HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Obrigado pela visita, volte sempre!



Um pouco do autor.

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Escotismo? Sei lá, entende! Há controvérsias! (Crônica baseada nos personagens de Chico Anísio).


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Escotismo? Sei lá, entende! Há controvérsias!
(Crônica baseada nos personagens de Chico Anísio).

                 Todos sabem que eu amo o escotismo. Quem sabe sou diferente. Tem hora que penso que sou o seu Rolando Lero: - Amado mestre... Captei! Captei vossa mensagem! Cheguei à conclusão que sou diferente. Tudo que faço é errado. Sei lá entende? Quem sabe a Dona Bela ia me olhar e dizer: Chefe! Você só pensa... Naquilo! Ou o Pedro Pedreira a rir de mim dizendo: Não me venha com chorumelas! E iria completar: - Há controvérsias! - Este tal de escotismo moderno me enche as paciências. Só porque não aceito esta tal modernidade, alguns chefes raivosos me olharam imitando o Seu Peru da Escolinha: - “Estou porrr aqui com você”! Afinal dizem que velhos escoteiros não existem. Uns dizem que são ex-Escoteiros, outros antigos escoteiros e outros afirmam que são veteranos.

                     Como dizia a pudica Dona Bela, esta turma “Só pensa... Naquilo!”. Prefiro não discutir, mas eu adoro me chamar de Velho Escoteiro Chato de galocha. Alguns nos chamam de escoteiros mais velhos. Bah! Eu mais Velho? “Sou novo meu!”. Teve um que me disse: - Chefe somos veteranos. Eu sorri sem graça, pensei no seu Rolando Lero que dizia: - “Captei! Captei vossa mensagem amado mestre!”. E por favor, não me confundam com seu Samuel Blaustein que dizia: - “Fazemos qualquer negócio!”. Desculpe estou fora desta!

                   É... O escotismo está mudando. Não sei onde vai parar. Não cresce a evasão aumenta, e tem cada um que parece dois. Se você chegar perto de um desses grandes chefes e pedir para cantar o rataplã, sabe o que ele dirá? – “Opa! Tá na ponta da língua!” não é assim que dizia o Sandoval Quaresma? Chefe, calma, “Eu estava indo tão bem!”. Já pensou acampar com aquela Tropa que aonde vai tem de ser em um sítio, onde tem agua quente no chuveiro para o “chefinho”, luz, WC, fogão a gás?

                 Disseram-me que um Chefe todos os dias corre na cidade para comprar as “quentinhas”.  Bacana não? Só falta o Paulo Cintura aquele fisiculturista acordar a escoteirada de madrugada e dizer: “Vamos malhar! Saúde é o que interessa o resto não tem pressa! Iiiissa!”. Pois é, tudo é mesmo moderno e prefiro me esconder no barro como o Rambo fez. Afinal isto é acampamento? Mas não tem jeito, sempre me acham para reclamar. Oselino Barbacena é que ia gostar. Ele sempre se escondia e dizia: “Ai, meu Jesus Cristinho, já me descobriu eu aqui de novo! Larga d’eu sô!”.

                   Enquanto isto vou caminhando nesta estrada escoteira esperando encontrar um chapelão de abas largas, alguém de calça curta, um sorriso nos lábios e encontrar na curva do morcego o Seu Suppapau Uaçu, o índio com seu sotaque carregado que iria dizer: “C’es moi! Suppapau Uaçu, o escoteiro gostoso! Manda! Arrepia!”. E a tal da vestimenta? Ainda desbotando e descosturando? Dizem que os novos só recebem Autorização Provisória com a vestimenta. Afinal nenhum líder de distrito e região mostrou os dois uniformes? Só um que custa caro é o certo?

                  Pô meu, cê parece que num sei? “É o seguinte, quer dizer, em também não sei, mas supondo que soubesse, eu diria, sei lá entende!” Patropi devia ter sido Escoteiro. Já pensou ele em uma reunião da DEN ou o CAN? De caqui curto dizendo: - Sem crise, sem crise! Soube que em um curso Escoteiro alguém disse que era ateísta. O mundo veio abaixo. O dirigente Formador não gostou. Queria tirar o moço do curso. Melhor chamar seu Boneco para resolver a questão: “Ligadão nas quebradas, chefia, mas que hora é a merenda?” Mas se quer mesmo saber minha opinião “Vou responder ‘dis costa’. Crasse!”.

                   Enfim, não adianta brigar nem discutir nem chorar. Os donos do poder Escoteiro não abrem mão. Se você tem um amigo que pertence a Corte e pergunta aonde vamos chegar, ele responde a lá Patropi: - “Meu, daria para me incluir fora dessa?” – Você sabe que eu cheguei atrasado e para compensar vou sair mais cedo!”“. De vez em quando me levanto vou caminhar com minha bengala e fico me perguntando – Escotismo! Onde está você? Estava tão perto e hoje está tão longe! E não foi seu Ptolomeu muito estudioso que disse ser Baden-Powell um sargento de batalhão do BOPE? Pois é, eu queria ter um filho assim! E Ele respondia: Nem tanto mestre, nem tanto!

                  E olhe dizem que sou mesmo um tradicionalista chato de galocha. Lembrei-me do seu Valdemar Vigário e sua tirada: - “O menininho... Cabeçudinho... Joelhinho grosso... perninha fina... Quem? Quem? Ele Raimundo Nonato. Ainda bem que ele não disse Vado Escoteiro. Sei que não nasci em Maranguape. Afinal ele poderia me perguntar: - Te lembra disso?”. Já me disseram que se o seu Armando Volta fosse escoteiro, logo estaria nas cortes do poder. – E ele com seu presente, dando ao Presidente da UEB e dizendo: Somebodylove pensei por que não comprá-lo? Comprei-o, aceite, é de coração, sem o menor interesse. Comigo pedra é pedra, se sei digo que não sei e pronto. É papo dez chefão! Puxa saco de uma figa!

                         Bem melhor parar por aqui. Tem muitos politicamente corretos que adoram a UEB atual ou EB, sei lá entende? Dizem que eles não leem o que escrevo. Sei não. Gostaria de ver a cada deles lendo. Eles para chegar lá me lembram do Batista da Escolinha – “Faço tudo que o senhor mandar!”. “Saúde, paz amor, harmonia, alegria e prosperidade pro senhor e prá toda família!”. Já os vejo bajulando um Alto Dirigente da WOSM dizendo: - “Gostaria de falar uma coisinha pró senhor! O senhor me autoriza?”.

                        Ainda bem que sou mineiro, diferente do Nerso da Capitinga, cheio de manhas, mas que afirmava: “Eu não sou bobo não, fio!” “É seu este escotismo e não meu!” e terminava – “Intão tá, intão!”. E vamos parar... Zevini! Zevini! E o seu Bertold Brecht sorriu quando foi na sede escoteira regional e logo o chamaram de “Camarão” – “É a mãe, Camarão é a mãe!”.

                       E os preços das bugigangas escoteiras na Loja Nacional? Deviam colocar na gerencia o seu Alim Muchiba respondendo ao escoteiro Samuel Blaustein: - Qual o prezo da vestimenta? E Salim dá a resposta. A vista ou a prestação? - Chega por hoje, fico por aqui, olhe se você não está satisfeito com o escotismo moderno eu só posso lhe dar um conselho: - “É o seguinte, quer dizer eu também não sei, mas supondo que eu soubesse, eu diria, sei lá entende?”. Até outro dia meus amigos e termino repetindo João Canabrava: - Estou “Sóbrio chefia”. – “Bota mais uma UEB aí gente fina” “Fecha a conta e passa a régua!”. 



Nota de Rodapé: - Já publiquei aqui. Vez ou outra me lembro desta crônica. Adoro o Chico Anísio e até hoje ainda assisto a Escolinha no “Viva”. Suas personagens parecem reais e perdi a conta de quantos chefes conheci parecido com eles. Uma Chefe recomendou aos demais chefes que lessem esta crônica. Risos. Sei entende? Não sei se o Patropi concordaria. Ou quem sabe poderiam imitar o Seu Bertold Brecht. “Camarão é a mãe”! E viva a União dos Escoteiros do Brasil que hoje é só Escoteiros do Brasil. Anrê!             

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Cobras&escorpiões... E o escambal!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Cobras&escorpiões... E o escambal!

                Ontem cochilando em frente à TV, fui despertado por um programa sobre cobras. Mostraram a Jararaca e a Surucucu pico-de-jaca. Disseram que elas estão incluídas nas mais venenosas do Brasil e que mais de 35.000 pessoas são mordidas por ano. Não sei se mostraram a Coral verdadeira e a Cascavel estas são lindas, mas também são um perigo. Interessante que disseram ser a Surucucu a mais venenosa do continente americano e uma das maiores do mundo. Beleza. Voltei a cochilar na poltrona e embalado em fluidos mágicos, dei asas a minha imaginação e fui parar quando subindo o pico do Ibituruna, morto de cansado, nosso Balu mandou parar para ver e aprender com uma enorme surucucu atravessada na trilha da subida.

                Quando entrei para os lobinhos tinha quase sete anos. Já tinha visto cobras, pois do outro lado da linha do trem da Vale do Rio Doce onde morava, tinha um descampado de capim colonião com muitas cobras. Mas foi meu Balu que me iniciou no aprendizado de conhecê-las melhor. Até hoje não sei por que ele se denominou Balu. Não havia Akelá apesar de ele dizer que o Chefe Zé Amâncio era o Akelá. Nunca o vi em quase quatro anos de alcateia a não ser nos desfiles. O Balu era negro, magro, quando sorria era um desastre. (veja foto anexa). Faltava dois dentes na frente. Mas a gente adorava ele. Dificilmente ficávamos na sede. Ele nos dava a mochila, uma meia lona de barraca e lá íamos nós estrada a fora aprender com a natureza.

                 Ele era bom nisto. Quando passei para os escoteiros já sabia armar barraca de olhos fechados, fazer um fogão de barro, tripé e era mestre no Caçador, estrela, refletor e trincheira. Ele nos ensinou mais de vinte nós, ensinou a orientar pelo sol, lua e estrelas. Criamos na alcateia nossos sinais de pista que só os lobinhos conheciam. Andávamos longe. Meu pai e minha mãe assim como os pais dos outros lobos confiavam nele. Olhe, para ser sincero não sei se os formadores de hoje o deixariam passar em um curso de lobinho. Seu estilo, sua figura e sua maneira de falar era demais para um mineiro matuto. Mas quer saber? Eu daria a ele a Insígnia de Madeira de lobos e escoteiros de olhos fechados.

                Éramos vinte e dois lobos e quase todos passaram para a tropa de escoteiros. Isto ainda existe? Ele conhecia um pouco da Jângal, nos contava pequenas histórias de Mowgly (mais inventadas) sabia a dança da chuva, da Kaa e outras que não me lembro. Para ser admitido na alcateia tinha de decorar a lei do lobinho e a promessa. Não sabíamos que existia lobinho Cruzeiro do sul, mas conhecíamos as especialidades a primeira e a segunda estrela. As mães bordavam todos os distintivos. Certificados? Necas. Só fui ouvir falar quando passei para os seniores. Uma época que você confiava no escoteiro que portava um distintivo qualquer principalmente a especialidade.

                 Pois é, Sempre quando íamos fazer jornadas dormíamos na sede e as quatro da matina a lobada partia. Fila? Não meu amigo, o Mor na frente e o Primo mais antigo atrás. Mor? Sim, ainda existia na alcateia como o Guia na tropa. Foi na trilha da subida do pico do Ibituruna, lá pelas oito da manhã que o Balu mandou parar ao sinal do Mor. Disse para nos aproximarmos a ele sem fazer barulho. Mostrou-nos atravessada na estrada uma enorme Surucucu pico-de-jaca, seu rabo curto, a forma da cabeça e seus olhos. – Só disse para prestamos atenção, pois ali estava a mais perigosa cobra brasileira.

                 Fizemos barulho e ela fugiu para o mato. Partimos sem medo. Agora saberíamos reconhecer uma verdadeira Pico-de Jaca. Ele sempre nos disse que ao andar no mato fazer barulho. Isto espanta: - Lobos! Ele dizia a cobra só ataca quando atacada. Fora isto ele corre. Pois é, sempre mesmo quando sênior bater o bastão nos troncos das árvores, no capim e no chão. Conheci muitas cascavéis, jararaca e uma coral que nunca soube se verdadeira ou não era mestre em dormir na nossa barraca quando acampávamos na Fazenda do Capitão Raul.

                 Não acreditam? A gente chegava armava a barraca ia dormir e ao acordar lá estava ela enroscada em um canto da barraca. Fizemos amizade. Se ela gostava de dormir lá que dormisse. Ficamos mestres em reconhecer os escorpiões mais perigosos e onde eles seriam encontrando no campo, nos bosques ou matas. Cuidado com o amarelo e o preto mesmo sabendo que o amarelo é mais venenoso dizia. Nosso Balu repetia que a picada do amarelo dói muito e pode matar em poucas horas. Quando passei para os escoteiros vi que os meus novos amigos eram bambas em animais peçonhentos. A verdade é que nos meus setenta anos de escotismo tive a sorte de Deus nos proteger. Nunca vi alguém ser mordido.

                Naquela época ninguém tinha medo. Mamãe e papai não vinham nos dizer para tomar cuidado. Sei que hoje muitos pais não deixam os filhos entrar nos lobos e ou escoteiros por medo de cobras e escorpiões. Sinceramente? Morre-se mais por atropelamento do que por mordida venenosa. Mas não tiro a razão deles. É preciso ensinar o menino desde lobo a aprender a se defender. As histórias contadas de chupar o veneno, cortar em cruz para fazer uma sangria, mastigar fumo e jogar em cima e outras tais como faca quente na brasa em cima da mordida pode ajudar, mas nem sempre resolve. Só o soro antiofídico tem valor.

                Houve uma época que o Chefe Jessé nos contou que o Instituto Butantã trocava cobras por soro. Mandavam-nos até as caixas próprias. Pegar as bichinhas era fácil o difícil era convencer o Chefe da estação a despachar as caixas com cobras. Elas iam de trem até Belo Horizonte e de lá a São Paulo. Cinco dias de viagem. Vão morrer de fome ele dizia. Por alguns anos enviávamos e recebíamos o soro. Sem geladeira ele se perdia logo. Doávamos ao Hospital da Dona Zulmira.


               É... Cobras, escorpiões marimbondos e abelhas. Coisas que devemos fugir. Mas quem pode? Escoteiro que é escoteiro não corre! Enfrenta! É mesmo? Hoje? Sei não, cada um deve saber onde o calo aperta! Sempre Alerta.

Nota de rodapé: - Na TV vi um comentarista dizer que mais de 35.000 pessoas são mordidas de cobra no Brasil. Tudo isto? Pensei que isto não mais existia. Lembrei-me dos meus tempos de lobo e escoteiro quando comecei a conhecer as amiguinhas. Alguns tem medo outros adoram. E você? Deixe aqui seu comentário, medroso ou não. Risos. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Você sabia? (Aconteceu com os Escoteiros ingleses).


Conversa ao pé do fogo.
Você sabia?
 (Aconteceu com os Escoteiros ingleses).

Centenas de Escoteiros do Mar ajudaram a evacuar na praia de Dunquerque na França mais de 350.000 soldados atravessando o canal da Mancha durante a Segunda Guerra Mundial?

Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 50.000 escoteiros foram treinados para realizar tarefas do Serviço Nacional de Guerra, incluindo atuando como mensageiros da polícia, bombeiros e maqueiros?

Você sabia que a primeira apresentação pública de David Bowie aconteceu nos Escoteiros? - Ou que HERG E 's Tintin lendário personagem é baseado em um Escoteiro? - Primeira performance musical pública de David Bowie estava em um acampamento escoteiro na Ilha de Wight, em 1958. David acompanhou o seu amigo George Underwood no ukulele, enquanto George jogado washboard baixo e cantava?

     Mais de 35 milhões de pessoas são ativas no Escotismo em todo o mundo - que é igual à população do Peru?

     Grupos Escoteiros em Merseyside mantem o atual recorde mundial para a cadeia de aperto de mão mais longo da história?
.
     O livro de Baden-Powell Scouting for Boys já vendeu 150 milhões de cópias desde 1908, tornando-se o quarto livro best-seller de todos os tempos, depois da Bíblia, o Alcorão e Pequeno Livro Vermelho de Mao?

     Rolling Stones e o roqueiro Keith Richards agradeceu aos escoteiros com carinho a sua carreira musical. "Eu tenho que ser líder da patrulha dentro de seis semanas” - Eu só tiro para o topo. Uma vez eu tive um monte de caras juntos, não importa se era os escoteiros ou uma banda, eu podia ver meu caminho claro para puxar todos os seus vários talentos juntos.

     Nos últimos cem anos, mais de meio bilhão de homens e mulheres fizeram a Promessa Escoteira?

    Em janeiro de 2012, o Escoteiro Bryony Balen tornou o mais jovem britânico de sempre a esquiar até o Polo Sul?

Há um cartaz Escoteiro em ambos os EastEnders e cafés de rua da coroação?

   Para marcar o centenário do Escotismo em 2007, os escoteiros plantaram meio milhão de árvores em todo o Reino Unido?

   Que existem apenas cinco países do mundo que não têm o Escotismo - China, Cuba, Laos, Coréia do Norte e Andorra?

   Os escoteiros nos Jogos Olímpicos Makers tiveram participação destacada. Durante os Jogos Olímpicos de 1948 "austeridade" em Londres, Scouts foram descritos como 'The Oil dentro das rodas dos Jogos Olímpicos de Organização' - executar tarefas como servir chá, levando mensagens e carregando cartazes na cerimônia de abertura?

  Gilwell Park, UKHQ dos escoteiros é o lar de parte da ponte velha Londres projetado no 19º século por John Rennie. O resto é no Arizona?

   Liam Payne do mundo, dominando boyband One Direction é um ex-escoteiro, como é 'Reem' tornozelo relógio vestindo TOWIE estrela Joey Essex?

   A cada dia 100 mil pessoas no Reino Unido participam de atividades do Escotismo - mais do que a capacidade do estádio de Wembley?

   O primeiro Jamboree Escoteiro Mundial, em 1920, teve a participação de 8.000 escoteiros de 34 países, bem como um jacaré de Florida, um crocodilo bebê de Jamaica, a leoa filhote da Rodésia (Zimbabwe), os macacos da África do Sul, um filhote de elefante e um camelo?

   A cantora e DJ Jarvis Cocker doou o disco de platina para o maior álbum do Pulp nunca, Different Class, ao seu antigo Grupo Escoteiro em Sheffield?

   Em 2012, o Escotismo foi votado como aquele que mais pratica caridade e o mais inspirador e prático do Reino Unido?

   O atual e mais jovem Chefe Escoteiro, Bear Grylls, foi uma das pessoas mais jovens de subir varias vezes até o cume do Monte Everest, na tenra idade de 23 anos?

  Robert Baden-Powell, o fundador do Movimento Escotismo, foi votado no Reino Unido como a 13º pessoa mais influente do século vinte?

   Em 2009, um grupo de escoteiros (com idade entre 8 a 10), fazendo lobby contra o "imposto da chuva" foi impedido de entrar no Parlamento por ser muito jovem?

  John Lennon e Paul McCartney foram Cubs (castores) juntos?

Quando Escoteira voluntária A duquesa de Cambridge foi fotografada usando um par de Le Chameau Vierzonard galochas e as vendas das botas dispararam mais de 30%?
        
Scouts estão na notícia o tempo todo! A cada mês, mais de 70 menções positivas são feitas no rádio, TV e nos jornais? (no Reino Unido)

     O conhecido Polar e explorador Ernest Shackleton levou dois Scouts com ele em sua última expedição à Antártida no RSS Descoberta.

      Durante a Semana Escoteira da Comunidade, 16 mil escoteiros e voluntários em todo o Reino Unido recolheram 800 toneladas de lixo, o que equivale a 65 completos autocarros de dois andares?

      Na última década, 43 mil meninas e mulheres jovens se juntaram aos Escoteiros e Cubs? (castores). Isso é o mesmo que a população de Folkestone.
        

    Os Escoteiros e Líderes (chefes) contribuem com o equivalente de 37 milhões de horas de trabalho voluntário a cada ano - no valor de cerca de £ 380.000.000?

Nota de Rodapé: - - Neste “VOCE SABIA” citamos fatos com o Movimento Escoteiro na Inglaterra destacando a evacuação de mais de 350.000 soldados ingleses e aliados na praia de Dunquerque em Dover na França. Sob forte bombardeio, famílias inteiras que possuíam canoas, botes, escaler e navios de pequeno porte, contando com a ajuda da esquadra inglesa fizeram realizar um verdadeiro milagre entre os dias 26 de maio e 04 de junho de 1941 na retirada destes soldados. Escoteiros do Mar estiveram presentes neste sensacional salvamento. O filme Dunkirk em cartaz conta toda a saga desta grande aventura.

sábado, 9 de setembro de 2017

Entrei de gaiato sem saber por quê.


Entrei de gaiato sem saber por quê.

            Acordei cedo. Não tão cedo, acho que eram umas sete da matina. Banguelo quase não uso escova, mas pus a pasta e fingi que tinha dente. Um relâmpago de memória me lembrou de quando estava acampado na Serra do Japi, um frio de gelar fui escovar o dente e lavar o rosto nas corredeiras do Rio Castor, escorreguei e batbum! Lá fui eu de uniforme e chapelão levado pelas correntezas do rio. Hoje dou risadas, mas naquela época passei por poucas e boas. Faz parte da vida de um escoteiro com seus perigos de Tarzan depois do brejo. Quá, quá!

             Abri o portão, peguei minha bengala e toc, toc e toc e lá fui eu rumo à padaria comprar pão. Menos de seiscentos metros. Perto. Ao virar na Av. São José assustei. Uma picape Frontier da Policia Federal freou ao meu lado. Quatro parrudos de terno e óculos pretos me agarraram pelas axilas e me jogaram na parte de trás da picape. Nem deu tempo para pedir socorro e me enfiaram um saco preto e desmaiei. Não sei se de medo ou da velhice “doentástica”. Acordei gritando que precisava respirar! Fizeram com um canivete escoteiro um buraco para meu nariz de escoteiro respirar.

               Um deles gritou para mim: - Para de gritar, tu és um escoteiro ou um rato? Não era hora de valentias, melhor calar e seja o que Deus quiser. Quinze minutos depois a picape freou no estacionamento da Policia federal. Arrastaram-me e me jogaram em uma cela quadrada pequena com uma cama e um colchonete. Uma hora depois dois deles vieram me buscar. Fui parar em um escritório bem montado, luzes azuis e verdes piscando e sentada em uma poltrona uma bela mulher de seus trinta e cinco anos, de uniforme caqui, saia curtinha que dava para ver... (?). Ela se levantou. Usava o novo lenço da EB. Seria da turma do CAN?

               Ela sorriu para mim. Desculpe Célia, mas a danada era bonita demais. A camisa do uniforme estava desbotoada deixando aparecer um pouco daquilo que o escoteiro não pode ver. – Sempre Alerta Chefe Vado Escoteiro! Ela disse. Não respondi. Não é meu costume. Deu-me sempre alerta respondo logo, mas ela com seu estilo mignon, sorriso de estrela de cinema não era uma Chefe escoteira. Não era mesmo. – Moça, não a conheço, o que quer de mim? – Eu chefinho? – Já estava abusando e não gosto disto.

                - Estou tentando ajudar você queridinho! – Putz! Será que ela achava que ia me conquistar assim? – Estou aqui - ela continuou a pedido do CAN e da DEN para tentar salvá-lo das garras do Rodrigo Janot! – Moça! Deve estar enganada, sou um velho escoteiro sem eira nem beira, não saio de casa a não ser para comprar pão! – Ela riu. – Chefinho! Preveniram-me como você era. Finge de velhote, mas é um durão escoteiro! – Me deu vontade de rir. – Chefinho, melhor contar o que você combinou com o Joesley Batista e o Ricardo Saud. Toda a Policia federal, A Procuradoria Geral da República, o Supremo Tribunal Federal e até a Presidência da república já sabem de tudo!

                   Nossa! Acho que me ferrei, pois logo entrou na sala o Rodrigo Janot acompanhado do Ministro Edson Fachin. Lembrei-me dos meus tempos na Serra da Piedade quando cai em uma caverna e encontrei vários esqueletos pendurados em um vagão de cascalho que devia seguir para Ouro Preto. O medo que senti parece com o que estou sentindo agora. O Doutor Rodrigo Janot meteu o dedo no meu nariz e gritou: - Foi você! Sei que foi você quem escondeu os cinquenta e um milhões de reais do Geddel! – Putz Grila! Logo eu? – Doutor, veja no meu bolso mal consegui “dois merreis” para comprar pão!

           - Deixa disso escoteiro de araque. A turma de Curitiba já dedurou você. A gostosinha aí é agente secreta da ABI (Agencia Brasileira de Inteligência). Conhece seus truques escoteiros para montar campo e subir em árvores usando nós de evasão! – Comigo é mais embaixo! “Tretou relou o pau comeu”. Se quiser defender o Temer vá lá. Mas o Gilmar Mendes não. Eles querem acabar comigo e você não vai colaborar! Sei que você é cria da Odebrecht, sei que você é parente do “Italiano” e mancomunado com o Lulinha paz e amor!

 

                  Olhei bem para ele. Saudades do meu bastão de duas e meia polegada com ponteira de aço. Ali naquela sala vi que estava frito e pronto para o jantar da escoteirada do DEN e do CAN. – Tomou papudo! Voce fala demais agora aguenta. Porque não foi reclamar na Assembleia Nacional? Doutor! Doutor! Eu não sei de nada! Não conheço o Geddel Vieira lima, não conheço o Joesley e o Ricardo e nunca vi de perto o Renan Calheiros! Eu sou um escoteiro das antigas, só isto. Sei que escrevo muito contra a turma de Curitiba, mas fazer o que Doutor?


                   A porta abriu e o Leandro Daiello Chefe da federal entrou. – Meta este velhote no xilindró! – Assim ele vai sossegar e deixar os chefões de Curitiba em paz!  Olhei o Daiello nos olhos! Chispas de fogo começaram sair. Gritei BP bem alto e meu bastão apareceu na minha mão. Agora sim estava armado até os dentes. Comecei a dar bastonadas na turma toda. A Mulher gostosa vestida de escoteira me encarou e fez gestos de caraté! Saltei por cima dela como fazia nos meus tempos de Salte o Obstáculo, pulei pela janela até uma corda esticada, era bom de comando Crow e alguém deu um tiro!


                  Comecei a cair no espaço. Gritei por BP, gritei pelos meus amigos escoteiros e fui salvo pela Célia. Ela lá estava na cabeceira da minha cama me balançando e dizendo: - Marido acorda, volte na real. Voce é apenas um velhote escoteiro e não aguenta uma “gata pelo rabo”! – Pois é, ela tinha razão. Enfrentar a policia federal, o Janot o Geddel e a “Mata Hari” vestida de escoteira é duro na queda. Levantei, tirei o pijama que estava molhado de xixi e fui tomar um banho. É sempre assim, ainda bem que nos meus pesadelos eu sou duro na queda! E viva Baden-Powell!


Nota de rodapé: - Sábado, a escoteirada e a lobada em reunião, brincando, aprendendo jogando acampando. Bom demais. Eu um velhote escoteiro sem poder estar com eles, estou aqui encurvado nas teclas do meu computador a escrever. Escrever o que? Hoje é apenas aquele contos da carochinha que escrevo e que tem gente que não gosta. Fazer o que? E viva o Geddel, pois até agora ninguém sabe onde ele juntou todo o dinheiro. Ele agora é o novo Tio Patinhas do Brasil!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Desfile de Sete de Setembro.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Desfile de Sete de Setembro.

- Qual jovem não sonhou um dia em desfilar na avenida, uniformizado, marchando garboso, seguindo uma bela banda dos escoteiros, o povo aplaudindo, os pais gritando: - Ali está! É meu filho! Isto arrepia qualquer um que teve a oportunidade de estar em um belo desfile. É nesta hora que dizemos: Orgulho de ser escoteiro.

           Semana da Pátria. Sempre foi uma semana importante na vida de um Escoteiro. Quem um dia não sonhou em participar de um desfile? Mochilas cheias de capim, sem ninguém saber, mas pareciam carregadas das “coisas secretas” dos Escoteiros. E o bastão? Hoje sei que foi suprimido, mas naquela época... O Chefe dizia – Todos muito bem uniformizados, afinal vocês terão a cidade inteira observando e tirando conclusões. A gente olhava com orgulho o Pelotão das Bandeiras. Lindo de morrer. Eles colocavam os bastões sobre um cinto (talabarte) prezo ao pescoço, elas ficavam desfraldas todos de luvas brancas, sapatos engraxados, cintos polidos, chapéus de abas retas, ufa! Pose de herói!

          As reuniões de sábados continuavam como sempre, mas as terças e quintas eram dias de treinamento para o desfile. Sabíamos marchar com orgulho. A continência a autoridade era perfeita. E a banda? Ah! A banda! Nunca vi igual. A melhor da cidade. O Grupo Escoteiro se orgulhava dela. Em cada instrumento uma bandeirola do Brasil e olhe todos afinados. O Mestre Munir tinha ensinado e todos sabiam o que fazer. Coitado de quem tocasse uma nota errada ou deixasse cair uma baqueta. Se o seu talabarte estivesse sujo ouvia poucas e boas claro, se não fosse defenestrado da banda. Mau exemplo para o público nunca! A ordem do desfile nunca mudou. Primeiro a Guarda de Honra das bandeiras. No meio a Nacional, à direita a do estado, a da esquerda da cidade. Atrás mais três a do grupo, do Clube onde funcionávamos e de vez em quando a da Igreja.

        A cidade em peso corria para ver os desfilantes. O Tiro de Guerra, um Batalhão da Policia Militar Grupos Escolares Colégios e claro os Escoteiros. Palmas e palmas. No palanque o Chefe do Grupo orgulhoso com suas estrelas de atividade brilhando. Quando saiamos da rua transversal, sempre na Frente o Pavilhão Nacional em seguida a banda, depois os lobos, os Escoteiros, os seniores e pais. Estes eram poucos, não mais do que vinte ou trinta. O trecho do desfile não era mais que oitocentos metros. A apoteose era em frente ao Palanque das autoridades e sempre fazíamos evoluções, malabarismo e nosso caminhão com a carroceria aberta estava lá à barraca armada, uma mesa e um fogão suspenso que na hora exata quando passava pelo palanque o café está sendo coado. Já tinha um Escoteiro preparado com uma bandeja, xicaras e ia servir o café para o Prefeito, O doutor Juiz, O padre, o delegado e o comandante militar e o Exercito.

             Quando terminávamos sempre dávamos uma volta em algumas ruas. As famílias saiam de suas casas e vinham aplaudir. Ao chegar à sede, mesas cheias de salgados e você podia escolher: – Coxinha de galinha, bolinhos de carne, empadinhas da dona Armênia, croquete, bolinhos de bacalhau, pastel de carne, de queijo, pasteis de mandioca, e você ainda tinha suco de uva, de limão de groselha, de laranja todos naturais para sua escolha pessoal. Ainda não existiam os copos plásticos, mas todos tinham sua caneca guardava no almoxarifado do grupo. Em volta da mesa os comilões se regozijavam, cantavam, contavam causos e alguns sonhando. Sonhando com sua bela que lá foi para aplaudir e piscou um olho para ele. Piscada que nunca seria esquecida.

            Sete de Setembro. Sonhávamos o ano inteiro com ele. Uma época de amor à pátria, respeito à bandeira, cidadania levado ao extremo. Época em que nós meninos acreditávamos no brilhantismo de uma data, de lembrar-se de um Don Pedro I em seu cavalo branco mesmo que não seja a insurgir-se com Portugal. E antes de ir embora, um cerimonial de bandeira diferente. Ela já tinha sido hasteada antes pela patrulha de serviço. Todos formados. Cantamos com dignidade de um infante o hino Nacional, depois os lobinhos cantavam o da Bandeira e por último o grupo cantava orgulhosamente o Rataplã. Nunca esqueci. Os chefes vinham em fileira cumprimentar a cada um. – Parabéns lobinho/Escoteiro pela sua contribuição com a pátria. Sempre Alerta!


            E a gente saia da sede com os olhos brilhando e sonhando. Sonhando com um novo Sete de Setembro. Quanto tempo, quantos Sete de Setembro eu vivi. E hoje nas capitais alguns caminham outros conversam e lá vão desordenados pela avenida sem saber aonde vão. Porque esta mania de achar que marchar não é escoteiro? Quem sabe ele um dia sonhou e marchar e não conseguiu e hoje se insurge com o que os meninos adoram. Mas a vida é assim mesmo, o moderno está aí e as mudanças não param de acontecer. Viva o Sete de Setembro. Para ele o meu amor. 

Nota de rodapé: - Três âncoras deixou Deus ao homem: O amor à Pátria, o amor à liberdade, o amor à verdade. Cara nos é a Pátria, a liberdade, mais cara; mas a verdade, mais cara de tudo. Damos a vida pela Pátria. Deixamos a Pátria pela liberdade. Mas à Pátria e à liberdade renunciamos pela verdade. Porque este é o mais santo de todos os amores. Os outros são da terra e do tempo. Este vem do céu e vai à eternidade... Rui Barbosa.

domingo, 3 de setembro de 2017

Não é bom fazer os outros felizes?


Não é bom fazer os outros felizes?

                       Pense um pouquinho, não é gostoso fazer a felicidade de alguém? Por um ato seu, uma palavra sua, um breve sinal no ombro, um piscar de olhos uma palavra amiga e um sorriso sincero? Pense, não vale a pena mesmo fazer alguém feliz? Acho que você pensa como eu. Talvez até mais que eu, pois ainda me falta um pouco de humildade para com o ser humano. Muitas vezes quero fazer deles o que sou. Mas será que sou exemplo para eles? Não sou. Cada um de nós tem uma maneira de ver, de pensar e achar qual o melhor caminho que deve seguir. Costumo não ser subserviente. Será que isto é um dos meus defeitos que ainda não corrigi?

                      Eu me coloco no lugar de muitos chefes que parecem pensar como eu. Sei que é difícil aceitar alguém que se acha o chefão, que se acha o dirigente máximo e todos lhe devem respeito. Eu não coaduno com isto. Não mesmo. Gosto de olhar para todos do movimento e pensar que somos todos iguais. Somos irmãos conforme nossa Lei. Ninguém é melhor que ninguém. Se em vez de ficar preso em didáticas em palestras, se cada um dos Velhos Escoteiros fossem amigos, procurar ficar no nível de todos acredito que iriamos conseguir uma maior confraternização. Afinal isto deveria ser uma norma e não uma hipótese.  

                    Assim como você eu também tenho sonhos. Muitos. Sonho principalmente com uma nação escoteira dando as mãos, sem hipocrisias, sem chefões, sem discordâncias e sem os donos da verdade. Não seria bom se isto acontecesse em todos os grupos em todas as regiões e até na Direção Nacional. Supimpa! Regidos pelo sorriso, pela compreensão pelo espírito Escoteiro espírito este de marca indelével. E isto acontecendo saberíamos com certeza o que significa a palavra Servir! Servir é devotar-se a algo, a alguém. Servir é entregar-se a uma causa, a um amor, a um ideal. Assim, ser servo é ter sentido na vida, é ter noção clara para onde se quer seguir todos os dias. Servir à família, a pátria, a Deus, servir ao casamento, servir à profissão, servir à comunidade... E servir ao escotismo considerando todos os irmãos.


                     Eu sei que muito que escrevo pode ser uma utopia. Mas ela não pode se tornar uma realidade? Afinal somos uma organização única, com propósitos definidos com uma Lei e uma Promessa que nos diferencia de outras que existem. Não somos uma religião, mas sim uma associação onde temos o dever de sermos fraternos. Bela a nossa Lei bela nossa Promessa. Elas sem sombra de dúvida nos mostra o caminho a seguir. Nosso fundador na sua simplicidade deixou para nós uma associação cheia de bondades, de amor de fraternidade. Ele dizia e insistia que a verdadeira felicidade é fazer a felicidade do próximo! Eu daria tudo para ver todos vocês felizes! E você?

Nota de rodapé: - Prempeh um Chefe Ashantis veio ao encontro de B-P. e estendeu-lhe a mão esquerda. B-P. estendeu-lhe a mão direita. O Chefe disse-lhe: "Não, no meu país, ao mais bravo entre os bravos cumprimenta-se com a mão esquerda". A história é longa e sei que vocês já a conhecem. Para mim este cumprimento mostra que somos todos irmãos no escotismo, não importa a idade, a raça o país ou a religião. Compete a todos nos fazermos uns aos outros felizes!

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Pedaços da vida. Um cerimonial de bandeira.


Pedaços da vida.
Um cerimonial de bandeira.

 Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha 
Brasil, talvez.
(Vinicius de Moraes)

                    Tentei ontem pegar no mouse e correr pelas várzeas do Facebook. “Nekas” não consegui. Agora é assim um dia bengalando, outro rasgando o ar para ele entrar no pulmão. Aproveitei que não tinha forças para pensar. Pensar é bom, nos faz ver que a vida ainda vale a pena viver. Foi então que me lembrei de um poeta: - Vado Escoteiro, se você me pedisse um conselho, eu te diria pra viver a sua vida com calma. Viva um dia de cada vez e de forma bem atenta, assim nunca correrá os riscos de perder as surpresas da vida. É isto mesmo. Cada um com seus “probremas” e cada um cuida do seu pensando se dá para dizer bom dia, boa tarde e boa noite a alguém ou quem sabe um Sempre Alerta vistoso.

                      Aconchegado na minha barraca de duas lonas, com as portas da frente aberta me vi em um cerimonial de bandeira. Gosto, amo, ali me sinto um homem probo, orgulhoso do seu pais. “Necas” de o maldizer, pensar que ele é da laia dos “sacripantas” que não lhe dão valor. Já observaram com atenção no cerimonial? Veja o realizado lá da fronteira de Roraima, pode ser na terra dos índios Raposa Serra do Sol, ou nascente do Rio ailã. Viaje até o sul no Arroio Chuí do Rio Grande do Sul. Veja o garbo, a apresentação o medo de errar, mas o orgulho de ser um que tem a honra de hastear ou arriar a bandeira. O Chefe de olho na lobada e escoteirada. Ele os treinou bem e sabe que não podem errar.

                      E quando algum dá errado? A bandeira sobe de cabeça para baixo, a roldana trava, o cabo arrebenta? Nossa todos ficam em polvorosa. A canção de roda popular, “marcha soldado” traz em seu contexto o sentimento patriótico muitas vezes cantarolado por crianças e adultos e termina assim: “Acode, acode, acode a bandeira Nacional”. Dizem que é para salvá-la do fogo que ateou-se no quarte. Na realidade esta cerimônia incuti preceitos cívicos nas crianças e jovens. Pena que isto está sendo esquecido por muitos adultos que não ensinam as suas crianças.

                     Na minha cama feita de capim e dois sacos de aninhagem, coloco as mãos atrás da cabeça e sorrio de leve. Tenho meu orgulho pessoal, é lindo ver seja o que for um cerimonial de bandeira escoteiro. Olho aquele noviço, aquele lobinho pata tenra que ainda não aprenderam a ficar em posição de sentido e fazem a saudação de maneira desigual. Eles se assustam, olham para quem está de lado, não sabem o que fazer. Será com a mão direita ou à esquerda? E o Chefe? Ele ali é o exemplo. Empertigado, fazendo a saudação nos trinques e sabe que sua silhueta é exemplo para os demais.

                      Tento fechar os olhos na minha barraca, mas as lembranças continuam. Lembro que uma vez, Ops! Não era uma vez e sim um conto real. A tropa formada para o cerimonial. Fizeram um belo mastro de bandeira. Naquela época ainda não podíamos arvorar. Isto facilitou para evitar cortar um bom bocado de um mastro na floresta. Mas eis que um vendaval aconteceu. Vento de oitenta ou cem quilômetros por hora. A bandeira ainda não chegando ao topo. O vento a pega de jeito. Ela se solta do cabo e sobe como um balão pelos ares.

                       A chuva cai arrebentando meio mundo. Pingos e pedaços de gelos para alegria geral arrebentam o solo ressecado. A escoteirada grita: - Salvem-na! Ela é nossa pátria! E todos saem correndo atrás da Bandeira do Brasil que corre nos céus com estrondos de trovões que amedrontariam aos mais bravos chefes escoteiros. Eles não perderam de vista e a seguiram através da floresta. Ela começa a cair e fica presa no alto de um jequitibá. E quem disse que um valente escoteiro não foi até lá? “Trepou" na arvore” de galho em galho foi lá nas “grimpas” e sorrindo pegou a bandeira, dobrou com honra, como aprendeu a dobrar.

                        Desceu, sangramentos nos braços, uniforme com rasgos, rosto cheio de fuligem e a tropa atrás gritando: - Chefe, Chefe! Salvamos a bandeira do Brasil! O Chefe chorou de emoção. Que orgulho, que vontade de medalhar a todos eles! E a chuva? A chuva meu amigo se foi, era daqueles que a quadrinha dizia, - Escoteiro! Se tens agua e depois vento põem-te em guarda e toma tento. – Mas se tens vento e depois água deixe andar que não faz mágoa!


                         Bem gosto de relembrar. Gosto de um cerimonial, assisti milhares deles em Paco Manso e por varias cidades do Brasil. Amo minha bandeira e tenho por ela o maior orgulho. Os olhos querem fechar, o ar parece querer voltar... Preciso escrever este conto, que não é somente um conto, mas uma história real! Olá escoteirada, de volta a minha pátria amada!

Nota de Rodapé: - Bandeira minha, de encantos mil, imagem linda do meu Brasil!
Quando te vejo bandeira amada, graciosamente assim hasteada,
E minha boca ainda infantil, fala bem alto, viva o Brasil!