terça-feira, 16 de outubro de 2018

Eu? Sou um contador de histórias... Escoteiras!




Eu? Eu sou um contador de histórias... Escoteiras é claro!


E aqui terei o máximo prazer em receber você. Bem vindo.  Escrevo tudo que penso e o que aprendi como escoteiro por quase 70 anos. Concorde discorde, deixe seus comentários. Meu fraterno abraço e breve outro conto outro artigo escoteiro. Sempre Alerta!

Reminiscências de Robert Baden-Powell. "Modo de ser Feliz"



Reminiscências de Robert Baden-Powell.

Prefácio: ... Já viste Deus em Seus esplendores, ouviste o texto que a Natureza repete? As coisas simples, as coisas verdadeiras, os homens calados que fazem as coisas? Ouve então a selva que te chama. Vamos para selva, já... Sempre... Vamos? É fantástico, este nosso BP!

- B.P. pretende que este tema sirva como linha de orientação no caminho de jovens que têm sede de viver.

"O homem emaranha-se nas dificuldades ou tentações das águas agitadas, principalmente porque não o avisaram dos perigos do caminho, nem do modo de se defender deles" e por isso ele parte da sua própria experiência para nos aconselhar a percorrer o caminho que é a vida e para que esse caminho seja para o TRIUNFO.

É numa viagem de canoa que ele encontra o reflexo perfeito da vida, uma viagem que começa nos ribeiros da infância, passa pelos rios da adolescência e atravessa o oceano da idade adulta em direção ao porto do destino. Ao longo desse percurso deparamo-nos com diversos escolhos e tempestades e por isso devemos sempre navegar de frente para eles, com olhos atentos para os podermos identificar, contornar e, durante o processo, aprender com eles. Navegar por entre os recifes e rebentações, apenas com uma canoa de casca de vidoeiro, pode parecer uma tarefa árdua ou até mesmo impossível, mas só assim se consegue atingir a verdadeira FELICIDADE.


É para chegar a essa Felicidade eis que B.P. nos deixa duas chaves importantes:

-"Não levar a vida muito a sério, mas aproveitar ao máximo o que se tiver olhar a vida como um jogo, e o mundo como um campo de jogos.” -"Fazer que as nossas ações e pensamentos sejam orientados pelo amor.” É mais fácil Ser Feliz quando se vive desprendido de tudo aquilo o que é fútil e desnecessário tal como os Birmanes "que gozam com a mesma alegria as belezas da sua terra, as flores, o sol e as florestas, sorrindo, cantando e rindo". "Quem é feliz é rico, mas não se segue que quem é rico é feliz".

Nunca se esqueçam:

 “Não deixes cair teus olhos,
Não te deixes enganar,
Olha de frente os escolhos,
Olha podes encalhar.

É urgente estar atento,
Ver para onde corre a maré,
Ver de onde sopra o vento,
Não vás tu perder o pé.

B.P. é quem to diz, oh, oh,
Impele a tua própria canoa.
Se queres mesmo ser feliz,
Não te deixes ir à toa,
Impele a tua própria canoa,
Impele a tua própria canoa.

A vida não é um deserto
Não queiras ficar no cais
Lenço rubro é rumo certo
Decide tu aonde vais
Não queiras ficar no cais”.

Devemos enfrentar cada dificuldade com coragem e amor no coração, impelir a nossa própria canoa sem baixar os olhos e estando Sempre Alerta Para Servir.

E para ti? Qual o verdadeiro modo de ser feliz?

domingo, 14 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Direitos e deveres.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Direitos e deveres.

Nota - Devemos respeitar o espaço e os direitos alheios, da mesma maneira que queremos que os nossos sejam respeitados...

                     Nesta fase democrática das eleições em nosso pais, as escolhas pessoais partem muitas vezes para situações onde nossos direitos são atropelados pelos nossos deveres. São centenas que fabricam, copiam, ou compartilham nas redes sociais temas relativos aos candidatos deste segundo turno. Alguns pejorativos, outros defendendo ponto de vista totalmente alheio ao pensamento de quem lê ou interpreta. O respeito está sendo substituído pela falta de formação pessoal.

                     Não estou a julgar A ou B. Cada um tem sua escolha pessoal e tem o direito de dizer sim ou não a que escolheu. No entanto esquecem alguns que muitos não coadunam com sua postura e ou seu método de interpretar. Estamos a ver tantas coisas nestas eleições que às vezes assustam. Quando adultos leem e pelo menos não sabem definir se são noticias falsas ou não? E as crianças?

                    Quando você copia, posta ou compartilha deve lembrar-se que muitas crianças que navegam nas redes sociais estão lendo e ainda não sabem definir o certo e o errado. Cenas e fotos incríveis são postadas. Não se sabe mais o que é certo e errado. Cenas sangrentas, fotos inverídicas, uma gama enorme de publicações que adultos postam sem perceber que as crianças estão lendo e muitas vezes acreditando.

                   Tenho três páginas no Facebook. São três devido a enorme procura de muitos que desejam se tornar meus amigos virtuais. Quando um deles posta tal mensagem ela é lida por todos os demais amigos virtuais da página em questão. Se ele é parte do Movimento Escoteiro o que pensar da responsabilidade do adulto com a criança/escoteira?

                   Não sei se estou certo e nem quero interferir na escolha de alguém. Acredito no respeito ao próximo, acredito no exemplo pessoal seja eu pai ou Chefe escoteiro. Acredito no bem ao próximo, acredito que alertar é válido, mas forçar situações ignóbeis, mesquinhas não podem trazer benefícios a ninguém principalmente nos jovens do movimento escoteiro que um dia resolvemos nos tornar “chefes” deles que acreditam nos seus lideres no que dizem fazem e agem.

                   Sei que muitos ainda desconhecem suas responsabilidades. Ser Chefe Escoteiro não é fácil. Requer uma série de compromissos, comprometimento e obrigação e isto deve ser observado por cada um que abraçou a causa. O exemplo acima de tudo. Somos um movimento de formação educacional. Não substituímos os pais, a escola ou a religião. Somos parte integrante do todo.

                  Que cada um escolha seu candidato conforme manda sua consciência. A escolha é individual sem interferência de terceiros. Repito o que muitos dizem e exigem a sociedade ao seu redor: - Os seus direitos terminam onde começa os meus!
Obrigado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Se eu fosse um Chefe escoteiro...



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Se eu fosse um Chefe escoteiro...

Ah! Se eu fosse um Chefe escoteiro, não seria Chefe... Seria um amigo, quem sabe um irmão mais velho com um grande sorriso para meus escoteiros queridos...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, seria o primeiro a chegar à sede para um sempre alerta gostoso, um aperto de mão valoroso e um abraço como a dizer... Somos irmãos, nada mais...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, iria ouvir mais do que falar, entender mais que duvidar. E no final com todos ao meu redor perguntar: - Que tal nossa reunião?

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, iria mostrar a meus jovens amigos escoteiros, o que é compreender a mística, a simbologia e principalmente a natureza...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, com todos eles na sombra de uma arvore, iria cantar em sustenidos e bemóis, lindas canções escoteiras, que contam nosso passado e nossa vida nos acampamentos...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, em um belo sábado de sol, lá íamos nós na trilha escolhida por eles: - Chefe? Qual o caminho tomar? – Olhem o vento, sintam sua brisa na pele, sigam-no... Ele o vento sabe onde nos levar...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, daria o meu exemplo de vida, nas minhas virtudes, no meu modo de ser para que os meus escoteiros pudessem orgulhar... Do seu Chefe...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, iria fazer questão de estar bem apresentado, com meu uniforme engomado, bem passado, cobrindo o orgulho da apresentação e me sentir responsável para que meus escoteiros pudessem me seguir...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro, faria dos pais meus amigos, para trocar ideias, saber sobre seu filho e de que modo poderia ajudar...

- se eu fosse um Chefe Escoteiro, faria questão do crescimento de todos meus escoteiros, no seu adestramento, no seu programa e sentir as lágrimas caírem quando entregar um Lis de Ouro, ou um Escoteiro da Pátria ou até mesmo um cordão de eficiência!

- Se eu fosse um Chefe Escoteiro, eu seria um contador de história, uma não muitas... De valentes exemplos de homens e mulheres que eles e eu pudéssemos orgulhar. Contaria a história de Caio, de seus passos, de sua frase que marcaram para sempre os escoteiros do Brasil... “O Escoteiro caminha com suas próprias pernas”...

- Se eu fosse um Chefe escoteiro... Hã quantas lembranças quantas amizades, quantos amigos eu fiz. Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de aprender com os jovens escoteiros, meus amigos meus irmãos.  

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Como vivíamos antes de 1960?



Conversa ao pé do fogo.
Como vivíamos antes de 1960?


Eis uma pergunta interessante. Muitos jovens ao lerem esta crônica vão argumentar: - “Ora, vivi da mesma maneira que viveram nossos antepassados”. Será mesmo? Vamos ver se o raciocínio está certo. Vejamos como era a existência antes dos inúmeros eventos que surgiram nestes 68 anos e sem as mordomias científicas de hoje.

Nós nascemos antes da televisão, antes da penicilina, da vacina Sabin, da comida congelada, da fralda descartável, do Xerox, do plástico, das lentes de contato e da pílula. Nós nascemos antes do radar, do cartão de crédito, fissão de átomos, raio lazer e canetas esferográficas. Antes da máquina de lavar pratos, cobertores elétricos e ar condicionado e do homem na lua.

Nós nascemos antes dos direitos humanos, da mulher que trabalha fora de casa, da terapia de grupo, dos SPAS e dos Flats. Nós nunca tínhamos ouvido falar em vídeo cassete, DVD, computadores, vídeo games, celulares de ficção científica, “danoninhos” e rapazes de brinco e tatuagens. Nós nascemos antes dos antibióticos, dos transplantes de coração e do Viagra.

Todavia, mesmo sem este remédio a população decuplicou. Era uma época de famílias numerosas, oito a doze filhos... As moradas só possuíam um banheiro e é fácil de imaginar a fila de espera pela manhã. Casávamo-nos primeiro e só depois morávamos juntos. O casamento não era descartável. Os casais viviam junto durante muitos anos e acreditem, com os mesmos parceiros!

Gente estranha não?

Sexo era tabu. Motel? Tornar-se-ia apelido pejorativo de Hotel. Éramos tão inocentes que acreditávamos na existência de Papai Noel... E que a cegonha era mãe de todos os bebês. Nos nossos dias fumavam-se cigarros livremente. Erva era usada para fazer chá, coca era refrigerante, pó era sujeira, Biquíni era uma ilha do Pacífico e sacanagem era palavrão. Embalo era como se fazia para crianças ir dormir, Lambada era chicotada.

Fio dental servia para higiene bucal e malhar era coisa de ferreiro. Nós fomos à última geração tão boba, a ponto de que se precisava de um marido para ter um bebê. Além disto, éramos tão ingênuos que cedíamos lugar para uma senhora sentar na condução e pagávamos a despesa quando saíamos com a namorada.

Fazíamos escotismo a pé, andávamos quilômetros para encontrar um bom local de campo. Fazíamos nossas barracas, nossas mochilas, trabalhávamos ajudando vizinhos ou engraxando para comprar um chapéu, um Vulcabrás um cantil ou um canivete ou uma faca escoteira. Nosso transporte era uma carretinha de madeira que nos levávamos a alhures para admirar um nascer ou um por do sol.

Tínhamos um lampião a querosene, fazíamos pioneirías com cipós, lavávamos nosso uniforme no campo, completavam nossa alimentação com pesca, frutos do campo, abóboras, mandiocas e sopas de Lobrobô ou couve. Levávamos em nossas mochilas apenas o necessário, pois sempre usávamos as estrelas como barraca. Tínhamos uma porção a levar como intendência que chamávamos de ração A ou B ou C.

Éramos mateiros para ascender um fogo com boas achas para brasa e colocar ali uma banana verde uma cebola, uma batata, enrolar o pão do caçador para depois de tostado se deliciar? Como era gostoso fazer um churrasco no campo de patrulha. Não vale? Vale sim, uma noite fria, um bom fogo mateiro, caçar uns patos do mato ou marrecos, quem sabe uma carninha de tatu, uma cobrinha bem limpa e cortar em rodelas pequenas ficadas em espetinhos, ou de um belo Gavião que voou baixo e se danou? Bom demais.

 . Bem sei que hoje isto não pode, mas quantos patos selvagens ainda existem por aí? Naquela época dava sopa nas lagoas o Pato-do-mato, pato-crioulo, pato-bravo, cairina, pato-selvagem e o pato-mudo. Haja patos para encher a “pança” dos escoteiros. Risos. Não pode? Bem o respeito à natureza e a liberdade dos animais e pássaros precisam ser respeitados. Mas naquela época nós Escoteiros vivíamos da natureza selvagem. Na mochila não faltava meio quilo de sal, um vidro de gordura de porco, (quase não havia óleo de cozinha) eu gostava de uns dentes de alho e dependendo o lugar a acampar isto bastava. Lista de mantimentos? Meu Deus! Nem pensar.

A geração de hoje, talvez olhe para nós com cara de espanto, tentando saber como sobrevivíamos com tão poucos recursos e manias estranhas e esquisitas... Bem, nós nos contentávamos com o que tínhamos. Tínhamos o bonde e as praias despoluídas. Quando não era possível ir à Miami, fazíamos passeios à Ilha de Paquetá, Petrópolis, Santos ou Guarujá. Tínhamos as brincadeiras de rua, os bailes de formatura, as novelas da Rádio Nacional.

Curtíamos o delicioso namoro no portão, com todo respeito. E as favelas eram apenas temas de belas músicas. Também fazíamos passeios ao Joá, e ao Pico do Jaraguá ou na Barra que era então um grande areal. Existiam muitos terrenos baldios, onde a garotada se divertia e jogava pelada. E o mais importante, andávamos pelas ruas sem medo de assalto ou sequestro.

Parece muito pouco, quase nada comparado com a trepidante época atual. Com os roubos na Petrobrás, políticos desavergonhados, impeachment, Partidos sem postura e sem honra. Mas éramos felizes, inocentes, românticos e sem a terrível competição de hoje. Não é de espantar que estejamos hoje confusos e haja tamanha lacuna entre as gerações.

Mas nós vivíamos! Sim, nós vivíamos e continuaremos a viver, apesar das próximas invenções. Qualquer dia destes vamos ver como eram os escoteiros de 1950, outra época, outros tempos, mas era bom demais!  (baseado na postagem de Henrique Nigri).

domingo, 7 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Podemos servir de exemplo?




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Podemos servir de exemplo?

Neste dia onde todos se dirigem o pensamento para sua escolha pessoal dos novos dirigentes em nosso país, me deparei com essa velha crônica que me dá forças na escolha correta ou não que cada um de nós irá fazer hoje. Espero que gostem.

                     Convidamos Mano Velho Chefe de um grupo amigo, a fazer uma palestra para nossos chefes e a diretoria do grupo. Aproximava a data da Assembleia de Grupo e pedimos a ele que o tema abordasse o exemplo pessoal e o caráter de uma maneira geral. – Ele aceitou prontamente. Apresentado aos que não o conheciam, foi até eles e apertou a mão de cada um não faltando um abraço fraterno. Todos os olhos e mentes estavam dirigidas a ele quando começou sua palestra:

                     - Meus caros amigos chefes e diretores, me pediram para falar hoje sobre o exemplo. Sempre achei que sem exemplos em qualquer organização principalmente a nossa que lidamos com a juventude é primordial. Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única. Cada um tem o direito de pensar e agir conforme suas convicções. É um direito democrático. Estamos passando por uma fase de transição em nosso país. Nem sei quanto vai durar. Pode ser que em centenas de anos ainda não iremos atingir o consenso de concordância mútua. Se você age de maneira nervosa a cada esquina onde passa com seu carro discute, grita e se não tem a calma suficiente para cantar e pensar em flores quem sou eu para criticá-lo.

                    Se você em pleno dia de semana tem tempo para protestar junto a milhares de outros por algum que acredita porque seria eu a discordar? Afinal você tem tempo e eu não tenho. Se você sabe que seu filho vai lá nestes protestos e é preso ou mesmo uma selvageria policial acontece com ele o que posso dizer? Ele é inocente? Bem o meu não estava lá. Eu o eduquei de outra maneira. Ele era um Escoteiro. Isto até que é compreensível. Uns querendo mais direitos, mais condições de vida e outros aproveitando a boa fé para prejudicar alguém que não prejudicaram você ou todos que estão ao seu lado.

                    Parar uma cidade e alardear que são os tais, prejudicando o cidadão com seu veículo que depois de um dia de luta em seu emprego volta para casa cansado e eis que: - Centenas de pessoas estão na rua, fechando tudo, batendo no seu capô, chutando, riscando e amassando seu veículo não se entendo este modo de protesto. E quando uma ambulância ao socorrer alguém não consegue chegar a tempo em um hospital por causa de ideologias e/ou fatos que não estão em minha opinião dentro dos princípios do respeito mútuo. Não encontro justificativa para isto.

                      Lembremos que o meu direito termina onde começa o seu. Eu tento entender a mágoa de muitos, alguns tem e não podem e outros podem e não tem. Como justificar um  panelaço, a vaia? Fiz como todos as minhas escolhas. Se eu escolhi errado o erro foi meu. Não sou fã do que está aí, minhas escolhas foram criteriosas, procurei saber em todas as eleições em quem estava dando meu voto. Sempre achei que ele para mim tem um valor enorme. Respeito não significa concordar, apoiar. Respeito sim por uma autoridade constituída.

                      Pecamos por amar um país lançar uma bandeira do Brasil no ar, cantar nosso Hino Nacional e não sabermos respeitar quando se faz a ocasião. Nossos filhos estão aprendendo a vaiar, a defender bandeiras sem saber se são certas ou erradas. Nossos exemplos se perdem, mas não julguemos que tudo vai mal. Não são todos. Uma pequena parcela em ação e outra em casa tomando posições.

                      - Um amigo meu que foi visitar o Japão ficou várias horas em uma esquina só para provar que alguns japoneses jogam papel no chão, cospem e falam palavrão. Ele desistiu cinco horas depois. Ainda bem que no escotismo ensinamos civilidade, amor à pátria, cidadania e a todo o momento lembramos o que é ética e honra.

                       Fico triste quando convidado para um aniversário em casa de um Escoteiro e ao sair fico penalizado com o responsável que me convidou. O chão cheio de copos e papel. Mesas sujas e uma grande falta de respeito com os demais que ali estão. E cantar os parabéns? Não cantam, inventam, misturam a letra e música. São escoteiros? Não devem ser. Mas estavam de uniforme. Pobre Brasil. Quanto tempo ainda para ver e sentir que meu direito termina onde começa o seu? – “Eu te amo meu Brasil, eu te amo, ninguém segura à juventude do Brasil”!

                        Uma forte palma escoteira ecoou no ar ao termino da fala de Mano Velho. Exemplos, ah! Exemplos. Seja o exemplo de tuas palavras e haverá um momento em que não precisarás dizer nada sobre coisa alguma. Tuas atitudes falarão por ti!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Totens e nomes de patrulha.



Conversa ao pé do fogo.
Totens e nomes de patrulha.

Baden Powell dizia que cada Patrulha num Grupo deveria ter o nome de um animal e que era bom critério escolher apenas animais e aves que se possam encontrar na região. Baden Powell achava também que "Cada escoteiro deve saber desenhar sumariamente o animal da patrulha e servir-se do desenho como assinatura." Baden-Powell fez os desenhos de muitos animais que escolheu para um possível patrulha. Isto não significa que quando da constituição de uma patrulha seja discutido entre seus membros um nome diferente ao aqui sugerido. A foto que acompanha exemplifica o que B-P pensava.

"Totem" é uma palavra dos índios algonquinos. Designa, simplesmente, o "Brasão" ou as "Armas" de uma família. O "Brasão" era pintado ou cravado na maioria dos objetos usados pelo proprietário. As famílias dos índios americanos mandavam esculpir os seus Totens, quando podiam. Geralmente, eram altos pilares ou postes, e em geral, era um cedro admiravelmente trabalhado. O "Brasão" ficava no alto do poste e, em geral, era um animal selvagem, ave ou peixe. Os índios tinham-no como talismã e acreditavam que velava por eles e os protegia.

 É em relação ao totem que as coisas são classificadas em sagradas ou profanas dentro da coletividade. Henry Schoolcraft, ao analisar os totens tribais da América do Norte, disse: "o totem é, na verdade, um desenho que corresponde aos emblemas heráldicos das nações civilizadas e que cada pessoa é autorizada a portar como prova da identidade da família à qual pertence. É o que demonstra a etimologia verdadeira da palavra, derivada de 'dodaim', que significa aldeia ou residência de um grupo familiar".

Cores e sugestões de animais ou pássaros para escolha de uma patrulha.

Jacaré verde e caqui. Antílope azul escuro e branco - Texugo lilás e branco – Morcego azul claro e preto – Urso Castanho e preto – Garça cinzento – Hipopótamo rosa e preto – Cavalo preto e branco – Cão alaranjado – Hiena amarelo e branco – Castor azul e amarelo – Alcaravão cinzento e preto – Melro preto e caqui – Búfalo vermelho e branco – Touro vermelho – Chacal cinzento e preto – Canguru vermelho e cinzento – Francelho azul escuro e verde – Guarda Rios azul de alcião – Leão amarelo e vermelho – Cão de Fila azul claro e castanho – Tetraz castanho e cinzento – Gato cinzento e castanho – Gralha preto e vermelho – Cobra Capelo alaranjado e preto – Esmerilhão azul escuro e castanho – Mangusto azul escuro e alaranjado – Noitibó preto e amarelo – Lontra castanho e branco – Mocho azul – Galo vermelho e castanho – Corvo Marinho Preto e cinzento – Galeirão purpura e cinzento – Cuco cinzento – Maçarico verde – Pantera amarelo – Pavão verde e azul – Pavoncino verde e branco – Pelicano cinzento e roxo.

- Andorinha branco e alaranjado – Rola cinzento e branco – Águia verde e preto – Elefante púrpura e branco – Falcão castanho e alaranjado – Raposa verde – Faisão castanho e amarelo – Tadoma castanho e cinzento – Papagaio do mar cinzento e amarelo – Quati preto e castanho – Carneiro castanho – Ganso Patola amarelo e azul escuro – Cerceta castanho e verde – Tarambola Dourada alaranjado e cinzento – Lagópode castanho claro e escuro – Açor cor de rosa – Cobra Cascavel cor de rosa e branco – Corvo preto – Rinocerante azul escuro e alaranjado – Gaivota azul claro e escarlate – Foca vermelho e preto – Squa azul escuro e caqui – Narceja azul escuro e escarlate – Gazela escarlate e amarelo – Esquilo cinzento e vermelho escuro – Veado roxo e preto – Estorninho preto e amarelo – Cartaxo castanho e preto – Cegonha azul e branco – Petrel azul escuro e cinzento – Cisne cinzento e vermelho – Andorinhão azul escuro – Tigre roxo – Morsa branco e caqui – Noitibó Americano amarelo e castanho – Pato Marreco caqui – Javali cinzento e cor de rosa – Lobo amarelo e preto – Galinhola castanho e lilás – Pica pau verde e roxo – Pombo Bravo azul e cinzento.

Sugere-se que quando do inicio de uma patrulha, a escolha do seu totem e nome deve ser de comum acordo com todos os patrulheiros. Uma escolha é para sempre. Nunca se deve alterar ou mudar só porque uma nova patrulha anos depois achou melhor escolher outro animal ou pássaro. Afinal aquele totem tem muitas histórias para contar e muitos jovens tiveram a honra de segurá-lo ao dar o grito e ali depositaram sua confiança na patrulha e nos amigos que juntos estavam na patrulha.

Nota-se que B-P fez questão de colocar nomes da fauna de muitos países que adotaram o movimento Escoteiro.

Os nomes de patrulhas sempre deram orgulho aos que dela participaram. Até hoje muitos antigos escoteiros ainda dizem com orgulho de qual patrulha foram. Existem patrulhas da idade da criação do grupo, são aquelas que muitos antigos voltam à sede só para se ter o orgulho de segurar o totem e dar o grito que também é para sempre.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. A morte da árvore frondosa que eu tanto amei.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A morte da árvore frondosa que eu tanto amei.

Nota - Eu vi minha vida ramificando-se diante de mim como a figueira verde da história. Na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante... 

                        Eu a descobri por acaso. Não mais que a um quilômetro da minha residência. No final da Rua dos Afonsos. Nada que uma pequena caminhada para chegar até ela. Vi que era uma linda figueira. Enorme, Copada, uma sombra incrível ela produzia. Estava no meio do nada. Um matagal no final de rua. Apaixonei-me por ela. Durante três dias limpei o mato e o lixo em volta de sua sombra. Alí a gente se escondia. Pensei em plantar gramas e flores. Eu plantei uns chapéus de couro, lírios, flor de laranjeira, crista de galo e todas se deram bem.

                       Era meu cantinho. Era gostoso e perfumado. As tardes pegava um livro, jogava nas costas uma cadeira de praia e lá ia eu. Sentava-me, refastelava com aquela sombra gostosa e sem nenhum barulho eu viajava em meu livro nas páginas de sonhos que me levavam a terras longínquas de um mundo fantástico. Li uma dezena de livros acobertados pela sombra daquela árvore que passei a amar.

                       Eu ficava horas e horas sentado ao pé da árvore. Eu sabia que a amizade é como a sombra na tarde ela cresce até com o ocaso da vida. Tom Jobim dizia que quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Eu gostaria quando morrer ir para este lugar, onde as árvores vivem em paz. Minha bela vida de tardes sombreadas durou pouco. Um ano depois quando lá cheguei encontrei uns homens da prefeitura. Faziam medidas aqui e ali. – Oi! O que é isto? Perguntei. - A nova avenida. Isto aqui vai ficar mais agradável. Muitos carros, ônibus, novas casas, shoppings edifícios enormes você vai gostar!

                       Olhei para ele amargurado. Não sabia o que dizia. Ele não sabia que a civilização não trás a felicidade. E minha árvore? Perguntei. Vai ser cortada. Ela fica bem no meio do caminho e se no meio do caminho tem uma árvore ela não pode ficar! – O que posso fazer para vocês deixarem ela viva? – Nada meu amigo. Nada.

                                   Demorou seis meses. Vi com tristeza em uma manhã de segunda, caminhões, tratores a caminho do meu sonho das tardes assombreadas. Minha árvore ia partir. Senti um aperto no coração. Disseram-me um dia que um ancião é uma grande árvore que, já não tendo nem frutos e nem folhas ainda vive preso a terra como ela. Ainda bem que estou "Velho". Logo, logo também irei partir. A natureza não é mais a mesma. Não há respeito. Em nome da civilização ela é jogada como lixo em todos os lugares. A árvore quando está sendo cortada, observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira. Deu-me vontade de chorar. Iam rir de mim, o Velho chorando por uma árvore?

                      Eu sabia que a árvore não prova a doçura dos próprios frutos; o rio não bebe suas próprias ondas; as nuvens não despejam água sobre si mesmas. A força dos bons deve ser usada para benefício de todos. Minha amiga partiu para onde Deus lhe reservava um lugar em seu jardim do Éden. Eu sabia que todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que elas tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.

                     Voltei para minha casa tristonho, ainda tinha minha varanda meu canto. Mas que saudades da minha linda árvore que um dia amei e que achei que iria viver para sempre presa nas minhas saudades acreditando que durar para sempre!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

No dia dos idosos, uma dedicação para os que são como eu.



No dia dos idosos, uma dedicação para os que são como eu.

Nota – Hoje dia do idoso (será que sou um?) me lembrei dessa crônica e resolvi postar novamente. Abraços fraternos a todos que são idosos como eu!

Tô Velho, que coisa boa!

“Deus entregou aos velhos um grande benefício em lugar da memória - a prudência obtida pelo uso das coisas e um juízo mais agudo e eficaz”.

Ei Velho, você gosta de ser Velho? 
                 Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo. Eu não me censuro por comer biscoito extra um doce ou um chocolate, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava, para ser sincero hoje não compro mais nada. Claro compro pão na padaria, laranja na feira e no calor adoro um sorvete. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.

                Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo escrevendo e postar no computador até às quatro horas da madrugada e dormir até meio-dia? Eu Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 50, 60 e 70, e se eu, ao mesmo tempo, sentir desejo de chorar por um amor perdido... Eu vou. Claro que não preciso, pois ao meu lado está o grande amor da minha vida. Se der vontade vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente e barrigudo, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles, também, vão envelhecer.

Eu sei que eu sou às vezes esquecido e costumo não lembrar-me de fatos da semana ou do mês. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

            Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata. Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho. Ele me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Portanto eu só tenho de agradecer a Deus por ser Velho. E quer coisa melhor que ser Velho, Escoteiro e metido a escritor?

domingo, 30 de setembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Código de Gilwell (Por John Thurman. Gilwell Chefe de Campo).



Conversa ao pé do fogo.
Código de Gilwell
(Por John Thurman. Gilwell Chefe de Campo).

Nota: John Thurman estava entre os primeiros chefes de campo do Centro Internacional de Formação em Gilwell Park, 1943-1969. Isto é, estas palavras não são do tempo de hoje, mas o seu significado tem um efeito enorme agora. Essas linhas se referem, principalmente, à relação que deve existir entre formadores e participantes do curso. Os pontos não são em ordem de importância, são todos importantes e têm valor em si:

1 - Oferecer uma "amizade" genuína a todos os chefes que vêm para aprender. Nós vamos dar-lhes a experiência que temos acumulado durante nossa vida Escoteira. A amizade é também a confiança, é acreditá-los tão capaz quanto nós mesmos. Aqui vamos encontrar muitas pessoas que são mais capazes do que nós. Qualquer ensino - aprendizagem é mais fácil quando existe um clima de amizade.

2 - Nós oferecemos "entender" seus problemas e necessidades a suas deficiências e limitações, devemos sempre lembrar que, se você vir a um curso é porque quer aprender, “não sei tudo, mas quero saber”. Nossos líderes são uma amostra do que a nossa sociedade. Deve haver em muitos o sucesso em suas carreiras e outros têm demonstrado sua capacidade em vários campos, especialmente dirigindo outros. Haverá chefes que não têm formação, mas fizeram o seu caminho na vida por causa de seu esforço e a sua tenacidade. Outros ainda são pessoas que não conseguiram na maioria nas empresas que trabalham se comprometer. Eles podem ser ricos ou pobres, profissionais ou artesãos, empresários, trabalhadores, etc. Nós vamos treinar as pessoas (e cada um é diferente dos outros) e nosso trabalho é fazê-los crescer e se desenvolver dentro sua própria personalidade individual, de modo que eles possam servir os meninos. Não tente cortar como uma tesoura o que vai dizer. Cada um é diferente. Se eu tiver nozes eu não espero que vá ter maçãs após o curso, não, mas vou tentar polir o máximo possível para ter as nozes no final.

3 - O "exemplo" é muito importante, e temos de mostrar o que somos aos outros. Se acreditarmos no Escotismo, ele vai continuar não só com palavras, mas com ações, atitudes, como agir, etc. Em outras palavras, dar o exemplo. As palavras se vão com o vento. Querer que a promessa estivesse viva, viva-a primeiro; se queremos que a fraternidade Escoteira seja uma prática primeiro vamos aos fatos, falar sozinhos é uma coisa e agir de outra.
 
4 - devemos ser "eficiente", isso não significa que somos um "sabe-tudo", mas o que nós poderemos fazer corretamente. É melhor dizer "não sei" do que afirmar, falar ou pensar sobre o que não sabemos, e que os participantes possam sair do curso sem equívocos.

5 - Nós temos que ser "atualizados" em nossos conhecimentos. O Escotismo é um movimento e um movimento está sempre em mudança, temos que saber finalmente, se ele deixou de Programar, se fez ajustes no último quadro, etc.; ver não é o que é melhor: e sim o poderíamos manter como ponto de partida e isto só nos atualizando através de leituras, discussões, comentários sobre os cursos chegaremos lá. Não só estamos dispostos a dar, mas para receber.

6 - Os participantes do curso são "adultos" e temos que tratá-los como Adultos sempre. Podemos ter de perguntar algo e exemplificar com se eles fossem escoteiros, mas mesmo assim considerar que são adultos agindo como escoteiros.

7 - Devemos ser "positivo" no que dissermos. Em um curso, não devemos questionar o que já foi aprovado, um curso não é uma conferência que vale a pena olhar para atualizar o existente. Critérios devem ser deixados bem centrados.

8 – Devemos ser "entusiasta". Pelo entusiasmo de muitos líderes se expandiu Escotismo. Tudo pode ser compreendido ou perdoado num formador (adestrador), mas a falta de entusiasmo podem transmitir pessimismo e muitos valores contrários.

9 - Devemos ser "leal".  Leal a todos quem trabalham e colaboram leais ao nosso movimento, leais a política a ser seguida e em um momento, qualquer palavra contra a lealdade é um escândalo para os participantes verdadeiros em nossos cursos. O Adestrador (formador) em seus cursos ou outros eventos de formação não é quem deve questionar a política, administração, a organização ou pessoas. Nosso trabalho como Adestradores (formadores) é apoiar, ajudar, ajudar, etc.

10 - Ter "senso de humor". O treinamento para ser eficaz, deve ser bom, mas se perdem em forças rejeitar o que não gosta, portanto, um formador que não consegue superar os momentos da vida difícil fica amargo. Um senso de humor vai fazer-nos rir de nós mesmos, dificuldades, etc. E nós vamos apresentar o treinamento com uma atmosfera amigável.

11 - "Esforço" é uma palavra que devemos ter em mente. Esforço para melhorar a nós mesmos todos os dias, e todos os esforços para dar efetivamente o que esperamos conhecer cada participante e treiná-los de uma forma que atenda a sua formação suas necessidades; esforços para tentar ser o melhor e não se contentar com pouco, esforço para atingir o cume e, não ficar contente em permanecer no vale.

12 - "Tradição" é um bom servidor e bom servo, um bom professor e mais pobres padrão. Formação é a guardiã das tradições, mas devemos fazê-los conhecer o Escotismo e não seus freios. Tradição é o passado que nos impulsiona a servir melhor, para que possam se atualizar. “A tradição não deve frear“, porque se antes eles fizeram isso, a plataforma para agir no espírito de ontem ou de hoje é quem nos ajudará sempre. Hoje, amanhã e sempre.

 Todos os itens não são assim tão importantes, mas apenas uma reflexão sobre alguns pontos que podem nos ajudar a melhorar, a nós mesmos como formadores. Claro, se tivermos em mente todos os dias e, especialmente, quando agimos como formadores.

sábado, 29 de setembro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Totens, uma antiga tradição esquecida.



Conversa ao pé do fogo.

Nota - Totem significa o símbolo sagrado adotado como emblema por tribos ou clãs por considerarem como seus ancestrais e protetores. O totem costuma ser um poste ou coluna e pode ser representado por um animal, uma planta ou outro objeto. ... Os totens são vistos como talismã, objetos de veneração e de culto entre o grupo.

                      Esta é uma tradição muito antiga no escotismo, parte da mística escoteira que vemos citada quando chefes mais idosos são mencionados e que atualmente está em desuso. Por isso que Benjamin Sodré era chamado Velho Lobo, Glaucus Saraiva era conhecido por Uirapuru, Jarbas Pinto Ribeiro era Quati e tantos outros.  Além da tradição passada de ouvido a ouvido, existe uma base documental, o livro Sempre a Direito, publicado em Portugal pela Editora Educação Nacional, escrito por Léopold Derbaix, com citações do próprio Baden-Powell. No capítulo “Os Tótemes”, páginas 298 e 299, o autor faz a seguinte explanação que está transcrita na forma original, sem mudanças no idioma ou estilo:

                          “Cada escoteiro terá, igualmente, o seu nome de guerra: o seu tóteme”. Eis aqui uma inovação que muita gente critica e que, pelo contrário, revela a admirável sagacidade pedagógica de Baden-Powell. A mania das alcunhas e dos sobrenomes constitui um fato inegável, quer na caserna, quer nos colégios. Em vez de um nome puramente convencional, quase todos preferem designar os indivíduos por uma expressão incisiva ou maliciosa, nem sempre inocente, através da qual ressaltem os seus pontos fracos ou seus defeitos.

                         Baden-Powell aproveita esta mania, que sabe perfeitamente ser impossível de combater; não só a torna inofensiva, mas tira dela todo o partido possível, utilizando-a com uma finalidade educativa. “Ele gosta que se dê um nome de guerra a cada escuta, o nome de qualquer animal que possua um sinal característico da personalidade do interessado e que lhe recorde uma qualidade que lhe falta ou um defeito que ele deve combater.”

          Nos grupos escoteiros brasileiros que adotavam esta mística, a prática costumava ser que cada membro ao entrar para o grupo, mesmo que lobinho escolheria um animal para ser chamado e servir de alcunha. Ao mesmo tempo, também poderia escrever uma pesquisa sobre o referido animal, descrevendo seus hábitos e características. Não era recomendado que fossem nomes de patrulhas do grupo nem totens que estivessem sendo usados por outros jovens naquele momento, para evitar confusões. Os que voltavam a ser usados em outros tempos recebiam números em romanos, tipo Jacaré II, Panda III.

          A prática desta tradição revela situações inusitadas promovidas pelos jovens que valem alguns relatos. Muitos destes totens acabam virando apelido de rua dos jovens, especialmente em lugares onde estes têm convivência também fora do grupo escoteiro. O inverso também ocorre com o apelido da rua virando o totem, quando já era um nome de animal. Outras vezes, o totem se estende para o seu irmão mais moço, que fica conhecido pelo diminutivo, algo tipo o coruja e o corujinha. Por vezes o escoteiro escolhe um totem e os outros acabam adequando o novo apelido, como o menino que escolheu pastor alemão, mas dada a sua personalidade, o totem foi adaptado para cachorro louco.

          Enfim, esta prática antiga é muito interessante e pode se tornar uma boa ferramenta para evitar o bulling, uma vez que o próprio escoteiro escolhe o apelido, evitando situações jocosas ou pejorativas. Particularmente, a empregamos em nosso grupo escoteiro com sucesso até os dias de hoje, onde todos, inclusive os chefes, tem seu totem.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Histórias para contar. Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!



Histórias para contar.
Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!

Nota – Uma história fictícia de Baden-Powell na sua nova morada no céu. Apenas para divertir, pois se existisse realmente a Colônia Fraternidade seria um local ideal para reviver toda a felicidade de um dia ter sido escoteiro.

               A vista era maravilhosa, debaixo daquele enorme castanheiro em um banco simples de madeira feito por ele mesmo estava sentado Lord Baden-Powell. Todas as tardes ficava ali olhando seu planeta azul que se destacava no infinito entre milhares de estrelas brilhantes. Suas lembranças ainda estavam vivas. Morava em uma Colônia que tão singelamente batizaram de “Fraternidade”. Era uso fruto dos Escoteiros que um dia partiram para as estrelas.

               Lord Baden-Powell fazia questão de receber todos com um sorriso com um aperto de mão um abraço dos que chegavam da terra. Sorrindo dizia que armassem a barraca no campo mais verde, nas campinas mais florida onde o jorro de uma nascente ou cascata acontecia, e árvores frutíferas que proliferavam. Absorto em seus pensamentos Lord Baden-Powell viu chegar seu amigo Kenneth Maclaren. Amigos de longa data desde a Guerra do Transvaal e do primeiro acampamento em Brownsea. Eram grandes amigos e sempre se reuniam ali.

                - Recebi seu recado General – Disse Kenneth. Lord Baden-Powell sorriu. Era um amigo inseparável. Outras colônias o queriam, mas ele recusou todas. Era um amigo de verdade. – Sabe Kenneth, preciso de um favor seu – As suas ordens meu General! – Baden-Powell riu e prosseguiu. Tem vários anos que não vou a terra e não sei como vai o escotismo por lá. Você sabe que breve eu irei para uma colônia de mais luz e de lá não sei se posso ajudar os escoteiros da terra. Tire uma semana faça um percurso no planeta e na volta me conte o que viu. Veja como está o método o aprender fazendo e se o sistema de patrulha está perfeito. Veja também se eles mantem muitas das tradições que deixamos.

                – Irei nesta semana mesmo General. Kenneth se despediu não sem antes deixar lembranças a Lady Olave St. Clari Soames, a esposa de BP. Logo que ele partiu Lord Baden-Powell avistou John Thurman com recém-chegados em um curso de chefes. Ele sabia que John um antigo diretor de Gilwell Park era mestre em cursos deste tipo. Sua colônia tinha muita gente boa. 

                   Na semana seguinte seu amigo Kenneth o procurou. – Já de volta? Disse BP. Já General. E olhe não trago boas notícias. BP só ouvia. O convidou para sentar no banco do Castanheiro seu lugar preferido. – Eu sei General o senhor fez questão de fazer uma réplica de um que existia em Mafeking. Lembro que o senhor adorava ficar lá sentado pensando sobre a guerra. Pois é, mas me conte.

                  - Para dizer a verdade General o escotismo hoje na terra não é mais o mesmo. Estão fazendo grandes modificações. Falam em escotismo moderno, estão esquecendo o método, deixaram de lado a associação para se transformarem em organizações. Uma liderança mundial chamada de WOSM ou OMME tem aprontado poucas e boas.

                  BP. Já sabia deste pormenor. Não havia como mudar. Olhe General rodei vários países, mas demorei mais no Brasil. Sei que o senhor nunca esteve lá e é uma pena. Um belo país com excelentes chefes voluntários acreditando que podem ajudar a juventude. Pena que lutam só. Os dirigentes da nação desconhecem o escotismo e aproveitam deles para plantar árvores, limpar praças, ajudar nas calamidades e carregar viveres para os necessitados. Eu sei que a ajuda ao próximo é bem vinda. Mas acampamentos? Técnicas Escoteiras? Quase nada. Para eles valem os encontros nacionais e internacionais.

              – Me diga falou BP sabe se o Escoteirinho de Brejo Seco conseguiu ir em um Jamboree? Nem pensar General. A taxa que cobram é só para ricos. Hoje para se fazer escotismo tem preço para tudo. A liderança taxa tudo que fazem. Dizem que não há almoço grátis. Tem uma loja que só eles podem vender seus produtos e os preços não são acessíveis. Os mais pobres e humildes não tem vez. A palavra de ordem é: - Escotismo é para ricos! – Olhe General, a direção escoteira brasileira se apropriou de muitos termos e programas que o senhor fez. Registrou tudo como se fossem os donos. Surgiram outras associações e são tratadas a ferro e fogo. Todas levadas às raias dos tribunais de justiça. O sexto artigo foi esquecido.  

                 As mudanças surgem por meia dúzia. Não existem pesquisas e consultas as bases. Um estatuto feito por eles mesmos ditam as normas. Produzem fatos para continuarem na liderança, só falam em escotismo moderno, estão apagando nosso passado, as tradições acabando. Quer saber general? É comum colocar o lenço amarrado nas pontas e se dizer Escoteiro. Tudo aquilo que o senhor falou de garbo e boa ordem não existem mais. Eles agem sem consultar ninguém. Não há transparência do que fazem.

                  Lord Baden-Powell pensativo olhou para o seu planeta azul. Pediu ao Senhor que suas idéias não fossem desvirtuadas, que o amor e a fraternidade nunca deixassem de existir. Ele lembrou da conversas com John Thurman. – General, em 1954 antes de vir para cá, deixei para eles uma mensagem onde escrevi com todos os meus conhecimentos adquiridos uma carta que intitulei de os Sete Perigos. Falei sobre administração, sobre centralização, Seriedade demasiada, falei sobre exclusividade transparência e austeridade. Disse o que o senhor pensava sobre o escotismo entre os pobres e terminei dizendo que os únicos capazes de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Finalizei dizendo que se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado autossuficientes, poderemos arruinar o Movimento.

                 Lord Baden-Powell perguntou ao seu amigo Kenneth: Sabe me dizer se o Vado Escoteiro já chegou? – Não General, ele ainda vai ficar na terra por mais alguns tempo. Anda a escrever sobre escotismo como o senhor pensava, mas não é levado a sério pelos dirigentes.

                 BP calou. Viu que era a hora do cerimonial de Bandeira que todas as tardes acontecia em sua colônia. Pelo menos ali a disciplina, a fraternidade e o respeito era comemorado todos os dias da semana. – Parou cumprimentou a todos na enorme ferradura e ao comando de arriar a bandeira fez sua saudação Escoteira com orgulho.  Ele sabia que nunca deu procuração a ninguém para falar em seu nome. Afinal o escotismo não tinha dono, ele era dos que quisessem seguir sua cartilha. Olhou de novo o planeta azul ajoelhou e pediu ao Senhor que fizesse da Terra um mundo feliz para todos os Escoteiros!