sábado, 20 de abril de 2019

Eu? Sou um contador de histórias... Escoteiras!




Eu? Eu sou um contador de histórias... Escoteiras é claro!


E aqui terei o máximo prazer em receber você. Bem vindo.  Escrevo tudo que penso e o que aprendi como escoteiro por quase 70 anos. Concorde discorde, deixe seus comentários. Meu fraterno abraço e breve outro conto outro artigo escoteiro. Sempre Alerta!

Oba! Oba! Aconteceu... Eu fui ao Jamboree do Brasil.




Oba! Oba! Aconteceu...
Eu fui ao Jamboree do Brasil.

Prólogo: - O meu jamboree foi diferente. Sem terras do arrebol. Cantei uma canção dolente e na entrada me disseram chispa! Prá onde seu Staff? Pru diabo que o carregue! Aqui só entra a turma endinheirada, se não pode pagar vá acampar em Brejo Seco. Você não é amigo do Escoteirinho pobretão e o Zé das Quantas do salário mínimo? Ué, “Minino” vou te contar, meu jamboree foi demais.

        Beleza! Avistei do alto do morro a entrada do Jamboree. Sorri de orelha a orelha. Quanto tempo eim? Pensei. Fazia tempo que não ia a uma atividade assim. Já estava “aperreado” de tanto ficar em casa. Precisava escoteirar, andar por aí, abraçar alguém dizer Sempre Alerta, Melhor Possivel ou Servir. Sempre recebi muitos convites, mas sempre num cantinho estava escrito: - Tem taxa – E neste jamboree a Taxa era 680 paus sem merenda, sem lanche, sem rancho ou rango. Pagando com antecedência 679 paus. Como um Velho duro e aposentado como eu podia ir? De graça? E o Chefe na portaria me cobrando? – Pendure meu amigo. O Chefe tá duro! Valha-me Deus.

        Estava mesmo difícil fazer escotismo hoje em dia. Sem tostão sua vida escoteira não vale um vintém. Eis que cheguei à porta do Jamboree. Seria Impossível imaginar quanta gente presente. Quem sabe encontraria amigos meus que fiz e nunca vi pessoalmente? Garbosamente marchei na trilha que me levava à entrada do campo. – Cantarolava uma velha canção do passado: ♫♫♫Aonde vais tu, oh Escoteiro, com teu bastão lesto a marchar! Candência certa passo certeiro, aonde vais tu a acampar?

         Eram ônibus, caminhão, automóveis e até helicópteros. Escoteiro rico é outra coisa. Duas patrulhas de jovens Suecas lindas passaram sorrindo com suas sainhas curtas. Deram-me um tchauzinho. Beleza! Escoteirada bonita, alegre cheia de espírito de B-P. No portão fui entrando seguindo a escoteirada. Meu caqui estava soberbo. Bem passado, botões abotoados. Lenço de Insígnia bem dobrado, minha botina preta brilhava. De raiva coloquei minhas jarreteiras verde e amarela. Pensei em colocar meu distintivo de Primeira classe e meus cordões de eficiência. Não podia, Chefe não usa. Mas eu metido a Boy Scout coloquei meu penacho verde amarelo no chapéu.

          Mesmo com meus barretes mandei fabricar uma estrelinha de 72 anos e preguei na camisa sem dó e sem piedade. Fundo azul como se fosse Chefe de Grupo. Uma voz na consciência disse: - Vado escoteiro, isto não existe mais. Agora é Diretor Técnico. Puxa! Nome pomposo, garboso supimpa! – A minha mochila verde garrafa do exército Inglês brilhava. Minha faca John Rambo à direita, a machadinha foi presente de Uncas filho de Chingachgook um dos Ultimo dos Moicanos. Ela fazia jus a sua fama. Meu cantil Guepardo Western da última guerra estava cheio. Nada de água, só o puro uísque Chivas 18 anos. Afinal água se achava em qualquer lugar, uísque não e eu um Chefe Escoteiro importante só posso beber do melhor.

           Marchando garbosamente ia junto a uma patrulha escocesa brilhando com seus saiotes Kilt coloridos. Parecia o famoso Tartan do Clã dos Maclaren usado nos lenços da Insígnia de Madeira. Estava adorando. Finalmente ia acampar. Na cancela alguém gritou: - Ei velhote! Aonde vai? Respondi cantando: ♫Prá longe eu vou, a pátria ordena, sigo contente meu monitor... Ele fechou a cara. Nem pensar! – Doutor do Staff, eu disse. Só uma noite e logo vou partir. Só quero matar saudades... Por favor!

          – Ele me olhou enviesado: - Fez a inscrição? Pagou? – Eu não Doutor Stafado! Pensei em ficar só um dia e não ia precisar. - Precisa sim. Sem pagar não entra nem com suas medalhas fajutas. Poxa! Fajuta minhas medalhas? Ganhei há tanto tempo e foi de graça! – Moço pagante do Staff da EB, deixa ficar algumas horas somente. Logo vou embora! – Esqueça velhote, vá acampar em outra freguesia. Aqui sem taxa nem morto, nem se fosse Baden-Powell! – Coitado do velhinho até hoje é esquecido pelos grandões da EB e que não dão o mínimo valor aos seus métodos.

             Pensei em dar nele uma bastonada na cuca. Lembrei-me que escoteiro é cortês. Insisti e ele fechou a cara e gritou! Leandro do Staff vá chamar mais vinte dos Stafados que pagam para trabalhar e levar este velho chato de galocha daqui! Não demorou e logo chegou à turma Stafada. Eram de arrepiar. Tinha Chefe barrigudo, cabeludo e barbudo de fazer dó com a tal camisa da vestimenta solta na pança. Os donos do poder chegaram logo. Eram onze. Alguns com aquele sorriso fajuto e outros com cara de mau e com camisa solta, sandália, lenço amarrado nas pontas, cabeludo e barbudo. Bem cada um veste como quer quem sou eu para condenar! Kkkkkk.

         – Então é você? Um gritou. – Eu doutor Dirigente? Eu sou um pobre Velho Chefe Escoteiro, que não tem onde cair morto Excelência. Melhor mostrar respeito. Afinal eram os donos da EB e podiam me processar. – Aqui você não entra, nem pagando velhote. – Doutor, tô duro, sem cartão e cheque, não tem fiado e nem caderneta para pagar no fim do mês? – Necas, Gente da tua espécie não acampa! – Mas Digno Doutor dirigente, que espécie sou eu? – Espécie naftalina. Só vive no passado e acha que seu tempo era melhor que o nosso! Ah! Ah! – Então era assim? Escorraçado do Jamboree só porque sou um Chefe naftalina? Desta vez não ia deixar de barato. Chega de o barato ser marido da barata!

             Agora era hora de usar minha força de Ulisses, do tronco de Stallone, do sorriso brejeiro de Schwarzenegger. Fiz a velha pose de Shaolin. Lembrei-me de Jackie Chan, Bruce Lee e Jet li. Afinal não fui campeão de Briga de Galo quando era um raquítico Escoteiro? Não entrei na caverna do Morcego e enfrentei a morcegada só de cueca? Essa turma do CAN e da DEN ia ver quem era eu. – Não posso entrar? Tá bom! Vocês vão conhecer a força de um Velho Chefe conhecido como Vado Escoteiro, o famoso escriba da Patrulha Lobo. – Lembrei-me da pose de Daniel San, o lutador de Karaté: - Pedi ajuda ao Sr. Miyagi. A luta foi “braba” peguei um Diretor pelo “cangote”. Notei que a sua camisa era verde garrafa. Turma danada gostam de mudar de cores. Levei um sopapo na testa outro na “zoreia” e tudo rodopiou.

          Acordei caindo da cama e a Célia como sempre correndo para me socorrer. – Mulher! Gemi. Apanhei prá xuxú. Esta turma do Staff e do CAN não é mole. Agarram no cargo como carrapato e não querem sair e nem me deixaram entrar no Jamboree! – Ela sorriu. Sabia que eu estava ficando senil. Pois é mulher, seu marido não está com nada. Ela deu uma gargalhada. – Porque não vai para a varanda ver o sol nascer atrás das montanhas? Montanhas? Hummm! Ela também estava como eu. Ali não tinha mais montanhas. Sumiram na modernidade da vida!

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Cruzeiro do Sul, Lis de Ouro, Escoteiro da Pátria, Insígnia de BP e o escambal!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Cruzeiro do Sul, Lis de Ouro, Escoteiro da Pátria, Insígnia de BP e o escambal!

Prologo: - O que você poderia dizer das vantagens e desvantagem das exigências feitas pela UEB para ser um possuidor do Cruzeiro do Sul, Lis de Ouro, Escoteiro da Pátria e a Insígnia de BP? Como não acompanho as sessões pessoalmente e a validade do Programa Educativo e seus resultados, minhas opiniões são de um Velho Escoteiro do passado com outras exigências. Mas como diz o Lobinho, a gente abre os olhos e os ouvidos para tudo. E eu adoro meu lema Sempre Alerta!

                 Um dos principais sonhos dos jovens no escotismo é conseguir as Insígnias máximas validas para seu ramo. Que seja o Cruzeiro do Sul, Lis de Ouro, Escoteiro da Pátria ou Insígnia de BP. Existe um certo orgulho quando vemos um jovem lobo, escoteiro, sênior e pioneiro (não esquecer as meninas e as moças) recebendo. Isto deve ser para ele ou ela uma conquista que o fará se orgulhar por toda a vida. São poucos, no entanto que conseguem. Alguns dizem que são os mais abnegados, outros dizem que é um privilegio tal distinção. Não sei se já fizeram um estudo completo sobre as entregas de tais distintivos ou qual o motivo de tão poucos recebem anualmente.

                   Poucos? Bem não posso afirmar, não tenho os dados de quantos foram entregues em todo Território Nacional. Será que os estados do sul e sudeste tem os melhores chefes ou são mais privilegiados? Existem dados fornecidos para que possamos saber? Muitos alegam que tem as respostas e se tem porque não mostrar a todos o relatório dos que receberam por estados e quantos são? Um Chefe uma vez me perguntou: E daí Chefe, o que ajuda saber quantos e quais estados receberam? Parabéns pelo esforço que fizeram e esqueça o resto.

                  Bem, não penso assim. Sei de milhares de jovens que tentaram e não conseguiram. As informações que recebo são dos relatórios que costumo ler e nas reclamações de chefes que me escrevem sobre tais temas. Eu não posso afirmar se são muitos se são poucos. Seria uma boa pedida se tivéssemos noção de quantos lobinhos Cruzeiro do Sul passaram para a tropa e ali permaneceram até receber seu Lis Ouro, passando para Sênior e conquistando o Escoteiro da Pátria até atingir o pioneirismo com sua bela Insígnia e BP. Conhecem alguém assim?

                Se forem muitos deveríamos ter a menor evasão escoteira de todos os tempos. Fico pensando uma equipe bem montada estudando o porquê tão poucos jovens estão recebendo tais distintivos por ano. Pensemos sem entrar no fundo da questão: - Como fazer para conseguir tais distintivos? Os mais abnegados? Os que a chefia achou que mereciam? Quem os adestrou ou formou para atingir os objetivos propostos o que pensam a respeito? Se acharmos nestas respostas boas interpretações, porque não levar este tema a todas as sessões dos grupos escoteiros no Brasil? Afinal não se discute as exigências para qualquer nível de formação educacional e estado social das famílias que tem seus filhos Escoteiros.

                Como não temos uma pesquisa para saber o porquê muitos jovens saem do escotismo não sei se este seria um dos motivos para a evasão de jovens. Sei que muitos dos chefes tem as respostas na ponta da língua. Sei de muitos dirigentes e formadores que podem dar aulas a respeito. Claro que não podemos esquecer-nos do Assessor pessoal. Mas têm dado resultado? Perguntamos. Se não seria valido mudar? Alguns dirão que não. Outros dirão que o que está colocado é perfeito para que cada jovem possa conseguir o que outros não conseguiram.

                Fui Chefe de Tropa, de Alcateia, de Sênior e Pioneiro. Atuei como jovem em todas essas sessões e tive a honra de dirigir diversos cursos onde tal tema era preponderante para uma boa discussão em grupo. Na década de oitenta, chefiei um Grupo que em dez anos teve dezenas de jovens recebendo tais distintivos. Sabem por quê? Um dos nossos chefes se especializou nas exigências pedidas pela UEB e todos os processos eram bem feitos para contentar o responsável da Região e UEB em aprovar tais distintivos. Certo isso? Claro que não, mas a gente conhecia o jovem, vivia com ele e sua família, por causa de exigências que considerávamos absurda ele ficaria sem?

               Não posso condenar, mas sei de muitos que receberam por terem seus pais por trás nas sessões. Sei também de muitos pais que desistiram porque seus filhos não receberam e isto feriu susceptibilidades. Sei que isto não se compara a vontade dos chefes em receber sua Insígnia de Madeira, mas me coloco como menino que lutou para conseguir o que sonhou e não conseguiu. Datas incorretas? Exigências incabíveis para alguns chefes adestrarem seus jovens ou quem sabe o programa não está seguindo as orientações da UEB.

                Dizem que no próximo relatório da UEB teremos mais de 80.000 associados na idade entre lobo e pioneiro. Dizem também que já estamos passando de 20.000 chefes registrados. Fantástico não? Assim teremos uma proporção de pelo menos quatro escoteiro por adulto voluntário no Escotismo. Isto é bom? Quais os resultados podemos esperar? De uma coisa eu sei, seria bom demais que pelos menos dez por cento desses 80.000 jovens pudessem alcançar seu sonho de receber tal distintivo. Chefe! 8.000? Impossível. – Pois é...   

               Fica um ponto de interrogação nas minhas dúvidas no tal desenvolvimento sustentável ou Programa Educativo. Existe no Escotismo? Sei que os programas são aplaudidos, mas e os resultados? Tem pesquisa? Alguém já pediu informações aos responsáveis pelas sessões para que pudéssemos ter uma ideia do nosso crescimento qualitativo e Quantitativo? Nem sei se isso resolve, pois só os resultados poderão demostrar o sucesso da permanência do jovem no escotismo.  

                Às vezes penso que a burocracia e a tecnocracia está além das classes sociais que compõe os jovens associados da UEB. Nos finalmente eu torço e desejo que os grupos escoteiros mais humildes possam ver um dia seus jovens recebendo muitos distintivos de Cruzeiro do Sul, Lis de Ouro, Escoteiro da Pátria e a Insígnia de BP. Sempre Alerta para Servir! (sem o SAPS! Por favor! Risos.   

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!

Prólogo: - Crônica utópica tirada da minha imaginação. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

               A vista era maravilhosa, debaixo daquele enorme castanheiro em um banco simples de madeira feito por ele mesmo estava sentado Baden-Powell. Gostava de todas as tardes ficar ali, olhando seu planeta azul que se destacava no infinito entre milhares de estrelas no céu. Suas lembranças ainda estavam vivas. Morava em uma Colônia que tão singelamente batizaram de “Fraternidade”. Era uso fruto dos Escoteiros que um dia partiram para as estrelas. Lord Baden-Powell fazia questão de receber todos com um sorriso com um aperto de mão um abraço dos que chegavam da terra. Sorrindo dizia que armassem a barraca no campo mais verde, nas campinas mais floridas onde o jorro de uma nascente ou cascata acontecia, e árvores frutíferas que proliferavam. Absorto em seus pensamentos Lord Baden-Powell não viu chegar seu amigo Kenneth Maclaren. Amigos de longa data desde a Guerra do Transvaal e do primeiro acampamento em Brownsea. Ele sorria ao pensar nos demais amigos que moravam e se reuniam ali.

                Recebi seu recado General – Disse Kenneth. Baden-Powell sorriu. Sabia que ele teve muitas propostas de outras colônias no céu, mas recusou todas. Era um amigo de verdade. – Sabe Kenneth, preciso de um favor seu – As suas ordens meu General! – Baden-Powell riu e prosseguiu. Tem vários anos que não vou a terra e não sei como vai o escotismo por lá. Você sabe que breve irei para uma colônia de mais luz e nem sei se posso ajudar os Escoteiros terrenos. Se você tiver condições tire uma semana e faça um périplo na terra observando. Tente ver como está o método o aprender fazendo e se o sistema de patrulha está perfeito. Veja também se eles mantem muitas das tradições que deixamos. – Seu pedido é uma ordem general. Irei nesta semana mesmo. Kenneth se despediu não sem antes deixar lembranças a Lady Olave St. Clari Soames, a esposa de BP. Logo que ele partiu Lord Baden-Powell avistou uma tropa de chefes em curso comandada por seu outro grande amigo Chefe John Thurman. Ele sabia que John um antigo diretor de Gilwell Park era mestre em cursos deste tipo. Mesmo com alguns problemas sua colônia tinha muita gente boa. 

                   Na semana seguinte Kenneth o procurou. – Já de volta? Disse BP. Já General. Não trago boas notícias. BP não disse nada. Amigo vamos conversar em nosso ponto de reunião. Você sabe que eu amo sentar embaixo daquele castanheiro. – Eu sei General o senhor fez uma réplica de um que existia em Mafeking. Lembro que o senhor adorava ficar lá sentado pensando sobre as próximas batalhas. Pois é, mas me conte. - Para dizer a verdade General não tenho muito para contar. Desde a última vez que estive na terra que o escotismo não é mais o mesmo. Estão fazendo grandes modificações. Existe uma liberdade tal que mais parece uma indisciplina assistida. Países que se dizem modernos abrem mão em varias questões que em sua época não iriam acontecer. Uma liderança mundial chamada de WOSM ou OMME tem aprontado poucas e boas.

                  BP. Já sabia deste pormenor. Não havia como mudar. – BP balançou a cabeça convidando-o a continuar. Olhe General rodei vários países, mas demorei mais no Brasil. Sei que o senhor nunca esteve lá e fez muito bem. Eu até que gostei de muitos chefes que estão atuando, são voluntários de valor e tentam ao seu modo educar a mocidade. Pena que lutam só. As autoridades brasileiras desconhecem o movimento. Dizem que eles só sabem vender biscoitos e ajudam a atravessar idosos nos sinais de trânsito. Muitas cidades aproveitam deles para plantar árvores, limpar praças, ajudar nas calamidades e carregar viveres para os necessitados. Eu sei que a ajuda ao próximo é bem vinda. Mas acampamentos? Técnicas Escoteiras? Quase nada. Eles dão enorme valor aos encontros nacionais e internacionais e gastam fortunas com taxas para estarem presentes.

              – Me diga falou BP sabe se o escoteirinho de Brejo Seco conseguiu ir em um Jamboree? Nem pensar General. A taxa que cobram é só para ricos. Me contaram-me que os lideres gostam de cobrar. Afinal eles tem agora uma organização que dizem ser perfeita. Adoram taxar tudo que fazem e até cobram também do que os outros fazem. Tem uma loja que só eles podem vender seus produtos e os preços não são acessíveis. Os mais pobres e humildes não tem vez. A palavra de ordem é: - Escotismo é para ricos! - BP pensou: - Coitado do escoteirinho de Brejo Seco. – Olhe General, a direção escoteira brasileira se apropriou de muitos termos e programas que o senhor fez. Registrou tudo como se fossem os donos. Surgiram outras associações e são tratadas a ferro e fogo. Todas levadas às raias dos tribunais de justiça. Esqueceram do sexto artigo e estão esquecendo da fraternidade. Do nosso uniforme que usamos lá na terra muito foi alterado.

                 Fazem questão de praticar um escotismo moderno, estão tentando apagar o passado, as tradições e só se preocupam com o presente. Os novos chefes a gente sabe, passa a ser um hábito de comportamento e formação. Criaram novo uniforme e quer saber general? São mais de dezoito tipos a escolher. Disseram que um antigo poderia ser usado, mas não vendem as peças em sua loja. É comum colocar o lenço amarrado nas pontas e se dizer Escoteiro. Tem muita coisa general. Muita mesmo. Eles agem sem consultar ninguém. Não há transparência do que fazem. Pesquisas? Nunca existiram. Felizmente boa parte dos chefes são pais novos e desconhecem as tradições.

                  Lord Baden-Powell olhou para o seu planeta azul. Rezou muito. Pediu ao Senhor que suas idéias não fossem desvirtuadas, que o amor e a fraternidade através do escotismo seja em forma de uma grande fraternidade mundial. Lady Olave chegava com John Thurman. Este sorriu e disse – Eu já sabia General. Em 1954 antes de vir para cá, deixei para eles uma mensagem onde escrevi com todos os meus conhecimentos adquiridos. O chamei de os Sete Perigos. Disse tudo que poderia acontecer. Falei sobre administração, sobre centralização, Seriedade demasiada, falei sobre exclusividade transparência e austeridade. Disse o que o senhor pensava sobre o escotismo entre os pobres. Falei da sua simplicidade e do prazer do rapazes que faziam um escotismo simples. E terminei dizendo que os únicos capazes de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Finalizei dizendo que se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

                 Lord Baden-Powell perguntou ao seu amigo Kenneth: Sabe me dizer se o Vado Escoteiro já chegou? – Não General, ele ainda vai ficar na terra por mais algum tempo. Ele anda meio “pitimbado” mas escreve sobre escotismo e muitos não gostam do que diz. Os chefões e dirigentes nem dão bola ao que ele comenta. BP não disse mais nada. Era hora do grande cerimonial de Bandeira que todas as tardes acontecia em sua colônia. Pelo menos ali a disciplina, a fraternidade e o respeito era comemorado em todos os dias da semana. – Parou cumprimentou a todos na enorme ferradura e ao comando de arriar a bandeira fez sua saudação Escoteira com orgulho.  Ele sabia que nunca deu procuração a ninguém para falar em seu nome. Afinal o escotismo não tinha dono, ele era dos que quisessem seguir sua cartilha. Olhou de novo o planeta azul ajoelhou e pediu ao Senhor que fizesse da Terra e do Brasil um mundo feliz para todos os Escoteiros!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Conversa ao pé do fogo. A origem da palavra “Escoteiro”.




Conversa ao pé do fogo.
A origem da palavra “Escoteiro”.

Prefácio: - Muitos acreditam que o termo “Escoteiro” foi usado pela primeira vez no Escotismo. Neste artigo deixamos ao imaginário de cada um sobre esta palavra tão sobejamente dita com orgulho por nós que praticamos o Escotismo. ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam. (Tema já publicado anteriormente).

                       O termo escoteiro de acordo com o dicionário é definido como: Escoteiro; adjetivo e substantivo masculino. Desimpedido, sem bagagem, sozinho; membro de associação de meninos (as) ou adolescentes organizada de acordo com o sistema de seu idealizador Baden Powell.

                      ”A Adoção no Brasil do termo ”escoteiro” deve-se ao Dr. Mário Sergio Cardim, principal fundador da Associação Brasileira de Escotismo (ABE), com sede em São Paulo e do Escotismo feminino no Brasil.”. Sua utilização nesse sentido não é conhecida em nosso país, quando o Dr. Mário Sérgio Cardim descobriu que o substantivo “escoteiro” representava não apenas o “só”, bem como “pioneiro” e “lépido”, conforme lições de Herculano, Camilo, Gaspar Nicolau, Blutteau, citada pelo filólogo Candido Figueiredo.

                      Depois de uma palestra na “Rotisserie Sportman”, com Olavo Bilac, Amadeu Amaral e Coelho Neto, decidiu-se o Dr. Cardim pelo termo “escoteiro”, mais parecido com “scout”, e já empregado em Portugal (escutas), pelo Hermano Neves na tradução do livro de Baden Powell “Scouting for Boys”.
Submeteu a confronto os vocábulos “pioneiro”, “adueiro”, “vanguardeiro”, “bandeirante” e “escuta” que eram então propostos.

                      Esse termo foi oficializado pela Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, em seus estatutos impressos na casa Vaberden, em 1915, registrado na 1ª circunscrição de São Paulo, naquele ano, de acordo com a lei. Conforme o Relatório de 1914/16 da A.B.E., o Dr. Mário Sergio Cardim sustentou pelas colunas de “O Paiz” uma amistosa discussão com o Dr. Olympio de Araújo, membro da Academia Mineira de Letras, que defendia o termo “bandeirante”.

                     Afirma o referido relatório, na página 4: “Provamos então que “escoteiro” significa também corajoso, esperto, destro, etc.…, e que, “bandeirante” tinha o inconveniente de poder denunciar uma preocupação regionalista.” As organizações escoteiras que funcionaram no Brasil, antes da A.B.E., segundo nos consta, usavam ainda denominações em idioma estrangeiro, como é o caso do “Centro de Boys Scouts do Brasil” no R.J.

                     Também foi o Dr. Mário Sergio Cardim que utilizou pela primeira vez o termo “Sempre Alerta” para tradução de “Be Prepared”. Além do texto acima, também me socorro de um texto postado recentemente, por Fernando Robleño, que diz o seguinte.

                O vocábulo “escoteiro”, diferentemente do que se prega, não foi inventado pelas associações escoteiras. As primeiras aparições do termo “escoteiro” datam antes mesmo de Baden-Powell ou, no caso do Brasil, antes de Sergio Cardim (que, como todos sabemos, escolheu essa palavra, entre outras, para definir os praticantes do escotismo). Em 1879, por exemplo, a palavra “escoteiro” apareceu na obra “Cancioneiro Alegre”, de Camilo Castelo Branco. Pode ser visto, também, em “Lendas Indígenas”, de Gaspar Duarte, em 1858.

                        O vocábulo “escoteiro”, que até então era de uso comum, foi tomado de posse pelas associações escoteiras, todas elas. O termo só foi dicionarizado em 1780, e a inclusão do sinônimo “integrantes de um corpo ou unidade escoteira (sem fazer referência a uma associação) décadas mais tarde.”. Além disso, mais do que entender a origem do termo escoteiro, oportuno termos presente o significado do termo que lhe deu origem = SCOUT, que, traduzido do inglês literal, é o explorador, mateiro.

 BP define SCOUT como:
Um explorador ou esclarecedor militar, que, como sabem; é em geral, no exercito, um soldado escolhido por sua inteligência e coragem para ir adiante das tropas, descobrir onde se acha o inimigo e, informar ao combatente tudo o que puder averiguar a seu respeito. Mas, além desses exploradores que prestam serviços na guerra, há também os exploradores que servem na paz – homens que em tempos de paz executam tarefas que requerem a mesma dose de coragem e de engenhosidade. São os homens que vivem nas fronteiras do mundo civilizado.”

                     Scout é uma palavra familiar para as crianças da Inglaterra. Em 1900, ainda antes da libertação de Mafeking, apareceu uma série de histórias intituladas ‘The Boy Scout Scarlett’ e, a ‘New Buffalo Bill Library’ editada pela The Boy Scout na mesma ocasião.” Feitas estas considerações iniciais, está esclarecido que antes mesmo de BP, originariamente, o termo SCOUT era adotado para denominar o explorador, o mateiro e, SCOUTING, a ciência de explorar.

                    Que fique bem claro que os termos SCOUT (escoteiro) e SCOUTING (escotismo) não se originaram do Movimento Escoteiro criado por BP, mas ao contrário, BP utilizou estes termos porque pretendia que os jovens do Movimento Escoteiro fossem capacitados para se tornarem tão aptos quanto os SCOUT, através da prática do SCOUTING. Portanto, SCOUT e SCOUTING, e, ESCOTEIRO e ESCOTISMO não são nomes próprios originários do Movimento Escoteiro, mas substantivos comuns que denominava exploradores e mateiros e a ciência do que praticavam.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Conversa ao pé do fogo. Cerimonial de promessa.




Conversa ao pé do fogo.
Cerimonial de promessa.

Prólogo: Era o dia mais importante de sua vida. Ele lutou três meses para chegar lá. Agora sim ele sabia que era um escoteiro e irmão de milhões da Grande Fraternidade Mundial dos Escoteiros. Seus olhos molhados, seu coração batendo, iria viver outra vida e o Chefe dizendo: - Escoteiro! Sua promessa é para sempre!

                  Nonato sorria. Olhava para mim e naquele seu jeito de Monitor amigo e irmão de todos dizia: - Está pronto para fazer a promessa Betinho. – Foi um desafio. Desde que entrei meu Monitor me deu todo apoio. Ensinou-me tudo que eu precisava e me disse: - Olhe, aqui somos uma grande família. Por enquanto só vai usar a camiseta do grupo e só quando fizer a promessa poderá vestir o uniforme. Depende de você. Muitos se preparam em três meses, mas acredite, não basta saber as provas que lhe serão ensinadas, você tem de crescer na Patrulha e na tropa!

                 Nonato avisou o Chefe. Na corte de honra os monitores foram consultados se eu estaria pronto. Fui aprovado por unanimidade. O Chefe me convidou para no próximo sábado ficar mais uns vinte minutos depois do horário. Ele queria conversar comigo sobre a minha promessa. Foi uma semana difícil de passar. Esperava o dia que ele iria marcar minha promessa. Era meu sonho, queria vestir meu uniforme, mostrar que com ele eu seria um exemplo para os demais. Sabia das exigências na tropa, de suas normas e que elas foram escritas pelas primeiras patrulhas da fundação do Grupo Escoteiro.

                Eu tinha grande admiração pelo Chefe Colaço, amigo, prestativo e sempre com um sorriso nos lábios. Seus olhos demonstravam quando estava triste, quando não estava satisfeito e todos os escoteiros respeitavam sua individualidade. Quando no Cerimonial de Bandeira sempre explicava por que devemos estar bem apresentados. Afinal éramos o exemplo para a comunidade, a melhor divulgação do escotismo, a propaganda e a publicidade do que fazíamos. Sempre sorridente completava: - Caros amigos escoteiros, Baden Powell era exigente na apresentação do escoteiro com seu uniforme, assim ele dizia:

O garbo e a elegância no uso do uniforme e a correção dos detalhes podem, talvez, parecer coisa fútil e sem importância. Muito pelo contrário, desenvolvem amor-próprio e exercem grande influência na reputação do Movimento perante o público, que julga pelas aparências. Nesta matéria, o exemplo é tudo! Apresentem-me uma tropa descuidada com seus uniformes e eu (sem ser Sherlock Holmes!) poderei deduzir que seu chefe é negligente com seu uniforme escoteiro. Você deve pensar bem nisto, quando estiver envergando seu uniforme ou dando um toque pessoal impróprio a ele. Você é modelo para os jovens e seu garbo e elegância vão refletir neles”.

             Naquele sábado durante toda a reunião esperei com ansiedade ela terminar para conversar com o Chefe Colaço. Tremia de medo, mas sabia que junto dele iria me sentir bem. Ele transmitia coragem, ética, respeito e nunca tinha visto uma falta ou um grito qualquer dado com alguém da tropa. Explicou tudo. Perguntou-me da lei, da minha palavra, da minha honra, perguntou sobre lealdade, fraternidade e sorriso nas horas difíceis. Perguntou se eu sabia de cor a lei escoteira, a promessa o grito e o lema da Patrulha. Quando ele disse que eu faria a promessa na próxima semana quase desmaiei.

A promessa:
- Formados em ferradura após a bandeira, Nonato me chamou. Vamos? O Chefe Colaço perguntou: - Quem vem lá? – Nonato meu Monitor respondeu: Chefe, aqui tem um irmão escoteiro que deseja se unir aos demais escoteiros da Patrulha da tropa do Brasil e do mundo! Era Nonato meu Monitor. Tremia, fui com ele até o centro do local do cerimonial. Uma mesinha já havia sido colocada. Lá tinha meu lenço, meu anel, o distintivo de promessa e meu distintivo de Patrulha que eu mesmo fiz. Meu chapéu estava com meu pai e minha mãe. Fiquei em frente ao Chefe e atrás de mim o meu Monitor. Chefe Colaço repetiu o que conversou comigo, disse que acreditava em mim e se eu estaria pronto a ser um escoteiro exemplar e cumpridor da lei e da promessa. – Farei o melhor possível Chefe! Respondi.  Tropa Firme. Meia saudação em sinal de respeito à promessa do Escoteiro Betinho!

- Disse a promessa de cor, gaguejei um pouco e fui até o fim. Durante toda minha promessa Nonato o meu Monitor atrás de mim ficou com as mãos no meu ombro direito. – Tropa Firme! Descansar! – O Chefe Colaço colocou o Distintivo da Promessa no meu bolso direito, preso com alfinetes. Caloi o nosso Assistente me entregou o certificado. O Chefe Trovão Dirigente do Grupo Escoteiro me colocou o lenço. Foi emocionante, meus olhos cheios d’água, quem sabe o dia mais importante da minha vida. Nonato o Monitor colocou o Distintivo de Patrulha. Mamãe e papai me colocaram o chapéu. Colaço gritou: - Tropa firme! Em saudação ao novo irmão escoteiro de todos nós! – O Chefe convidou para darmos o grito de Guerra da União dos Escoteiros do Brasil. Todos levantando seu chapéu gritaram: - Arrê, Arrê, Arrê! Levantando e abaixando o chapéu respondemos: - Arrê, Arrê e Arrê! O Chefe novamente: - Pró Brasil? Todos: Maracatu! Após o grito de Guerra foi à vez do grito da minha Patrulha e depois das demais.

                 Uma algazarra gostosa das demais patrulhas me abraçando. Mamãe e papai chorando de alegria. Agora sim eu era um Escoteiro e pertencia a grande Fraternidade Mundial dos Escoteiros. Papai tirou uma foto, depois com a Patrulha e com meu Chefe que amava e admirava. Demos as mãos e começamos a cantar a canção da promessa. Foi demais... Posudo de chapéu e sapato engraxado eu sabia que aquele dia ficaria na história. Eu sabia que minha promessa seria para sempre!

£ “Prometo neste dia, cumprir a lei, sou teu escoteiro Senhor e Rei”!  

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Marcha soldado cabeça de papel!




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Marcha soldado cabeça de papel!

Prólogo: - Uma homenagem feita há alguns anos e já publicada ao meu amigo Marcos Rodrigues que sempre me prestigiou em todas as minhas publicações. Chefe Escoteiro e lotado nas Forças Armadas tem no coração a audácia de ser leal fraterno e honrado. Não tive ainda a felicidade de lhe dar um aperto de mão e um abraço; Não faltará oportunidade. Sempre Alerta meu amigo, fraternos abraços!

      Quando menino eu queria ser soldado. Nos meus sete anos eu colocava um capacete de jornal na cabeça, e com um cabo de vassoura eu marchava como os soldados que via desfilar no Sete de Setembro. Quando fui lobo meu desejo era marchar, marchar como o soldado marinheiro todo vestido de branco que desafia os mares em busca de aventuras. Amava a Banda dos Fuzileiros Navais. Minha mãe se divertia comigo quando eu com a boca fazia barulho do tambor, a marchar pela casa com meu inesquecível fuzil de madeira e ela queria ralhar, mas não, sua paciência com seu rebento era fantástica – Sabes meu filho, se queres ser soldado, serás General, se queres ser monge, acabarás como Papa. Mas meu filho ele queria ser outra coisa, queria ser pintor e acordou como Picasso!

    Depois cresci, virei escoteiro de coração e a ideia de ser soldado foi terminando. Mas lá no fundo da mente o desejo ainda continuava. Um dia ainda molecote Escoteiro fiquei emocionado com uma história que li.
 
- Conta-se que um soldado dirigiu-se ao seu superior e lhe solicitou permissão para ir buscar um amigo que não voltou do campo de batalha. Permissão negada, respondeu o tenente. Mas o soldado, sabendo que o amigo estava em apuros, ignorou a proibição e foi a sua procura. Algum tempo depois retornou mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo nos braços. 

O seu superior estava furioso e o repreendeu: 
- Não disse para você não se arriscar? Eu sabia que a viagem seria inútil! Agora eu perdi dois homens ao invés de um. Diga-me: valeu a pena ir lá para trazer um cadáver? 

- E o soldado, com o pouco de força que lhe restava, respondeu: 
- Claro que sim, senhor! Quando eu o encontrei ele ainda estava vivo e pôde me dizer: - “Tinha certeza que você viria”! (Anderson Griman).

        O tempo foi passando e eu fui virando homem feito, e ser soldado agora era uma busca distante. Quem sabe como Escoteiro eu imitava Honoré de Balzac que dizia – Esse homem é o soldado armado com a espada e eu sou o soldado armado com a pena... Mas eu triunfarei onde Napoleão foi derrotado, pois conquistarei o mundo! Bem, eu não conquistei o mundo, mas conquistei montanhas, conquistei vales enormes, vi coisas lindas que ficaram para sempre em minha memoria. Hoje eu ainda me lembro do meu desejo em ser soldado. E nas tardes dos meus sonhos, na minha humilde varanda eu fecho os olhos e canto o hino do Infante:

"Onde vais tu, esbelto infante, com teu fuzil, lesto a marchar?
Cadência certa, o peito arfante, onde vais tu a pelejar?"
Pra longe eu vou, a Pátria ordena! Sigo contente o meu tambor,
Cheio de ardor! Cheio de ardor! Pois quando a Pátria nos acena,
Vive-se só da própria dor.
É no combate que o infante é forte; vence o perigo, despreza a morte.

Dou um sorriso e mudo toda a letra mantendo a música, pois de soldado eu passei a ser Escoteiro:

Onde vais tu, oh Escoteiro, com teu bastão lesto a marchar?
Cadência certa, passo certeiro, onde vais tu a acampar?
Prá longe eu vou, o Chefe ordena, sigo contente o Monitor,
Cheio de ardor, cheio de ardor. Pois quando a tropa nos ordena,
O caminho é sempre com amor.
É lá no campo que o Escoteiro é forte, vence o perigo e despreza a morte!

     Não sei se a minha música atingiu o objetivo. Sei que ela não é para qualquer um. Muitos não querem nos ver marchando. Pode ser. Ela foi feita para os soldados e os Escoteiros das ruas aqueles que tem o amor pela pátria no coração. Não é uma música para festas, para dançar, é uma musica espiritual, só para aqueles que foram soldados e Escoteiros!

Boa noite meus amigos e amigas, Mantenham pé no chão nos sonhos de continuar abraçando e confraternizado com os jovens futuros soldados da nação. Dizem que o sorriso do brasileiro e do escoteiro é o soldo do soldado do Chefe e do Infante! 

Dedico todo meu conto ao meu amigo Marcos Rodrigues um soldado de coração Escoteiro.

sábado, 13 de abril de 2019

Conversa a pé do fogo. Um acampamento tradicional.




Conversa a pé do fogo.
Um acampamento tradicional.

Prólogo: - Ele com a sua sabedoria, encantou as florestas com os pássaros para entoar em nossos ouvidos com suas melodias; vislumbrou as montanhas com rios e cachoeiras para encantar nossos olhos; acendeu o sol com a sua luz de energia para regenerar a vida; soprou a brisa para acalentar a luz do sol. E a natureza respondeu produzindo alimentos. Deus!

                           Ele me perguntou: - Vocês vão acampar? Vamos sim, desta vez vamos longe, doze quilômetros a pé. – A pé? Mas como? Você não mora mais no interior, nossa cidade é grande. Dei risadas. E daí? Está tudo preparado – Afinal fizemos duas excursões e um acampamento só de monitores no mês passado em um fim de semana para nos adestrar. Eles mesmos prepararam tudo que precisamos levar. E olhe tudo vai nas costas, desta vez sem ônibus alugado e sem pais para ajudar no transporte. Ele pensou e perguntou novamente: - Seria isto possível? Sorri para ele e disse que sim. – Os monitores fizeram uma lista tríplice para acampamentos curtos, médios e longos. Chamam de ração A, B e C. A ração A é para uma atividade de um dia, a ração B para dois dias e a C para um acampamento de três dias ou mais. Assim fica mais fácil. Eles mesmos fizeram o cardápio, calcularam por pessoa e cada um dos participantes leva sua parte da ração. Tem aquelas que três levam arroz, tem aquela que um só leva. Eles acharam melhor um cardápio simples onde com uma panela, um caldeirão e uma frigideira eles fazem tudo. Achei interessante.

                      Conta-me mais. E como é levada a intendência e o material de patrulha? - Fácil ele disse. Também dividida por cada um da patrulha. Agora usamos o lampião a querosene. Ele vai vazio e bem embalado em um recipiente a querosene. As barracas são pequenas e simples de carregar com a mão ou prender na mochila. Assim gastamos o mínimo possivel. Hoje a taxa foi de dez reais. Isto paga o ônibus ida e volta. Ele vai nos levar até o entroncamento da estrada de São Mateus. Lá vamos andar uns doze quilômetros e chegaremos ao sítio do Leopardo. Fomos lá antes eu e os monitores. O proprietário é gente boa. Disse que o local estava às ordens para quando quiséssemos acampar. – Mas será que a tropa aguenta? Claro que sim, fizemos duas excursões. Uma delas andamos sete quilômetros e a outra foi noturna. Mais nove quilômetros à noite. Claro lá pelas duas da madrugada em uma clareira jogamos as lonas e dormimos sob as estrelas. Cada um levou seu lanche. E sabe o melhor? Neste acampamento só eu levarei o celular para uma emergência. Será mesmo um acampamento mateiro.

                       Ele achou interessante. E o programa do acampamento? – Este vai ser um programa especial. Foram os monitores ouvindo suas patrulhas quem prepararam tudo. Vamos ter sim o normal de um acampamento de três dias. Levantar as seis, um pouco de física, café as oito e inspeção as nove. Lembre-se vamos acampar nos moldes de Giwell. Cada patrulha é autônoma. Terá seu campo de patrulha distante uma das outras por um mínimo de 60 metros. Desta vez até eu e o Chefe Leão teremos nosso campo de chefia e vamos levar nossa matutagem e nosso material. Nada de comer nas patrulhas. Elas só irão ter nossa presença se formos convidados.

                     – Ele pensou se isso iria dar certo. Ele conhecia uma tropa acostumada a acampar com pais levando tudo, e inclusive alguns lanches eles faziam. Continuou ouvindo o que explicava: - Teremos um programa sem muitos horários. Muitos reclamaram da falta de tempo livre para eles fazerem suas construções no campo de patrulha. Chamamos isso de ATL – Atividade tempo livre. Decidimos dar a eles liberdade na sua programação de campo sem interferir. Afinal não viemos aqui para aprender a fazer fazendo? Nada de chefes sapeando e explicando como fazer. As patrulhas irão aprender a seguir pistas de animais, tirar fotos de um animal ou pássaro. Será um jogo vence a que conseguir a melhor foto. Eles irão pescar e no cardápio está incluída uma fritada de peixes frescos. Risos.

                     - E se chover? Se chover estaremos prontos. Nada de serviço de meteorologia pelo rádio. Eles irão aprender previsão de tempo seja na mata ou no campo. Pelas formigas, pelos pássaros, e claro os vagalumes noturnos irão ensinar se vai fazer frio, se o orvalho vai ser forte, irão descobrir ninhos para ver de onde vem à chuva, Prestarão atenção ao vento, sua velocidade, e sabem de cor muitas quadrinhas de previsão de tempo – Se tens vento e depois água deixe andar que não faz mágoa, mas se tem água e depois vento põe-te em guarda e toma tento. Vermelho ao sol por, delicia do pastor, orvalho de madrugada faz cantar a passarada, são tantas! Mas se chover sem parar vamos aprender a fazer um pequeno celeiro só nosso para abrigar a todos durante o dia. – Já treinamos isto com bambus e folhas de bananeira. Vocês tem coragem eim? – Não é coragem, isto para nós é escotismo mateiro. Afinal para que aprender nó na sede sem usar no campo?  

                     - Teremos boa parte do tempo dedicado a transmissões à distância. Morse à noite e Semáforos ao dia. Teremos um grande jogo cujas instruções serão ditadas por sinais de fumaça a moda índia! - Caramba! Estou gostando do seu acampamento. Um dia vou fazer o mesmo na minha tropa. – Respondi para ele: - Conte comigo, darei todas as coordenadas. Além do fogo de Conselho todas as noites as patrulhas terão tempo livre para uma conversa ao pé do fogo, daquelas gostosas com batatas e bananas verdes assadas. Não vai faltar um bule de café na brasa. Levo uma penca de histórias para contar. Uma Escoteira tem uma flauta que toca divinamente. Vamos aprender com as estrelas e a posição das constelações. Ensinei aos monitores tudo sobre orientação noturna. Faremos um fogo de Conselho à moda dos exploradores. Sem animador de fogo, cada um senta onde quiser. A patrulha de serviço irá acender e manter o fogo todo o tempo. As patrulhas terão liberdade de apresentar canções, esquetes e histórias. As palmas serão criadas na hora. As canções surgirão espontaneamente. Ah! Esqueci-me de dizer, quatro Escoteiros estão treinando há meses como gaitistas. Vai ser um festival de gaitas. Risos.

                    - Alguns me pediram para saltar o fogo e receber o nome de guerra. Todos retirados dos índios brasileiros. Decidiram que só os mais antigos terão esse direito. Programa? Nada escrito, você já viu como vai ser. Cada Monitor se encarregará de uma parte. Esqueci-me de dizer, vamos fazer uma ponte pênsil em um córrego próximo. Estamos programando um jogo nela de rachar! Risos. As bolas de pano já estão prontas para a lança. Mas não vou contar – O Chefe pensou consigo: - Vai ser um acampamento inesquecível. - Eu sabia que nem tudo daria certo, mas quem não aprende a fazer fazendo não é Escoteiro não é verdade?

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Os Velhos Lobos não perdem a razão.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Os Velhos Lobos não perdem a razão.

                     Não, não perdem. Perdem os dentes, mas a razão? Lembro-me do Chefe Topázio que dizia: - Vado Escoteiro louco não é o homem que perdeu a razão. Louco é o homem que perdeu tudo menos a razão. Vez ou outra um de nós velhos escoteiros partem para outras plagas, alguns dizem o Grande Acampamento no Céu, eu matuto mineiro fico “abestado” e digo que irei primeiro dar uma volta na galáxia, quem sabe ver um “buraco negro” que os cientistas descobriram e dão pulos de satisfação. Quem sabe volto ao Grande Acampamento, mas só para dar um Sempre Alerta um abraço nos amigos que foram antes de mim e no meu menestrel máster Baden-Powell. E depois partir. Mochila nas costas, Chapelão no cuco, ventos a favor e pegar carona no primeiro cometa que passar... Destino? “Confins do universo”!

                    Não sei quando será minha hora. Isto não depende de mim. Antes de partir para as conchichinas das mil galáxias, faço o que posso para dar minhas pitadas, escrever meus contos, deitar e rolar com minhas crônicas e no dia seguinte ver que elas não foram tão interessantes assim. Nenhum comentário, poucas curtidas e male-male um ou dois compartilhamentos. Tentei me reciclar, ficar mais moderno, até ganhei um celular do meu filho, mas caramba ele é cheio de incógnitas, tem percevejo e muitas coisas que não vejo. Estou vivendo um momento único, às vezes firme e forte como um ovo de Colombo, outras pensando o que vão escrever no meu epitáfio: - “Aqui jaz, um escritorzinho fajuto contador de histórias”.

                    Já pensando no meu futuro lá no céu, pego minha sela, arrio o meu cavalo e parto célere para uma viagem intergaláctica. Nada de Interprise. Chega de Doutor Spock, do Capitão James T. Kirk e do Doutor Leonard McCoy. Irei a cavalo mesmo, dar uma parada em Andrômeda e seguir em frente até a estrelas XB. 8414 (jogue no bicho se quiser) onde amarrei minha égua. Se encontrar alguém contarei potocas, vida assoberbada de um escoteiro feliz.

                    Mas chega de viajar, o motivo desta crônica é outro. É ver que amigos e irmãos escoteiros estão partindo deixando para trás um belo escotismo saudoso tradicional feito com mãos de escoteiros que souberam andar com suas próprias pernas. Caramba! E hoje? Jogaram no lixo a “expertise” de um grande ideal? Papo zero de escotismo moderno. Quase todos os dias tem um que partiu para as estrelas. Sempre alguém postando: - Se foi o Chefe tal, gente fina, gente boa, vai deixar saudades e muito que poderia ainda dar ao escotismo de BP.

                     Há tempos ando pensando que uma hora dessas será minha vez, preocupado arregacei as mangas, subi nas tamancas e me pus a escrever. Iria deixar meus leitores apalermados, três postagens diárias por vez. Demais? – Chefe? Não consigo ler nem uma que de lá três? Não me importo, não sei quantas ainda irei fazer. Todo ano passo uma temporada na gafaria, cama de ferro, colchão de escoteiro novato, refeições sem sal e pimenta feita pelo Mané Bolacha cozinheiro da Patrulha Serviço de Terceira. Reclamar? E que adianta? Aí vem o frio, quem sabe irei de novo esquentar a Patrulha dos abnegados do SUS? E sempre me pergunto: - Ida e volta? Começo fim de pista e bom retorno ao ponto de reunião? Pensando assim, meto o trazeiro no banco e lá vem histórias do além-mar ou quem sabe de uma bela “Ragazza” Escoteira que quase matou de amor o Escoteiro Pedreira.

                     Só fico pensando quando vou poder ler meu epitáfio, (se tiver) e ler os comentários dos amigos leitores nas redes sociais da falta que irei fazer. Verdade mesmo Moço Escoteiro? Falta? Um dois no máximo três dias e minhas histórias meu nome meus pendores partirão célere para a eternidade junto aos amigos que se foram e hoje estão morando na terra da Legião dos Esquecidos! Enquanto isso devo prestar atenção no que escrevo, dizem amigos leitores que às vezes troco nomes, troco alho por bugalho! Como dizia o Ariano Suassuna, os doidos perderam tudo, menos a razão. Têm uma (razão) particular. Os mentirosos são parecidos com os escritores que, inconformados com a realidade, inventam outras!

                     Será que entrei de gaiato no navio? Pelo sim pelo não enquanto aguentar continuo a escrever... Três? Chefe é demais! Pensando bem devo diminuir, tenho pronto trinta e tantas histórias, vinte e oito artigos e dezoito 18 “fuçario” de boa noite. Se bater as botas ninguém vai ler. Vão ser perdidos no tempo? Jesus de Nazaré me perdoa. Onde estiver, por favor, digam a minha neta para publicar! Será que ela sabe onde estão?