HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

domingo, 30 de outubro de 2016

Mudando de conversa onde foi que ficou...


Conversa ao pé do fogo.
Mudando de conversa onde foi que ficou...

♫ Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade...

            Não tem dia que vamos para uma reunião com a mente longe de tudo? A cabeça pesa. Afinal não somos humanos? Uma discussão no lar, um fato mal entendido, uma dificuldade que existia e brotou logo neste dia. E olhe, não adianta dizer que somos alegres e sorrimos nas dificuldades. Nesta hora não dá. Somos humanos! Deveríamos ser super-homens ou super-mulheres. Afinal não dizem maravilhas do Chefe Escoteiro? E sabe o pior? Alguém da família diz – “Você esqueceu-se da gente, só se preocupa com estes escoteiros”. Duro não? Mas a obrigação é maior que a razão. Você vai, chega lá, um Escoteiro ou um lobinho te cumprimenta, dá um sorriso. Puxa vida! E agora José?

Aquele papo furado todo fim de noite
Num bar do Leblon.


             Não sei se você já passou por isto. Saida para uma atividade. Ônibus estacionado. Horário estourando. Muitos atrasados. Tralha para colocar no ônibus, mil coisas a fazer. Uma mãe atrás de você – Chefe! Cuidado com meu filho! Chefe e as cobras? Chefe não esqueça os remédios dele! Leve este repelente para os pernilongos! Chefe me ligue qualquer coisa! – O ônibus parte. Mães chorosas dizendo adeus. Parece o fim do mundo. Mas eles não vão aprender a ser alguém? Mal você se acomoda no ônibus e alguém começa a chorar. Tão cedo? O que foi? Fulano me bateu! Você chega ao local da atividade. Tirar a tralha, preparar tudo, corre daqui corre dali, a Patrulha tal não se entende. Lá vai você orientar. Hora do almoço. Alguns reclamando fome. Um Monitor correndo para dizer que um Escoteiro estava com a mochila cheia de biscoitos e comendo! Outro dizendo que um patrulheiro só quer ficar no celular! Sua cabeça está a mil. O programa? Pluft! Foi para as “cucuias”. E agora José?

Meu Deus do céu, que tempo bom!
Tanto chopp gelado, confissões à beça.

                Dificuldades! Ah! Elas não são para nós escoteiros um bálsamo? Não dizem isto? Não está no oitavo artigo da lei? Não são elas quem nos faz sentir ser alguém? Ter coisas para contar, Lembrar... Chegar ao campo. Ufa! Esquecemos alguma coisa na sede? Alguém se lembrou? A meteorologia garantiu tempo bom. Céu pedrento? Chuva ou vento? Nuvens baixas cor de cobre? É temporal que se descobre? Um temporal. Uma ou mais barracas são levadas com o vento. Não armaram direito. A água invade o campo. Escolheram mal. Mas não dizem que se aprende a fazer fazendo? Agora não é hora de reclamar. E aí? Conseguiram cobrir o lenheiro? Putz! Lenha molhada. A chuva passou. Se tiver vento e depois água deixe andar que não faz mágoa. Mas olhe, cuidado, se tens água e depois vento, põe-te em guarda, e toma tento! E agora José?

Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar,
E acabava em samba...

              Segunda feira “braba”. Ir trabalhar. Corpo doido. Acampamento gostoso. Gostoso? Com chuva e vento? Vontade de ficar na cama. Ligar dizendo que não vou. Mas fazer o que? É melhor cantar. Não dizem que quem canta seus males espanta? Responsabilidade! Ah! Tenho que ter e dar exemplo. E a grana está curta. O dia não anda. Dizem que toda segunda feira é assim. Hoje vou tentar pensar pouco no escotismo. Você promete a si mesmo. Alguém pergunta – Como foi o acampamento? Você sorri azedo. Fala algumas palavras. O telefone toca – Chefe, meu filho está tossindo. Pegou chuva no acampamento? E ai você se pergunta – Quem precisa do escotismo, você ou ela? Mas você é e será sempre o responsável. Afinal não disseram que o Chefe é Doutor? Pluft! E agora José?  

Que é a melhor maneira de se conversar,
Mas tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma.

                       Escotismo. Ah! Escotismo. Outro dia me chamaram de não sei o que. Não liguei. Não ligo mais. Um amigo me disse o seguinte: Olha, faça seu jogo, com poucos e com certeza só terás alegria e não tristezas. Será? Poucos? Disseram-me que somos poucos. Tem hora que dou risadas. Ainda lembro-me do velho slogan que dizem por aí: - Venha nos ajudar, é só duas ou três horas por semana. Gozado isto. Duas ou três horas? E as reuniões com chefes no grupo? E a Corte de Honra? E os conselhos de tropa e de primos? E a reunião do distrito? E a reunião com os pais? E as horas passadas em atividades ao ar livre? E os telefonemas na semana? E os e-mails? Puxa vida! Duas ou três horas? E quanto estou ganhando com isto? Nem bônus hora recebo. Se não tomar cuidado meu emprego vai para o “beleleu”. Risos. E agora José?

Perdi a vontade de tomar meu chopp, de escrever meu samba,
Me perdi de mim, não achei nada.

                     Mas quer saber? Eu gosto do “danado” do escotismo. Adoro escoteirar! Me sinto bem. Gosto do meu uniforme. Dos meus amigos. A turminha me enturma. Gosto de falar dele. De estar com alguém dele. De saber das novidades. Do Choro dos pais. Da alegria dos meninos. De um ônibus lotado e todos cantando o Rataplã. De ver na volta todos dormindo. Ar de cansado, dever cumprido. Aquele sono reparador. Ver todos partirem com seus pais ao retornar a sede. Passar a chave na porta e dizer: - Minha amiga até a próxima reunião! Isto não é bom? Dever cumprido mesmo? Ah! Escotismo! Tem igual? Existe outro? E agora José?

O que vou fazer?
Mas eu queria tanto, precisava mesmo abraçar você.
De dizer às coisas que se acumularam,
Que estão se perdendo sem explicação,
E sem mais razão e sem mais porque,
Mudando de conversa onde foi que ficou
Aquela velha amizade¶...


 “Mudando de Conversa, é uma musica dos anos 60, de Mauricio Tapajós e Hermínio Belo de Carvalho. Magnificamente interpretada por Doris Monteiro”.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Firmino. Apenas um monitor de Patrulha.


Firmino.
Apenas um monitor de Patrulha.

              Quinta cheguei a casa lá pelas seis da tarde. Foi um dia normal. Entrei e vi que Noêmia não estava. Deve ter ido à casa da mãe dela. Já ia tomar um banho quando alguém bateu na porta. Pela batida eu sabia que era. Firmino, sem sombra de dúvida. Veio semana passada neste mesmo horário. Sabia que eu estava em casa. Abri a porta e lá estava ele. Sério, compenetrado – Olá Chefe! Posso entrar? – Claro Firmino. Ele foi para a sala e se se sentou na pontinha da poltrona. – O deixei iniciar a conversa. Nas entrelinhas eu já sabia. Sempre reclamando da patrulha. – Pois não Firmino! – Chefe, a patrulha não quer obedecer. Já tentei conversar, até gritar eu gritei e nada. Calou e abaixou a cabeça. Na semana passada disse que dois patrulheiros foram mal educados com ele.

               Eu tinha duas possibilidades. Dar mais tempo para ele se acertar ou sugerir um Conselho de Patrulha para fazerem nova escolha de um novo monitor.  – Firmino, eu já disse a você. Seu exemplo de cortesia e fraternidade vem em primeiro lugar. Você tem de ser compreensivo comunicativo sem exigir demais. Em vez de dizer faça, diga vamos fazer. Tem de ser leal, eles precisam aprender a ter confiança em você. Não seja ríspido, gritos não resolvem. Ponha-se no lugar deles, quando não era monitor gostava quando gritavam com você? – Ele me olhou com aquele olhar de Coruja que perdeu o filhote. Procure ouvir mais, lembre-se um líder só aprende a liderar se souber ser liderado. Seja humilde, mostre que seus amigos da patrulha são bons, dê valor a eles por pior que sejam. Já elogiou alguns deles?

             Eu já disse a você que nosso mestre Baden-Powell quando foi perguntado se não fosse Chefe mundial o que ele gostaria de ser no escotismo? Firmino me olhou enviesado. – Ele foi firme dizendo que se permitissem a ele escolher, escolheria ser Monitor de Patrulha. Ele julgava que o papel mais interessante dentro do escotismo era o de Monitor de Patrulha. Lembre-se o que ele disse uma vez: - O monitor não manda, o Monitor orienta. Ele não empurra a patrulha, ele providencia para que ela vá ao seu lado. Mas Chefe! Eu já tentei tudo e não adiantou. – Olhei para Firmino. Nunca foi um líder. Foi eleito pela patrulha e nunca soube por que o escolheram. – Firmino, lembra-se do acampamento do mês passado? Você sempre fazendo, não pedindo ajuda, só mandando para que eles furassem os buracos, buscassem lenha e poucas vezes deu liberdade a eles de fazer.

              Chega Firmino de ser o mauzão, ficar zangado quando as coisas vão mal. Pare de ser o Patrão, delegue tarefas. Você parece bucha de canhão e assume sozinho as responsabilidades dos outros! Ou você muda sua maneira, ou serei obrigado a ver com a patrulha se eles querem mudar de monitoria. Firmino abaixou a cabeça querendo chorar. – Eu sabia que a principal função do Chefe Escoteiro era de fazer seus monitores serem capazes de dirigir suas patrulhas. Os outros monitores iam bem, mas Firmino não. - Ora Firmino, você veio aqui para conversar ou para chorar? Será que isto resolve? Vai ficar chorando toda vez que não conseguir atingir seus objetivos programados? Levante a cabeça, tome jeito, leia mais a unidades didáticas que te dei sobre monitoria. Seja mais amigo, ouça, pergunte distribua responsabilidade.      

                      Eu sabia como Chefe de Tropa que a missão do monitor passa nada mais do que ser o Treinador, aquele que rega o que está árido, o Irmão Mais Velho, aquele que cura o que está ferido, o Modelador, aquele que dobra o que é duro e que aquece o que está frio, e finalmente o Exemplo, aquele que guia os passos dos desencaminhados. Nunca esqueci que para o Monitor obter bons resultados com o seu trabalho precisa ter: - sacrifício, dedicação, exemplo, franqueza, coragem, energia, pois a grande condição indispensável para se exercer uma ação de formação junto dos seus escoteiros é o seu exemplo como Monitor. Firmino levantou e me disse: Chefe não vou desistir! O Senhor pode confiar em mim!


                     Saiu sorrindo diferente de quando entrou. Se ele vai mudar não sei, mas eu nunca vou desistir de fazer dele um bom líder. Afinal isto não é minha obrigação?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Carta a Baden-Powell


Osasco, 24 de outubro de 2016.

Prezado amigo Baden-Powel.
Uma ótima tarde para você aí no céu.

Desculpe incomodar você novamente. Desculpe a informalidade na escrita. No ultimo sonho que tive com o senhor disse para mim: – Vado Escoteiro não me chame de senhor, nem Sir nem Lord. Pode ser general, mas sei que seus irmãos escoteiros do Brasil, não todos, não gostam de militarismo. Vá entender por que. Fico feliz, no entanto que a maioria gosta de um bom desfile, de uma formação nos triques e de uma boa apresentação. – Gosto de receber BP em meus sonhos. “Afinal é meu ‘guru”. “Assessor” não. Pensando bem nunca serei um bom “Assessor”. Sou liberal, gosto de discutir pontos de vista e não impor meus pensamentos só porque li a respeito. Eu não me sentiria bem em adotar um Chefe e fazer dele uma copia de mim. Chega de Robô. Ora Chefe, desculpe. Se falo assim é porque faz parte de Velhos Escoteiros falantes. O pior é que tanto falei que estou perdendo a voz e tossindo feito um danado!

Pois é chefe, deste a última carta que lhe enviei não há nada de novo no “Front” Escoteiro aqui no Brasil. Ainda são os mesmos na liderança da nova EB (dizem que é Escoteiros do Brasil outros dizem que é Eita Bagunça). Eles adoram permanecer nos cargos e fazem tudo para mudar as normas ao seu favor. Cobram taxas e abrem processos com os que não querem pagar principalmente os que não querem se filiar a eles. Adoram cobrar. Imagine que até as condecorações são cobradas? Pois é. Cada uma tem seu preço. Montaram uma estrutura em Curitiba é que faz inveja. Só falta ter “profissionais cobradores de impostos” para correr de grupo em grupo cobrando os atrasados. Com eles é assim, não tem almoço grátis. Ou paga ou vá escoteirar em outra freguesia. Pobre São Francisco que deu tudo que tinha aos que não tinham nada. Sabia que a tal vestimenta custa os olhos da cara? E tem muitos que trocam de seis em seis meses? E vá dizer que o caqui dura por anos e anos.

Baden-Powell desculpe, não queria entrar nesta seara novamente, mas você me conhece. Sabe que sempre fui um contestador. Não sou daqueles que vivem dizendo que “Se hay gobierno soy contra”. Tento não ser repetitivo e chato. Faz parte da minha índole. Enquanto a vestimenta tem um preço inacessível para muitos o Uniforme caqui custa três vezes menos. Mas quem se importa? Quem reclama que a vestimenta desbota, perde a cor com facilidade, rasga facilmente e é ótima isca para acender Fogo de Conselho? Mas vá dizer isto para eles. – Logo gritam: - Comissão de ética! “Bota este chefinho no seu devido lugar”. Não dá meu guru, não dá. Outro dia vi uma linda Alcatéia que se esbaldava em seus azulões agora estão com a nova vestimenta. E os pais, não chiaram em pagar? Sei não. Garanto que não são da turma do salário mínimo.

Baden-Powell é chato só ficar reclamando. Aqui o silêncio faz parte da chefaiada. Como entraram para ajudar os jovens não reclamam. Fico pensando se tivesse um salário para chefes a briga para admissão seria um grande jogo na escuridão. Pois é, o senhor não acha um absurdo pagar por uma medalha? Um Uebeano legítimo me disse que se ninguém pagasse quem iria fazer? Quem eu não sei, não é meu “probrema”. Fui Comissário por oito anos e nunca cobrei nada de ninguém. E olhe tudo ia registrado nos correios e pagos por nós. Perdi a conta quantas vezes peguei um “tomove” para fazer a entrega pessoalmente. Hoje não em nada de graça. Se vai sair do Brasil com a vestimenta (não aconselham mais o uniforme) tem taxa e é em dólar! Tem taxa prá tudo meu Chefe.

A tal EB (não confundir com UEB que eu pertenço deste o tempo de lobinho) que grita em ser moderna criou enormes sites e grandes programas para que a escoteirada acesse e dê informações ou peça informações e possa pagar com Cartão de Crédito. Nem o “Grande Irmão” do livro de George Orwell tinha uma parafernalha de uma estrutura assim. Eu nunca entrei no tal SIGUE. Falam maravilha. Nunca vou entrar não tenho registro e quem não tem não existe para a EB. Alguns bons amigos fizeram de tudo para me registrar: - Vado Escoteiro fazemos de graça para você. Não precisa ir ao grupo. Será uma honra para nós! Eu aceitar? Never! Nunca irei fazer um registro a troco de benesses da EB. Seria contra meus princípios escoteiros. Gosto de sugerir de ouvir boas ideias, de discutir e ver se alcançaremos os resultados Coisa que os Uebeanos detestam. Já me entregaram medalhas demais no passado. Em seis anos foram dez. Não preciso de mais. Quem sabe um milagrezinho acontece e a EB vai querer ouvir e pesquisar mais?

Um Velho Escoteiro me disse para tomar cuidado. Não tenho direitos de me chamar Escoteiro. Este nome está registrado no INPE em nome da associação e eu não tendo registro posso ser processado. “Ora viva” o Vadinho Lobinho promessado em abril de 1947, promessado em maio de 1950, com milhas rodas escoteirando com seu caqui do coração e a EB que nunca me deu nada (só a UEB as medalhas) vai me processar? Eu sou o que sou porque gosto, porque amo o escotismo, e o senhor sabe muito bem que o escotismo exige disciplina, mas não a possibilidade de discordar e dar opiniões baseadas em bons princípios escoteiros. E vem um “gozador” escoteiro me dizer: - Vado Escoteiro se quer reclamar vá a Assembleia! Beleza! Ele sabe das coisas. Tente levantar um tema qualquer que vá de encontro às diretrizes Escoteiras de hoje que foram impostas sem consulta à plebe. Nunca será ouvido. Eu sei que se tentar vai levar um chega prá lá para nunca mais tentar!  

“Opa” desculpe Chefe, fui muito longe nas minhas reclamações. Mas o senhor sabe que sou um Escoteiro das antigas, dizem chato de galocha e que acredito no escotismo de aventuras, de fazer fazendo, de sistema de patrulhas de lei e promessa e de deixar para ver os resultados sem imposições pessoais. Sabe que faço questão de dar exemplos não só como pessoa, mas na minha apresentação pessoal. Bem chega por hoje!

Até breve chefe! Não deixei de me visitar em meus sonhos. Fico feliz quando vem conversar comigo. Um abraço fraterno do amigo,

Chefe Osvaldo. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A lenda de São Jorge.


Conversa ao pé do fogo.
A lenda de São Jorge.

                         Baden-Powell sempre comparou os escoteiros de hoje aos bravos cavaleiros de outros tempos, pois os dois se comprometiam voluntariamente, seguindo um Código de Honra ou uma Lei, praticando o bem numa entrega total, e particularmente o serviço aos mais necessitados, protegendo sempre os fracos e oprimidos. São Jorge é o único santo cavaleiro, pelo que São Jorge sempre foi o santo padroeiro dos cavaleiros, sendo também o santo protetor de Inglaterra. No entanto existe uma lenda, que mostra os valores que definem um cavaleiro e um escoteiro, a generosidade e a valentia, que são sempre reconhecidos e louvados.

                          - Corria o ano de 303, quando a 23 de Abril nasceu S. Jorge na zona da Capadócia, onde se situa atualmente a Turquia. Ainda novo alistou-se como Cavaleiro, e graças à sua entrega e esforço se fez notar. Um dia, em Silene, uma antiga cidade da Líbia, soube que diariamente um dos seus habitantes, tirado à sorte, era oferecido a um horrendo dragão que o devorava furiosamente, e só assim era possível acalmar a besta.

                           Por razão do acaso, nesse mesmo dia da chegada do Santo Cavaleiro, Cleolinda, a lindíssima e formosa filha do Rei, fora a escolhida para ser sacrificada à besta. S. Jorge como cavaleiro, nunca poderia permitir que uma atrocidade destas tomasse lugar, e ficou extremamente indignado por ninguém tomar uma posição. Nesse mesmo momento São Jorge prometeu a si mesmo pôr termo à situação, mesmo que isso custasse a sua própria vida.

                          Rapidamente dirigiu-se a ao pântano onde habitava o dragão. S. Jorge embora intimidado com os urros do dragão, nunca vacilou, e empunhando a sua lança trespassou o dragão com um golpe fulminante! Assim terminava a triste sina da cidade de Silene, assim como a da sua bela princesa, que finalmente fora salva. O Rei ficou eufórico ao ver a sua amada filha poupada ao horrível sacrifício, e em forma de agradecimento quis oferecer a mão da princesa ao seu nobre salvador. Mas São Jorge prometera perante si e perante Deus, lutar o mal até que este fosse banido da face da terra, recusando assim o tentador convite.

                          Os Escoteiros em tudo se devem assemelhar a São Jorge: enfrentando as dificuldades e perigos corajosamente, com determinação, empenho e vontade, até vencer, levando a luta até ao fim.

São Jorge é o Patrono dos Escoteiros, e no Dia de São Jorge, ou seja, 23 de Abril festeja-se também o Dia Mundial do Escoteiro.

Nota. Alguns esclarecimentos sobre São Jorge que merecem ser conhecidos.

O dia de São Jorge é o dia de seu falecimento, 23 de Abril de 303, na Nicomédia. Seus restos mortais estão na Igreja de São Jorge, na Lídia, Israel. – De acordo com a lenda, São Jorge nasceu no ano 275, na Capadócia, hoje território da Turquia. Ingressou no exército romano e, aos 23 anos, se tornou tribuno militar na Nicomédia. Ao ver que o imperador Diocleciano perseguia e matava os cristãos, passou a defendê-los. Por este motivo, foi torturado e degolado. – São Jorge é um santo que, de certa forma, une diversas tradições cristãs ligadas ao catolicismo. Ele é um dos santos mais venerados na Igreja Católica Apostólica Romana, na Igreja Ortodoxa e na Igreja Anglicana.

– São Jorge é um dos catorze santos auxiliares do catolicismo. Os outros treze são: Santo Acácio, Santa Bárbara, São Brás, Santa Catarina de Alexandria, São Cristóvão, São Siríaco, São Dênis, São Erasmo, Santo Eustáquio, Santo Egídio, Santa Margarida de Antioquia, São Pantaleão e São Vito. – Apesar do conhecimento geral, São Jorge não é o padroeiro da Inglaterra, pois o Papa Leão XII substituiu, em 1893, São Jorge por São Pedro. Entretanto, a bandeira da Inglaterra ainda usa a cruz de São Jorge (a bandeira com a cruz vermelha sobre fundo branco).



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Parabéns aos participantes do JOTA E JOTI.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Parabéns aos participantes do JOTA E JOTI.

              Eu entendo a motivação de muitos Grupos Escoteiros no Brasil e no Mundo pelo JOTA E JOTI. Sei que anualmente cerca de um milhão de escoteiros ou mais de 160 países do mundo participam do Jamboree no Ar e do Jamboree na Internet. Está confirmado que é o maior evento da fraternidade escoteira, realizado por meio de estações de radioamador e também pela grande rede mundial de computadores. Isto é bom. Sei que muitas vezes as coisas não andam bem, as falhas são constantes anualmente, mas só de estarem se confraternizado merece nosso aplauso. Como um antigo Escoteiro que nunca viu e nunca participou desta atividade pouco comentei a respeito. Eu sinto que o escotismo tem outras formas de motivação e sei que nunca irei ver acontecer um acampamento de patrulhas feitos em um fim de semana simultaneamente em cidades e países aonde a metodologia Badeniana e de Gilwell dificilmente irá se realizar.

             Os acampamentos de patrulhas, em locais próprios, sem o auxilio da modernidade e longe da civilização vai aos poucos desaparecendo. Ver patrulhas que permanecem juntas ano a ano, ver as “prosas” de um cozinheiro, de um intendente, de um aguadeiro ou construtor de pioneiras ficaram ao sabor do vento para serem lembradas por antigos em volta da fogueira. Ver uma patrulha unida, fazendo suas refeições ou papeando sob uma lona, sentados em uma mesa rústica, contando causos, rindo e vivendo em comunidade de meninos que querem ser homens aos poucos já estão sendo substituídas por atividades mais modernas e eu Velho Chefe Escoteiro fico pensando se isto é bom ou ruim. Sei que milhares estão vivendo hoje os Acampamentos Nacionais, as Aventuras Seniores, e sempre centenas a enaltecer a atividade onde o sistema de patrulha não existe mais.

              O amigo que me visitou foi enfático: - Chefe Osvaldo o escotismo hoje tem nova roupagem. O que fizemos no passado ficou na historia para ser esquecida pelos novos. É um escotismo moderno no palavreado de muitos, pois eles nem sabem e nem viram o verdadeiro espírito de patrulhas funcionando. A nossa liderança está despreparada para unir o passado ao presente. As suas funcionalidades são na maioria a preocupação financeira, e para isto não medem esforço para a participação dos que podem pagar. Aqueles acampamentos onde a patrulha era autônoma, viviam suas aventuras e agruras em grupo viraram passado e para alguns historias para serem lembradas. As grandes atividades servem hoje para “engordar” o caixa de algumas regiões e porque não da Nacional.

             Por isto ainda saúdo os JOTISTAS, pois podem fazer uma atividade quase sem ônus onde a amizade e fraternidade nas longas distancias podem ser concretizadas. As demais sabemos que não. As raízes do escotismo aos poucos vão sendo esquecidas. O moderno hoje tem mais valor mesmo a custa de uma evasão enorme no escotismo nacional. Gostaria de ver os nossos lideres fazendo uma pesquisa real da evasão. Quantos ainda permanecem por mais de um ano e meio no escotismo? Quantas patrulhas neste nosso imenso país ainda ficam unidas por mais de dois anos com os mesmos ideais? Quantos realmente estão tendo a possibilidade aprender a fazer fazendo, onde os chefes são orientadores e não escoteiros mais velhos realizando tarefas que são para os jovens?

                
                - Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento. Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem! Avance firme e torne-se Oceano meu caro chefe!


Parabéns aos participantes do JOTI/JOTA.

sábado, 15 de outubro de 2016

O sonho não acabou.


Histórias Escoteiras.
O sonho não acabou.

         - Sabe Chefe, acho que estou ficando cansado. São anos com vocês. Tentei ao meu modo ser um bom Chefe e quer saber? Nem sei se fui. Acho que não sou exemplo perfeito do Chefe feliz, do Chefe motivado, do Chefe cheio de ideias e planos a desenvolver com a escoteirada. Veja o Heraldo, mais novo que eu, não só de idade e de escotismo. Nem bem “tirou” a Insígnia de Madeira e já foi chamado para cursos avançados. E eu? Chefe, não me pergunte por que ainda não “tirei”. Eu mesmo pensei muito sobre isto. - Sabe Chefe eu tenho é medo. Não ria Chefe, por favor, eu tenho mesmo muito medo. Medo de ser um Insígnia e ter de deixar a tropa. - Sei Chefe, não precisa repetir, eu só saio se quiser. Mas isto não acontece sempre? Chefe meu amigo, você tem metade da culpa por eu estar aqui até hoje. Afinal se não fosse você já teria ido embora há tempos.

           - Joe Delta olhou para o céu. Quem sabe uma oração resolveria? Ele fora na casa do Chefe Giacomo para dizer a ele que não ia mais voltar. Seu coração batia e pedir para ele não ir embora. Se fosse metade da sua vida acabaria. O escotismo foi para ele um sonho real. Sua vida mudou completamente e sua maneira de pensar. Amava aqueles meninos, daria a vida por eles se fosse preciso, mas tudo estava desmoronando. Sabia que uma lista de demissão no emprego estava sendo feita. Ele não era dos mais antigos e ainda solteiro. Sabia que seria um dos primeiros nomes a serem dispensados. E agora para atrapalhar tudo Heraldo com sua Insígnia passou a mandar em tudo. Julgava-se ser o mais capacitado e o Chefe Giacomo na sua simplicidade não dizia nada. Joe Delta nunca culparia o Heraldo pela sua saída. Não era de o seu feitio culpar ninguém. Para ele cada um era dono de si e devia resolver seus próprios problemas vendo seus erros e corrigindo.

              - Joe Delta olhou no fundo dos olhos azuis do Chefe Giacomo. Uma vida dedicada ao escotismo. Um dos primeiros e um dos fundadores do grupo. Quanto tempo? Quem sabe mais de quarenta anos. De uma simplicidade tão grande que nunca discutiu com ninguém. Um Chefe perfeito, educado, simples, alegre e nunca perdeu a calma. Mesmo agora com o Heraldo e sua Insígnia querer ser o maioral. Ele vivia dizendo que agora o grupo iria mudar, seria outro grupo. Ele sabia como fazer, Heraldo era daqueles que não media consequências e nem se importava com o coração dos outros. Ele precisava mostrar aos chefes distritais e regionais que era capaz. Precisava ser o responsável pelo grupo, se não nunca iria ser convidado para ser um deles. Ele sonhava com isto. Quando entrou no escotismo sempre fora um jovem contestador, mas obediente e disciplinado. Ambicionava sempre ser o Chefe de tudo. Nos seniores ele sorria, corria com eles para jornadas, acampamentos e a rapaziada o adorava. Foi assim que fora convidado pelos Grandes Chefes. Ele sabia que para ser alguém tinha de ficar do lado dos poderosos.

              - Heraldo ficou amigo do Mister Lou, um Chefe que praticamente mandava na região. Era Diretor de alguma coisa e participava dando cursos, pois conseguiu sua quarta conta e isto era só para os famosos. Heraldo olhava embevecido quando estava com ele. – Se Deus quiser vou ter as quatro também jurou a si mesmo. Mister Lou não era um Chefe ruim. Até que era simpático e amigo de muitos chefes da região. Sabia participar sem ser o dono das ideias, mas no fundo era ele quem decidia. Ele sabia que no escotismo a disciplina era tanta que poderia ficar no poder por muitos e muitos anos e interessante é que ele sempre falava estar cansado e queria passar o bastão para frente. Heraldo fazia tudo que ele mandava. Sempre telefonando, passando e-mails e perguntando o que fazer na próxima jornada sênior. O dia chegou. Recebeu a IM e foi convidado para um avançado.

              O Chefe Giacomo não sabia que posição tomar. Não iria contra Joe Delta e nem tão pouco com o Heraldo. Ele mesmo também se sentia cansado e se Heraldo assumisse ele ia viver a vida de pescador que sempre quis. Ele sabia que amava aquele grupo, dera por ele uma vida. Mas ele sabia que sua hora havia chegado. Que Heraldo fizesse o que sonhava. Quem sabe isto seria bom para o grupo? Não foi Victor Hugo quem nos ensinou que a vida nos reserva surpresa? Uma atrás da outra. Na vida temos muitas surpresas, boas, ruins, inesperadas... Temos que estar preparados para reagir a cada uma delas. Chore, ria, faça careta, pule, dance, cante, corra viva. Não tenha medo de Viver e ser feliz! Existem momentos na vida, que podem parecer bobos, que possam parecer comuns para você, mas um dia você pode olhar pra traz e dizer: esse foi o dia mais feliz de minha vida. "até agora". Por isso, aprecie cada momento na vida, como se fosse único, e especial, com uma pessoa especial. Não busque a felicidade muito longe, ela pode estar mais perto do que você imagina! Tente apenas ser feliz, faça o que der vontade, não se importe com o que os outros dizem sobre você, porem, tente não dizer nada sobre os outros. Não faça com o próximo o que não quer para si mesmo.

              Joe Delta foi chamado na Diretoria onde trabalhava. Uma surpresa enorme – Foi promovido a Gerente de Almoxarifado. Heraldo foi chamado pelo Gerente do Banco onde trabalhava. Foi dispensado sem nenhuma explicação. Procurou Mister Lou para que o ajudasse. Quem sabe ele poderia conversar com o Diretor do Banco? Afinal se conheciam. Mister Lou pediu desculpas e não ajudou. Joe Delta o procurou. Disse que tinha uma vaga para ele na fábrica com um bom salário. O Chefe Giacomo no Conselho de Chefes do grupo foi homenageado e entregaram a ele uma medalha gratidão ouro. Mesmo assim fez questão de passar o bastão para Joe Delta. Heraldo com os olhos cheios de lágrimas não sabia o que dizer. Disse para si que amigos são os que os rodeiam. Os distantes nem sempre podem fazer o que aquele que é seu vizinho pode fazer. Joe delta sabia que a Insígnia de Madeira tinha o antes e o depois. Sabia que precisa dela não para afirmação de poder, de ser melhor e sim de poder fazer aquilo que sempre sonhou. Ser um Chefe Escoteiro querido e amado por todos da tropa.


               Até hoje Chefe Giacomo quando não está pescando vai a o Grupo. Sempre com seu sorriso de irmão Escoteiro. Heraldo aprendeu uma lição. A ambição tem limites e ela não pode prejudicar aqueles que o amam. Heraldo viu que quando precisou foram os do grupo que o socorreram. Os Grandes Chefes nada fizeram por ele. Seu sonho de formador, de líder distrital morreu. Hoje ele anda sorrindo e cantando pelas montanhas, pelos vales, pelos campos com seus sêniores e guias. Dizem que casou com uma pioneira e já tem um casal de filhos. Joe Delta foi chamado à região e queriam fazer dele um assessor regional. Agradeceu e agora com sua Insígnia no pescoço faz questão de ser o que sempre foi. Não iria mudar e ser o que não era. Como dizem por aí, deixe-me viver e viva enquanto puder. Um dia de cada vez para não perder as surpresas da vida.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Putz Grila, vai ser a festa do ano!


Conversa ao pé do fogo.
Putz Grila, vai ser a festa do ano!

                       Pois é meu dia chegou e eu nem esperava. A Caixa Econômica ligou dizendo que eu tinha ganhado milhões e milhões de reais. Eram tantos que ela pedia minha presença para ajudar a contar. Corremos eu e Célia logo ao amanhecer do dia para uma filial mais próxima. Não sei como, mas eles nos mandaram buscar. Um carro enorme de vidros fumê a prova de balas nos esperava. Oito agentes secretos da caixa a nos escoltar. Eu não sabia se gostava ou não. Sempre fui feliz sendo pobre e agora? Célia fazia planos. Deixei-a voar nas asas da imaginação. Ela me olhou com aqueles olhos que sempre amei e disse: Marido e agora? Eu sorri para ela. Não tinha respostas. Precisava pensar. Fomos tratados como reis na Caixa Econômica. Tinha até um bilhete do Temer nos parabenizando e dizendo para comprarmos a Petrobrás. Seria tanto dinheiro assim? Eu é que não iria me meter nesta cumbuca! Tem gente demais de olho nela... rs, rs, rs, rs.

                      Ficamos seis horas na Caixa. Chamei os filhos e cada teve o seu bom bocado. Foi então que vi o quanto sobrou para mim. Tirei só dez por cento para viver e o restante comprei Letras do Tesouro Nacional para com os juros ajudar as crianças doentes do mundo. Era muito dinheiro. Pedi ajuda a Viviane Sena. Ela tem uma ONG só para isto. Meus dez por cento passava de cinquenta milhões de dólares. Só se falava em dólares e em euros. - Célia vou ajudar a todos os grupos humildes. Sede própria e material completo para as sessões. Certo marido, mas você tem de se organizar. Abrir um escritório, contratar funcionários e duas secretarias Escoteiras. – Putz! A coisa estava complicando. Queria ajudar e não arrumar mais problemas para mim. Em casa cinco telegramas. Um do Denzel Washington se oferecendo para organizar a noite de autógrafos. O que? Ah! Eram meus livros que seriam publicados. Capa dura, letras em ouro. Folhas de linho indiano. Denzel na sua maneira humilde disse que se responsabilizaria pela festa. Poxa! Como ele sabia que eu ia fazer meus livros?

                      Sandra Bullock me telefonou. Queria ajuda para um novo filme com o Nicolas Cage.  Chefe é uma historia de uma Chefe escoteira que abandona o grupo e vai ser diretora na Escoteiros do Brasil! – Putz. Não gostei do enredo.  Acho ela linda, mas prefiro a Julia Roberts e a Nicole Kidman. Paulo Coelho se ofereceu para enviar a uma editora especializada para produzir meus livros. Não iria discutir quanto gastaria. Paulo pague o que eles pedirem. Nada de regatear! Só exigi letras bordadas em ouro. Iria distribuir de graça a todos os membros do escotismo ou até mesmo os que nunca foram. Os grandões da UEB não iam ter colher de Chá. Ou pagavam ou iam ler na Cochinchina. Os telefonemas não paravam. Vin Diesel e Keanu Reeves se prontificaram a abrilhantar a festa. Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger iriam ficar de sentinela na porta. Mel Gibson se ofereceu para dar aquele sorriso malandro que só ele sabe dar e conquistar as chefas escoteiras.

                       Célia sugeriu chamar o Jackie Chan e o Jet Li para ficar na porta dando as boas vindas. Poxa, a festa seria demais. Iria pagar as passagens de todos que quisessem vir. Vinte Boeing da Azul da LATAN e da GOL estariam à disposição de todos que quisessem participar em todos os aeroportos do Brasil. Ninguem iria gastar nada. Iria reservar 5.000 quartos nos melhores hotéis da cidade. Seria a festa escoteira de todos os tempos! Paguei os tubos para o André Rieu e sua orquestra estarem presentes. Roberto Carlos, Dana Summer, e alguns pagodeiros iriam ser contratados apesar de não fazerem meu forte. Ia ter dança ia ter fogo de conselho em um enorme salão no Centro de Eventos do Anhembi. André prometeu valsas vianenses e para terminar ele iria fazer um arranjo especial de Auld Lang Syne (a canção da despedida). Ele contratou a Royal Scots Dragoon Guards só para tocar a canção de todos os tempos. Eles são o máximo.

                   Tudo caminhava bem. Programação a lá escoteira perfeita. Angelina Jolie e Brad Pitt se ofereceram para serem os anfitriões e estarem de uniforme Escoteiro. A coisa começou a complicar quando o Renan Calheiros e o Rodrigo Maia pediram para trazer duzentos deputados que se dizem da Frente Parlamentar escoteira. Um tremendo de um papo furado. Vários deles no supremo a pedido da Lava Jato. Soube que o Cunha queria vir. O Lula e patroa também. Mandei um convite para Sérgio Moro. A presença dele era garantia de muitos pilantras não aparecerem. Melhor me prevenir se estavam querendo bagunçar minha noite de autógrafos. Liguei para Will Smyth e Bruce Willis. Preciso de dois seguranças dos bons. Aceitaram na hora. Recebi um telefonema do português Presidente da WOSM. Queria participar. Gente fina. Sempre será bem vindo!

                    Randall L. Stephenson da Boy Scout of America disse que iria trazer toda a cúpula escoteira americana. E não é que Bear Grylls mandou um recado que viria e que ia convidar o Principe William e o Principe Harry e seus consortes para virem também? Se eles querem vir quem sou eu para ir de encontro às raízes de Baden-Powell. Eu sabia que iria ficar junto aos meus amigos do escotismo. Sem fronteira. Qualquer um de uniforme ou simpatizante tinha entrada livre. Os da vestimenta também desde que com a camisa dentro da calça. Amo meus amigos do face. Tudo ia nos conformes. Reservei duzentos lugares no presídio do Tremembé para os figurões os escoteiros. O grande dia chegou. Congonhas e Cumbica cheia de jatos. Dezenas de ônibus de luxo estavam lá para transportar os convidados. Nove da noite. Com minha nova bengala feita de pau de goiabeira estava na entrada de calça curta, caqui, nos trinques e meu chapelão Escoteiro. Fiz questão de colocar meu penacho azul e minhas jarreteiras verdes.


                   Dizem que tudo que é bom dura pouco. A Celia me cutucava. Marido! Marido! Está na hora do nosso Culto no Lar. Acordei esfregando os olhos. Bem pelo menos não estava apanhando e nem lutando com os chefões da UEB. Gente que turminha danada. Colocaram no Google que só eles podem fazer escotismo no Brasil. Quanta prepotência! Ainda não se tocaram? Escotismo é para todos e Baden-Powell não deu procuração a ninguém!    

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

PARABÉNS A TODAS CRIANÇAS DO MUNDO!


PARABÉNS A TODAS CRIANÇAS DO MUNDO!

A idade não está no físico, mas no espírito. Se o teu espírito não é velho, parabéns pelo teu dia! 12 de outubro - Dia das Crianças! E nós do Movimento Escoteiro sempre seremos eternas crianças! E para homenageá-las com simplicidade, vamos lembrar Janusz Korczak:

Vocês dizem:
- Cansa-nos ter de privar com crianças.
Têm razão.
Vocês dizem ainda:
- Cansa-nos, porque precisamos descer ao seu nível de compreensão.
Descer, rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado.
Estão equivocados.
Não é isso o que nos cansa, e sim, o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças.
Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão.
Para não machucá-las...


O escotismo não é dos adultos, ele tem dono. São Das crianças que participam dele. 

domingo, 9 de outubro de 2016

Escotismo uma maneira de ser feliz.

Escotismo, uma maneira de ser feliz.









 "Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão". Para que o acontecimento mais banal se torne uma aventura, é necessário e suficiente que o narremos. Acampar, uma maneira e realizar sonhos!









Não ha nada mais emocionante do que a aventura de viver. E cada sorriso que eu espalho, eu planto alguma esperança". Perfeito. Viva feliz, aqui ou onde estiver escoteirando ou lobeando e fazendo boas ações. Escotismo é isto. Sorrir e amar a natureza! 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O CONTADOR DE HISTÓRIAS ESCOTEIRAS –


O CONTADOR DE HISTÓRIAS ESCOTEIRAS – SETE VOLUMES. PDF.

Já leu? Não? Gosta das minhas histórias? Conta sempre uma para seus lobinhos, escoteiros netos, marmanjos e etecetera e tal? Bem são somente histórias Escoteiras. Cada volume com media de 30 a 40 histórias. Tem histórias para dar e vender. Ops! Não vendo não! – é de graça! Isto mesmo, na moleza, não paga nada. Basta escrever no meu e-mail: - Chefe! Me envie o BLOCO 16. Amo suas historias (kkkkkk) pode me mandar os sete volumes em PDF gratuito? Pronto. Se tiver tempo espere. Ando meio “dodói”, e muitas vezes tenho de visitar o homem do jaleco branco. Mas faço questão de enviar a você. Agora se vai pedir para guardar sem ler, fica na moita. É melhor não pedir. Afinal perdi meu tempo para que? Mas por favor, deixa de ser folgado e ficar colocando seu e-mail aqui ou em minha página querendo que eu copie e envie a você. Vai receber de graça. Se manca né Mané? Escreva para mim em minha caixa postal – ferrazosvaldo@bol.com.br. Custa nada não!
Inté mais ver e quem sabe um dia vai ter que pagar? Afinal um livro pode sair por aí em alguns anos. Se estiver vivo até lá! Kkkkkkkk.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Verborragia Escoteira II.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Verborragia Escoteira II.

(Verborragia – Vem do Latim Verbum. Escorrer, fluir, pessoas quando abre a boca parecem dar escoamento a um infinito rio de palavras. São os donos da verdade. Não aceitam qualquer tentativa de resposta de parte do interlocutor).

                 Interessante. O que o Chefe de Campo de Gilwell, John Thurman (falecido) escreveu em 1950 permanece vivo até hoje. Disse ele que o escotismo é um movimento sério, mas que uma de suas melhores coisas seria a alegria em participar. Completou dizendo que isso serviria tanto para os dirigentes como para os jovens. E complementava: - Cuidado com o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos, pois isto nos faz perder nossas condições de amadores. E fechou suas palavras assim: - Como amadores nós somos bons, mas como profissionais somos péssimos.

               Não é interessante? Vejam, de trinta anos para cá, começamos a ter uma revolução na educação Escoteira. Tudo antes era muito simples. Lembro que um Chefe Escoteiro conhecia facilmente o “adestramento” que deveria existir na sua sessão. Pata-tenra, primeira estrela, segunda estrela e cruzeiro do sul e depois vinha o noviço, segunda e primeira classe. E nos seniores, algumas eficiências e o Escoteiro da Pátria. Nos primórdios só um livrinho. ”Para ser Escoteiro”. Depois insistiram com o Chefe Floriano para desmembrar em noviço, segunda e primeira classe. Mas era tudo muito simples. Não nos faltava os livros do fundador. Sempre um prazer em reler. E para completar vinha o Guia do Escoteiro do Velho Lobo, um “livraço”! Não se precisava de mais. Os lobinhos só um pequeno manual simples sempre traduzido do verdadeiro de BP.

           Nenhum Chefe de lobos, de Escoteiros deixava de ter em sua cabeceira estas literaturas. Ah! Não vamos esquecer o Livro da Jângal de Kipling. Uma beleza! Era tudo na moleza como se diz. Afinal sempre fomos amadores.  Aí começou a chegar os doutores, os pedagogos, psicólogos. Altos professores e dirigentes eméritos. Começaram as mudanças. Arrumaram tantos programas para lobinhos que quando dirigia cursos correlatos tinha de me cercar de doutores e doutoras “lobísticas” para não me perder. Risos. E as mudanças não paravam. Fizeram da ficha modelo 120 um sonho distante. Agora tudo eletrônico. Não existe mais o escrever e sim o digitar no SIGUE, dizem que ele preencheu uma lacuna que faltava.

            Nunca me intrometi nas novas tecnologias. Perco-me nisto e confesso ser um “Pata Tenra”. Quem sabe eles teriam razão com estas mudanças? Até me deleito quando vejo uma jovem ou um jovem pedindo ajuda nas redes sociais para um projeto tal visando receber o Lis de Ouro ou o Escoteiro da Pátria. Acho que eles ou não tem chefes ou não tem patrulha, ou melhor, existe ainda o Sistema de Patrulhas? Sei que houve uma época que a exigência era tanta que precisávamos ter nos grupos doutores no assunto, sem isto necas de aprovação por parte dos membros da elite escoteira. O programa Escoteiro que era aplicado de maneira simples, gostosa, aventureira, sem aquelas complicações de programas técnicos, a curto médio e longo prazo, começou a mudar. Antes se preparava os monitores e eles se tornavam mestres nas patrulhas. Hoje as mudanças já não são mais para amadores. Ou se torna um profissional ou esquece que ali é seu lugar. Nossos dirigentes sempre adoram mudar e tem cada um com ideias miraculosas. Sem consultar as bases eles vão mudando. Os interessados que se virem. Agora é assim.

A biblioteca Escoteira cresceu. A lista da loja Escoteira é enorme. Haja condição financeira para ter todos. E ler então? Quando fico sabendo me assusto. Alardearam que agora os chefes de lobinhos estavam com a faca e o queijo na mão. Cinco manuais a disposição. Cinco! E para as sessões subsequentes? E aí vieram os cursos. De adestramento simples do passado agora se chama formação. Tem cada curso que até me arrepio. Acho que são válidas, mas se eu voltasse atrás iria correr disto tudo. Outro dia discutia-se sobre o seguro Escoteiro. Seguro? “Mama mia”, alguém queria saber como ficam os pais que vão à reunião, os pais que vão ao acampamento e aí por diante se estão segurados. Pelo que vejo estamos na vanguarda de tudo que existe em organizações de jovens.

Se Baden Powell conforme diz nosso amigo John Thurman conseguiu criar uma das mais formidáveis ideias e práticas que levam os rapazes a segui-la com entusiasmo, e nos métodos, e modo simples de manejar e guiar os jovens, agora parece que tudo mudou. Não adianta dizer que devíamos manter como antes, um clima de simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou. Ainda copiando o John, os únicos que são capazes de por tudo a perder pela austeridade demasiada são os próprios dirigentes. E isto está acontecendo. O escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, ainda existem milhares de pobres que aspiram fazer escotismo como naquela época. Mas quando se toca no assunto, como continua a dizer o John (já falecido) muitos se tornam arrogantes, complacentes e se fazendo passar demasiadamente autossuficientes e com isto podem arruinar o movimento. Peço a Deus que não.


Lembro que o escotismo sempre foi uma atividade de fim de semana, duas ou três horas. Mais um pequeno tempo em uma atividade aventureira. Complicar em fazer do "Chefe" Escoteiro um profissional é fazer com que não caminhe para o sucesso da formação Escoteira. Nosso tempo restrito, corrido em nossa vida profissional, social e familiar não pode ser tomado com a austeridade de uma profissionalização. Se nos considerarem amadores, nos derem um programa para amadores como no passado, então o escotismo irá florescer, mas confesso que não acredito nisto. Não sei o futuro e nem sei se o sucesso pelo que estão fazendo vai merecer meu aplauso. Se o que dizem é o caminho e se não acertarem neste caminho e claro se ainda estiver aqui direi - O tempo passou, perdeu-se tudo. Vamos recomeçar de novo? Ainda vai dar tempo? – Claro que sim, nunca iremos perder os Doutores do escotismo. Eles sempre estarão presentes em qualquer época.