HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Acampamentos - Um sonho escoteiro.




                   

 Aproveitamos nossos parcos conhecimentos para tentar colaborar com os novos escotistas que estão se iniciando na difícil tarefa de conduzir uma tropa Escoteira. Acredito que aqueles mais antigos esses dois artigos, Acampamentos e Sistema de Patrulhas pode ter muitos itens que conhecem. Aos novos, desejo uma feliz chefia de tropa. Lembrem-se, só os resultados dirão se vocês acertaram ou não.

Meu abraço fraternal e meu Sempre Alerta





Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.

Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um  sonho escoteiro.

Parte I

                   Falamos muito em acampamentos. Claro escotismo sem ele está fora da realidade. Quando os jovens ficam sabendo que no programa anual vão ter vários acampamentos eles vibram. Eles adoram. Entraram no escotismo por causa deles. Mas se o último acampamento que foram decepcionou e não conseguiu despertar neles o sonho aventureiro, aí meu amigo é preciso consertar e já. Ou então é melhor não ir mais. Não adianta o melhor Fogo de Conselho do Mundo. Pode dar a eles o que quiserem, mas lembre-se você não pode falhar. Você Escotista é responsável para que os sonhos deles se tornem realidade. Quando você deu a eles as delicias de uma vida mateira, quando deixou que eles fizessem a fazer fazendo sem sua ajuda, quando o tempo foi bem distribuído e ele pode vivenciar o que disseram para ele antes de ir, então, e então o sucesso é garantido e absoluto.  

                    Costumo dizer que existem acampamentos e acampamentos. Vejamos o que o Google diz sobre ele – “Acampamento (do inglês, camping) é um local onde se estabelecem barracas ou tendas, geralmente com a proximidade à natureza onde toda a infraestrutura é levada pelos campistas, tal prática é conhecida por campismo”. - Mas será isto mesmo? É isto que os escoteiros fazem? Não, não é. Isto aí é Camping. Escoteiros acampam e não fazem camping. Eu costumo dizer que a preparação e a organização é a “alma do negocio”. Se a preparação foi perfeita e a organização idem então o sucesso será garantido. Não pretendo ensinar aos chefes escoteiros que leem este artigo. Sei que a maioria sabe melhor que eu como fazer. Seria presunção dizer que mudem e façam o que eu digo. Nada disto. Aqui simplesmente dou sugestões para os mais novos. Eles sim precisam de colaboração.

                     Vamos dentro do possível especificar alguns detalhes importantes. Antes de qualquer coisa estamos aqui falando em acampamentos escoteiros dentro dos padrões de Giwell. Todos sabem que Giwell é o centro de adestramento escoteiro no mundo. Quando dizemos a moda Gilwell é que ali se pratica conforme Baden Pawell especificou e fez no seu primeiro acampamento em Browsea. No mundo inteiro os acampamentos são realizados com os padrões de Giwell Park. A liberdade da Patrulha é absoluta. Cada uma  tem seu campo de Patrulha pelo menos a quarenta metros de distancia uma da outra. É como se fosse uma casa, um lar da Patrulha. Estranhos só entram se convidados ou se ao pedir permissão são autorizados. A Patrulha tem seu próprio material de campo, sua intendência e dentro do possível farão as pioneiras necessárias para que a comodidade, a higiene e o conforto possa dar o conforto que se espera em uma Patrulha.

                       Importante é a escolha do local. Hoje nem sempre encontramos nas cidades maiores bons locais. Tenho visto em algumas cidades locais que alugam. Quem diria. Mas não é difícil conseguir bons locais e de graça. Coloque um uniforme, chame um ou dois chefes e tentem aos domingos passear em estradas secundárias. Conversem com os nativos sobre o que estão procurando. Encontrando procurem o proprietário. Digam o que é o escotismo. Peçam autorização. Lembrem-se que não vão acampar ali somente uma vez. Assim o proprietário deve sempre ser convidado para uma bandeira e quem sabe entregar a ele um lenço do grupo em solenidade especial. Eu disse entregar e não promessar. Conheço chefes que em São Paulo tem sempre a mão quatro ou cinco bons locais. Um telefonema a cada dois meses para manter a amizade, um parabéns de aniversário, um convite para uma pizza e você vai ter a amizade do proprietário para sempre.

                        Se quiseres criar o espírito de aventura nos escoteiros o local não deve nunca ser perto de residências, postes de luz nada que mostre ou lembre-se da civilização. Até os veículos que irão transportar devem  ficar distantes das patrulhas. Entretanto, costumo sempre dizer que - Quem vai ao mar avia-se em terra; Você vai acampar. Nada pode faltar. Chefes Pata Tenras são aqueles que ficam saindo do campo toda hora para buscar o que esqueceram ou o que faltaram. Um dos princípios básicos de um bom acampamento é que a Patrulha tenha todo o seu material necessário. Barracas, vasilhame, material de sapa tudo muito bem acondicionado em um saco, que a própria Patrulha pode fazer. Estes sacos tem em suas laterais alças para que com dois bastões quatro ou dois escoteiros possam transportá-los a longa distancia (se for o caso).

                       Eu sempre digo que se a tropa não foi preparada com antecedência para o acampamento tem tudo para dar errado. Claro, a não ser patrulhas que acampam juntas há anos e tem grande experiência de campo. Nenhuma Patrulha terá êxito se não tiver um bom almoxarife, um bom intendente, um bom aguadeiro, um bom socorrista, um bom cozinheiro e claro um bom Monitor. Monitor que faz tudo não tem Patrulha. Tem ele. Vai sempre reclamar de todo mundo. Se não confia nos seus patrulheiros é porque não os adestrou bem e então a falha é sua. Duas boas excursões em dois domingos com programa simples de aprender a armar barracas (olhos vendados), uso e como transportar a machadinha, o facão, aprender a usar o sisal, aprender  pelo menos cinco nós básicos, uma amarra, uma costura de arremate e saber montar pioneiras simples trarão o sucesso esperado. Claro, primeiro só com Monitores e subs. Depois com a tropa liderada pelo Monitor. Aí sim todos estarão preparados para um excelente acampamento.

                     O Almoxarife deve conhecer seu material, ter uma relação e ninguém seja na sede ou no campo apanha algum sem falar com ele. Não esqueçam, ninguém anda sozinho no campo. Sempre em dupla, com o Monitor ciente aonde vão e em distancias curtas. Duas semanas antes do campo o material deve ser revisado e se o Almoxarife for bom às barracas já foram uma vez por mês colocadas ao sol para não mofar. Claro que as  ferramentas de corte foram afiadas e bem oleadas para não enferrujarem. É importante que o tempo no campo para desenvolver o programa não deva ser corrido. Só de estar lá, na sua Patrulha, lutando lado a lado, construindo, rindo, calos nas mãos, sol quente e dando bravo quando a refeição está pronta já valeu o acampamento. Jogos, atividades técnicas como comando Crow, Falsa Baiana entre outros devem ser feitas pelas patrulhas e nunca pelo Chefe.

                     E o Chefe? Claro, sem ele não haveria o acampamento. Foi ele quem adestrou os Monitores, ouviu suas ideias, fez um cardápio simples (nada de nutricionista) são escoteiros e cozinheiros com simplicidade. Em noventa e nove por cento das residências dos escoteiros não existem nutricionistas para elaborarem os cardápios do dia. Se no campo é a extensão de suas casas que seja tudo muito simples, mas que seja uma alimentação forte. O Chefe juntamente com dois ou três pais são responsáveis pela lista de supermercado. É comum no campo da chefia (ela tem campo separado) ter uma barraca de intendência e se o acampamento for longo, um dos chefes será o intendente geral. Ele separa o cardápio do dia por Patrulha, chama os intendentes na hora determinada para dar inicio as refeições. Cuidados não só na Patrulha como na intendência geral com chuvas, animais peçonhentos, insetos, bichos que costumam invadir.

                       É um tema longo. Não dá para em um só post falar dele no total. Vejam abaixo  parte II. Precisamos de bons acampamentos para que nossos jovens mais e mais pratiquem um escotismo sadio e dentro dos princípios e métodos que Baden Powell nos deixou. Se o Chefe Escoteiro tem noção de como se faz e como se age no acampamento é claro que ele estará no caminho para o sucesso. Uma Patrulha é autônoma. Ela não é dependente. É uma equipe. Cada um deve agir como diziam os três mosqueteiros, “Um por todos, todos por um”. O Chefe deve dar liberdade. Lembrar-se que o campo de Patrulha é a casa deles e ele como bom orientador só vai lá quando chamado ou claro em casos especiais.

                    Quem já viveu a experiência em um acampamento do porte dos que são feitos em Giwell já tem meio caminho andado. Estamos aqui para formar cidadãos. Compenetrados no desenvolvimento da ética e do caráter. E dar a eles todas as condições para aprender a fazer fazendo. Só assim estaremos cumprindo nosso dever de escotistas. Se conseguirmos manter uma tropa por alguns anos sem evasão ou reclamações estaremos é claro no caminho certo para o sucesso. Eles estão aprendendo a agir sem os pais. Estão dando o primeiro passo para um dia, quando crescerem saber qual o caminho que irão tomar. A eles serão lembrados do livre arbítrio, mas se eles conseguirem fazer as escolhas certas então podemos nos considerar vencedores.



Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um  sonho escoteiro.

Parte II

                     Já comentamos que um acampamento requer uma preparação e uma organização perfeita. Considero e repito que isto é a “alma do negocio”. Se ele for feito como o jovem esperava vai trazer sem dúvida nenhuma sua permanência por mais tempo no escotismo. Vocês já devem ter visto um desenho onde se diz que – “ele esperava isto, e encontrou aquilo”. Ele sonhava com atividades mateiras, escadas de cordas, barracas em cima de árvores, construir pontes, transmitir por bandeirolas, aprender sinais de fumaça, nós, pistas de animais e tantas outras técnicas mateiras. Mas encontrou ao contrário, um Chefe falando, falando e falando. Ou quem sabe um Chefe apitando, um Monitor mandão, uma Patrulha desanimada, o Chefe fazendo uma atividade com um por um e ele cochilando na Patrulha esperando a sua vez. Ele vai voltar? Não vai. Era isto que esperava? Não era.

                   Lembramos que por melhor programa que se faça sem um bom Monitor nada vai dar certo. Só com um bom Monitor pode-se atingir a perfeição do Sistema de Patrulhas e sem isto o acampamento será um amontoado de corre, corre sem saber aonde se vai sem rumos definidos. Acredito que todos que me leem conhecem bem o Sistema de Patrulhas ou já leram sobre isto. Admiro muito o que o Chefe Escoteiro E. E. Reynolds escreveu. Ele foi perfeito em seu livro  Aplicando o Sistema de Patrulhas (se você não leu e gostaria de ler, eu tenho em PDF, é só pedir por e-mail). No livro ele descreve pormenores interessantes sobre o tema. Pensando que você já tem Monitores bem preparados, patrulhas adestradas antes do acampamento, um bom material para as patrulhas e para você mesmo, um bom local já escolhido previamente e devidamente autorizado, não haverá duvidas, o acampamento será perfeito.

                  Não é fácil montar um acampamento. Na parte I comentamos sobre muitos temas. Eu sinceramente não gosto de acampamentos só para ricos ou que o grupo assuma com todas as despesas. Nem mesmo para uma meia dúzia. Nada deve ser dado de graça. Tem que haver uma taxa, a menor possível. O jovem ou a Jovem devem aprender desde cedo que a vida não é um mar de rosas e nem tampouco que sempre haverá alguém para auxiliá-lo. Assim é importante que ele consiga por meios honestos pagar parte de suas despesas no escotismo. Para que as despesas do acampamento não sejam altas existem inúmeras possibilidades:
a)     Uma taxa de todos para cobrir as despesas, tais como – transporte, alimentação e outros. Esta é a maneira usual. É caro isto. Depende do Grupo Escoteiro e se os membros têm condições de pagar. Vejamos como diminuir um pouco esta taxa.
b)     Uma comissão de três ou quatro escoteiros acompanhados de um Chefe ou pai para tentar junto à prefeitura, órgãos militares, empresas de ônibus e visando conseguir transporte gratuito. Sei que se estiverem bem uniformizados e treinados no que falar o sucesso é garantido.
c)     Uma reunião de pais dos jovens da tropa (acredito que o seu grupo “amarrou” os pais desde a entrada do seu filho ao grupo) para discutir o assunto. Se houver um trabalho em equipe com eles, podem surgir ideias de algum supermercado que possa colaborar ou mesmo dar um bom desconto. Assim a alimentação não ficará cara. Note-se que o cardápio foi simples. Como se diz na gíria, “o arroz com feijão feito em casa”.

                 Não esquecer que é preciso cumprir certas normas portando ler a parte de Acampamentos no POR é importante. Fugir delas e acontecer algum acidente podem complicar a vida do Chefe, do grupo e o nome do escotismo na comunidade. Alerto principalmente para o banho em lagoas, rios, mar e represas. Não esquecer principalmente a autorização por escrito dos pais. Tudo feito, tudo nos “conformes” estamos já no campo aonde iremos junto às patrulhas passar por bons momentos acampando. Na chegada é hora de escolher os campos de patrulhas. Importante que desde a saída da sede até o retorno a disciplina é cobrada a todo instante e sempre através dos Monitores. Aprenda a se dirigir a eles sempre. A escolha dos campos de Patrulha pode ser feita pelos Monitores ou mesmo com a Patrulha unida. Claro, não se esquecer de orientar quanto às probabilidades de tempestades, galhos caindo, terrenos encharcados ou mesmo enchentes/surpresas que é muito comum em córregos ou riachos.

                       Escolhido o campo de cada Patrulha é hora da montagem do campo. O tempo para isto vai depender muito do horário de chegada. Não esquecer, o Chefe também tem campo em separado e nele fará suas pioneiras tais como fogão suspenso (ele cozinha para sí e só em casos especiais ele aceita o convite das patrulhas). A escolha de seu campo se possível deve ter uma visão de todo os campos de patrulhas. As patrulhas já sabem que irão fazer um fogão suspenso com toldo, um lenheiro, uma mesa com bancos para todos e claro com toldo, armar as barracas levando em consideração o vento e o terreno, fossas e claro um pequeno WC afastado do campo pelo menos trinta metros. Claro que é possível não terminar no primeiro dia, mas teremos o segundo e o terceiro. Conheci patrulhas que faziam tudo isto em acampamentos de fins de semana. Torno a repetir, sem um bom cozinheiro, sem um bom almoxarife, sem um bom aguadeiro, intendente ou construtor de pioneiras e uma perfeita sincronização da equipe o acampamento pode deixar a desejar. Monitor? Sem comentários. A peça principal.

                       O programa do acampamento deve ser flexível. É preciso que as patrulhas se conheçam. Deixe-as trabalharem. Evite o máximo ir ao campo delas, pois se não ficarão sempre dependentes do Chefe. Problemas se houver o Monitor vem até ao campo da chefia e se necessário o Chefe chama o Escoteiro ou a Patrulha toda para uma Conversa ao Pé do fogo ali no campo da chefia. Eu costumava ter em frente a minha barraca um local para fogo, com pedras em volta e pequenos troncos já caídos para servirem de bancos. Era o local para fazer as reuniões de Corte de Honra, Conversa ao pé do fogo etc. Cuidado para não ser severo demais. Eles foram acampar pensando que seria bom e não tire isto deles. Lembrar-se que uma conversa individual é ouvir e saber aconselhar. Por favor, não faça ameaças. Ele não foi ali para ser ameaçado. Você é mais "Velho" que ele e sabendo entender tudo se resolve.  O Monitor pode estar junto ou não. Vai depender do assunto.

                         Eu costumo dizer que o acampamento é realizado sem horários apertados. Muitas vezes se necessário se altera para que eles possam aprender a fazer fazendo, tentar sempre até fazer o certo e para isto deixar que eles explorem as amizades, o campo o que fazer e como fazer. Nestes casos chamamos de atividades de Tempo Livre. Por partes poderíamos dizer que o tempo seria:
- Tempo livre – Horários para preparar refeições e limpeza ao terminar. Pelo menos três horas e meia.
- Horários para atividades pela manhã e a tarde – Jogos ou excursões a pequenas distancia com metas programadas. Jogos noturnos. Pelo menos sete horas e meia de sono – Alvorada bem cedo – se possível educação física (só quinze ou vinte minutos) – após pelo menos três horas para a refeição matinal  -- Preparar campo para inspeção, horário de bandeira, avisos etc. Todo o programa do dia seguinte é discutido na véspera em Corte de Honra.

                       Na última parte iremos detalhar como é feito a inspeção de Giwell, Conversas ao Pé do fogo, Corte de Honra, jornadas e o Fogo de Conselho. Iremos dar ideias para um fogo só da tropa. Este sim deve marcar sempre. Tudo irá dar certo e repito só dará certo se você se preparou antes. A máxima de “se vai para o mar, avie-te em terra” não deve ser esquecida. Lembre-se sempre, deixe que eles vivam a natureza, que “se virem” sozinhos em Patrulha. Você ir lá não ajuda e só atrapalha. Na minha humilde opinião aconselhe os pais para não visitarem o acampamento. Eles ali não são bem vindos. Um dia quem sabe será feito um acampamento com esta finalidade, mas isto esporadicamente. Já vi casos de jovens chorando querendo voltar para casa. O pior é que isto, um pequeno fato pode levar todo o sucesso que se esperava jogado por terra. Cuidado com celulares ou outros. O Escoteiro foi acampar para viver a vida de um aventureiro, um mateiro, a aprender a viver em equipe junto à natureza. Alguns trabalhando e outros conversando em seus aparelhos não são bons exemplos. Basta um ou dois com a chefia e mais nada.



Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um  sonho escoteiro.

Parte III

                    Um artigo longo. Afinal trata-se de o que mais importante encontramos no escotismo. Nada supera um bom acampamento. Ele é tão importante que até os acampamentos mal feitos ainda tem sua validade. Eu costumo dizer que para um bom acampamento, três coisas são essenciais. -  (1) Um bom local, afastado da civilização, boa aguada, farta disponibilidade de eucaliptos ou bambus para pioneira – 2) Três ou quatro bons jogos de aventura, não aqueles que ficamos brincando de scalp ou parecido nos acampamentos realizados – 3) Um grande Fogo de Conselho, sempre na última noite. Poderíamos também dizer que a liberdade da Patrulha é por demais importantes. Muitas vezes os chefes acham que sabem o que os jovens querem e com isto deixam de lado o mais importante no escotismo – Aprender a fazer fazendo, tentar sempre até fazer o certo e deixar que ele ou ela os jovens sejam responsáveis pelo seu desenvolvimento.

                    Não vamos entrar aqui no item dois. É um item extenso e deveríamos ter somente um artigo sobre ele. O item um já comentamos nos dois primeiros artigos Parte I e Parte II. Ficaremos aqui somente com dois temas, o Fogo de Conselho e a inspeção geral. Não sei se sabem, mas uma boa inspeção, onde os jovens sabem de sua importância também tem grande validade para um bom acampamento. Nós chamamos de Inspeção de Giwell. Desde os primórdios do escotismo que as inspeções fazem parte de seu método. É um importante colaborar na formação do caráter e no desenvolvimento do garbo e da disciplina. A Inspeção de Giwell são oriundas e formuladas em Giwell Park. Como todos sabem é nossa fonte de conhecimento. Podíamos aqui escrever muitos objetivos da inspeção, mas ficamos com alguns somente. Ajuda a trabalhar a higiene pessoal e do ambiente em que vive – Evidencia a elegância e a disciplina, requerida na preparação e durante a atividade diária – Trabalho em equipe, pois desenvolve a cooperação coletiva na patrulha, vivenciados pelos jovens integrantes. Cria hábitos introduzindo noções  e estabelecendo medidas.

                  As inspeções são partes importantes do acampamento. Elas já devem estar sendo realizadas em reuniões de sede e no campo são feitas pela manhã e de surpresa durante a parte da tarde. Na Corte de Honra da noite anterior tudo foi decidido e explicado. Qual a meta de cada Patrulha e o horário rigoroso. Não ficamos esperando as patrulhas se prepararem. Elas é que devem estar a nossa espera no horário determinado e lembramos que o respeito, a honestidade deve estar presente nos escotistas responsáveis. Quando temos poucos chefes presentes usa-se os Monitores que não a fazem em sua Patrulha. Os itens checados podem facilmente ser discutidos entre os membros da Corte de Honra. Uniforme, limpeza de campo, pioneirias, artimanhas e engenhocas, intendência e outros. Costumo dizer que as notas já são altas. Se for cem, a cada item que mereça melhorar tira-se um ou mais pontos. Ao terminar é hora do cerimonial de bandeira do dia. Não esquecer que toda noite na Corte de Honra é definida a Patrulha de Serviço. Responsável pela limpeza de todo o campo e do cerimonial.

                   É importante que a após o cerimonial cada Chefe comente sem fazer criticas demasiadas. Se existem um sistema de premiação por bandeirolas ou não o Escotista responsável dará a palavra final. Lembramos que todos estão ali esperando um elogio e não criticas que nada tem de valor. Só de estarem no campo, mesmo que um ou outro não se enquadrem já tem pontos a favor.  A Inspeção deve ser positiva e bem feita, sem sensibilidades, porém, com uma atitude delicada para não ofender ou ferir. Vamos passar agora para o Fogo de Conselho. Acredito que se o desenrolar do acampamento está sendo magnifico este será muito bom. Todas as noites na Corte de Honra devemos lembrar aos Monitores de sua importância. Não pretendo aqui ensinar a ninguém sobre Fogo de Conselho. Sei que todos que estão lendo tem vários no seu curriculum. Aqui vou somente sugerir um Fogo de Conselho de Tropa. Feito pela tropa e só para a tropa.

                    Se todas as noites nas Corte de Honra ele foi comentado, se foi dado à sugestão de cada Patrulha desde o primeiro dia criar algum novo, se eles discutiram entre si nos tempos livres que são dados para refeições e outros é possível surgir belas esquetes (Esquete (do inglês sketch) é um termo utilizado para se referir a pequenas peças ou cenas dramáticas, geralmente cômicas, geralmente com menos de dez minutos de duração e que estas sejam inéditas. Se possível com fatos acontecidos no desenrolar do acampamento. As canções porque não serem criadas também no campo? E melhor ainda um instrumento musical. Um violão tem um enorme valor. Sem esquecer que as palmas escoteiras também são criadas por eles. E finalmente, um Monitor responsável não como um Animador. Para falar a verdade em acampamentos de tropa não gosto muito de animadores de Fogo de Conselho. Todos costumam ficar a sua mercê e quase não criam a não ser o que fazem sempre em todos os fogos. Para uma boa participação basta a motivação dia a dia.

                   No penúltimo dia, os Monitores terão um tempo para escolher o local. Não deve ser escolhido antes. A surpresa é importante. O local não deve ser comentado. Se possível a mais de duzentos metros do acampamento. A ida e a volta em uma trilha cria um clima formidável. No local deve se possível ter árvores enormes, para que a noite deem o tom fantástico necessário. Lembrem-se – O espirito da Coruja mora neste acampamento! É muito importante bons bules de alumínio cujo café, chá ou chocolate serão levados prontos e colocados nas brasas do fogo. Biscoitos também serão bem vindos, mas o melhor são Batatas Doces. Cada um usa e abusa quando quiser. Um Monitor da Patrulha de serviço ou não será responsável pela Fogueira. Ele irá bem antes ao local (pode levar um Escoteiro com ele) que irá providenciar a fogueira, o lenheiro, e quem sabe pequenos bancos para todos. Feito de maneira simples com galhos caídos. Ninguém mais irá ao local designado a não ser no dia do Fogo de Conselho.

                    Gosto muito da fogueira acendida com um só palito. Claro o responsável foi bem treinado. Tudo pronto. Todos esperando e lá vão eles para o local do Fogo de Conselho. Cada um senta onde quiser. Claro o Monitor pode pedir para ficarem juntos. Sempre achei importante criar místicas. Lembro que no passado as reuniões em torno do Fogo se revestiam de solenidades e quando se aproveitava a ocasião para levar a efeito cerimonias ou conselhos, onde eram discutidos os problemas da comunidade ou reverenciados os deuses. O Fogo de Conselho caracteriza a mística e ambientação do programa trabalhado. Lembrar sempre dos costumes, valores e tradições culturais dos muitos povos que habitaram nosso país no passado. É importante notar que para se compreender a mística e o valor do Fogo de Conselho temos que entender a importância do Fogo, como símbolo das energias da vida, na luta pela sobrevivência durante todo o processo de evolução do homem.

                 Dentre os quatro elementos da natureza, terra, ar, água e fogo, sempre foi o fogo que mais fascinou o homem. Temido e amado, salvando ou ameaçando a vida. Desde a conquista do fogo ponto de partida da civilização, compreendeu o homem o valor do fogo como fonte de energia embora dele fizesse uso, sempre respeitou a suas chamas. Os nativos da Ásia, os selvagens Africanos, os peles-vermelhas da América se reuniam a noite em torno do fogo, que com sua luz e calor espantavam as trevas, o frio e os animais. Era então o momento sublime em que todos se encontravam para conservar, cantar, contar histórias ou para planejar caçadas (jogos do dia seguinte) ou a guerra e a paz.

                   Agora é com você. Deixe que eles após você ter contado histórias e místicas do Fogo de Conselho, que eles desenvolvam e criem seus fogos de conselhos. Deles. Só deles. As canções, as esquetes, os jograis serão feitos sem horários definidos. Mas existem duas que são de sua responsabilidade. A primeira a abertura – A Evocação dos ventos costuma ter em cada tropa um significado. Aqui darei uma:
- Que os ventos do norte, frio e violento,
- Que os ventos do oeste, suave e agradável,
- Que os ventos leste, criador de tempestades,
- Que os ventos sul, quente e formador de nuvens,
Tragam nesta noite a alegria neste Fogo de Conselho, a vontade de vencer e nunca nos esquecer de que somos todos irmãos. - Amigo, eu e você... Você trouxe outro amigo, e agora somos três... Nós começamos o nosso grupo, nosso círculo de amigos... E como um circulo, não tem começo e nem fim! Um por todos? – todos por um!

                   E finalmente a Cadeia da Fraternidade. Sempre cantada e nunca esquecida. Dizer mais o que? À volta, comendo batatas, mastigando um biscoito e com sua caneca bebericando um café. E claro todos sorrindo, contando histórias, lembrando-se dos amigos, das brasas que adormeceram, do céu estrelado, de um cometa que passou... Mais uma noite mais um dia que belo muito belo foi seu acampamento!

O mundo é como um acampamento em que montamos a nossa tenda, apreciamos a natureza, e depois voltamos para a nossa casa, que é a eternidade! 

Fim