HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Obrigado pela visita, volte sempre!



Um pouco do autor.

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Conversa ao pé do fogo. John Thurman um visionário?


Conversa ao pé do fogo.

John Thurman um visionário?

 

- Todos os anos eu gosto de publicar este artigo de John Thurman. Foi escrito em agosto de 1957. Porque ficar repetindo? Quem sabe alguns novos chefes não tiveram conhecimento. Seria ele atual nos dias de hoje? Julguem vocês leitores. John Thurman foi durante muitos anos Chefe de campo de Giwell Park. Dizem que devemos por os pés no chão e seguir a trilha da modernidade. Que cada um faça seu próprio raciocínio. Boa leitura.

 

Os Sete Perigos
Por John Thurman - (chefe de campo de Giwell Park)

Existem sete perigos para o Escotismo, para os quais, me parece, devemos estar alertas e tomar cuidado:

1. Complacência, do tipo de pessoas que pensam: "há cinqüenta anos temos trabalhado assim e temos feito um bom trabalho, portanto continuemos assim". Recordemo-nos que o trabalho para os rapazes de hoje tem que ser feito pelos homens do presente. Estou tão orgulhoso, como qualquer outro Escotista, do nosso passado, mas isso não nos leva a parte alguma. Há, hoje, muito mais a ser feito do que houve em qualquer outra época e o máximo que o passado pode fazer para nós é inspirar-nos para um maior esforço;

2. Centralização. Acampamentos Nacionais, Regionais e Jamborees são muito bons, mas quando muito freqüentes, podem ser desastrosos. Devemos dar ao Escotista a maior oportunidade possível para trabalhar com a sua Tropa e infundir-lhe os bons princípios e não juntar os rapazes em grandes massas para um grande espetáculo. Às vezes existe tal número de atividades organizadas pelo Distrito ou Região que praticamente não resta tempo ao Escotista para trabalhar com as Patrulhas ou Alcatéias;

3. Super administração e não suficiente capacitação. Gostaria de sugerir-lhes dar uma olhadela nos orçamentos e balanços, para verificar se aquilo que gasta com papelada e administração está equilibrado com o que se emprega na capacitação técnica. Ambas as coisas são necessárias, porém mantenhamos o equilíbrio.

4. Seriedade Demasiada. O Escotismo é algo sério, contudo, uma das grandes coisas é a alegria de participar dele, isso tanto para os dirigentes como para os rapazes. Em alguns países, há o perigo de se pensar em termos educacionais ou psicológicos e, enquanto fazemos isso, perdemos muito da nossa condição de "amadores". E vocês todos sabem que como amadores somos bons, mas como profissionais somos péssimos. Somos uma parte complementar na vida do rapaz; complementar na escola, dos pais, da igreja, e, mais tarde, do trabalho.

5. Exclusividade, o perigo de pensar que "os chefes devem provir do próprio Movimento". Penso que necessitamos de gente de fora, com diferentes experiências - homens de bem que tenham a faculdade de crítica construtiva e que tragam sangue fresco para o Movimento; 

6. Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo.

7. Trabalhar para fazer super escoteiros. Devemos estar conscientes, no que diz respeito a adestramento, de não tratar de começar um curso a partir de onde deixamos o anterior, sem pensar que necessitamos começar e recomeçar sempre pelas bases e os princípios para progredir a partir destes.

Para terminar, recordemo-nos que Baden-Powell, em 1938, proclamava com orgulho e alegria o número de três milhões e meio de Escoteiros no mundo. Agora podemos ver um movimento que ultrapassou os oito milhões, (1957) devido justamente à sua simplicidade e ao prazer dos rapazes que tem sido contínuo.

Sem dúvida, Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis idéias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. É por isso que devemos nos manter o mais possível dentro da simplicidade, da alegria e do entusiasmo que ele inspirou.

OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.

Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento. Feliz palavra de John Thurman. Muitos associados adultos, rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades. Precisamos meditar.


Nota - John Thurman era britânico, e foi condecorado com o “Bronze Wolf”, mais alta comenda do Movimento Escoteiro. Também assumiu o cargo de Chefe de Campo em Gilwell Park entre os anos de 1943 e 1969, tendo se destacado nesta função. Hoje em Gilwell existe um auditório que leva seu nome. Este seu artigo dá plena visão do que pensava B.P sobre nossa atuação no movimento escoteiro. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Contos de Fogo de Conselho. Pink Bob Floid.


Contos de Fogo de Conselho.
Pink Bob Floid.

                   Ontem deixei meus contos, minhas implicâncias com a EB, me resguardei para não discutir ponto de vista com quem não comunga o meu e procurei alguma bela melodia para deixar o tempo passar. Para minha felicidade encontrei no YouTube um Flash Back Instrumental “Las más belas músicas sertõn Brasileña em Flauta Pã”. Demais. Adorei, fechei os olhos e viajei por uma passado que nunca esqueci. Quanto tempo sem ouvir Recuerdo Del Ypacaray, Galopeira, Chalana, lá puerta de ninño, Mercedita, Lugar delante e tantas outras. Ah! Que saudades dos velhos tempos.

                  Mas escoteiro não passa um segundo sem pensar nesta filosofia incrível que marca que agarra no coração da gente e não podemos ficar um minuto sem pensar na sua perfeição grandiosidade e no que fizemos no que vamos fazer no encanto de tudo no nosso porvir. E eis que me veio à lembrança de Pink Bob Floid. Comissário Regional em Minas eu o conheci por volta de 1969 na Cidade de Taumim das Flores, e fui até lá por pedido de outros chefes para ver o trabalho que ele realizava na cidade no seu Grupo Escoteiro. Seu mesmo! Sempre foi o dono, o proprietário e o patrão.

                 Voltemos um pouco no tempo. Pink Bob Floid nasceu por volta de 1948 com o nome de Venceslau Ponciano. Dos seus pais e parentes não sei bulhufas. Aos quatro anos disse se chamar Pink, aos seis Pink Bob e aos oito Pink Bob Floid. Não mudou seu nome de batismo, mas todos o conheciam por Pink Bob Floid. Ele não era diferente da meninada da cidade. Gostava do “finquinho” nos dias chuvosos, de uma boa turma para jogar birosca nas “panelas” e soltar um bom “papagaio” para o ver sumir nas nuvens.

                 Com dezessete anos Pink Bob Floid passou a dirigir a loja de peças de seu pai. Todos sabiam que lá se encontraria uma válvula para o rádio, uma resistência, parafuso para portas e fechaduras de diversos tipos. Era a única e bem frequentada. Uma manhã sem nenhum “freguês” na loja, ele sentado na porta viu passar seis meninos escoteiros de bicicleta. Correu atrás deles esquecendo-se de fechar a porta da loja. Alcançou-os próximo ao Campinho do Mato Dentro. Não se sentiu intimidado aproximou e ficou conversando com eles até duas da manhã.

                No dia seguinte viu que a porta da loja ficou aberta, mas nada foi roubado. Coisas de antigamente em cidades pequenas. Quando os escoteiros foram embora ele resolveu criar um grupo em sua cidade. Todos os possíveis que podiam ajudá-lo tinham uma desculpa. Tudo bem precisava só de uma salinha e mais nada. Conseguiu com Seu Zé das Mercedes, atrás do Moto Clube da cidade. Uma cabana simples. Isto foi em meados de 1966. Quando lá cheguei lá em 1969 fiquei surpreso com o Grupo Escoteiro Baden-Powell.

                Acredite se quiser, mas ele tinha uma alcateia completa, uma tropa com trinta escoteiros e algum que nunca vi, uma tropa sênior com vinte e quatro sênior, quatro patrulhas sim senhor! Mas o que mais surpreendeu que ele era o Akelá, o Chefe de tropa de sênior, o Chefe do grupo e presidente da Comissão Executiva que não tinha ninguém. Não tinha assistentes e nem mesmo um pai ele aceitava lá. Ficamos amigos. – “Seu” Comissário, no sábado e domingo fecho a loja, dou reunião para os lobos pela manhã, para os escoteiros à tarde e os sêniores à noite. Não preciso de ninguém. Os que aqui chegaram mandei embora. Quiseram mandar mais que eu! - Se for para o campo à loja é fechada o tempo que precisar.

               Dialogamos noite à dentro. Gostei de ouvi-lo. – Nunca fez curso, me disse que quando tinha dúvidas consultava o Escotismo para Rapazes, ou o Guia do Chefe Escoteiro. Tinha na cabeceira o Guia do Lobinho de BP e o de Carlos Gusmão Silva. Não precisava de mais. Ganhou de um padre o Guia do Escoteiro do Velho Lobo. Pelas normas da UEB tudo errado, mas o que fazia tinha sucesso absoluto na formação dos jovens.

              Ficamos amigos apesar de me dizer que não precisava de registro. Tinha o apoio dos pais e dos meninos. – “Seu” Comissário desde que comecei só o Emiliano saiu porque seu pai foi para a capital. Pisquei os olhos surpreso. Mantivemos contato por correspondência por muitos anos. Em 1976 deixei o comissariado e não tivemos mais contato. Até hoje penso se ele serve de exemplo ou não, na duvida acredito que nem todos podem ser como ele. Normas tem que ser seguidas.

             Já em São Paulo por volta de 1991 passei por lá em uma viagem a serviço da minha empresa. Perguntei no posto de gasolina por ele. – Senhor, ele mora na Casa de repouso da Dona Eulália. – Ainda tem o Grupo Escoteiro? – Nunca deixou. Hoje Maneco e Tadeu dirigem. Foram seus escoteiros, alias quase toda a população da cidade. E sabe da melhor? Mosquito, ou Melhor, Aldo dos Anjos um dia achou um bilhete da Mega Sena. O procurou e ele guardou. Uma semana depois lembrou e quando conferiu estava premiado com setenta milhões de reais.

            Não tirou um tostão para ele. Construiu a mais bela sede escoteira, com três andares e ainda sobrou para melhorar a casa de Repouso da Dona Eulália. Com problemas de renite e de visão, passou o grupo para frente e foi morar lá. Dizem que ele um dia vai casar com Dona Eulália. Não sei. São bons amigos e todas as tardes de domingo a gente os vê saindo da Missa e de mãos dadas ficam horas na Praça Santa Edwiges. Não tinha mais o que dizer. Fui embora e agora estou a ouvir tranquilamente o que mais gosto. Melodias que a gente nunca esquece e que ficam no coração da gente para sempre!


Nota – Muitos nomes e dados aqui descrito foram alterados para salvaguarda de pessoas que ainda podem estar vivas.

Obs. -  Oi! Olhai a tua volta. Quantas pessoas especiais você tem deixado passar e partir? Aquela pessoa virando a esquina não foi seu amigo? E aquela outra que te auxiliou em tua caminhada e você deixou de lhe estender a mão? Olha, não deixe eles passarem sem lhes fazer uma saudação, dar um abraço e dizer muito obrigado. Elas não vão lhe fazer mal. O mundo não precisa ser tão frio e muitas felicidades passam às vezes ao seu lado e você nem viu! (baseado em um poema de Augusto Branco). 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Aprender a fazer fazendo.


Crônicas de um Chefe Escoteiro.

Aprender a fazer fazendo.          

 O método de Baden-Powell cujo sucesso é incontestável com o passar do tempo foi copiado por muitos, principalmente organizações educacionais e até setores de áreas comerciais e industriais. BP foi realmente benfazejo em suas ideias. Ele sempre enfatizou que nós chefes escoteiros devemos fazer de tudo para que os monitores conduzam a própria patrulha sua moda. Quando um Chefe está sempre olhando se preocupando, não deixando que eles façam para aprender, é um erro e foge completamente do mais puro e mais correto método do Aprender a Fazer Fazendo.

             Aprender a fazer fazendo. Tão simples e muitas vezes esquecido. Hoje as escolas, organizações e até universidades estão fazendo isso e estão tirando proveito, mais que nós chefes escoteiros. E o pior é que muitos educadores costumam dizer que somos um movimento atrasado e ineficaz. Afinal existe maneira melhor para aprender? Errar quantas vezes for até fazer o certo?

         Existem diversas maneiras para fazermos isto. Primeiro, dando a elas as patrulhas e aos monitores toda a liberdade para programar o programa, ficando a cargo da chefia somente elementos surpresas, alguns jogos e condições físicas e ambientais. Outro dia, comentava com um jovem sênior, sobre o programa da tropa, e ele me dizia que a chefia fazia tudo. Perguntei se ele dava opinião e me disse que não. Achava interessante. Gosto de surpresas Chefe. Perguntei quantos entraram no ano anterior e quantos saíram. – Somos somente quatro. Dois saíram, mas entraram outros dois. Deu para sentir que o Chefe fazia tudo. Os seniores nem sabiam aprender a fazer fazendo. Uma Patrulha de quatro por dois anos é demais.

          Perguntei a uma guia sobre o mesmo tema e me respondeu que nunca pensaram em fazer nada. Deixar o Chefe fazer sempre era mais divertido e mais fácil. Perguntei de novo: - Quantos vocês eram no ano passado? O mesmo número de hoje, somos seis, claro, saíram quatro e entraram duas. Não perdemos nada! Como não existem bons programas que despertaram seus interesses só pensavam em atividades regionais e nacionais. Os Jamborees e os Acampamentos regionais eram sempre lembrados. Nestas atividades sabemos que o programa é individual e se houver equipe são formadas na hora. Tudo já está pronto, até as refeições. A Direção programou tudo. Desde a chegada ao término. Tudo feito de antemão. Eles serão um Bon vivant. Ou seja, “Comemos e bebemos, a Deus agradecemos”.

            Como fui jovem no movimento pouco o Chefe interferia na Patrulha. Outros tempos é claro.  Poucos hoje deixam o jovem fazer. Não acreditam que ele fará bem feito. Bem feito? Claro, é errando que se aprende. Conheci patrulhas que criavam atividades técnicas aventureiras e que eram sempre lembradas. Pioneiras tiradas da imaginação. Muitos jovens com que conversava me diziam: - Chefe se na minha rua, no meu quarteirão os garotos fazem seus programas porque não aqui?

             Em recente artigo comentei sobre o programa da tropa. A patrulha tem condições para fazê-lo? Claro que sim não tudo, mas boa parte dele. Já vi chefes dizendo que seriam programas ruins e isto faria a evasão aumentar. Mas você já tentou? Pelo menos tentou? Agora não é somente em uma ou duas reuniões que você vai conseguir motivá-los. Isso é como se fosse uma pescaria. Tem de escolher a isca, a vara e o local onde vai pescar. Para pegar o peixe leva tempo.

               Pela minha experiência como jovem escoteiro e como Chefe, afirmo que os escoteiros que fazem seu próprio programa ficam mais tempo no escotismo. Se a Corte de Honra faz semanalmente discute o que o Conselho de Patrulha sugeriu é sucesso na certa.  É comum encontrarmos chefes construindo pioneirías e os jovens em volta olhando. Ele esqueceu que já é formado na escola da vida e não é essa a maneira certa de praticar o sistema de patrulhas e o aprender fazendo. Ficar mostrando que sabe fazer ou é um mestre mateiro, não é o caminho. Alguns sustentam que assim é melhor, pois os escoteiros podem ver como fazer e aprender no futuro. O Chefe não pegou nada.

             Esqueçam o “Não vai dar – É impossível – Eles não sabe escolher e programar” isso não é verdade. Claro não é de um dia para outro que o chefe poderá ter os resultados esperados. Aprender a pescar demora. Talvez o chefe que ainda não conseguiu não deu a isca certa.

             É preciso lembrar que nosso movimento tem características próprias. Formar uma tropa com uma bela exibição de sinais manuais, ou então marchar, perfilar, saudar, gritar e cantar qualquer um com boa postura e voz de comando consegue. Mas esse não é o chefe que esperamos ter. O chefe que precisamos é aquele calmo, não grita, fala pouco, confia e é um irmão mais velho, um aconselhador, tutor, não o dono de tudo.

                Não me entusiasmo muito com aqueles que dizem “Esta é a minha tropa” “Estes são meus monitores” “Este é meu melhor escoteiro” Caramba comprou tudo? É o dono? Entendo que é só uma forma de se expressar, mas dizendo assim parece que ele é o pai de todos e como dono pode fazer o que quer. Dê um prazo para você e para eles. Com o tempo irá se surpreender. Se mostrar aos monitores onde devem chegar, eles chegarão sem sombra de duvida. Confiar faz parte do método. Quem ensina e adestra é o monitor. Você sim é o monitor dos seus monitores.
Sempre Alerta!


Nota - - “Todos nós estamos matriculados na Escola da Vida onde o professor é o tempo”. O melhor desta escola é que não tem mensalidade. Vamos aprendendo a cada dia e se somos reprovados em alguma matéria, Deus não cansa de nos fazer repetir. No escotismo não aprendemos tudo em um só dia. Aprender a fazer fazendo, conversando, trocando ideias com os jovens é o melhor meio para dar a eles a força que irão precisar quando estiverem na idade adulta.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Ver para crer! São Tomé?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Ver para crer! São Tomé?

                       Num arroubo de coragem e bravura, próprio dos Velhos Escoteiros que já deviam estar aposentados, levantei da minha barraca e resolvi escrever. O tema não importava, pois à medida que fosse teclando iria deixar meu pensamento voar nas asas da imaginação... Como sempre faço. Eu precisava respirar escotismo, sentir o cheiro da Cana Caiana, do magericão perfumado perdido na beira da lagoa azul. Putz! Sem escotismo perco a esperança de viver. Não está fácil sentar aqui nesta maquina de fazer traquinagens e viver os sonhos de cada um que aqui vem dar sua contribuição.

                      Um dia fiz um juramento. Nem sei por que fiz já que o “Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida”. Mas cá prá nós dizem que se os chefes não jurarem não serão acreditados. Ban. Eu disse me olhando no espelho: - Vado deixe que eles falem, se expressem, deixe que eles aprendam o caminho se perdendo nele. – Mas quem são eles? São soturnos chefes que estão chegando e com nova visão acreditam que o escotismo (deles) é a salvação. Entregam-se de corpo e alma acreditando sem ser São Tomé, vendo e crendo.

                   Pensando bem os que me leem acreditam que meus escritos tem certo valor pelo tempo que passei escoteirando. Mas por favor, não sou um velho Sábio, um literato, um mestre na arte de mostrar o caminho a seguir escoteirando. Nunca fui igual a São Tomé que incrédulo não acreditava na ressurreição de Jesus Cristo. Isto ficou marcado no imaginário popular. - Só vendo, para acreditar!

                  Vez ou outra alguém gentilmente me escreve me perguntando onde aprendi li, e qual a fonte. – Chefe ela é confiável? Ban! Não sei. Eu li por aí. Não traduzi. De “inglês, francês, italiano e o escambal” mal falo e escrevo o português e mesmo assim cheio de erros e concordâncias que não existem. E os que corrigem as traduções que não fiz? Pois é, são almas boas que vão aos poucos me ensinando. Sabiam que já fui professor de Mobral? Um dia vou contar.

                  Escrevo muito sobre Baden-Powell. Sou um adepto de sua filosofia. Anoto tudo que leio sobre ele. Tiro sempre um tempo para pesquisar. Se o que escreveram não foi real, eu acredito que foi. Não arredo o pé! Sou mesmo um velho teimoso que não abre mão de suas crenças. Afinal não vou interpelar os versículos bíblicos. Se foram reais ou não isto para mim não importa. Afinal preciso de provas do porque as estrelas brilham? Do vento que sopra e não vejo? Dizem que o firmamento é lindo, que existem tantas estrelas que nunca poderão contar.

                 Eu peço desculpas aos incrédulos. É um direito inalienável seu modo de pensar. Se um dia Ele disse que um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações e que nenhum homem pode ser chamado de educado, se não tem uma vontade, um desejo e uma habilidade treinada para fazer sua parte no mundo, não devo acreditar? Afinal seus escritos não são verdadeiros? Devemos ou não educar a partir de dentro em vez de ficar falando sem realizar? Chefe! Ofereça jogos, atividades atraentes ao rapaz e você terá dado um enorme passo para que ele aprenda moral, mental e fisicamente. Ele disse isso?

             Há tempos participava de um grupo de discussão onde muitos expunham seus pensamentos e ponto de vista. Quando começavam a discutir Baden-Powell adora o que escreviam. Afirmavam sua escolha sexual e de sua virilidade. Casou por conveniência. Era adepto dos pensamentos de Adolf Hitler e em sua cabeceira tinha o livro Mein Kampf. Ora bolas, e daí? Vai contribuir pela sua formação escoteira? Se ele não era o que pensava o que está fazendo aqui? Dizem (olha a dúvida de novo) que mais de quinhentos milhões de pessoas já passaram pelo escotismo. È mesmo? Prove!

             Costumo me perguntar se os que assim procedem têm exemplos para dar. Nas suas sessões não existe evasão? Quantos Escoteiros da Pátria e Lis de ouro? Patrulhas completas por anos? Os lobos que passam permanecem por muito tempo? Chegam a Seniores? Eu sei que temos muitos se esforçando para dar o verdadeiro sentido escoteiro aos seus jovens. Mas os que se sentem donos da verdade, que precisam ver para crer ainda tem muito que conhecer e vivenciar nos rastros do fundador. Não tenho a varinha mágica para dizer que tudo e verdade, que o escotismo feito conforme Baden-Powell é o caminho para o sucesso.

               Servir é uma bela palavra quando fizemos a promessa. Não aquela imposta pelos nossos lideres que exigem dos adultos finalizar dizendo Servir a União dos Escoteiros do Brasil! Não seria o contrário? E ela serve quem, a WOSM? Aí tem duplo sentido. Uma associação que não serve aos seus associados perde a razão de existência. Penso no que disse BP que a melhor maneira de superar as dificuldades é atacá-las com um grande sorriso!    

               Eu sou um velho escoteiro que passou pela vida. Mil e uma noites de acampamentos, milhares de quilômetros rodados em trilhas e montes para aprender fazendo. Centenas de fogos de conselho, milhares de abraços e aperto de mão. Impossível descrever a cada um que disse Sempre Alerta, Melhor possível ou Servir. Aprendi a compreender e acreditar que cada um que fez sua promessa tem algum de bom para ajudar ao escotismo. Acredito no que escrevo. Não duvido que haja uma lua cheia a cada tempo passado. Tenho certeza que amanhã o sol vai surgir e vai se pôr para que as estrelas cheguem brilhando no céu.

              Voltando para minha barraca. Cansado demais. O corpo pede silencio. Até mais meus amigos a quem desejo um lindo final de dia e uma noite de acampamento inesquecível. Sempre Alerta!                     



Nota - Ouvir umas histórias. Contar algumas também. Botar a conversa em dia… Falar sobre nós um pouco, contar umas estrelas. Fazer uns pedidos. Quem sabe realizar alguns meus. Rir um pouco. Sentir-se leve. Esquentar um pouco os pés frios… O coração vazio. Venha meu amigo, sente-se aqui em volta do fogo. Vamos papear Baden-Powell. Matar essa saudade. E essa vontade. Quem sabe sentir o vento e pensar que poderia voltar no tempo e dar uma passada em Seeonee ou em Brownsea. Não sei…

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O repouso do Guerreiro. Quênia – Nyeri.


O repouso do Guerreiro.
Quênia – Nyeri.

Setenta e sete anos que Baden-Powell foi para sua estrela ele é considerado por mais de quinhentos milhões de jovens que passaram pelas sendas do escotismo, como o Escoteiro Chefe Mundial!

- Brownsea.
- “Mas as memórias mais vividas de todas eram os fogos de conselho, antes das orações e do apagar das luzes. Ao redor do fogo à noite o Chefe nos contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos”. “Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida, um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta, dançando e cantando ao redor do fogo, mostrando uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”.

Seus comentários:
- Nos momentos difíceis, um sorriso nas dificuldades. Sedes constantes: - Muitos fracassam pôr falta de vontade, paciência e perseverança. Não me distingui em nada, mas provei muitas coisas que me permitiram gostar das alegrias que o mundo oferece. - A vida seria aborrecida se fosse toda de rosas; o sal tomado sozinho é amargo, mas saboreado com a comida dá-lhe bom paladar. As dificuldades são o sal da vida. Tenho aconselhado muitas vezes aos meus jovens amigos que, quando confrontados com um adversário, façam como se estivessem a “jogar polo”: não tentem ir de encontro a ele de cabeça descoberta, procurem antes cavalgar lado a lado e, aos poucos, empurrá-lo para fora do vosso caminho.

- Quando tiveres que fazer um trabalho difícil, pede a Deus que te ajude a fazê-lo, e Ele dar-te-á forças. Mas continuas a ser tu quem tem que o fazer. Não vale a pena ficarmos desanimados por causa de decepções ou de contratempos momentâneos; é inevitável que surjam de tempos a tempos. Eles são o sal que dá labor ao nosso progresso; elevemo-nos acima deles e ponhamos os olhos na grande importância daquilo que temos entre mãos.

A última mensagem de Baden-Powell.
- Caros Escoteiros: - Se vocês já assistiram à peça, lembrar-se-ão que o chefe dos piratas estava sempre fazendo o seu discurso de despedida, temendo que, ao chegar a hora de morrer, não tivesse tempo, talvez, de pronunciá-lo. Passa-se o mesmo comigo, e assim, embora não esteja morrendo neste momento, isto irá acontecer qualquer dia destes, e desejo mandar a vocês uma última palavra de adeus. Lembrem-se: esta é a última coisa que vocês ouvirão de mim, portanto, meditem sobre ela.

      Tenho levado uma vida cheia de felicidades, e desejo que cada um de vocês tenha também uma vida igualmente feliz. Creio que Deus nos colocou neste delicioso mundo para sermos felizes e saborearmos a vida.   A felicidade não vem da riqueza, nem do sucesso profissional, nem do comodismo da vida regalada e da satisfação dos próprios apetites. Um passo para a felicidade é, quando jovem, tornar-se forte e saudável, para poder ser útil e gozar a vida quando adulto.

      O estudo da natureza mostrará a vocês quão cheio de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para o nosso deleite. Fiquem contentes com o que possuem e tirem disso o melhor proveito. Vejam o lado bom das coisas em vez do lado pior. Mas, o melhor meio para alcançar a felicidade é proporcionando aos outros a felicidade. Procurem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram, e, quando chegar a hora de morrer, poderão morrer felizes sentindo que pelo menos não desperdiçaram o tempo e que procuraram fazer o melhor possível. Deste modo estejam "bem preparados" para viver felizes e para morrer felizes.

   Mantenham-se sempre fiéis à sua Promessa Escoteira, mesmo quando já tenham deixado de ser rapazes, e Deus ajude a todos a procederem assim.
    Do amigo; Baden-Powell of Gilwell.

Sua última morada.
“Há uma velha lenda africana sobre o majestoso elefante. Quando ele se dá conta que a morte está próxima, ele vai para o fundo da mais escura floresta. Lá ele morre escondido do mundo.”. Dizem que seguindo esta lenda Baden-Powell escolheu a África para sua ultima morada. Ele e sua esposa e Chefe Bandeirante Olave Baden-Powell recolheram-se em 1938 para a cidade de Nyeri no Quênia, para uns poucos anos de 'paz e descanso longe das exigências de Londres’. Sua casa, especialmente construída para eles nos terrenos do Outspan Hotel, foi denominada Paxtu, lembrando a sua casa londrina, Pax Hill. Paxtu também é uma palavra Swahili que significa “completa”.

- Na madrugada do dia oito de janeiro de 1941 B-P morreu em Paxtu na idade de 83 anos. Ele foi enterrado nas encostas do sopé do Monte Quênia, no terreno da Igreja Anglicana de São Pedro. As cinzas de sua mulher foram postas lá depois. Sua lápide mostra o sinal escoteiro "voltei ao ponto de reunião".
Sempre Alerta nobre Guerreiro!


Nota - Já depois de ter completado 80 anos, e numa altura que as forças começavam a escassear, BP e sua esposa partem para o Quênia onde fixam residência. Baden-Powell morre na madrugada do dia 8 de janeiro de 1941. Todavia BP não partiu sem antes nos deixar uma última mensagem, na qual apelava pelo cumprimento da Promessa Escoteira e para que os escoteiros tentassem ao máximo ajudar a comunidade a que pertencessem! 

domingo, 7 de janeiro de 2018


Crônicas de um Velho Chefe escoteiro.
O valor de um abraço.

                     Não espere para dizer o que sente, não espere para dar um abraço e dizer – Eu gosto de você. Não espere para contar um “causo” que está esperando há tempos a hora certa para contar. Muitas vezes esquecemos e quando queremos dizer ou fazer será tarde demais. O tempo passa e quem precisa do abraço não viverá para sempre. Aproxime-se… Tente sentir do que um abraço é capaz. Quando bem apertado, ele ampara tristezas, combate incertezas, sustenta lágrimas, põe a nostalgia de lado. É até capaz de diminuir o medo. Se for cheio de ternura, ele guarda segredos e jura cumplicidade.

                   Um dia pensei que deveria ter dado um abraço apertado ao meu pai. Um sentimento enorme que sentia e o guardei só para mim. Deveria sim ter dito que o amava que era o homem que mais tive orgulho, que me ensinou a ser honesto, a ter caráter e não disse. Sempre ao seu lado dizia com os olhos, mas escondia as palavras. Ele se foi, e eu perdi a oportunidade. Hoje não deixo de dizer o que penso, o que sinto não me sinto mais fraco emocionalmente ao dizer assim. Se fosse um Chefe Escoteiro ou de lobos iria dizer a cada jovem na minha sessão em particular o quanto lhe era agradecido por ter deixado eu ajudá-lo. Iria fazer questão de apertar sua mão e dizer baixinho: - Eu gosto de você, uma honra ser seu amigo, conte comigo sempre não importa a hora ou o lugar.

                   Para que esconder os sentimentos? Não sabemos o que será no dia de amanhã, portanto é melhor dizer: - Escoteiro, Escoteira, Lobo ou Loba, Sênior ou Guia saiba que eu gosto de você. Saiba que você é importante para todos nós. Conto com você nas horas difíceis e nas horas de alegria. Quantos se vão e deixam atrás magoas e dissabores? Quantos deixam o escotismo cheios de amarguras porque ninguém nunca disse que ele era importante? Será que somos assim, cheios de empáfia e damos as costas para quem resolveu ir embora? Afinal ele amigo ou amiga só quando estava junto a nós?

                 Acredito que seria mais importante se ele levasse uma imagem alegre de um irmão, um Chefe amigo e sincero. Quantos ficam e quantos vão? Quantos abraçamos e agradecemos por estarmos juntos? Não quero deixar desconforto, contrariedade, pensamentos que não condizem com o que eu pensava e deveria ter dito. Faltamos muito com a sinceridade, com a cordialidade, com a franqueza, com a lisura sem hipocrisia.

                      Sei que muitos pensam diferentes, acham que isto não é próprio de jovens meninos e meninas, de adultos ao redor, de gente como a gente que não devem se preocupar em palavras afáveis, mas sim com ações que demonstram a fraternidade diferente de ficar dizendo o que não pensa, de dizer o que não deveria dizer. Dou muito valor ao abraço e um elogio. Que adianta palavras ásperas, cenho serrado, isto ajuda? Faz bem? Se o amigo mais próximo merece um elogio porque não dizer? Esperar que ele um dia não estivesse mais aqui? Medo que ele não receba bem e expresse um sentimento que nos assusta?

                    Não tenha medo de dar um abraço sincero. Ele vale ouro. E melhor é de graça, trás sorrisos benefícios que não tem valor monetário que se pague. É tão bom que ao sair para o trabalho, para uma reunião, para uma atividade qualquer darmos um abraço a quem fica ou quem parte. Principalmente em família. Quando criamos nas sessões escoteiras o elo familiar porque não mostrar a eles a beleza da fraternidade, do abraço do sorriso, do elogio... Isto tem um valor enorme.

                  Já me disseram que não somos como o sol, ele não quer receber elogios, ele nem se gaba de sua beleza, simplesmente ele brilha. Mas eu adoro o sol, todos os dias o saúdo com uma frase tirada da imaginação. Como dizia o poeta devemos compreender o valor de um bom dia, de um telefonema, de uma visita, de um abraço de um beijo fraternal, de um carinho simples para depois poder sair por aí sorrindo e dizer aos quatro ventos: - Eu gosto de você, quero ter alguém assim ao meu lado para sempre e por toda a vida!


Nota - Será que sabemos o valor de um abraço? É melhor ser Chefe cara feia, mostrando ser durão que tem medo de ser chamado de fraco? Chefe não pode abraçar fraternalmente a todos indistintamente e dizer: - Eu gosto de você, e você é muito importante para todos nós. Não posso aconselhar, não sou poeta, sou um simples Chefe que acha muito importante dizer a alguém o que pensamos. Um aperto de mão, um elogio, um abraço sincero tem um enorme valor. Faça isto hoje, pois amanhã pode ser tarde demais!


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Associações Escoteiras no Brasil.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Associações Escoteiras no Brasil.

                  Andei me perguntando: - Porque a UEB ou EB não dá o primeiro passo para formar ou então manter um bom relacionamento com todas as Associações Escoteiras existente no Brasil? Porque essa birra, essa pirraça, processando tentando subjugar a quem quer ter liberdade de ser escoteiro onde quiser? Porque essa obstinação em querer que elas passem a ser suas afiliadas, com os mesmos deveres, com registros e aceitar a liderança dela? Afinal, elas tem ou não tem direitos de ser como são? Se escolheram este caminho porque não dar as mãos como irmãos?

                 Que tipo de Associação é a UEB que se acha onipotente, autônoma, soberana e autosufiente por não estender as mãos como deveria agir se ela tem uma lei e um artigo que diz que o escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros? Este artigo para ela é enfeite? Os outros não são escoteiros? Só servem para os escoteiros Uebeanos? As outras associações tem que subjugar submeter-se ou vergar para ela? Ora bolas, as explicações até hoje não me satisfazem. E uma burrice sem tamanho não tê-las como amigas e irmãs. Se a EB gosta tanto de faturar ter elas ao seu lado seria um “boom” para a cantina nacional.

                 Todos sabem da história ou parte dela o porquê elas as Associações escoteiras foram fundadas. Cada uma tem um líder que não teve liberdade de pensamento na UEB. Os lideres atuais da UEB se acham os melhores, os donos, os proprietários e não abrem mão. Quando alguém discorda e vai para onde é bem recebido a EB da seus pinotes. Agarra-se nas exigências da WOSM (World Organisation of the Scout Movement), como se ela também fosse a única a autorizar o escotismo no mundo. Esquecem-se da WFIS (World Federation of Independent Scouts Federação Mundial o Escotismo Independente) que dá suporte a todos que querem ser escoteiros.

                  Muitos outros países as associações escoteiras existentes vivem harmonicamente, fraternalmente se respeitando sem impor suas diretrizes aos demais. Afinal é um direito de escolha. Quero ser escoteiro, fiz minha promessa como escoteiro, não concordo com as diretrizes da minha associação, não tenho direito de me associar a outra? Ora bolas, afinal existe ou não no Brasil o direito a associação e escolha? Então a UEB é a proprietária do nome Escotismo e de outras denominações escoteiras? Porque os Juízes que julgaram os processos que a UEB processou outras associações não aceitaram suas ponderações?

                 Que exemplo seria ela a UEB convidando as demais congêneres a participar de suas atividades, e as outras fazendo o mesmo e respeitando sua individualidade? Já pensou todos participando com o mesmo pensamento de Baden-Powell se respeitando sem ouvir admoestações ou exigências incabíveis? Quantos casos aconteceram da intransigência da UEB. Até mesmo lobinhos de uma alcateia foram mandados de volta em uma atividade distrital porque seu grupo não efetuou o registro na UEB. Que exemplo eim? Poderia citar outros tantos, mas é melhor não fomentar animosidades por quem preferiu deixar a associação.

                 Não sou um emérito conhecedor das outras associações escoteiras no Brasil. Infelizmente elas pecam pela transparência (como a UEB) para se inteirar de suas atividades, seus efetivos, seus programas e seus balancetes. Se tiver eu desconheço e peço desculpas. Uma vez pedi a elas o efetivo para um artigo que estava escrevendo. Não recebi resposta. A maioria delas ainda tem seu líder fundador e ele é imutável na liderança que permanece por anos e anos. Pelo menos tem algum de especial, pois ainda fazem um escotismo à moda antiga que muitos chamam de escotismo tradicional tão combatido pelos próceres pedagogos da UEB como se só a modernidade cabe à formação escoteira nos dias de hoje.

                 Em muito dos meus artigos escrevo que BP não deu procuração a ninguém para falar em seu nome. Até mesmo foi enfático quando disse: - Não gosto de dar ordens: não é esse o nosso estilo, nos Escoteiros. É o sentido do dever vindo de dentro de nós que nos guia, e não deve ser imposto do exterior. Que se dane o Regulamento! “Chamem-lhe uma experiência”! e porque não lembrar de sua frase preferida? -“Primeiro tive uma ideia. Depois vi um ideal. Agora temos um Movimento, e se alguns de vós não tiverdes cuidado acabaremos por ser uma simples organização”.

                 Quando aprendermos a sermos irmãos não importa a associação e acreditarmos que com a fé e o amor poderemos fazer um belo escotismo, podemos rezar juntos, acampar juntos, lutar juntos, defender a liberdade juntos, sabendo que um dia haveremos de ser Escoteiros irmãos então esse será o dia quando todos os filhos de Deus irão gritar Aleluia, e darão um abraço escoteiro que irá durar para sempre. Neste dia iremos aprender a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, e seremos irmãos de sangue para sempre... Tu e eu! (baseado nas frases de Martin Luther King).


Nota - O nosso objetivo é descentralizar a administração tanto quanto possível, a fim de evitar a burocracia e atribuir o máximo de autonomia democrática às autoridades locais. Somos mais uma Fraternidade do que uma organização, fraternidade mais movida pelo espírito e por uma lei não escrita do que por normas e regulamentos impressos. BP. Meus amigos, não tenho registro na UEB e em nenhuma outra associação. Minha luta é pelo amor, pela paz, pela fraternidade. Sou um escoteiro de Baden-Powell e não me encanto com outras palavras que não a de fraternidade. 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Os sonhos não podem morrer!


Os sonhos não podem morrer!

                     As festas e as alegrias das passagens de ano nunca morrem. O velho se transforma em novo. O que ficou no tempo se transformou em belas lembranças. O que não foi bom vamos abrir uma tampa de uma fossa de campo e deixemos todos eles lá... Para sempre. É hora de receber bons ventos, pegar novos caminhos e procurar a pista que ficou para trás. É hora de olhar para o céu, para o sol, para as folhas das árvores, para os insetos e descobrir qual o rumo tomar. Farei todo possível para viver mais um ano do jeito que eu sou. Não dá mais para mudar.

                     Sempre dou uma olhada em tudo que aconteceu. Escrevi demais. Coisas que nem sei analisar se foi bom ou ruim. Fiz muitos amigos e outros deixaram minhas páginas quem sabe à procura de algum novo que eu não pude dar. Dei o máximo de mim para não deixar ninguém sem resposta, uma solicitação de amizade, um aconselhamento, um pedido de histórias e contos e outros mais. Ao meu modo firmei o ponto de vista que tenho do escotismo de Baden-Powell, pois dele nunca abri mão. Muitos dos meus escritos escrevi nas saudades de todos os antigos escoteiros que um dia saíram por aí em busca de novos horizontes, e que guardam no coração o que não querem deixar para trás.

                     Tive alguns tropeços, alguns que não concordavam com o que eu dizia ser. Sem ser inconsequente dei respostas que não deveria dar. Melhor deixar cada um expressar sua opinião. As razões e créditos não pertencem a um só. Falam que nosso efetivo está crescendo. Se está me sinto também responsável, pois dei uma nova esperança. Se critiquei foi para mostrar o caminho que BP dizia ser o do sucesso. Não guardei mágoas, mesmo não aceitando muitos que se acham tangidos da luz da verdade, se um dia os encontrar farei questão de um abraço e de um aperto de mão.

                     Não bati palmas para muitos do escotismo e não deixei minhas ideias morrer. Vão comigo para o túmulo. Pensando bem acho que posso dizer dever cumprido! - Brinquei de valores imaginários, repeti frases que vi durante minha jornada nos rastros do fundador. Montei condensados expressos em blocos e a todos ofereci sem ônus, sem custos o que no escotismo acreditei. Nunca irei viver de dividendos que não são meus. Mal feitos ou mal escritos a minha moda escrevi o que podia ajudar no preludio do começo de uma vida escoteira de cada um dos amigos que fiz nesta jornada de 2017.

                      No ano que passou não consegui dar jogos, formar alcateias e tropas, não fui saudar a bandeira, não fui acampar a não ser na minha imaginação. Senti saudades de estar nas reuniões, de ver o Grande Uivo, da palma escoteira, do grito gostoso dos patrulheiros. Enquanto ainda tenho a lucidez eu cantei em pensamento as canções que nunca esqueci. Se nas horas gostosas da vida ouvi sonhando La Serva Padrona, La Traviata e me encantei com Madame Burterfly, também não deixei de ouvir também Boêmio Feliz, Filial da Matriz, Insensato Destino e tantos outros. Mas sempre no final repicava em minha mente o Rataplã!

                      É mais um ano. Logo ali em nove de janeiro de 1941 um dia depois do falecimento de BP, eu nasci em um casebre de pau a pique em Barra do Cuieté Minas gerais. Quem sabe o Espírito de BP passou por lá. Não sei. Só sei que o espirito de BP até hoje vive em mim. Em abril deste ano farei 70 anos de Promessa onde vesti um uniforme pela primeira vez. Passei pela vida fazendo amigos. Inimigos acho que não. Aprendi a ser escoteiro ontem hoje e sempre. Sempre soube me manter um Lobinho Feliz e um Escoteiro Leal. São lembranças que levarei para eternidade. Amo ser escoteiro! Aos amigos que me acompanharam não tenho palavras para agradecer. Vamos lutar para estar vivo no ano que vem.

                    Amanhã retornamos a vidinha do trabalho, do cansaço, do sorriso e dos abraços a quem não vimos nesta virada de ano. Eu estarei de volta com minha rotina de publicar o que aprendi a fazer... Escotismo! Vamos ver até quando, mas se depender de mim ainda será por muito tempo. Tempo que não se pode medir!     

Nota - “Ei você”! Voce mesmo que esta lendo agora. Muito obrigado por ser meu amigo, por me acompanhar na longa jornada da vida, escoteirando, rindo brincando de ser feliz. Fica aqui o meu aperto de mão, meu fraterno abraço, meu sinal escoteiro meu Melhor Possível Sempre Alerta e Servir. Que Deus nos acompanhe hoje e sempre!

Sempre Alerta!