua vantagem material.
John Galbraith