sábado, 23 de março de 2019

Obrigado Senhor por me fazeres um Escoteiro.



Obrigado Senhor por me fazeres um Escoteiro.

“Senhor obrigado por ter feito de mim um Escoteiro”,
E também um mateiro nos verdes campos sem fim.
Ensinar a perfeição da natureza, a sua maior obra...
Obrigado senhor por me dar a visão, por ela vi o sol,
A lua, as estrelas e o firmamento. Doces momentos,
Senhor o que me destes fez de mim o que eu sou.

Bebi a água da fonte, Fui amigo dos animais,
Deixou-me andar pelas florestas do mundo,
Vi pássaros tão lindos que me fizeram sorrir.
Senhor obrigado, deu-me além do que merecia.
Deu-me o olfato para sentir o cheiro da terra,
O perfume das flores, o aroma das matas e campinas,
E amei tudo que vi nas imagens tão queridas.
,
Senti Senhor o perfume de uma orquídea,
 Nas florestas verdejantes que um dia explorei.
Senti a chuva molhada para me refrescar.
Em lugares distantes ouvi o ribombar e o Estrondo,
De uma tempestade juvenil.  Tive a benesse, de acariciar.
A Pele de um esquilo, quando o sol se escondeu.

Acariciei o dorso, de um Lobo cinzento,
Que me aceitou venturoso como irmão de ideal.
Senhor eu senti o vento no rosto,
No orvalho da madrugada. Ouvi o canto dos pardais,
Fechei os olhos ao ouvir os sons da natureza.
O cantar da passarada, o trinar do bem-te-vi.

Emocionei com som da cascata murmurante,
O trovão de uma cachoeira distante,
O piar da Coruja no carvalho, o lenho arder,
As chamas incandescentes, fagulhas subindo aos céus.
Senhor é lindo ver os lobinhos cantando o Guingaguli,
Lágrimas rolando na canção da despedida,
Cantada em versos sofridos, e alegres ao terminar.

Foi bom Senhor sentir o aroma da natureza.
Nadar em um remanso com peixinhos a pular.
Subir em árvores com meus companheiros faceiros,
Infantes nas estradas, em terras distantes no alvorecer!
Obrigado Senhor, por ter me dado o paladar.
Sorrir para o Cozinheiro no almoço e no jantar,
Ele é um bom Escoteiro, mesmo se o sal faltar.

Senhor foi bom demais, a gente sabe o que fez,
E fica na memória contando a nossa história.
E que para sempre nós os velhos escoteiros,
Lembremo-nos do nosso escotismo amado,
E Saudemos os novos, pois hoje tem reunião.

Que seja um dia feliz, cheio de paz amor,
E que um dia eles lembrem com saudade,
Dos tempos de meninos, de lobo ou escoteiro,
E para vocês Melhor Possível e Sempre Alerta,
Valeu e se valeu! Escoteiro eu sou graças a Deus!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Considerações de Robert Baden-Powell. O Chefe Escoteiro.



Considerações de Robert Baden-Powell.
O Chefe Escoteiro.

Como uma palavra preliminar de conforto para a intenção dos Chefes Escoteiros, eu gostaria de contradizer o equívoco usual que, para ser um sucesso como Chefe dos escoteiros, um homem deve ser um Admirável - um sabe-tudo. Nem um pouco disso.
Ele simplesmente tem que ser um homem-menino, isto é:

(1) Ele deve ter o espírito do menino nele; e deve ser capaz de se colocar em um plano certo com seus filhos como um primeiro passo.
(2) Ele deve perceber as necessidades, perspectivas e desejos das diferentes idades da vida do menino.
(3) Ele deve lidar com o menino individualmente e não com a massa.
(4) Ele então precisa promover um espírito corporativo entre seus indivíduos
para obter os melhores resultados.

No que diz respeito ao primeiro ponto, o chefe dos escoteiros não deve ser nem diretor da escola nem oficial comandante, nem pastor, nem instrutor. Tudo o que é necessário é a capacidade de desfrutar do exterior, para entrar nos meninos ambições, e encontrar outros homens que lhes darão instruções nas direções desejadas, seja sinalização ou desenho, estudo da natureza ou pioneirismo.

Ele tem que se colocar no nível do irmão mais velho, isto é, ver coisas do ponto de vista do garoto, e para liderar e guiar e dar entusiasmo na direção certa. Como o verdadeiro irmão mais velho, ele tem que perceber as tradições da família e ver que eles são preservados, mesmo que uma firmeza considerável seja necessária. Isso é tudo. O Movimento é uma alegre fraternidade, mais alegre porque no jogo do Escotismo você está fazendo uma grande coisa para outros, você está combatendo a criação do egoísmo.

Em relação ao segundo ponto, os vários manuais cobrem as sucessivas fases da vida do adolescente. Em terceiro lugar, o negócio do chefe dos escoteiros - e um muito interessante é tirar cada menino e descobrir o que está nele, e então segurar do bem e desenvolvê-lo para a exclusão do mal. Há cinco por cento de bom mesmo no pior personagem. O esporte é encontrá-lo e depois para desenvolvê-lo em 80 ou 90 por cento. Isso é educação em vez de instrução da mente jovem. Quarto. No treinamento de escoteiros, o sistema de patrulha ou gangue dá a expressão corporativa do treinamento individual, o que põe em prática que o menino foi ensinado.

O Sistema de Patrulha também tem um ótimo valor de treinamento de personagem se for usado corretamente. Isso leva cada rapaz a ver que ele tem alguma responsabilidade individual pelo bem da sua patrulha. Isso leva cada Patrulha a ver que ela tem responsabilidade pelo bem da Tropa. Através dele, o chefe dos escoteiros é capaz para transmitir não apenas sua instrução, mas suas idéias quanto à perspectiva moral de seus escoteiros. Através dele, os próprios escoteiros gradualmente aprendem que eles têm considerável influência no que sua tropa faz.

É o sistema de patrulha que faz a tropa, e todo o escotismo para esse assunto, uma verdadeira cooperativa de esforço comum.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. As assembleias estão chegando!



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
As assembleias estão chegando!

                                Março, abril sãos os meses escolhidos para as assembleias. Cada uma oferecendo um novo recomeço, algumas mudanças e muita confraternização. Não faltará eleições e muitas promessas. Dificilmente os do contra serão eleitos. No Escotismo de hoje não há lugar para oposição. Há uma espécie de acordo não escrito onde os atuais irão manter os postos ou então seus seguidores irão dar prosseguimento aos seus trabalhos durante o tempo que foram eleitos. Há um perfume de fraternidade no ar. Os participantes destas Assembleias com seus sorrisos com seus sonhos vão se encontrar abraçar e contar causos e causos.

                                Não estive presente na Assembleia escoteira Paulista. Gostaria de ter dado uma passada, rever amigos, abraçar os que ainda não tive a honra de apertar a mão e dizer: - “Escotismo, um caminho para o sucesso, um caminho para a fraternidade”. Nem sempre isto acontece, algumas assembleias esqueceram-se de alguns artigos da lei e costumam faltar com o respeito, à lealdade e ética. Existe uma luta invisível por cargos e para isto alguns que fingem ser escoteiros não medem esforço para perpetuar o sonho que acreditam em novos caminhos.

                                No passado fui a algumas assembleias em alguns estados brasileiros. Por poucas vezes nas Assembleias Nacionais. Fim de semana que passou aconteceu à assembleia de São Paulo. Não fui. Não importa se não me reconhecem como escoteiro, o importante da minha presença seria os apertos de mãos, o abraço e os sorrisos de rever e fazer novas amizades., hoje não mais. Era bom ver o coração pulsante, conversas quadradas e redondas, espontaneidade de alguns que só de olhar a gente sabe que tem o escotismo no coração. A saúde bateu feio, não me permite mais extravagâncias de andar, passear por aí.

                              1968, março, não lembro o dia, dirigi meu primeiro Conselho Regional hoje conhecido como Assembleia (saudades das nomenclaturas antigas davam um denominador próprio, como se o escotismo tivesse seu reconhecimento não só pelo seu método como pelos nomes ou nomenclaturas usadas). Havia seis meses que tinha sido nomeado Comissário Regional em Minas Gerais. Verde, recruta nessas lides apesar dos meus já passados vinte anos de escotismo, fui então orientado pelo Chefe Darcy Malta a realizar o Conselho Regional no ano seguinte.

                              Naquela época a maioria dos estados realizavam seus Conselhos em um só dia, com eleições, leitura da ata e apresentação de contas. Foi nesta década que os Conselhos (Assembleias – Arre!) começaram a expandir para fins de semana e até alguns estados em três ou quatro dias. Chefe Darcy veio a Belo Horizonte para me ensinar como fazer. Tremi na base. Ainda sozinho, verde no cargo sem diretoria regional, tendo o auxilio do Chefe Wander e heroicos assistentes regionais fizemos “das tripas o coração” e conseguimos montar um Conselho Regional. Época boa, corríamos no comercio e indústria para pedir colaboração e nem pensávamos em taxas – Hoje elas abundam. ARRE!

                             Senti-me perdido na mesa diretora pela primeira vez. Procurava demonstrar uma coragem que não tinha para conduzir tamanha responsabilidade. Mais de quatrocentos presentes e graças a Deus com Chefe Darcy e Chefe Wander o meu lado deu tudo certo. Depois virou um hábito para todos os chefes de Minas, pois não era só burocracia havia jogos, horas dançantes, brincadeiras de roda e tantas mais. Foram diversos Conselhos Regionais em várias cidades mineiras. Tornou-se uma rotina agradável de anualmente batermos continência para os amigos de ontem e de hoje. Vieram outras atividades recreativas, as Indabas Regionais, os acampamentos distritais que marcou muito meu passado escoteiro. Sempre aplaudo os assistentes hoje eternos desconhecidos mas por mim colocados no panteão da gloria. “Arranka, kuenca lelenka” e conseguidos dar o inicio a corrida da fraternidade no escotismo mineiro.

                            Hoje tudo mudou. Dizem os lideres para melhor. Cada um tem seu quinhão de escolha no ontem no hoje e no amanhã. Novos chefes, estão aí para defender suas posições. Um direto. Alguns se divertem quando digo ser um caqueano da gema e outros criticam minha calça curta, meu chapelão, meu Vulcabrás. Ainda bem que não criticam meu amor pelo escotismo, por muito que fiz e ajudei a chefes e meninos em Minas Gerais e nos grupos escoteiros onde passei.

Para as que já se realizaram Bravôo! Para as que virão feliz Conselho, feliz Assembleias, que elas tragam para o escotismo o que hoje em dia faz falta: - Honestidade, lealdade, honra caráter e ética escoteira.
Boa Assembleia vote bem, vote com consciência!     

sexta-feira, 15 de março de 2019

Conversa ao pé do fogo. O doce sabor da fofoca.



Conversa ao pé do fogo.
O doce sabor da fofoca.

Prólogo: - Eu não me importo com que as pessoas possam pensar sobre mim. Talvez para algumas pessoas, nada do que eu diga ou faça vá mudar o que pensam. Tudo bem é direito delas. Da mesma forma que é o meu direito não querer pensar nisso. Cada um é o que é e oferece aquilo que tem para oferecer. Se você acredita que é capaz, ignore a opinião dos outros e siga em frente. Nem sempre é bom saber o que outros pensam.

                Se existe o que mais gosto no acampamento é a Conversa ao pé do fogo. Muito mais que um Fogo de Conselho, pois é o local ideal para contarmos histórias, onde a atenção fica a critério de quem quer ouvir sem o caráter de obrigação. É lá que aprendemos a ouvir, a falar e quando alguém tem um violão e começa a cantar se esquece da noite e fica vidrado nas estrelas no céu. Os lábios acompanham a canção, nota-se que os grilos param de crocitar e parecem prestar atenção na letra e na musica. Podem não acreditar, mas juro pelas barbas azuis de Maomé que um dia uma coruja mexia com a cabeça para um lado e outro acompanhando a turminha cantando a Arvore da Montanha. Teve um dia que até a chama alta do pequeno fogo começou a dançar se elevando aos céus. Mentira? Logo eu um Velho Escoteiro que sabe como contar uma “potoca”?

               Um dos males que nos assolam é a fofoca. Um perigo principalmente entre amigos de um Grupo Escoteiro. É como aquele adágio que dizia que quem conta um conto aumenta um ponto. A fofoca é um perigo. Destrói vidas, cria dúvidas, fazem ressoar na mente o desejo de vingança. Um Chefe um dia me contou que Fofoca não é própria de escoteiros. Explicou e ninguém parecia prestar atenção nele. Eramos uns doze naquele foguito, comendo banana assada, tomando um cafezinho e um sulista com seu gostoso chimarrão. Não gosto. Não fui acostumado. Mas se eles gostam saudemos os escoteiros do Rio Grande do Sul. Mas voltemos à fofoca, antes de contar uma passagem interessante ele fez o jogo da Fofoca. Ao pé do ouvido disse uma frase que era para o ouvinte passar ao seguinte até que a mensagem tivesse percorrido todos os chefes no circulo. Foi uma surpresa. Ela chegou toda desvirtuada. Assim é a fofoca que passa entre pessoas de bem espalhando o mal sem olhar a quem.

               Todos sabiam que quem quer que fofoque para você um dia irá fofocar sobre você. Pessoas assim não merecem consideração. Lembro-me de uma quadrinha de Mario Quintana: - Não te abras com teu amigo, que ele um outro amigo têm. E o amigo do teu amigo possui amigos também... Sei de muitos Grupos Escoteiros que perderam bons colaboradores por causa da fofoca. Bons escoteiros não permanecem em um lugar que não lhe faz bem. Continuemos com o Chefe que nos fazia um comentário sobre a fofoca. - Sabem meus irmãos escoteiros, ele dizia – Fofoca não é próprio de escoteiros. Não fazem o bem e o mal que trazem destrói o coração de alguém.  A história que vou contar me foi contada por Barbas Brancas um distrital que Deus o tenha já foi morar na terra dos seus ancestrais. Ele contou o seguinte:

                    - Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém. - Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou: - O que você vai me contar já passou pelas três peneiras? - Três peneiras? - indagou o rapaz. - Sim! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?

Arremata Sócrates: - Se passou pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta. Todos se entreolharam. Cada um pensando na historia narrada. O fogo diminuiu e o calor foi substituído pelo frio. A noite profunda naquela clareira nos ensinou uma lição. Aprendemos que a fofoca sempre está a serviço da inveja. Quanto mais invejosa for à pessoa, mais fofoqueira ela é. E o Chefe terminou dizendo: - Ao invés de ficar fazendo fofoca, maldizendo as pessoas por aí, ajoelhe-se e faça uma oração pedindo a Deus pra que Ele ilumine e contenha os seus maus pensamentos. Melhor uma boca calada do que palavras injustas ferindo o próximo, e espalhando a maldade que habita os nossos corações. Se você é do tipo que fala demais, regenere-se. Seja justo e dedique-se a cultuar a perfeição do silêncio.

                     Escotismo, tanto amor para dar e oferecer. Todos naquela Conversa ao pé do fogo sabiam que de agora em diante se alguém viesse lhes contar uma fofoca, havia alguém para dizer: - O que vais me contar já passou pelas três peneiras? - Pois é agradeço a Deus por todas as dificuldades que passei na vida. Elas foram grandes adversárias, mas que tornaram minhas vitórias muito mais saborosas. E torno a repetir, não destrua a vida de alguém com uma fofoca, pois um dia ela vai se virar contra você!

quinta-feira, 7 de março de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Lembranças...



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Lembranças...

- Nada mais é o mesmo. Tudo muda... Tudo mudou. Alguns se adaptam outros não. Se antigamente era questão de honra estar bem uniformizado hoje não mais. Se cantar os Hinos do nosso Brasil fazia parte do civismo que nós escoteiros sempre respeitávamos, agora não mais. E o Hino Alerta alguém ainda canta corretamente com sua letra e a musica? Aquele orgulho de chegar à sede, dizer para o Monitor que pode contar com ele na inspeção após o cerimonial hoje são poucos que fazem assim. Era bacana ver o Chefe inspecionando balançando a cabeça em sinal de aprovação.

No dia da reunião ou em acampamento tirar seu espelhinho de bolso, ver se o cabelo estava bem penteado, se o lenço bem colocado, sentir o meião com listas retas, a fivela brilhando, chapéu com abas retas e sapato engraxado, tudo ficou no tempo. Hoje é tudo moderno, nem todos como dizem os novos chefes tem interesse em estar bem uniformizado e quiçá vestido com ele. E no bolso? Obrigatório Lenço, pente e a moeda da boa ação.

Orgulho-me até hoje de vestir corretamente como no passado meu uniforme escoteiro. Aprendi com meu Monitor, com meu Balu, com meu Chefe do Grupo e também com três grandes chefes dos quais tive a honra de participar como aluno em seus cursos: - Chefe Darcy Malta, Chefe Francisco Floriano de Paula e Chefe Maria Pérola Sodré. (na foto certificados assinados por eles). Tem outros? Tem sim, mas estes três marcaram minha vida.

Dizem os novos chefes e alguns lideres que a farda não tem mais razão de ser. Os jovens de hoje nem ligam se estão ou não uniformizado. Sinceramente? Não acredito nisso. Mas como eles quase não são consultados deixa a “água rolar”. O lenço hoje pode ser dobrado como achar melhor. Meião é coisa do passado e chapéu ficou nas memórias do tempo. Já dizem que foi abolido em vários países do primeiro mundo e nós como sempre copiando. Dizem que é uma questão democrática. Os jovens votam e escolhem o que querem. Perfeito. Fico na dúvida se o Chefe mostra os dois uniformes e explica os preços e as vantagens e desvantagens? Se só o Chefe falou então alguma coisa está errada.  

Porque está lenga-lenga? Eita Vado Escoteiro que se intromete onde não é chamado. Mas “quá” resolvi abrir meu baú do tempo e encontrei nos meus guardados centenas de certificados. Sentei em minha varanda e me transportei no tempo. Lobeando, escoteirando, Chefiando, acampamentos, cursos, viagens, palestras, e conhecendo e aprendendo com gente boa dirigindo e ensinando o escotismo de BP. Enfim como dizem na França “c’est la vie”. Assim é a vida. Que os de hoje tenham boas lembranças do seu tempo, de sua vida escoteira e quando chegar à minha idade sentir saudade do lindo escotismo que praticou.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Conversa ao pé do fogo. A escolinha escoteira está de volta! Sei lá, entende?



Conversa ao pé do fogo.
A escolinha escoteira está de volta!
Sei lá, entende?

Prólogo. Relembrando... Só para divertir, hoje preciso desopilar o fígado. E você?

                 Cheguei à conclusão que sou diferente. Onde todos estão de verde eu estou de amarelo. Tudo que faço é errado. Sei lá entende? Quem sabe O Pedro da Escolinha Escoteira iria me dizer: “Há controvérsias”! E iria completar: “Então, não me venha com chorumelas!” - Este tal de escotismo moderno me enche as paciências. Só porque não aceito esta tal modernidade, vi alguns chefes raivosos imitarem o Seu Peru da Escolinha: - “Estou porrr aqui com você”! Afinal dizem que velhos escoteiros não existem. Uns dizem que são ex-Escoteiros, outros antigos escoteiros e outros afirmam que são veteranos.

                 Como dizia a pudica Dona Bela, esta turma “Só pensa... Naquilo!”. Prefiro não discutir, mas eu adoro me chamar de Velho Escoteiro Chato de galocha. Fizeram até um grupo no Facebook onde nos chamam de escoteiros mais velhos. Bah! Eu mais Velho? “Sou novo meu!”. Teve um que me disse: - Chefe somos veteranos. Eu sorri sem graça, pensei no seu Rolando Lero que dizia: - “Captei! Captei vossa mensagem amado mestre!”. E por favor, não me confundam com seu Samuel Blaustein que dizia: - “Fazemos qualquer negócio!”.

                   É... O escotismo está mudando. Não sei onde vai parar. Dizem que estamos crescendo e a evasão decresce. Vou esperar para ver. Se você chegar perto de um desses grandões e pedir para cantar o rataplã, sabe o que ele dirá? – “Opa! Tá na ponta da língua!” não é assim que dizia o Sandoval Quaresma? Chefe, calma, “Eu estava indo tão bem!”. Já pensou acampar com aquela Tropa que aonde vai tem de ser em um sítio, onde tem agua quente no chuveiro para o “chefinho”, luz, WC, fogão a gás.

                  Bem, me disseram que um Chefe corre na cidade para comprar as “quentinhas”.  Bacana não? Só falta o Paulo Cintura aquele fisiculturista acordar a turma de madrugada e dizer: “Vamos malhar! Saúde é o que interessa o resto não tem pressa! Iiiissa!”. Eu vendo isto me pergunto aonde vou me esconder quando vierem atrás de mim. Afinal isto é acampamento? Mas não tem jeito, sempre me acham para reclamar. Joselito Barbacena é que ia gostar. Ele sempre se escondia e dizia: “Ai, meu Jesus Cristinho, já me descobriu eu aqui de novo! Larga d’eu sô!”.

                   Enquanto isto vou caminhando nesta estrada escoteira esperando encontrar um chapelão de abas largas, alguém de calça curta caqui, um sorriso nos lábios e quem sabe encontre com seu Suppapau Uaçu, o índio com seu sotaque carregado que iria dizer: “C’es moi! Suppapau Uaçu, o gostoso! Manda! Arrepia!”. E a tal da vestimenta? Desculpe você que está lendo e adora, mas eu não. Poderia até gostar, mas impuseram sem nos consultar.

                   Me disseram não sei se é verdade que os Grupos novos só recebem Autorização Provisória com a obrigação de usarem o vestuário. Afinal nenhum líder de distrito e região fez uma palestra sobre as vantagens de um e outro. Só um que custa caro é o certo? Pô meu, cê parece que num sei? “É o seguinte, quer dizer, em também não sei, mas supondo que soubesse, eu diria, sei lá entende!” Patropi devia ter sido Escoteiro. – Sem crise, sem crise! Soube que em um curso alguém disse que era ateísta. O mundo veio abaixo. O dirigente Formador não gostou. Queria tirar o moço do curso. Melhor chamar seu Boneco para resolver a questão: “Ligadão nas quebradas, chefia, mas que hora é a merenda?” Mas se quer mesmo saber minha opinião “Vou responder ‘dis costa’. Crasse!”.

                   Enfim, não adianta brigar nem discutir nem chorar. Os donos do poder Escoteiro não abrem mão. Se você tem um amigo que pertence a Corte e pergunta aonde vamos chegar, ele responde a lá Patropi: - “Meu, daria para me incluir fora dessa?” – Você sabe que eu cheguei atrasado e para compensar vou sair mais cedo!”“. De vez em quando me levanto vou caminhar e fico me perguntando – Escotismo! Onde está você? Estava tão perto e hoje está tão longe! E olhe dizem que sou mesmo um tradicionalista chato de galocha. Lembrei-me do seu Valdemar Vigário e sua tirada: - “O menininho... Cabeçudinho... Joelhinho grosso... perninha fina... Quem? Quem? Ele Raimundo Nonato. Ainda bem que ele não disse Vado Escoteiro. Sei que não nasci em Maranguape. Afinal ele me perguntar: - Te lembra disso?”.

                         Bem melhor parar por aqui. Tem muitos politicamente corretos que adoram a EB que esqueceu a UEB do passado. Eles nem leem o que escrevo. Se lerem ficam “danado de raiva”. Lembram-me do Batista da Escolinha – “Faço tudo que o senhor mandar!”. “Saúde, paz amor, harmonia, alegria e prosperidade pro senhor e prá toda família!”. Já os vejo bajulando um Rei da Corte Escoteira dizendo: - “Gostaria de falar uma coisinha pró senhor! O senhor me autoriza?”. Ainda bem que sou mineiro, diferente do Nerso da Capitinga, cheio de manhas, mas que afirmava: “Eu não sou bobo não, fio!” “É seu este escotismo e não meu!” e terminava – “Intão tá, intão!”. E vamos parar... Zevini! Zevini! E o seu Bertold Brecht sorriu, mas logo o chamaram de “Camarão” – “É a mãe, Camarão é a mãe!”.

                      Chega por hoje, fico por aqui, olhe se você não está satisfeito com o escotismo de hoje eu só posso lhe dar um conselho: - “É o seguinte, quer dizer eu também não sei, mas supondo que eu soubesse, eu diria, sei lá entende?”. Até outro dia meus amigos e termino repetindo João Canabrava, afirmando como eu afirmo. Estou “Sóbrio”. – “Bota mais uma UEB aí gente fina” “Fecha a conta e passa a régua!”. 

segunda-feira, 4 de março de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Carnaval Escoteiro.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Carnaval Escoteiro.

                 Carnaval? Deus me livre. Passo longe, mas democrático que sou aceito que muitos gostem e que pulem, que usem uma fantasia que se matem de pular atrás de um trio elétrico, ou seja lá o que for. Aceito e bato palma pela coragem em ficar uma noite inteira sentado em um degrau de cimento vendo as escolas de samba passar. Eu desde menino corro disso. Fiquei pasmado ao ver uma foto de uma troika de adultos alguns usando a nova bermuda e camisa da EB. Devem ser chefes que ainda não se tocaram da responsabilidade que devem ter com a farda, vestimenta ou vestuário. Ops! Vestuário? Outro dia era vestimenta agora só dizem vestuário. Que seja aprendi a aceitar essa nova mistura que dizem ser o novo uniforme.

                 Sou diferente de muitos. Penitencio-me por ser egoísta e egocêntrico e tudo o mais relacionado a carnaval. Quando vejo uma escola desfilar, seja aqui ou no Rio de Janeiro acho que já vi tudo. Parece tudo igual, mas sei do trabalho que tem os carnavalescos para criar e montar um desfile de carnaval. Dizem que filho de peixe é peixinho também. Deve ser por isso que não me dou com o carnaval. Meus pais fugiam da folia e olhe naquela época era só um sábado agora são cinco dias aqui, pois na Bahia dizem que é o ano inteiro. Vige! Coisa de louco sô!

               Quando menino namorava há tempos um canivete suíço. Daqueles de mil e uma utilidades. Sei hoje que a maioria dos escoteiros que possuem não costuma usar toda a “engrenagem”. Mas eu estava corujando o canivete há tempos. Coisa de 300 piulas em real de hoje. Só namorava. Pelo menos duas vezes por semana ia até as casas Abil para ficar de butuca olhando. Engraxei, limpei quintais, fiz mandados correndo, mas o que ganhava mal dava para comprar minha ração A ou B para ir aos meus acampamentos de tropa ou de Patrulha. (uma ou duas vezes por mês).

                Eis que recebi um recado do Munir, ou melhor, do Maestro Munir. Dizia: - O Ilusão Esporte Clube (da minha cidade de Governador Valadares) está contratando dois corneteiros para usar clarins na abertura do seu desfile no Sábado e na Terça. Estão pagando duzentas piulas por noite para ser os “Trombeteiros do Rei”. Sorri de cabo a rabo. Fui correndo as Casas Abil para ver se meu amado canivete suíço ainda estava lá. O diretor carnavalesco do clube nos deu instruções. – Mandei fazer uma bata azul para cada um com um chapéu do mesmo tecido como se fossem capuzes da era medieval.

                Olhei os demais membros do desfile treinando. Vi-me lá na Avenida Minas Gerais o povo na calçada gritando e aplaudido e quem sabe vaiando e eu de gaiato de bata comprida coisa na cabeça, tocando meu clarim morrendo de vergonha. Não dá moço eu disse. Tem outro no Grupo Escoteiro? Pensei bem, será que não valia a pena o sacrifício e tocar meu clarim nos dois dias? Assim foi feito. Chegou o dia. Eu e Rael na frente, bata no corpinho, clarim na mão vi o sinal para dar o primeiro toque. Gelei! Tentei soprar e não saia nada. Rael precisava do meu repique e não sabia o que fazer. O Diretor veio correndo, era homem inteligente. Sabia o que se passava comigo.

                Eis que sacou seu vidro de lança perfume, encheu de liquido um lenço me mandou cheirar e depois tocar. Minino! A coisa explodiu na minha cabeça. Toquei feito os maiores tocadores de clarim do mundo. Palmas gritos, e eu impoluto na frente com a boca no trombone, trombone não clarim. Foi demais. Depois do desfile fomos para um dos salões de baile e eis que o místico Diretor Carnavalesco exigiu que pulássemos carnaval junto aos participantes. Desta vez não. Escapuli pela escada e só voltei na terça pedindo a ele, por favor, mais uma “pitada” de lança perfume. Olhe ainda bem que foi proibido. Nunca mais cheirei um danado desses.   

               Comprei dando urros de alegria meu querido e amado canivete suíço. Não durou muito. Acampados em Pedra Sabão na Beira do Rio Corrente ele me escapuliu da mão quando limpava duas traíras para o jantar e caiu na correnteza do rio. Já era noite e no dia seguinte mergulhei e vasculhei cada palmo onde ele caiu. Nada, perdi para sempre. Chorei demais. Comprar outro? Impossível. Carnaval para nós era assim, ou ganhar uns trocados ou meter a mochila nas costas e partir para uma grande e bela atividade aventureira. Que pulem carnaval. Eu hoje nem pela TV consigo ver. Mas saúdo com um gostoso Sempre alerta aos foliões que gostam e se divertem. Bom Carnaval!     

domingo, 3 de março de 2019

Reminiscências de Lord Baden-Powell.



Reminiscências de Lord Baden-Powell.

-                Desejo ardentemente que tenhas uma vida longa e feliz como a minha. Poderás com isto conseguir conservar com saúde e alegria a fim de poderes auxiliar os outros. Vou dizer-te o meu segredo e tenho certeza que com o conhecimento dele serás como eu: - Tenho sempre me esforçado para cumprir a Promessa e a Lei Escoteira em todos os atos de minha vida. Se fizeres o possível para obteres sucesso na vida, assim procedendo, futuramente terás muita alegria, se viveres 80 anos.

-          Agora te peço para repetires intimamente comigo a Promessa Escoteira, não como um papagaio, mas com coração e pensando:

- Meia saudação e sussurrando comigo:
“Prometo pela minha honra fazer o melhor possível para cumprir meu dever para com Deus e minha Pátria. Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer a Lei do Escoteiro”.

Muito obrigado. De coração te desejo uma longa vida e feliz existência, bem como um grande número de Bons Acampamentos!
(Ass.) Baden-Powell.

sábado, 2 de março de 2019

Crônicas de um Velho Escoteiro. Memórias de um “Caderno”. Uma Insígnia de Madeira.



Crônicas de um Velho Escoteiro.
Memórias de um “Caderno”.
Uma Insígnia de Madeira.

Prologo: Um adendo sobre o curso da Insígnia da Madeira relembrando o passado. Não importa a época importante é que cada Chefe se conscientize que nada é impossível. Se alguns conseguiram por que não você?

                    Quem não tem este sonho? Todos têm. Alguns lutam outros desistem no meio do caminho. Cada tempo, cada momento tem seu lugar na história e na memória de cada um. Dizem que ser Insígnia no passado era mais difícil que hoje. Não sei se é verdade. Até fins da década de setenta, a Insígnia era dividida em três partes. Parte I, o Caderno, Parte II Campo e Parte III observação. De todos o caderno dava medo. Havia um receio enorme do leitor. O que ele iria dizer. A parte II no campo era gostoso, dez dias acampado. Depois caiu para oito, seis e hoje nem se quanto é. A Parte III era observação. Hoje tem muitos AP, naquela época não. Lembro que os que se arriscavam começavam pela parte II. No campo. Oito ou dez dias sempre em um local inóspito. A ideia era todos vivenciassem o sistema de patrulhas como escoteiros. Monitores e demais funções em rodízio, obrigações na Patrulha revezamento de cargos. Não importa se cozinheiro, se intendente ou mesmo um simples aguadeiro.

                      Dez dias. Uma delicia de curso acampado e vivendo a vida de um jovem Escoteiro. No final uma equipe que respeitava nossos direitos e cobrava nossos deveres. Era assim que se esperava dos chefes quando voltassem para suas tropas. Não tinha restaurante, quentinhas, Self Service, nada. Cada patrulha recebia suas rações e cozinhava. Todos aprendiam a serem monitores, cozinheiros, intendentes, almoxarifes, aguadeiro, enfermeiro ou construtor de pioneiras. Horário corrido. Tempo livre só para almoço. As sessões eram diferentes. Em uma sombra, uma árvore, em meu curso teve uma dentro de um remanso de águas geladas. Os temas mais comentados eram Sistema de Patrulhas, Corte de Honra, Jogos, Programando o Programa, Técnicas de Pioneiria, Garbo e boa Ordem, Padrões de Acampamentos, Normas e Regulamentos, Atividades Aventureiras, Métodos e Programas, Tradições e Cerimônias, Psicologia do Adolescente, Jogos, Deveres para com Deus (Lei e Promessa). Disseram-me que era assim os cursos lá Em Gilwell.

                        Antes de partir para um Curso Avançado da Insígnia de Madeira, começávamos com um Curso de Adestramento Básico (CAB). Cinco dias, foi alterado para três. Hoje tem outros substitutos com metodologia diferente. Sei de muitos que após fazerem a parte II de campo da IM desistiram. O caderno era um osso duro de roer. Um questionário com dezenas de perguntas para serem respondidas. Dizem que hoje em alguns estados ainda fazem assim. Outros não. Não entendo a falta de padronização. Chefe do Norte é diferente do Chefe do Sul? – Você só recebia o lenço se vencesse as três partes. A última um Chefe IM da sua área ficava responsável. Sem essa de amizade, proteção ou bajulação. A gente nem sabia quem era o leitor. Meu “Caderno” foi posto no correio no final de abril de 1965. Olhei para a moça do balcão e paguei como carta registrada. Seis meses e nada. Cobrar? Um belo dia ele veio de volta. Refaça as alíneas II e VIII. Olhei, era sobre o Sistema de Patrulha e Corte de Honra.

                        Passava minhas folgas devorando os livros de BP e do Velho Lobo Benjamim Sodré. Um mês depois lá estava eu no correio a despachar. Quatro meses e ele de volta. Refaça tudo sobre Lei e Promessa e Normas e Regulamentos. Mais três meses e lá estava eu de novo sorrindo para a moça do balcão do Correio. Desta vez demorou quatro meses. Abri o envelope e junto um Certificado de Aprovação. Sorri de orelha a orelha. Agora era esperar a Parte III. Falar com quem? O Escoteiro Chefe é claro. Mandei uma carta. Sem essa de e-mails ou telefone. Tudo escrito à mão. Até o caderno tinha de ser a mão. “O leitor queria ver como era nosso português” e redação. O Escoteiro Chefe me mandou um ofício. Dizia que seria meu observador. Não tinha como ver o que fazia na tropa (Grupo Escoteiro Walt Disney em Belo Horizonte). Escrevi para ele como eu era o que fazia quantos acampamentos fizemos nos últimos quatro anos, quantos jovens saíram e quantos entraram.

                      Início de 1967, um Ajuri Distrital em Belo Horizonte. Convidados de vários estados presentes. Eu Chefe de um Sub. Campo Senior. A noite um fogo do Conselho só do sub. campo. Foi ali no calor de mais de 110 seniores que recebi minha Insígnia. A mesma que uso até hoje e o colar. Dois tacos. Ri a valer. Uma alegria sem fim. Nunca esqueci tudo que fiz para ser um IM. Os dez dias acampados ficaram gravados para sempre em minha mente. O Ninho de Águia, a ponte levadiça, a ponte pênsil, o caminho do Tarzan e o elevador ficaram na história. Ali aprendi que nada é impossível. Apitos de chamada geral às duas da manhã para capturar uma capivara foi demais. Claro que depois foi solta. À tarde das cobras corais me ensinou a não ter medo. Cada patrulha iria capturar uma e ver quais as venenosas ou não. O fogo do conselho foi inimaginável. Os grandes jogos em patrulha, as noites em volta de uma fogueira cantando e dançando como BP fez em Brownsea com a equipe foi demais. Nunca esqueci a prova de Jornada.

                        Porque escrevo isto? Afinal não é passado? Amanhã ou em alguns anos os de hoje também não terão suas histórias para contar? Histórias aventureiras? Espero que sim. Não sei como são feitos os cursos de Insígnia hoje. Devem ser supimpas. Mas meus amigos não sei se o Sistema de Patrulha, o mais importante no método de BP está sendo realizado a altura. Os acampamentos aventureiros só com a sessão, liberdade de ação para as patrulhas. Tempo livre fraternidade. Até hoje lembro o que dizia Baden-Powell: - Só os resultados interessam. Resultados de jovens puros nos seus pensamentos nas suas palavras nas suas ações. Ideal e espírito Escoteiro. Jovens que lutávamos para ficarem cinco dez ou mais anos na sua trilha desde lobo até pioneiro. Daqueles que tinham Deus no coração. Daqueles que um olhar bondoso se via em qualquer situação de dificuldade.

                         Mesmo tendo sido lobo, escoteiro sênior e pioneiro os cursos foram de grande valia. Aprendi a admirar meus chefes de curso do qual nunca esqueci. Em minha vida dirigi mais de uma centena deles. Nunca gostei dos cursos de fim de semana, mas é minha maneira de pensar. Escrevemos muito sobre a palavra impossível. Eu sou fã dela. Montgomery um General Inglês é quem dizia: O possível fazemos agora, e o impossível daqui a pouco. Oito dias é pouco quando se sai em férias. Afinal é uma vez só na vida! Quem quer faz, quem não quer manda. Hoje não ninguém tem mais tempo. Insígnia de Madeira. Desejo de muitos, conquista de poucos. E o caderno? Puxa! O Meu foi demais!

sexta-feira, 1 de março de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”.

                           O Ministro convidou a todas as escolas do Brasil, a cantar o hino nacional e fazer o hasteamento da bandeira e se possível fazer um video. Convite digno, que merecia o aplauso de todos nós pais, cidadãos patrióticos e chefes escoteiros. Afinal o termo civismo a que ele se referia, são atitudes e comportamento que manifestam nos cidadãos a defesa de valores e práticas assumidas hoje esquecidas pelo tempo. Afinal civismo consiste no respeito aos valores às instituições ás práticas e o patriotismo tão esquecido por muitos que hoje se jactam de ser brasileiro nato.

                           Não houve uma pesquisa entre os pais se a ideia era valida. Logo alguns mais afoitos gritaram contra a ideia, afogaram no nascedouro o que poderia quem sabe lembrar a todos que somos brasileiros e patriotas. Ou será quem outros não? Boa parte da imprensa, pedagogos, e alguns políticos se levantaram como vozes contrárias com a mesma cantilena de tudo aquilo que nós escoteiros sempre preservamos. Condenaram uma ideia válida por alguns senões como fotos (adoraria ser criança e estar nestas foto ou vídeo) e um slogan do novo presidente “Brasil acima de tudo, Deus acima de Todos”.

                           Estamos esquecendo do patriotismo, dando vozes a poucos comensais da nova pedagogia tão copiada por muitos como moderna. Já não basta dizer que esquecemos dos nossos heróis do passado e muitos deles são ridicularizados pelos “çabios” profetas da modernidade. Pecamos por amar um país, lançar uma bandeira do Brasil no ar, cantar com respeito nosso hino e muitas vezes não sabemos respeitar quando se faz a ocasião. Nossos filhos estão aprendendo a vaiar, a defender bandeiras sem saber se são certas ou erradas. Nossos exemplos se perdem, mas não julguemos que tudo vai mal. Não são todos. Apenas uma pequena parcela em ação e outra em casa tomando posições.

                          Poucos que tem poder reclamam nos seus semanários ou diários, nas suas emissoras, nas suas TVs quando “moleques” de uma facção qualquer para uma cidade, prejudicam o cidadão que sai com seu veículo para trabalhar, volta cansado e vê que uma plêiade de uns 50 sem o que fazer estão na rua, fechando tudo, batendo no seu capô, chutando, riscando e amassando seu veículo e ninguém sabe o motivo do protesto. É está a população vítima de alguns ideólogos que não respeitam o direito de ir e vir. E onde estão os políticos? Os “çabios” da imprensa para nos defender?

                       Algumas vezes me encontro a pensar: Qual o objetivo de ensinar o Hino Nacional na escola? Afinal ele é um símbolo da pátria, representa o nosso povo e a valorização do nosso país. Surgiu na época da Independência do Brasil. Trás o contexto desta época. Por ter sido esquecido nas escolas muitos hoje tem dificuldade de entendê-lo. Sei que muitas palavras são difíceis, mas cabe a quem ensina explicar e mostrar o que significa a frase do contexto.  

                       Podem não achar bonito, lindo ou mesmo fora de forma os dizeres do Presidente. Não votei nele, mas bato palmas para muito do que vem fazendo. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. Será que aqueles que não acreditam em um Deus é o mesmo que grita aos quatro ventos contra as ideias do novo ministro da Educação? Desfazem da disciplina, ter ordem apresentação e cargo é coisa ultrapassada. Escolas que resolveram experimentar o regime militar são massacradas por pedagogos com outra filosofia de ensino.

                       Muitos estão chegando ao escotismo com estas ideias. O que Baden-Powell criou em 1908 no seu método revolucionário voltado para a natureza está sendo substituída por novos programas novas ideologias. Se a vida ao ar livre, os acampamentos, a descoberta a Patrulha, a jornada e a aventura sempre foi um atrativo para os jovens, hoje os novos pedagogos escoteiros que nunca tiveram oportunidade de vivenciar o escotismo no seu pleno, fazem de tudo para modificar e trazer suas ideias que não são as do nosso fundador.  

                     Falo para o vento. Nem pergunto se um dia ele pode me responder onde isto tudo vai parar. A humildade de BP em dizer que o importante são os resultados está sendo substituído por um escotismo que chamam de moderno, que jactam de ser perfeito, que fazem e desfazem do seu poder em um estatutos feitos a sua imagem. Quantos não concordam com o que fazem modificando os programas e metodologia Badeniana? A maioria se bandeou para o que achou fazer um escotismo que acreditam em outra associação. Outros vão aceitando seguindo o seu Chefe sem saber onde é o ponto final de reunião.  

                     Nada mais a dizer há não ser parabéns Ministro. Mesmo não sendo um brasileiro está mostrando ser muito mais um patriota diferente de muitos que tiveram a honra de nascer neste Brasil nesta Nação e que se Deus quiser um dia vai enxergar seu verdadeiro caminho a seguir!