domingo, 9 de dezembro de 2018

Eu? Sou um contador de histórias... Escoteiras!




Eu? Eu sou um contador de histórias... Escoteiras é claro!


E aqui terei o máximo prazer em receber você. Bem vindo.  Escrevo tudo que penso e o que aprendi como escoteiro por quase 70 anos. Concorde discorde, deixe seus comentários. Meu fraterno abraço e breve outro conto outro artigo escoteiro. Sempre Alerta!



Amigo, meu coração é Escoteiro.

Caro amigo, se você ainda não viveu o Escotismo, pode até não entender, mas nós escoteiros adoramos as noites acampados em um bosque, floresta, montanha ou a beira de um lago tendo o céu como barraca. Amamos as noites, amamos as estrelas. De olhos fixos em uma fogueira ficamos horas como se estivéssemos hipnotizados pela beleza do fogo, pelas brasas incandescentes, pelas fagulhas que manhosas relutam em subir aos céus.  Quantas vezes repetimos? Inúmeras... Pergunte alguns de nos e eles irão responder que foram os mais belos anos de suas vidas. Foi em um fogo que muitos passaram horas olhando as estrelas, vendo a lua surgir atrás das arvores, espalhando seu brilho na mata que costuma exalar um perfume que só os velhos mateiros reconhecem. Hã, lembranças...

- Quantas horas passamos em volta do fogo, brincando, representando, cantando e sorrindo jurando amizade para sempre? Quantas noites sem dormir, tomando o melhor café no bule, ou o melhor chimarrão esquentado nas brasas da fogueira? Sabe moço foi em volta do fogo que vimos lindos e belos amanhecer. Quem se incomodou com frio, com o cansaço de um dia corrido, com o vento soprando trazendo nas madrugadas uma brisa de amor? Pergunte a eles, os sonhadores, e eles responderão: - Moço foi aqui onde fui mais feliz, onde aprendi, onde me tornei o que sou hoje. Foi aqui que conheci meus melhores amigos, amigos mesmo, que posso contar em qualquer hora, pessoas especiais que vou levar para o resto da minha vida. Foi aqui que cantei uma canção inesquecível que nos tornou irmãos para sempre. Eita escotismo, fraternidade, Fogo de Conselho... Tantos momentos, sentimentos, canções, lembranças, tanta coisa que só sendo um de nos vai entender. Quem sabe um dia possa fazer o que eu fizemos e viver esta maravilhosa fraternidade repetida em todas as partes do mundo?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Conversa ao Pé do Fogo. Operação Pico dos Marins.



Conversa ao Pé do Fogo.
Operação Pico dos Marins.

Prologo: - Pico dos Marins – Conheça a história de Marco Aurélio, o escoteiro mais famoso do Brasil que desapareceu no Pico dos Marins. - Lendas locaisRelatos. Uma sucinta narrativa de toda história de Marco Aurélio. Artigo longo, mas vale a pena conhecer. Fonte: http://noitesinistra.blogspot.com.br/

A postagem a seguir relata o caso de um dos mais misteriosos desaparecimentos ocorridos no Brasil, até os dias de hoje nenhuma indicação do que tenha realmente ocorrido com o escoteiro Marco Aurélio tenha sido descoberta. O desaparecimento entrou para a lista de mistérios brasileiros por conta da falta de pistas para se determinar o que aconteceu com o jovem escoteiro. Assassinato, sequestro por meio de uma seita e até abdução, são algumas das suposições feitas para tentar explicar o que aconteceu com o escoteiro.

O desaparecimento
No dia 8 de junho de 1985, um grupo de 5 pessoas, sendo 4 garotos do Grupo Escoteiro Olivetanos, cujo número de designação era “240” SP., mais o seu instrutor e líder, subiram rumo ao Pico dos Marins, próximo à cidade de Piquete, no estado de São Paulo, mas somente 4 dos participantes dessa trilha retornaram. Um deles, o escoteiro Marco Aurélio, desapareceu sem deixar qualquer tipo de pista ou rastro. Iniciava-se nesse momento um dos maiores mistérios indecifráveis conhecidos no Brasil, o “Desaparecimento do Escoteiro Marco Aurélio Simon.”

O pai de Marco Aurélio Simon, Ivo Simon, conta que seu filho tinha 15 anos quando desapareceu. Marco Aurélio estava em uma excursão no Pico dos Marins, junto a seu grupo de escotismo, quando um dos escoteiros se machucou. Marco Aurélio como monitor da equipe, se ofereceu para ir à frente do grupo abrindo caminho e em busca de socorro. O escoteiro partiu para sua missão, e desapareceu por completo, sem deixar qualquer vestígio. Até os dias de hoje, a família ainda sofre com a incerteza sobre o destino de Marco Aurélio, embora mantenha viva a esperança de reencontrá-lo.

O local do sumiço
O Pico dos Marins [Coordenadas GPS: Latitude / Longitude: 22°30’1.51″S, 45° 7’17.63″W] fica situado no município de Piquete, no estado de São Paulo, localizado na Serra da Mantiqueira, possui 2420,7 metros de altitude acima do nível do mar, e é considerado o 2º maior pico do estado de São Paulo. Para chegar ao cume, deve-se subir encostas rochosas íngremes, porém é possível sua ascensão sem a utilização de equipamentos especiais. O jornalista Ivo e sua esposa não acreditam na morte do filho desaparecido. “Em nenhum momento eu considerei meu filho morto”, diz Neuma.

O grupo de aventureiros
A viagem seria um teste para graduação dos escoteiros como “Sênior”, caso conseguissem completar satisfatoriamente a missão. O grupo era formado pelas seguintes pessoas:
  • Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon – Escoteiro;
  • Ricardo Salvione – Escoteiro;
  • Osvaldo Lobeiro – Escoteiro;
  • Ramatis Rohm – Escoteiro;
  • Juan Bernabeu Céspedes – Instrutor e Líder do Grupo.
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Quando o grupo subia em uma das trilhas íngremes que existem na região, em direção ao Pico dos Marins, um dos garotos, Osvaldo Lobeiro, sofreu uma luxação no joelho, impedindo o grupo de prosseguir o trajeto. Com o objetivo de ajudar, o escoteiro Marco Aurélio Simon se ofereceu para ir à frente do grupo, abrindo caminho para passagem do amigo acidentado, e também para ver se encontraria alguma ajuda o mais rápido possível. Com o consentimento do líder do grupo, Juan Bernabeu Céspedes, Marco Aurélio partiu na trilha em direção ao acampamento onde haviam se instalado, mas a partir desse momento, o garoto nunca mais foi visto.

Desde a época do sumiço, suspeitas recaem também sobre o guia da excursão, o Chefe Juan Bernabeu Céspedes. Foi ele o último a ter contato com o jovem. Como consta no inquérito, Céspedes optou por enviar Marco Aurélio, sozinho, para buscar ajuda após um dos outros três escoteiros do grupo ter torcido o tornozelo.

Na tarde daquele 8 de junho de 1985, o líder chegou a acompanhar o filho de Ivo até certo ponto da descida, deixando os demais aventureiros para trás. “É muito estranho. Como um adulto decide mandar um adolescente andar no mato sozinho? Por que acompanhar meu filho até certo ponto? Como uma pessoa separa um grupo assim? No mínimo, é negligência”, afirma o pai. A polícia chegou a investigar se havia uma possível motivação sexual no desaparecimento do jovem. Depoimentos de delegados, apensados ao inquérito, apontavam que o guia poderia ter abusado do garoto – e, depois, o matado.

As buscas
A tragédia que abalou a família de Ivo também comoveu o país, que acompanhou pela imprensa e pela televisão a busca desesperada por Marco Aurélio. Durante 28 dias mais de 300 pessoas participaram das buscas, entre voluntários, policiais civis, militares e bombeiros, que vasculharam o pico a pé e com helicópteros. Corpo, nenhum pedaço de roupa ou rastro na terra foram achados. Foi como se Marco Aurélio tivesse “evaporado”. A polícia vasculhou o local de forma muito minuciosa, fazendo até mesmo várias varreduras no mesmo local, em busca de pistas que possam ter sido ignoradas nas primeiras buscas, mas nada que indicasse o que aconteceu com Marco Aurélio foi encontrado.

Hipóteses para o desaparecimento
Hipóteses para o desaparecimento não faltam. Para alguns, alienígenas levaram o jovem. Para outros, uma seita chamada Borboleta Azul sequestrou o menino. Especulou-se até que um animal como uma onça, poderia ter devorado o escoteiro. Mas no caso de assassinato e morte por ataque de animal, como explicar que nenhum rastro suspeito jamais foi encontrado?

Desespero da família era tamanho, que qualquer notícia que pudesse trazer alguma pista para descobrir o paradeiro do garoto era averiguada pela família. Um delegado de polícia, amigo de pessoas próximas à família Simon, chegou a sugerir ao pai de Marco Aurélio que ele entrasse em contato com um general da Aeronáutica. Esse seria conhecedor de fenômenos ligados a extraterrestres.

A hipótese de abdução alienígena passou a ser cogitada, tanto que Ivo Simon chegou a contatar uma pessoa que dizia ser capaz de falar com alienígenas via telepatia (algumas fontes afirmam que essa pessoa era o próprio general citado mais acima), para que esse perguntasse aos seres de outros planetas a respeito de informações sobre o garoto, mas nenhuma resposta foi dada.

“Fomos a umbandistas, parapsicólogos, espíritas. A maioria diz que ele está vivo”, conta Ivo. Quando procuraram o famoso médium Chico Xavier, o qual morreu no ano de 2002, tiveram a seguinte resposta: “Só me comunico com pessoas que desencarnaram, e não com os vivos”. Por conta disso tudo, a família Simon acredita que o rapaz ainda está vivo, e acompanha como seria a fisionomia do filho pelas transformações no rosto de Marco Antônio, irmão gêmeo univitelino de Marco Aurélio.

“A gente não tem mais onde buscar, mas se alguém me disser algo, der alguma pista, nós vamos atrás, não entregamos os pontos. O que me tortura é esse mistério, é não saber o que aconteceu com meu filho”, desabafa Ivo Simon.

Os Mistérios das Luzes e o Som do Apito.
Na segunda noite de buscas, os garotos que estavam com Marco Aurélio, em conjunto com o líder do grupo (Juan Bernabeu) e mais algumas outras pessoas estavam se preparando para suas acomodações e dormir, ouviram primeiro um grito na mata próxima, sendo que após o grito surgiu o som de um apito. Todos se espantaram, pois Marco Aurélio como escoteiro usava um apito, que é um instrumento de auxílio para ajudar a localização de uma pessoa perdida ou em dificuldades na mata.

No momento do som do apito, todos saíram da casa onde todos estavam alojados, que era do Sr. Afonso que era um guia local, e se dirigem em direção à mata, onde havia surgido o som, e de repente se deparam com flash’s de luzes azuis, as quais se acenderam e se apagaram por três vezes. Após esse incidente, o líder do grupo, Juan Bernabeu, também pega seu apito e vai em direção à mata e começa a soprá-lo, solicitando um retorno, mas nada acontece somente silêncio.

Em consulta, os estudiosos de assuntos ufológicos disseram que nesse momento foi o instante em que Marco Aurélio pode ter sido abduzido por extraterrestres, devido aos detalhes do fenômeno. O fato citado acima foi verídico, e consta no processo policial sobre o desaparecimento de Marco Aurélio.

Livros
No ano de 2006 o jornalista Rodrigo Nunes, com um ótimo trabalho investigativo, lançou o livro “Operação Marins – O Sumiço do Escoteiro Marco Aurélio”, onde conta os detalhes do desaparecimento e busca pelo escoteiro Marco Aurélio Simon.
Após a publicação do livro “Operação Marins”, novas informações começaram a surgir.

Pessoas que participaram diretamente do caso, após a leitura da obra perderam a timidez de falar sobre o que, inicialmente, ocultaram. Novas versões e possibilidades foram reveladas. Em meio a tantas contradições sobre o paradeiro do escoteiro desaparecido, pequenos raios de luz entram pelas frestas da então escura e misteriosa história que envolve o garoto paulistano. No ano de 2008, devido a este acontecimento, o jornalista Rodrigo Nunes lançou o livro “Operação Marins 2 – Novas Descobertas”, complementando os fatos sobre o caso do escoteiro desaparecido.


Nota – O Chefe Juan Bernabeu participou de vários cursos que dirigi no Campo Escola do Jaraguá em São Paulo nos anos 80. Mostrava-se fiel aos princípios de Baden-Powell e um aprendiz nato do escotismo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Acampar, um sonho escoteiro.



Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um sonho escoteiro.

Prólogo: - O mundo é como um acampamento em que montamos a nossa tenda apreciamos a natureza, e depois voltamos para a nossa casa, que é a eternidade! 

Parte III
                    Finalmente a última parte sobre o tema: “Acampar, um sonho escoteiro”. Nada supera um bom acampamento. Ele é tão importante que até os acampamentos mal feitos ainda tem sua validade. Eu costumo dizer que para um bom acampamento, três coisas são essenciais. – 1) - Um bom local, afastado da civilização, boa aguada, farta disponibilidade de eucaliptos ou bambus para pioneirías – 2) Três ou quatro bons jogos de aventura, não aqueles que ficamos brincando de Scalp ou parecido onde se ficam horas esperando cada um passar. – 3) Um ótimo Fogo de Conselho, sempre na última noite. Poderíamos também dizer que a liberdade da Patrulha é por demais importantes. Muitas vezes os chefes acham que sabem o que os jovens querem e com isto deixam de lado o mais importante no escotismo – Aprender a fazer fazendo. Deixe que os jovens criem e sejam responsáveis para tentar de novo até fazer o certo.

                    O item 2 merece um artigo sobre ele. O item 1 comentamos nos dois primeiros artigos. Vamos explorar mais o Fogo de Conselho e a Inspeção no Campo. É bom que saibam que uma boa inspeção tem grande validade para um bom acampamento. Nós chamamos de Inspeção de Gilwell feita por BP em Brownsea. Nenhum bom acampamento pode prescindir das Inspeções de Gilwell. É importante para colaborar na formação do caráter e no desenvolvimento da apresentação do garbo e da disciplina. Podíamos aqui escrever muitos objetivos da inspeção, mas ficamos com alguns somente. Ajuda a trabalhar a higiene pessoal e do ambiente em que vive – Evidencia a elegância e a disciplina, requerida na preparação e durante a atividade diária – Trabalho em equipe, pois desenvolve a cooperação coletiva na patrulha, vivenciados pelos jovens integrantes. Cria hábitos introduzindo noções e estabelecendo medidas.

                  As inspeções são partes importantes do acampamento. Lembramos-nos de sua importância na sede e mesmo com horários previstos pode haver algumas de surpresa a qualquer hora do dia. É na Corte de Honra do dia anterior que tudo foi decidido e explicado. A meta a ser alcançada e o horário cumprido com rigor. Não ficamos esperando as patrulhas se prepararem para a apresentação. Elas devem estar devidamente formadas na entrada no campo a espera dos responsáveis pela inspeção. Quando tivermos poucos chefes presentes podem ser usados os monitores e para isto devem estar bem preparados. Os itens verificados são de pleno conhecimento da patrulha. Uniforme, limpeza de campo, pioneirías, artimanhas e engenhocas, intendência são os mais importantes. Muitos tem sistemas diferentes para dar as notas, e desde que dê resultados nada contra. Terminando no Cerimonial de Bandeira é o local onde após o hasteamento se fará comentários sem identificar ou mesmo desfazer das patrulhas presentes.

                   Algumas tropas premiam com uma bandeirola que pode ficar até o dia seguinte com a Patrulha no bastão do Monitor. No final do acampamento as que atingirem a meta programada ficarão com a bandeirola para sempre. É importante lembrar que os escoteiros estão esperando um elogio e não criticas que nada tem de valor. Só de estarem no campo merecem um elogio. Uma boa inspeção deve dar um efeito positivo na Patrulha e não ofender ou ferir.

                    Outro item importante é o Fogo de Conselho. Costuma-se aconselhar o Monitor que as apresentações (esquetes, palmas, canções, historias) devem ser preparadas desde o primeiro dia. Cada tropa já deve ter realizado vários fogos de conselho. Manter a tradição é importante. Costumo dizer que o Fogo de Conselho da tropa é para a tropa. Convidados só para o Fogo do Conselho do Grupo. Lembrar a todos que as apresentações não devem superar o tempo combinado que nunca se ultrapassa dez minutos. Mais fica enfadonho e ninguém presta atenção. Tentem motivar a criação para não ficar nas mesmas apresentações já feitas anteriormente. Um instrumento musical dá vida ao Fogo de Conselho. Um violão tem seu lugar quando temos o bom violeiro. Palmas escoteiras além das clássicas quem sabe as criadas ali no campo podem se tornar tradições. O Chefe vez ou outra deve passar a função de animador para um Monitor. Quando só ele anima nem sempre existem aberturas para criatividade nas apresentações.

                   Deixe que um dia antes os monitores escolham o local. A surpresa é importante. O local não deve ser comentado. Se possível distante dos campos de Patrulha e da chefia. A ida e a volta em uma trilha cria um clima formidável. Arvoredos costumam dar um tom fantástico nas noites escuras. Lembrem a todos que: – “O espirito da Coruja mora neste acampamento”! (bela canção escoteira). É muito importante bons bules de alumínio com café ou chá ou chocolate colocados nas brasas do fogo. Biscoitos também serão bem vindos, mas o melhor são Batatas Doces. Cada um usa e abusa quando quiser. Deve haver um responsável pelo fogo. Ele preparada e ascende. Quem sabe alguém que quer recordar acender com um palito de fósforo somente. Na montagem sob sua supervisão pode levar auxiliares. Ninguém se aproxima do local a não ser no dia do Fogo de Conselho.

                    Gosto muito da fogueira acendida com um só palito. Claro o responsável foi bem treinado. Tudo pronto. Todos esperando e lá vão eles para o local do Fogo de Conselho. Cada um senta onde quiser. Fica a critério do Monitor sentarem juntos. Criar místicas é muito importantes. Algumas tropas quando fazem um Fogo de Conselho se revestem de solenidades, cerimonias ou conselhos, onde se discutem os problemas da tropa, das atividades e porque e até mesmo lembrar-se de Deus Todo Poderoso. O Fogo de Conselho caracteriza a mística e ambientação do programa trabalhado. Os costumes, valores e tradições culturais dos muitos povos que habitaram nosso país no passado são sempre lembrados. É importante notar que para se compreender a mística e o valor do Fogo de Conselho temos que entender a importância do Fogo, como símbolo das energias da vida, na luta pela sobrevivência durante todo o processo de evolução do homem.

                 Dentre os quatro elementos da natureza, terra, ar, água e fogo, sempre foi o fogo que mais fascinou o homem. Temido e amado, salvando ou ameaçando a vida. Desde a conquista do fogo ponto de partida da civilização, compreendeu o homem o valor do fogo como fonte de energia embora dele fizesse uso, sempre respeitou a suas chamas. Os nativos da Ásia, os selvagens Africanos, os peles-vermelhas da América se reuniam a noite em torno do fogo, que com sua luz e calor espantavam as trevas, o frio e os animais. Era então o momento sublime em que todos se encontravam para conservar, cantar, contar histórias ou para planejar caçadas (jogos do dia seguinte) ou a guerra e a paz.

                   Agora é com você. Deixe que eles após você ter contado histórias e místicas do Fogo de Conselho, que eles desenvolvam e criem seus fogos de conselhos. Deles. Só deles. As canções, as esquetes, os jograis serão feitos sem horários definidos. Mas existem duas que são de sua responsabilidade. A primeira a abertura – A Evocação dos ventos costuma ter em cada tropa um significado. Aqui darei uma:
- Que os ventos do norte, frio e violento,
- Que os ventos do oeste, suave e agradável,
- Que os ventos leste, criador de tempestades,
- Que os ventos sul, quente e formador de nuvens,
Tragam nesta noite a alegria neste Fogo de Conselho, a vontade de vencer e lembrar que somos todos irmãos. - Amigos, eu e você... Você trouxe outro amigo, e agora somos três... Nós começamos o nosso grupo, nosso círculo de amigos... E como um circulo, não tem começo e nem fim! Um por todos? – todos por um!

                   E finalmente a Cadeia da Fraternidade. Sempre cantada e nunca esquecida. Dizer mais o que? À volta para as barracas, comendo batatas, mastigando um biscoito e com sua caneca bebericando um café. E claro todos sorrindo, contando histórias, lembrando-se dos amigos, das brasas que adormeceram, do céu estrelado, de um cometa que passou... Mais uma noite mais um dia que belo muito belo foi seu acampamento!

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Acampar, um sonho escoteiro.



Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um sonho escoteiro.

- “O Acampamento é a grande atração que chama o rapaz para o Escotismo e oferece o melhor ensejo para ensiná-lo e confiar em si próprio, e a desenvolver o espírito de iniciativa, além de lhe dar saúde e robustez”!

Parte II
                     Já comentamos que um acampamento requer uma preparação e uma organização perfeita. Considero e repito que isto é a “alma do negocio”. Se ele for feito como o jovem esperava vai trazer sem dúvida nenhuma sua permanência por mais tempo no escotismo. Vocês já devem ter visto um desenho onde se diz que – “ele esperava isto, e encontrou aquilo”. Ele sonhava com atividades mateiras, escadas de cordas, barracas em cima de árvores, construir pontes, transmitir por bandeirolas, aprender sinais de fumaça, nós, pistas de animais e tantas outras técnicas mateiras. Mas encontrou ao contrário, um Chefe falando, falando e falando. Ou quem sabe um Chefe apitando, um Monitor mandão, uma Patrulha desanimada, o Chefe fazendo uma atividade com um por um e ele cochilando na Patrulha esperando a sua vez. Ele vai voltar? Não vai. Era isto que esperava? Não era.

                   Lembramos que por melhor programa que se faça sem um bom Monitor nada vai dar certo. Só com um bom Monitor pode-se atingir a perfeição do Sistema de Patrulhas e sem isto o acampamento será um amontoado de corre, corre sem saber aonde se vai sem rumos definidos. Acredito que todos que me leem conhecem bem o Sistema de Patrulhas ou já leram sobre isto. Admiro muito que o Chefe Escoteiro E. E. Reynolds escreveu. Ele foi perfeito em seu livro Aplicando o Sistema de Patrulhas (se você não leu e gostaria de ler, eu tenho em PDF, é só pedir por e-mail). No livro ele descreve pormenores interessantes sobre o tema. Pensando que você já tem Monitores bem preparados, patrulhas adestradas antes do acampamento, um bom material para as patrulhas e para você mesmo, um bom local já escolhido previamente e devidamente autorizado, não haverá duvidas, o acampamento será perfeito.

                  Não é fácil montar um acampamento. Na parte I comentamos sobre muitos temas. Eu sinceramente não gosto de acampamentos só para ricos ou que o grupo assuma com todas as despesas. Nem mesmo para uma meia dúzia. Nada deve ser dado de graça. Tem que haver uma taxa, a menor possível. O jovem ou a Jovem devem aprender desde cedo que a vida não é um mar de rosas e nem tampouco que sempre haverá alguém para auxiliá-lo. Assim é importante que ele consiga por meios honestos pagar parte de suas despesas no escotismo. Para que as despesas do acampamento não sejam altas existem inúmeras possibilidades:

a)     Uma taxa de todos para cobrir as despesas, tais como – transporte, alimentação e outros. Esta é a maneira usual. É caro isto. Depende do Grupo Escoteiro e se os membros têm condições de pagar. Vejamos como diminuir um pouco esta taxa.
b)     Uma comissão de três ou quatro escoteiros acompanhados de um Chefe ou pai para tentar junto à prefeitura, órgãos militares, empresas de ônibus e visando conseguir transporte gratuito. Sei que se estiverem bem uniformizados e treinados no que falar o sucesso é garantido.
c)     Uma reunião de pais dos jovens da tropa (acredito que o seu grupo “amarrou” os pais desde a entrada do seu filho ao grupo) para discutir o assunto. Se houver um trabalho em equipe com eles, podem surgir ideias de algum supermercado que possa colaborar ou mesmo dar um bom desconto. Assim a alimentação não ficará cara. Note-se que o cardápio foi simples. Como se diz na gíria, “o arroz com feijão feito em casa”.

                 Não esquecer que é preciso cumprir certas normas portando ler a parte de Acampamentos no POR é importante. Fugir delas e acontecer algum acidente podem complicar a vida do Chefe, do grupo e o nome do escotismo na comunidade. Alerto principalmente para o banho em lagoas, rios, mar e represas. Não esquecer principalmente a autorização por escrito dos pais. Tudo feito, tudo nos “conformes” estamos no campo aonde iremos junto às patrulhas passar por bons momentos acampando. Na chegada é hora de escolher os campos de patrulhas. Importante que desde a saída da sede até o retorno a disciplina é cobrada a todo instante e sempre através dos Monitores. Aprenda a se dirigir a eles sempre. A escolha dos campos de Patrulha pode ser feita pelos Monitores ou mesmo com a Patrulha unida. Claro, não se esquecer de orientar quanto às probabilidades de tempestades, galhos caindo, terrenos encharcados ou mesmo enchentes/surpresas que é muito comum em córregos ou riachos.

                       Escolhido o campo de cada Patrulha é hora da montagem do campo. O tempo para isto vai depender muito do horário de chegada. Não esquecer, o Chefe também tem campo em separado e nele fará suas pioneiras tais como fogão suspenso (ele cozinha para sí e só em casos especiais ele aceita o convite das patrulhas). A escolha de seu campo se possível deve ter uma visão de todo os campos de patrulhas. As patrulhas já sabem que irão fazer um fogão suspenso com toldo, um lenheiro, uma mesa com bancos para todos e claro com toldo, armar as barracas levando em consideração o vento e o terreno, fossas e claro um pequeno WC afastado do campo pelo menos trinta metros. Claro que é possível não terminar no primeiro dia, mas teremos o segundo e o terceiro. Conheci patrulhas que faziam tudo isto em acampamentos de fins de semana. Torno a repetir, sem um bom cozinheiro, sem um bom almoxarife, sem um bom aguadeiro, intendente ou construtor de pioneiras e uma perfeita sincronização da equipe o acampamento pode deixar a desejar. Monitor? Sem comentários. A peça principal.

                       O programa do acampamento deve ser flexível. É preciso que as patrulhas se conheçam. Deixe-as trabalharem. Evite o máximo ir ao campo delas, pois se não ficarão sempre dependentes do Chefe. Problemas se houver o Monitor vem até ao campo da chefia e se necessário o Chefe chama o Escoteiro ou a Patrulha toda para uma Conversa ao Pé do fogo ali no campo da chefia. Eu costumava ter em frente a minha barraca um local para fogo, com pedras em volta e pequenos troncos já caídos para servirem de bancos. Era o local para fazer as reuniões de Corte de Honra, Conversa ao pé do fogo etc. Cuidado para não ser severo demais. Eles foram acampar pensando que seria bom e não tire isto deles. Lembrar-se que uma conversa individual é ouvir e saber aconselhar. Por favor, não faça ameaças. Ele não foi ali para ser ameaçado. Você é mais "Velho" que ele e sabendo entender tudo se resolve.  O Monitor pode estar junto ou não. Vai depender do assunto.

                         Eu costumo dizer que o acampamento é realizado sem horários apertados. Muitas vezes se necessário é melhor deixar que eles aprendam a fazer fazendo, tentar sempre até fazer o certo. Importante explorar as amizades, o campo o que fazer e como fazer. Nestes casos chamamos de atividades de Tempo Livre. Por partes poderíamos dizer que o tempo seria:
- Tempo livre – Horários para preparar refeições e limpeza ao terminar. Pelo menos três horas e meia.
- Horários para atividades pela manhã e a tarde – Jogos ou excursões a pequenas distancia com metas programadas. Jogos noturnos. Pelo menos oito horas de sono – Alvorada bem cedo – se possível educação física (só quinze ou vinte minutos) – após pelo menos três horas para a refeição matinal -- Preparar campo para inspeção, horário de bandeira, avisos etc. Todo o programa do dia seguinte é discutido na véspera em Corte de Honra.

                       Na última parte iremos detalhar como é feito a inspeção de Gilwell, Conversas ao Pé do fogo, Corte de Honra, jornadas e o Fogo de Conselho. Iremos dar ideias para um fogo só da tropa. Este sim deve marcar sempre. Tudo irá dar certo e repito só dará certo se você se preparou antes. A máxima de “se vai para o mar, avie-te em terra” não deve ser esquecida. Lembre-se deixe que eles vivam a natureza, que “se virem” sozinhos em Patrulha. Você ir lá não ajuda e só atrapalha. Na minha humilde opinião aconselhe os pais para não visitarem o acampamento. Eles ali não são bem vindos. Um dia quem sabe será feito um acampamento com esta finalidade, mas isto esporadicamente. Já vi casos de jovens chorando querendo voltar para casa. O pior é que isto, um pequeno fato pode levar todo o sucesso que se esperava jogado por terra. Cuidado com celulares ou outros. O Escoteiro foi acampar para viver a vida de um aventureiro, um mateiro, a aprender a viver em equipe junto à natureza. Alguns trabalhando e outros conversando em seus aparelhos não são bons exemplos. Basta um ou dois com a chefia e mais nada.

Nota – Amanhã a parte III e ultima desse artigo.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Acampar, um sonho escoteiro.



Conversa ao pé do fogo.
Acampar, um sonho escoteiro.

Prólogo: - Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para fazer um lar. (proverbio Chinês).

Parte I
                   Falamos muito em acampamentos. Claro escotismo sem ele está fora da realidade. Quando os jovens ficam sabendo que no programa anual vão ter vários acampamentos eles vibram. Eles adoram. Entraram no escotismo por causa deles. Mas se no último acampamento se decepcionaram e não conseguiu despertar neles o sonho aventureiro, aí meu amigo é preciso consertar e já. Ou então é melhor não ir mais. Não adianta o melhor Fogo de Conselho do Mundo. Pode dar a eles o que quiserem, mas lembre-se você não pode falhar. Você Escotista é responsável para que os sonhos deles se tornem realidade. Quando você deu a eles as delicias de uma vida mateira, quando deixou que eles fizessem a fazer fazendo sem sua ajuda, quando o tempo foi bem distribuído e ele pode vivenciar o que disseram para ele antes de ir, então o sucesso é garantido e absoluto.  

                    Costumo dizer que existem acampamentos e acampamentos. Vejamos o que o Google diz sobre ele – “Acampamento (do inglêscamping) é um local onde se estabelecem barracas ou tendas, geralmente com a proximidade à natureza onde toda a infraestrutura é levada pelos campistas, tal prática é conhecida por campismo”. - Mas será isto mesmo? É isto que os escoteiros fazem? Não, não é. Isto aí é Camping. Escoteiros acampam e não fazem camping. Eu costumo dizer que a preparação e a organização é a “alma do negocio”. Se a preparação e a organização foi perfeita então o sucesso será garantido. Não pretendo ensinar aos chefes escoteiros mais experientes, pois sei que a maioria sabe melhor que eu. Seria presunção minha dizer o contrário. Nada disto. Aqui simplesmente dou sugestões para os mais novos. Eles sim precisam de colaboração.

                     Vamos dentro de o possível em três partes (uma cada dia) especificar alguns detalhes importantes. Não se esqueçam, estou a comentar em acampamentos escoteiros dentro dos padrões de Gilwell. Todos sabem que Gilwell é o centro de adestramento escoteiro mundial. Quando dizemos a moda Gilwell é que ali se pratica conforme Baden-Powell realizou no seu primeiro acampamento em Brownsea. No mundo inteiro os acampamentos são realizados com os padrões de Gilwell. Sistema de Patrulhas vem em primeiro lugar. Cada uma tem seu campo de Patrulha pelo menos a quarenta metros de distancia uma da outra. É como se fosse uma casa, o lar da Patrulha. Estranhos só entram se convidados. A Patrulha tem seu próprio material de campo, sua intendência e dentro do possível farão as pioneiras necessárias para sua comodidade higiene e o conforto como se fosse em suas casas.

                       Importante é a escolha do local. Nas grandes cidades nem sempre encontramos bons locais. Os expert em faturar já estão a alugar locais preparados para isso. Mas não é difícil conseguir bons locais e de graça. Coloque um uniforme, chame um ou dois chefes e tentem aos domingos passear em estradas secundárias. Conversem com os nativos sobre o que estão procurando. Encontrando procurem o proprietário. Digam o que é o escotismo e o que pretendem fazer. Peçam autorização. Lembrem-se que não vão acampar ali somente uma vez. Se autorizado o respeito ao terreno e aos demais moradores são importantes para voltar uma segunda vez. Algumas tropas no final do acampamento costumam convidar o proprietário para o cerimonial de encerramento e entregar a ele uma lembrança como o lenço do grupo por exemplo. Entregar... Não colocar nele o lenço! Em muitas capitais os chefes tem sempre a mão quatro ou cinco bons locais. É bom a cada um ou dois meses ligar para ele para manter o vinculo de amizade, quem sabe um parabéns em seu aniversário.

                        Um bom local não deve ser perto de residências, estradas, postes de luz, ou seja, nada que dê sinais de civilização. Até os veículos da chefia devem ficar distantes das patrulhas. Lembrem-se do velho adágio: - “Se vai ao mar avia-se em terra”. Você vai acampar. Nada pode faltar. Chefes Pata Tenras são aqueles que ficam saindo do campo toda hora para buscar o que esqueceram ou o que faltaram. Um dos princípios básicos de um bom acampamento é que a Patrulha tenha todo o seu material necessário. Barracas, vasilhame, material de sapa tudo muito bem acondicionado em um saco, que a própria Patrulha pode fazer. Estes sacos têm em suas laterais alças para que com dois bastões quatro ou dois escoteiros possam transportá-los a longa distancia (se for o caso).

                       Eu sempre digo que se a tropa não foi preparada com antecedência para o acampamento tem tudo para dar errado. Claro, a não ser patrulhas que acampam juntas há anos e tem grande experiência de campo. É importante que cada Patrulha tenha um bom almoxarife, um bom intendente, um bom aguadeiro, um bom socorrista, um bom cozinheiro e claro um bom Monitor. Monitor que faz tudo não tem Patrulha. Tem ele. Vai sempre reclamar de todo mundo. Se não confia nos seus patrulheiros é porque não os adestrou bem. Duas boas excursões em dois domingos com programa simples de aprender a armar barracas (olhos vendados), uso e treinamento de material de corte (faca, facão, machadinha etc.) Aprender a usar o sisal, Conhecer os nós básicos para campo, para construção de pioneirías, amarras, costura de arremate devem ser treinados antes. Se já existe a Patrulha de Monitores e tudo foi adestrado antes, é meio caminho andado.

                    O Almoxarife ou intendente responsável pelo material deve ter uma relação e todos antes de usarem qualquer item só com sua autorização. Importante só andarem em dupla no acampamento. Ninguém sai sem autorização do Monitor. Ele deve saber onde está cada um dos seus patrulheiros. Antes de ir para o acampamento a Patrulha deve revisar todo seu material. Barracas devem ser colocadas ao sol pelo menos uma vez por mês. Ferramentas de cortes afiadas e oleadas para não enferrujarem. Faça um programa dando tempo livre para as patrulhas. Elas precisam se conhecer e aprender muitas técnicas através do seu Monitor. Só de estar lá, na sua Patrulha, lutando lado a lado, construindo, rindo, calos nas mãos, sol quente e dando bravo quando a refeição está pronta já valeu o acampamento. Jogos, atividades técnicas como comando Crow, Falsa Baiana entre outros devem ser feitas pelas patrulhas e nunca pelo Chefe. Jogos e atividades onde a participação é individual são demorados e não chama atenção.

                      Como Chefe deve estar bem preparado. Adestrar seus monitores, ler bastante sobre normas de campo, cuidados com atividades longas, cuidado para evitar acidentes e banhos de rios e lagoas. O POR é sucinto. Faça um programa ouvindo sugestões da Corte de Honra e esta já ouviu de seus patrulheiros. Cardápio simples lembre-se são escoteiros e cozinheiros com simplicidade. Grupos que usam nutricionista muitas vezes deixam o acampamento a perder. Nunca acamparam e nem sabe como é o tempo lá às condições e o aprendizado do menino ou menina cozinheiro. Se o campo é a extensão de suas casas que seja tudo muito simples, mas que seja uma alimentação forte. O Chefe com a comissão de pais são responsáveis pela lista de supermercado. É comum no campo da chefia (ela tem campo separado) ter uma barraca de intendência e se o acampamento for longo, um dos chefes será o intendente geral. Ele separa o cardápio do dia por Patrulha, chama os intendentes na hora determinada para dar inicio as refeições. Cuidados não só na Patrulha como na intendência geral com chuvas, animais peçonhentos, insetos, bichos que costumam invadir.

                        Acampar é vida, é escotismo, é formação de caráter. É aprender a fazer fazendo. O acampamento é dos escoteiros e o Chefe está ali para servir, orientar, e formar cidadãos. Se o Chefe Escoteiro tem noção de como se faz e como se age no acampamento é claro que ele estará no caminho para o sucesso. Uma Patrulha é autônoma. Ela não é dependente. É uma equipe. Cada um deve agir como diziam os três mosqueteiros, “Um por todos, todos por um”. O Chefe deve dar liberdade. Lembrar-se que o campo de Patrulha é a casa deles e ele como bom orientador só vai lá quando chamado ou claro em casos especiais.

                     Quem já viveu a experiência em um acampamento do porte dos que são feitos em Gilwell tem meio caminho andado. Estamos aqui para formar cidadãos. Compenetrados no desenvolvimento da ética e do caráter. E dar a eles todas as condições para aprender a fazer fazendo. Só assim estaremos cumprindo nosso dever de escotistas. Bons acampamentos marcam e os Escoteiros sempre irão desejar voltar novamente. Tropas que acampam pensando assim mantem por anos a menor evasão ou reclamações. Eles estão aprendendo a agir sem os pais. Estão dando o primeiro passo para um dia, quando crescerem saber qual o caminho que irão tomar. A eles serão lembrados do livre arbítrio, mas se eles conseguirem fazer as escolhas certas então podemos nos considerar vencedores.

Amanhã a parte II.

sábado, 24 de novembro de 2018

Hoje tem reunião, alegria de montão!



Hoje tem reunião, alegria de montão!

Badenianos, Sempre Alerta, façam a jogada certa,
Hoje tem reunião, alegria de montão.
Se prepare vai cantando, pois a hora tá chegando.
Tem lobos da Alcatéia, tem a Chefe Dulcineia,
Tem a Tropa do Alfredo, do querido Chefe Pedro.

Quem fica parado é poste, no dia de pentecoste.
Vá prá sede bem ligeiro, ande meu caro Escoteiro.
Você não pode faltar, a turma vai acampar.
Prepare sua teoria, daquela pioneiria.
Aprendeu a ser mateiro, agora vai ser cozinheiro.

Lobada use seu giz, desenhando o lobo Gris.
Seniores e guias bau, bau, caíram do comando Crow!
Eu soube que o Pioneiro, agora é enfermeiro.
A pioneira calada, agora virou sua amada.
Portanto não percam tempo, não haverá contratempo.

No céu vermelho ao sol por é delicia do pastor.
No orvalho da madrugada quem canta é a passarada.
Mas cuidado se ver nuvens cor de cobre,
Se prepare é temporal que se descobre.
Leve a capa e a lanterna, não vá quebrar sua perna.

E quando a hora chegar procure o seu lugar.
Aproveite enquanto dura, lá na grande ferradura,
Fique durinho pomposo, seja Escoteiro brioso.
Quando a bandeira subir, não deixe ela cair.
Pois hoje tem reunião, Alegria de Montão!

ESCOTISMO É VIDA, AMOR, FILOSOFIA E MUITO MAIS!

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Tradições valem a pena mantê-las?



Conversa ao pé do fogo.
Tradições valem a pena mantê-las?

Prefácio: - Já escrevi vários artigos sobre Escotismo Tradicional. Achei que o tema estava esgotado. Não estava. Alguns amigos postaram o que pensam sobre o tema. Tradições e simbologia fazem parte da nossa vida escoteira e cria uma mística própria que nos encanta. Dizem que quem não tem tradições não tem memória. Um dos melhores artigos foi escrito Fernando Robleño em 2012, mas que está sempre atual. Já publiquei antes. Porque não de novo?

Esta temida tradição escoteira.
Nas eleições deste ano (2012), fui votar no colégio municipal onde estudei quando criança. Permiti-me passear pelo bairro onde cresci. Foi pitoresco, quase surreal, ver crianças empinando pipa, jogando bola na rua e trocando figurinhas na calçada. Até porque é um bairro de periferia e imagino que não são todos os que têm um computador ou um videogame como opções de ócio. O escotismo aqui, lembremos, é de inclusão, ou seja, contempla os do “Playstation” e os da “pipa”.

Se a questão da tradição escoteira girasse ao redor da substituição de uma bússola por um GPS, ou de um Atari por um Wii, ou de uma pipa por um aeromodelo, quão fácil ficaria o diálogo neste ou em qualquer outro blog. Bastaria estar por dentro das novas tecnologias e pronto. Mas não se trata somente disso.

Pessoalmente, não assimilo a questão da tradição escoteira. Não sei quando ela começou. Seria aquela que vivi no final dos anos 80 como membro juvenil? Ou aquela, para os mais entrados em idade, vivida na década de 60? Não sei, ademais, se ela deveria existir, já que a escravidão, por exemplo, foi uma tradição neste país.  Não entremos no mérito da “tradição de Baden-Powell”, já que é digna de uma tese, sendo separada por fragmentos a começar pelo próprio Escotismo para Rapazes, o qual sofreu atualizações das mãos do próprio fundador até pouco antes de sua morte; mas há, ainda, os que insistem em que a primeira edição pensada para uma Inglaterra colonialista é a que vale.

Cabe ao povo, e somente a ele, decidir quando uma tradição acaba e quando ela começa. E não uma junta diretiva ou uma comissão. Não adiantará assinar leis estabelecendo uma tradição ou decretando seu fim se o povo não a aceitar. Não sendo assim, cedo ou tarde, ela acaba minguando e caindo no esquecimento, provando que não passou de uma moda passageira, longe do que entendemos por tradição. O próprio escotismo é prova disso: se é uma tradição encontrar escoteiros na rua aos sábados, é porque de 1907 pra frente o povo aderiu à ideia.
Para ilustrar o pensamento, a bandeira do MERCOSUL deveria ser hasteada, por lei (sequer é uma tradição), em todos os estabelecimentos públicos oficiais. Quantos de nós já vimos uma bandeira do MERCOSUL?

E não há meio de afrontar uma tradição sem deixar feridos pelo caminho. E esses feridos podem ser os que mais precisamos num movimento em queda livre, já que trazem na bagagem as rugas de alegria em relação ao que deu certo, e as cicatrizes daquilo que não vingou.

Traslademos o pensamento à associação escoteira. Uma instituição que não aposta na própria imagem e no que ela representou e representa há décadas, não poderá mostrar seriedade ou firmeza naquilo que crê ou faz. Um desenho que sempre estampou aqueles uniformes levados com galhardia, livros publicados na década de 60 (período mais fértil da literatura escoteira), se é apagado de nossa história da noite para o dia por uma comissão sem que haja uma justificativa de impacto à margem da démodé “são os jovens”, não somente mostrará que a associação não acredita em sua imagem, mas que sente dificuldade em valorizar aquilo que fez dela o que é hoje - “um país que não conhece sua história, tende a cometer os mesmos erros no futuro”.

E se por uma questão de moda se tratasse, ela, a moda, é tão passageira como o passar das estações. Não podemos afirmar o mesmo no que se refere à tradição, que se perpetua com o passar dos tempos, é aceita e mantida pelo povo: ela fala por si e não há necessidade de vendê-la, sequer enfeitá-la.

Não se trata de mudanças somente de imagens, ou de roupas, ou de modas, ou de gadgets. É que a própria instituição se resiste às mudanças. E por uma dessas ironias que nos cruzam o caminho, nos mostra essa resistência justamente porque ela, a instituição, não quer mudar sua forma de governar, sua “tradição” política, mesmo que seja para um bem comum e mesmo que os associados a reivindiquem.

Com o artifício da internet, o povo desfruta de portais de transparência, mas parece que o escotismo não precisa disso. Enquanto o voto direto representa uma democracia, nós não o temos. Enquanto a participação dos associados, o patrimônio máximo de uma associação, é levada em boa conta em qualquer segmento, no escotismo se faz a engenharia inversa.

Há aqueles com o discurso na ponta da língua: “mas o foco é o jovem”. Lembremos que são 12 mil adultos os que mantêm essas crianças interessadas em escotismo.  A modernização que traz resultados, como se vê lá fora, é justamente essa: a de se saber dar o devido valor ao adulto - a meritocracia. Mas nossos sites, longe de se atualizarem, preferem apenas gastar umas poucas linhas ao voluntariado.

No meu tempo era melhor? Lembro-me de minha infância com carinho, mas não me atrevo a equipará-la a outra infância ou adjetivá-la de “a melhor”. Hoje é melhor? Para os jovens que vivem esse tempo, sim.

Mas para os adultos, que são os alicerces do movimento escoteiro, talvez seja um fardo demasiado grande que carregam a favor de crianças, porque a associação contribui para tanto. O escotista, o adulto, quer atuar onde a meritocracia funcione; quer ser ouvido, quer estar onde possa apertar a mão de um comissário distrital; ter uma conversa ao pé do fogo com algum dirigente nacional; receber uma carta lhe congratulando. A associação, ao contrário, se distancia cada vez mais do seu maior patrimônio, daquele que defende o nome da causa escoteira esteja lá onde estiver: o adulto, o “chefe”.

Não sei se será outra quimera, mas acredito piamente que o escotismo brilha mais por inciativas isoladas destes adultos do que associativamente falando. O movimento escoteiro no Brasil não perde jovens para a internet ou para videogames. Os perde para ele mesmo. Passamos de um movimento que oferecia algo único, praticamente competindo sozinho, a um movimento que oferece o mesmo que outros, apenas com outra roupagem. A premissa da “escola de cidadania” não passará de um mantra se não nos fazemos ver e, por conseguinte, não sermos lembrados.
Fernando Robleño.

Nota de rodapé: - (significado de tradição: - É uma palavra com origem no termo em latim “traditio”, que significa entregar ou passar adiante. A tradição é a transmissão de costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas para pessoas de uma comunidade, sendo que os elementos transmitidos passam a fazer parte da cultura.). Um artigo para passar o tempo enquanto as reuniões escoteiras pipocam por todo o Brasil.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Tributo a Bandeira do Brasil.



Tributo a Bandeira do Brasil.

Bandeira minha, de encantos mil, imagem linda do meu Brasil!
Quando te vejo, bandeira amada, graciosamente assim hasteada,
A mim parece que, muito Sutil, esse teu volto me diz: - Brasil!
Então, eu levo ao coração, cheio de amor, A minha mão.
E a minha boca linda infantil fala bem alto: Viva o Brasil!

                  Pediu-me para ficar em OF. Entendi sua posição. Achou que poderia ser ridicularizado pelos amigos do grupo Escoteiro. Mas em sabia que ele dizia a verdade. Minha experiência de Chefe e pseudo-escritor me colocaram em situações inusitadas que muitos dizem não acreditar. Sua narrativa era fantástica. Contou-me de cabeça baixa e no final a levantou como se tivesse prestando ima homenagem a um pedaço de pano que para alguns não tinham valor, mas para ele sempre foi sagrado.

                 - Chefe, eu não costumo jurar, tenho palavra e a palavra de Escoteiro para mim vale minha honra. Eu estava na sede Escoteira. Arrumando um armário com um emaranhado de cordas na chegada do acampamento. Ficamos de colocar para secar. Qual não foi minha surpresa que ouvi vozes. Quem seria? Pode rir Chefe, mas eram duas Bandeiras do Brasil. Elas estavam em cima da mesa de reuniões. Pelo que eu soube uma seria aposentada, pois estava muito velha e desbotada. Havia mais de 46 anos que estava conosco. Desde a fundação do Grupo. A outra era nova. Iria substituir à velha. Estranhei... Nunca passei por esse tipo de situação. – As duas estavam falando! Isto mesmo, conversando chefe! Duas bandeiras? Poderá me dizer. Mas é verdade. A velha dizia para a nova:

- Bem vinda minha amiga, não sabe como me alegro em conhecer você. Eu estou aqui há 46 anos, quinze dias e cinco horas. – Riu baixinho. Mas chegou a hora de aposentar e a Diretoria comprou você. Eu sei que existe uma cerimonia muito bonita, ao aposentar uma Bandeira do Brasil, ela tem honras militares, é colocada em uma pira que junto com outras é cremada. Neste dia ela recebe honras militares e até mesmo os escoteiros fazem uma homenagem cerimonial. Eu não serei cremada. Nossos diretores e chefes decidiram que eu devia ficar em um belo quadro de vidro na sala de recepção. Sempre tiveram por mim muito amor e muita consideração.

- A bandeira velha deu um suspiro e continuou – Eu também amo todos eles. Tivemos juntos algumas lindas passagens desde que cheguei aqui. Eu sempre me senti amada. Tudo começou com Cecília uma Lobinha que sempre me olhava com carinho. Nos cerimoniais ela fazia a saudação com orgulho. Não tirava os olhos de mim. Um dia no acantonamento, quando após o jantar alguns ficaram sem fazer nada, ela me pegou na mesa da Akelá e me levou até uma árvore. Lá com uma cordinha me amarrou e depois me abraçou-me e disse: Bandeira minha do meu Brasil, eu te amo. Quero que saiba que tenho orgulho de você. E seus olhos se encheram de lágrimas e ela me beijou. Minha amiga, que emoção. Demais para mim.

- Depois foi em um acampamento Sênior. Eles e as guias foram acampar no Pico do Besouro Verde. Ao chegar ao cume viram que não tinha onde hastear a bandeira. Eram só pedras. A vista era linda, mas se eu não farfalhasse ao vento naquelas alturas eles não se sentiriam realizados. Dois seniores desceram quatro quilômetros correndo e acharam uma vara enorme de oito metros. Voltaram serra acima com o futuro mastro. Entre abertura de pedras firmaram o mastro e me hastearam. Que felicidade amiga. Ver o vento me balançando nas alturas foi demais. E a vista? Maravilhosa! Confesso que chorei de novo de emoção.

- E então minha amiga, aconteceu um fato que nunca mais esqueci. Aquele sim foi demais para qualquer Bandeira do Brasil. Estava arvorada em um acampamento Escoteiro, e eles jogando um jogo gostoso em volta do campo. Um redemoinho de vento me pegou. Soltou-me da arvore, e fui levado a grandes altitudes. Eles viram e o Chefe gritou: - É nossa bandeira! Salvem-na, não deixem que o vento a leve! – E a escoteirada correu atrás de mim. O ribombar de trovões, raios enormes começaram a cair em redor. Outro vento enorme e a chuva me pegou de jeito. Mas lá embaixo estavam os valorosos escoteiros. Não desistiam. Sempre correndo atrás de mim.

- Vi um escoteiro cair, sua perna sangrando e ele não desistiu. Vi outro molhado, tossindo a chuva caindo aos borbotões e ele não parava. Molhada, cai em cima de uma árvore altíssima. Ninguém desistiu. Um escoteirinho lépido subiu a árvore com dificuldade, pois chovendo e os galhos e os troncos molhados dificultavam. Ele me alcançou. Abraçou-me. Beijou-me. Colocou-me embaixo de sua camisa. Que honra minha amiga, de novo vi como eles me amavam.

- Foi uma festa quando cheguei ao acampamento. Todos cantavam com alegria e o Chefe pediu que ficassem em posição de sentido e cantaram com orgulho o meu hino, o hino da Bandeira do Brasil! – “Salve lindo pendão da esperança! Salve símbolo augusto da paz! Tua nobre presença à lembrança A grandeza da Pátria nos traz”. - Nunca esqueci aquele dia. Houve centenas deles minha amiga. Centenas. Agora estou aposentando. Sua vez vai chegar, vais ver como os escoteiros amam sua pátria, sua bandeira. Vais sentir no hasteamento e arreamento o vento lhe acariciar e todos vendo você farfalhando no ar, irás sentir orgulho. De saber como é amada por eles!

                      O meu narrador parou. Estava chorando. De orgulho é claro pelo que viu e ouviu. – Sabe Chefe, era eu que iria fechar a sede naquela noite. Fui até as duas bandeiras. Abracei as duas. Apertei em meu coração. Coloquei ambas na mesa desta vez aberta. Fiquei em posição de sentido. Cantei o hino da Bandeira, disse Sempre Alerta as duas com orgulho. Dobrei as duas com as honras que ela mereciam e fui embora. Hoje a velha bandeira mora em um belo quadro de vidro na sede. Todo dia que vou lá, fico em posição de sentido olho para ela, e com amor eu digo. Amo você Bandeira do Brasil. Faço minha saudação Escoteira e bem alto digo – Sempre Alerta!

                      Uma historia que me causou emoção. O Chefe que me contou sorria para mim. Dei nele um abraço e disse: Parabéns! Ela representa nossa Pátria. Lembre-se sempre dessas palavras: - Amor por princípio, ordem por meio, progresso por fim! Ele não disse mais nada. Ele como eu sabia que a Bandeira é nosso legado e representa nossa nação. Como disse Ayrton Senna: - O fato de ser Brasileiro só me enche de orgulho!