HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Obrigado pela visita, volte sempre!



Eu? Eu sou um contador de histórias... Escoteiras é claro!

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

A vida de Baden-Powell. Escrito por: Caio Dias - Monitor Leão.



Escrito por: Caio Dias - Monitor Leão.

Nota – A homenagem de comemoração do nascimento de Lord Baden-Powell foi escrita por Caio Dias, Monitor da Patrulha Leão. Galhardamente escreveu este artigo no seu Blog PATRULHA LEÃO, e para ele também dou meu Bravo e meu Anrê por mostrar suas excelentes qualidades como Monitor! Bravôo! Anrê!

Robert Stephenson Smyth Baden-Powell.

- Robert Stephenson Smyth Baden-Powell nasceu em Londres, na Inglaterra em 22 de Fevereiro de 1857. Seu pai reverendo H. G. Baden-Powell, professor em Oxford. Sua mãe Henrietta Grace Powell era filha do almirante W. Smyth. Seu bisavó Joseph Brewer Smyth tinha ido colonizar os Estados Unidos.

  Quando Robert ainda tinha três anos de idade seu pai faleceu deixando sua mãe com sete filhos. Com frequência haviam momentos difíceis pelo fato de ser uma família tão grande, mas como o próprio B. P. enfatizava “Dificuldades são feitas para serem superadas.” E assim a família continuou em frente.

  Em 1870 entrou na escola Charterhouse em Londres, com uma bolsa de estudos. Não era o aluno mais exemplar, mas era um dos mais vivos. Estava sempre metido em tudo que ocorria no pátio, e acabou se tornando famoso por ser o goleiro da equipe de futebol de Charterhouse. Seus amigos gostavam muito de suas habilidades de ator, sempre que pediam Robert improvisava e fazia todos morrerem de rir. Mas não tinha vocação somente nas artes cênicas, como também tinha em musica e desenho o que lhe mais tarde permitiu ilustrar suas obras.

  Aos 19 anos de idade aceitou a oportunidade de ir para a Índia como subtenente do regimento que formava a cavalaria da Guerra da Criméia. “Além de sua excelente carreira militar, recebeu o troféu mais desejado na Índia, o troféu “Sangrar o porco”, era uma caça ao javali selvagem a cavalo, e como única arma uma lança curta”. Esse era um dos esportes mais perigosos da Índia, pois o javali selvagem é habitualmente citado como “o único animal que se atreve a beber água no mesmo lago com um tigre”.

  Em 1887 participou da campanha contra os Zulus na África onde foi promovido a major, mais tarde também lutou contra as ferozes tribos dos Ashantis e os selvagens guerreiros Matabeles. Os nativos temiam tanto Baden-Powell que lhe deram o nome de “Impisa”, o lobo que nunca dorme, por sua coragem e sua incrível habilidade de seguir pistas.

  Chegou o ano de 1899 que teve grande importância na vida de Robert, quando foi promovido a Coronel. Foi designado para a guerra dos Boers na África do Sul, onde acontece o cerco de Mafeking.

  Foi no cerco de Mafeking que B. P. recebe seu renome de herói de guerra. Mafeking era uma cidadezinha localizada na África do Sul, que se projetou para o mundo quando se tornou cenário do conflito entre os Boers e os britânicos. A cidade foi cercada pelos Boers de 11/10/1899 a 16/05/1900, durante duzentos e dezessete dias no total. A população da cidade era de 9300 habitantes. Havia 1214 oficiais e praças ao lado dos britânicos e 6000 ao lado dos Boers. Um fato de grande importância que ajudou Baden-Powell a acabar com o cerco de Mafeking foi à utilização dos jovens em trabalhos auxiliares.

  Foi promovido a major-general e visto como herói por seus compatriotas. Em 1901 retornou a Inglaterra a ficou surpreso com o sucesso de seu livro que escreveu para militares: Aids to Scouting (Ajudas à Exploração Militar). O livro estava sendo usado nas escolas masculinas, B. P. viu isso como um desafio, e começou a se dedicar em um novo livro, aproveitando e adaptando sua experiência na Índia e na África entre os Zulus e outras tribos selvagens. Reuniu uma biblioteca especial e estudou nestes livros os métodos usados em todas as épocas para a educação e o adestramento dos rapazes. Querendo estar ser de que sua ideia poderia ser posta em pratica, no final de julho de 1907 Baden-Powell foi à ilha de Brownsea com 20 rapazes, e realizou o primeiro acampamento escoteiro. O acampamento foi o maior sucesso.

  Nos primeiros meses de 1908 lançou seis fascículos o seu manual de adestramento, o Escotismo para Rapazes. Robert não tinha ideia de como o guia afetaria os jovens do mundo inteiro. O guia mal foi posto nas livrarias e já surgiram patrulhas e tropas escoteiras não só na Inglaterra mais em outros países também. Então em 1910 B. P. compreendeu que o Escotismo seria sua nova vida. Pediu demissão do Exército onde havia chegado a tenente-general e ingressou na sua "segunda vida", como costumava chamá-la, sua vida de serviço ao mundo por meio do Escotismo.

  Em 1912 fez uma viagem ao redor do mundo para contatar escoteiros de muitos outros países, assim o Escotismo foi dando os primeiros passos para uma fraternidade mundial. O movimento continuou a crescer quando os Escotismo completou 21 anos já estava com mais dois milhões de integrantes. Nesta ocasião Baden-Powell recebeu do rei Jorge V a Honra de ser elevado a barão, sob o nome de Lord Baden-Powell of Gilwell. Mas apesar deste título, para todos os escoteiros ele continuou e continuará sempre sendo B-P, o Escoteiro-Chefe-Mundial.

  Depois de completar 80 anos, regressou a África com sua esposa, Lady Baden-Powell que era a Chefe Mundial das “Girls Guides" (bandeirantes). Fixaram sua residência no Quênia onde as florestas tinham quilômetros de extensão e no horizonte montanhas com picos cobertos de gelo. E é no Quênia que B. P. morre faltando pouco mais de um mês para fazer 84 anos de idade.

Nota – Nem sempre encontramos jovens falando do Nosso Fundador Baden-Powell. Parecia ser função de chefes e a participação de escoteiros seria para tomar conhecimento ouvindo ou lendo. No Blog PATRULHA LEÃO vi que não era assim. Caio Dias Monitor da Patrulha escreveu este excelente artigo, para ele e claro para BP eu tiro o meu chapéu! Bravôo!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Epa! A fogueira apagou! Velho que é metido a sabe tudo tem hora que é melhor calar.



Epa! A fogueira apagou!
Velho que é metido a sabe tudo tem hora que é melhor calar.

                Sabe aquele dia que dói aqui, dói ali, e dói acolá? Você sabe que é hora de recolher, mas seu corpo não quer. Insiste em ficar aqui nesta maquininha infernal atazanando suas ideias e dos outros. Disseram-me que sorrir faz bem para a saúde e o fígado. Quem sabe eu posso adaptar uma piada e rir de mim mesmo? Adoro quando dói e alguém diz: Sorria Escoteiro! Força! Acredite você é um guerreiro! Não é bom? Pois é, pensando bem porque não postar uma piada nesta linda noite sem lua de fevereiro?

                Qual? Qual? Aquela? Não aquela é apimentada. E a do Português? Nem pensar. Tenho amigos demais lá e muito respeito.  A do papagaio serve? E a do Joãozinho? Putz! Só piadas que a lei Escoteira não permite. E então a do Pavão e do Urubu não serve chefe? Dizem que no Movimento escoteiro o que tem de Pavão não está no gibi. É pavão prá todo lado. E de Urubu então? Porque não transformá-la em uma piada escoteira? – Gosto de inventar e adaptar. Esta vi na Internet.

- Era um Chefe, ou melhor, um Pavão Escoteiro. De escotismo que é bom não entendia nada. Ficou seis meses estudando as poses dos grandes chefões, assistiu a filme de BP. Andava com desenvoltura. Tinha oito tipos de sorrisos e cinco para mostrar seu desagrado. Queria logo sua Insígnia para ser convidado a Formador. Quem sabe se conseguisse receberia os quatro tacos tão sonhado? No seu Grupo Escoteiro foi apelidado de Pavão. Gostava de pavonear. Não era assim tão antipático, mas sua pose, sua maneira de mostrar conhecimento aos poucos o tornava vulgar.

- Dizem que um dia o Pavão, ou melhor, o Chefe Escoteiro pensativo disse para o espelho: - Sou tão bonito, esbelto e exuberante, admirado pelas chefes de lobinhos e bandeirantes, mas ainda não me chamam de chefão e nem Impisa, que vontade de ser o lobo que nunca dorme... Que infeliz sou eu nem formador eu sou!

- Próximo dali, no Grupo Escoteiro Favelados com amor, um Urubu, ou seja, um Velho Chefe Escoteiro de muitas eras pensava: - Não sou bonito, falo fanhoso, ando torto com bengala, Banguelo, sei que tive quatro tacos e conheço escotismo como ninguém. Mas e daí? Não sei discursar, nem entrar ao vivo no Facebook. Não sei andar bonito, não chamo a atenção de ninguém quando passo, e nem convidado sou para escoteirar...

- E como nos melhores contos de Grimm, passeando em um jardim numa bela tarde, os dois se encontraram em uma atividade escoteira e tiveram uma brilhante ideia. – Ei! Falou o Pavão Escoteiro, porque não juntamos nossos conhecimentos, nossas habilidades e vamos gerar um descendente que tenha tudo que você têm e um pouco de mim?

- Pois é... Assim fizeram. Meses depois eles esperavam seu rebento, e assustados viram nascer um Peru. – Um Peru? – Isto mesmo, feio de doer, sem uniforme nem vestimenta, sem taco e sem registro na EB. Um perguntou pru outro: - E agora? O Velho Chefe, ou melhor, o Urubu comentou: - Ainda bem que sabe falar gluglu e tem um rabo que quando abre mostra tudo menos à parte que melhor lhe convém. Quem sabe vai ser um ótimo dirigente escoteiro!

Moral da história: Se a coisa tá ruim, não inventa. Gambiarra escoteira só da merda!

Nota – Não pensem que pensei em alguém. Nada disso, o Pavão é conhecido, acho que não existe ninguém escoteirando que não conhece um. E o Urubu? Quem sabe sou um deles? Meu fraterno abraço e até outro dia com outro conto. Hã! Desculpe o palavrão. Tentei um sinônimo e não encontrei. Sempre Alerta.



sábado, 17 de fevereiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Ninguém esquece seu primeiro curso escoteiro.



Conversa ao pé do fogo.
Ninguém esquece seu primeiro curso escoteiro.

              Curso é curso, o primeiro ninguém esquece. O meu nunca esqueci. Foi há tantos anos e até hoje se mantem vivo na memoria. 1958? Acho que sim. Fui convidado pela região de Minas e me pagaram a passagem e a taxa do curso. Convidaram todos os chefes do grupo e devido a motivos profissionais declinaram. – Preparei-me com esmero. Eu não tinha a mínima ideia de como seria o curso. Pensei que seria uma competição de técnicas Escoteiras para testar o conhecimento de um Chefe.

             Não perdi tempo, renovei meus conhecimentos em nós e amarras sem esquecer as cinco costuras de arremate que fazia com precisão. Nós e sinais de pista não havia segredo. Dominava mais de 40 dos escoteiros e marinheiros. Fiquei dias praticando semáforas, Morse, orientação, leitura de mapas, medições de distancia, altura.  Não me esqueci do passo duplo e do passo Escoteiro.

               Se me perguntassem da Lei, iria dizer de cor. Primeiros socorros dava para o gasto. Armava com maestria qualquer barraca. Sabia afiar e amolar uma ferramenta de corte com perfeição. O machado do lenhador e o Traçador não tinham segredos. Cozinha mateira e observação da floresta entendia sem discussão. Revisei tudo. Tintim por tintim. Não sabia o que esses chefes da cidade grande e estes comissários iriam pedir para fazer. Embarquei uniformizado em uma terça no noturno da Vitória Minas. Sapato engraxado fivela do cinto brilhando, meu chapéu tinindo, e o meu lenço bem dobrado de fazer inveja.

               Achando que era certo, coloquei todos os distintivos que ganhei na camisa escoteira. Cruzeiro do Sul, Segunda Classe, Primeira Classe e 23 especialidades, Correia de Mateiro, Cordão Dourado, as duas tiras de Monitor no bolso esquerdo e meu distintivo da Patrulha Lobo. Faca limpa e protegida, Cantil lavado e um cabo trançado completava minha indumentária. Claro, as estrelas de atividade estavam lá. Quatro de lobo, quatro de escoteiro, três de sênior e uma de pioneiro estampada na minha camisa caqui.

              Cheguei a capital às sete da manhã. Mochila nas costas e a pé procurei o ônibus do Zoológico. Às onze e meia cheguei. Uma seta indicava o ponto de encontro do curso. Localizei a clareira. Vários alunos conversavam. Sem me olharem juntei os cascos e disse alto Sempre Alerta! Todos me olharam espantados. A maioria começou a rir. – Sorri também. Tirei o cantil na melhor pose e bebi uma talagada d’água. Ninguém me pediu um “golinho”. Em seguida ouvi um som de berrante. Interessante disseram ser o Chifre do Kudu. Putz! Que nome. Se falasse isto para os seniores iriam dizer que era um palavrão.

            Formamos uma ferradura. Bandeira, oração. A equipe se apresentou – Chefe Francisco Floriano de Paula, Chefe Darcy Malta e Chefe JF (João Francisco de Abreu). Começou ali minha saga de cursos. Conhecemos a Patrulha de Serviço, seis meninos escoteiros que ajudavam a equipe. Cada aluno se apresentou. Envergonhado mal disse meu nome e minha cidade. Feito os avisos, fomos formados em patrulhas. JF me chamou a frente a todos. Rispidamente disse que um Chefe não usa distintivos, pois era incentivo para os escoteiros. Chefe só use seu lenço, distintivo de promessa e mais nada. Deu-me uma hora para tirar tudo! Ia mandar ele a M... Mas pensei bem e não o fiz.

               Foi um curso inesquecível Seis dias. Meu primeiro. Fiz grandes amigos que perduraram por toda a vida. Tinha Capitão, Coronel, Professor, Juiz de Direito, Dentistas e padre. Chefes que nunca esqueci foi o Chefe Gafanhoto e o Chefe Wander. Aprendi muito com eles. Deixei minha soberba de ser o melhor. Deixei minha índole de não levar desaforo para casa. Mas o melhor mesmo que não esqueço até hoje foi a fritada de Bacon. Não conhecia. Gostei demais.

               Bem foi meu primeiro curso. Um CAB (Curso de adestramento básico Escoteiro) caminho para a Insígnia de madeira. Na época seis dias. (minha insígnia foi nove dias). Hoje? Sem desmerecer mesmo preso em um alojamento, ou em barracas, comida pronta ou quentinhas acredito que para quem participa ainda é inesquecível. Quantas mudanças se passaram de ontem para o hoje. Outro dia pensei em me inscrever em um curso de Assessor Pessoal. Só para saber. Afinal nunca é tarde para aprender não é?

               Será que nos cursos hoje ainda tem aquela canção Guin-gan-guli que cantamos de madrugada dentro do lago? Quem sabe tem um caminho do Tarzan? Ou um Ninho de Águia? Acho que não. Na minha vez de cozinheiro não me saí mal. Fritei batatas, linguiças e fiz um arroz soltinho. Soube outro dia que já existe curso de Staff. Aprender tudo sobre como colaborar com um Jamboree ou acampamentos nacionais. Acho que vou fazer um. Sei que será diferente quando fui Chefe de Sub Campo Sênior, com 36 patrulhas para brincar em um acampamento nacional.

               Sei que aqueles cursos do passado ficaram no tempo. Hoje tá tudo mudado. Dizem não posso afirmar que tem formador que nunca desceu de uma árvore com um nó de evasão e nem sabe fazer um fateixa ou um Balso pelo Seio. Que nunca construíram uma barraca suspensa. Mas isto é importante? Quem sabe em Gilwell Park os cursos também foram alterados. Sem técnicas escoteiras. Dizem que tem muito formador que não sabe sorrir. Tem pose de chefão e perde um enorme tempo tentando explicar um contratempo de alguém que não entendeu.

               Disseram-me que não se fazem mais “antigamente” como antes. E se você estiver triste com seu último curso, faça como o Zé das Quantas: - Se a vida estiver muito amarga, dá uma rebolada. Às vezes o açúcar tá no fundo! Sempre Alerta!


nota - Quem não se lembra do seu primeiro curso escoteiro? Sair de lá vibrando, abraçando, trocando endereços e telefonemas. – “Não esqueça de mim! Não deixe de telefonar”. Hoje com Whatsap deve ser demais. Escotismo tem disso. Marca demais. Alguns dizem que sua vida mudou depois que entraram para o Movimento Escoteiro. Acredito. Comigo também aconteceu assim.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Jamborees... Um sonho possível?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Jamborees... Um sonho possível?

Jamboree
dʒæmbə'ɹi/
1.     Substantivo masculino
Congresso de escoteiros, não raro internacional ☞ f.aport: JAMBORÉ.

                     O Movimento Escoteiro criado por Baden-Powell teve uma expansão nunca esperada. Em poucos anos dezenas de países implantaram suas bases chegando a número consideráveis de participantes. Baden-Powell após a primeira Guerra Mundial, sabendo que muitos escoteiros e Chefes de vários países tombaram, chegou a temer pelo futuro do Movimento. Ele imaginou um encontro de amizade para dar uma palavra de esperança e ao mesmo tempo por a prova a fraternidade mundial.

                    Neste primeiro encontro em Olímpia Londres Inglaterra, em 30 de julho de 1920, se reuniram mais de 8.000 Escoteiros. Foi o primeiro Jamboree da historia. De lá para cá foram mais 23 encontros mundial sendo o último realizado no Japão, em Kirara Beach em 28 de julho de 2015 com mais de 147 países e 32 mil participantes. Existem diversas hipóteses do porque Baden-Powell deu esta denominação em encontros escoteiros de vários países.

                     - O Jamboree seria a união de “jam” (que em inglês significa compota, uma mistura de açúcar e frutos apetitosos, mas que aqui teria o significado de mistura de raças e culturas) com “boree” (O vento que sopra e mistura essas culturas). Outros comentam que Jamboree seria uma palavra Zulu, que significaria “encontro oficial dos chefes das tribos” ou apenas “encontro de pessoas”. - Em linguagem Swahili (África), "jambo" significa "olá", sendo que "jamboree" poderá ser um ajuntamento de pessoas dizendo "olá" umas às outras. 

                     - Na gíria americana (desde o séc. XIX), a palavra jamboree significava "divertimento ruidoso", "folia" ou "farra". A partir de 1920, após Baden-Powell a usar para denominar um gigantesco encontro de escoteiros, esta palavra começou a entrar nos dicionários sempre associada ao escotismo. A forte ligação de Baden-Powell aos fundadores do escotismo nos Estados Unidos, William Boyce, Dan Beard, Ernest Seton e James West, poderá ter motivado a escolha desta palavra. 

                     A organização de cada Jamboree Mundial é atribuída pela OMME “Organização Mundial do Movimento Escoteiro e WOSM - World Organization of the Scout Movement”, que na Conferência Mundial escolhe entre as candidaturas que se apresentaram anteriormente. Participar de um Jamboree Mundial é quase como viajar pelo universo e descobrir novos planetas, é “Descobrir um Novo Mundo”, como o tema sugere. Diferentes culturas, idiomas distintos, aventuras inesquecíveis, novos amigos, muitas emoções, histórias incríveis e muito mais.

                   Um jamboree é uma festa, uma celebração ou outra reunião onde há um grande número de pessoas e muita emoção, diversão e diversão. Faço uma pequena transição aqui de Marcela Munhoz, que escreveu no diário do Grande ABCV em 14/08/2011:

- Não há um só integrante do escotismo que não saiba o que é e não deseje participar do Jamboree. Trata-se de evento realizado de quatro em quatro anos, que reúne participantes do movimento do mundo todo em um único acampamento. O objetivo é trocar conhecimentos e fazer amizades. Só pode participar uma vez, a não ser que vire chefe ou trabalhe na organização.

É por isso que Rayanne de Andrade e José Marcos de Melo Junior, 15 anos, do grupo Guaianazes, de São Bernardo, estão tão eufóricos. Eles acabaram de voltar da Suécia, onde passaram 18 dias, sendo 12 só no acampamento. "Foi uma experiência maravilhosa. Sempre quis ir e foi melhor do que imaginava", derrete-se a garota.

Mais de 38 mil jovens de 14 a 18 anos estiveram no Jamboree deste ano, que teve como tema Simplesmente Escotismo. Lá eles se dividiram em quatro vilas e essas, por sua vez, em tropas. Os dois ficaram em uma com 40 brasileiros, incluindo Eduardo Nomura, 15, do grupo João Ramalho, de São Caetano.

Durante o dia, realizavam atividades programadas, como o acampamento com um grupo de escoteiros locais, e depois das 15h podiam ficar à vontade para conhecer gente nova. "É incrível que, apesar das línguas serem diferentes, todo mundo se entendia durante todo o evento. Falei com pessoas de Hong Konk, Austrália, França. Tenho milhares para adicionar no Face", conta Marcos.

Além das amizades, Rayanne aprendeu muito. Uma das lições foi saber dividir tudo e economizar. Cada tropa tinha um cartão com 15 mil pontos para gastar com comida. No final, sobraram pontos. "Os preços eram razoáveis. O mercado só começou a aumentar o valor de itens mais procurados, como Nutella. Todo mundo se dividia para cozinhar e lavar a louça. Deu certo." – Quem quer participar de um Jamboree, deve se programar a partir de agora. "É preciso se organizar. Vale muito a pena", afirma Marcos.

                   Boa atividade, bom campo e se divirtam, pois “Jamborear” é uma atividade para não esquecer nunca mais!

Nota - Não... Nunca participei de um Jamboree, claro assim como você sempre sonhei em ir em um. Hoje velhote sem pernas e aposentado meu Jamboree é ver pela TV. Não me apetecem sinceramente os programas e as atividades de um Jamboree moderno. Tornou-se uma copia melhorada ou piorada dos Campos de Férias tão procurados nas férias escolares. (taxas quase igual!). Mas o Jamboree tem algum que marca os amigos do mundo, de todo lugar. O colorido escoteiro se fazendo presente nos uniformes, nas barracas, canções e porque não na fraternidade. Se você vai em um, meu fraterno abraço. Divirta-se, uma pena que muitos não poderão ir, pois o valor da taxa excede o que eles poderiam pagar!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Uma crônica para um domingo qualquer. O que é bonito me encanta, o que é sincero me fascina!



Uma crônica para um domingo qualquer.
O que é bonito me encanta, o que é sincero me fascina!

                  Domingo, a gente acorda, abre a janela e vê o nascer do sol, nesta grande cidade de pedra. Os primeiros ventos trazem um pouco da poluição que irá prolongar por todo dia... Um poeta disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação envolve o mundo. Tento a moda escoteira sentir o mundo ao meu redor. Sei que tem hora que a gente cansa, não quer mais saber de aventuras feitas no quarto da internet... Eita vida que me faz de vida. Quanto mais vivo mais percebo quão insignificante somos... Ou melhor... Eu!

                 Acordei cedo. Não era quatro da manhã. Sentado na cama meditava o que era minha vida nesta velhice sem fim. Pensei o quanto o Face era importante para mim. Não sei... Cada um tem sua opinião. Um dia a gente cansa de bater na porta do computador que não quer abrir e prefere pular uma janela que já estava aberta... Só para não desistir. Abro minha janela para o mundo. Um mundo que não conheço, que vi um sorriso, uma dor reclamada, alguém que está do outro lado a me dizer: - Bem vindo! Somos todos irmãos... Mas vamos com calma!

               Olho sim com muita calma e sinto o chamado dos ventos e me dou por inteiro a uma amizade que desconheço se é sincera e real. Não condeno o narcisismo das redes sociais. A meu ver é importante considerar que há uma autêntica ironia, de pessoas tão distantes, oferecendo mesmo que nominalmente uma fraternidade universal. Uma continua troca de informações, de amizades e até mesmo uma obsessão de contar sua vida pessoal, seus amores... Suas dores!

              Um que chegou ao fundo do poço diz que aqui se destrói relacionamentos, termina dizendo que é uma rede social inútil! Até que ponto acredito? Não valeu a pena? Sei que tem uma parte que estraga, mas pensando bem tem algo que é social. No relacionamento com pessoas desconhecidas, onde se pode conversar abertamente sem medo de ser feliz. Se você é daqueles que conversa com outras amizades fora deste quadradinho que está ligado, o seu tempo gasto não será diferente do que gasta aqui.

               Sei que tem hora que cansa. Olha dança e chega à conclusão que não vai dar. São aquelas horas que te jogam no cantinho da orelha, o bom samaritano, o paisano candidato, o valente dragão que vai salvar a nação. Gosta-se ou não. Porque me vender algum que não quero? Chefe aquela amizade é mais importante que as que teve no passado, são pessoas educadas, não pedem dinheiro, mas contam seus sucessos e seus fracassos. Já disse, não é que eu me importo, é que chega uma hora que a gente cansa e acaba quase desistindo.

              Sou falante nas teclas onde escrevo. Falo demais... Depois de velho agourento, deixei para trás os dissabores e pensei: - Porque não escoteirar? Mostrar um novo caminho, retirar todos os espinhos e dar um final feliz? Tudo isso é possível, se de um lado há a exibição de si mesmo, mesmo assim vale a pena a busca dos laços de amizades, o desejo de ler os pensamentos, os desejos de ajudar. Aqui a escolha não é ditada pela moda ou pelo acaso. Aqui tudo se revela ou se resume numa filosofia de vida. Se for a que escolheu como meta de vida.

             Tudo no Face se resume a informar, a nos doar como pensadores de uma ideia qualquer. Uns reclamam ao infinito... Dizem: - Às vezes perdemos nosso tempo a nos doar aos amigos virtuais que muitas vezes não sabem valorizar nossas amizades... Acredito que como eu muitos não pensam assim.

             Hoje na idade da razão, ou quem sabe na idade senil dos velhos da terceira idade, não tenho mais aonde ir. Vou por aí nas estradas do Facebook fazendo o que sempre sonhei. – Deixando o vento me levar em pensamento nas asas da imaginação por lugares que já passei e ainda tento descobrir. Meu tema? Meu assunto? Meu ofício? Sou sim, como você sou escoteiro de coração, no antes... No hoje... E no Meu amanhã! Bom domingo! Aquele fraterno abraço de coração!

Nota – Resolvi escrever... Nossa que ideia nova Chefe! E eu sorri da duvida do amigo. Já no fim da idade, quem sabe na puberdade dos setenta e sete, não tendo o que fazer eis me aqui, em um domingo de sol, pensando-nos que estão lá no campo, escoteirando, fazendo fogueiras, brincando de herói! Herói? Sim melhor que carnaval não acha? – E quando encontrei você, vagando pelo universo, recebi o seu convite... Tornamo-nos amigos e hoje às vezes penso que você é a única ou o único que me entende!




quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. 21 meninos embarcaram em um barco no porto de Poole...



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
21 meninos embarcaram em um barco no porto de Poole...

- O mundo gira, as coisas vão acontecendo e num piscar de olhos tudo se transforma... Será que alguém lembrou um dia que esses 21 meninos são os responsáveis por você estar escoteirando? Gira mundo, gira. E me traz algo de bom. - Eles não tinham como saber que estavam promovendo um movimento que no futuro seriam de milhões e milhões de jovens em todo o mundo. Quantos depois deles gritaram ao mundo que seriam Escoteiros por toda a vida? Será que estes 21 meninos de Brownsea em sua velhice contaram suas experiências vividas e nunca esquecidas?

- Fico pensando que em cada acampamento, em cada excursão estes 21 meninos depois transformados em milhões nunca esqueceram como tudo começou, uma terra nova, inexplorada, e eles entrando na história como embrião de uma nova era... De uma nova vida... Que seria perpetuada para sempre!

- Mais de um século se passou. Foi realmente um momento sublime, importante, como um raio de sol se espalhando por toda a terra quando eles no porto de Poole embarcaram para Brownsea...

- Será que seus pais ficaram preocupados? Deram mil listas de preocupações ao general Inglês? Sir! Onde fica Brownsea? O que eles irão fazer lá? E se alguém quiser voltar como o Senhor General vai nos comunicar? Ah! Ainda não existia o celular. Ainda bem se não a história seria outra.

- Uma pequena Ilha. Na costa meridional da Inglaterra. Um dia qualquer de julho a agosto no ano escoteiro de 1907. Queria estar na mente de Sir Percy Everett um dos adultos privilegiados que estavam lá. Foi ele quem conseguiu autorização de um amigo Senhor Charles Van Raalte para que 21 meninos acampassem lá.

- Sir, disse seu amigo, a ilha tem duas milhas de comprimento e uma de largura. Bosques? Muitos. Lagos? Dois. Como disse aquele general: - “Um bom terreno para escoteirar”. “Ali o campo surgiu e esses 21 meninos nunca poderiam prever quantos campos de Patrulhas iriam surgir depois de Brownsea”...

- O pai de um deles leu pausadamente o bilhete do General: Meu caro Senhor “Eu proponho” fazer um acampamento com 21 meninos para aprender “Scouting”. Em agosto uma semana nas férias escolares, se autorizar nós seremos os primeiros a criar um movimento a quem irei chamar de Escoteiros. Será incrível o que vamos fazer na ilha chamada Brownsea! Seus filhos irão se orgulhar. Irão aprender a cozinhar seu próprio alimento, aprender a lavar suas roupas, fazer sozinho a higiene no campo. Olhe Senhor, diga para ele aprender três nós simples, o direito, o Escoto e o Fiel. Hã! Bendito nós. Qual escoteiro de hoje não os sabe fazer?

- Alguém disse não? Meu filho ir para o mato? E as cobras? Os escorpiões? O velho herói de Mafeking sorriu quando todos autorizaram e disseram sim. Eles sabiam quem seria o Chefe. Seu nome já era conhecido em toda a Inglaterra que diziam ser o país onde o sol nunca se põe! Afinal o General defendeu Mafeking um verdadeiro herói e teria a colaboração dos seus companheiros de armas lá em Brownsea.

- 21 meninos... Na Ilha de Brownsea. Nem sabiam que estavam abrindo um leque para o futuro. Quem esqueceu os Corvos? Os Lobos, os Maçaricos e os Touros? Quem não daria sua vida para estarem nestas patrulhas as primeiras do mundo? Ainda vejo sentado na ponta da fogueira, Sir Percy Everett sorrindo e pensando:

- Tudo foi espetacular demais. E nunca mais vou esquecer em minha vida os Fogos de Conselho, antes das orações e do apagar das luzes, ele ao redor do fogo contando histórias assustadoras, cantando o Eengonyama e atraindo a atenção de todos. Como um fantástico Chefe, diante da luz da fogueira, cheio de alegria e de vida, com momentos graves e alegres, respondendo a todos, imitando o chamado dos pássaros, ensinando como tocaiar um animal selvagem, dançando e cantando ao redor do fogo, com uma moral não apenas em palavras, mas convencendo a todos, jovens e adultos do novo escotismo. E sei que até hoje todos que o viam estavam prontos a segui-lo em qualquer direção!

- 21 meninos! Eles nunca pensaram que estavam promovendo um movimento único, nem pensaram que um dia ele iria se expandir em todos os rincões da terra. E quando eles envelheceram devem ter contado suas experiências aos seus filhos, aos netos dizendo: Foi ali... Em Brownsea que “Tudo começou”.

- Eu sei que cada menino de hoje, que fez sua promessa, também tem seu “Momento na Ilha de Brownsea”. No seu primeiro acampamento ele se sente como um Corvo, um Touro, um Lobo ou um Maçarico vivendo naquela terra nova e inexplorada como se fossem mais um daqueles 21 meninos um século atrás!

- E na bruma cinza caindo na cidade de Londres, eu ainda vejo em sonho aqueles pais dos primeiros Scouts, no porto de Poole vendo seus filhos naquele barco indo para Brownsea para viver uma nova aventura. E quando o barco desapareceu no horizonte aqueles pais sorriram... Vá com Deus meu filho. Estarei sorrindo mesmo ficando para trás!

Nota - Escrevi hoje. Com bastante dificuldade. Deu-me uma enorme vontade de escrever. Eu sei quando não conseguir mais será o meu fim. Por isso mesmo contra a vontade do meu corpo eu farei tudo para soletrar palavras do escotismo, a quem amo e sempre amei! – “E eu ainda vejo nos meus sonhos aqueles 21 meninos, os primeiros Scouts, no porto de Poole indo para Brownsea para viver uma nova aventura. E sei sem estar lá, que quando o barco desapareceu no horizonte aqueles pais sorriram... Vá com Deus meu filho. Estarei sorrindo mesmo ficando para trás”!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Não me levem a mal, mas eu sou o tal!


Conversa ao pé do fogo.
Não me levem a mal, mas eu sou o tal!

Obs. – Este artigo não se dirige a nenhum Chefe Escoteiro atual ou do passado. Nem pensem em colocar a carapuça. Oxente! Portanto pensem que se trata de um país fictício chamado Bidipauwel. Já estive lá estudando o escotismo que fazem. Fiz até uns cursos e me dei muito bem. Gosto de dormir e correr para lá. Se me sinto bem ou não é outros quinhentos!

Meu caro Chefe:
                      - Tudo bem... Você já tirou sua foto com seu lenço de IM. Ótimo. Mostrou também seu certificado. Bom demais... Sei que tem outras mostrando seu diploma de mérito, sua condecoração de bons serviços ou gratidão. Beleza! Sei que já postou a foto da sua turma do curso. Linda foto. Sei que já está comentando que vai fazer em breve um avançado para participar da equipe de formação. Formidável! Sei que recebeu convite para ajudar em um curso e está se preparando para impressionar os cursantes e a chefia do curso. Nossa! Sem palavras! Mas e seus meninos? Seus rapazes? Seus assistentes?

                      Tudo bem que já pagou quase toda a taxa do Jamboree, você não ia perder estar próximos aos “homens” do poder. Tudo bem. Aceito... Mas pergunto novamente e seus jovens? A moçada vai bem? Tem as patrulhas completas? Ninguém sai e não há vaga? Uma enorme fila de espera? Quantos acampamentos fez no ano passado? Alguém na tropa tem mais de cinquenta noites de acampamento? E seus assistentes estão satisfeitos com você? Já me disse que seu grupo recebeu o certificado da UEB de Grupo padrão. Você já disse isso. Orgulha-se de ser o melhor. Padrão ouro, pois prata e bronze é para os Zé Mané!

                       Voce sempre escreve nas redes sociais que é preciso primeiro se preparar para depois ensinar... Ensinar? Você ensina? Triste sina. Pensei que seus rapazes e moças aprendiam a fazer fazendo. Mas tudo bem, novamente eu tenho de aceitar. Até me lembrei de um pequeno poema de um jovem escoteiro que me disse; - Chefe! Não foi ouro, não foi prata, muito menos o dinheiro, foi à fibra foi à raça que me fez um escoteiro! Adorei... E você não?

                     Olhe me tenha como amigo, não sou seu inimigo, sou um velhote cheio de manias e sei que assim como você o mais importante são eles e não você. Claro você merece. Dá duro, trabalha tem família para sustentar. Quem sabe não teve a oportunidade de escoteirar quando pequeno, mas e daí? Eu sei ou talvez nem saiba que você gostaria de fazer o que não fez. Sei que adora cursos, adora ser um líder para ensinar e liderar. Diz para muitos que tem muita coisa para dar.

                    Sei que faz isto muito bem com seus escoteiros, se dá bem com todos eles, mas onde estão as fotos deles para você publicar aqui? Nos acampamentos, nas excursões nas atividades aventureiras e melhor ainda, mostrando as pioneirías que construíram? Claro eles e não você. Diga-me quantos receberam cordões de eficiência? Tem muitos com os Lis de Ouro?

                     Pelo que vejo você já se apresentou. Mostrou seus certificados, mostrou seus dotes de líder, mostrou que pode ajudar aos voluntários que estão chegando. Já comentei que isto é uma beleza, mas pensei que o importante era a moçada, tão precisada de uma motivação para continuar. Eles não esperam isso? Não valeu seus cursos, seu aprendizado a literatura que leu de “cabo a rabo”? Gostaria de ver quantos lobinhos que passaram para sua tropa ainda permanecem até hoje. Todos? Então você é um sortudo! Merece um abraço e lhe sapeco uma medalha de Chefe dos chefes e dos chefões!

                    Desculpe eu sei que vai me dizer que este artigo não é para você. Você é diferente. Não se preocupa com medalhas, com certificados de avançados, aceita se querem dar não será contra, mas sua preocupação não é ser elogiado pelos lideres, e tampouco com os diplomas de mérito que já recebeu. Sei que é um literato escoteiro, conhecedor do POR, das normas e estatutos da UEB. Sabe de cor e salteado. Mas posso perguntar? Depois de tudo que recebeu já começou a aplicar em sua sessão? A turma deve estar sorrindo de orgulho de você não é?

                     Calma, não vou discutir, pois tudo que faz é sensacional. Sua turma desculpe Patrulha sabe formar, atende com presteza seu chamado, ficam calados e durinhos quando você fala, enfim você é o herói que eles pensaram em ser. Nem me diga que tem muitos cursos e até no exterior e isto é incrível, mas precisamos pensar neles não concorda? Mostre que eles são importantes, escreva e poste a foto deles escoteirando, com garbo e boa ordem fazendo boas ações. Tem mais? Opa! Tudo bem sei que aplica corretamente o Programa educativo na sua sessão e não discuto! Parabéns!

                   Ah! De novo chefão? Você se acha o tal? Vá colher banana no bananal. Olho de banda... Não era o Chefe que me telefonava lá de Botsuana. É meu espelho. Gosta de se divertir com minha cara. O que fazer? Vou até ele: - Espelho, espelho meu existe alguém mais chato do que eu?


Nota – Este artigo é uma ficção. Eu e você sabemos que os chefes escoteiros do Brasil não procedem assim. São perfeitos na sua forma de agir. Fazem de Baden-Powell seu ídolo pessoal. São mestres em Sistemas de Patrulhas e tem um grande amor pelo campo, pelos acampamentos e adoram cantar em uma noite de luar. Portanto meus leitores não condenem ninguém. Todos nós somos imbuídos no espírito da Lei e da Promessa e jamais iremos fugir de nossas obrigações... Com os jovens!      

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Uma inspeção de Gilwell.


Conversa ao pé do fogo.
Uma inspeção de Gilwell.

Chefe Tolon.
- Conversei com Miguel o Pioneiro que se prontificou a ser meu Assistente no Acampamento de verão. Quatro dias aproveitando o feriado do dia da Bandeira. Formamos uma boa dupla. Não era o primeiro, Miguel já tinha colaborado outras vezes. Aprendeu rapidamente como se portar em um acampamento escoteiro e dando todos seus conhecimentos aos patrulheiros e monitores. Os grandes jogos, os jogos noturnos, o adestramento de ver sem ser visto e até mesmo a técnica de montar grandes pioneirías foi muito bem assimilada. O que mais me preocupava, entretanto era a Inspeção de Gilwell feita impreterivelmente as nove da manhã nos campos de Patrulha.

Minha preocupação era com a Patrulha Lobo Cinzento. Nos dois primeiros dias ficou em último lugar. Eles nunca souberam seus pontos. Usávamos a técnica de Gilwell e assim só aquelas que atingiam o padrão para o Troféu Eficiência de Campo sabiam que alcançaram os 250 pontos exigidos. Não havia primeiro lugar. Bastava conseguir os pontos necessários. Miguel foi perfeito. Honesto na contagem, honesto na inspeção ponto a ponto. A Lobo Cinzento não conseguia acompanhar. Já sentia o desanimo estampado em cada patrulheiro.

Josivaldo o Monitor da Lobo Cinzento.
- Olhei para Polegar o Sub Monitor e ele olhou para mim com os olhos tristonhos. Segundo dia e não conseguíamos a classificação. Eu sonhava com o Troféu Eficiência. Via nas outras patrulhas o orgulho da bandeirola feita de couro marrom com dizeres “Patrulha Padrão”. No primeiro dia sabia que não íamos conseguir. Foi tudo muito corrido e com três patrulheiros novatos era difícil acompanhar as demais.                       

Já estava cansado de falar a mesma coisa. Não queria dizer quem fora culpado. Isto não era papel do bom Monitor. Eu sabia que ninguém consegue trabalhar em equipe se não aprender a ouvir. E ninguém vai aprender a ouvir se não aprender a se colocar no lugar dos demais patrulheiros. Eu entendia perfeitamente que todos são peças importantes no trabalho em Patrulha. Cada um representa uma parcela do resultado final, se um falha, todos devem se unir para acertar novamente.

Polegar o Sub Monitor da Lobo Cinzento.
- Eu estava desanimado. Era meu primeiro acampamento como Sub e jamais pensei que seriamos tão ruins assim para conseguirmos o “Troféu Eficiência”. Lembrei-me do meu pai quando dizia, filho o talento vence jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos. Era minha Patrulha sem tirar nem por. Conversei muito com Josivaldo. Ele reuniu a Patrulha diversas vezes. – Gente, ele dizia – Só com dedicação, motivação, visão e o talento de cada um podemos ganhar alguma coisa. É hora de cada um dar sua contribuição. “Não podemos voltar derrotados”

Miguel o Pioneiro Assistente.
- Me sentia bem como Assistente do Chefe Tolon. Educado, cortês, leal se dedicava ao extremo na formação da tropa. Conversei com ele sobre a Lobo Cinzento. Não poderíamos ajudar? Ele sorriu e disse: - Miguel se quer ir rápido vá sozinho. Se quer ir longe vá em grupo! Eles precisam dar o primeiro passo. Todos devem entender que são responsáveis. Aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo nem orgulho. É amor próprio. Eles precisam se entender.

- Chefe Tolon.
- Avistou naquela manhã todas as patrulhas na porta do seu campo, Cantando sorrindo em frente ao pórtico de entrada. Viu a Lobo Cinzento diferente dos outros dias. Será que se entenderam e mudaram o rumo? Ele gostaria muito que eles se classificassem, mas teriam as mesmas condições das demais patrulhas. Ajudar no possível sim, ajudar além do que merecem não. Chamou Miguel que tomava um cafezinho no campo da chefia. Eles tinham o seu. Ali se divertiam com suas refeições, pioneirías e o programa de campo. Faltavam cinco minutos para as nove. Começaram a caminhada. Pontualidade britânica ele dizia sempre.

Josivaldo o Monitor da Lobo Cinzento.
- Foi uma ótima conversa. Começou elogiando. Sabia que sem uma boa motivação ele não iria conseguir nada. – gente, - ele dizia – O que cada um de nós devemos fazer em primeiro lugar, é respeitar as nossas próprias convicções se acreditarmos nela. Se isto não for possível nada vai mudar. Ele notou a diferença durante o jantar onde cada um correu a construir pequena artimanhas e engenhocas, fazendo uma varredura no campo e todos depois do jantar correram até o riacho para dar um bom trato no vasilhame e material de sapa. Não passaram do horário. Era proibido. Dormiram bem e acordaram as seis em ponto.

Formados em frente ao Pórtico que apelidaram de “Verdade é Amor”, esperaram a chegada da chefia. Inspecionados no uniforme, apresentação e sorrisos ele acompanhou o Chefe na inspeção de campo. Não iriam falhar, os uniformes foram lavados os sapatos engraxados. Todos estavam de posse do seu lenço e pente. As facas e canivetes devidamente limpas e talqueadas. Quando os chefes partiram eles se abraçaram. – Ele disse: Turma, podemos até perder, mas se isto acontecer iremos perder com honra.

Miguel o Pioneiro Assistente.
- A bandeira tinha sido hasteada. Petisco da Puma fez a oração. Ele tentou esconder seu contentamento. Via as patrulhas sorridentes esperando o resultado final. Ultimo dia. Quando o Chefe Tolon Chamou Josivaldo Monitor da Lobo Cinzento para receber seu troféu, todas as patrulhas correram para abraçá-lo e aos demais patrulheiros. Com o sorriso leve do Chefe Tolon e de Miguel o Pioneiro Assistente a Patrulha Lobo Cinzento sentiu que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer.


Nota – Sobre uma inspeção de Gilwell: - É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota. A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante. E termino dizendo: Sem bom monitores não existem boas patrulhas.