HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Obrigado pela visita, volte sempre!



Um pouco do autor.

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Os tempos são outros.


Os tempos são outros.

Escrevo de manhã, de tarde, de noite e algumas vezes de madrugada. Tem dias que minha vista embaça. Afinal um dos olhos a catarata não me deixa enxergar como queria. Vez ou outra leio comentários de amigos tentando interpretar meus escritos. Sinceramente? Nunca pensei nisto. Lembro que ouve uma vez que um me disse que o que escrevi não era escoteiro e nem servia como exemplo. Outro comentou que eu não devia escrever “aquilo”. Aquilo? Pensei em fazer uma censura em minha mente para não decepcionar ninguém. Correto? Censurar-me? Não tenho meus direitos em escrever o que gosto e penso? Mas afinal não devo uma satisfação aos meus amigos escoteiros?

Sinceramente não posso fazer isto. Escrevo escotismo, escrevo amor, escrevo amizade e alegria, mas a vida não é só isto. Não é porque somos escoteiros que somos diferentes. Somos humanos e nossa vida não é pautada na lição do bem querer. Tentamos sim, esforçamos, mas como disse Jesus, aquele que cumpre a Lei Escoteira sem errar que atire a primeira pedra. Irei sim me divertir com os politicamente corretos, que acham que o escotismo é conforme eles pensam. Irei me divertir junto a amigos que irão sorrir comigo quando escrever um “escambal” escoteiro. Irei sempre dizer o que penso da nossa liderança escoteira. Irei chorar quando meu conto for triste, irei me deleitar quando escrever sobre as lindas frases escoteiras de Baden-Powell.

Peço desculpas se não agrado ou agradei a todos com meus escritos. Fico triste quando alguém diz que não vai mais ler. Mas não posso mudar minha maneira de pensar e escrever. Colocar no papel o que todos gostam seria tolher meu pensamento do mundo. Seria como perder uma parte do meu corpo. Sei que vez ou outra entro na seara de criticar nossos lideres, nossos formadores escoteiros. Não tenho este direito? Afinal meu maior marketing é dizer que o escotismo é lindo, tem uma filosofia impossível de ser copiada, tem tudo para dar aos jovens o que esperamos nos homens e mulheres na direção do nosso país. Se por um lado faço críticas por outro lado falo do bem, do amor, da paz, da nossa Lei Escoteira.

Olhe, eu sou assim. Não sabe a felicidade que tenho em saber que é um dos meus leitores. Não sabe a alegria quando vejo um comentário seu. Agora já no fim da vida foi que senti realmente o valor de mostrar aos amigos escoteiros que temos um caminho a seguir e se bem realizado teremos o sucesso merecido. Sou um Badeniano, sou um caqueano, sou daqueles tradicionais que nunca deixaram de lado a Calça Curta. Se sou ultrapassado no tempo não sei. Se sou puro de coração continuo dizendo que não sei. Me esforço para dar exemplo, mas desculpe, continuarei a escrever o que sempre gostei de escrever.
Meu fraterno abraço do amigo,

Chefe Osvaldo.   

segunda-feira, 22 de maio de 2017

“Castas” – existem mesmo no escotismo?


Conversa ao pé do fogo.
“Castas” – existem mesmo no escotismo?

                      “Na sociedade liberal, vivemos em uma cultura onde muitos acreditam que qualquer um pode ascender em termos sociais e econômicos por meio de riquezas acumuladas. Contudo na Índia, trabalho e riqueza são parâmetros insuficientes para que possamos compreender a ordenação que configura a posição ocupada por cada indivíduo. Nesse país, o chamado regime de castas se utiliza de critérios da natureza religiosa e hereditária para formar seus grupos sociais.” Entende-se em sociologia, que castos são sistemas tradicionais, hereditários ou sociais de estratificação, ao abrigo da lei ou da prática comum, com base em classificações tais como a raça, a cultura, a ocupação profissional, etc.

                        Sei que muitos não estão entendo onde quero chegar, mas preste atenção e vais ver que no escotismo tem um bom número de chefes que se acham previlegiados. Sem perceber ele já pertencem a “Casta Escoteira” ou assim pensam. Pode ser pelo cargo, pelo seu tempo de movimento ou mesmo pelo seu gráu de conhecimento escoteiro. Para eles isto é o inicio de ter o previlegio de pertencerem a uma “casta” importante. São os famosos “chefões”, “grandes chefes”, “Velhos Lobos”, “Formador” “Presidente” e muitos outros títulos que existem por aí. Os novos ficam admirados, desejando ser igual e lutam por isso. (nem todos você, por exemplo, sei que não) Outros não ligam e acham isso patético não dando a menor atenção a estes que se acha acima da fraternidade que tão bem nos caracteriza.

                        Voce não acredita? Ou voce é humilde o bastante para não ver ou é inteligente o bastante para deixar passar ao largo e não rir. Outro dia comentei com alguns amigos que se continuar assim, teremos um deles dizendo para a plebe escoteira: – “Sabem com quem está falando”? Risos. Bem, sob o ponto de vista linguistico é uma frase feita. Talvez o agravante do singnificado encontra-se justamente nas circunstancias em que ela é proferida. O tom de voz, o status de querer ser. Não riam, por favor. Acreditem que ainda existe em nosso movimento os que se julgam muito acima dos mais novos ou daqueles que nunca reclamam.

                      Muitos acreditam que existem a casta de chefes IM, de dirigentes, a casta dos Comissários, de Diretores e para completar a casta da equipe dos formadores. Esta é incrivel. Tem sim muita importancia na formação dos novos e até dos antigos na lide escoteira. Mas dá tristesa ver a subserviencia de alguns chefes tentando conseguir o seu “taquinho”. Conheci um que fez tudo para conquistar um deles. Quando recebeu ficou doente por cinco meses. Maldição? Risos. Pode ser. Desculpe, sem generalizar. São poucos e eles ainda não se tocaram que o escotismo é uma grande fraternidade e que a amizade tem mais valor que a superioridade. Fiquem tranquilos. Eles são menos de 0,5% do nosso efetivo adulto. Portanto uma insignificância. Mas como são chatos!
  
                        Veja bem o que comentou Fernando Pessoa, um célebre poeta – “Precisar dominar os outros é precisar dos outros”. Será que o chefe é dependente deste estado de coisas? Podem me dizer que isto deve existir para que nossa disciplina seja conseguida, afinal somos um movimento educacional sem o caráter de obrigação profissional. Mas vale a pena então ter esta sêde de poder surda e absurda praticada em diversos orgãos escoteiros? Zé das Quantas o chefe do Grupo lá em Brejo Seco acredita que não.

                  Fico pensando se não existisse esta casta. Até mesmo comento comigo mesmo que seria uma luta ingloria se ouvesse salários ou ganhos financeiros no escotismo. Se sem salário a sede do poder é grande e com o salário? Fico até feliz em saber que eles são em número irrisorio. Mas como irritam. Não se tocam. Andam dando pulinhos, olham para você como voce fosse um “coitado”. Se por acaso encontram outro acima dele, correm para bajular. Risos. Não estão acreditando? Tentem participar onde a “casta” se reune. Todos sabem onde.

                      Pois é. A casta existe. Pelo menos para mim. Eu vivi tudo isso no passado e vejo até hoje no presente. Interessante é que os da casta pouco se manifestam. Falam pouco. Ar professoral. Maneiras de superioridade. Acreditam que agora estão na Corte dos nobres, lá eles podem tudo. Mas até lá a bajulação continua. Todos sabem que ali a subserviência é o caminho para mais um taco. Mas não são só quatro? Meu amigo, os que tem o quarto taco tem o caminho para receber o Tapir. Não sabe o que é? Medalha meu irmão escoteiro. A mais alta condecoração no Brasil.

                     Eu peço a Deus por eles. Acredito que isso é antigo. Quem sabe BP conheceu alguns antes de fazer sua viagem. Quando no passado estive em vários seminários nacionais e sul americanos e até em um jamboree, fiquei boquiaberto. A casta fazia parte de muitos paises. Não era só aqui não. E o pior que vi alguns jovens também! Em um Jamboree cheguei a ver e tive que conter o riso. Um escoteiro americano com uma turba atrás querendo trocar distintivos e ele não dando à mínima se posando de superior. E os adultos chefes? Minha nossa! Tinha cada um que precisava fazer o sinal da cruz e passar de lado. Graças a Deus que tinham milhares que eram de uma humildade enorme. Por eles valeu a pena as centenas de dólares que gastei. 

                    Mas chega por hoje. Um dia tenho certeza todos irão se abraçar e dizer: - Meu amigo, a empatia é muito útil para nos escoteiros. Não seria bom se voce fosse leal, cortês, amigo e humilde? Não seria bom se falasse bom dia, e dizer eu gosto de você? Não iria demonstrar que és educado e tem respeito pelos demais? O fato por você saber mais, ter um lenço mais bonito não significa que não possa ser cordial e ajudar de maneira gentil aos seus irmãos escoteiros. Mas faça isso de uma maneira simples para que todos possam ver em voce um exemplo bom a ser seguido.

E abaixo a “casta” escoteira. Risos e risos.


Uma chefe me escreveu dizendo que foi exonerada em Seu Grupo Escoteiro. Não sei as razões de ambos os lados. Manuseando meus artigos encontrei o da Casta dos escoteiros. Não é muito lido, e quando publico muitos torcem o nariz. Vivi demais escoteirando para saber que existem tais tipos do nariz empinado que se acham os melhores e menosprezam a blebe que luta para também alcançar seu lugar ao sol. 

sábado, 20 de maio de 2017

Você sabe dizer: - Muito obrigado?


Conversa ao pé do fogo.
Você sabe dizer: - Muito obrigado?

                Pensei em escrever outro artigo, mas uma Chefe me disse que em seu Grupo Escoteiro eles abusam da palavra Muito Obrigado. Fiquei feliz em saber. Bom isto. Se somos um movimento fraterno isto seria uma obrigação. Se todos pudessem abusar em todas as reuniões, em todas as atividades e dizer muito obrigado seria um pequeno passo para uma fraternidade sem igual. Uma palavra que poderia ser a chave do sucesso para nós escoteiros. Não acreditam? Pois saiba que saber dizer Muito obrigado é o segredo do sucesso! Simples não? Poderão dizer - Claro que sempre agradecemos. Não sei. Dizem que o escoteiro é Cortez e acredito nisto. Mas quantos carrancudos prepotentes e donos da verdade nós temos? Afinal não somos uma espécie de lideres aonde os jovens nos vêm como exemplo? Dizem que tem muitos esperando elogios. Seria este o motivo para estarmos trabalhando com uma juventude que espera muito de nós?

              De uma coisa eu sei. Somos chefes e não somos Deus! Desculpe. Alguns falam tanto que até parece que somos onipotentes. Pode ser que nós chefes somos tudo isto que descrevem, mas cá entre nós, estamos aqui porque gostamos. Porque nos sentimos bem. Porque faz parte das nossas vidas. Porque no final de tudo o escotismo se tornou parte de nós. Mas isto está nos colocando uma espécie de “amnésia” do que acontece em nossa volta. Deixamos de ver os erros, dos passos dados para o crescimento, da evasão, do alto custo para fazer escotismo. Contentamo-nos com o que lidamos. Nossas sessões, nosso grupo, distrito e etc. Mas voltemos ao nosso tema que é dizer “Muito Obrigado”. Será que realmente é uma norma não escrita para todos no ambiente de um Grupo Escoteiro possamos viver em sintonia e alegres das amizades que temos?

                 Se todos se dispusessem a pelo menos tentar cumprir um pouco da Lei Escoteira ou então fazendo o Melhor Possível para dar a ela uma conotação pessoal teríamos o mesmo comportamento de alguns que ainda não tocaram que somos todos irmãos escoteiros. Será que pela falta de dizer “Muito obrigado” não seja a causa de muitos se afastarem do escotismo? É tão difícil assim agradecer? Ser cortês? Sorrir, abraçar e elogiar? Não é formidável nós chefes chegarmos à sede, no dia de reunião e apertar a mão de um por um de todos nossos escoteiros ou lobinhos individualmente? E dizer a eles – Bem vindos estou orgulhoso de ver vocês aqui! Que bom que você é meu amigo!

                 Hora se o que fazemos pode ser um hábito de comportamento melhor ainda que nosso exemplo se espalhou e todos nos jovens, principalmente os graduados dizendo aos seus comandados individualmente - ”Sejam bem vindos!” A patrulha/matilha está orgulhosa em ter você. Difícil? Claro que não. Afinal se fazemos assim nosso exemplo será seguido sem sombra de duvida. Sei que muitos irão dizer: - Chefe, não dá os medalhões os que sabem mais que a gente nos olham como se fossemos reles empregados seus. Ora, ora, isto deve ser uma mínima parte do todo. Sei que a maioria não é assim. Se você tem um Diretor Técnico que quando chega às reuniões ele vem com aquele sorriso e dizendo: – Bem vindo! Sinto-me orgulhoso em saber que você é um dos nossos! Você se desmancha todo. Verdade ou não?

             Sei que podem dizer que o exemplo vem de cima. Vem do Distrital quando te vê abre aquele sorriso e lhe dá um grande abraço e um aperto de mão. Do Assistente da região, do funcionário da cantina, da parte burocrática da região e da nacional e como é bom ver o chefão olhar você, estampar aquele sorriso fraterno e apertar sua mão como se você fosse seu irmão e amigo para sempre. Quanta alegria você teria e quanta motivação em saber que o tratamento a você é dado como se sua pessoa tivesse realmente uma importância dentro da fraternidade escoteira. Acredite quem sabe um dia o Presidente, ou aquela famoso DCIM irá abraça-lo e dizer: - Meu amigo, muito obrigado por pertencer a União dos Escoteiros do Brasil. Estamos orgulhosos de ter você em nosso meio! Se precisar de uma troca de ideias conte conosco e se precisar mais ainda iremos ao seu Grupo Escoteiro conversar e sugerir.

             Sei que muito que disse aqui é uma utopia. Mas precisamos ser os primeiros. Um poeta dizia: para que serve a utopia? Serve pra isso: para que eu não deixe de caminhar. Portanto é você quem deve dar o primeiro passo. Agradecer muito. Isto faz bem. Shakespeare dizia que o ouvido humano é surdo aos conselhos e agudo aos elogios. Uma verdade sem sombra de dúvida. Quando entramos como voluntários no movimento escoteiro, esperamos é claro que haja algum tipo de agradecimento. Sempre chegamos com um sorriso e nem sempre obtemos outro de volta. Sei que os jovens estão sempre sorrindo e isto é uma paga enorme. Aquele “tapinha” de leve a dizer – Muito bom o seu trabalho! Você foi muito bem na reunião hoje! O Grupo Escoteiro se orgulha em ter você conosco. Você faz uma tremenda falta!

                    Nossa lei é clara – “O escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais” E a cortesia? Ela não diz que tal pessoa é especial. É uma lei para todos sem distinção. Portanto dê o seu abraço. Diga que está feliz, e olhe se notarem aquele lobinho, ou lobinha, escoteiro ou escoteira, sênior e guia pioneiro ou pioneira ou escotistas de cara amarrada, vá até ele. Aposto que vai ficar espantado com seu abraço, com suas palavras. “beleza bom demais que você é um dos nossos”. Aposto que vai dar um belo sorriso!
               Agora é mãos a obra. Ainda que haja noite no seu coração, vale à pena sorrir, abraçar, dizer muito obrigado. Abusem meus amigos do “Muito obrigado” “Grato gratíssimo” “Seja bem vindo” “Estamos orgulhosos de você”. Como é bom ver alguém sorrir. Sorria, o seu sorriso é contagiante. Faça do seu grupo uma alegria constante! Espere e vais ver que sua colheita vai ser abundante e eterna. O sorriso da felicidade e do sucesso irá trazer grandes benefícios.


Alô! Meus parabéns! Quero que saiba que mesmo sem o conhecer, eu gosto de você! E olhe, estou agora dando um enorme sorriso!

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, à bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores. Portanto a todos digo que não guardo magoa e só posso dizer muito Obrigado! 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Apenas uma informação escoteira.


Alô meus amigos escoteiros.
Apenas uma informação escoteira.

Sabemos que existe uma lacuna em nossa história escoteira de como surgiu nossos símbolos, nossas místicas e nossas tradições. Alguns chefes mais antigos estão trabalhando neste sentido. O Centro Cultural do Movimento Escoteiro: - CCME é um exemplo. Um dos seus idealizadores me convidou para participar publicando muitos dos meus escritos principalmente aqueles que ficam marcados na memória escoteira. Não esquecer o site LisBrasil do meu amigo Paulo Cabelo, que mantem quase todas as publicações de muitos autores escoteiros. O Chefe Elmer Pessoa é outro que tem um enorme manancial de publicações importantes na formação dos nossos chefes. Eu sou apenas um complemento. Meus escritos são criados na imaginação e outros pesquisados na internet, pois não podemos ficar parados no tempo sem a informação necessária que todos devem ter.

O meu amigo Fernando Robleño em um gesto de fraternidade gentilmente se ofereceu para fazer do meu Livro de Histórias Escoteiras hoje em PDF uma publicação onde teremos enfim uma capa para segurar, um nome para ler e histórias para divertir e sonhar. Não é uma tarefa fácil. Seu tempo é curto e tudo será feito paulatinamente. Haverá sim necessidade da colaboração dos meus amigos, pois os valores a serem gastos eu e ele não temos condições de assumir. As colaborações serão devidamente informadas no futuro e claro, com um desconto quando for à hora do envio do Livro.

 

Seria o primeiro passo. Afinal tenho mais de 2.000 histórias e centenas de artigos que ficarão na berlinda para quem sabe em um futuro eles também possam ser editados. Até então quase todos estão devidamente catalogados em condensados no formato PDF o qual muitos de vocês já os tem em seus arquivos. Muitos talvez não saibam, mas minha formação nas lides da escrita foram aprendidas na Escola da Vida. Quantos foram aqueles que me criticaram dos meus erros na escrita capenga que vou soletrando aqui e ali? Nunca me preocupei com isto. Se o meu sonho do livro se tornar realidade, mesmo que sendo uma pequena parte de tudo que escrevi, poderei partir para outra escola da vida feliz.

 

Um excelente Chefe e conhecedor emérito do escotismo, um colaborador do CCME André Torricelli também se ofereceu para ajudar. Bem vindo todos. Não espero nada da UEB. Infelizmente não existe hoje uma ligação entre nós. A obrigação de me considerarem como escoteiro exigindo um registro não me satisfaz. Sou sim um escoteiro e para isto não preciso provar para ninguém a não ser para mim mesmo. Já entrando nos meus 76 anos de vida, quase 70 anos de escotismo meu espírito Escoteiro sempre foi e sempre será aquele que me fez percorrer uma estrada cheia de sucessos. Isto independente de carimbos e exigências para provar que sou um Escoteiro. Quem tem uma lei que diz termos uma só palavra tem que ter o respeito dos que acreditam que ser escoteiro é ter honra, dignidade, caráter e ética.


Vamos em frente. Já diziam que um País sem memória é uns pais sem futuro. Obrigado a todos vocês por estarem fazendo o que de melhor existe para levar como bagagem quando chegar a hora de partir. Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião são obras que iremos levar sorrindo para o outro lado da vida e que nunca serão esquecidas.

Chefe Osvaldo. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Escotismo é só para ricos?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Escotismo é só para ricos?

                     Vi hoje uma postagem de amigos reclamando dos altos preços cobrados pela Loja Escoteira. Não foi o primeiro e nem o último. É um tema em que já publiquei diversos artigos sobre ele sem sucesso. Afinal queira ou não boa parte dos participantes hoje do escotismo já entram sabendo que tem gastos e eles não irão medir esforços para que seus filhos tenham tudo que precisam. Sei também que existem os escoteiros que insistem em participar mesmo sabendo que não podem acompanhar os mais bem aquinhoados e os chefes persistentes tudo fazem para que eles possam dentro do possível ter seu quinhão conforme os demais.

                     Baden-Powell quando criou o escotismo, dizia que era para os mais humildes, principalmente a juventude que morava em bairros simples e pudessem receber um outro tipo de educação. Hoje nota-se que isto ficou para trás. Nossa liderança não tem a preocupação com os jovens mais humildes e para fazer uma cortina de fumaça em reclamações passou a não cobrar o registro daqueles que não pudessem pagar. Pouco se vê algum Escotista candidato nas esferas mais altas, ter como meta fazer tudo para que os mais pobres possam ter condições de participar e uniformizar como os demais.

                      Lembro que no passado era motivo de orgulho ver uma alcateia com uniforme desbotado assim como uma tropa escoteira. Via-se que os jovens estavam há mais tempo e bastava olhar para eles e ver dezenas de primeira e segunda estrela. Isto sem contar os segunda e primeira classe. Muitos diziam que ali se fazia o verdadeiro escotismo. Nos acampamentos distritais e regionais era bom demais ver as patrulhas chegando completas, desfraldando seu totem, dando seu grito de patrulha e trazendo seu próprio farnel e sua tralha. Os sub campos ferviam de bom escotismo. Patrulhas completas se orgulhando do seu grito de sua participação visando conquistar uma simples bandeirola de eficiência.

                      Mas tudo mudou. Em vez do formidável sistema de patrulhas passou-se a considerar o jovem e não sua equipe. As altas taxas apareceram para que muitos não pudessem participar. Existe o desejo de muitas regiões assim como a nacional visar que toda e qualquer atividade tem de dar lucro. Vi outro dia um artigo onde o título era: - Quanto tempo leva uma empresa para dar lucro? Será que já somos uma empresa ou somos uma associação? Se hoje temos mais condições de ter empresas querendo fazer seu marketing no escotismo onde estão os profissionais para aproveitar tais benesses? Não afirmo, ouvi dizer que a vestimenta teve como pauta que seria uma ótima fonte de receita para a UEB.

                       Uma vestimenta que até hoje se ouve falar das péssimas condições de confecção e do próprio tecido, que não é próprio para o campo e desbota com rapidez. Se fosse como no passado tudo bem, mas hoje não. Penso até que isto foi premeditado para que as trocas sejam feitas mais amiúdes. Afinal a Loja Escoteira é um truste sem sócios onde só ela tem os direitos dos produtos que comercializa. Mesmo assim a uma luta renhida para que mais e mais ela possa sempre ter lucro em tudo que faz e vende. Chega ao ponto de exigir que suas atividades realizadas em regiões ou distrito, a taxa deve cobrir todas suas necessidades assim como ter o devido lucro na sua gestão financeira. É como o lema: - Nada pode dar prejuízo!

                       Muitos dirão que isto é o correto. Não vou discutir. Aldous Huxley no seu livro Admirável Mundo Novo, dizia que uma organização não é consciente nem viva. Seu valor é instrumental e derivado. Não e boa em si, é boa apenas na medida em que promoveu o bem dos indivíduos que são partes do todo. Dar primazia as organizações sobre as pessoas é subordinar os fins aos meios. Temos hoje uma associação que quer ser servida e não servir. Em uma promessa ela mesmo exige que todos digam em alto e bom som que irão servir a União dos Escoteiros do Brasil.

                      Muitos discutem o porquê o escotismo não cresce em termos populacional em nosso país. Quem sabe este pode ser um dos motivos. Pense nas enormes despesas para se montar e manter um Grupo Escoteiro. Pode-se dizer que compete à diretiva do grupo procurar meios para que o grupo seja autossuficiente. E onde entra a UEB neste contexto? Quando o grupo se torna uma pequena empresa na minha humilde opinião deixa de ser tudo aquilo que pensamos de uma filosofia fraterna e onde o lema um por todos e todos por um deixa de existir. Parodiando John Thurman quando B.P assentou as bases do escotismo, disse que ele nasceu entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoram deste então, ainda existem rapazes tão pobres como naquela época que precisam do escotismo.  

                 Sei que minhas palavras nada irão ajudar para que este estado de coisas seja modificado. Se este é o escotismo que queremos sinceramente não é o meu. Eu sempre sonhei em uma associação que visasse o bem dos seus associados, ombro a ombro nas suas necessidades, tudo fazendo para conseguir os meios necessários para que o escotismo pudesse evoluir de maneira simples buscando seu verdadeiro objetivo que é a formação do jovem dentro dos princípios e métodos idealizado por Baden-Powell. Não tenho a pretensão de ter a solução tenho sim o sonho em que um dia todos pudessem discutir de igual para igual com todos os seus pares escoteiros visando um caminho perfeito para o sucesso.

                 O escotismo não é para ricos. Os direitos do rico e do pobre são iguais. Visar lucros sem ver a necessidade de seus associados é uma maneira de estagnar a alavanca de um escotismo para todos. Programas e metas devem ter papel importante no caminho que procuramos seguir. Mas até hoje o que vemos é totalmente diferente. Um escotismo que visa lucros em todas suas atividades e esquecendo o que é mais importante, abrir um leque enorme para alavancar o maior número de escoteiros no Brasil. Se um dia estivemos juntos aos dez primeiros que acharam a ideia de Baden-Powell em 1910 factível para formar jovens conforme se pensava naquela época, hoje vemos com tristeza que estamos em um patamar distante dos sonhos de outrora.


                  Sei que poucos irão comentar, poucos irão concordar. Um direito de qualquer cidadão escoteiro. Mas o futuro é inexorável. Quem viver verá se o caminho foi realmente o sucesso esperado.                            

John Thurman dizia que Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis ideias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. Se nos mantermos o mais possível dentro a simplicidade, alegria e entusiasmo o sucesso será real. No entanto os únicos capazes e possíveis de pôr o Escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado autossuficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

domingo, 14 de maio de 2017

Homenagem as mães escoteiras.


MINHA HOMENAGEM A TODAS AS MÃES ESCOTEIRAS DO MUNDO!

Dizer que hoje é um dia especial é repetir o obvio. Mãe é mãe. A minha a sua a de todos nós merecem tudo que possamos oferecer nesta data tão querida. Mas hoje eu faço uma homenagem especial a MÃE ESCOTEIRA. Posso afirmar sem sombra de dúvida que o escotismo nunca seria o que é hoje sem ela. Impossível descrever todas suas virtudes, seu trabalho seu amor ao escotismo. Deveria haver uma medalha especial para elas. A mais linda, a mais simples, a mais brilhante. Uma medalha em que poderíamos dizer que esta simples homenagem seria feita todos os anos para aquelas que ainda não tivessem recebido. De ouro? De Prata? De Bronze? – Não de ouro. Ouro puro. Ouro perfeito, pois só seu brilho faria a homenagem ser exatamente o que o escotismo daria a elas.

Escrever parabéns ao dia das mães? Só isto? – Pense comigo o que é e o que faz uma mãe escoteira. Tem uma casa para cuidar. Tem filhos para cuidar. Tem um marido para amar. Muitas delas trabalham fora. E meus amigos, lá estão elas todos os sábados e outros dias praticando escotismo, e dos bons! Lá estão elas sorrindo, amando seus novos lobos ou escoteiros como se estivessem amando filhos seus. Não faltam, estão presentes em atividades distritais, presentes nos acantonamentos para alegrar a lobada. É a última a dormir e a primeira a acordar. Com seu programa feito em uma hora de folga que quase não tem em seu lar.

E não podemos esquecer aquelas mães que não tem um lenço, que ficam em casa esperando seus lobos ou escoteiros voltarem sorrindo de uma atividade qualquer. Elas ficam o tempo que for necessário para ouvir o que eles vão contar da reunião, da atividade de seu amor ao escotismo. Não importa se é mãe escoteira, não importa se é mãe que prepara seus filhos a irem participar do escotismo. Em nome do Movimento Escoteiro eu repito hoje e sempre:

- Mãe, eu te amo, nós te amamos hoje e sempre! Sabemos que uma flor é bela, uma paisagem pode ser bela, mas a imagem de uma mãe transcende tudo aquilo que os olhos entendem por beleza. Seria bom se o dia das mães fosse comemorado todos os dias. Afinal elas merecem. Não são as coisas bonitas que marcam nossas vidas, mas sim as pessoas que têm o dom de jamais serem esquecidas! Meu lugar favorito é dentro do seu abraço.

Parabéns a você mãe escoteira, parabéns a você mãe de escoteiro, parabéns a todas as mães do mundo. Recebam um forte aperto de mão um abraço fraterno e que o mundo sorria aos seus pés!


DIA DAS MÃES, DIA DE SORRIR ESTEJA ELA ONDE ESTIVER!

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Os escoteiros declaram guerra ao Exército Brasileiro.


Os escoteiros declaram guerra ao Exército Brasileiro.
Um conto quase real.
“(Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, não é mera coincidência)”.

                 Eram seis seniores. Passaram para a tropa e resolveram criar uma nova patrulha. Por unanimidade escolheram o nome de Tamanduá Bandeira. Já se entrosavam no passado e agora melhor no presente. Corria o ano de 1956. Josué o Chefe sênior dava inteira liberdade. Funcionário da Vale do Rio Doce vivia quase que em um vagão percorrendo estações, locais perigosos e pouco aparecia na sede. As três patrulhas tinham liberdade de ir e vir e as reuniões eram mais para discutir atividades aventureiras. Lindomar foi quem se lembrou das Grutas de São Raimundo. Há tempos não iam lá. Seria menos material e isto facilitaria a jornada de duas léguas bem contadas.

                 Encontraram-se na sede na sexta às oito da noite e as nove já atravessavam a ponte de São Raimundo sobre o Rio Doce. O Povoado de São Raimundo dormia e não viu os escoteiros seniores cantando baixinho uma canção rumo à trilha da Fazenda do Mário Labrador. Voltariam no domingo. O programa de sempre. Alvorada sempre ás seis. Um pouco de física que o Tom Maia intendente conhecia e acostumado a dirigir. Levaram a ração C. Sabiam que lá tinha belos peixes e muitas codornas para belas fritadas na frigideira do Calêgo o cozinheiro. Às duas da manhã chegaram e se arrancharam. Dormiram o sono dos justos. Foi Luiz Almeida quem acordou primeiro. Chamou Tom Maia e acordou os demais. Sempre aquela vontade de continuar dormindo, mas Coleman o Monitor logo deu a ordem para formar.

                 E eis que todos ficaram alerta ao verem dois caminhões do Exército a Norte do Rio, uns 800 metros de distância despejar dezenas de recrutas próximos às corredeiras da Curva do Onça.  Cada um na sua e assim como o Exercito não deu bola para eles o mesmo aconteceu na patrulha. Havia um programa não escrito e foi para isto que eles foram arranchar ali. Tudo corria bem, almoçaram taioba com arroz e lambari frito. Não havia “sesta” era a hora de montar armadilhas para pegar um bom tatu ou mesmo um quati. O Arlindo foi para a beira do rio montar um Cubo de bambus lascados em um remanso, onde o peixe entrava e não podia sair. Quando voltava para o campo viu mais a sua direita uma enorme abobora laranja. Grande mesmo, ele nunca conseguiria levá-la sozinho para o acampamento.

                   Tom Maia e ele improvisaram uma biga e ela foi levada até as grutas. Não sei quem deu a ideia, mas o Arlindo ficou toda a tarde limpando por dentro sem cortar por fora e após fazer uma pequena tampa cortou a parte mais larga fazendo uma boca cheia de dentes pontiagudos e dois olhos arregalados. Todos sorriram quando perceberam o que ele queria fazer. Calêgo trouxe duas velas. Arlindo preparou tudo para que o vento não apagasse as velas. Deixou no fundo da abóbora um pouco de capim seco com folhas verdes molhadas que quando tudo ficasse quente sairia pela boca muita fumaça escura. A noite chegou. Ninguém falava nada. Não precisava. Luiz Almeida o melhor nadador da patrulha levou a Abóbora até o meio do rio. No início águas mansas até as corredeiras da Curva do onça onde estavam acampados os recrutas do exército.

                   Antigamente e hoje nem sei se ainda é assim, as cidades tinham seu Tiro de Guerra, uma pequena unidade militar para que pudessem ter reservistas sem necessidade de investir em um quartel militar. A turma recebia tudo. Fardamento e alimentação, mas iam para casa a noite e nos fins de semana pouca atividade militar. A abobora no escuro era fantasmagórica. Logo a fumaça tomou conta e quando ela passou pela área do Tiro de Guerra (por volta das onze e quarenta da noite) os dois sentinelas levaram o maior susto. Sem experiência começaram a gritar e abriram fogo na pobre abóbora que navegava tranquila pelo rio soltando fumaça e girando nas corredeiras. Os dois gritavam a mais não poder. – Sargento é o capeta! O demônio! O diabo! A tropa acordou e se juntou aos outros que gritavam e abriram fogo na pobre feiticeira do Rio Doce. E tome tiro agora com mais de uma dezena de outros atirando também.

                   A gritaria era demais. Os seniores gargalhavam e pulavam com sua abobora do fim do mundo. Enquanto isto os soldados corriam para todo lado, alguns atiravam até mesmo em árvores pensando que o inferno abriu a porta para eles. O tiroteio só parou quando o sargento Martinho mirou e acertou uma bala bem no centro da abobora que se despedaçou. Os seniores ficaram quietos. Não queriam que os militares soubessem que foi invenção deles. Saíram das grutas na madrugada de domingo sem fazer barulho. Após percorrerem alguns quilômetros foi aquela festa. Eles sabiam que tal aventura seria contada por gerações em fogos de conselho ou conversas ao pé do fogo.

                   Mas no sábado seguinte as patrulhas reunidas e treinando uma passagem do caminho do Tarzan montada pela Jaguar viram o Capitão Leopoldo do Tiro de Guerra chegando junto com o Chefe Josué. Ambos sérios. Todas as patrulhas formaram em linha. O medo aflorou nas hostes da Tamanduá. Não havia riso. Perfilados lado a lado em posição de sentido. Os seis bravos seniores tremiam como varas verdes. Dizem que dois deles fizeram xixi na calça e outra não aguentou e borrou até cair pelas pernas no chão. O capitão com um olhar feroz passou em revista a patrulha. Olhou nos olhos de cada um e Arlindo jurou que saia fumaça e fogo no seu olhar. Olhou os uniformes, na sua pose característica de capitão foi por trás e voltou novamente a frente olhou de novo a cada um e falou:


              - Então são vocês? Seis merdinhas escoteiros que botaram o Exército Brasileiro para correr? – A coisa “tava braba”, pensou Tom Maia. Mas eis que para surpresa ele começou a rir desbragadamente. E não parou de rir até que toda a Patrulha parou de tremer e a rir também. A cidade comentou por muitos e muitos anos. Nem tudo foram Flores. O Chefe Josué proibiu a patrulha de acampar sem Chefe por quatro meses. Um suplicio, mas eles sempre quando se encontravam as lembranças nunca era esquecidas. O tempo passou, a turma cresceu e eis que os seis seniores se alistaram no exercito. Acamparam sim próximo as Grutas de São Raimundo, mas sentiram saudades dos tempos que seis jovens botaram o exercito brasileiro para correr!  


Uma história quase real e o autor deste conto ainda ri até hoje e se lembra que foi um dos que de tanto medo fez xixi na calça. Não aconselho hoje a fazer isto, naquela época tudo era aventura e tudo servia para curtir um pouco da monotonia da falta de um Smartfone de uma TV ou das belas criações do mundo moderno pois dizem que agora se faz grandes aventuras! Sempre Alerta! 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Continência a autoridade Escoteira!


Continência a autoridade Escoteira!

         Eu devia enfiar a viola no saco e subir em uma montanha para cantar: -    ”Guarda tuas mágoas bem no fundo do Bornal, e sorri, sorri, sorri. O que importa é vencer o mal mantém sua alegria”! Nem sei se ainda tenho minha viola e nem lembro como fazer as duas posições que aprendi para acompanhar as musicas escoteiras que gostava de cantar. Mas minha garganta coça e agora deu para tossir sem parar. E quando vejo “pataquadas” dos dirigentes escoteiros ou até mesmo dos politicamente corretos da EB fico coçando sem parar. Lembro-me quando estava trabalhando na Usiminas lá pelos idos de 1962 e surgiu uma epidemia de coceira que pelo que saiba ninguém escapou. Estou tentando lembrar o nome, mas nada vem na memória.

         Mas voltando aos finalmente ando coçando demais. Por quê? - Uma semana atrás li aqui algum que nunca pensei em ler. Um Chefe pedindo desculpas aos dirigentes ou quem sabe aos seus superiores hierárquicos no Grupo ou Distrito. Dizia ele que alguém postou na sua página um artigo ou comentário e os donos do poder não gostaram e pegaram no “seu pé” sem dó e sem piedade. Pelo que ele escreveu diziam até expulsá-lo do movimento ou mesmo não deixá-lo mais fazer escotismo. Ele um Chefe simples e humilde disse que não poderia sair do movimento, amava e adorava o que fazia, não queria deixar seus jovens órfãos. Pedia perdão e que eles o deixassem fazer o que gosta de fazer. Sair do Escotismo seria o seu fim.

          Pelas barbas do profeta! Isto foi demais. Eu sempre o via lendo meus escritos, até mesmo vez ou outra comentava. Desde aquele dia que ele pediu desculpas nunca mais o vi comentando ou curtindo. Eu não sou bem quisto por estes chefões que nem fazer um nó de Polaco sabem fazer. Não sei se tive culpa no cartório e se tivesse iria correr até ele e dizer: - Vamos juntos gritar aos quatro ventos que o escotismo não tem dono? Que estes “sacripantas” que o admoestaram não valem nada? Não tem nada de escoteiro? Que tal “pegar” um bom advogado e processar a cada um? – Deixei pra lá. Eu sei que isto acontece muitas vezes por semana por uns marginais que se dizem escoteiros, fazendo ameaças, admoestando, e prometendo fazer da vida do Chefe um inferno.

           Estes delinquentes que se acham dono da verdade, que não tem espírito escoteiro, que não respeitam outro ser humano eles sim é que deveriam ser expulsos, afastados do Escotismo. Afinal temos uma lei linda, que adoro e faço questão de fazer o melhor possível para cumprir. Será que eles leram o livro que George Orwell escreveu em 1949 a sua distopia futurista com o título de “1984”? Será que Winston o herói de “1984” não poderia nos dar uma lição sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário? Afinal estamos falando do escotismo moderno, democrático ou da engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo estado onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho? Será que nesta sociedade ninguém escapa a vigilância do “Grande Irmão” um poder cínico e cruel que vigia a todos? Será que no final nosso Herói Winston entende que ali só o poder interessa, onde quem vive sem riqueza e nem luxo tem vida curta e sem felicidade?

            Bem sei que muitos politicamente corretos irão correr para dizer que isto não acontece. Não? Passou despercebido o pedido de perdão do Chefe nas páginas do Facebook? E não foi o único. Já vi inúmeros casos. Perdi a conta de relatos recebidos no meu e-mail com muitos desistindo da União dos Escoteiros do Brasil. E nem me venham dizer que somos todos irmãos fraternos. Alguns sim, mas tem estes “sacripantas imbecís” que se julgam melhor que os outros, acham que tem os poderes de Salomão, mas o usam como se estivessem no tempo da Inquisição com poderes absolutos. Pobre escotismo moderno. A sede do poder corrói o que temos de melhor que é a essência da amizade da formação moral, da filosofia Badeniana que por muitos anos se sobressaiu nas lides da educação escoteira.

             É por isto que não tenho registro. Meu escotismo é outro e não tenho nenhuma ligação com Grupos, distritos e o escambal. Não sou exemplo, pois queira ou não os que participam diretamente nas Unidades Locais não tem como fugir do registro. Cada um sabe onde o sapato aperta. Afinal a EB diz que ela é a “dona” do escotismo no Brasil. Ela não respeita outras associações que se formaram por não acreditar mais no escotismo Uebeano. Se o chefe que postou tal comunicado estiver lendo este artigo ficaria eternamente grato se me enviasse um e-mail contando como tudo aconteceu. Fico na minha, não vou discutir mais a subserviência que hoje se vê no escotismo. Não era assim, no passado havia respeito de ambas as partes – Chefes e Dirigentes. Mas é assim que a EB quer. Gente que obedece sem reclamar!
E chega por hoje.
Sempre Alerta

Chefe Osvaldo    


terça-feira, 9 de maio de 2017

Não tenho o dom de ser Salomão.


Não tenho o dom de ser Salomão.

Não tenho mesmo. Aprendi com meus pais tantas coisas que depois de me tornar escoteiro acreditei e lutei por tudo que se dizia respeito à ética, honra caráter e polidez. Vou discutir com você religiosidade? Nunca. Se você é agnóstico é seu direito. Se achares que o uniforme se veste como quer é seu direito afinal estão bagunçando tudo. Dizem muitos que a educação vem do berço. Pode até ser, mas entre nós, o escoteiro não tem a obrigação de ser educado? E dizem que muitos se acham os maiorais, os donos da verdade e tantas coisas mais. Não julgo ninguém, julgo a minha consciência. A sua meu irmão escoteiro é você quem julga. Vejo tantos julgando tantos em postagens aqui que fico pensando: Onde está a verdade? Defendem-se ex-presidentes, alguns fazem deles verdadeira idolatria.

Interessante são as criticas a muitos fatos que julgávamos só nosso. Afinal a jabuticaba é brasileira. A CLT também. Alguns defendem seus direitos com unhas e dentes e os desempregados nem dente tem. Fui empregado por 30 anos e patrão por doze. Os colaboradores que saiam por motivos diversos corriam atrás dos seus direitos. Eu patrão me chamavam ditadorzinho de terceira classe. Uma vez pensei em trabalhar sozinho. Muitas vezes trabalhava até tarde da noite para pagar indenização a quem não merecia. Não merecia? Afinal sou Salomão? Dizem que somos o país com o maior numero de reclamações trabalhista no mundo. Isto está certo? Muitos gritam que tem solução. Será que não estão lendo e vendo o que este pais está passando? Palmas a Sérgio Moro ou será que tem mais?

Quem tem a sorte de ter um trabalho não tem tempo para queimar pneus, para quebrar vidros e por fogo em ônibus e fazer passeata três vezes por semana pela manhã e a noite. Quem tem a sorte de estar trabalhando é aquele que levanta ao alvorecer e chega em casa depois do anoitecer. Aqueles que não querem deixá-lo trabalhar estão certos? O respeito de ir e vir agora é decidido por alguns? Outro dia ia fazer um exame no pulmão e não pude chegar a tempo. Impediram-me de passar com meu veículo. Onde foi parar o meu direito? Nas mãos de quem recebe 30 reais e um sanduiche para gritar direitos que ele nem conhece?

Fico pensando em 2018. Quantos congressistas irão procurar emprego nas próximas eleições? Emprego? Eles meu amigo já estão aposentados, belos salários e tem fortunas escondidas por aí. Você acredita na maior renovação deles nas próximas eleições? Metade mais um ou somente uns trinta por cento? Piada para o José Simão. E você vai votar em quem? No bonito, no valente, no que jurar que vai consertar o Brasil? Putz! Você acredita? Ou será o que diz que não sabia de nada, que não tem nada e que só seus amigos o ajudam? A culpa hoje é sempre do presidente da vez. Ele é criticado, abestalhado assim o chamam. Mas temos outro para substituir ele hoje? Ah escotismo. Tantos julgando as falcatruas dos mandantes do Brasil e sendo subservientes no escotismo por ter algum em que acreditar. 

Pronto, falei e não disse o que queria dizer. Não sou Salomão. Direitos são iguais. Pensamentos não, filosofia de vida também não. Mas olhe nunca aceitei imposição de doutores escoteiros. Aceitei amizade, aceitei fraternidade. Mas não me venham com aquela lorota de ser subserviente e disciplinado. Não sou e nunca fui. Continência se faz na hierarquia militar. No escotismo se saúda a quem gostamos e respeitamos. Ainda estou esperando os tais que defendem tudo que os donos do poder no escotismo fazem. Pena que eles só procuram o humilde, aquele que sonhou um dia ser escoteiro e ao seu modo se tornou um escoteiro da Escoteiros do Brasil!
Abraços fraternos

Chefe Osvaldo.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

John Thurman um visionário?


Conversa ao pé do fogo.

John Thurman um visionário?

 

- Anualmente publico este artigo de John Thurman. Ele o escreveu em agosto de 1957. Porque ficar repetindo? Quem sabe por que muitos novos chefes não tomaram ainda conhecimento. Seria ele atual nos dias de hoje? Julguem vocês leitores. John Thurman foi durante muitos anos Chefe de campo de Giwell Park. Dizem que devemos por os pés no chão e seguir a trilha da modernidade. Que cada um faça seu próprio raciocínio. Boa leitura.

 

Os Sete Perigos
Por John Thurman - agosto de 1957 (chefe de campo de Giwell Park)

Existem sete perigos para o Escotismo, para os quais, me parece, devemos estar alertas e tomar cuidado:

1. Complacência, do tipo de pessoas que pensam: "há cinqüenta anos temos trabalhado assim e temos feito um bom trabalho, portanto continuemos assim". Recordemo-nos que o trabalho para os rapazes de hoje tem que ser feito pelos homens do presente. Estou tão orgulhoso, como qualquer outro Escotista, do nosso passado, mas isso não nos leva a parte alguma. Há, hoje, muito mais a ser feito do que houve em qualquer outra época e o máximo que o passado pode fazer para nós é inspirar-nos para um maior esforço;

2. Centralização. Acampamentos Nacionais, Regionais e Jamborees são muito bons, mas quando muito freqüentes, podem ser desastrosos. Devemos dar ao Escotista a maior oportunidade possível para trabalhar com a sua Tropa e infundir-lhe os bons princípios e não juntar os rapazes em grandes massas para um grande espetáculo. Às vezes existe tal número de atividades organizadas pelo Distrito ou Região que praticamente não resta tempo ao Escotista para trabalhar com as Patrulhas ou Alcatéias;

3. Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

4. Seriedade Demasiada. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

5. Exclusividade, o perigo de pensar que "os chefes devem provir do próprio Movimento". Penso que necessitamos de gente de fora, com diferentes experiências - homens de bem que tenham a faculdade de crítica construtiva e que tragam sangue fresco para o Movimento; 

6. Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

7. Trabalhar para fazer super escoteiros. Devemos estar conscientes, no que diz respeito a adestramento, de não tratar de começar um curso a partir de onde deixamos o anterior, sem pensar que necessitamos começar e recomeçar sempre pelas bases e os princípios para progredir a partir destes.

Para terminar, recordemo-nos que Baden-Powell, em 1938, proclamava com orgulho e alegria o número de três milhões e meio de Escoteiros no mundo. Agora podemos ver um movimento que ultrapassou os oito milhões, (1957) devido justamente à sua simplicidade e ao prazer dos rapazes que tem sido contínuo.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis idéias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou.

OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.


Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento. Feliz palavra de John Thurman. Muitos associados adultos, rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Precisamos meditar.


   John Thurman era britânico, e foi condecorado com o “Bronze Wolf”, mais alta comenda do Movimento Escoteiro. Também assumiu o cargo de Chefe de Campo em Gilwell Park entre os anos de 1943 e 1969, tendo se destacado nesta função. Hoje em Gilwell existe um auditório que leva seu nome. Este seu artigo dá plena visão do que pensava B.P sobre nossa atuação no movimento escoteiro.