quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Eu? Sou um contador de histórias... Escoteiras!




Eu? Eu sou um contador de histórias... Escoteiras é claro!


E aqui terei o máximo prazer em receber você. Bem vindo.  Escrevo tudo que penso e o que aprendi como escoteiro por quase 70 anos. Concorde discorde, deixe seus comentários. Meu fraterno abraço e breve outro conto outro artigo escoteiro. Sempre Alerta!

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. “Eu prometo"! Pela minha honra...



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
“Eu prometo"! Pela minha honra...

Nota – Quando tantos falam em mudanças, em esquecer pequenos trechos da promessa, da impossibilidade da palavra dada, do sentido de uma palavra quem tem tudo para ser a maior eis que aparecem os estudiosos, tentando mudar o que é o de mais sagrado para um escoteiro que um dia jurou cumprir a lei. Jurou pela sua honra que para muitos podem não significar mais nada, mas significa muito para mim. Então pensativo volto no passado quando jurei, jurei sim a Bandeira a Pátria e a meu Deus. Disseram-me que ela seria por toda a vida. Este é o meu escotismo, aquele que vive em mim e com ele morrerei.

- Fiquei três meses meu amigo, três meses para me preparar. Aprendi a Lei e seus dez artigos, aprendi a Promessa de cor e salteado, aprendi a desenhar a bandeira, a fazer sinais, a armar minha barraca, aprendi a coar um café no coador de pano, aprendi oito nós, aprendi o hino Alerta e o Hino Nacional. Fiz minha primeira Pioneiría aos onze anos. Tive duas conversas com meu Chefe que me disse sobre o que eu iria fazer. Vado, quando fizer a Promessa terá que fazer o Melhor Possível para cumpri-la. Ele me falou da minha palavra de escoteiro, da minha honra da minha ética e do meu caráter... Sim foram três meses e eu jurei!

Jurei pela minha honra, nem me lembrei do melhor possível. Todos meus amigos escoteiros sabiam do valor da promessa. Não eram santos, mas faziam de tudo para cumprir. Honra Vado? É aquilo que ninguém pode tirar de um escoteiro. Um dia meu amigo eu pensei comigo, fazer o melhor possível? Vou fazer. E passei uma semana tentando cumprir todos os artigos. Até dei a mão ao Pato Loco que uma vez pelo menos por semana saiamos às raias da discussão para uma boa sessão de pescotapas! (ele não era escoteiro).

Nos seniores mais crescidos e sabidos ainda sabíamos o que era honra caráter ética e não precisava ninguém perguntar: - Palavra de Escoteiro? – Não, não precisava. Nossa palavra era nossa lei individual. Aprendemos a cortesia e dávamos enorme valor à lealdade. Cresci, virei homem, virei Chefe. Era minha vez de ensinar aos novos que estavam chegando. E hoje? Hoje meu amigo querem tirar de mim o que fui e sabem por quê? – Porque estamos na virada do tempo, hoje tudo mudou... Mudou? Mudou o que? A Honra? A Palavra do Escoteiro perdeu o valor? A promessa de crer na paz do Senhor?

Sabe meu amigo eu não sei quanto tempo de escotismo esta plêiade de jovens chefes recém-chegados ao Escotismo que querem mudanças têm. Alegam que nos países mais avançados estão mudando. Eles mudam eu mudo. Eles saltam no buraco e eu vou atrás. Obrigar alguém a dizer aquilo que não quer? Então vamos mudar. Mudar! Só porque eles pensam assim? Joga o tema de supetão só para ver a reação dos demais? Então eu tenho de mudar só porque ele novato vem me dizer que os tempos são outros? Como disse o Lobo Gris onde me aninharei amanhã?

Não é a primeira vez meu amigo. Estão aí em pequenos grupos recém-chegados e batalhando para tirar Deus da Promessa. Por quê? Eles são agnósticos? Não acreditam em Deus? Quantos eles são? Quanto apoiam estas novas ideias para deixar de lado aquelas que para mim deram certo no passado? Eles são quantos torno a repetir. Meia dúzia? Quantos? Não respeitam mais o meu passado? Um me chama de lado e diz: - Chefe, não há como fugir, um dia tudo vai mudar. – Pode ser que sim. Mude, mas fique para ver os resultados, não vá fugir depois como muitos fugiram. Resultado? Não sei se deu ou se vai dar resultado!

Meu amigo eu fico me perguntando onde estão nossos direitos de longevidade no Escotismo. Fizemos uma promessa, foi nossa escolha individual e alguns poucos querem tirar nosso direito só porque não acreditam nas palavras da Promessa e da Lei. Se eles não aceitam o que encontraram não seria melhor fazer outra associação onde poderiam mudar a vontade? Agora me fazer aceitar algum que não acredito? Mudar minha crença? Com que direito? Ou será que setenta anos de escotismo me fez perder o direito que adquiri?

Cochicham por aí que se BP ainda estivesse vivo, ele iria mudar, mudar seu estilo inglês, mudar seu uniforme, seu chapéu, quem sabe uma nova bengala elétrica, deixar o cavalo para um transporte rápido para chegar onde ele pensou que nunca iria chegar. Falam em nome dele e quando não em nome da modernidade... Que ele iria aplaudir! Modernidade... Será ela tão importante para acabar com a flauta mágica que ouvi quando era menino tocando divinamente o Rataplã? Não vou mais seguir meu Flautista de Hamelin a me chamar?

A lei Chefe, ora a lei... Quem disse isso? Foi Getúlio Vargas? O que ele queria dizer? Será que a Lei, ora, a Lei devia ser aplicada ao cidadão comum enquanto a própria legislação concede imunidades e benefícios às classes privilegiadas? Seria a Lei para beneficiar aos que assumiram para servir e hoje querem ser servidos? Ah! A Lei... Eu prometo... Sim eu prometi fazer o melhor possível, ate hoje me lembro daquele dia que empertigado, segurando no bastão da minha Patrulha e firme olhando a bandeira disse a viva voz: - Cumprir os meus deveres para com Deus e Minha Pátria ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e por último falei alto para todos ouvirem: - Cumprir a Lei do escoteiro!

E como dizem por aí nas redes sociais, nos sites históricos, nos filmes e na TV: - Palavra de Escoteiro! Querem acabar com ela? Bah! Tirar o meu direito de escolha? Será que eles tem mais direito do que eu? Esses Pata Tenra ainda tem muito que aprender...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Quebra Coco. O último desafio!



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Quebra Coco. O último desafio!

Nota: Há tempos era uma tradição cantar a canção Quebra Coco nos fogos de conselho. Quebra Coco é uma tradicional canção escoteira, provavelmente adaptada do folclore do Estado do Para. Conforme o Chefe Fabio Neiva, o primeiro registro desta canção foi de uma publicação da revista Escoteiro da Gloria, do Rio de Janeiro de fevereiro de 1926´. Provavelmente parodiando antigos repentistas e com o tempo se tornou muito popular nos fogos de conselho.

                 Acho que o tempo apagou estas lembranças incríveis. Quase não vejo alguém cantar ou falar desta canção. Sempre foi um desafio incrível. Deve ser os novos tempos, novas músicas, novas canções. E quem se anima a cantar as antigas? Elas devem ter ficado no tempo presas na mente dos antigos escoteiros que ainda vivem seus sonhos em um passado distante. Acredito que devem ser poucos que ainda lembram-se do desafio em um Quebra Coco que só foi terminar lá pelas tantas com o sol dando as caras pela manhã. Na minha época um tremendo e bom desafio.

Como era gostoso cantar e ver os desafiantes meditando e montando a estrofe que iria cantar. Até quando fui Chefe de tropa tentei incutir em todos o desafio do Quebra Coco. Acho que não fui feliz. Os jovens não se interessavam mais. Tudo foi mudando, novas ideias novos Fogos de Conselho. Quem diria que naquela época teríamos um animador de fogo? Nunca! Animador? Nem pensar. O fogo era espontâneo.

               Lembro-me do meu primeiro acantonamento/acampamento no sitio do Vale Feliz. Lobinhos cantavam as canções antigas com vigor. Fizeram um desafio e eu aceitei sem saber como montar uma estrofe. Lobos acampando? Risos. Claro, era comum. E porque não? Era mais divertido. Lembro-me do Miúdo (era nosso Balu, nunca fiquei sabendo seu nome real) e do Munir Boca Grande (nosso Bagheera) a fazer os almoços e jantas e que manjar! Eles eram bons e todos nós em volta ajudando, buscando água, lenha, cantando e contando “pataquadas”.

                Bons tempos. Já tinha participado de dois Fogos de Conselho. Não sabia como era o Quebra Coco. Foi o Akelá Laudelino quem explicou. Tratava-se de um desafio entre escoteiros. A tropa antes de encerrar o Fogo de Conselho fazia o desafio. No começo todos participavam, mas depois de algum tempo ficavam dois ou três. Os demais não eram bons repentistas e se quisessem podiam ir dormir. Mas ninguém arredava o pé enquanto não houvesse um ganhador.  

              Quando escoteiro e sênior o quebra coco era minha diversão favorita nos Fogos de Conselho. Desenvolvi uma facilidade grande em criar versos. Nada dos conhecidos. Isto era para Patas Tenras. Poucos tinham a “audácia” de me desafiar. Iniciava o quebra coco cantando: – “Meus amigos, escutem bem, hoje estou um pouco rouco, mas é bom ficar sabendo, sou o campeão do Quebra Coco” e daí em diante não parava mais.

              Mas tudo mudou quando quebraram meu orgulho de cantador. Fui humilhado por um matuto de uma pequena cidade do fim do mundo. Fomos acampar em Serra Vermelha com uma Tropa da cidade de Guanhães e foi um desastre. Todos perguntando se tínhamos bons “cantadores” do Quebra Coco. Apontavam-me e eu ficava todo orgulhoso. Não falaram nada do Mandinho. Um Escoteiro magrelo, desengonçado e achei até que ele era gago. Quando chegou a hora e ele em pé aceitou meu desafio, sorri de leve. “Este está no papo”.

               Deus do céu! Onze horas, meia noite e o danado lá aceitando todos meus versos e devolvendo em dobro! O Chefe disse que quem quisesse podia ir para as barracas, mas ninguém arredou o pé. Minha cabeça fervilhava, a busca de versos era medonha. Mais de quatro horas e o danado do Mandinho ali com um sorriso simples, sem afetação me colocando no chinelo! – Entreguei os pontos. Fui lá do outro lado à fogueira cumprimentá-lo. Parabéns Mandinho. O elogiei. Faz parte da Fraternidade Escoteira. – “Mandinho, estou orgulhoso de você”! Pensei em encerrar minha carreira de cantador, mas quando se canta pela primeira vez a gente mantem no coração a chama escoteira. Ganhar é bom, mas se perdeu paciência. (Nosso Chefe Jessé dizia).

               Os tempos foram mudando. Participei de muitos Fogos de Conselho. O Quebra Coco se tornou saudades de um tempo no passado. Chegaram novas canções e ele, o meu amado Quebra Coco ficou na história de um livro que não foi escrito. Quebra Coco, Quebra Coco, na ladeira do Piá, Escoteiro Quebra Coco e depois vai trabalhar! Até hoje eu canto com boas lembranças.

             Aqui na minha salinha mágica onde viajo pelo mundo escoteiro, olhei para o passado e fui para minha varandinha querida. Meu recanto. Onde penso e faço minhas histórias. Sentei na minha cadeira rústica e olho pela fresta do portão e vejo a meninada jogando bola. Uma rua íngreme. Poucos carros. Cada um se diverte como gosta. Cantava baixinho o Quebra Coco. Saudades vêm e vão e eu "Velho" Escoteiro vou lembrando como posso dos meus tempos de criança. Quebra Coco, O meu Chapéu tem Três Bicos, o Yupy Aia, a Árvore da Montanha e tantas outras. Onde está meu violão? Acho que as cordas arrebentaram. Preciso comprar novas e ficar aqui na minha varandinha relembrando. Fazer a melodia brotar de novo pelo som do meu violão. Quebra Coco, Quebra Coco, na ladeira do Piá... Escoteiro quebra coco, e depois vai trabalhar!


“Minha mãe chamava Caca, E meu pai Caco Maria,
Juntando caco com caco, Eu sou filho da Cacacaria!

A turma do Facebook, Não são doidos varridos,
É uma turma das boas, Turma de muitos amigos.

Fui na horta apanhar couve, esqueci apanhei repolho,
Vou mandar cê prús infernos, pru capeta fazer molho.

Não chorem na minha partida, Hora de o Velho sumir.
A hora passou no tempo Desculpem, preciso dormir.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Escotismo é só para ricos?



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Escotismo é só para ricos?

Nota - John Thurman Chefe de Campo de Gilwell Park já falecido escreveu que Baden-Powell tocou o dedo em algumas das mais formidáveis ideias e práticas que levam os rapazes a segui-las com entusiasmo, e nos métodos, e modo de manejar e guiar os rapazes. Se nos mantermos dizia, o mais possível dentro a simplicidade, alegria e entusiasmo o sucesso será real. No entanto os únicos capazes e possíveis de pôr o Escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado autossuficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.

                     Há dias vi uma postagem de chefes reclamando dos altos preços cobrados pela Loja Escoteira. É um tema que muitos comentam sem sucesso. Afinal queira ou não boa parte dos participantes hoje do escotismo já entram sabendo que tem gastos e eles não irão medir esforços para que seus filhos tenham tudo que precisam. O jovem de hoje não luta para ter seu material com seu próprio esforço pessoal. Muitas atividades tem o sabor de aprendizado pelos novos chefes e estes não medem esforço para estarem presentes.

                     Quando Baden-Powell criou o escotismo, tinha como meta os mais humildes, principalmente a juventude que morava em bairros pobres de Londres e pudessem receber outro tipo de formação. Hoje isto ficou para trás. Não existe mais esta preocupação. Se por um lado tenta arrebanhar um maior numero de associados que não podem pagar por outro lado se cobra preços absurdos dos materiais escoteiros a venda na Loja Escoteira. Os eleitos para postos mais altos não estão lutando para conseguir que o mais humilde também possa participar.  

                      No passando nos orgulhávamos em ver uma tropa ou alcateia completa com seus uniformes desbotados, mas com apresentação impecável. Sinal que ali o jovem ficava por muitos anos e davam valor ao que tinham. Dava gosto de ver lobinhos primeira e segunda estrela, escoteiros segunda e primeira classe. Nos acampamentos distritais e regionais era bom demais ver as patrulhas chegando completas, desfraldando seu totem, dando seu grito de patrulha e trazendo seu próprio farnel e sua tralha. Os sub campos ferviam de bom escotismo. Patrulhas completas se orgulhando do seu grito de sua participação visando conquistar uma simples bandeirola de eficiência.

                      Mas tudo mudou. Em vez do formidável sistema de patrulhas passou-se a considerar o jovem e não sua equipe. Qualquer atividade tem taxas que nem todos podem pagar. Nas atividades regionais e nacionais dificilmente as patrulhas participam completas. Parece que o lucro vem em primeiro lugar. Li um artigo que dizia: - Quanto tempo leva uma empresa para dar lucro? Será que já somos uma empresa ou somos uma associação? Onde estão as empresas que poderiam estar fazendo seu Marketing nas atividades escoteiras? Onde estão os profissionais escoteiros para fazerem isso?

                     Criou-se uma vestimenta com diversos tipos de uso. Para que? Para vender mais? Alguns reclamam das péssimas condições de confecção e do próprio tecido, que não é próprio para o campo e desbota com rapidez. Penso até que isto foi premeditado para que as trocas sejam feitas mais amiúdes. Afinal a Loja Escoteira é um truste sem sócios e onde só ela tem os direitos dos produtos que comercializa. Chega ao ponto que a UEB exige que nas suas atividades realizadas em regiões ou distrito, a taxa deve cobrir todas suas necessidades assim como ter o devido lucro na sua gestão financeira. É como o lema: - Nada pode dar prejuízo!

                       Muitos dirão que isto é o correto. Não vou discutir. Aldous Huxley no seu livro Admirável Mundo Novo, dizia que uma organização não é consciente nem viva. Seu valor é instrumental e derivado. Não e boa em si, é boa apenas na medida em que promoveu o bem dos indivíduos que são partes do todo. Dar primazia as organizações sobre as pessoas é subordinar os fins aos meios. Temos hoje uma associação que quer ser servida e não servir. Em uma promessa ela mesmo exige que todos digam em alto e bom som que irão servir a União dos Escoteiros do Brasil.

                      Muitos discutem o porquê o escotismo não cresce levando em consideração o crescimento populacional. Quem sabe este pode ser um dos motivos. Pense nas enormes despesas para montar e manter um Grupo Escoteiro. Dizer que compete ao grupo se preparar para as despesas para mim é uma falácia. E onde entra a UEB neste contexto? Quando o grupo se torna uma pequena empresa na minha humilde opinião deixa de ser tudo aquilo que pensamos de uma filosofia fraterna e onde o lema um por todos e todos por um deixa de existir. Parodiando John Thurman quando B.P assentou as bases do escotismo, disse que ele nasceu entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoram deste então, ainda existem rapazes tão pobres como naquela época que precisam do escotismo. 

                 É um estado de coisas difícil de ser modificado. Se este é o escotismo que queremos sinceramente não é o que vivi. Eu sempre pensei que nossa associação teria que fazer o máximo para servir ao associado e não o contrário. Ela existe para isso e deve lutar para conseguir os meios necessários para que o escotismo possa evoluir de maneira simples buscando seu verdadeiro objetivo que é a formação do jovem dentro dos princípios e métodos idealizado por Baden-Powell.  

                 O escotismo não é para ricos. Os direitos do rico e do pobre deveriam ser iguais. Visar lucros sem ver a necessidade de seus associados é uma maneira de estagnar a alavanca de um escotismo para todos. Programas e metas devem ter papel importante no caminho que procuramos seguir. Um escotismo que visa lucros em todas suas atividades e esquecendo o que é mais importante seria abrir um leque para alavancar e dar possibilidade a um maior número de jovens possa usufruir.

                  Não sei não, somos um movimento que não luta por seus direitos. Poucos procuram ver e quando sente na pele tal situação saem do escotismo, para sempre ou para outra das novas Associações escoteiras que estão chegando. Mas o futuro é inexorável. Quem viver verá se o caminho foi realmente o sucesso esperado. Quem sabe se tivéssemos uma associação que se preocupasse com as condições sociais dos jovens o Jamboree de Barretos teria tudo para ser um dos maiores em quantidade que o Brasil já pode conhecer. Não foi o que aconteceu. Paciência, quem sabe um dia?        

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A vida na Jâmgal. O fundo de cena na Alcateia.



A vida na Jâmgal.
O fundo de cena na Alcateia.

Chamamos fundo de cena à atmosfera que criamos na Alcateia e que está ligada a um marco simbólico, que é a socialização motivadora que se reflete nas diversas atividades, colocando ao alcance das crianças a compreensão de formas de comportamento e modelos de sociedade através de imagens e símbolos e não de idéias e conceitos.

Como todas as fábulas, o Livro da Selva oferece ensinamentos por meio da ficção e da personificação dos animais e propõe valores e modelos a imitar ou a rejeitar, possíveis de serem identificados na vida cotidiana das crianças.

A selva, por exercer sobre todas as pessoas igual sentimento mescla de excitação e medo, admiração e curiosidade, o aguçar dos sentidos e o fascínio pelo mistério que encerra que extrapola tempo e espaço, nunca será um fundo de cena ultrapassado.

Então somente a Jângal pode ser fundo de cena da Alcateia?
- Sim! Ainda que por vezes (raras vezes!) brinquemos de “faz-de-conta-que-hoje-eu-sou-um-...”, quando a brincadeira termina voltamos aos nossos marcos simbólicos.

Como Mowgly, nossos lobinhos e lobinhas vivem como o Povo livre e aprendem a serem livres por meio da solidariedade e do respeito à lei. Aprendem também a distinguir as atitudes negativas de alguns personagens das atitudes próprias de amigos verdadeiros como Baloo, Bagheera, Lobo Gris, e muitos outros.

Para que as crianças sintam que fazem parte das aventuras de Mowgly, precisam ser conduzidos pelos chefes pelos caminhos da Jângal. A evocação constante dos episódios lá ocorridos, introduzidos em nossas conversas com os lobinhos, nos relatos, nas dramatizações, nos cantos e danças, nos jogos e brincadeiras, que as crianças vivenciam de maneira divertida como atores e não como espectadores, cativam suas mentes e estimulam sua imaginação fazendo-as sentir que conhecem e convivem com os personagens, os lugares e os grupos da Jângal.

A transferência simbólica do ambiente dos lobos da alcateia de Seeonee para alcateia que as crianças integram está presente em quase todos os aspectos da vida do grupo.

Esta série apresenta as aventuras do jovem Mowgly, criado por lobos na selva indiana, que se aventurou na selva de Cyconie para escapar da supervisão de seus pais quando eles tinham apenas alguns dias de vida. Ele foi encontrado pela primeira vez por Kaa a cobra que não tem comido, a fim de cumprir a lei da selva que não atacam os seres humanos. Embora tenha sido criado na família de lobos, a mãe Louri, o considera seu próprio filho, tentando salvá-lo de Shere Khan, o tigre manco.

Oito anos se passam, Mogli é muito ligado a seus irmãos lobos Backus, Shura, Lala e seus companheiros inseparáveis Baloo e Baghera. A última é a neta de Akela, o líder da matilha. Alguns lobos não aceitam Mogli como sua própria família. Ele deve passar o teste da cerimônia de aceitação para provar que merece ser um lobo.

Um dia, quando Mowgly escapa da floresta, ele cai em uma armadilha de elefante. Um velho quer salvá-lo, mas Mogli acha que ele é ruim. Ele está convencido de outra forma depois de alguns dias ao seu lado. Um ano se passa, Mowgly encontra o velho com sua menininha Messua. Ela o ensina a viver na sociedade com os seres humanos. Na sequência do acidente do avô, Mowgly entra na aldeia de homens, onde era mais ou menos aceito no clã. Um caçador mentiroso patológico chamado Bouldeo diz que as pessoas da aldeia têm um monte de mentiras a fim de ter respeito e impressioná-lo.

Quando Mowgly diz que ele está mentindo, ele corre o risco de deixar a vila quando ele traz a pele de Shere Khan, logo após o assassinato. Poucos dias após a saída de Mowgly, a família em que foi adotada está prestes a ser levada para o sótão. Mowgly fica desconfiado dos dois caçadores: Bouldeo e Garo. Este passa a ser o amigo de Bouldeo. Uma vez que a aldeia foi destruída pelos animais da selva, Mowgly deixa a selva para ir para a cidade chamada Kaniwara, uma grande cidade no deserto da Índia. Ele está preso por Garo que após a crença equivocada na ajuda torna-se seu amigo. Ele fez isso apenas para vendê-lo em um circo localizado em uma das maiores cidades da Índia, Abouldala. Mowgly escapa por pouco após ser perseguido pelo chefe de Garo.

Quando ele voltou para a selva, alguns dias depois, Akela é ferido e morre pouco depois. Um dia, Mowgly encontra sua família e decide reconstruir a aldeia. Os aldeões, implorando seu perdão, ajudam e aceitam Mowgly. Uma vez que a aldeia é reconstruída, Mowgly diz adeus à selva e passa a viver permanentemente com os humanos na companhia de Baghera.

sábado, 4 de agosto de 2018

Hoje tem reunião, E quem sabe acampamento?



Hoje tem reunião, E quem sabe acampamento?

È bom demais acampar, Colocar a mochila as costas,
Sentir o peso gostoso, ir por estradas sem fim.
Parar para descansar, olhando as flores silvestres,
                                    Admirar o sol poente a seguir no horizonte,
A procura das montanhas de marfim.

Uma patrulha ao lado, colocar o pé na estrada.
Sentir a brisa no rosto, cantar uma canção bem bolada,
A patrulha marchando em fila, o suor deixando marcas,
E esperar o "Chefe", Que vai dar a bela ordem:
- Parando escoteirada! É hora de descansar.

É bom demais chegar lá. Onde vai ser o nosso lar,
E ali vamos viver, amando a nossa patrulha.
Vivendo com aquela turma, correria nas barracas,
Construir um pórtico um fogão, todo ele feito de barro,
Na mesa a quadrada uma costura para orgulhar.

A tarde um banho gostoso em um riacho qualquer.
A noite deitar na relva ver o céu, acordar de madrugada,
Ouvindo o cantar da passarada sentindo o orvalho cair.
È gostoso na barraca, descansar de uma luta,
De um dia de labuta já é hora de dormir.

E quem já sentiu a fumaça, do fogão à lenha queimando,
Do alegre cozinheiro, com os seus olhos vermelhos,
Como se fosse chorar, e sorrindo ele sabe,
Que não é só a amizade é pertencer à equipe,
De meninos de estipe, fraternos e aventureiros.

E olhar as mãos, com muitos calos marcados,
Pois o facão e o machado, o sisal e o cipó,
Não perdoam a ninguém. Disso sabemos todos,
Ali são bons mateiros, gente boa. São escoteiros,
Se no jogo cair na grama do acampamento.
Dê risadas com amigos, pois ali é só união,

E quando a noite chegar, na porta de sua barraca,
Faça um pequeno fogo, sinta a alegria, de ver,
A Patrulha aproximando, um café quente e fervendo,
Conversas jogadas fora, sentir saudades da escola,
Da namorada amada, da mãe que não há momento,
Alcançar o seu intento, beijar seu rosto e sorrir.

É gostoso é bom demais, sentir o cheiro do mato,
Ouvir o som do regato, o cantar de um sabiá,
Um vagalume perdido, o uivo de um lobo guará,
Lá ao longe bem distante, nas montanhas verdejantes,
Onde ele uiva errante, onde é o seu habitat.

Gente que coisa boa, beber água da nascente,
Tão fresca e cristalina, de olhos fechados sorrindo,
Sentir o orvalho caindo, no rosto daquela manhã.
Do som da passarinhada ao anunciar nos gritantes,
Até o grilo falante, cantante ao alvorecer.

Como é linda a alvorada, ver a bandeira arvorada,
Em um galho firme qualquer e fazer à saudação,
Sentir-se um patriota, saber que a maciota.
Não faz parte do saber. Ver a Bandeira tão verde,
O vento soprando forte, representando a nação.

Dizem que somos meninos, que amamos o escotismo,
Que amamos as flores silvestres, olhar olho no olho.
A formiga que não para, A coruja que não ri,
O tatu que se esconde no seu buraco infernal.

E lembrando-se da verdade e sem fazer alarde,
Seja na sede ou no campo, seu saber estás buscando,
Para ser alguém amanhã. Bom demais ser Escoteiro,
Correr em busca do tudo, sentir no corpo o orgulho,
De cumprir a promessa a lei. Está é nossa missão.

Não esquecer a promessa, e tudo que prometeu,
Que seria homem honrado, do escotismo apaixonado,
A correr montes e vales, em busca das aventuras,
Que só podemos encontrar, no nosso escotismo amado.

Você que fica não chore, com nossa brusca partida,
Mas se um dia quiser, estamos em qualquer montanha.
Vá com sorriso nos lábios, coloque sua mochila,
Aprume a sua bandeira, Cante uma bela canção,
Um lindo sorriso no rosto, E venha nos encontrar.

Procure-nos na rosa dos ventos, esperamos com alegria,
Olhando sempre o horizonte, esperando por você,
A surgir atrás dos montes e dizer com muito orgulho:
Meu irmão acredite, eu aprendi a ser mateiro,
Agora eu tenho orgulho, eu também sou Escoteiro.
Chefe Osvaldo

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O Imbróglio UEB.



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O Imbróglio UEB.

Nota - Imbróglio é um substantivo masculino com origem o italianoimbróglio” que significa confusãoembrulhadatrapalhada.

Tinha prometido ao meu espelho não comentar mais nada dos dirigentes da UEB. Não valia e não vale a pena. Enquanto nas tropas e alcateias todos buscam ao seu modo cumprir a Lei, a levar a sério a Promessa Escoteira a mesma coisa não acontece nas altas esferas. O escotismo na sua liderança peca pelo estilo aproveitador, já que poucos voluntários, chefes ou dirigentes de Grupo Escoteiro se imiscuem na alta cúpula, deixando que ela faça acontecer sem dar conhecimento ou mesmo demonstrar um pouco de decoro na sua concepção escoteira. O que se vê hoje é uma liderança falsa sem modéstia agora mostrando de fato seus desarranjos burocráticos na eleição de outra diretoria mostrando a falta de pudor ou transparência, o que sempre esperamos dos nossos dirigentes.

Já não bastam as mudanças e alterações, não bastão a demonstração de riqueza nas cobranças exageradas nas diversas atividades escoteiras. Não sei se é verdade, mas houve uma época que mesmo não tendo um Estatuto definindo a posição de cada um no espaço executivo da hierarquia escoteira, havia mais ética no trato com as coisas escoteiras nacionais. Distritos, Regiões e a Própria nacional tinha olhos e ouvindo na realidade escoteira no Brasil. O tempo foi passando e a busca frenética por parte de alguns da autonomia em cargos ou nomeações adversas tornou-se para uns poucos uma obsessão que chega a ser incompreensível para nós escoteiros simples mortais e de coração voltado para o prazer de Servir.

Nota-se que já há algum tempo existe um rodizio não escrito e não documentado das nomeações e das eleições para membros do CAN e da DEN sem contar os conselheiros nacionais; Um pagode onde só se dança o samba do crioulo doido quem tem compadres e apadrinhamento nos mais abençoados com cargos eletivos. Isto nunca deu certo. O Doutor Jean Cassaigneau, grande e ilustre membro da Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME) figura respeitabilíssima, foi convidado pela União dos Escoteiros do Brasil na década de oitenta ou noventa não me lembro bem, a preparar um trabalho sobre o porquê o não crescimento do escotismo brasileiro.

Voluntário Escoteiro veio ao Brasil colaborar. (se não leu digite o título de seu trabalho no Google e poderá ler). Por vários meses construiu um Dossiê – O Escotismo Brasileiro no primeiro decênio do século XXI. Um trabalho interessante que devia ter sido considerado pela UEB o que não foi. Quem leu viu que os egos dos lideres nacionais eram maiores que sua promessa de Servir a União dos Escoteiros do Brasil. Mostrou a nu e a cru todo o mal que nos assola, percorreu estados para confirmar seu raciocínio e foi embora deixado este Relatório Dossiê sem que ao menos UEB desse conta do valor deste documento.

Os anos passaram, o numero do efetivo estagnado e muitas vezes perdendo feio para um comparativo de décadas a partir de 1990. Temos acompanhado esta estagnação e mesmo agora com a grita de chegamos lá nos cem mil ainda permanecemos na dúvida se estamos no caminho certo para um escotismo com crescimento proporcional ao numero do efetivo.

Através do Blog Café Mateiro, (https://cafemateiro.wordpress.com/assine-feeds-cafemateiro/) estamos acompanhando o Imbróglio dos nossos dirigentes, com vai e vem, com compadrio, com nomeações cuja aceitação pela oposição não condiz com a conduta que se espera de um escotismo Badeniano dentro dos princípios da Lei e da Promessa Escoteira. Sinto vergonha pelos atos do CAN da divergência interna, do racha em favor do lado A ou B na próxima eleição da DEN inclusive com ameaças (se tornou um rótulo nacional ameaçar, restringir ideias e comentar o que o ser superior escoteiro não concordar).

O Café Mateiro e alguns outros chefes já ouviram o zumbido das aranhas arrastadeiras sobre a provável possibilidade de serem punidos através de processos e ou de Comissões de Éticas como se isto calasse a voz dos discordantes a mostrar o que temos em termos de direção nacional. Como nosso efetivo está mais preocupado na tese de que o jovem é a única finalidade não acompanha as diretrizes de pessoas incapazes de liderar quem quer que seja.

Há tempos deixei de comentar tais fatos e tais atos, pois passei boa parte da minha vida escoteira lutando para que a lealdade, a palavra, a irmandade e a cortesia fosse um fato no escotismo nacional. Sei que é dentro a plebe, se é que podemos chamar os nossos chefes que lutam pelo ideal de servir, sem meias intenções de serem os tais, os melhores buscando um cargo não remunerado só pelo prazer de ser considerado um Líder Escoteiro nacional diferenciado.

                      Realmente não sei afirmar se fizeram alguma coisa sugerida pelo relatório do eminente Dr. Jean Cassaigneau. Sua experiência como antigo Secretário Geral Adjunto da Organização Mundial do Movimento Escoteiro (OMME) não deixa dúvidas quanto ao seu excelente trabalho. Tantos anos perdidos tantos anos passado para ver esse imbróglio de hoje com lutas por poderes que nada trazem ao “espirito escoteiro” que esperamos da nossa liderança. Quem sabe ainda restam esperanças!

Pelo sim pelo não, este não é o Escotismo que queremos. Ou se dá uma guinada para uma melhor gestão ou então sempre teremos imbróglios como este para achincalhar nosso Escotismo que tanto amamos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Era uma vez... Lá em Brownsea.



Era uma vez... Lá em Brownsea.

“As memórias mais vividas de todas eram os fogos de conselho, antes das orações e do apagar dos lampiões. Ao redor do fogo à noite BP nosso Chefe nos contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos”. “Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz da fogueira, alerta, cheio de alegria e de vida, um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta, dançando e cantando ao redor do fogo, mostrando uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”.
Brownsea... Onde tudo começou!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Modo de ser feliz... Por Baden-Powell



Modo de ser feliz... Por Baden-Powell

Um dia, numa espécie de devaneio, vi-me chegado à porta do céu, após esta vida, e S. Pedro a interrogar-me. Com modo afável perguntou-me: “E que te pareceu o Japão?” – “O Japão? Eu vivi na Inglaterra”!

- “Mas o que fizeste de todo o tempo de que dispunhas nesse mundo de maravilha, com todos os seus cenários de beleza e locais interessantes, ali postos para vossa edificação? Desperdiçaste o tempo que Deus te deu para aproveitar?” E por isso não tardei a ir ao Japão.


Sim, o que incomoda muita gente no fim da vida é que só então veem as coisas na sua verdadeira perspectiva, e reconhecem demasiado tarde que malbarataram o tempo, que o gastaram em coisas que nada valiam.


Quando saí da escola, achei-me, por assim dizer, num quarto escuro, e a educação que recebera era como que um fósforo aceso que me fazia ver como o quarto era escuro, mas também que havia uma vela que podia acender-se com o fósforo e servir-me para doravante me iluminar o quarto.


Mas era apenas um quarto neste mundo de muitos quartos. Convém examinar os outros quartos, ou seja, os modos de vida das localidades vizinhas ou doutros países, e ver como as gentes ali vivem. “Poderás descobrir que, embora o teu quarto te pareça escuro e lúgubre, há meios de nele admitir mais Sol e de melhorar a perspectiva, se quiseres recorrer a eles”.


Retirado de “A caminho do triunfo” de Baden-Powell, fundador do escotismo.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Conversa ao pé do fogo. Eu tive um sonho!



Conversa ao pé do fogo.
Eu tive um sonho!

             Eu tive um sonho. Um lindo sonho. Fiquei exultante, toda a minha tristeza desapareceu. Sonhei algum parecido com o que disse Martin Luther King Jr, que dizia que mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma nova vida. Eu sonhei algum análogo, equivalente, onde vi um Escotismo grande, forte e tão intenso, que fiquei mesmo exultante acreditando que enfim, seriamos muito mais no nosso querido Brasil. Cantei aleluia, um júbilo enorme tomou conta de mim. Vi em cada escola, em cada igreja, em cada templo, fabricas e em tantos outros lugares, milhares de Grupos Escoteiros, com moças e rapazes praticando um escotismo autêntico, cheio de aventuras.

                       Eu tive um sonho. Onde nele se dizia que o amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo. Meu sonho foi real. Eu vi com meus próprios olhos, todos os membros dirigentes dos nossos órgãos escoteiros em nosso país, sorrindo, abraçando, sem “turmas importantes”, sem se considerarem divos, nem mestres e esculápio, falando e ouvindo a todos que ali estavam participando e votando nas decisões. Incrível! Eles uniam os arredios, procurando os desiludidos, abraçando-os e chamando de volta os que se foram. Não era uma utopia era uma realidade. Neste sonho, a altivez, a autoestima, o orgulho, a presunção, a soberba, a ufania não faziam parte de nenhum Chefe escoteiro. A fleuma da importância se transformava em calor humano, fazendo um magnífico conceito de si próprio e olhando a todos como verdadeiros irmãos, ajudando sem receber, sem pensar em granjear fama em ser o chefão, pensando e agindo somente na sua missão de servir.

                 Sonhei sim, num mundo fantástico do escotismo eu via todos escotistas participando das decisões juntos com os dirigentes. Todos sem exceção sendo consultados, indagados, inquiridos, dando sugestões, procurando o melhor caminho sem empáfias. Neste sonho tínhamos novas normas, novos estatutos, com todos eles dando direito a voz e voto do Oiapoque ao Chuí, procurando o melhor caminho para o nosso crescimento quantitativo e qualitativo. Que lindo sonho. Onde a busca da perfeição através da Insígnia da Madeira era uma constante, e que cada adulto visava única e exclusivamente aprender para ser o melhor amigo dos jovens, sem pensar em ascensão, em influência, em posição, evidência. Lá estavam milhares de chefes nas suas sessões fazendo um escotismo autêntico, de valor era um fato consumado.

                    O que é a vida sem um sonho? – Dizem os poetas. Sonhei que nossos órgãos regionais e nacionais, cobravam taxas irrisórias, onde todos seriam aceitos sem precisar explicar ou provar que são pobres para ficar isentos. Onde a palavra honra bastaria para dizer como eram, onde não haveria riqueza e todos os jovens seriam considerados iguais tendo as mesmas regalias daqueles que podem pagar. Vi ainda em meus sonhos jovens, rapazes ou moças que atingissem o Lis de Ouro ou o Escoteiro da Pátria, teriam suas despesas pagas no próximo Jamboree Mundial após a sua ortoga. Não havia taxas em cursos, nos encontros nacionais e regionais elas eram acessíveis e do mais rico ao mais humilde podiam ali se abraçar.

              Nos meus sonhos teríamos uma ONG (Organização não Governamental) que independente da ideologia, recebe todos os anos subvenções onde teríamos o direito também de receber subvenções governamentais, estaduais e municipais. Que sonho! Do mais humilde Grupo Escoteiro, ninguém seria jogado ao ostracismo. Neste meu sonho vi que não teríamos mais a preocupação de pagar taxas altas por qualquer pretexto ou atividade nos encontros nacionais e regionais. Tudo seria remunerado pela nossa direção facilitado pelas subvenções que estávamos recebendo anualmente. Neste meu sonho, centenas de Profissionais Escoteiros bem formados, estavam dirigindo, colaborando ajudando o nosso movimento de maneira ética e honrada conforme preceitua a nossa Promessa e nossa Lei Escoteira.

             Nos meus sonhos eu via milhares de Grupos Escoteiros em todas as cidades brasileiras. Desde Boa Vista onde tenho orgulho de ter um leitor até Uruguaiana e Pelotas onde também sou lido pelos amigos e irmãos escoteiros. Todos estes Grupos estavam contentes, felizes, pois tinham sua sede, mesmo simples, mas com condições de atuação. Ali teria um almoxarifado onde todo material seria guardado para as atividades de sede e de campo. Profissionais escoteiros competentes daria toda ajuda necessária para o desenvolvimento do Grupo Escoteiro. Toda a sociedade brasileira, políticos, classes empresariais desde o presidente até o mais simples vereador, davam o valor devido ao Movimento Escoteiro. Eram eles que se lembravam de nós e não o contrário. Neste meu sonho eu vi adultos importantes oriundos do movimento escoteiro, eleitos por nós para nos representar e fazendo um grande merchandising do que somos e por que existimos.

              Que sonho meu Deus! Que sonho. Nele eu via toda a sociedade brasileira aprovando e apoiando o Movimento Escoteiro. Éramos conhecidos pelas grandes campanhas de Marketing. A sociedade prestigiava porque a maioria dos seus filhos participaram do Movimento Escoteiro. Como é bom sonhar. Sonhar que todos os jovens podem ter uma vida cheia de alegrias fazendo escotismo. Podem viver e respirar o ar puro da floresta e da montanha. Podem andar pelas campinas, ver o nascer e o por do sol do alto de uma colina. Podem explorar as serras distantes. Podem ver os rios caudalosos, os pequenos regatos de águas cintilantes, as cascatas, as cachoeiras cobertas da bruma do orvalho da manhã. Podem parar para ver os arroios, os córregos onde os peixes pulam como a saudar aqueles que ali estão. Podem descansar depois de uma longa jornada debaixo de uma árvore frondosa, colocar seus pés descalços na água límpida da pequena nascente, que de mansinho vai levando a pequena pétala que se soltou e é conduzida para o mar.

             Lindo Sonho. Quem sabe um sonho de todos os Escoteiros do Mundo. Mas isto só será possível quando tivermos a certeza que ao despertar, estaremos unidos dando as mãos e partir para o trabalho que as gerações futuras irão se orgulhar. A realidade para um sonho é somente um passo. Não vamos deixar que o vento leve este sonho. Agarre-os com toda força! Acredite neles! Quando estamos sós não somos nada, mas unidos somos uma força colossal. Lute pelos seus ideais! Lute pelos seus sonhos!