HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Obrigado pela visita, volte sempre!



Um pouco do autor.

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Olá Chefe, desculpe, mas não posso aceitar!

Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Olá Chefe, desculpe, mas não posso aceitar!

                      Obrigado pelo convite. Sei que ele é sincero. Olhe eu tenho pensado sobre isso. Eu já fui escoteiro agora não mais. Tenho pensado em voltar, mas confesso que estou em dúvida. Sabe Chefe, eu tinha um caderno que meu pai comprou. Um lindo caderno Chefe. E a capa? Irresistível. Muitos escoteiros em uma montanha, com uma bandeira do Brasil desfraldada. Era incrível Chefe. Nunca tinha visto nada igual. Pensei logo em ser um deles. Já pensou? Eu com aquele lindo uniforme, com aquele chapéu “bacana”, correndo pelas campinas com a minha querida bandeira do Brasil desfraldada ao vento? Pois é Chefe seria demais.

                     Pensava e sonhava com grandes aventuras chefe. Dormir em uma barraca, acampar em uma floresta desconhecida, ouvir o cantar da passarada, tomar um banho gelado na cascata, pescar... Chefe eu queria mesmo estar lá. Não sou um sonhador, mas adoro o vento as estrelas, o cheiro da terra molhada coisa que na minha cidade não tem. E então Chefe eu ia sorrir, gritar e cantar com minha Patrulha, e sabe mais? Eu ia usar a minha machadinha que iria comprar, queria mesmo construir belas construções belas pioneirías. Queria com meus amigos fazer um jogo cheio de aventuras, quem sabe a busca do Tesouro?

                     Sabe Chefe uma vez eu e meus amigos fomos até o morro do Papagaio procurar um tesouro escondido há muitos e muitos anos na gruta do Pirata. Foi lá Chefe, ao entardecer, um dos meus amigos que fora escoteiro me contou que a noite eles acendem uma fogueira, cantam, riem e que no céu sabem de cor todas as constelações. Quando ele dizia isso eu vibrava. Mas Chefe não foi isso que encontrei. Não foi mesmo. Pedi ao meu Pai para me levar lá. Foi triste. Nem apresentado aos outros eu fui. “Jogaram-me” em uma Patrulha. Não fui bem recebido. E na reunião só o chefe falava. O tempo todo o "Chefe" Escoteiro dizendo, faça isso faça aquilo.

                    Chefe um dia me levaram sem me perguntar se queria ir até a praça para fazer limpeza, o mesmo na beira do rio, em ruas esburacadas e até mesmo plantar. Até aí tudo bem. Amo as arvores. Acampamento Chefe? Uma vez por ano e olhe lá. Disseram-me que eu poderia comprar o uniforme. Caro, meu pai pediu para aguardar. E aí Chefe me venderam uma camiseta e um lenço. – Pode usar disse o Chefe. E olhe eu nem tinha feito minha promessa. Mas eu queria o chapéu, aquela calça e camisa escoteira, o cinto de couro. Chefe era isso que eu tinha sonhado e não uma camiseta.

                    Olhe Chefe eu queria aprender os sinais que tanto me contaram e deles fiz uma fantasia. Queria fazer ou seguir uma pista em campo aberto, saltar obstáculos, enganar meus seguidores com um caminho a evitar. Eu queria Chefe aprender como ver a altura de uma montanha, de uma árvore, eu queria Chefe ter uma bússola na mão para ver no mapa qual o caminho tomar. Eu queria aprender os nós de descer das árvores, de tirar pessoas do buraco, queria Chefe aprender a usar o facão, a armar sozinho a barraca, cozinhar, mas veja o Monitor não deixava. Era ele quem sabia fazer tudo ou quando o "Chefe" Escoteiro estava junto era ele quem fazia.

                    Sabe Chefe, eu esperei. Esperei meses. Minha Patrulha só diminuindo. Um dia vi que até o Sub Monitor não veio mais. Era eu dois novatos e o Monitor mandão. Pensei em seguir o mesmo caminho, mas ainda acreditava que parte do meu sonho podia acontecer. Queria meu uniforme, minha promessa, a especialidade de acampador. Eu queria Chefe ter um cordão de eficiência, e se o Monitor e o Chefe ajudasse eu seria um Escoteiro Lis de Ouro. São tão poucos no Brasil não é Chefe? Mas eis que chegou o grande dia. Era o acampamento. Chefe e meus sonhos?

                   Não foi o que pensei Chefe. Armamos a barraca com o Chefe ao lado dizendo como fazer. O primeiro almoço foi de “quentinhas” que um pai trouxe. E a tarde Chefe? Quase dormi para chegar minha hora de atravessar uma corda esticada. Pensei que seria um “Comando Crow”, mas não passou nem perto. Pioneirías? Nem pensar. O Chefe só falava que não podia cortar arvores, e até a moita de bambu tinha de ser preservada. Uma decepção Chefe o acampamento. A maior parte do trabalho de campo era os pais que faziam. O que eles estavam fazendo lá Chefe?  

                  Não posso reclamar de tudo. Teve um jogo de “lama” com todo mundo enlameado que gostei. Os outros jogos foi os que fazíamos na sede. Pois é Chefe, ali no campo, tantas árvores, um regato cantando nas pedras lisas, pássaros a granel para a gente fotograr. Até uma coruja eu vi em um carvalho que com a gritaria e os apitos do Chefe ela se foi. Eu queria que o Chefe perguntasse no final o que achamos, mas ele não perguntou. Ele nunca nos consultou. Ele e o Monitor eram o dono da bola, do jogo e quando queriam pegavam a bola como a dizer “Game Over”.

                      Obrigado Chefe, sei que o convite é sincero. Mas agradeço. Não dá mais. Até hoje meus amigos de turma do bairro dão risadas quando falamos em voltar a ser escoteiros. Eles dizem que seus programas são melhores e quem sabe são mesmos. Sabe Chefe eu o Tonho, o Zeca, o Betinho e o Zezé estamos juntos com a turma da rua há muitos anos. Só o Neném saiu, pois foi embora da cidade. E sabe Chefe, lá não tem chefes, somos nós que decidimos. Chefe, até pensei que quando crescer vou ser um Chefe Escoteiro, mas diferente, serei aquele que ouvi mais que fala. Que escolhe bem os monitores e os ensine que na Patrulha também tem gente.

                       Quando for um Chefe chegar um candidato, serei franco, direi a ele que quero ouvir sempre sua opinião. Direi a ele e aos demais que agora vamos fazer realizar seus sonhos. Que somos um equipe, “um por todos, todos por um”. Vou mostrar a eles a capa do meu caderno e dizer: Podem sorrir turma, agora é para valer! Segurem nossa bandeira, desfraldem-na contra o vento, pois vamos para o nosso acampamento e lá vamos viver mil aventuras!


                    Obrigado mesmo Chefe, desejo tudo de bom para o senhor. Acredito que outros meninos vão aceitar seu convite, mas eu chefe não posso. Infelizmente são diferentes dos meus sonhos e olhe não fique triste, desejo ao senhor e a todos que fazem do escotismo sua maneira de viver que sejam felizes, que o sucesso seja completo nas atividades que fizeram. E olhe Chefe, Sempre Alerta, até outra vez!

Nota de rodapé: - Um amigo escreveu para os chefes que quiserem aprender a fazer escotismo: Leia B-P, estude B-P e aplique B-P. Ele sabe o que diz, afinal foi quem criou o Movimento escoteiro. Leiam esta pérola dele: - Se lhe tivéssemos chamado o que ele era, a saber, “Sociedade para a Propagação das Qualidades Morais”, o rapaz não se teria propriamente precipitado para aderir. Mas chamar-lhe escotismo e dar ao rapaz a oportunidade de se tornar um explorador em embrião, foi algo completamente diferente.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Crônicas escoteiras. O Grande Acampamento no céu.


Crônicas escoteiras.
O Grande Acampamento no céu.

                 Dormitava, isto está virando rotina. Corpo do Velho Chefe Escoteiro só reclama. Não sei o que aconteceu, mas acordei em plena Via Látea aquela galáxia espiral no Sistema Solar. Lindo! Maravilhoso! O colorido era estonteante e até os mais amantes do universo ficam sempre boquiaberto com essa poluição luminosa. Como fui parar ali? Absorto com tão soberbo espetáculo alguém me tocou nos ombros: - Olá Chefe Vado, estou aqui em nome de Lord Baden-Powell, ele faz questão que o Senhor vá visitá-lo no Planeta Brownsea. – Brownsea? Mas não é uma ilha? – Ele educadamente disse que não. Era o novo planeta dos escoteiros. Interessei-me. Será que estou chegando ao Grande Acampamento do Universo? Falaram-me tanto sobre ele que jurei nunca passar por lá. Papo de morto não dá!

                Volitando no ar segui o Chefe de BP. Andar com as próprias pernas? Ali não precisava. Avistei o Planeta Brownsea. Lindo. Grandes florestas, rios enormes pássaros cantantes que me levou de volta a mata do Tenente onde acampei pela primeira vez. Do alto da montanha avistei um aparato enorme de barracas, mal armadas e algumas caídas no chão. – O que seria isto? Não pode ser escoteiro.

                Resolvi descer e conhecer o lugar. Era um enorme acampamento. Gigantesco. Chefes indo para nenhum lugar e sempre voltando. Milhares de chefes. Sussurravam uns para os outros que hoje seria o dia da Assembleia dos Escoteiros do Além. Além? Estava morto? Belisquei-me e não senti nada. Prestei mais atenção e notei enormes faixas escritas em diversos idiomas e penduradas nas árvores: - Vi faixa da BSA (boy Scout of America), da CES, (Confederação Europeia de Escotismo) a da AEBP (Associação des Ecalireurs B-P do Canada), da AGESCI (Associazione Guides e Scouts Cattolici Italiano) da ASDE (Federação de associaciones de Scout de Espanha) da OWS (Ordem of World Scout). Custei a ver a da UEB, mas ela estava lá também.

               Estava estupefato. O que era isto? Coisa de BP não era disto tinha certeza. Foi então que um Chefe do Sudão com aquela fleuma inglesa sapecou em seu inglês aristocrático: - Senhor Chefe Vado, Lord Baden-Powell pede sua presença imediatamente! Mesmo cansado e com as pernas atrofiadas e sem ar fui com ele até a Barraca de BP. Sua barraca verde limão estava muito bem armada, símbolo de quem tem técnica escoteira sabe como fazer. De braços abertos me esperava. Deu-me um abraço, juntou os cascos à moda militar e disse: - Be Prepared! – Você sabia que na Inglaterra escolheram esta saudação só porque as duas primeiras letras era B_P? E gargalhou a moda dos oficiais britânicos.

                      Sente-se aqui Chefe. Sentei em um banco feito da melhor peroba rosa que já vi, bem feito, cipós descascados, amarras no ponto e na mesa um lindo tampão com uma costura de arremate incrível. Ele então me disse: – Chefe Vado eu acho melhor o senhor partir. Aqui não é seu lugar. Assustei. – Porque Mestre? Ele triste falou – Temos aqui muitos chefes snobes, arrogantes e fúteis lutando para serem promovidos a Escoteiro Chefe Sideral. Uma luta da turma Inglesa, Francesa, Alemã, Italiana, americana e muitos brasileiros.

                     Mestre aqui também tem disso? – Pois é a turma do Brasil foi quem começou. Montaram um Estatuto, onde os eleitos se perpetuam no poder, onde só eles podem determinar e fazer o escotismo que querem. – Continuou B-P - Eu não moro aqui. Estou numa galáxia muito distante. Venho aqui vez ou outra para ver se salvo alguma alma escoteira com espírito Escoteiro. É fácil chegar lá. É na Galáxia de Andrômeda, uma estrela azul chamada Capella onde todos são felizes. É onde os escoteiros puros de coração vão morar quando vão para o céu. Espero você lá. Vai gostar. Lá todos estão bem uniformizados sem camisa solta em cima do barrigão! Os lenços bem dobrados e a maioria de uniforme caqui.

                 BP sorriu me deu outro abraço e como num passe de mágica desapareceu. Foi então que vi na porta da barraca vários chefões brasileiros me dando voz de prisão. – Por quê? Não interessa disseram. Vais direto para a Comissão de Ética da Ordem Galáctica mundial. – O que eu fiz? Eles riram como demônios investidos em escoteiros. Todos vestimentados, pano desbotado, de sandálias e dois deles de chapéu de boiadeiro. – Você se acha o tal, vive criticando a liderança brasileira, acha que pode resolver o problema Escoteiro no Brasil. O Grande Conselho discutiu e lhe condenou morar para sempre no Acampamento do Inferno! Mama mia! Desta vez entrei de gaiato no navio.

                      - Bem que BP me avisou. Tentei correr, levei uma bastonada na cabeça. Não tinha como reagir, estava sem meu bastão de um metro e setenta, ponteira de aço, sem meu cabo que se transformava em um chicote mortal. Desarmado me levaram em uma Biga mal feita de Bambuzinho Chinês. Ninguém me ajudou. B-P tinha me prevenido. Chefe Vado, aqui só vive que se acham os tais, os subservientes e os puxa sacos que não reclamam e nem se incomodam com isto. - Resolvi lutar. Como? Eu estava fraco, pulmão sem ar, pernas atrofiadas e mesmo assim lutei. Apanhei feito o “diabo” (será que ele apanhou algum dia?) Mesmo Velho rouco e sem voz tentei cantar uma canção, ia falar de paz sabendo que não adiantava. Arrastavam-me sem dó e nem piedade rumo a uma cratera de fogo. Eu berrava, gritava gemia e pedia a Deus para me salvar.


               Foi então que alguém me abraçou e me beijou. Querido sou eu, a Célia, acorde, é apenas um pesadelo! Olhei para um lado e outro e pensei... Neste grande acampamento no céu nunca mais... Nunca mais...

Nota de rodapé: - Ainda caindo pelas tabelas, mas preciso postar o que mais gosto. Beliscar os donos do poder, ou melhor, da UEB. Lembrei-me desta sátira de quando fui parar no grande acampamento no céu. “Minino!” A coisa lá é “braba”. Mas tem o outro lado da moeda, um dos bons e outros do mal. Se algum dia for para lá siga direto para Andrômeda. Procure o planeta verde chamado Capella com céu azul, lindas montanhas, grandes florestas e rios com nascente de águas límpidas e piscosas. Lá sim vale a pena ser um imortal Escoteiro e fazer o que mais gosta.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Conversa ao pé do fogo. As canções que um dia cantei para mim.


Conversa ao pé do fogo.
As canções que um dia cantei para mim.

¶ Põe tua mágoa bem no fundo do bornal e sorri, sorri, sorri!
O que importa é vencer o mal mantem sua alegria,
Não importa você se zangar, pois o mal há de acabar, e então?¶

                      Eu sempre gostei das canções e hinos escoteiros. Já vi tropas, alcateias cantarem divinamente. Tive a sorte de ver dezenas de escoteiros e sêniores em marcha de estrada sorrindo de peito aberto e cantando a plenos pulmões, mostrando seu orgulho escoteiro. Quantas e quantas canções ouvi nas centenas de noites de Fogo de Conselho que participei. Lembranças de uma pequena fogueira em uma trilha qualquer onde uma alguns gravetos ou pequenas achas alimentava o corpo e a mente da Patrulha. Cantei em montanhas e picos distantes, Vales, colinas verdejantes, embaixo de árvores frondosas, colinas enormes onde armei minha barraca.

                     Emocionei-me muitas vezes a cantar as canções de Giwell com os irmãos Insígnias. Amo muito “Em meus sonhos volto sempre a Gilwell”. Todas as canções que cantei e ouvi cantar não tenho como dizer qual a mais linda, a mais simples, a mais complicada. Quantas e quantas vezes, cansado, voltando de um acampamento e empurrando a carrocinha as canções surgiam naturalmente em minha mente. “Viemos do norte, do sul e do leste”... É e terminar dizendo – “Lavando as panelas são todos irmãos”. E olhe que eu não participei desse Jamboree.

                     Aprendi algumas canções cantadas por este Brasil afora que milhares de chefes fizeram. Poucas eu guardei na mente. Eu mesmo fiz algumas e hoje esqueci. Das tradicionais eu tenho as minhas preferidas. Guin gan guli, o Cucu a lembrar da Noruega, Terra do Belo Olmeiro do caçador saudoso remando nos Grandes lagos do Canadá. E a Árvore da Montanha? O meu Chapéu tem três bicos? Clássicos que ninguém esquece. Com sono cantávamos baixinho o Kumbayah. Eu tenho certo carinho pela Canção da Promessa, Guingaguli o espírito de BP. Lindas.

                    Melhor ainda o Adeus Montes e Vales, Avançam as Patrulhas, Stoldola (esta eu cantei uma vez fora do Brasil, marcou muito). A Canção do Clã é inesquecível. São tantas e tantas e olhe, tive a honra de conhecer chefes de outros países com canções divinas. Vi violeiros, gaiteiros, trompetistas, um Sênior que tocava maravilhosamente um saxofone. Eu sempre chorei com algumas canções. Não dá para segurar. A Canção da Despedida emociona. Uma vez acampava em um país sul americano e me aparece uma Lobinha (Ariana seu nome) tocando a Canção da Despedida em um violino. De mãos entrelaçadas chorávamos a cântaros. Demais.

                   Tive a honra de ver muitas alcateias e tropas cantarem divinamente. Dava para ver o espírito de BP em volta ouvindo. Quem sabe a lembrar dos seus acampamentos, de Brownsea nas noites estreladas em volta de uma fogueira. É maravilhoso ver meninos cantando e vivendo o que cantam. Um violão, uma guitarra, uma harmônica, um saxofone ou mesmo uma flauta simples engradece qualquer canção escoteira. Quando a gente canta a música entra em nossos corações, bate fundo lá dentro e fica arquivada no cérebro para sempre.

                    Todos nós amantes do escotismo dessa bela filosofia sabemos que não existe nada tão maravilhoso que um céu estrelado, uma clareira em uma floresta, achas de lenha queimando, o calor adotando há todos a sua volta e as fagulhas se espalhando no céu. E quando se canta uma canção cm amor nenhum espetáculo se sobrepõe aquele momento. É sublime e olhamos em volta com os olhos vermelhos de emoção a ver nossos amigos escoteiros sentindo o mesmo que nós.       

                   Comprei uma vez um violão e aprendi duas posições. Isto mesmo só duas e dava para acompanhar. Era delicioso sair do campo da chefia, ir a um campo de patrulha ao entardecer na luz brilhante de um lampião a gás ou a querosene; sentar em qualquer lugar, enquanto o cozinheiro com os olhos enfumaçados sorria a ver sua sopa fervendo, e cantar com os patrulheiros belas canções escoteiras. As outras que ouviam devagar iam se aproximavam, sentando em volta e cantando também! Maravilhoso! Um calafrio sacode o corpo, é ali que sabemos sermos todos irmãos.

                  Mas eu sei como você sabe que a Canção da Promessa, o Stoldola na abertura do fogo são imortais. Kumbaya então é demais. E quando termina o fogo e com as mãos entrelaçadas cantando a Canção da Despedida, a gente não sabe se esta vivo ou se está espiritualmente percorrendo o passado em busca do tempo, vendo as florestas percorridas, os rios onde um banho aconteceu, lindas cascatas e o céu estrelado para sonhar e contar estrelas. Quando fiz doze anos comprei com meu trabalho uma gaita de fole. Em casa me proibiram de treinar. Diziam que o barulho era infernal. Risos. Eu treinava na beira do rio, no campinho e quando pela primeira vez toquei em um acampamento uma musica que não me lembro todos se assustaram.

                - Não fui lá essas coisas com o violão e a Gaita. Mas tive a honra de ver violeiros escoteiros tocando lindas e saudosas canções escoteiras. Um Sênior da Bahia me desafiou na Gaita em uma tarde gostosa a beira do Rio das Velhas. Deu-me o maior show! Mas quer saber minha maior emoção? – Voltava de um acampamento na Várzea do Rio do Peixe, e a pé se aproximando da minha casa, vi meu pai, minha mãe e minhas duas irmãs (todos já foram para céu) sorrindo. Na vitrola tocava o LP Sempre Alerta do Trio Irakitan. Foi demais. Chorei demais. Fiquei mais de meses ouvindo todos os dias as canções tocadas.

                 Não sei se hoje os jovens cantam amando a letra e a musica e que ela ainda ficam gravadas em seu coração. Poetas dizem que a música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo.  Milhares de pessoas cultivam a música; poucas, porém têm a revelação dessa grande arte. Paro por aqui. Lembranças batem fundo e a gente tem de continuar a viver. Lembranças? Águas passadas que não existem mais...

Eu não sei, mas quem sabe Baden-Powell cantou assim lá em Brownsea?  - ¶ “Boa noite Touros, boa noite Maçaricos, Boa noite Corvos e Boa noite Lobos, pois agora eu vou dormir – Bem alegre vamos indo, vamos indo vamos indo, bem alegre vamos indo para o mar azul”!


Nota de Rodapé: Os poetas nas suas palavras tão lindas disseram: - Seja como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas. Pus-me a cantar minha pena com uma palavra tão doce, de maneira tão serena, que até Deus pensou que fosse felicidade - e não pena. E lembre-se escoteiro, cante, quem canta seus males espanta!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Jamboree... Um sonho Escoteiro!


Jamboree... Um sonho Escoteiro!

Noticia publicada hoje em todos os jornais, TVs e Rádios no Brasil.

Partiram hoje rumo ao Jamboree Mundial, 210 jovens escoteiros, de ambos os sexos. Estes jovens alcançaram pelos seus esforços pessoais, o mais alto grau do ramo Escoteiro Sênior e Guia. Receberam o Lis de Ouro e o Escoteiro da Pátria. Lutaram durantes anos e hoje receberam seu prêmio que a partir de agora irá acontecer sempre, conforme explicação do presidente da União dos Escoteiros do Brasil Sr. José das Quantas, antigo Chefe do Escoteirinho de Brejo Seco no Estado de Minas Gerais. Terão as passagens e taxas pagas e despesas diversas durante a realização do Jamboree Mundial na França. 

Dizia o maior jornal do país: - Os Jamborees são considerados o maior evento regular organizado pelo Movimento escoteiro. Ocorrem a cada quatro anos em um país diferente. Sua organização é atribuída pela OMME (Organização Mundial do Movimento Escoteiro) que na Conferência Mundial, escolhe entre as candidaturas que se apresentaram anteriormente. É um acontecimento único para o Escoteiro cujos sonhos sempre o levaram a pensar em participar de um deles.

O primeiro Jamboree aconteceu em 1920 na Inglaterra. Participou o líder máximo e criador do Escotismo o General Inglês Sir Robert Stephenson Smyth Baden Powell. O Sr. Baden Powell esteve presente também nos Jamborees de 1924 na Dinamarca, no de 1929 de novo na Inglaterra, no de 1933 na Hungria. Debilitado passou seus últimos momentos em um chalé apelidado de Paxtu, em Nyeri, republica do Quênia.

É a primeira vez que escoteiros são premiados e isto se deve ao esforço de um antigo escoteiro o recém-eleito Presidente da Republica Sua Excelência Leogildo Lampazo, que quando jovem viveu um escotismo tão intensamente que nunca mais ao esqueceu. O Presidente colocou a   disposição um avião da Força Aérea Brasileira e para surpresa de todos os dois dos pilotos também foram escoteiros. Uma onda escoteira invade o país há mais de 20 anos, desde quando a Direção do Escotismo Brasileiro resolveu tomar novos rumos com consultas e pesquisas o que deram ela condições de formar os jovens nos padrões criados pelo Fundador Baden-Powell com seu método escoteiro.

Devemos levar em consideração, que quinze grandes empresários brasileiros, todos advindo do escotismo na sua juventude fizeram uma grande campanha e esta será realizada de quatro em quatro anos para custear as despesas desses bravos escoteiros e escoteiras que pelo seu esforço pessoal alcançaram o mais alto grau do escotismo nacional.

Parabéns aos jovens Lis de Ouro e Escoteiros da Pátria. Esperamos que nos próximos tenhamos uma delegação bem maior.

- Nota: Somente Oito chefes os acompanharam à custa do Governo e empresários. Os demais arcaram com suas próprias despesas. A delegação da UEB que também irão participar foram por meios próprios e cada um arcando com suas despesas pessoais e das taxas de campo. No avião da Força Aérea os oito chefes escolhidos pelas suas condições sociais e financeiras eram considerados Chefes Modelos conforme eleições nas Tropas de todo o Brasil.

                     - Incrível este artigo do jornal, não acham? Eu estava sonhando quando o escrevi. Sei que vai ser difícil de acontecer há não ser se tivermos a sorte de aparecer um novo Chefe Dirigente, com padrões de servir, com ideias de ajudar sem ser ajudado, trabalhando com os jovens nos princípios que idealizou Baden-Powell. Um belo sonho, mas eu acredito em sonhos.


                      Se fosse verdade e ainda estivesse vivo, eu gostaria de estar presente no aeroporto para saudar e aplaudir aos jovens que vão ao Jamboree e porque não aplaudir também os novos dirigentes que deram novo ânimo ao escotismo premiando os que lutaram pelo seu distintivo. Que este exemplo seja expandido a todos que amam o escotismo.

Nota de rodapé: - Vez ou outra eu sonho. Gosto dos meus sonhos. Dizem que se não sonharmos não alcançaremos nossos desejos. Quem sabe este meu sonho pode ser alcançado? Basta querer. Basta boa vontade, basta pensar que nossa luta é para o jovem e ele sim é a razão da existência do movimento Escoteiro. Será que nossos lideres se esqueceram disto? 

domingo, 12 de novembro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os donos do poder II.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os donos do poder II.

                  Displicentemente perguntei a um amigo mineiro: - Porque todos em nosso Estado aderiram a Vestimenta e ninguém adotou o uniforme caqui? – Era apenas uma curiosidade sem menosprezar o direito de escolha. Quando Regional em Minas aprendi com outros chefes em resguardar as tradições e mística criadas por antigos chefes e o próprio Baden-Powell. Ele educadamente respondeu que muitos ainda lutam por seus ideais mesmo diferente do que preconiza a UEB. Alertou que em 2018 o Uniforme Caqui será extinto. Já tinham me informado antes.

                   Sei que a maioria dos nossos chefes aceitam sem reclamar. Uns por estar de bem com a vida na associação outros porque já participam do poder. A UEB ou EB despreza pesquisas, consultas e dificilmente pede opinião. – Chefes mais ligados ao poder costumam dizer que temos direitos. É só participar das assembleias. Uma piada, pois sabemos que nada será mudado. Os que tentaram saíram decepcionados. Já dava como esquecido meu dissabor com a implantação da vestimenta. Estão extinguindo o caqui. Não posso me calar. Nos porões do poder poucos decidiram o que devíamos vestir e quais uniformes seriam extintos. Alguns souberam por membros da corte e que contam as novidades das reuniões secretas dos nossos lideres nacionais. Até hoje é assim.

                  A apoteose aconteceu em uma Assembleia feita no norte do país. Como se fosse um desfile pomposo, à moda dos Faschion Week só que desta vez escoteiro surgiu em magnificas apresentações, modelos de diversas idades, rapazes e moças super simpáticos, desfilando como os dignos representantes do escotismo com a nova vestimenta. Um épico. 19 tipos a escolha. Os lideres sorriam de satisfação. A noticia correu de norte a sul. O velho caqui ali não estava representado. Não sei se era o plano, mas a confecção tinha um só dono: - A UEB. Faturamento garantido. Mais de oitenta mil clientes cativos. Preços sem competitividade. E a confecção? Os que compraram sabem como são.

                  Mas eis que alguns não concordam. Voltam a velho Caqui tradicional. Conhecido de norte a sul é um ícone do Escotismo nacional. E de novo vem os donos do poder espalhar na “calada da noite” a noticia que o Uniforme caqui será extinto. Não sei a porcentagem de Grupos que usam este uniforme no Brasil. Sei que devido aos desmandos e aos preços absurdos da vestimenta, muitos voltaram a usar o Uniforme Caqui. Dizer que o gasto da compra da vestimenta dá tranquilamente para comprar três uniformes caquis é mais que o óbvio.

                   Como sempre entra ano e sai ano as unidades locais nunca são consultadas, e nem pesquisadas de alterações ou mudanças. Na época da implantação da vestimenta muitos queriam saber quais grupos foram consultados e se houve uma pesquisa nacional. Respostas ambíguas aconteceram. O mesmo acontece com a extinção de muito das nossas místicas e tradições. Os audazes defensores sempre explicam o inexplicável e nunca os donos do poder dizem nada. Afinal não dizem que nada que fazem pode dar prejuízo? Quem despreza milhares de cliente cativos? E com o cancelamento do caqui isto não vai redundar em mais clientes? Sei que tudo que fazem é em beneficio da causa. Não mudaram os distintivos atuais por novos? Por quê? Para aumentar o faturamento ou para modernizar? Querem criar um movimento elitista onde os pobres não entram?

                   Um truste às avessas. É a única loja que compras coletivas de um grupo não tem desconto. Eita comercio fajuto sô! E o preço? Não adianta reclamar da confecção de segunda mão, do tecido sem qualidade. Números fornecidos que não batem com o comprador. O que vemos são calças bombachas, camisas enormes e grotescamente solta por cima da calça. Mais gastos para corrigir os defeitos que aparecem. Uma confecção medíocre para padrões de primeiro mundo.

                  O que temos hoje de normas estatutárias dá poder absoluto aos lideres do poder. Dizem que é uma democracia representativa onde os associados elegem os representantes da associação. Outra piada nacional. Nosso Congresso ou Assembleia tem menos de 0,2% de representatividade e para ser um deles é preciso estar bem com a classe votante, quem sabe estar em conluio com os que fazem acontecer. Melhor é participar de um distrito, região ou ser um formador.

                  Não há reclamantes. Todos sabem que poderão ser admoestados ou até mesmo sofrer o rigor da Lei implantada pela EB. Muitos não aceitam e partem para outra associação. Não sei se é o melhor caminho. Podem até ter o espirito de servir, mas ainda são representadas na liderança pelos seus fundadores. E nossos voluntários Uebeanos só dizem que a preocupação é com a criança. Pois é!

                  Nossa liderança não se preocupa em ajudar e manter em suas hostes seu efetivo atual. Não informa a evasão não fornece números, nem sabemos quantos lobos ou escoteiros permanecem por mais de dois anos. Se a concessão do Cruzeiro do Sul, do Lis de Ouro ou do Escoteiro da Pátria e da Insígnia de BP acontece de maneira satisfatória. Pesquisas para saber os resultados da implantação de novos programas não é feita. O que antes era importante hoje deixou de ser. A Corte de Honra, o Sistema de Patrulha a Mística da Jângal parece estar sendo esquecidas. A formação de um Chefe IM se dá por padrões diferentes com trabalho acadêmico ao se exigir teses de temas que nada tem há ver com o escotismo.

               Não importa se em alguns grupos tudo vai bem. Eu costumo perguntar até quando. Diga-me, quantos receberam por direito suas condecorações? Quantos Lis de Ouro e Escoteiro da Pátria foi entregue em seu grupo neste ano? Especialidades não vale. São entregues aos montes. Cedo ou tarde será implantado a faixa como os americanos para colocar nelas as especialidades e distintivos.  


                       Sem pesquisas, sem consultas sem dados concretos, como responder que temos bons resultados na implantação moderna que os Donos do Poder realizam hoje? Porque está busca de poder, de Tacos, de ser um Grande Chefe sem ter os requisitos de um bom Badeniano? Qual a filosofia que querem postar para a eternidade? Estamos deixando no limbo do esquecimento o ultimo manto sagrado do escotismo nacional. O uniforme Caqui. Um padrão reconhecido de norte a sul do Brasil e que levará anos e anos para a vestimenta ser como ele.

Nota de rodapé: - Já me disseram muitas vezes que a porta da rua é a serventia da casa. Para mim não. Mesmo não tendo registro na EB sou escoteiro desde que nasci lobo em 1947 pertencendo a União dos Escoteiros do Brasil. Luto pelas tradições, pelo respeito a nossa história. Pelo escotismo de raiz com resultados. Não aplaudo invenções que ainda não foram testadas. Em nome de normas estatutárias feitas por eles mesmos estão mudando os rumos do Escotismo Nacional. Copiam países sem saber eles estão no caminho certo. Escotismo sem memória é escotismo de segunda qualidade. Precisamos de transparência e ética nos destinos do escotismo Brasileiro. Não posso me registrar para ser admoestado ou mesmo ser ameaçado por pessoas que nada tem de exemplo para me dar. O meu uniforme caqui o usarei para sempre, independente do que decidirem os Donos do Poder.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Rastros do Fundador. Dificuldade – Por Baden-Powell.


Rastros do Fundador.
Dificuldade – Por Baden-Powell.

A vida seria aborrecida se fosse toda de rosas; o sal tomado sozinho é amargo, mas saboreado com a comida dá-lhe bom paladar. As dificuldades são o sal da vida. Tenho aconselhado muitas vezes aos meus jovens amigos que, quando confrontados com um adversário, façam como se estivessem a “jogar polo”: não tentem ir de encontro a ele de cabeça descoberta, procurem antes cavalgar lado a lado e, aos poucos, empurrá-lo para fora do vosso caminho.

Quando tiveres que fazer um trabalho difícil, pede a Deus que te ajude a fazê-lo, e Ele dar-te-á forças. Mas continuas a ser tu quem tem que o fazer. Não vale a pena ficarmos desanimados por causa de decepções ou de contratempos momentâneos; é inevitável que surjam de tempos a tempos. Eles são o sal que dá labor ao nosso progresso; elevemo-nos acima deles e ponhamos os olhos na grande importância daquilo que temos entre mãos.


É pelo esforço que nos, fortalecemos, e pelo esforço que alcançamos o êxito. É no esforço de lidar com uma dificuldade - com um sorriso nos lábios - que S. Jorge nos dá um exemplo de esperança. Quando te deparares com a muralha lisa e nua da dificuldade, lembra-te: apesar de à primeira vista parecer muito alta, uma observação mais atenta pode revelar-te fendas e irregularidades graças às quais conseguirás superá-la; e, mesmo que não possa ser escalada, aposto dez para um em como é possível contorná-la.

domingo, 5 de novembro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Modismo, autoritarismo e o escambal.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Modismo, autoritarismo e o escambal.

                       As definições para Modismo são várias, na maioria das traduções significa “Aquilo que está na moda”, ou consumo tendencioso e igualitário ou mesmo “Comprar e usar aquilo que os outros estão usando”. Estamos vivendo no Escotismo nacional uma fase de “Modismo”. Certo ou errado parece que ele veio para ficar. Passamos a copiar o que fazem países de primeiro mundo e sem ver se os resultados são satisfatórios. Aceitamos já que nossa disciplina é exigida de maneira totalitária e quase não nos dá o direito de sugerir aprovar ou discordar.

                       O mundo moderno através dos meios de comunicação vem mostrando novas ideias, comportamento e uma tecnologia avançada que nos deixa pasmados com o que aparece para nosso bem estar pessoal. Quem sabe muito do que vem acontecendo pode ser para melhor. No entanto, ainda não temos exemplos de resultados satisfatórios. No escotismo uma maioria silenciosa prefere não opinar. O mote de que o importante são as crianças permanece. Tentam quebrar tabu onde a maioria ainda é presa a preceitos que sempre acreditou.

                       Comenta-se que nossa Promessa deve ser alterada para salvaguardar interesses dos que discordam, dos que são agnósticos ou que professam outros credos que não o cristianismo. Às vezes eu me pergunto: - Quantos são? São tantos assim? Sem desmerecer os interesses destes que desejam ser escoteiros devemos mudar para dar vez a estes interessados? Pelo sim pelo não será que também deveremos mudar nossos métodos, nossas crenças, pois muito do que Baden-Powell nos deixou já foram substituídos por outros de pedagogos e pensadores modernos?

                       Sem afirmar se os resultados serão ou não satisfatórios, temos hoje liberdade restrita dentro de normas impostas por poucos. Nossa apresentação pessoal e nosso exemplo é moderno, basta ver as apresentações em público, em cursos, em atividades nacionais ou mesmo sociais onde se usa a moderna vestimenta a bel prazer de sua escolha pessoal. Por falta de uma pesquisa junto à comunidade não sabemos se ela é bem vista e aceita. Exemplificar o saudosismo de uma época seria uma forma em afirmar que tivemos por longo tempo reconhecimento de nossa apresentação pessoal e de nossa metodologia conhecida da sociedade da época.

                     Um pensador famoso dizia que tudo tem seu tempo e sua hora, será que isto se aplica ao Escotismo atual? Se no passado ou mesmo em diversos países tivemos homens famosos que alardearam seu orgulho de sua promessa escoteira o mesmo não acontece em nosso país nos dias de hoje. Passamos por uma escala vergonhosa de políticos sem caráter, de altos dirigentes empresariais tentando subverter a seu soldo seus interesses pessoais ou corporativos. E nosso escotismo? Onde se apresenta nesta sociedade permissiva seus deveres para com Deus e a Pátria?

                      Entra ano após ano, novas eleições se fazem realizar na estrutura escoteira nacional. Promessas são feitas, valores são exaltados dos prováveis candidatos. Cada caso é um caso, mas diferente do que foi prometido nada muda, tudo permanece para exaltação dos eleitos que pomposamente se esquecem de que estão ali para servir e não ser servido. Nossa democracia é paupérrima na sua forma escoteira e aceitamos muitas vezes calados achando que o caminho para o sucesso que BP sempre recomendou poderia ter outra maneira de agir e pensar.                                

                      Estamos passando por momentos não só das discussões do “Modismo” como também o autoritarismo. Se você não concorda pode ser admoestado verbalmente ou então o que uma região escoteira de um estado vem fazendo: - “Uma Interpelação extra Judicial”. Seria esta a melhor maneira de exigir disciplina? O mote frequente de dizer que se não concorda vá a Assembleia se tornou uma piada nacional. Os arredios, os simples, os retraídos ou mesmo os mais introvertidos ali nunca teriam vez. Votar e ser votado para um membro associado é uma utopia quase impossível de ser realizada.

                      Vemos nas unidades locais onde se faz o escotismo, onde os jovens tem seu caminho programado conforme a metodologia direcionada por uma associação onde associados nunca são consultados, uma exaltação de ser um Velho Lobo, da sede do poder e ser o melhor e muitas vezes esquecendo o verdadeiro objetivo de Baden-Powell em formar uma grande fraternidade, onde uma lei e uma promessa iria prevalecer por todos que simpatizassem pela causa escoteira. A admoestação, o aviso, até mesmo aqueles que falam baixinho para não serem ouvidos surgiu agora a tal interpelação extrajudicial. Uma forma de tentar calar os que são contrários à ideia do líder regional ou nacional.

                     Se nas hostes escoteiras isto vem acontecendo porque não dizer que fora dela também? Quantos foram interpelados por não concordarem com os rumos do escotismo moderno mesmo não sendo mais um associado? Que direito tem um dirigente de interpelar judicialmente alguém que discorda ou sugere nova forma de pensar ou mesmo no que acredita ser melhor para o desenvolvimento do Escotismo Nacional? Porque está forma arbitrária de tentar calar vozes ou pensamentos contrários se ainda nem sequer provou que seu sistema é o melhor e com resultados importantes no escotismo nacional? Onde foi parar o diálogo?


                     Escotismo não tem donos. BP nunca disse que deu procuração para falar em seu nome. Se alguns poucos se julgam proprietários de ações ordinárias ou preferenciais do movimento escoteiro estão completamente enganados. Ainda existe o direito de falar e pensar no que acredita. Interpelação extrajudicial é uma forma autocrática e autoritária que não coaduna com os princípios escoteiros da Lei e da Promessa. Encerro por aqui. A todos mesmo aqueles que estão no poder, meu fraterno abraço por que meu coração é aberto não importa sua escala social ou hierárquica escoteira.                 

Nota de Rodapé: - “Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Não é a terra que constitui a riqueza das nações, e ninguém se convence de que a educação não tem preço. Eu não substituo a fé pela superstição, à realidade pelo ídolo. O homem que não luta pelos seus direitos não merece viver”. Rui Barbosa.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Conversa ao pé do fogo. Utopia. Sonhar é bom e não custa nada.


Conversa ao pé do fogo.
Utopia.
Sonhar é bom e não custa nada.

A doação inesperada

- Por intermédio de uma amiga, fiquei sabendo que fora pedido aos dirigentes da Região Escoteira local, uma reunião para tratar de temas do interesse do escotismo. Um advogado muito conhecido compareceu a reunião para explicar a todos o motivo de sua presença. Para surpresa de todos, ele disse que um conhecido empresário, conhecido pela magnificência e trabalho comunitário, fizera questão de doar uma bela quantia a Região e ao grupo escoteiro que um dia participou. Ele tinha muito orgulho de seu tempo, de seus amigos de Patrulha e da chefia e trazia dentro de si as raízes de uma época áurea, que o marcou durante toda a vida.

- Senhores - continuou o advogado, Ele, o empresário achava estranho nunca ter sido procurado. Ele só não colaborou antes foi porque não tinha conhecimento de como estava o movimento escoteiro e quem era as pessoas que o dirigia. Ele iria colaborar através de uma doação anual e pretendia colocar a Região Escoteira no seu testamento para receber anualmente certa quantia financeira. Para isto já tinha colocado ao par sua família, claro quando passasse desta para a melhor. Haveria, no entanto uma exigência, que fosse feito relatórios das atividades escoteiras por semestre e balanços comprovados de como estaria sendo empregada sua colaboração financeira.

Esta minha amiga sorrindo me disse que tudo isto aconteceu depois que uma nova diretoria regional foi eleita e começaram a se preocupar com os Grupos Escoteiros, seus distritos, dando todo apoio local e material para que todos pudessem dar aos jovens o escotismo puro de Baden-Powell. Para tanto contratou um elevado numero de Profissionais Escoteiros, dando cursos relacionados com sua atividade. Notava-se que estavam fazendo um excelente trabalho na comunidade, principalmente com antigos escoteiros que poderiam ajudar dentro de sua especialidade ou mesmo fazendo proselitismo entre seus pares.

Foi por intermédio de um desses profissionais, escotistas bem preparados que este antigo escoteiro resolveu colaborar com o movimento escoteiro. Ele passou a ver um marketing escoteiro agressivo na imprensa falada escrita e televisada, com bom padrão de demonstração do que é o que pode fazer o escotismo pela comunidade. Notou também o elevado padrão de uniformização dos participantes do escotismo e como se presentavam em público. Sentiu que isto deu a ele uma nova motivação para ser um doador ao Movimento Escoteiro. Apenas uma ligação de sua secretária para a Região e recebeu uma visita de um profissional escoteiro que o impressionou.

Como este Empresário tinha boas relações em vários seguimentos, fez questão de apresentar o profissional a diversos amigos seus, o que deu um salto enorme nas finanças regionais e dos grupos escoteiros. Viu em diversos programas de TV de alcance nacional, Chefes Escoteiros bem preparados se apresentando e mostrando o que o Escotismo de Baden-Powell pode fazer para a comunidade local.

Ele mesmo passou a participar vez ou outra nas reuniões regionais, e explicou que se não fosse à visita do profissional a sua empresa nunca teria passado por sua mente que o escotismo precisa de antigos escoteiros não só financeiramente, mas também como colabores direto ou a distancia. Parabenizou aos dirigentes pelo seu alto espírito escoteiro, principalmente valorizando os antigos escoteiros e chamando as suas lides aqueles que já tinham afastado das atividades escoteiras nacionais.

A minha amiga afirmou para mim que agora o escotismo estava sendo dirigido por pessoas de alto padrão escoteiro, levando a sério a Lei e a Promessa escoteira, não só como uma meta, mas como uma filosofia de vida. A fraternidade espalhada de norte a sul do estado pode dar um salto maior em todo escotismo nacional. Garantiu-me que a evasão estava estancada e sendo levada a sério. Um trabalho constante dos profissionais e comissários distritais com visitas locais e organizando pequenos cursos para maior controle de sua estrutura e finanças, e isto foi à mola propulsora da expansão escoteira regional.  

Minha amiga comentou que não só este empresário, mas diversos outros passaram a ver no movimento escoteiro um manancial para suas empresas de homens de bem, com formação moral elevado e com carisma de ética caráter e porque não dizer pessoas de bem não só na sua vida pessoal como profissional. Para tanto a região enviou a muitos que colaboravam, um manual sobre o que se pode esperar de um ex-Escoteiro Liz de Ouro, Escoteiro da Pátria ou mesmo os que conquistaram a Insígnia de B.P. Foi dado como exemplo países de primeiro mundo que levam a sério as insígnias escoteiras conquistadas principalmente na admissão de um novo funcionário dependendo do cargo a ser preenchido.

Muitos ficaram sabendo que quando a NASA começou seu trabalho de recrutamento não só para os futuros astronautas, mas também para sua equipe técnica, davam preferencia aos que quando jovem fossem escoteiros e tivessem recebido o “Eagle Scout” o maior distintivo entregue aos jovens americanos. Muitos antigos escoteiros que não participavam aceitaram o convite para integrar um comitê voltado para discutir e implementar um escotismo puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações conforme preceitua Baden-Powell no método escoteiro que criou.


Meus amigos, uma utopia? Sonhar não é bom? "A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar e acreditar que um dia podemos alcançar nossos sonhos.

Nota de Rodapé: - Utopia é a ideia de civilização ideal, fantástica, imaginária. É um sistema ou plano que parece irrealizável, é uma fantasia, um devaneio, uma ilusão, um sonho. Do grego “ou+topos” que significa “lugar que não existe”. No sentido geral, o termo é usado para denominar construções imaginárias de sociedades perfeitas, de acordo com os princípios filosóficos de seus idealizadores. No sentido mais limitado, significa toda doutrina social que aspira a uma transformação da ordem social existente, de acordo com os interesses de determinados grupos ou classes sociais. Mas não seria perfeito se no escotismo nossa utopia virasse realidade?