HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Eu? Sou um contador de histórias... Escoteiras!



Eu? Eu sou um contador de histórias... Escoteiras é claro!

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Matar ou morrer! Já leu? Não? Veja uma pequena parte da historia: - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO.



Matar ou morrer!
Já leu? Não? Veja uma pequena parte da historia:
 - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO.

            Dezoito horas e quinze minutos. Sinaleiro ouviu um trovão no céu. O foguete do Chefe Nemo parecia um tiro de canhão. Os patrulheiros da Falcão tremeram. Dominó olhou para Sinaleiro de olhos arregalados. – Calma Dominó é só um jogo. Lembre-se você é um falcão e um falcão não tem medo! Olhou para os outros dizendo: – Logo que entrarmos na mata vamos nos separar. Não ficar longe mas nunca juntos. – Fechem os olhos por dois minutos e vão se adaptar logo a escuridão.  

              Continuou: - É um jogo e temos de matar para não morrer.  – Sinaleiro riu baixinho. Sabia que seria uma barra chegar ao Forte. Quase três quilômetros. Todos monitores receberam o mapa da selva. Andaram menos de cem metros e a trilha sumiu no meio da mata. Amarrou a bússola em seu pescoço. A senha era o grito do Sabiá Laranjeira. A selva estava muda. Nenhum som.

          Corredor tinha orgulho de sua patrulha. Treinaram semanas o grito do bugio com perfeição. Camuflados Corredor e os patrulheiros não sentiam medo. Era uma Patrulha unida. Anos juntos fazendo escotismo. Tinham histórias para contar. Ninguém disse nada quando entraram na mata e a escuridão os pegou em cheio. Quase não viam nada. Montanha parecia dominar a escuridão. Olhos abertos para não ser morto desprevenido. Sabia que mataria mais de dez. Jurou que seria o campeão.

            Eram peritos em andar em matas. Inclusive à noite. Ficaram cinco dias treinando como rastejar em florestas. Sabiam que poderiam perder, mas seriam páreo duro. Deram uma parada. Corredor só ouvia a sua respiração. E a mata? Ela não respondia? Porque este silêncio? Aqui não têm animais e pássaros noturnos?

              Professor olhou com carinho para Pequeno Polegar. Ele fingia que não tinha medo, mas Professor sabia que ele tremia. Fique ao meu lado disse! Noviço, entrou há quatro meses. Parecia um lobinho apesar dos seus onze anos. Fora Lobinho Cruzeiro do Sul e chorou muito quando passou para a tropa. Mas quem não chorou? Professor conseguiu que sua tia fizesse oito toucas ninjas negra. Ficaram ótimas. Dava para impressionar principalmente à noite.

               Fez o possível para treinar os patrulheiros da Lobo Cinzento na mata do Onça. Esqueceu-se de treinar uma senha, mas sabia que sempre estariam por perto se fizesse algum sinal. Sinal no escuro? Faltava pouco para começar a matança. Matança? Isto não o preocupava. Interessante é que sentiu que a floresta se calava. Nenhum sinal mortal parecia viver dentro dela.

            Dentuço sussurrou para Centeralfo. – Estamos nos distanciando! Não podemos nos dispensar e sumir na escuridão da selva. – Têm razão Dentuço, chegue perto de cada um e diga para ficarmos próximos. Os patrulheiros da Patrulha Quati eram na maioria fortes, altura normal, mas bem maiores que os outros Escoteiros das demais patrulhas. Centeralfo não sabia se seria uma vantagem ou desvantagem. Todos se achavam vencedores do jogo.

             Eram vitoriosos nos jogos de Scalp. Ganhavam com facilidade o troféu eficiência. Centeralfo era um grande mateiro. Conseguiu tocar um quati e um tatu sem perceberem sua presença. Assustava com a floresta calada. Por quê? Olhou para cima, para os lados, com dizem os lobinhos abriu os olhos e os ouvidos e nada. O único som que ouviu foi de um estalo de um galho que alguém da patrulha pisou.

               Chefe Nemo, Chefe Euclides, Goiabada e Calango os seniores estavam calados próximo ao Forte. Sentados um ao lado do outro na Pedra Grande onde montaram seu staff. Todos de olhos na floresta. – Diabos pensava Chefe Euclides, que coisa esquisita! A mata não fala? Era mesmo de assustar. Não havia lampiões acesos. Nem tochas. Essas só às cinco da manhã onde todos se encontrariam. O relógio marcava uma meia. Chefe Nemo não gostava do que estava acontecendo.

               - Jogo é jogado e lambari é pescado pensava. Sentia algum fantasmagórico no jogo. Almas do outro mundo dizem não gostar de ser incomodadas. A ilha era uma delas? Não preparação não viram nada. Três meses dentro da selva. Os pássaros cantavam, os bichos corriam prá lá e prá cá. Ouviram um estalo. Outro e parou. Goiabada o Sênior levantou e pegou um bastão. Não tinha medo de alma do outro mundo. Que venham os demônios, estou preparado. Gostava de um jogo Quebra-pau. Calango outro sênior olhou para cima e assustou. Um enorme Gavião Negro voava nos céus. Era um vulto fantasmagórico e não esperado.

              Trinta Escoteiros avançavam cautelosamente na floresta escura. Ninguém via ninguém. Cada Patrulha escolheu um canto da ilha. Três da manhã. Eles sabiam que breve iriam se encontrar. Que Deus tivesse piedade de quem corresse, seria presa fácil ao ficar longe dos seus amigos. Nenhum som. Só se ouvia a própria respiração. Era uma aventura inesquecível. Pensavam que seria a única. Rezas e orações pipocavam nas mentes dos escoteiros. Nervos a flor da pele. Professor suava, não tremia, mas estava em uma situação anormal que nunca aconteceu com ele.

             Sinaleiro de olhos arregalados buscava na floresta algum sinal. Os patrulheiros sumiram de sua vista. Corredor pela primeira vez na vida teve medo. Isto é anormal pensou. Onde estão todos para lutarem? Que espera infernal. Centeralfo parou. Sua respiração ofegante. Medo? Impossível, Centeralfo não sabia o que significava a palavra medo. Sentiu um barulho esquisito, era um galho de árvore a toda velocidade em direção ao seu rosto. Não deu para desviar.

             Sinaleiro via a sua frente uma figura espectral pulando freneticamente como se fosse um zumbi do outro mundo. Tremeu! Meu Deus! Não gritou, pois Sinaleiro era um Escoteiro de verdade. Um barulho monstro como se o inferno estivesse chegando a terra caiu sobre a floresta. Mil latas explodindo no chão. Uma torrente de água jorrando do céu sem parar, Cafuné foi jogado ao ar preso por um cipó dois metros acima do chão de cabeça para baixo gritando feito um louco e pedindo socorro. Ninguém se entendia, os planos foram por agua abaixo, 30 meninos Escoteiros se encontraram naquela escuridão alguns gritando outros chorando e muitos sendo mortos sem dó e sem piedade...

- Epa! Essa é só uma parte do meu livro: - O FANTÁSTICO JOGO NOTURNO NA ILHA DO GAVIÃO NEGRO! Quer ler todas a história? Peça no meu e-mail e recebe em PDF de graça. ferrazosvaldo@bol.com.br. Não peça por aqui. Não vai dar para atender. Só no meu e-mail. E melhor vai junto outras quatro para você viajar no fantástico mundo dos escoteiros. Aguardo seu e-mail.


Nota - Ainda não leu? São cinco livros com histórias narradas de forma simples e direta, mas com uma pitada de aventura que não pode faltar aos escoteiros e chefes. Todas em PDF e gratuito. Histórias eletrizantes onde você vai vibrar com cada uma delas. Contada de maneira simples, e com aquela pitada de quero mais. Peça no meu e-mail e terei prazer em enviar para você! Em PDF. Peça na minha caixa postal ferrazosvaldo@bol.com.br e terei prazer em saber que vai ler. Se vai gostar não sei!

terça-feira, 17 de abril de 2018

Conversa ao pé do fogo. O trabuco do pistoleiro Calango. (para divertir)



Conversa ao pé do fogo.
O trabuco do pistoleiro Calango.
(para divertir)

                 Não sei de onde o danado apareceu. Sorriu para mim com seu 45 cano longo apontado para minha testa. Eu sabia que seu sorriso era enganação. Calango era um pistoleiro. Matava por qualquer tostão. Mas me matar? Eu não fiz nada, era de boa paz, sei que tinha a língua grande e afiada e escrevia o que não devia dos “homes” lá de cima, assim diziam, mas não queria mal a ninguém. Levantei as mãos! – Calango porque quer me matar? Sou de paz meu amigo, sou Escoteiro, agora um Velho Escoteiro duro Banguelo sem tostão. Dizem que sou chato e implicante, mas não me mate agora. Deixe pelo menos eu dar um abraço na Célia antes que me mande para minha última morada nas estrelas!

               - Cale a boca seu “merda”! Você fala muito, escreve o que não deve... Olhei para ele espantado. - Chega desta palhaçada de escrever contra a nossa querida Escoteiros do Brasil. Lá só tem gente fina, professores, pedagogos, inteligentes demais! - Vou mandar você para o inferno e lá irá prestar contas de sua esperteza ao capeta. Diga a ele o que aprontou aqui na terra. Quer uma bala no bucho? No trazeiro? Na boca? Ou no coração? – Deus do céu que me proteja! – Calango não quero bala nenhuma a não ser de hortelã ou puxa-puxa de chocolate que adoro!

                Calango estava possesso. Foi menino como eu. Nunca usou arma e quando brigava era de socos. Um dia tentou ser Escoteiro e Galo Seco Guia da Tropa falou para o Chefe Farofa: - Melhor não chefe, este menino vai ser um ladrão ordinário e nem Baden-Powell pode dar jeito. O Chefe Farofa sabia que quando Galo Seco falava era para levar a sério. Sei não, quem sabe se ele tivesse sido Escoteiro eu não estaria ali agora todo "mijado" e quase borrando as calças?

                Calango prometeu dar uma coça em Galo Seco. Não conseguiu, pois Galo Seco era macho prá xuxu. Quem levou uma coça foi Calango. Calango descontou em muitos Escoteiros raquíticos eu mesmo apanhei duas vezes. Passamos a andar sempre em dupla. Não podíamos facilitar. O tempo passou, eu cresci, fiquei bobo continuei escoteiro e envelheci. Mal conseguia andar e falar e o filho da mãe ali na minha frente dizendo que ia me matar pode?

                          Ajoelhei e disse – Calango me deixa rezar. Quero ir para o céu sorrindo e em paz com o Senhor. Orar faz bem, por favor, Calango! – Ele me olhou, seus olhos estavam vermelhos de ódio. Achei que o demônio o incorporou. – Me jogou uma sacola – O que tem na sacola Calango? A vestimenta Escoteira seu maldito. Vista e vou deixar você viver mais alguns anos. – Putz grila! Vestir aquele troço? – Calango camisa para fora da calça ou dentro? Ele me fuzilou com os olhos. De meinha branca ou azul? Ele vomitou de raiva.  Calça comprida ou curta?

                         - Ele apontou o trabuco para mim. Lenço amarrado nas pontas ou puxado pelo arganéu? Chapéu australiano ou texano? Vá a “merda” ele gritou. Vista logo antes que lhe meta uma bala naquele lugar! – Bah! Ia doer prá xuxu. Calango! Falei atire nos meus olhos! Estou com catarata se uma bala entrar virarei defunto que come barata. Kkkk. Levei um chute no traseiro. – Vista logo seu merdinha. Os lindos dirigentes da EB me disseram que se eu mandar uma foto sua com a vestimenta e publicar nas redes sociais, eu posso deixar você viver mais dois anos.

                          – Só dois anos Calango? E agradeça a benevolência dos presidentes do CAN e do DEN, são gente boa apesar de estarem se digladiando. Não regatearam quando pedi cem mil reais para mandar você para o inferno. Olhe que eles gastam muito menos para processar esta cambada tradicionalista que se juntam por aí e que dizem ser Escoteiros!

                  Olhei a vestimenta. Ardeu como pimenta! Vestir este troço? Não disse um dia que nem morto iria usar? Tirar meu caquezinho querido e colocar esta coisa escura no corpo? Coisa feia que até o lenço Escoteiro e os distintivos reclamam? – Olhei para Calango, tirei meu lenço de IM que ganhei em 1966, minha camisa caqui e só de calças curtas e meião disse: - Atire seu merda! Prefiro morrer a vestir este troço! Calango não se fez de rogado. Engatilhou e atirou. Tiro certeiro. Abriu uma brecha em minha testa.

                  - Morri na hora com meu caqui querido. Acordei com o Anjo Gabriel e Baden-Powell lutando com dois capetas e um demônio. Queriam me levar para o céu e os outros para o inferno. – Calma! Calma eu disse. Se a capetada e o demônio vestir a vestimenta Escoteira irei com eles sem reclamar e me queimar nas profundezas do inferno! O Demônio e a capetada me olharam sorriram e disseram: - Nem morto, nem morto Velho Escoteiro de uma figa! Putz! Mas eles não estavam mortos?

                    Acordei aos berros com a Celia me chamando. Acorde Osvaldo, acorde! Pare de gritar. – Perguntei a ela: - Cadê o Calango? Calango? Não conheço e nunca ouvi falar. Ele existe? Sorri, a respiração voltou ao normal. Corri até o Guarda Roupa, meu caqui estava lá limpinho e bem passado. Vesti com orgulho e fui dormir de novo, desta vez uniformizado e abraçado ao meu chapéu de três bicos. Sonhei com coqueiros, montanhas picos enormes, vales inimagináveis luas estrelas o por do sol e minha Patrulha Lobo ao meu lado cantando o Rataplã!   

Nota: Meus amigos e amigas que usam a vestimenta, por favor, não liguem para meus escritos. Se vocês gostam da vestimenta porque não? Só espero que usem com garbo, bem apresentado para o público não reclamar. Eu nunca vou usar. Considero um ultraje da UEB forçar um uniforme que ninguém sugeriu ninguém opinou e ninguém foi consultado. E essa camisa fora da calça é de doer! - Se tivessem feito o contrário eu aplaudia. Mas olhe, agora é fato consumado. Não tem volta.  Abraços fraternos.     

domingo, 15 de abril de 2018

Baden-Powell, por Winston Churchill. Retirado do livro “Grandes Contemporâneos” - 1937. Traduzido da versão em espanhol Por Clóvis Henrique.



Baden-Powell, por Winston Churchill.
Retirado do livro “Grandes Contemporâneos” - 1937.
Traduzido da versão em espanhol Por Clóvis Henrique.

- Os três generais mais famosos que conheci em minha vida não se destacaram por ganharem batalhas contra inimigos estrangeiros. No entanto, seus nomes, todos os quais iniciados por “B”, se converteram para nós em expressões familiares. São os generais Bootli, Botha e Baden-Powell. Ao general Booth nós devemos o Exército da Salvação, ao General Botha, a União Sul-Africana e ao General Baden-Powell, o Movimento Escoteiro.

- Dadas as incertezas deste mundo, de nada podemos estar certos, no entanto parece provável que daqui a uns duzentos anos ou mais, as obras destes três grandes homens estarão propagando a fama de seus criadores. Não com um testemunho frio de bronze ou pedra, mas sim como instituições que guiam e formam vidas e pensamentos dos homens.

- Recordo-me perfeitamente da primeira vez que vi o herói deste artigo, hoje Lord Baden Powell. Eu tinha ido com minha equipe para participar da copa de cavalaria em Meerut. Nesta localidade estavam situados os círculos sociais e desportivos do exército inglês na Índia. Durante a noite diante de numerosa plateia eram feitas pequenas apresentações teatrais e a atração principal se constituía em um animado número de música e dança levado a cabo por um oficial da tropa, vestido com uniforme brilhante, e por uma bela senhora.

- Ocupando, entre os outros jovens oficiais, uma cadeira na plateia, me causou surpresa a excelente apresentação que poderia competir com vantagem com qualquer dos teatros de variedades da época. Disseram-me: “Este é B-P, um homem extraordinário! Ganhou a copa Kadir, tem muitos anos de serviço em nossa corporação. Falam muito e não acabam os seus méritos como militar, no entanto não deixa de ser surpreendente ver um oficial antigo dançar com tanto entusiasmo diante de seus subalternos!” Tive a sorte de conhecer essa celebridade de várias facetas antes que fossem encerradas as competições.

- Três anos se passaram antes que eu o voltasse a ver. O cenário e a ocasião eram distintos. O exército do Lord Roberts acabava de entrar em Petroria e o General Baden Powell, que acabava de ser liberado de Mafeking após um cerco de 217 dias, vinha a cavalo por duzentas ou trezentas milhas desde Transvall para apresentar-se ao General Chefe e apresentar os relatórios de sua missão. Estive com ele para uma entrevista com o objetivo de proporcionar ao jornal “Morning Post” um relato fiel de sua famosa defesa.

- Cavalgamos juntos durante pelo menos uma hora e quando por fim se decidiu falar, foi esplêndido! Seu relato me comovia e ele se exaltava ao referir-se aos acontecimentos. Antes de encerrá-lo, eu o mostrei e ele, após atenta leitura e com certa demonstração de constrangimento, me devolveu sorridente, dizendo: “Falar com você é o mesmo que falar com um gravador”. Eu não posso deixar de reconhecer que me senti agradecido pelo comentário.

- Naqueles dias, a fama de B-P como soldado era tamanha que virou um herói popular da guerra. Afinal, vendo as outras bem organizadas tropas inglesas lutando com os Boers, o povo não podia deixar de reconhecer e aplaudir a grande e obstinada defesa de Mafeking feita de maneira incansável por um grupo de homens dez ou doze vezes menos numeroso que o dos inimigos.

- Ninguém acreditava que Mafeking resistiria à metade do tempo que assim o fez. Na época, a incerteza e o desalento reinavam diante do temor da derrota. Milhões de pessoas que não podiam acompanhar os detalhes dos acontecimentos da guerra buscavam atentamente detalhes na imprensa sobre as desventuras dos sitiados de Mafeking. E quando correram nos jornais as notícias de sua liberação, multidões deixaram as ruas de Londres intransitáveis durante as comemorações.

- Os festejos do mais puro patriotismo tomaram conta das pessoas com tal alegria que só foi igualada com a declaração do armistício, em novembro de 1918. Mas a noite de Mafeking tem sua marca. Na ocasião as pessoas não se comoviam pelos danos da guerra, experimentavam emoções comparadas ao frenesi dos torcedores em grandes espetáculos esportivos. Em 1918 os sentimentos de alívio e congratulação se sobrepunham a alegria. Todos levavam em seus corações as marcas dos sofrimentos passados.

- Causou-me certo espanto em ver como B-P foi desaparecendo na hierarquia militar uma vez que a guerra havia terminado. Ocupou alguns cargos honrosos ainda que de importância secundária, no entanto todos os altos postos foram entregues a homens cujas façanhas não transcendiam aos círculos militares e cujos nomes jamais haviam recebido a recompensa do aplauso popular. Sem dúvida, Whitehal não se sentia bem ao ver os aplausos desproporcionais que as massas haviam acumulado sobre uma única figura. Não havia algo de “teatral”, de “não profissional” em uma pessoa que suscita o entusiasmo ingênuo do homem da rua?

- A versatilidade provoca sempre certa desconfiança nas esferas militares. As vozes da inveja falavam de B-P. De todo jeito, a brilhante fusão da sorte e do êxito foi de plano encoberta por uma nuvem fria, através da qual o sol brilhava, mas com um raio tímido e não ofuscante. Os caprichos da sorte são incalculáveis, incontáveis são seus métodos. Às vezes quanto mais indiferente se apresenta a situação é quando está preparando seus mais surpreendentes dons. Que sorte foi para B-P não estar no meio dos assuntos militares no início do século! (…) Foi uma sorte para ele e para todos nós!

- A isso se deve sua fama perenemente renovada, sua oportunidade de prestar serviços pessoais do mais duradouro caráter, e a ele devemos uma instituição e inspiração tipicamente britânica, essências puras de seu gênio, encaminhadas a unir em um laço de camaradagem não só a toda a juventude do mundo da língua inglesa, mas de quase todas as terras e povos abaixo do Sol.

- Foi em 1907, que B-P implantou seu primeiro campo para ensinar os garotos a arte de explorar bosques e a disciplina da vida de descobertas. Vinte e um garotos de todas as classes, desde o extremo de Londres até Eton Harrow. Montaram suas pequenas barracas na ilha de Brownsea em Dorsetshire. Desde modesto início surgiu o movimento mundial do escotismo, constantemente renovado no transcurso dos anos, até alcançar hoje uma força que excede em muito os milhões de associados.

Em 1908, o explorador chefe, como ele se chamada, publicou seu livro “Escotismo para Rapazes”. Suscita em todos os espíritos da aventura e o amor pela vida ao ar livre que é tão forte na infância. Mas, sobretudo desperta os sentimentos de cavalheirismo e essa correção e empenho nos jogos, seja o sério ou o inútil, que constituem a parte mais importante do sistema educacional britânico. O sucesso foi imediato e transcendental. O uniforme simples, calça e camisa cáqui, que estava ao alcance de todos, foi inspirado na antiga tropa do exército de Baden-Powell.

- O chapéu foi o famoso, com as abas retas, que havia sido usado em Mafeking. O lema “Sempre Alerta” (Be Prepared) estava formado por suas iniciais. Quase imediatamente vemos nos dia de festa, pelos caminhos da Grã Bretanha, pequenas tropas e patrulhas de exploradores, grandes e pequenos, bastão na mão, avançando animados até os bosques e terrenos demarcados que por sua exemplar conduta eram rapidamente franqueados. Imediatamente brilharam os fogos de viva de um grande exército, cujas filas nunca estarão desertas e cuja marcha não acabará enquanto fluir o sangue pelas veias da mocidade.

- É difícil entender a saúde mental e moral que esta simples e profunda concepção trouxe a nossa pátria. Naqueles dias passados, o lema “Sempre Alerta” teve um significado especial para o país. Os que avistavam a proximidade de uma grande guerra acolheram com simpatia o despertar da adolescência inglesa. E ninguém, nem sequer os mais pacifistas puderam sentir-se ameaçados, porque o movimento não tinha caráter militar, e até os mais ásperos críticos viram como um meio de dissipar a vadiagem juvenil.

- Muitas instituições veneráveis e muitos regimes famosos foram honrados por homens que pereceram na tormenta, mas o movimento escoteiro sobreviveu. Sobreviveu não só a grande guerra, mas às dificuldades do pós-guerra. Enquanto tantos elementos da vida e do espírito das nações pareciam perdidos, aquele movimento florescia e crescia incessantemente. Seu lema adquire novo significado nacional à medida que os anos passam sobre nossa ilha. Leva a todos os corações sua mensagem de honra e dever: “Sempre Alerta” para se levantar e defender o direito e a verdade seja de que forma os ventos soprem.

Nota – Este é um artigo longo, quase três páginas. Não tive como diminuir. A história contada por Winston Churchill tem um toque especial. Relembra vários fatos que ficaram na história do Escotismo. Churchill um dos homens mais importantes da história contemporânea é reconhecido até hoje como um politico conservador e estadista britânico e famoso por sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Arrisquem-se a ler. Vale a pena!

sábado, 14 de abril de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. São Escoteiros?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
São Escoteiros?

                 Ontem passeando nas páginas do Facebook deixei de lado as Fake News horríveis, muitas postas por membros da EB (o que não devia acontecer) e me deparei com uma desavença de alguns sobre a posição de um determinado Grupo Escoteiro. Comecei a ler os comentários a favor e contras. Tudo começou com um revoltado membro da EB com um Presidente do Grupo que não registrou os membros da diretoria. A discussão chegou às raias da ameaça e da punição.

                 Algumas explicações foram entrepostas e um que me parece ser um líder do distrito disse que todas as providencias estavam sendo tomadas. Ameaças veladas no ar. Fiquei pensando nas normas, nos artigos de um estatuto que rege os papa escoteiros de hoje. A discussão foi evoluindo. Se estivem no mesmo local sairiam para o sopapo sem dúvida. Não sei o motivo real, mas seja o que for este tipo de comportamento não coaduna com os princípios escoteiros.

               Contra meu modo de agir coloquei minhas ponderações sobre o motivo da contenda. Falei da amizade, do sexto artigo do direito de agir, falei da fraternidade, da irmandade tão usada pelos dignitários escoteiros. Disse da minha perplexidade de tal discussão ser lida por milhares e milhares de escoteiros do Brasil e do Mundo. Não gosto de dizer que roupa suja se lava em casa... Mas...

               Parece que se tocaram e retiram a postagem alguns minutos depois. Já vi esse filme. Alguns poucos me escrevem reclamando a mesma coisa. Sou um velho escoteiro de setenta anos de escotismo e não um Salomão Escoteiro. Costumo pensar que apesar de ser um leitor emérito de Baden-Powell nunca li que ele disse que para ser escoteiro tem de ter registro, que a associação do país tem de ser reconhecida e registrada por um órgão internacional.

               Li sim muito do que escreveu que o escotismo bem aplicado tem tudo para dar certo na formação da juventude. Deu a fórmula através de um método perfeito. Deu uma Lei e uma Promessa. Disse que para crescermos devemos aprender fazendo. Sempre repetia em seus escritos que o Chefe é exemplo. Os jovens farão o que seu líder faz. Não disse nada sobre registro, sobre Presidente, sobre Diretores e outros badulaques. Falou muito do Chefe. Do Chefe...

               Às vezes me olho e olho em volta perguntando? São Escoteiros? São fraternos, convivem em harmonia, procuram ajudar, ouvem muito e falam pouco? Pensam primeiro nos outros? A lealdade acima de tudo, à cortesia e a irmandade do sexto artigo prevalece em suas ações? Acreditam mesmo que são exemplo para conduzir escoteiramente esta moçada no porvir?

                 Falamos de ética, de honra, de caráter de personalidade de Servir, falamos tanto que essa preocupação em condenar, em exigir o registro para ser reconhecido sem nos dar o direito de agir como acreditamos não é um bom exemplo. Não seria melhor o dialogo em vez de ameaças? Essas ações dos Dirigentes demandam gastos e processos. Interessante é que colocaram na promessa sem consultar BP: “Servir a União dos Escoteiros do Brasil”. Ufa!

                  Se eu quero ser escoteiro e prefiro fazer dentro dos parâmetros que acredito não tenho esse direito? Se não estou agindo dentro da lei existe um caminho correto para resolver. O que não pode é essa intolerância, essa opressão pensando que somos todos soldadinhos do que dizem os estatutos e os mandatários da EB. Ah! Esses líderes de grupo que se acham dono da verdade.

                  Se uns acreditam que ter o registro é melhor, que o faça. Não discuto as vantagens, mas quando acusar pense primeiro em você se está agindo como um escoteiro leal, cortes, amigo e irmão dos demais. Sei que minhas ponderações pouco vão resolver. Sou ainda a favor do direito de escolha, do direito de acreditar nas palavras de BP. De uma coisa em sei, em tudo que li sobre ele não vi escrito que ele tenha dado procuração para falar e agir sobre seu escotismo a ninguém.

Nota – Hoje tem reunião. Alegria de montão. Que haja paz, que haja amor, que haja união e boa vontade em todos os adultos que ali estão dando seu exemplo de como ser ético e ter a vivência escoteira nos princípios da Lei e da Promessa que nos deixou Baden-Powell. Feliz reunião, um ótimo sábado e não esqueçam: Boas ações dignificam o caráter!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

O escotismo que queremos... Qual? Era uma vez... Um Velho Lobo e um Velho Escoteiro.



O escotismo que queremos... Qual?
Era uma vez... Um Velho Lobo e um Velho Escoteiro.

                 E daí Velho lobo, me diga, o que adianta essa malquerença, essa aversão do vestir o que quiser? Você luta, insiste, alguém se importa Velho Lobo? Alguém por acaso pensou onde eu e você queremos chegar? Sei que temos algumas querelas, discordâncias de acertar o passo, percorrer a trilha, medir a altura a distancia e as estrelas. Passamos por poucas e boas na esticada escoteira na terra. Como dois Idosos Escoteiros educados, sabemos conversar e manter o dialogo no Estilo Inglês. Badeniano é claro. E nosso respeito é o melhor.

                E assim nós dois um Velho Lobo e um Velho Chefe Escoteiro seguimos nosso destino tentando colaborar até o nosso The End... Nosso “Final”. Jocosamente alguém disse que o Estilo Inglês rompe a retidão e simetria das linhas e distribuição dos maciços arbóreo/arbustivos e por aí vai. Não entendi bulhufas. Mas essa também não é nossa praia...

                Felizmente meu amigo Velho Lobo vivemos uma época em que estar sempre alerta era mostrar nossa visão, prestando atenção para não ser surpreendido. E então crescemos, procurando ver um futuro escoteiro melhor a nossa volta. E aprendemos tanto não foi Velho Lobo? Quantos dos novos que ainda tem o dente Siso estão vendo mais além? Quantos pensam que a brasilidade brasileira acredita que esse caminho é o melhor?

                Velho Lobo, você como eu sabemos que nos meios educacionais entre os filósofos, os pedagogos, os educadores universitários, aqueles que são chamados a opinar nos meios de comunicação... Nada sabem de nós. Para eles somos eternos desconhecidos. Escoteiros? Ainda existem? Os tempos modernos são assim Velho Lobo?

               Quando você e eu como bons samaritanos, escrevemos sobre nossa visualidade do escotismo fraterno, do exemplo, da aceitação do garbo pela apresentação individual, os novos com Dente Siso ainda com fraldas esvoaçantes se acham conhecedores e autores da nova pedagogia escoteira. Adiantou nosso aprendizado e no que acreditamos deste menino? Viramos um “carrapatacho” sem um nome a zelar? Desculpe pelo “carrapatacho” você um Velho Lobo e eu um Velho Escoteiro sabemos onde ele se meteu, nestes “desairos” abomináveis da escrita que poucos entendem.

               Meu bom amigo Velho Lobo quando leio os conformes dos nossos irmãos escoteiros, se deleitando a responder nossa opinião, alguns pisando sem nos considerar irmãos, respondendo sem cortesia como se fossem os melhores, desmerecendo o que achamos por apresentação e garbo, nos convencendo que não entendemos a modernidade, repetem aos ventos que não precisamos de uniforme e sim ter disciplina e obedecer a nossa lei. É, parece que uns tem e não podem outros podem e não tem!   

               - Velho lobo, quando leio o patético de algum Chefe, tipo aquele que ainda não sabe o peso da mochila na trilha da montanha, não sabe os calos adquiridos forjando pioneirías, brincando na noite, esquentando fogueiras e vivendo o sonho da aventura... Penso se eles aprenderam alguma coisa. Rosnam (desculpe a palavra) que eles são exemplo, que o uniforme ou vestimenta tanto faz, que cada um veste como quer. Afinal repetem: A EB não autorizou? Caio na minha verdade e penso naquela metáfora do cego que conduzia outro cego e ambos escoteiramente caíram no buraco. Querem ver flores, bananeiras, e goiabas em gostosas feituras a venda a nas lojas da imaginação? Está é a modernidade? Vestir o que quiser e como quiser?

              Meu amigo Velho Lobo será que não estão vendo que o “povo” não o “polvo” não concorda, não aceita e nem sabe onde estamos situados? Atrás dos muros da escola ou da ribanceira do riacho, não olham seu umbigo, não perguntam e aceitam uma liderança que não pesquisa nem responde a uma indagação com respeito, sem ofensas, sem acessos de poder, sem ameaças e sim com gostosas trocas de ideias vividas em torno de uma fogueira qualquer?

                Velho lobo dá gosto ver você vestimentado. Apesar de não ser minha praia admiro você. Voce sabe, sou caqueano enraizado. E olhe palmas para você quando fala, quando escreve e não muda de opinião. Um perfeito Cavalheiro Badeniano. Sabe Velho Lobo, meus parabéns, sempre com resposta sadias... Sem ofender... Eu um Velho Chefe Escoteiro vivendo como um Sapo Boi vou dando minhas piruadas, e nas noites de lua cheia canto na minha lagoa... Procurando à namorada escoteira... Que não quer saber de mim. Velho Lobo, tu e eu somos Dinossauros capengando e sempre acreditando... Será que um dia tudo pode mudar? Velho Lobo meu amigo de-cá um abraço, um aperto de mão, a luta é nossa Velho Lobo. Desistir é uma palavra que não existe em nosso dicionário.

                 Sabe Velho Lobo, somos uma extirpe em extinção. Os peritos os bombásticos chefes, os audaciosos da nova geração, colocam o verbo ir como se fossem o dono da estrada. Eles estão certo Velho Lobo? Costumamos discordar, mas sempre olhamos o caminho onde pisar. Aprendemos o Caminho a Evitar. Eles Velho Lobo não sabem saltar o obstáculo. Nós sabemos onde está o caminho a seguir, com o vento a favor e sempre alerta para ouvir o sibilar da cascavel ou do cantar do sabiá e sorridentes sabendo onde seguir.

                Enfim Velho Lobo, ainda somos do mesmo sangue... Tu e eu. E mesmo discordando alguma vezes a amizade persiste. Ainda costumamos relembrar nosso tempo com orgulho e admiração. Acreditamos que no Pico da Esperança sempre veremos mais além. Ver nosso amado escotismo considerado, falado, respeitado e os mais bem aquinhoados no saber e no poder terão por nós uma enorme consideração. E dirão: - Escotismo é uma escola de educação que temos a obrigação de admirar aplaudir e aprovar!   

Nota – Somos sim um Velho Lobo e um Velho Chefe Escoteiro. Setenta anos de escotismo. Bandeiras soltas, ventos a seguir, caindo levantando, enfrentando pedaços do caminho a evitar, saltando o obstáculo, aprendendo a fazer fazendo. Levando ripa na chulipa e tentando formar cidadãos. Por trilhas cheias de pedras aprendemos a pular os despenhadeiros da humildade e aceitar com dignidade o que o Velho Chefe Mundial nos deixou com seu enorme sorriso de Impisa, um lobo que nunca dorme. E ele Velho Lobo sempre vai ser a voz da nossa razão!  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Papos ao pé do fogo. Os mistérios da Corte de Honra.



Papos ao pé do fogo.
Os mistérios da Corte de Honra.

               Beatriz estava encantada. Estar ali naquela salinha, onde todos sonharam estar, poder ouvir, conhecer e saber o que se passava era um sonho quase impossível. Mas com ela aconteceu. Isabel a Monitora a escolhera para Sub.Monitora e agora ela podia participar da “Corte de Honra”. Desde que entrara como escoteira que ouvia falar na Corte de Honra. O que seria? Alguém disse que era como a Suprema Corte, onde se decidia os destinos da tropa.

             Uma vez por mês ao terminar a reunião olhava Isabel arrumar o uniforme, pentear seu cabelo, conferir o lenço e seguir sorrindo para a sala secreta. – “Um dia irei conhecer e saber o que elas fazem” dizia para si mesma. Lorena, Silvia, Katia e Joelma sabiam tanto quanto ela. Tudo bem que era uma Patrulha unida, orgulho de ser um Azulão, aquele pássaro que diziam ser o mais lindo do Brasil. Adorava tudo que a Patrulha oferecia, seu lema, seu grito e sua fraternidade.

           Sonhava com os sábados quando estaria com elas, amigas e irmãs escoteiras cujo juramento na Patrulha dizia-se ser para sempre. Foi somente no quarto mês que notou Beth a Sub e Isabel se arrumarem após a reunião e se dirigirem para a sede. – Não vai comigo para casa? Perguntou. – Não Beatriz, hoje tem Corte de Honra. Não disseram mais nada e ela curiosa perguntou a Silvia o que era a tal Corte de Honra...

            Acampou, fez bivaques, adorou a atividade noturna no Vale do Beija Flor, cozinhou na Praia dos Sonhos para a Patrulha, adorou semáforas, aprendeu tudo sobre orientação, passo escoteiro, passo duplo e amava aprender os mistérios do universo, quando sua monitora falava das constelações, de como seguir o vento, de como sentir o orvalho da madrugada, de como ver o nascer e o por do sol.

           Agora era diferente. Esqueceu suas 80 noites de acampamento. Esqueceu sua Segunda Classe, esqueceu suas especialidades e seu sonho do cordão dourado. Deu à mão a Beatriz se arrumou como ela fazia e foi com ela para sua primeira reunião de Corte de Honra. O segredo para ela ia ser desvendado. Foi Katia quem disse que tudo que ali se passava era segredo. Sigilo absoluto por um juramento feito a Baden-Powell.

             Será que ela ia fazer o juramento? Tudo era para ela desconhecido. Iria agora desvendar o enigma, a incógnita o segredo de um órgão escoteiro que transpunha tudo aquilo que um dia pensou da mística que o escotismo na sua plenitude e beleza apresentava para ela. Entrou... Uma mesinha com uma toalha branca, uma foto de BP na parede, uma bandeira do Brasil em um mastro fixo em um pequeno tronco feito para isso.

               Soube depois quando foi eleita monitora que as salas de Corte de Honra não diferia de tantas outras. O Pavilhão Nacional obrigatório, um pequeno armário de parede para guarda de suas tradições, uma foto de Baden Powell e outra de Jesus, uma banqueta que serve para manter a bilha de água, copos de papel, uma mesa com seis cadeiras. Na mesa forrada com uma costura de arremate simples de cipós sempre tinha uma flor de lis...

              A mente de Beatriz correu pela primeira vez nos presentes. Lá estava a Chefe Stella, ela e mais cinco. Três patrulhas, três monitoras e três subs. Em pé Donana a monitora mais antiga eleita Presidente da Corte deu aberto à sessão. O que se passou ali Beatriz não iria contar. Jurou também que podiam confiar que ela nunca em toda sua vida iria dizer o que discutiram o que escreveram e o que fizeram na Corte de Honra, salvo o que fosse decidido para toda a tropa conhecer.

                Dizem que cada Corte de Honra tem seu estilo, suas manhas, suas tradições e suas místicas. Sei que aquelas mais antigas guardam segredo até hoje. Suas atas ficam nas mãos de uma escriba e trancada a sete chaves. Tem aquelas que o Chefe quase não fala, deixa que os participantes decidam o melhor e só por motivo extraordinário dá algum palpite. Contaram-me também que as melhores tropas escoteiras são aquelas que a Corte de Honra funciona com toda a liberdade de ação por parte dos seus participantes.

                De que são feitos os sonhos? Para alguns antigos os sonhos são a chave do conhecimento mágico e espiritual, onde se poderia conhecer o passado e o futuro. A Corte de Honra é um sonho para muitos cuja imaginação supera o sonho de participar. A liberdade, a democracia, o respeito à disciplina, a mística, o misterioso, o profundo existe no pensamento nas palavras e nas ações daqueles que um dia estiveram lá.

                Beatriz viu o tempo passar, de sub a monitora, guia e Assistente, Chefe e agora aposentada, relembra com saudades seus tempos de escoteira. Dos acampamentos, dos fogo de conselho, das viagens nas florestas verdes do Brasil. Das subidas incríveis nos picos mais altos, nas noites de céu estrelado, de luar incrivelmente belo e de sua estrela preferida onde dizia ia morar.

                Beatriz nunca esqueceu sua Corte de Honra. Seus mistérios, seus contos, suas decisões suas amizades e lealdades de um juramento que um dia fez e nunca mais esqueceu!

Nota – Gosto de dizer tudo que sei sobre escotismo. No meu estilo, na maneira de contar, de deixar a mente vagar... Para aprender... Nada de didatismo, do ponto e do contra ponto. Sem interrogação e mais voltado ao ponto de exclamação. Gosto de deixar que cada um pense e traduza como quiser. Não gosto de impor, de discutir a não ser em um tête-à-tête para sorrir e ouvir o que o outro tem a dizer. Gosto de escrever, de escotismo, de belas aventuras e hoje escrevo sobre a Corte de Honra, onde tudo pode acontecer...

terça-feira, 10 de abril de 2018

As tardes são dos velhos chefes escoteiros. Língua ferina aguda garra...



As tardes são dos velhos chefes escoteiros.
Língua ferina aguda garra...

“Caro amigo, não te preocupes com o que entra em tua boca, mas sim do que dela sai. Existem palavras que ferem mais que faca amolada, que arrasam como tempestade, que destroem como terremoto, que só silenciam com a morte e que ofendem como veneno. Que Deus nos perdoe e nos guarde da língua ferina e da boca do inferno desses maldosos, os quais não perdoam com suas críticas desvairadas”! (Chico Mesquita).

- Pois é. Tirei o dia para descascar banana. Dizer o que pensa pode machucar. Machuca o próximo, aquele que se sente ofendido e que acreditava em você. Mas isto não é limpar a consciência? Crucificar alguém que erra não é levá-lo ao paraíso? Pode ser para um, mas não são para os demais. “Entonse” meu amigos virtuais me perdoem. Há tempos pensava em desabafar. Isto é mau?

- Seja como for, meto a mão na cumbuca e lá vou “trepando” na montanha com a torcida do cai-cai gritando lá em baixo. Começo metendo o dedo no nariz e pensando: - Você montou um grupo de amigos aqui no Facebook? Beleza. Mas cuidou dele? Ainda posta ou convida outros amigos a postar? Ou foi apenas um brinquedinho de momento? Encontrou um boa praça para ser administrador e depois deu no pé? Acha isso correto?

- De um nó Fateixa ao um de Pescador. Adoro os dois. Uma vez um Velho Chefe Escoteiro me disse: - Vado Escoteiro observe. Quando assistir a uma reunião, atividade ou acampamento de lobo ou escoteiro, preste atenção em três coisas: - A) O sorriso espontâneo nas matilhas e patrulhas. B) Na disciplina, no garbo, na cortesia e na lealdade. C) E por último Vado, preste atenção na cor do uniforme. Quanto mais desbotado melhor. Se o lobo ou escoteiro veste com orgulho é sinal de sucesso. Está usando há muito tempo. Se muitos estiverem assim, pode acreditar que ali se pratica escotismo de qualidade. Aplauda por favor!

- Foi em um curso, eu era Diretor e nos horários de tempo livre costumava passear pelas patrulhas de chefes, parar na cozinha, ver o cozinheiro preparando o manjar e claro papear. Gostava disso. Uma Chefe recém-empossada, me cutucou: - O que o Senhor acha dos novos tempos, do modernismo, das novas tecnologias, das caricatas figuras que hoje querem mudar seu estilo, cabelo, brincos, tatuagens roupas e parlatório de mano prá mano?

- Eita! Me pegou de jeito. O que responder? – Fiquei pensando sem nada dizer. No meu tempo pai não matava filho, todos diziam sim senhor. No meu tempo havia respeito, havia sinceridade, havia ética havia outro tipo de amor. Nunca vi escoteiro de brinco, tatuado, resfolegando em um baseado ou agarrado a um Smart Fone quando devia ajudar o cozinheiro. No meu tempo não havia divergência entre chefes, tantos generais dando ordens e poucos obedecendo. No meu tempo a gente amava a natureza, vivia cantando nas trilhas do mundo e não havia tempo para outras escolhas.

- Um dos chefes, novo ainda, sentando-se à mesa do refeitório, me sopegou cortante: Chefe, o senhor não respondeu. Acha que o hoje não é o ontem? E se eu disser que me declarei homossexual e que acredito no valor do escotismo? Os presentes riram. Outro jovem imberbe ainda completou: - Chefe na minha inscrição coloquei que era agnóstico e não acredito em Deus. O senhor pode me dizer se eu posso ser escoteiro ou não?

- Gente, que tremenda roubada. Tudo que disseram não era minha praia. Como explicar a eles a beleza do sol, da lua do firmamento e do mar? Como explicar às gaivotas, o pardal, a cotovia e o beija flor que voa para onde quer mais rápido que o vento? Como explicar a natureza em todo seu esplendor? E o BigBang? Do nada formou o universo? E antes dele não tinha nada? Não existia Deus?


Acho que nenhum deles entendeu o que quis dizer. Olhei para o céu e disse a mim mesmo: - Vado o que é, pois o tempo? Se ninguém me pergunta eu não sei. Se quero explicá-lo a quem me procura eu continuo não sabendo. Cala-te com o que vê, feche os olhos para não se distrair, mantenha seu espirito escoteiro. Este não é mais seu mundo. Quem sabe quando voltar por aqui novamente poderá viver os novos tempos que hoje não consegue viver?