quarta-feira, 15 de maio de 2013

Acampamentos - Um sonho escoteiro.




                   

 Aproveitamos nossos parcos conhecimentos para tentar colaborar com os novos escotistas que estão se iniciando na difícil tarefa de conduzir uma tropa Escoteira. Acredito que aqueles mais antigos esses dois artigos, Acampamentos e Sistema de Patrulhas pode ter muitos itens que conhecem. Aos novos, desejo uma feliz chefia de tropa. Lembrem-se, só os resultados dirão se vocês acertaram ou não.

Meu abraço fraternal e meu Sempre Alerta





Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.

Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um  sonho escoteiro.

Parte I

                   Falamos muito em acampamentos. Claro escotismo sem ele está fora da realidade. Quando os jovens ficam sabendo que no programa anual vão ter vários acampamentos eles vibram. Eles adoram. Entraram no escotismo por causa deles. Mas se o último acampamento que foram decepcionou e não conseguiu despertar neles o sonho aventureiro, aí meu amigo é preciso consertar e já. Ou então é melhor não ir mais. Não adianta o melhor Fogo de Conselho do Mundo. Pode dar a eles o que quiserem, mas lembre-se você não pode falhar. Você Escotista é responsável para que os sonhos deles se tornem realidade. Quando você deu a eles as delicias de uma vida mateira, quando deixou que eles fizessem a fazer fazendo sem sua ajuda, quando o tempo foi bem distribuído e ele pode vivenciar o que disseram para ele antes de ir, então, e então o sucesso é garantido e absoluto.  

                    Costumo dizer que existem acampamentos e acampamentos. Vejamos o que o Google diz sobre ele – “Acampamento (do inglês, camping) é um local onde se estabelecem barracas ou tendas, geralmente com a proximidade à natureza onde toda a infraestrutura é levada pelos campistas, tal prática é conhecida por campismo”. - Mas será isto mesmo? É isto que os escoteiros fazem? Não, não é. Isto aí é Camping. Escoteiros acampam e não fazem camping. Eu costumo dizer que a preparação e a organização é a “alma do negocio”. Se a preparação foi perfeita e a organização idem então o sucesso será garantido. Não pretendo ensinar aos chefes escoteiros que leem este artigo. Sei que a maioria sabe melhor que eu como fazer. Seria presunção dizer que mudem e façam o que eu digo. Nada disto. Aqui simplesmente dou sugestões para os mais novos. Eles sim precisam de colaboração.

                     Vamos dentro do possível especificar alguns detalhes importantes. Antes de qualquer coisa estamos aqui falando em acampamentos escoteiros dentro dos padrões de Giwell. Todos sabem que Giwell é o centro de adestramento escoteiro no mundo. Quando dizemos a moda Gilwell é que ali se pratica conforme Baden Pawell especificou e fez no seu primeiro acampamento em Browsea. No mundo inteiro os acampamentos são realizados com os padrões de Giwell Park. A liberdade da Patrulha é absoluta. Cada uma  tem seu campo de Patrulha pelo menos a quarenta metros de distancia uma da outra. É como se fosse uma casa, um lar da Patrulha. Estranhos só entram se convidados ou se ao pedir permissão são autorizados. A Patrulha tem seu próprio material de campo, sua intendência e dentro do possível farão as pioneiras necessárias para que a comodidade, a higiene e o conforto possa dar o conforto que se espera em uma Patrulha.

                       Importante é a escolha do local. Hoje nem sempre encontramos nas cidades maiores bons locais. Tenho visto em algumas cidades locais que alugam. Quem diria. Mas não é difícil conseguir bons locais e de graça. Coloque um uniforme, chame um ou dois chefes e tentem aos domingos passear em estradas secundárias. Conversem com os nativos sobre o que estão procurando. Encontrando procurem o proprietário. Digam o que é o escotismo. Peçam autorização. Lembrem-se que não vão acampar ali somente uma vez. Assim o proprietário deve sempre ser convidado para uma bandeira e quem sabe entregar a ele um lenço do grupo em solenidade especial. Eu disse entregar e não promessar. Conheço chefes que em São Paulo tem sempre a mão quatro ou cinco bons locais. Um telefonema a cada dois meses para manter a amizade, um parabéns de aniversário, um convite para uma pizza e você vai ter a amizade do proprietário para sempre.

                        Se quiseres criar o espírito de aventura nos escoteiros o local não deve nunca ser perto de residências, postes de luz nada que mostre ou lembre-se da civilização. Até os veículos que irão transportar devem  ficar distantes das patrulhas. Entretanto, costumo sempre dizer que - Quem vai ao mar avia-se em terra; Você vai acampar. Nada pode faltar. Chefes Pata Tenras são aqueles que ficam saindo do campo toda hora para buscar o que esqueceram ou o que faltaram. Um dos princípios básicos de um bom acampamento é que a Patrulha tenha todo o seu material necessário. Barracas, vasilhame, material de sapa tudo muito bem acondicionado em um saco, que a própria Patrulha pode fazer. Estes sacos tem em suas laterais alças para que com dois bastões quatro ou dois escoteiros possam transportá-los a longa distancia (se for o caso).

                       Eu sempre digo que se a tropa não foi preparada com antecedência para o acampamento tem tudo para dar errado. Claro, a não ser patrulhas que acampam juntas há anos e tem grande experiência de campo. Nenhuma Patrulha terá êxito se não tiver um bom almoxarife, um bom intendente, um bom aguadeiro, um bom socorrista, um bom cozinheiro e claro um bom Monitor. Monitor que faz tudo não tem Patrulha. Tem ele. Vai sempre reclamar de todo mundo. Se não confia nos seus patrulheiros é porque não os adestrou bem e então a falha é sua. Duas boas excursões em dois domingos com programa simples de aprender a armar barracas (olhos vendados), uso e como transportar a machadinha, o facão, aprender a usar o sisal, aprender  pelo menos cinco nós básicos, uma amarra, uma costura de arremate e saber montar pioneiras simples trarão o sucesso esperado. Claro, primeiro só com Monitores e subs. Depois com a tropa liderada pelo Monitor. Aí sim todos estarão preparados para um excelente acampamento.

                     O Almoxarife deve conhecer seu material, ter uma relação e ninguém seja na sede ou no campo apanha algum sem falar com ele. Não esqueçam, ninguém anda sozinho no campo. Sempre em dupla, com o Monitor ciente aonde vão e em distancias curtas. Duas semanas antes do campo o material deve ser revisado e se o Almoxarife for bom às barracas já foram uma vez por mês colocadas ao sol para não mofar. Claro que as  ferramentas de corte foram afiadas e bem oleadas para não enferrujarem. É importante que o tempo no campo para desenvolver o programa não deva ser corrido. Só de estar lá, na sua Patrulha, lutando lado a lado, construindo, rindo, calos nas mãos, sol quente e dando bravo quando a refeição está pronta já valeu o acampamento. Jogos, atividades técnicas como comando Crow, Falsa Baiana entre outros devem ser feitas pelas patrulhas e nunca pelo Chefe.

                     E o Chefe? Claro, sem ele não haveria o acampamento. Foi ele quem adestrou os Monitores, ouviu suas ideias, fez um cardápio simples (nada de nutricionista) são escoteiros e cozinheiros com simplicidade. Em noventa e nove por cento das residências dos escoteiros não existem nutricionistas para elaborarem os cardápios do dia. Se no campo é a extensão de suas casas que seja tudo muito simples, mas que seja uma alimentação forte. O Chefe juntamente com dois ou três pais são responsáveis pela lista de supermercado. É comum no campo da chefia (ela tem campo separado) ter uma barraca de intendência e se o acampamento for longo, um dos chefes será o intendente geral. Ele separa o cardápio do dia por Patrulha, chama os intendentes na hora determinada para dar inicio as refeições. Cuidados não só na Patrulha como na intendência geral com chuvas, animais peçonhentos, insetos, bichos que costumam invadir.

                       É um tema longo. Não dá para em um só post falar dele no total. Vejam abaixo  parte II. Precisamos de bons acampamentos para que nossos jovens mais e mais pratiquem um escotismo sadio e dentro dos princípios e métodos que Baden Powell nos deixou. Se o Chefe Escoteiro tem noção de como se faz e como se age no acampamento é claro que ele estará no caminho para o sucesso. Uma Patrulha é autônoma. Ela não é dependente. É uma equipe. Cada um deve agir como diziam os três mosqueteiros, “Um por todos, todos por um”. O Chefe deve dar liberdade. Lembrar-se que o campo de Patrulha é a casa deles e ele como bom orientador só vai lá quando chamado ou claro em casos especiais.

                    Quem já viveu a experiência em um acampamento do porte dos que são feitos em Giwell já tem meio caminho andado. Estamos aqui para formar cidadãos. Compenetrados no desenvolvimento da ética e do caráter. E dar a eles todas as condições para aprender a fazer fazendo. Só assim estaremos cumprindo nosso dever de escotistas. Se conseguirmos manter uma tropa por alguns anos sem evasão ou reclamações estaremos é claro no caminho certo para o sucesso. Eles estão aprendendo a agir sem os pais. Estão dando o primeiro passo para um dia, quando crescerem saber qual o caminho que irão tomar. A eles serão lembrados do livre arbítrio, mas se eles conseguirem fazer as escolhas certas então podemos nos considerar vencedores.



Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um  sonho escoteiro.

Parte II

                     Já comentamos que um acampamento requer uma preparação e uma organização perfeita. Considero e repito que isto é a “alma do negocio”. Se ele for feito como o jovem esperava vai trazer sem dúvida nenhuma sua permanência por mais tempo no escotismo. Vocês já devem ter visto um desenho onde se diz que – “ele esperava isto, e encontrou aquilo”. Ele sonhava com atividades mateiras, escadas de cordas, barracas em cima de árvores, construir pontes, transmitir por bandeirolas, aprender sinais de fumaça, nós, pistas de animais e tantas outras técnicas mateiras. Mas encontrou ao contrário, um Chefe falando, falando e falando. Ou quem sabe um Chefe apitando, um Monitor mandão, uma Patrulha desanimada, o Chefe fazendo uma atividade com um por um e ele cochilando na Patrulha esperando a sua vez. Ele vai voltar? Não vai. Era isto que esperava? Não era.

                   Lembramos que por melhor programa que se faça sem um bom Monitor nada vai dar certo. Só com um bom Monitor pode-se atingir a perfeição do Sistema de Patrulhas e sem isto o acampamento será um amontoado de corre, corre sem saber aonde se vai sem rumos definidos. Acredito que todos que me leem conhecem bem o Sistema de Patrulhas ou já leram sobre isto. Admiro muito o que o Chefe Escoteiro E. E. Reynolds escreveu. Ele foi perfeito em seu livro  Aplicando o Sistema de Patrulhas (se você não leu e gostaria de ler, eu tenho em PDF, é só pedir por e-mail). No livro ele descreve pormenores interessantes sobre o tema. Pensando que você já tem Monitores bem preparados, patrulhas adestradas antes do acampamento, um bom material para as patrulhas e para você mesmo, um bom local já escolhido previamente e devidamente autorizado, não haverá duvidas, o acampamento será perfeito.

                  Não é fácil montar um acampamento. Na parte I comentamos sobre muitos temas. Eu sinceramente não gosto de acampamentos só para ricos ou que o grupo assuma com todas as despesas. Nem mesmo para uma meia dúzia. Nada deve ser dado de graça. Tem que haver uma taxa, a menor possível. O jovem ou a Jovem devem aprender desde cedo que a vida não é um mar de rosas e nem tampouco que sempre haverá alguém para auxiliá-lo. Assim é importante que ele consiga por meios honestos pagar parte de suas despesas no escotismo. Para que as despesas do acampamento não sejam altas existem inúmeras possibilidades:
a)     Uma taxa de todos para cobrir as despesas, tais como – transporte, alimentação e outros. Esta é a maneira usual. É caro isto. Depende do Grupo Escoteiro e se os membros têm condições de pagar. Vejamos como diminuir um pouco esta taxa.
b)     Uma comissão de três ou quatro escoteiros acompanhados de um Chefe ou pai para tentar junto à prefeitura, órgãos militares, empresas de ônibus e visando conseguir transporte gratuito. Sei que se estiverem bem uniformizados e treinados no que falar o sucesso é garantido.
c)     Uma reunião de pais dos jovens da tropa (acredito que o seu grupo “amarrou” os pais desde a entrada do seu filho ao grupo) para discutir o assunto. Se houver um trabalho em equipe com eles, podem surgir ideias de algum supermercado que possa colaborar ou mesmo dar um bom desconto. Assim a alimentação não ficará cara. Note-se que o cardápio foi simples. Como se diz na gíria, “o arroz com feijão feito em casa”.

                 Não esquecer que é preciso cumprir certas normas portando ler a parte de Acampamentos no POR é importante. Fugir delas e acontecer algum acidente podem complicar a vida do Chefe, do grupo e o nome do escotismo na comunidade. Alerto principalmente para o banho em lagoas, rios, mar e represas. Não esquecer principalmente a autorização por escrito dos pais. Tudo feito, tudo nos “conformes” estamos já no campo aonde iremos junto às patrulhas passar por bons momentos acampando. Na chegada é hora de escolher os campos de patrulhas. Importante que desde a saída da sede até o retorno a disciplina é cobrada a todo instante e sempre através dos Monitores. Aprenda a se dirigir a eles sempre. A escolha dos campos de Patrulha pode ser feita pelos Monitores ou mesmo com a Patrulha unida. Claro, não se esquecer de orientar quanto às probabilidades de tempestades, galhos caindo, terrenos encharcados ou mesmo enchentes/surpresas que é muito comum em córregos ou riachos.

                       Escolhido o campo de cada Patrulha é hora da montagem do campo. O tempo para isto vai depender muito do horário de chegada. Não esquecer, o Chefe também tem campo em separado e nele fará suas pioneiras tais como fogão suspenso (ele cozinha para sí e só em casos especiais ele aceita o convite das patrulhas). A escolha de seu campo se possível deve ter uma visão de todo os campos de patrulhas. As patrulhas já sabem que irão fazer um fogão suspenso com toldo, um lenheiro, uma mesa com bancos para todos e claro com toldo, armar as barracas levando em consideração o vento e o terreno, fossas e claro um pequeno WC afastado do campo pelo menos trinta metros. Claro que é possível não terminar no primeiro dia, mas teremos o segundo e o terceiro. Conheci patrulhas que faziam tudo isto em acampamentos de fins de semana. Torno a repetir, sem um bom cozinheiro, sem um bom almoxarife, sem um bom aguadeiro, intendente ou construtor de pioneiras e uma perfeita sincronização da equipe o acampamento pode deixar a desejar. Monitor? Sem comentários. A peça principal.

                       O programa do acampamento deve ser flexível. É preciso que as patrulhas se conheçam. Deixe-as trabalharem. Evite o máximo ir ao campo delas, pois se não ficarão sempre dependentes do Chefe. Problemas se houver o Monitor vem até ao campo da chefia e se necessário o Chefe chama o Escoteiro ou a Patrulha toda para uma Conversa ao Pé do fogo ali no campo da chefia. Eu costumava ter em frente a minha barraca um local para fogo, com pedras em volta e pequenos troncos já caídos para servirem de bancos. Era o local para fazer as reuniões de Corte de Honra, Conversa ao pé do fogo etc. Cuidado para não ser severo demais. Eles foram acampar pensando que seria bom e não tire isto deles. Lembrar-se que uma conversa individual é ouvir e saber aconselhar. Por favor, não faça ameaças. Ele não foi ali para ser ameaçado. Você é mais "Velho" que ele e sabendo entender tudo se resolve.  O Monitor pode estar junto ou não. Vai depender do assunto.

                         Eu costumo dizer que o acampamento é realizado sem horários apertados. Muitas vezes se necessário se altera para que eles possam aprender a fazer fazendo, tentar sempre até fazer o certo e para isto deixar que eles explorem as amizades, o campo o que fazer e como fazer. Nestes casos chamamos de atividades de Tempo Livre. Por partes poderíamos dizer que o tempo seria:
- Tempo livre – Horários para preparar refeições e limpeza ao terminar. Pelo menos três horas e meia.
- Horários para atividades pela manhã e a tarde – Jogos ou excursões a pequenas distancia com metas programadas. Jogos noturnos. Pelo menos sete horas e meia de sono – Alvorada bem cedo – se possível educação física (só quinze ou vinte minutos) – após pelo menos três horas para a refeição matinal  -- Preparar campo para inspeção, horário de bandeira, avisos etc. Todo o programa do dia seguinte é discutido na véspera em Corte de Honra.

                       Na última parte iremos detalhar como é feito a inspeção de Giwell, Conversas ao Pé do fogo, Corte de Honra, jornadas e o Fogo de Conselho. Iremos dar ideias para um fogo só da tropa. Este sim deve marcar sempre. Tudo irá dar certo e repito só dará certo se você se preparou antes. A máxima de “se vai para o mar, avie-te em terra” não deve ser esquecida. Lembre-se sempre, deixe que eles vivam a natureza, que “se virem” sozinhos em Patrulha. Você ir lá não ajuda e só atrapalha. Na minha humilde opinião aconselhe os pais para não visitarem o acampamento. Eles ali não são bem vindos. Um dia quem sabe será feito um acampamento com esta finalidade, mas isto esporadicamente. Já vi casos de jovens chorando querendo voltar para casa. O pior é que isto, um pequeno fato pode levar todo o sucesso que se esperava jogado por terra. Cuidado com celulares ou outros. O Escoteiro foi acampar para viver a vida de um aventureiro, um mateiro, a aprender a viver em equipe junto à natureza. Alguns trabalhando e outros conversando em seus aparelhos não são bons exemplos. Basta um ou dois com a chefia e mais nada.



Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um  sonho escoteiro.

Parte III

                    Um artigo longo. Afinal trata-se de o que mais importante encontramos no escotismo. Nada supera um bom acampamento. Ele é tão importante que até os acampamentos mal feitos ainda tem sua validade. Eu costumo dizer que para um bom acampamento, três coisas são essenciais. -  (1) Um bom local, afastado da civilização, boa aguada, farta disponibilidade de eucaliptos ou bambus para pioneira – 2) Três ou quatro bons jogos de aventura, não aqueles que ficamos brincando de scalp ou parecido nos acampamentos realizados – 3) Um grande Fogo de Conselho, sempre na última noite. Poderíamos também dizer que a liberdade da Patrulha é por demais importantes. Muitas vezes os chefes acham que sabem o que os jovens querem e com isto deixam de lado o mais importante no escotismo – Aprender a fazer fazendo, tentar sempre até fazer o certo e deixar que ele ou ela os jovens sejam responsáveis pelo seu desenvolvimento.

                    Não vamos entrar aqui no item dois. É um item extenso e deveríamos ter somente um artigo sobre ele. O item um já comentamos nos dois primeiros artigos Parte I e Parte II. Ficaremos aqui somente com dois temas, o Fogo de Conselho e a inspeção geral. Não sei se sabem, mas uma boa inspeção, onde os jovens sabem de sua importância também tem grande validade para um bom acampamento. Nós chamamos de Inspeção de Giwell. Desde os primórdios do escotismo que as inspeções fazem parte de seu método. É um importante colaborar na formação do caráter e no desenvolvimento do garbo e da disciplina. A Inspeção de Giwell são oriundas e formuladas em Giwell Park. Como todos sabem é nossa fonte de conhecimento. Podíamos aqui escrever muitos objetivos da inspeção, mas ficamos com alguns somente. Ajuda a trabalhar a higiene pessoal e do ambiente em que vive – Evidencia a elegância e a disciplina, requerida na preparação e durante a atividade diária – Trabalho em equipe, pois desenvolve a cooperação coletiva na patrulha, vivenciados pelos jovens integrantes. Cria hábitos introduzindo noções  e estabelecendo medidas.

                  As inspeções são partes importantes do acampamento. Elas já devem estar sendo realizadas em reuniões de sede e no campo são feitas pela manhã e de surpresa durante a parte da tarde. Na Corte de Honra da noite anterior tudo foi decidido e explicado. Qual a meta de cada Patrulha e o horário rigoroso. Não ficamos esperando as patrulhas se prepararem. Elas é que devem estar a nossa espera no horário determinado e lembramos que o respeito, a honestidade deve estar presente nos escotistas responsáveis. Quando temos poucos chefes presentes usa-se os Monitores que não a fazem em sua Patrulha. Os itens checados podem facilmente ser discutidos entre os membros da Corte de Honra. Uniforme, limpeza de campo, pioneirias, artimanhas e engenhocas, intendência e outros. Costumo dizer que as notas já são altas. Se for cem, a cada item que mereça melhorar tira-se um ou mais pontos. Ao terminar é hora do cerimonial de bandeira do dia. Não esquecer que toda noite na Corte de Honra é definida a Patrulha de Serviço. Responsável pela limpeza de todo o campo e do cerimonial.

                   É importante que a após o cerimonial cada Chefe comente sem fazer criticas demasiadas. Se existem um sistema de premiação por bandeirolas ou não o Escotista responsável dará a palavra final. Lembramos que todos estão ali esperando um elogio e não criticas que nada tem de valor. Só de estarem no campo, mesmo que um ou outro não se enquadrem já tem pontos a favor.  A Inspeção deve ser positiva e bem feita, sem sensibilidades, porém, com uma atitude delicada para não ofender ou ferir. Vamos passar agora para o Fogo de Conselho. Acredito que se o desenrolar do acampamento está sendo magnifico este será muito bom. Todas as noites na Corte de Honra devemos lembrar aos Monitores de sua importância. Não pretendo aqui ensinar a ninguém sobre Fogo de Conselho. Sei que todos que estão lendo tem vários no seu curriculum. Aqui vou somente sugerir um Fogo de Conselho de Tropa. Feito pela tropa e só para a tropa.

                    Se todas as noites nas Corte de Honra ele foi comentado, se foi dado à sugestão de cada Patrulha desde o primeiro dia criar algum novo, se eles discutiram entre si nos tempos livres que são dados para refeições e outros é possível surgir belas esquetes (Esquete (do inglês sketch) é um termo utilizado para se referir a pequenas peças ou cenas dramáticas, geralmente cômicas, geralmente com menos de dez minutos de duração e que estas sejam inéditas. Se possível com fatos acontecidos no desenrolar do acampamento. As canções porque não serem criadas também no campo? E melhor ainda um instrumento musical. Um violão tem um enorme valor. Sem esquecer que as palmas escoteiras também são criadas por eles. E finalmente, um Monitor responsável não como um Animador. Para falar a verdade em acampamentos de tropa não gosto muito de animadores de Fogo de Conselho. Todos costumam ficar a sua mercê e quase não criam a não ser o que fazem sempre em todos os fogos. Para uma boa participação basta a motivação dia a dia.

                   No penúltimo dia, os Monitores terão um tempo para escolher o local. Não deve ser escolhido antes. A surpresa é importante. O local não deve ser comentado. Se possível a mais de duzentos metros do acampamento. A ida e a volta em uma trilha cria um clima formidável. No local deve se possível ter árvores enormes, para que a noite deem o tom fantástico necessário. Lembrem-se – O espirito da Coruja mora neste acampamento! É muito importante bons bules de alumínio cujo café, chá ou chocolate serão levados prontos e colocados nas brasas do fogo. Biscoitos também serão bem vindos, mas o melhor são Batatas Doces. Cada um usa e abusa quando quiser. Um Monitor da Patrulha de serviço ou não será responsável pela Fogueira. Ele irá bem antes ao local (pode levar um Escoteiro com ele) que irá providenciar a fogueira, o lenheiro, e quem sabe pequenos bancos para todos. Feito de maneira simples com galhos caídos. Ninguém mais irá ao local designado a não ser no dia do Fogo de Conselho.

                    Gosto muito da fogueira acendida com um só palito. Claro o responsável foi bem treinado. Tudo pronto. Todos esperando e lá vão eles para o local do Fogo de Conselho. Cada um senta onde quiser. Claro o Monitor pode pedir para ficarem juntos. Sempre achei importante criar místicas. Lembro que no passado as reuniões em torno do Fogo se revestiam de solenidades e quando se aproveitava a ocasião para levar a efeito cerimonias ou conselhos, onde eram discutidos os problemas da comunidade ou reverenciados os deuses. O Fogo de Conselho caracteriza a mística e ambientação do programa trabalhado. Lembrar sempre dos costumes, valores e tradições culturais dos muitos povos que habitaram nosso país no passado. É importante notar que para se compreender a mística e o valor do Fogo de Conselho temos que entender a importância do Fogo, como símbolo das energias da vida, na luta pela sobrevivência durante todo o processo de evolução do homem.

                 Dentre os quatro elementos da natureza, terra, ar, água e fogo, sempre foi o fogo que mais fascinou o homem. Temido e amado, salvando ou ameaçando a vida. Desde a conquista do fogo ponto de partida da civilização, compreendeu o homem o valor do fogo como fonte de energia embora dele fizesse uso, sempre respeitou a suas chamas. Os nativos da Ásia, os selvagens Africanos, os peles-vermelhas da América se reuniam a noite em torno do fogo, que com sua luz e calor espantavam as trevas, o frio e os animais. Era então o momento sublime em que todos se encontravam para conservar, cantar, contar histórias ou para planejar caçadas (jogos do dia seguinte) ou a guerra e a paz.

                   Agora é com você. Deixe que eles após você ter contado histórias e místicas do Fogo de Conselho, que eles desenvolvam e criem seus fogos de conselhos. Deles. Só deles. As canções, as esquetes, os jograis serão feitos sem horários definidos. Mas existem duas que são de sua responsabilidade. A primeira a abertura – A Evocação dos ventos costuma ter em cada tropa um significado. Aqui darei uma:
- Que os ventos do norte, frio e violento,
- Que os ventos do oeste, suave e agradável,
- Que os ventos leste, criador de tempestades,
- Que os ventos sul, quente e formador de nuvens,
Tragam nesta noite a alegria neste Fogo de Conselho, a vontade de vencer e nunca nos esquecer de que somos todos irmãos. - Amigo, eu e você... Você trouxe outro amigo, e agora somos três... Nós começamos o nosso grupo, nosso círculo de amigos... E como um circulo, não tem começo e nem fim! Um por todos? – todos por um!

                   E finalmente a Cadeia da Fraternidade. Sempre cantada e nunca esquecida. Dizer mais o que? À volta, comendo batatas, mastigando um biscoito e com sua caneca bebericando um café. E claro todos sorrindo, contando histórias, lembrando-se dos amigos, das brasas que adormeceram, do céu estrelado, de um cometa que passou... Mais uma noite mais um dia que belo muito belo foi seu acampamento!

O mundo é como um acampamento em que montamos a nossa tenda, apreciamos a natureza, e depois voltamos para a nossa casa, que é a eternidade! 

Fim


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Conversa ao pé do fogo. O belo do escotismo está em sua simplicidade.



Conversa ao pé do fogo.
O belo do escotismo está em sua simplicidade.

                     Faça escotismo não faça a guerra. Uma metáfora interessante. Hoje me questionei sobre muitas coisas. – Quanto tempo nós escotistas ficamos com nossos jovens? – Duas horas por semana? Três? Poderíamos somar as atividades extra sede, mas sei que na maioria dos grupos elas não são tanto assim. Nestas horas procuro ver se nosso caminho percorrido foi ou está sendo realmente frutífero. Gosto muito de ver o vídeo de Ian Hislops, detalhando o Escotismo para Rapazes de Baden Powell. (Youtube Escotismo para Rapazes segundo Ian Hislops-Ficheiro único(pt-pt)). Claro ele faz uma analise subjetiva do escotismo de BP. Disseca de uma forma simples e deliciosa o livro Escotismo para rapazes. Pergunto-me se o passado e o presente não podiam andar na mesma trilha. Muitos acham que não e dão centenas de exemplos. Então me pergunto novamente – Quanto tempo ficamos com os jovens por semana? Porque a pergunta?

                          Estamos hoje com uma preocupação constante com o Escotista. Seja na Alcatéia seja na tropa. Desenvolveu-se uma parafernália de cursos, visando aprimorar e qualificar o adulto para que possa desenvolver bem suas funções de líder Escoteiro. São centenas de formadores por todo o Brasil dando todo apoio aos chefes na sua labuta na Alcatéia e na tropa. Mas eu me pergunto. Será isso excencial? Tantas informações, técnicas, para apenas duas ou três horas por semana? É necessário mesmo? Convenhamos que se olharmos um simples professor de uma escola secundária ele não recebe tantas informações assim para desenvolver sua atividade. Bem não cabe aqui comparar, mas vejam onde quero chegar. Nos primórdios do escotismo BP sentiu que não poderia deixar os jovens ao “Deus dará”, sem ter pessoal qualificado para ajudá-los no seu novo sonho aventureiro. Nos bosques, matas via-se meninos a correrem como se estivessem fazendo tudo àquilo que leram nos fascículos que ele escrevia. Ansiavam aventuras. Viver na natureza. Fazer o que ele descreveu tão bem de atividades aventureiras.

                           Para testar as habilidades e conhecimentos BP fez acontecer o primeiro acampamento Escoteiro em Browsea. As bases para deixá-los fazer fazendo foram assentadas. O tempo foi passando. Até alguns anos atrás (acredito até a década de oitenta) tínhamos três cursos básicos para que o adulto pudesse adquirir conhecimentos e chegar a Insígnia de Madeira, sem esquecer uns três ou quatro técnicos. Nestes cursos ele vivenciava muito a vida ao ar livre, os acampamentos, vida em equipe, e com isto o método e o programa foram mantidos na formula que BP acreditava. Aconteceu que muitos jovens começaram a abandonar o escotismo. Não por este motivo, outros que irem especificar oportunamente. Os adultos começaram a mudar para atraí-los. Não era mais uma continuidade nas tropas chefes advindo da própria tropa. Começou-se a criar uma estrutura burocrática que sem perceber dominou todo o movimento escoteiro. Os cursos foram alterados. Experiências e experiências foram feitas. Muitas sem esperar os resultados e implantadas como fato consumado.

                            Criamos sem perceber uma oligarquia que decide em nome dos jovens, fala pelo jovem e acredita piamente o que eles os jovens desejam e sonham. Claro, não esqueceram as belas coisas do método Escoteiro. Mas sem querer alienaram o jovem. É comum escotistas exaltarem seus feitos dizendo que a atividade foi linda! Que isto foi ótimo, que “meus” escoteiros adoraram. Esqueceram-se de perguntar os interessados e muitas vezes até perguntaram, no entanto a maneira usada para a pesquisa não deixa dúvida que o jovem vai dizer que gostou. Difícil dizer se é verdade ou não. De noventa para cá a saída foi enorme. A procura aos poucos foi desaparecendo. Vejam o uniforme. Muitos escotistas dizendo o que o jovem vai ou não dizer a respeito dele. Outros até comentam que agora a procura será bem maior com o novo uniforme. Alguns chegaram a afirmar que fizeram pesquisas (?) e muitos jovens não entravam por achavam o uniforme “feio”! Pelo que sinto o novo uniforme ou traje vai atrair centenas de jovens de volta ao movimento. Acreditam nisto? Os que vierem foram “comprados” por uma vestimenta?

                             Não sei, posso estar enganado, mas estão a cada dia complicando mais a estrutura Escoteira. Esqueceram que não somos profissionais, somos voluntários, temos nossas obrigações familiares e profissionais e o escotismo devia ser uma atividade que não assoberbasse tanto nosso tempo. Tentam toda sorte de dar conhecimentos nos cursos de formação. Para que? Duas ou três horas por semana? Não vou me iludir, sei que a responsabilidade é grande, mas o objetivo é um só. Formar jovens com ética, amor, fraternidade, honra respeito tudo isto vivenciado na Lei e na Promessa Escoteira. Mas afirmo se não estivéssemos complicando, se pensarmos como BP pensou, em deixar que o jovem aprenda a fazer fazendo, que lá na Patrulha ele vivencie sua turma de amigos e amigas, que eles pudessem fazer seu próprio programa baseado na orientação do adulto conforme prescreveu Baden Powell, quem sabe a participação não seria mais efetiva?

                          São duas ou três horas por semana. Só. O que precisamos? Simples. Motivar ao jovem participar espontaneamente, sentir que ele gosta de sua “turma”, que ele foi lá em uma tarde de sábado sabendo que ele seria mais um. Que ele poderia dar opinião, que ele fizesse o que gostaria de fazer. O Sistema de Patrulhas é simples. Na escola e em seu bairro ele vivenciou outras atividades, agora gostaria de encontrar outras. Muitas vezes nós mesmo complicamos tudo. O jovem na sede quer ver e sentir tudo aquilo que não vivencia fora de lá. Ficar em forma por mais de quinze minutos com alguém falando para ele, com alguém pegando em sua mão para ensinar, com Monitores brigões, com exigências descabidas, com ameaças gerais que costumam acontecer ele logo, logo vai desistir.

                         Ainda acho que dois ou três cursos de formação seriam suficiente. Estamos enchendo os fins de semana com cursos e cursos e os resultados ainda não foram animadores. Escotismo não tem segredo. Qualquer um que entenda os objetivos do método e do programa, do fazer fazendo, do Sistema de Patrulha vai sem nenhum problema atingir o sucesso esperado. Já disseram e eu torno a repetir alguns temas que  John Thurman (antigo Chefe de campo de Giwell Park) disse em seu artigo os sete perigos: (os que não leram podem pedir o artigo completo).


2. Centralização. Acampamentos Nacionais, Regionais e Jamborees são muito bons, mas quando muito frequentes, podem ser desastrosos. Devemos dar ao Escotista a maior oportunidade possível para trabalhar com a sua Tropa e infundir-lhe os bons princípios e não juntar os rapazes em grandes massas para um grande espetáculo. Às vezes existe tal número de atividades organizadas pelo Distrito ou Região que praticamente não resta tempo ao Escotista para trabalhar com as Patrulhas ou Alcateias;

4. Seriedade Demasiada. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

6. Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

7. Trabalhar para fazer super escoteiros. Devemos estar conscientes, no que diz respeito a adestramento, de não tratar de começar um curso a partir de onde deixamos o anterior, sem pensar que necessitamos começar e recomeçar sempre pelas bases e os princípios para progredir a partir destes.

Para terminar, recordemo-nos que Baden-Powell, em 1938, proclamava com orgulho e alegria o número de três milhões e meio de Escoteiros no mundo. Agora podemos ver um movimento que ultrapassou os oito milhões, (1957) devido justamente à sua simplicidade e ao prazer dos rapazes que tem sido contínuo.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis ideias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou.

OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.

Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

Feliz palavra de John Thurman. O mundo está mudando, e a mudança que o escotismo tem feito não está dando certo. Muitos rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Precisamos meditar. 


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Olavo Bilac e o escotismo




Leiam o que Olavo Bilac fala sobre o Escotismo em 1916:

TRECHO DA CONFERENCIA REALISADA EM BELLO HORIZONTE EM 26 DE AGOSTO DE 1916 - Publicado em 1929 em Nictheroy pelas Officinas Graphicas da Escola Profissional "Washington Luis".

“ ““A escola dos escoteiros, uma das células primarias do organismo da educação cívica e da defesa nacional, tem um objetivo que se resume em breves linhas”.
É a educação completa dos adolescentes. O escoteiro, desde que se inicia no tirocínio, anda, corre, salta, nada monta a cavalo, luta defende-se, maneja armas; mantem-se num constante cuidado do asseio do corpo e da alma; afasta-se da pratica de todos os vícios; adquire noções de física, chimica, botânica, astronomia, anatomia, geographia, topographia, astronomia; orienta-se pelo sol, pela posição das estrelas, pelo relógio, pela bússola, manuseia o termômetro e o barômetro, mede o caminho que percorre; estuda os mapas; sabe acender o fogo e cozinhar; faz acampamento; recebe e transmite comunicações pelos telégrafos Morse e Marconi, por meio de luzes, de sinais por bandeiras e pelos gestos dos braços; instintivamente aprende tática e estratégia; pode eficazmente socorrer feridos e vitimas de quaisquer desastres; alimenta e desenvolve os seus nobres sentimentos; abomina a mentira; reputa sagrada a sua palavra de honra; é disciplinado e obediente; é cortes; considera como irmãos os seus companheiros, ampara as mulheres, os velhos os enfermos; opõe-se a crueldade sobres os animais; é econômico, mas condena a avareza; respeitando a própria dignidade, respeita a dignidade alheia; é alegre; esforça-se por dizer claramente o que sente e exatamente descrever o que vê; pensa, raciocina, deduz; e enfim, conhece a historia e as leis do seu pais; é patriota e estimula a sua iniciativa.

Basta isso para que se veja que, no escotismo, se inclui todo ensino da infância e da adolescência. “““Como o compreendia Platão, dizendo: “a educação tem por fim dar ao corpo e ao espírito a beleza e toda a perfeição de que eles são susceptíveis”, e como concebia Spencer, professando: “ a educação é a preparação para a vida completa”. Esta admirável escola ao ar livre abrange todos os pontos, que se contem no programa da moderna pedagogia. 

Primeiro, a instrução física: a conservação ou o restabelecimento da saúde, pela higiene e pela medicina e o desenvolvimento normal e progressivo de todas as funções de corpo, pela ginástica e pelos jogos escolares.

Depois, a instrução intelectual: o adestramento dos cinco sentidos, a percepção externa e a interna, a cognição e a experiência; a consciência, a personalidade, e a liberdade; a faculdade de conservação - a memória; e as faculdades de elaboração - a atenção, a abstração, a generalização, juízo, o raciocínio, e a imaginação. 

Enfim, a instrução moral; a sensibilidade, e a sua cultura; o amor próprio, o amor e o respeito da propriedade, foi livre arbítrio, da independência, da emulação; o altruísmo, a benevolência, a beneficência, a amizade, a docilidade; o amor da pátria, do belo e do bem; o brio, a coragem, a disciplina; e a cultura da vontade, e a formação do caráter. 

E este curso completo de adestramento é feito no seio da natureza, na alegria da vida desportiva, pelo gosto próprio, pela pratica, pela lição das coisas.
O escotismo forma homens e, ainda mais, heróis. É a heroicultura. Em cada escoteiro, no ultimo grau da iniciação, existe um "Agenor", no sentido do vocábulo grego: Homem de coração.

Há pouco tempo, em São Paulo, um educador, o Sr. João Kopke, numa conferencia, lembrou que os antigos gregos davam aos ephebos, "sem ensino especial de civismo, meios de cultura própria, apenas por um programa limitado, entre os sete e os dezoito anos, formando uma boa e bela forma de homem, com a sua inteligência, os seus sentimentos e o seus corpos treinados”.

Não era aquele ensino da ephebia o mesmo ensino que hoje damos aos escoteiros? Mais ainda: o juramento do escoteiro no primeiro grau de iniciação, e os doze artigos do Código do escotismo são uma reprodução aproximada da afirmação, que os efebos espartanos e atenienses prestavam, quando, perante os magistrados, recebiam a lança e o escudo: "Nunca aviltarei estas armas, nem abandonarei o meu companheiro na fileira; combaterei pela defesa dos templos e da propriedade; respeitarei as leis; e transmitirei a minha terra própria, não só menor, porem maior e melhor do que me foi transmitida".

Mas o juramento e o código do escoteiro tem mais larga e mais bela significação do que a formula dor efebos. A moral e o governo de Esparta e de Atenas estreiteza e secura de egoísmo.

Se quiserdes dar ascendência legitima, e foros e brasões de altas nobrezas a moderna criação do escotismo, deveremos radica-lo na tradição medieval da Cavalaria Andante. O grande ímpeto de desapego, de liberdade, de coragem e de altruísmo, que dispersou os cavaleiros andantes pelo mundo, foi o mais belo serviço da idade média. 
Os abusos da cavalaria não a mataram. Os exageros de uma virtude matam-se a si mesmos; e deixam viva e inalterável a força da alma que foi exagerada. Também, sobre o curso dos rios nas cidades despejam todos os dejetos da sua vida; a água, turvada e infamada, aceita com resignação a afronta; mas, em breve, libertada do contato dos centros populosos, na sua incessante agitação, torvelinhando sobre o leito de pedra e musgos, expurgando-se com o banho do ar livre, abluindo-se em si mesma, é daí a mesma linfa imaculada, reproduzindo a clareza e a virgindade da nascente. 

Assim, o sentimento de honra, que inspirava os paladinos. Que era aquela instituição? Uma exaltação da alma, que impelia para a gloria, para a justiça e para o desinteresse: os heróis errante eram bravos e pródigos, destemidos e puros: respeitavam e protegiam os fracos, defendiam as viúvas e os órfãos, subjugavam a tirania insolente, veneravam a mulheres e davam ao amor um culto religioso... Morreram os abusos, mas a essência sublime ficou... Enquanto houver brio e bondade no mundo, sempre haverá cavaleiros andantes.

No escotismo - e é esta a sua maior e mais verdadeira beleza - a exaltação reveste-se de um distintivo prático, sem perder a sua poesia sublime. Na Cavalaria, às vezes, a idéia de honra era vaga: a da generosidade, indecisa; a da abnegação, indeterminada; às vezes, era o sacrifício perdido, a bravura sem proveito, a dedicação inútil. No escotismo, a idéia da honra define-se: é a honra do indivíduo, a honra do cidadão; o desinteresse e a magnanimidade não são apenas gestos formosos; são ações justas e úteis - justas para a perfeição humana, e úteis para a grandeza da Pátria.

Tal é, em suas linhas fundamentais, a criação do escotismo. A vos, meus companheiros de trabalho literário, cumpre a tarefa da propaganda, da organização e da direção em Minas, da nova heroicultura, linha de Baden Powell.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aplausos, foguetes, palmas, gritos de guerra, alegria geral. A UEB apresentou o novo uniforme!



Conversa ao pé do fogo.
Aplausos, foguetes, palmas, gritos de guerra, alegria geral.
A UEB apresentou o novo uniforme!

                  Tento a minha maneira ser sério. Procuro me controlar para não sair por aí “com um violão debaixo do braço”. Mas adianta? Como diz o velho ditado, “Besta é quem acendeu a vela, prá defunto que não é seu”. Risos. Mas amigos, essa UEB é demais. Depois de anos eis que ela apresenta o novo uniforme no Congresso Nacional. Faz uma enorme festa explicando sem explicar nada. Diz que tudo foi muito bem planejado. Bem arquitetado isto sim. Pressionada disse o que não disse em pequenos relatos para uns e outros. Argumenta que “outros” conhecedores fizeram pesquisas com escoteiros, e planejaram tudo para que seja um tremendo sucesso o novo uniforme. Sempre foi assim. Ela joga para o publico Escoteiro como se todos fossem subservientes, incapazes de opinar, e ainda se coloca como um Messias para que todos batam palmas, gritem, soltem foguetes pela sua magnifica ideia. Atenção, não discuto se ele e bonito ou feio, não é isto, discuto a maneira com que foram tratados os setenta e sete mil que a UEB alega ter.

                 Para que nada falhe, é preparada uma apoteose da apresentação, monta-se uma “fanpage” na rede social Facebook só para que os pobres mortais escoteiros conheçam seu novo uniforme, ou melhor, o novo traje escoteiro. Pela manhã deixam todos com água na boca - Aguardem! O espetáculo será à tarde!  E não foi só, a apresentação foi digna de um SPFW (São Paulo Faschion Week). Faltou o rufar dos tambores. - Respeitável público, com vocês! O novo traje. A porta se abre, os modelos e as modelos vão entrando, no recinto do teatro todos de pé. Grande expectativa. Enfim, ali está ele! Ou melhor, eles! Dezenove ao todo. Aplausos. Todos boquiabertos! Agora sim, seremos reconhecidos por toda a sociedade brasileira. Dezenove modelos para escolher. Pode? Onde vocês já viram isto antes? Eu nunca vi. Como são inteligentes não? 

                 Porque a UEB não fez isto antes? Porque não discutiu o tema? Porque não fez consultas a quem realmente interessa este uniforme? Os jovens foram consultados? A UEB diz que sim milhares de jovens dizem que não. Meia dúzia decide por milhares? Pena que muitos que acreditam na onipotência dos dirigentes iram aplaudir como se este novo traje fosse à redenção do escotismo brasileiro. Ela ainda em sua “fanpage” tenta explicar suas razões e incrivelmente colocam como fonte o também Doutor Jean Cassaigneau que fez um magnifico trabalho para a UEB em 2007. (A pedido da CAN/UEB em 1907 o Doutor Jean Cassaigneau fez um estudo para a UEB mostrando diversas situações e sugerindo modificações no escotismo brasileiro – se alguém se interessar em receber seu trabalho tenho o mesmo em PDF). Para quem não leu, o Doutor Jean Cassaigneau fez inúmeras sugestões todas elas de excelente conteúdo, mas ignorada pelos dirigentes da UEB. Alguns dizem que não, mas nunca em tempo algum colocaram os temas que ele apresentou em discussão. Agora aproveitam para colocar o novo traje como redenção, como se fosse à fonte salvadora do escotismo.

                   O Doutor Jean Cassaigneau tocou em enormes feridas da UEB. Algumas: - O escotismo é visto como um clube falta divulgação e quando é feita é desvirtuada. Os jovens escoteiros não compram muito a ideia do que estão vendo. Não existe um bom trabalho para mostrar o escotismo na sociedade e principalmente junto aos responsáveis pela educação no pais. Continua ele – O publico acredita que somos um movimento fechado, sempre dentro das sedes escoteiras. A UEB tem de mudar a imagem do Escoteiro Biscoito para um escotismo com formação do caráter, um movimento sério com preparação vocacional e compromisso social. Rebater sempre a vergonha de se mostrarem em público, nossa linguagem (o programa) muitas vezes são incompreendidas. Temos que mudar a imagem do Escoteiro “Babaca”, do Escoteiro “Cata-lixo” e diversificar para uma presença ativa na comunidade.

                   Não é só isto, o Doutor Jean Cassaigneau colocou centenas de sugestões. Mostra como “vender nosso peixe” e acabar com a centralização. Menos burocracia, menos política, menos instabilidade. A UEB é um trem com vagões pesados! – Continua ele, a UEB não faz rodar a roda que inventou o Baden Powell. A UEB é como uma ostra – apenas abre-se e fecha-se imediatamente. A UEB cuida da política e não da administração. A Estrutura da UEB é feudal e fechada! – Cada membro da UEB está fazendo do seu jeito. É preciso ser um colegiado e não levar em conta a promoção pessoal. A UEB É UMA FOGUEIRA DE VAIDADES ONDE SE BRIGA POR BESTEIRA! – Palavras dele não minha. Tudo que escreveu é um fato. Vejam estas – O escotismo antes era desafio e conquista, agora é brincadeira. Qualquer grande organização que se preze antes de “vender” um produto novo, realiza uma pesquisa de opinião para saber se o produto irá “vender” bem, ou a melhor forma de fazê-lo. Perguntar não ofende, não faz mal, pelo contrário, valoriza a pessoa e torna a política mais sábia. O programa novo é calmo demais (?).

                   A UEB simplesmente aproveitou uma sugestão dele do uniforme e o citou como pessoa capaz e importante no escotismo mundial. E as demais sugestões? Nada? Afinal ele tinha uma enorme experiência como antigo Secretario Geral Adjunto da Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME). O relatório é excelente, peca em alguns itens, mas no todo atinge perfeitamente o objetivo e olhem, foi a UEB quem pediu o estudo e depois o encostou na prateleira do tempo. Fico sempre no que disse Baden Powell, o que importa são os resultados e infelizmente eles não são bons. Agora os dirigentes estão felizes. Muitos irão bater palmas. Deveriam bater palmas para os setenta e sete mil clientes cativos para o novo uniforme. Quem não gostaria de ter uma turma assim? Prestem atenção, dentro de dois anos ou por aí irão acabar com todos que existem hoje. Escotismo para ricos. Como diz um amigo meu, gostaria de ser a confecção que vai receber os pedidos.

                   Bem encerro por aqui. Se necessário volto ao tema. Ainda bem que escrevo historias contos, lendas e eu fujo em minha mente para estes que fazem um escotismo de verdade. Assim como eles que habitam a minha mente, eu sei que muitos jovens que lutam em suas patrulhas pensam como eu. Os mais novos serão facilmente enganados. Eles gostam de coisas novas. Ainda não mediram os gastos. Vamos aguardar quem viver vera!    

“Tem gente que é um gansinho no modo que vai atrás, Dos outros que vão à frente - nem sabe para onde vai... Nas pisadas do pai ganso, vai pisando o filho atrás! Ele nunca fará nada que não tenha feito o pai”.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Soy loco por ti, América! O chefe e o dirigente;

Eu sei que vossa excelência preferia uma delicada mentira; mas eu não conheço nada mais delicado que a verdade.

Soy loco por ti, América!
O chefe e o dirigente;

                           Escotismo para quem vive e participa é um vicio que “gruda” na alma,
no espírito e no coração. Dificilmente o deixamos. A gente entra e cada dia mais e mais vai sendo amarrado como se fosse uma prisão sem chance de sair dali facilmente. Talvez eu tenha feito uma comparação idiota e poderia copiar outras tantas de pensadores, poetas ou mesmo artistas de frases bombásticas. Mas não estou inspirado para tanto. Vejam bem, nosso movimento tem tudo para ser o maior movimento de jovens de todos os tempos. E por que não o somos? Onde está o erro? Porque as autoridades educacionais e politicas não acreditam em nós? Ainda nos olham como um movimento ultrapassado onde a meninada “vende biscoito” brinca de faz de conta e servem para limpar praças e plantar árvores? Sei que tem aqui e ali comunidades que acreditam e apoiam que poderíamos mudar este estado de coisa. Mas são poucos, muito poucos.

                           Converso aqui, ouço ali, vejo lá e pouca coisa mudou. Sempre os novos dirigentes exaltando suas novas ideias, suas qualidades, seus novos programas e o escotismo vai caminhando, caminhando e até hoje sinceramente não senti nada de válido em tudo isto. Como digo sempre, nada de novo no Front. De vez em quando se coloca um lenço no pescoço de um presidente, exalta-se um senador, um prefeito, um deputado e fico pensando, é isto que queremos? Aquele presidente, aquele senador, aquele prefeito ou o deputado foram do movimento e sabem suas qualidades na formação da juventude? Eles são os exemplos de caráter e ética? Fico mais naquela frase meio jocosa – “Me engana que eu gosto”. Mas tem os defensores. Milhares deles.  

                           Não é exemplo geral, nada disto. Mas quando vejo escotistas bem formados lutando para ser um formador, um novo Assistente regional, lutando para ter seu lugarzinho na Assembleia Nacional olho para o chão e penso: - Vale a pena? – Vejo em muitos estados dezenas de formadores. Outro dia disseram-me que poucos estão na ativa. Outro reclama que nunca é convidado. A maioria passa anos e anos sem atuar. Só para os amigos do Rei? Se for não mudou nada do passado. Mas o sonho de ver adultos em sua frente respondendo aos seus sinais manuais, em olhar nos seus olhos quando se faz uma palestra, pensar se atingiu o objetivo nem sempre é o caminho para o sucesso.

                        Eu me pergunto se não vale a pena ser um simples Chefe. Poxa, ele não é exaltado, venerado, tantas e tantas crendices que às vezes penso que estamos diante de um santo? Mas qual o valor dele para os dirigentes? São simples seguidores? Vaquinhas de presépio? Faça o que eu mando e não o que eu faço? – Fui um deles há anos e anos. Em sete anos na frente de uma região me encheram de condecorações e elogios. E quem não gosta? Depois voltei a ser um simples Chefe. Nunca mais recebi nada. A não ser pais que me olhavam e diziam – Obrigado Chefe. Mas porque fui esquecido? Por quê? Antes eu era mais importante que o Chefe? Porque noventa e oito por cento dos nossos adultos no escotismo, não são agraciados com nada? Tem método? Tem orientações e normas para isto? Só para o Chefe? E para o dirigente não tem? É... Melhor lutar para ser um dirigente.  Sei que tem aqueles que vão dizer que existem os caminhos certos. Certos? Diga-me meus amigos, quem vale mais o Chefe ou o Dirigente? Podes me dizer? Escolha um. Não vale dizer que ambos são importantes.

                        Olhe por este lado, o Chefe está com os jovens, luta com eles no dia a dia, motiva, ajuda, é um irmão mais "Velho", de vez em quando substitui o pai e a mãe, sente suas dores, seus sonhos e seus amores. E o dirigente? Ele faz falta? Não sei. Acho que nem tanto. Uma vez li um livro de Aldous Huxler (Admirável mundo novo) que ele sintetizava sobre uma organização, seja ela o que for:
“ Uma organização não é consciente nem viva”. Seu valor é instrumental e derivado. Não é boa em si; É boa apenas na medida em que promoveu o bem dos indivíduos que são partes do todo. Dar primazia às organizações sobre as pessoas é subordinar os fins aos meios.
Tudo estaria a salvo se toda a população fosse capaz de ler e se permitisse que toda espécie de opiniões fosse dirigida aos homens, pela palavra ou pela escrita, e se pelo voto, os homens pudessem eleger um legislativo que representasse às opiniões que tivessem adotado!

                       Poderia abrir um leque sobre tudo isto, mas vale a pena? Há anos que venho dizendo que precisamos olhar melhor nossos dirigentes, discordar se preciso, fazer boas escolhas de adultos até no próprio grupo escoteiro. Estamos como dizem por aí no limiar de uma nova era. Novos dirigentes (exceto os donos do poder na equipe de formação que são eternos e não duvide, são eles que estão mandando nos últimos quarenta anos) e me dizem que existem uma nova safra. Não sei se nova pois na maioria são indicados pelos que saem (não saem, ficam na liderança sem ninguém
observar) E quem foi eleito? “Situação” ou “oposição”? Nem precisa perguntar. E olhe que sempre são eleitos por uma boa maioria. Falar o que? Interessante que nem um mês se passou  e lá estão os novos Assistentes mostrando serviço. São atividades distritais, regionais e ali está ele, se dirigindo aos jovens, motivando-os para suas atividades. Chefes, oh! Chefes. Entrem na fila. Espere sua vez. Ele sabe que seu caminho o conduzirá a vida eterna (risos) ele é mais importante que você. Você não é nada. Não vai demorar e seus meninos nem vai precisar mais de você. Basta acompanhar o que se passa nos sites que falam sobre escotismo.

                        Mas de quem é a culpa de tudo isto? Dos chefes é claro. Eles aceitam sem discutir e os que discordam preferem ficar na sua. Alguns acham que a disciplina os obriga a isto. Dizem por aí que tudo aquilo que o comunismo fazia para saber a vida de todo cidadão existe um pouco no escotismo. Sempre tem alguém para informar, monitorar e por aí vai. Sou duro? Estou vendo fantasmas? Risos. Quem sabe estou ficando “gagá” “senil” e posso até estar errado? Mas claro, estou errado. Não existem sonhos de chefes em ser formador, em liderar outros adultos, pois já lideraram tantos os jovens que agora vão partir para novos caminhos. Não existem sonhos de chefes de ser um líder distrital, regional e nem tampouco existe o sonho de ser um dirigente e de pertencerem à elite, a casta, a verdadeira força do escotismo nacional. Se conseguires o quarto “taco” meu amigo, será elevado a rei e chefes são chefes, nada mais que isto.

                       E se prepararem todos. Vem aí brevemente uma “enxurrada” de novas atividades distritais, regionais e nacionais. Claro para os ricos, pois os pobres dificilmente poderão participar. Não foi sempre assim? Se sua tropa é pobre se contente com seu acampamento, apesar de ele sim mostrar toda a força do escotismo. Mas continuando sobre estas atividades dos nossos dirigentes, é assim que se dá uma força no caixa. E seja tudo o que Deus quiser.  Agora é motivar a moçada nos Facebook da vida. Quem vai? Os mais humildes chefes dificilmente terão seu valor reconhecido. Nunca irão poder dizer no voto ou no pensamento o que sentem, se estão de acordo ou não com as mudanças. Esqueçam-se do reconhecimento. Seja por um certificado de agradecimento pelo seu trabalho, seja por uma condecoração ou mesmo um elogio verbal. Isto não vai acontecer. Afinal você é Chefe, vá trabalhar com seus meninos e não se preocupem conosco. Não é isto que todos dizem? Ou será que não?

                        E cuidado jovens e chefes. Sempre tem alguém monitorando vocês. Cuidado com o que  escrevem e falam. Cuidado com suas posições radicais. A vida escoteira é maravilhosa. Pena que ainda não soubemos ser à força da mudança que se espera. Entra ano e sai ano sempre tem alguém para defender o que está aí. Seus argumentos são sólidos. – Chefe Osvaldo agora tudo está mudando. Aguarde e verás! Risos. Falaram-me isto nos últimos quarenta anos. Vamos bater palmas para todos que lá estão na liderança. Vamos ver se pelo menos dez por cento das promessas que fizeram serão realizadas. São Tomé que me ajude. Não sei se verei o sol Escoteiro brilhando para os meus quinhentos mil escoteiros no Brasil! É mentira Terta? Verdaaade! (Chico Anísio).      
                       
O grande inimigo da verdade não é muito frequentemente a mentira (deliberada, controvertida e desonesta), mas o mito - persistente, persuasivo, e não realista.


sábado, 6 de abril de 2013

Leis, regras, normas, artigos, parágrafos e outros “escambal”!


Apenas para divertir, não me levem a sério!
Leis, regras, normas, artigos, parágrafos e outros “escambal”!

"Tenho seis regras que me ensinaram tudo o que sei: O quê, Por que, Quando, Como, Onde, e Quem?" (Rudyard Kipling).
"Qualquer idiota pode fazer uma regra e qualquer idiota a seguirá." 
 (Henry Thoreau).


               O mundo é feito de regras, normas, artigos, leis, decretos, parágrafos que até
me assusto com tudo isso. Nada podemos fazer sem pensar que podemos infligir alguma delas. Claro. São necessárias. Assim dizem. E no escotismo então? Uma parafernália. Cada dia que passa mais normas, mais regras, mas artigos dizendo o que podemos e não podemos fazer. No final da década de cinquenta, uns sábios fizeram um tal de POR. Princípios, Organizações e Regras da União dos Escoteiros do Brasil. Lindo! Um grande livro. Muitas páginas, completo. Diz tudo que você pode ou não fazer. Acho que pouca gente leu tudo! Risos.


               Tem hora que me sinto cerceado. Se hoje estivesse à frente de uma sessão escoteira não sei se me desincumbiria bem das minhas responsabilidades. Hoje tudo mudou. Nada se faz sem pensar nas leis, regras, artigos, parágrafos ou o escambal. Certo? Claro que sim. Têm tantos por aí exigindo direitos que pode aparecer no escotismo alguém a exigir os seus. “Quero meus honorários”! Quero meus direitos! Quero minha Insígnia! Quero meu Tapir de Prata! Quero, quero... Saudades dos velhos tempos. Oi Romildo! E aí? Vamos acampar sábado? Era assim. Colocava minha mochila, ração A ou B, uma meia lona da barraca e lá ia eu cantando o Rataplã! (falando nisso você sabe cantar ele completo?)

               Agora? Se você quer ser voluntário no escotismo, vai ter de enfrentar mil normas, mil regras, mil leis. Um escambal. Antes não. Os chefes vinham dos pioneiros, que vinham dos seniores, que vinham dos escoteiros, que vinham dos lobinhos... Um escambal mesmo. Difícil isso hoje. Prefiro nem comentar. Mas se queres mesmo, preencha a ficha, leia as normas, as leis e observe bem, não tem letrinhas miúdas (ou tem?) e depois vais receber um “Tutor ou assessor pessoal” Será o responsável pelo seu desenvolvimento. Ele dirá sim ou não se você serve ou não para ser um Escotista e claro lhe mostrar o caminho a seguir. Oi, esqueci, tem de aprender informática, pois se não souber “mexer” no tal SIGUE e se não tiver a senha “babau!”.

                Risos. De muitos tutores e assessores que vejo atuando a maioria é Diretor Técnico. Afinal não temos tanta gente por aí “dando sopa” para tomar conta de “marmanjos” escoteiros e afinal não é qualquer um que tem um assessor pessoal. Eu gostaria de ter um. Já pensou? Dizem por aí que quem entra um belo dia amarra a ponta do lenço, pode ser com uma camiseta do grupo, ou pode ser sem camisa, tanto faz e já está promessado. Risos. Brincadeira. Sei que não é assim em muitos grupos. Mas tem tantos amarrando o lenço, sem uniforme, um belo chapéu australiano, um lindo tênis branco, uma bermuda amarela... Escoteiros! Avante!

                Acampar? Deus me livre. Não tem o pedido de autorização para o Comissário do distrito? E se for sair do seu Estado de origem, já pediu autorização dos estados onde vai passar? Isto deve ser feito em quatro vias. Uma para o grupo, uma para o distrito uma para a região e uma para a direção nacional. Se possível com firma reconhecida! Risos. E depois? Uma autorização por escrito dos pais. Também com firma reconhecida. E tome cuidado. Se houver um gritinho mais alto do chefe, os pais podem processá-lo. Se um pai for advogado é melhor não acampar mesmo. Fique em casa no Facebook que vai ganhar muito mais. Risos.

              Depois, depois, é fazer centenas de processos. Para Liz de Ouro, para Escoteiro da Pátria, para Insígnia de BP, para Condecorações, Para os cordões de eficiência, para, para, para... Risos. Melhor contratar um contador para isso. Nunca vi tantos processos e ainda dizem que o escoteiro tem uma só palavra. Mas enfim, isso é a modernidade. Cada dia recebendo novas normas. – “A partir desta data, fica determinado que a determinação anterior não deva determinar mais nada!” Risos.

              Prefiro ficar em casa. Já não posso mais andar direito mesmo. Falar então? E olhem, meus olhos se confundem quando leio tantas normas, leis, decretos, regras, artigos, parágrafos... Isso é um escambal. No bom sentido.  Mas enfim, sempre me lembram de que o mundo é outro. Deve ser. Estou aqui no computador, no Facebook. Não existia antes. Mas não será que antes eu era mais feliz e não sabia?

Nota – apenas um artigo, sem o intuito de ofender a quem quer que seja. Entendo perfeitamente a necessidade das normas, leis, decretos, regras, artigos, parágrafos etc. Sem tudo isso seria uma “barafunda” sem tamanho. O teor deste artigo é apenas uma diversão cujos pensamentos meus vão e se vai do presente ao passado. Nada mais que um pobre "Velho" Escoteiro sem nada o que fazer e sentindo mudanças que não são suas. E viva o Facebook! Um escambal, isso sim! Risos.

O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade".

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ser ou não ser, eis a questão!


Viver é enfrentar um problema atrás do outro. O modo como você o encara é que faz a diferença.

Benjamin Franklin


Ser ou não ser, eis a questão!

                 Não queria parodiar Shakespeare. “Ser ou não ser, eis a questão: será mais
nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas com que a fortuna, enfurecida, nos alveja. Ou insurgir-nos contra um mar de provocações E em luta pôr-lhes fim? Morrer. dormir: não mais”. – O que tem a ver tudo isto com o que escrevo? Quem sabe nada a ver com minhas implicâncias atuais. Dizem que velhos são assim mesmo. Chatos, um pé no saco, implicantes. Mas ponham-se no meu lugar, vim de uma época de orgulho em tudo que fazíamos no escotismo. Onde o respeito à cidadania, as nossas tradições, a Lei Escoteira sempre se pautaram pela ética e o respeito. Claro, ética que acreditávamos, pois hoje a ética é vista de outra forma. Criam-se tantas coisas a bel prazer de um e de outro. Em nome de uma liberdade que não poderia existir criam-se uma norma um P.O.R que para mim não passam de ilusões de megalomania. Entendam isto não podia ser decisões de poucos. Todos os adultos deveriam estar envolvidos. Impossível? Impossível para quem não quer ouvir opiniões.

                A maioria dos estados já tem seus novos eleitos. Sempre a situação. Eram os melhores? Pode ser. Pode não ser. Comentários pipocam de norte a sul.  Muitos acreditando em mudança. Sei não. Eu sou igual São Tomé, tenho de ver para crer. Vou falar francamente. Não gosto de meias verdades. Estão prometendo muito. Talvez por que estão sendo cobrados por muitos. Mas sinceridade? Eu não faria assim. Não faria porque vejo o escotismo de uma maneira simples sem complicar. Se tivesse que decidir seria de outra maneira. Nada de burocracia. O Grupo Escoteiro se tornou uma empresa. Bom isto? Também não sei. São cursos para tudo. Aquela leveza, simplicidade do passado acabou. Precisamos de uma parafernália para sermos felizes pra sempre. Mentira? Veja abaixo:
Certidão de Busca para inscrição no município; Pagamento das taxas  pertinentes no próprio cartório. Estatuto Social em 03 vias; Proceder o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica na Secretaria da Receita Federal e alvará de licença - corpo de bombeiros. Tem mais? Putz grila!

                 Acho interessante. Na maioria dos países com associações escoteiras, não se vê chefes inventando nada. Os uniformes são iguais de norte a sul salvo locais mais frios que usam calças compridas e magas também compridas. Aqui? Virou bagunça. Desculpe meus amigos mais chegados por falar assim. Um dirigente diz – Usem calça azul curta meia branca curtinha. Bah! E lá estão membros da direção e da equipe de formação usando. Não digo que estão errados nada disto. Foi implantado por dirigentes que adoram inventar. E os chapéus? ”É de tirar o chapéu”! Até nas cantinas dos “come quietos” agora são vendidos. Eles pululam nestas atividades de fazer caixa (camporees, ajuris, aventuras e etc) Olhe, não fique bravo comigo. Já disse. Sou um chato de galocha. Mas sabem me dá nos nervos ver dirigentes nacionais ou regionais de camiseta amarela, branca, azul seja lá o que for com o lenço. Claro, sei que aprovaram isto. Mas existe isto em pais sério? Pode até ser que tem alguns que imitaram jovens em jamborees e isto foi passando de mão em mão. Mas são minorias.

                Não sei se aprenderam alguma coisa do passado. Claro que sei que muitos são da nova geração. A geração que acha que pode tudo e que tudo é certo para eles. Acho que nunca ouviram falar de Garbo e Boa Ordem. Apresentação pessoal. Uniforme? O nome diz. Todos iguais. Ainda bem que temos gente que guardou no peito a lembrança do orgulho escoteiro. Souberam adaptar a modernidade sem esquecer o passado. Mantem viva a memoria Escoteira com orgulho. Ainda lembro-me do surgimento do outro uniforme. Calça cinza chumbo, camisa azul mescla. – Lembro que em atividades nacionais, ou no próprio Grupo Escoteiro o dirigente da atividade dizia – Chefes, o uniforme nesta atividade será o social ou o caqui. Hoje? Cada um se apresenta como quer. Uma parafernália de cores e tipos.

                Acho o escotismo tão simples, tão alegre, que as pessoas aborrecidas deveriam colocar o chapéu e sair por aí recitando “Hasta La Vista Baby”. (risos sei que me enquadro nisto). Quanto vale um sorriso? De graça para um Escoteiro. Um aperto de mão? Um orgulho de apertar a mão de alguém. E o Sempre Alerta? Questão de honra em ser o primeiro a dizer. Hoje? Não sei. Falo mais para os adultos e meu Deus como temos espalhados por aí tantos e tantos se pavoneando. Dizendo estarem no caminho para o sucesso. Quem sabe estão mesmo? E olhem, dou boas risadas numa charge que existia no passado – “E ainda dizem que somos um movimento organizado e uniformizado” – Época do Escoteiro Chefe Arthur Basbaum. Foi um orgulho para mim apertar sua mão. E seu uniforme? De cair o queixo.

               Mas os tempos são outros. As forjas da vida não temperam mais o aço que um dia forjaram escotistas dirigentes desta estirpe. Arthur Basbaum, Benjamim Sodré, Darcy Malta, Floriano de Paula escoteiros chefes que dava gosto olhar e aprender e cumprimentar. Sem desmerecer muitos que hoje primam pela sua honradez, caráter e ética e claro tem sua maneira de pensar, eu ainda me bato pela cidadania, do garbo e da apresentação. Não importa qual uniforme. Mas que seja um ou dois e que os chefes sirvam de exemplos para os jovens e outros chefes que virão. Esta barafunda de hoje joga por terra todo um trabalho realizado por aqueles que primavam pela apresentação.

               E viva os novos eleitos. Vamos dar um voto de confiança. Afinal isto nunca aconteceu. É uma luz no fim do túnel. Enquanto isto me deixem embarcar na Enterprise. Vou por aí onde ninguém esteve. Data estelar? Não sei. Espaço? Que seja a fronteira final. Estas são as viagens de um "Velho" Chefe Escoteiro chato de  galocha a bordo da nave estelar Enterprise. Em sua missão de três anos... Para explorar novos mundos... Novas regiões escoteiras, nova Direção Nacional, novos diretores regionais e pesquisar novas vidas... Novas civilizações escoteiras... Audaciosamente indo onde nenhum homem exceto Lord Baden Powell jamais esteve.

Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles.