HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Não deixe o vento levar o seu sonho.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Não deixe o vento levar o seu sonho.

                    Lá estava ele, altaneiro, cheio de vida, correndo com o vento amigo que o levava onde ele queria ir. Ele sabia de sua importância, sabia que todos sempre pensavam nele e não queria decepcionar ninguém. Afinal ele era um Sonho e fazer os sonhos dos que pensavam nele realizarem o fazia feliz muito feliz... Ele sabia que nem sempre conseguia seus intentos, sonhar e ele ver o a realização do sonhador. Tinha a experiência de ver tantos sonhos realizados, de ver a força de vontade em fazer lembrando sempre que sem isto nada poderia realizar. Ele gostava muito daquele que dizia gostar de sonhar mesmo sabendo que os sonhos são impossíveis. E quando ele os realizava, um sorriso enorme ele dava sentando na nuvem branca onde moram os sonhos. Nunca se importou quando o chamavam de utopia, aquele sonho que não existe. Para estes ele deixava que eles pudessem ver o sol sem cor, a lua sem brilho as estrelas tão longe de se tocar.  

                      Ele sabia que o vento não tinha sonhos, nem a brisa da manhã ao nascer o sol. A nuvem branca que o levava para todo lugar agora estava atravessando um enorme oceano. Seus outros amigos sonhos diziam que eram o oceano dos grandes amores, onde a felicidade existe e ali navegavam felizes para sempre. Ele se lembrou de Conchita. Linda menina sonhadora. Morava em uma cabana no alto da montanha de Cristal. Todas as tardes ela sentava em um pequeno banquinho e nem notava a cor púrpura do sol que se punha no horizonte. Sua mente viajava sem destino, ela nem se lembrava de que um dia alguém disse a ela que se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade. È Conchita é bom acreditar, pois naquele dia o Sonho ali passou e ouviu o que ela queria. Não era impossível, não para ele. Ele viu seus olhos cheios de lágrimas por viver sozinha naquele canto da montanha sem ninguém. Tinha sua mãe e seu pai, mas sonhava com um príncipe encantado para viver com ele para sempre.

                      Ah! O Sonho pensou que o sonho de Conchita podia se realizar. Não se sabe como uma manhã linda de sol vermelho, subindo a montanha vinha oito Escoteiros alegres e cantantes sob a luz do sol vermelho. Junto Miguelito o Chefe que adorava acampar. Solteiro quando viu Conchita na porta da cabana de madeira vermelha ele disse para si: Vais ser minha princesa, você terá tudo de mim. Farei de você a moça mais feliz do universo, darei a você de presente todas as estrelas no céu. À noite rezarei para você e quando a lua cheia surgir irei pedir a ela para iluminar seus caminhos por onde o sol se for. O Sonho sabia que meses depois eles se casaram e viveram felizes para sempre. O Sonho agora atravessava a majestosa floresta verde e formosa de um país tropical. O Sonho sentiu que precisava realizar o sonho de alguém, mas pensava o porquê de muitos se esquecerem de sonhar. Ele sabia que um sonho para ser realizado o sonhador tem de acreditar, tem de partir na estrada dos sonhos e alcançá-lo nas luzes das estrelas e lutar para que ele seja real. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho impossível só porque não acreditou.  

                       Viu um homem perdido nas matas verdes do pais tropical, tropeçando, caminhando sem rumo, pensando que não ia sobreviver. Ele não sonhava, lutava pela vida, pois sabia que em poucos dias ia morrer. O Sonho sorriu, é hora de trabalhar. O homem se chamava Molusco fora no passado um Escoteiro. Aprendeu a navegar, aprendeu onde o norte se encontrava com o sul, nunca precisou de bussola para achar o seu caminho. Tinha vivido em florestas, aproveitou muitas vezes quando menino o que ela poderia oferecer. Um brilho passou diante dos seus olhos. Afinal isto é um sonho? Sonho ou não eu posso vencer! – Ele pensou. Olhou para as árvores, as folhas amarelas que podiam lhe dar um rumo. Um resga do sol lhe mostrou o caminho a seguir. Enquanto caminhava pensava no seu filhinho que deixou na cidade, de Mariazinha sua amada tão pequenina. Um riacho encontrou, uma jangada ele fez. Dois dias depois uma cidade apareceu na curva do rio das almas perdidas. Molusco um Escoteiro estava salvo. Correu a encontrar seus amores, Picolino e Mariazinha sua amada ele foi abraçar.

                         Era hora de dormir para os humanos do mundo. O Sonho não dormia, mas se recolhia quando as noites quentes não deixavam ninguém sonhar. Ele imaginou que tantos poderiam sonhar sonhos lindos mesmo com aquele calor imenso. Ele sabia que poemas não são feitos para serem entendidos. Isso é utopia. Bastam aos poetas que seus poemas e sonhos sejam sentidos. Tiquinho ainda não tinha dez anos. Insistia com seus pais em ser um escoteiro. Nunca foi e este era seu maior sonho. Dom Casmurro tinha um bigodão que todos temiam. A maior fábrica de tecidos era dele. Funcionários tremiam só em olhar para seus olhos. Tiquinho seu filho sabia que ele nunca iria deixar. Uma noite de verão todos os funcionários foram para casa. Ele mesmo fechou as portas e o portão. Altas horas da noite foram lhe chamar: - A fabrica começou a pegar fogo, mas um menino conseguiu apagar. O menino estava queimado deitado na cama do hospital.


                        - Como foi? Ele perguntou. Senhor ele é Juquinha Escoteiro filho de Filó das Mercês sua funcionária. Ele esperava sua mãe pelo fim do turno. Ela não sabia. Dormiu encostado no Varão da Sala Grande. Quando viu a fumaça, já treinado nos Escoteiros pelos bombeiros ele correu e conseguiu o fogo apagar. Um herói Dom Casmurro. Sem ele o senhor estaria pobre e sem sua fabrica querida. Tiquinho teve seu sonho realizado. Promessado com as vistas de seu pai. Uma alegria sem par. O Sonho ali a lembrar dos tempos dos acampamentos, das alegrias que Tiquinho passou a ter. Ah! Os sonhos. Eles têm um destino, um lugar para ficar, um lugar para realizar todas as vontades de quem acredita neles. O Sonho partiu rumo à além mar. Havia outros lugares para ir, encontrar meninos e meninas Escoteiras que sonham e ele na sua sina iria fazer os sonhos deles realizar. E você? Acredita nos seus sonhos? Um sonho verdadeiro pode ser realizado. Um sonho sonhado, amado por aqueles que um dia acreditaram. Como dizia Augusto dos Anjos a Esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a Crença, Vão-se sonhos nas asas da Descrença, Voltam sonhos nas asas da Esperança. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A experiência serve para que?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A experiência serve para que?

                   Um famoso pedagogo e pensador respondeu assim: - Para muito pouco. Só que o pouco para qual ela se presta é muito importante. E completou: - “Experiência é aquela coisa maravilhosa que lhe possibilita reconhecer um erro quando você o comete de novo”. Como ele eu acredito em experiência. Acredito em erros e acertos. E completou dizendo, ou melhor, lembrando B-P que o erro seja o pai dos acertos. Experiência é como escrever um livro. Você vai juntando as palavras e quando vê está tudo completo. Quando vejo hoje dezenas de lideres novos fazendo experiências no escotismo fico preocupado. Mais de vinte anos e até hoje nenhum resultado. Ou melhor, tem sim, aparecem mais e mais adultos para fazerem novas experiências. O escotismo é uma fonte enorme para muitos aventureiros que acreditam mesmo que tudo precisa mudar. Não consultam ninguém. Fecham-se em seus “ninhos” de poder e com um sorriso nos lábios vão apresentando suas novas ideias, que não são mais que copias de outros que assim também pensaram e escreveram.

                   Francamente, eu não bato palmas para estes que se intitulam lideres e lá vão a fazer das suas. As fontes do poder é um prato cheio para eles. Fazem de tudo para ter o poder, ser mais um da corte, quem sabe sorrir por saber que agora é da casta dos Lordes Escoteiros. Adoram e depois começam a alardear suas ideias. Não são sugestões, pois eles já tem tudo definido. Como não existe uma punição para seus erros já que ninguém irá cobrar no futuro eles se sentem prestigiados. Falam bonito. Quem os houve ou lê fica admirado ou pasmo porque ainda não tinham pensado nisto. Como sou um Velho Chefe Escoteiro carcomido pelo tempo não me empolgo. Afinal já vi tantas coisas nesta minha vida que nada mais me surpreende. Mas caramba! E a experiência deles? Porque não exigimos certezas e não dúvidas, resultados e não só experiências? Tudo bem. B-P já dizia quem nunca errou nunca experimentou nada novo. Dou risadas quando leio Marisa Martins em seu blog – “Existem pessoas que tem o cérebro “mais pequeno” do que uma formiga, a boca maior do que um elefante, e ainda se acham os Reis da Selva”!

                     Joaquim aquele português bonachão dono da padaria da esquina nunca foi Escoteiro. – Chefe Osvaldo, eu digo sempre para o padeiro: Quem não sabe fazer a massa não sabe fazer o pão. Estamos cheios de aprendizes de padeiro nas lideranças Escoteiras. Tratam seus associados como “vaquinhas de presépio. Não consultam, não fazem pesquisa, não são transparentes e nem reconhecem quando deu tudo errado. E mesmo assim lá estão eles com suas propostas incríveis para fazer do escotismo brasileiro um orgulho nacional”. É triste quem se acha dono de tudo, dono das ideias. Esquecem que as pessoas têm sentimentos, constroem sonhos, criam laços e não sabem que um dia o que acreditaram não existe mais. O tempo passa, o Escotista desestimula, põe seu boné e lá vai ele para nunca mais voltar. Eles irão guardar os momentos mágicos que passaram com sua garotada. Nada, além disto, a não ser a decepção de pensar que poderia ter sido diferente. Vez ou outra encontra alguém, fala do passado e hoje no presente passa longe do que se acreditou ser uma filosofia de vida para sempre.    

                        E “cá prá nos” você acha que os donos do poder estão preocupados? Nem pensar. Para eles se foi embora já foi tarde. Afinal eles sabem que centenas de novos aparecerão. Eles compraram as novas ideias e nunca em tempo algum irão reclamar. Irão pagar as taxas com gosto, ficarão anos juntando seu dinheiro suado para ir a uma Aventura Escoteira Nacional. E aqueles mais bem abençoados financeiramente irão sorrir quando pegarem suas mochilas e partir para um Jamboree qualquer nas “Oropa”. É sempre assim. Para cada dois meninos cem adultos viajando para alardearem que estiveram lá. E eu que pensei que o escotismo fosse para os jovens. Enquanto os mais abastados vibram e participam de tudo os menos abençoados ficam lá nas suas tropas nas suas alcateias tentando sobreviver. Afinal eles são imaturos na arte de arrecadar dinheiro, e sorriem quando tentam entender a prestação de contas da sua associação ou região, pois nada entendem disto. Eles aprenderam que o caixa é mais importante que o amor Escoteiro, o abraço Escoteiro a lealdade e o aperto de mão.

                     Eu um Velho Chefe Escoteiro calejado já vi coisas do arco da velha. Dou-me ao luxo de desaprovar, censurar e condenar tais lideres que para mim não sabem “fazer a massa e querem fazer o pão”. Posso falar de cátedra. Já fui um dirigente regional, nos tempos da diligencia eu rodei meu estado, nenhum grupo ficou sem uma visita. Fiz realizar Indabas distritais e regionais, precisava saber o que todos pensavam e por em prática. Realizei com a ajuda de grandes assistentes vários acampamentos regionais. E os cursos? Muitos gratuitos. Outros dizíamos a taxa é mínima se não puder pagar venha assim mesmo. A luta era para conseguir doações e não para fazer caixa. Quantas correspondências enviamos? Quantos parabéns a você? Quantas cartinhas perguntando: - Porque saiu? Podemos ajudar? Estas mudanças, estes sorrisos de vencedores nas fotos quando eles se reúnem me dói fundo. Sei que não o futuro que sonhei dificilmente irá realizar.

                      Posso ser um “garganta”. Metido a profissional Escoteiro, mas não sou amador. Eu e uma equipe formidável que lutou pelo escotismo no passado fizemos o impossível. Hoje não, agora só doutor, pedagogos, copiadores do mau escotismo em alguns países aonde vão a buscar suas experiências para aplicar aos cobaias de um escotismo que tenta se levantar. Quando digo isto muitos se revoltam. Mas revoltar por quê? Quem nos reconhece como um movimento educacional na sociedade Brasileira? Quem nos dá o valor devido nas esferas governamentais e empresariais? Uns gatos pingados. Enquanto isto lá estão eles dizendo que vamos entrar em uma nova era. Que estamos crescendo (quanta potoca, quanta embromação). O que eles sabem fazer mesmo e ainda fazem muito mal é abrir processos judiciais contra aqueles que não querem ser desta associação e fizeram a sua, gastando o dinheiro dos associados, não dando satisfações de quanto foi se perderam ou ganharam. Enfim estou Velho demais para ver que o caminho do sucesso não é este. Quando um “Chefe” me escreve dizendo que temos que viver o presente e o passado só serve para lembrar fico triste. Triste por ele.


                          E lá estou eu neste dia sombrio, na minha varanda, sonhando o impossível que ainda tenho dois braços fortes e duas pernas para andar como disse Caio. Mas a verdade é outra. São recordações que vagueiam a mente no passado e no presente. São boas lembranças que nos faziam felizes, momentos inolvidáveis e inesquecíveis. Se pudesse ter o dom de voltar atrás e decidir estes momentos que vivem na memória eu não mudaria uma vírgula que fosse. Mesmo que as reticências do presente assim o exigissem. Meu passado me ensinou sim, pois hoje eu sei “Fazer a massa e sei fazer o pão”. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Aceita meu convite? Hoje vou convidar você: - Vamos acampar?


Aceita meu convite?
Hoje vou convidar você: - Vamos acampar?

               Aceita? Não se preocupe faremos um acampamento fenomenal eu e você. Vamos seguir o vento que sopra forte e viçoso nas montanhas douradas do Vale Feliz. Vamos até lá. Como é que se canta? – Mochila nas costas, bandeiras ao vento para o nosso acampamento que nunca mais vamos esquecer. Iremos acampar a moda antiga, mesmo sendo só nós dois. Não se preocupe, sei dar um jeitinho em tudo, mas não esqueça se vai para o mar prepare-te em terra. Portanto leve somente o mínimo necessário para três dias. Uma mochila que desliza gostosamente em suas costas, que não vai deixar você não mão. Coloque dentro dela pouca coisa. Só o que vai usar, pois se sujar vou lhe ensinar a lavar e passar a moda escoteira. Leve a Ração A, se faltar lá aonde vamos tem um manancial enorme de coisas deliciosas para comermos. Tem peixe no remanso do Boi Bravo, tem codornas lindas no Penhasco do Sol. Tem quatis ligeiros, tem tatus bola a dar de pau. Não tem coragem de comer? Sem problemas então vamos mudar o cardápio.

                Lá meu amigo ou minha amiga tem maxixe, aquela de caule rasteiro, tem taioba na beira do regato, afogada é gostosa demais. Têm jabuticabas, que dão o ano inteiro, goiabinhas chinesas que afogadas fazem uma sopa nos trinques. Tem mandioca, dizem que é brava, mas bem afogada e frita só de pensar me dá água na boca. Tem Lobrobô, que parece quiabo, mas não é. Vixe! Lá é um paraíso, se quiser podemos ficar lá por anos a fio. Não se encante com as amoras selvagens, são boas, mas que dor de barriga elas dão. E quando lá chegar, você vai me ajudar, Vamos armar um toldo, barraca não, pesa e a subida é de lascar. Tão fácil fazer uma cabana, o teto está lá nas folhas grandes das arvores gigantes, o Bambu não vai faltar, levar sisal? Nem pensar, cipó tem a rodo, daquele tipo minhoca ou jaracuçu. Não é este o nome? Um Engenheiro Florestal um dia me ensinou. Mas a palavra é difícil demais.

                  No primeiro dia conto com você. Vamos fazer um belo campo, com boas camas improvisadas de bambus verdes amarelos ou imperiais. Lá tem todos eles. Você vai aprender a usar o cipó na quadrada, paralela ou diagonal, vai aprender a fazer uma rede na cama toda de cipó trançado usando uma costura de arremate que aprendi com índios nativos de terras distantes. E não se esqueça da Cadeira de Balanço, da mesa circular, do fogão tropeiro, pois o de barro não vamos usar. Claro, faremos um fogo estrela, um fogo reflector se fizer frio. Hã! Esqueci-me de dizer, lá tem Fruta Pão, tem Rosa Silvestre, tem Acácia e Taboa, portanto a sobremesa está na mesa. E quando a tarde chegar vou levar você para conhecer as pedras brilhantes no fundo do Riacho da Chuva. Lindo demais, você mergulha e no fundo são tantas pedras que parecem preciosas, mas não são. No fundo elas brilham, parece um chão de estrelas e se puder prender a respiração iremos mais fundo, até a entrada da Mina Venturosa, lá sim depois que acostumar à escuridão veremos coisas sensacionais.

                 O almoço eu fiz questão de fazer. O jantar é com você. Quem sabe uma sopa de mandioca? Ou de Feijão do mato? Você escolhe. E depois do jantar, à noite chegando, os pirilampos com suas lanternas se mostrando, os vagalumes fazendo sua festa próximo a nós, uma coruja no carvalho piando e quem sabe vamos receber a visita do lobo Guará? Ela ou ele adorava uma carninha. Trouxe a linguiça que lhe falei? Ele ou ela vão adorar. E assim no escuro da lua, a mata falando que logo o Uirapuru vai cantar. Então eu e você sentamos na porta da nossa cabana, um fogo estrela aceso, e como bom Escoteiro uma história vou contar. – Era uma vez, no tempo de Baden-Powell, onde a mata avançava na trilha da estrada, cinco meninos de chapelão e lenço no pescoço iam se aventurar... Ah! Histórias fique tranquilo sei dezenas delas.

                Aos poucos se ouve ao longe o canto da Cotovia, um céu de estrelas brilha no ar. Desculpe a invasão, mas é hora da coruja buraqueira pousar no meu ombro. Ela sempre faz isto. Quer também? Sem problemas, Pegue um inseto qualquer, se achar um gafanhoto melhor. Eu não daria a ela, amo demais o gafanhoto. Mas quem sabe uma minhoca? Ofereça e lá vai ela pousar no seu ombro. Você sabe cantar? Cante! A passarada noturna adora. Já vi um bacurau e um corvo entoarem uma linda canção de ninar. Deixe o fogo sem alimentar. Deixe pequenas chamas elevarem ao céu as labaredas vermelhas, amarelas até o vento as levar no espaço sideral. Lembre-se, você fez um café quentinho. O bule ou a chaleira está nas brasas acesas, mas esqueci, quem sabe é um gaúcho e o chimarrão não vai faltar? Posso tocar minha harmônica? O que gostaria de ouvir? Céu de estrelas? A natureza em flor? O sonho do menino Escoteiro? Quem sabe fugindo da rotina posso tocar a mágica Serenata de Schubert? É linda demais, não há quem resista.

                        Viu como os dias passaram sem a gente perceber? A gente subiu naquele Jequitibá-rosa para ver o ninho do Jaburu, você usou o nó de evasão para descer naquela linda castanheira do Pará. E olhe, eu dei belas risadas na escadinha que fizemos para subir ao alto da Gameleira, que alguns chamam de figueira brava, e você riu demais. Lembra-te quando fomos até o pico do roncador para ver o sol nascer? E você cheio de bocejos não queria levantar para ver o maior espetáculo da terra que é olhar um alvorecer na mata, vendo o sol chegar, jorrando labaredas vermelhas como se fossem luzes de natal. Um espetáculo tão sublime que eu e você deixamos lágrimas molharem nossos olhos naquela manhã gloriosa. Mas tudo que é bom dura pouco. É hora de voltar. Eu e você tivemos a alegria de ver as imensas planícies do Vale Feliz. Procuramos borboletas coloridas que escondidas nas flores silvestres procuravam o mel para se alimentar. Ah! Meu amigo ou minha amiga, eu amo a natureza, eu amo viajar nos vales verdejantes. Eu amo ver o vento soprar. Ele canta suavemente e me diverte quando parte para o infinito.

                    Sei que você assustou com aquelas bravias tempestades que nos pegou de surpresa na curva da Lua Branca. Pegou você não eu. Eu vi aparecerem às nuvens baixas cor de cobre e sabia que seria um temporal que se descobre. Mas se havia vento e depois água me convenci que não iria fazer magoa. A chuva ia passar. Você molhou, brincou pulou na grama daquela clareira onde acampamos. Mas que foi bom foi. Eu me diverti a beça, matei minhas saudades e fiquei feliz estando ao seu lado. Gostoso demais beber a água da fonte, esconder do sol na sombra de uma peroba rosa, dormir sob as estrelas e ver um cometa enorme com sua cauda colorida passar. E então gostou? Vamos voltar um dia? Lembre-se você meu amigo ou minha amiga sempre serão meus convidados.


“Acampar é sentir a natureza no coração, é vibrar com o encanto do nascer e do por do sol”! 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Programas de reuniões de Tropa.


Conversa ao pé do fogo.
Programas de reuniões de Tropa.

                  Você gostaria que eu fizesse cem programas de reuniões de tropa para você? Será isto mesmo correto? Bem se você está acostumado a se matar as noites com seus assistentes para preparar programas a curto médio e longo prazo e gostaria de ter tudo de mão beijada, tudo bem. Desculpe, mas é um problema seu. Eu sei que sua Tropa vai sorrir e muito com o estupendo programa do seu Chefe. Lembro que em muitos cursos quando os alunos chefes discutiam em bases sobre tais assuntos, eram tantas ideias que ao debater em plenário ficávamos abismados com a criatividade de muitos. Daria para escrever um livro de duzentas ou trezentas folhas. Mas se quer mesmo saber este não é o caminho. Afinal se todos receberem de mão beijada hoje o programa pode ser ótimo, mas com o tempo não chegaremos a lugar algum com o que pretendemos na formação dos nossos jovens Escoteiros.

                  Não gosto muito de dar muitos pitacos em programas de reuniões de tropa. Na minha vida de Chefe no inicio sem saber eu fiz milhares deles e participei como jovens sugerindo outros tantos. Custei para chegar à conclusão que programas só são bons quando tem a mão dos escoteiros e principalmente dos monitores. Confiar neles é tão valido como parabenizar suas conversas com seus amigos de rua ou de bairro. Lá fazem programas na hora. E olhem eles adoram. Porque não deixar boa parte do programa na mão da patrulha? Deixar fazer e não ficar dando pitacos. Deixa-os fazerem e depois que discutam entre si as vantagens e desvantagens. Eles são quem devem decidir qual o melhor, sem esquecer que você está ali para orientá-los no caminho certo. Não foi assim que BP criou o método Escoteiro e o Sistema de Patrulhas? Acho que isto deve estar sendo discutido nos cursos de hoje. Se não está temos alguma coisa errada. – Programando o Programa tem de ser a preocupação máxima de um Chefe Escoteiro. Vejamos o que alguns escotistas de tropa hoje em dia estão fazendo para montar seus programas:

- Na semana ou no mês, com auxilio de assistentes (ou mesmo só) em casa de um deles, prepararam o programa. Costumam fazer até cinco ou seis e conheci alguns que faziam para todo o trimestre. Sempre eles decidindo tudo. Como o adestramento ou formação das atividades técnicas e etapas progressivas ficam nas mãos dos monitores, eu sabia que tal programa iria deixar a desejar no crescimento individual de cada um. – Não vamos esquecer do sábio que deixa tudo para o sábado. Antes ou depois do almoço ele rabisca o que acha que será seu programa de Tropa. Eles eu sobe que alguns ainda vestem o uniforme na sede. Bonito exemplo ele está dando.

- Tem aqueles que jactam-se de ter tudo na memória. Sabemos que ele é um ótimo Chefe, com muitos conhecimentos e sabe como improvisar quando preciso. Ele já decorou – BOIA! – Bandeira, oração Inspeção e caramba, esqueci o que seria o A. risos. A garotada se diverte com um “racha” de bola, ou jogos já batidos, mas que fazem sucesso sempre que colocados em ação. No sábado seguinte ele verifica que alguns não vieram. Hora de mandar um aviso ameaçando os faltosos disto e daquilo. Sei que muitos fazem o certo. Bons programas do que foi proposto no Sistema de patrulhas. Bom Chefe é saber ouvir e ser um coadjuvante. Se a tropa aplica o sistema de patrulha não tem erro. Não sei se hoje em dia em qualquer reunião de tropa é dado tempo para que as patrulhas se reúnam entre elas e os monitores liderar como deveriam liderar. É nesta hora que surge boas ideias e se dá liberdade aos patrulheiros de opinar e divergir. Minha opinião (posso estar errado) como deveria funcionar o verdadeiro sistema de Patrulhas. Alguns exemplos:

 - Conselho de Patrulha - Reunião programada pelo monitor, semanalmente, antes ou depois da reunião, onde se discutirá além de outros assuntos de interesse da patrulha, as sugestões de programas, visando o adestramento progressivo, e sugerindo outras atividades extra sede que porventura podem dar mais conhecimentos a patrulha. Muitas patrulhas bem formadas costumam fazer suas atividades ao ar livre sem a presença dos chefes. Claro que todos os cuidados serão tomados.

- Conselho de Monitores – Ideal para montar programas de reunião, com sugestões discutidas nas patrulhas. Um Conselho de Monitores não precisa da presença do Chefe afinal ele é informal, sem místicas, apenas uma reunião de amigos para colaborar com o Chefe. Tudo ali discutido vai passar pelo crivo da Corte de Honra. Ele pode ser feito na sede ou na casa de um dos monitores. Algumas tropas fazem mensalmente e outras de dois em dois meses. Os monitores podem convidar o Chefe ou assistentes quando acharem que precisam de opiniões. Como disse ele é informal e não ter poderes de decisão.

                      Aprender a fazer fazendo, faz parte do programa escoteiro e talvez um dos principais. Se a patrulha não tem esta liberdade ela não cria, não cresce individualmente e muitos jovens se sentem alijados. Motivo pela qual muitas vezes não participam das reuniões e preferem deixar o escotismo. Posso até dizer e a experiência tem demonstrado que as tropas que fazem seus próprios programa e em alguns casos atividades ao ar livre sem a supervisão direta dos chefes, mantém em suas fileiras por mais tempo seus membros. Conheci Grupos Escoteiros que nunca dispensavam a colaboração dos monitores e dos próprios escoteiros.

                    O Sistema de Patrulhas e a razão da existência de uma Tropa Escoteira. Dizer que está ultrapassado e que B-P hoje pensaria diferente é tentar enganar o bom escotismo que devemos fazer. Os adultos são meros colaboradores e responsáveis pelo desenvolvimento da Tropa e de cada Escoteiro individualmente. Não cabe a eles fazer e nem tomarem a frente de tudo. Conheço tropas que em muitos casos os monitores que mantem viva a chama escoteira e elas funcionam até em casos excepcionais da falta do Chefe. Elas valorizam muito quando tem sua própria patrulha de monitores e acampam com seus chefes aprendendo e trocando ideias. Um bom Chefe lidera como irmão mais velho sua tropa e está de mãos dadas com a Patrulha de Monitores. Acampamentos, atividades e passeios com os monitores e subs fazem do chefe um líder amigo cujos benefícios serão conhecidos em pouco tempo.


                  Sei de muitos chefes que procedem de outra forma. Não sou contra. Baden-Powell sempre disse que o importante é o resultado. Se ele acontece nada deve ser alterado. A melhor maneira de analisar se tudo vai bem é ver se a evasão é pequena. Ela sim pode dar a visão exata do sucesso na Tropa escoteira. Aqueles que têm boas patrulhas, bons monitores, patrulheiros/patrulheiras motivados e com mais de um ano de atividade estão no caminho certo do sucesso. A melhor tropa é aquela que está sempre se motivando, procurando fazer o que gostam se sentindo parte do todo e dificilmente deixando as fileiras escoteiras.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Apenas coisas da modernidade.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Apenas coisas da modernidade.

Nova promessa alternativa nos Escoteiros do Brasil.
O Conselho de Administração Nacional (CAN) estuda criar uma promessa alternativa que englobe outras religiões, credos, espiritualidades e que necessariamente têm Deus como referencia. Ela não vai alterar a existente. Diz o CAN que o objetivo é o respeito à diversidade religiosa dentro da associação. Pedem opiniões de todos que possam dar sugestões. Estes devem se dirigir ao local próprio, ou seja, o site da associação. www.escoteiros.org.br/contato/elogio. Vamos aguardar. Como alguém disse se isto vai ajudar no nosso crescimento e teremos uma participação maior da sociedade brasileira. Porque não? Bem vindos aos tempos modernos.

Eleições regionais em 2016.
Aproxima-se a troca de “comando” das regiões Escoteiras. Os candidatos começam a aparecer. A primeira “chapa” se chama POR AMOR A São Paulo. Suas propostas podem ser vistas na sua Fanpage. Todos conhecidos e batalhadores pelo escotismo paulista. Como sempre prometem algum muito importante: - Transparência consulta pesquisa etc. Gosto de ver a turma interessada fazendo politica. Agora aguardar as demais “chapas” e suas “promessas de campanha”. Adoro promessas. Na maioria nunca são cumpridas. Meu medo é sair um Presidente tipo o que temos visto por aí na presidência da Republica e no Congresso Nacional. Risos. Deus me livre. Vamos aguardar. Bem vindos aos tempos modernos!

Membro do CAN prestando contas.
Em seu estado um membro recém-eleito do CAN realizou uma apresentação dos sete primeiros meses de seu mandato como Conselheiro Nacional. Quase setenta presentes na sua explanação. Dissertou sobre algumas ações desenvolvidas junto ao CAN e iniciativas dos Grupos de Trabalho que faz parte. Eventos nacionais, Avaliação do Planejamento Estratégico e participação na Comissão Nacional de Reconhecimento e Condecorações. Mostrou que seu mandado será transparente. Bom mesmo seria uma transparência da liderança escoteira no Brasil. Quem sabe começar a conversar, escutar e pesquisar? Bem vindos aos tempos modernos.

Aumento do efetivo.
A uma euforia no ar. A EB (Escoteiros do Brasil) irá registrar este ano um número superior a 80.000 membros. Poderá chegar a 81.000 ou 82.000. Superou assim quase cinco mil do ano anterior. Só não explicou porque comparou 2014 a 2010 e achou que teve crescimento fantástico. Não explicou a evasão de quase 5.800 membros neste ano. Enfim, é um sobe e desce enorme. Um ano sobe outro ano desce. Quem sabe os novos membros do CAN iriam ser mais transparentes nestas informações? Bem vindos aos tempos modernos.

Pesquisa de avaliação.
Os Escoteiros do Brasil lançaram uma pesquisa de avaliação dos eventos nacionais. Querem conhecer as preferencias e sugestões dos associados. Pretendem oferecer eventos cada vez melhores. Irão discutir também as taxas cobradas para todas as atividades. Os questionários são direcionados conforme o ramo. Pontos diferentes para jovens e adultos. No “Meu Sigue” é aberta a participação de todos associados que estão devidamente registrados. Não entendo bem esta forma de pesquisa. Já fizeram tantas sem sabermos os resultados. E a discussão dos novos estatutos? Vamos aguardar. Bem vindos aos tempos modernos.

A Frente Parlamentar em ação.
Comenta-se que a Câmara de Deputados analisa o Projeto de Lei 20/15 do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) que classifica gastos com o apoio ao escotismo como gastos com educação para efeito do cumprimento do mínimo constitucional de investimento na área (?). Serão válidos os gastos com apoio a programas de inserção do escotismo na rede regular de ensino, em atividade extraclasse fora do horário escolar regular. Pela constituição a União é obrigada a gastar em educação 185 da arrecadação de impostos. Caso a proposta seja aprovada gastos com a promoção do escotismo fariam parte da conta. O deputado em questão já foi relator da medida MP 671 da renegociação das dívidas dos clubes de futebol. Dizem que levou bola nas costas. O lobby da CBF atuou forte para descaracterizar o texto no dia da votação. Bem vamos confiar. Bem vindos aos tempos modernos.

Baden-Powell devia ser esquecido.
Um relato de um articulista Escoteiro dizia que precisamos esquecer um pouco este velhinho Escoteiro. O que ele escreveu não é mais tão importante assim nos dias de hoje. O colunista Escoteiro cita a adoração de muitos pelas suas frases e comentários que hoje não tem mais a validade que teve nos tempos de outrora. Quem sabe suas idéias não todas, mas parte delas são ultrapassadas. O articulista rebate a onda saudosista e diz que precisamos acender a chama para a nova pedagogia dos novos tempos que virão para o escotismo. Confirma que as tradições devem ser lembradas e que elas hoje não têm grande significado para os jovens. O jeito é esperar os resultados. Quando virão? Bem vindos aos tempos modernos.

Um Velho Escoteiro chato de galocha comenta:
Para uma população de mais de 204 milhões de habitantes quantos são os Escoteiros do Brasil? – Quando em 1910 o escotismo espalhou por diversos países nesta data o Brasil estava incluindo entre os dez primeiros que adotaram o escotismo como forma de educação aos jovens. Dentre estes temos o menor número de membros praticantes. Levando em termos nossa população, temos o menor efetivo Escoteiro da América Latina. Este Velho Chefe Escoteiro viu em sua vida adulta muitas promessas, muitas inovações, experiências fantásticas e até mesmo planos que não coadunam com a politica badenianas. Este Velho Chefe Escoteiro acredita, entretanto que um dia teremos um escotismo forte, unido, fraterno e quem sabe, uma pequena pitada do método de B.P. Será que vale a pena esperar? Bem vindos aos tempos antigos. Ops! Modernos, desculpem.


Enquanto isto eu e o Chefe Elmer continuamos a escrever sobre escotismo. Pode? Tempos modernos. Kkkkkkk.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Significado das Cerimônias


Conversa ao pé do fogo.
Significado das Cerimônias

GRANDE UIVO significa uma forma de mostrar que os Lobinhos estão prontos para obedecer às ordens do Akelá e, mais do que isso, fazê-lo da forma Melhor Possível! Assim, é também uma forma de reafirmar a sua Promessa e dar boas vindas ao Akelá. Esta cerimônia lembra as reuniões da Roca de Conselho, onde o Akelá ficava sobre a pedra e os Lobinhos à sua volta, prontos e fiéis para cumprirem as suas ordens.
CAÇA LIVRE significa que a partir deste momento os Lobinhos caçarão sozinhos, sem a liderança do Akelá, por esse motivo deve ser feita somente no final da atividade, realmente no momento em que o chefe da Alcatéia deixa de exercer vigilância sobre os Lobinhos, desenvolvendo assim um sentimento de responsabilidade. Liberações durante a reunião correspondem ao “BOA CAÇADA”.

A PROMESSA além do significado primeiro que é o compromisso assumido que resulta na entrada do membro na fraternidade escoteira, o Lobinho tem o seu lado romântico que é analógico ao tema da Jângal, ou seja, ele passa ser um lobo, ele ingressa na Alcatéia de Seeonee e passará a viver de acordo com as suas leis e sob a liderança do Akelá.

A PASSAGEM DO LOBINHO, indiscutivelmente, é a retratação da história a embriaguez da Primavera, onde o Lobinho deixa a Jângal e ingressa na Terra dos Homens, que vem a ser a Tropa formada ao lado da Alcatéia. O obstáculo existente entre a Alcatéia e a Tropa significa os próximos obstáculos que ele terá que vencer, só com seus próprios conhecimentos e sem ajuda dos Velhos Lobos. Esta é uma das cerimônias mais bonitas e tocantes na Alcatéia; por isso, deve ser preparada com cuidado e observados os seguintes itens para que alcance o seu objetivo:

1.     É importante que seja explicado antes o significado da cerimônia ao Lobinho, para que ele compreenda o seu significado, os demais Lobinhos e a Tropa também deverão estar conhecedores do significado que poderá ser relatado sucintamente no início da cerimônia, acrescentando-se detalhes a cada nova passagem, ou mesmo, poderá vira a ser relatado em uma determinada reunião de Tropa.
2.     É sumamente importante que a Chefia de Alcatéia demonstre a alegria e o orgulho por seu Lobinho estar alcançando este novo estágio, a cerimônia deverá ser alegre o suficiente para demonstrar isso.
3.     É também importante à presença do Presidente/Diretor Técnico do Grupo nesta cerimônia, o que irá evidenciar o sentido de globalidade e identidade do Grupo Escoteiro. Poderá haver algumas atividades conjuntas entre a Tropa e a Alcatéia, coordenada pelos dois Chefes de Seção, neste dia, o que acentuará o espírito de Grupo.
4.     Reafirmar a sua Promessa e participar do Grande Uivo significa fidelidade a estes princípios até o fim.
O regresso de Mowgli já crescido à Aldeia hindu é à entrada do indivíduo adulto, bem equipado, na vida social e comunitária.
Os animais na realidade são como ele, estão no interior dele, mas agora ele está pronto para viver com os homens, agora começa a sua vida humana. A Lei da Selva ensinou-lhe o que é ou não aceito na sociedade e, graças a ela, Mowgli é capaz de uma vida mais evoluída.

O Livro da Jângal encerra toda uma filosofia!

Aplicação destes valores
É preciso ter em mente a importância de todos estes significados para podê-los aplicar corretamente; à medida que associamos nossa vida de Alcatéia a vida de Seeonee, assumimos um compromisso de sermos fiéis a ela, sob pena de destruirmos a própria credulidade nos valores que tentamos transmitir.
Exemplificamos: Um Akelá deverá analogicamente liderar por ser o mais forte, pensar na coletividade, espelhar o que Akelá é na história, então um Akelá que procurar primeiro satisfazer suas necessidades deporá contra a imagem do líder, um Akelá desmazelado demonstrará que não sabe mais, pois não sabe nem se cuidar. Assim, destruiremos tudo o que a história pode construir.

Da mesma forma, não podemos fazer que meninos “encarnem” a figura de lobos se o fundo de cena da atividade for totalmente incompatível com a Jângal, tanto do ponto de vista técnico (daí o fato de não haver Modalidade para o Ramo Lobinho) quanto na própria expressão dos valores (que animal da Jângal praticaria jogos de azar, por exemplo?). Para que estes valores, tão a propósito e de acordo com a realidade infantil possam funcionar, é preciso que primeiro, nós os levemos a sério, os saibamos entender, para depois aplicá-los corretamente, oferecendo assim aos meninos rica flora de aventuras, capaz de fazê-los sonhar e vibrar, acrescentando às suas vidas dádivas importantes de caráter que melhor os prepararão para a vida adulta. Os fundamentos da Alcatéia e a razão do seu sucesso são:
§  Obediência e respeito ao Akelá.
§  Capacidade de renuncia aos interesses individuais em proveito dos interesses coletivos.

§  A lei da selva conhecida por nossos Lobinhos, que estabelecem pensar primeiro nos outros, abrir olhos e ouvidos, estar sempre alegre e limpo, ouvir velhos lobos e dizer sempre a verdade, são como uma tradução infantil das atitudes e condutas próprias do indivíduo que está em boas relações consigo próprio e com a sociedade.

sábado, 14 de novembro de 2015

Nada acontece por acaso.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Nada acontece por acaso.

               Não tenho o dom de conhecer a verdade. Sou um simples mortal e não um Velho feiticeiro. Alguns ainda perdem tempo lendo o que escrevo, mas outros tantos passam longe dos meus escritos. Dizem que tenho a mente no passado sou saudosista e não vejo o presente. Bem cada um tem o direito de dizer ou pensar de mim o que quiser. Tinha uma miscelânea de temas para escrever e separei alguns. Vou me meter em áreas que desconheço, afinal sou um Velho Chefe Escoteiro iletrado e o pior pobre. Risos. Não posso montar uma assinatura bonita nos meus e-mails dizendo tudo que sou. Têm assinaturas lindas, Doutor Fulano, Pedagogo, Professor Universitário, Jornalista, CEO de uma multinacional e assim por diante. Pensei em criar uma: - Chefe Osvaldo, um Escoteiro fora do seu tempo. Chefe? Escoteiro? Já vi alguns do movimento que dizem detestar esta palavra. Dizem que quem tem Chefe é índio. Achei que era cacique. Bem meus conhecimentos não vão a tanto.

                 Estamos aí às voltas com as estudantadas. Agora tomam escolas, fecham tudo e os pais e professores do lado de fora aplaudindo. Devem ter razões de sobra para isto. Afinal nossos governos são ineptos e só se preocupam com eles próprios. Li aqui e ali as razões do Secretário da Educação. Li também as metáforas dos estudantes colocando seus pontos de vista. Nada contra. Como sou antiquado achei que a escola era para estudar, aprender crescer e ser alguém. A minha primeira escola ficava a cinco quilômetros da minha casa. Levantava cedo e só as duas ia almoçar. Devia ter feito uma intervenção ou mesmo uma passeata. Quem dera, era outros tempos como dizem por aí, hoje a liberdade ainda que tardia prevalece. É mesmo. Outro dia mesmo encerraram a greve dos professores. Não sei quantos meses. Receberam seu pobre dinheirinho todo mês e não trabalharam. Mas eles precisavam mostrar que eram abnegados e o governo não reconhecia seus valores. (e não reconhece mesmo).

                        A estudantada se diverte. Já aparece nas janelas o líder. Dá ordens, diz o que deve ser feito, mostra sua indignação. Não posso retirar a razão dele. Sempre olho no futuro e o vejo como um futuro politico, quem sabe começa com vereador e termina como senador. Não tem um lá que foi assim no passado? Falando nos políticos estamos bem arrumados. Todos maldizem a maioria. São chamados de tudo. Levam à pecha de corruptos, alguns dizem que é coisa da oposição. Gosto de ver as defesas que fazem. Não sei se foi Getúlio Vargas quem disse – Que moralidade é essa? “Aos amigos (ricos) tudo; aos inimigos (pobres) os rigores da lei”. Disseram-me que foi Rui Barbosa o autor, mas o Google me contradiz. O pior de tudo que vivem apregoando que o “Petróleo é nosso”. Eu nunca recebi um centavo sei que paguei a gasolina todas as vezes que precisa encher o tanque. Encher? Isto é piada. – Moço, bota dez paus!

                         Querem derrubar a presidenta. Na minha opinião não foi honesta. Eu sempre votei no PSDB, mas o que ele faz hoje? Puxa o saco de quem não merece e quando o barco começa a afundar ele salta fora. Como dizem por aí, descem do muro. São poucos que ainda tem dignidade para continuar no cargo. Mas têm outros de outros partidos que merecem meu apreço. Não sei se eles foram tomar banho na Lava Jato. Ainda bem que os heróis são poucos e um juiz herói mostra a nação que podemos ter leis. Põem grandões engravatados atrás das grades. Eles berram, seus advogados citam leis, na mente deles os diretores e presidentes são perseguidos pela justiça do Juiz. Sei lá. No fundo eu gosto de ver eles no xilindró. Estou a pensar em quem vou votar no ano que vem. Dei uma olhada na lista que a UEB convidou para participarem da Frente Parlamentar Escoteira. Humm! Sei lá. Para mim não sobrou nenhum. Como tenho 74 e entrando nos 75 anos não sou mais obrigado a votar. Mas a coceira de dar meus pitacos é demais.  

                      Queria falar sobre leis, direitos e deveres. Com que argumento devo começar? Veja o que acontece hoje. Todo mundo tem direito. Junta um punhado de vinte ou trinta, tem aqueles que consegue cem ou mil e lá vão eles fazendo sua passeata pelas ruas sem perguntar se o direito deles termina onde começa o meu. Eles tem razão? Claro que tem. Suas causas são justas, mas e a minha que tinha horário para trabalhar, horário da consulta ao médico, horário de estar no fórum para explicar ao Juiz porque não paguei a prestação e ao banco não vale? Pensei com meus botões (quase não tenho nenhum, perdi a maioria da blusa de frio de tão velha que ela é.) Será que não tenho direitos? O moço para o carro na minha porta abre todas as portas e a todo volume coloca suas músicas preferidas. Cada um de correr para os Montes Apeninos.  Eu que gosto de ouvir nas minhas horas calmas um “L’orfeu de Claudio Monteverdi, ou Dido Ands Aeneas de Henry Purcel, ou mesmo um Giulio Cesare In Egitto de Georg Friedrich Händel me estremeço e começo a ficar louco”.

                       Ah! Leis. São estupendas. Outro dia um Chefe me disse: Não podemos mais acampar, mochila as costas, bandeiras ao vento. Se não der certo um pai ou uma mãe nos processa e nos coloca no xadrez. Afinal a UEB insiste no ECA (Estatutos da criança e do adolescente). Agora tem até curso para isto. Se não fizer não pode ser Chefe. Lembro-me de Dona Sinhá, sabe quem é ela? Uma vara de marmelo que minha mãe tinha atrás da porta do banheiro. – Vado Escoteiro! Se errar vai prestar contas a Dona Sinhá! Já pensou eu menino, chegando à escola e dizendo a Dona Terezinha minha professora que ia ocupar a sala e ela se retirasse? Será que mamãe e papai ficariam na porta me aplaudindo? E viva a Dona Sinhá! Enquanto isto a juventude toma conta. Cheguei outro dia em casa de um amigo. Todos na sala. Lindo de morrer! Há tempos não via isto. A mocinha com seu smartfone na mão nem me olhou. O jovem sorriu ao me ver e pregou os olhos mais ainda no seu novo tablet. A esposa velha conhecida me disse oi com os olhos pregados no seu celular. O Chefe meio sem jeito me disse: Chefe Vado Escoteiro pode me esperar um pouquinho?


                        Não desisto, nunca desisti. Sou espiritualista, acredito que novos tempos virão. Hoje está aqui uma horda de espíritos que foram dados novas oportunidades. Se eles vão aproveitar ótimo. Se não irão pagar por isto e voltarão quantas vezes se fizer necessário. Outras religiões também tem sua explicação. Deus acima de tudo e Jesus no coração. Ainda bem. Os Ateístas vivem com os pés no chão. Morreu bau bau. Quem sabe é melhor assim? E o escotismo? Dizem que vai bem obrigado. Ainda com a sede do poder. Que poder? Ah! Sim o tal poder do nada. Mas a fila é grande e a procura enorme. Todos querem uma boquinha na corte. A fila dos formadores não para de crescer. As razões continuam as mesmas, fazer do Brasil uma grande nação escoteira. E tome normas, leis e o escambal. Sem conversa Chefe! Não tem registro? Se prepare, irá pagar todos os seus pecados nas raias de um fórum qualquer. E olhe esqueça o SINGUE. Ele é o coração Escoteiro. Como não tem este direito vai pagar tudo que deve e o que não deve. Aguarde para breve um processo judicial! Falar mais o que?

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tempo “bão” tempos que não voltam mais.


Ah! Dormir, sonhar, lembrar e não esquecer jamais...
Tempo “bão” tempos que não voltam mais.

                    Ouve um tempo que foi há tanto tempo que nem sei se esse tempo ainda pode de novo voltar... Nem que seja em saudades, em pensamentos, em vontades daquela que faz a gente sonhar, tremer, tempo que a gente lembra e vive a se orgulhar. Tempo “bão” de bastão a caminhar, bandeirolas soltas no ar. Chapelão do sol do quente do poente de tudo que ele guardava na chuva, na caminhada, patrulha danada que saia por aí a acampar. Tempo de ver tanta gente, olhando a gente sorridente, a dizer baixinho com orgulho a que ao seu lado estava: - São escoteiros, valente caminheiros que vão mudar a nação. Trazem no peito o orgulho de um brasileiro sonhador, que acredita no futuro um futuro promissor. Tempo, por favor, traga de novo ao vivo o tempo que eu vivo a sonhar...

                      Patrulha sedenta por descobrir, uma trilha verde jeitosa, de encontrar uma árvore frondosa e sem discutir ou falar, todos iam se sentar! Respirar a natureza em toda sua realeza olhar ao redor e pensar: - Terra bonita, terra do boi valente, da onça que aparece de repente, do Pica Pau espantado, olhando por todo lado, a patrulha que parou, parou na sombra da árvore, naquela tão bela tarde um suspiro para voltar a caminhar. Quem já viu uma patrulha, andando pela colina, correndo pelas campinas, nas costas mochilas encantadas e tudo ali eram levadas, para uma refeição, um bom café matreiro, coisa de bom Escoteiro? Tempo da descoberta, do rio para pular, da jangada tão perfeita que nas águas tão travessas era um vai e vem para atravessar.

                         Tempo do feijão na brasa, da carne no carretel, do sal do sarapatel, do olhar do cozinheiro, ao lado os escoteiros, esperando a boia terminar. Sons gostosos de quem ouviu o bater nos pratos como a dizer; - Turma amiga da onça é hora de encher a pança. É e cantar que hoje a boia é boa, tem arroz queimado, o feijão está bichado e a carne estragada. Sorrisos em profusão, mas tudo sendo consumido, na panela o arroz cozido, fazia sorrir valentões. E a noite escurecendo, o tempo que foi passando, hora dos ventos noturnos, hora de limpar o coturno, hora de um belo jantar. Jantar feito na moita, bebendo uma bela sopa de tomate, ou de abacate você já viu? “Bão” demais meu amigo. Coisa de bons mateiros, bons valentes escoteiros na clareira da floresta, pois esta noite terá festa.

                           Apenas uma patrulha? Pode ser uma duas ou três não importa. O Chefe confiava, na turma acreditava que tudo ia nos conformes, nada daria errado. Monitor um companheiro, um bom líder Escoteiro, a contar causos sem fim. Sempre tinha o gaiteiro, nas estradas nos atoleiros ele tocava: - £ “Em uma montanha bem perto do céu, existe uma lagoa azul”. E a gente acompanhava todo mundo só cantava lembrando a família que muito longe ficou. Mamãe papai cofiava. Sabia que só valentes escoteiros de repente iria um dia ser homem honrado, com todo mundo apalavrado, orgulho de uma era, que nunca mais irá voltar. Hã chapéu que representava, por onde a gente passava, ali estão os escoteiros do Brasil.

                            Será que ainda verei mochileiros escoteiros, correndo por aí nas montanhas, acampando em vales enormes, dormindo sob o céu estrelado fazendo um escotismo gostoso, onde o Chefe confia e deixa acontecer? Será que verei no horizonte, bandeiras do Brasil tremulando, nas mãos de um Escoteiro de hoje, altaneiro viageiro, mostrando a sua raça, deixando a vida sem graça do moderno que nada tem? Ainda fico pensando onde anda os patrulheiros, que dão a vida pela patrulha, que seguram o seu bastão como se fosse sua alma seu coração? Quem sabe eles trarão as respostas, quando os chefes acreditarem que o escotismo deles e de mais ninguém. Quem sabe seguirão o líder, que um dia disse na Jângal: “Quem ao crepúsculo já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite;... deixai-o seguir com os outros, pois os passos dos jovens se volvem aos campos do desejo provado e do encanto reconhecido...”.
                                  Se isto acontecer irei para a terra dos meus ancestrais sorrindo, já pensei em deixar de sonhar, mas isto não pode acontecer. Quero ainda ver os novos remanescentes, fazendo nem que seja de improviso, aquele belo escotismo, que um dia irão orgulhar. Sei que o chapéu é ultrapassado, que mesmo não sendo amado pode trazer o calor, de sentar em volta do fogo, uma chaleira fumacenta, um café brasileiro esquenta um papo aqui outro ali, menino vai ser bom demais. Sei que é difícil de ver, afinal sou Velho ultrapassado o meu escotismo sonhado já deixou de existir. Mas me provem que um dia de vestimenta e tudo, partirão sorrindo nas trilhas, sem ter a sua chefia para tudo atrapalhar. Mostrem que não há tempo, seja em qualquer momento existem bons escoteiros, com seu monitor gritante avante, patrulhas! Sigam-me, pois agora é nossa hora, partiremos sem demora ao nosso acampamento anual.

Boa noite meus amigos e amigas, durmam com Deus e não esqueçam, façam como B-P: Arregace as mangas e tome iniciativa, olhe longe e depois olhe ainda mais longe... Bons caminhos escoteiros, valentes e bons brasileiros!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Desculpe, mas este escotismo não é o meu!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Desculpe, mas este escotismo não é o meu!

              Ando meio “tantan” com o escotismo moderno. Estes dias li dois comentários e fiquei meditando se é este o escotismo que B-P pensou quando fundou as bases do movimento Escoteiro. Dizem que ele era milico, exigente, mandão, mas confesso que nas suas fotos ela representa toda a antítese destas análises que fazem sobre ele. Melhor abrir a crônica com os comentários lidos:

Primeira – Uma Chefe escreve dizendo aos seus amigos que está saindo do movimento Escoteiro. Treze anos em atividade, colaborou em curso, dedicou com amor a causa por acreditar que no escotismo ela poderia tentar ajudar a deixar um mundo melhor. Neste período ela ajudou algumas pessoas a seguir os ensinamento do fundador. Alega que por não concordar com algumas coisas que acontecem e sabe que irão continuar a acontecer não dá mais para prosseguir. Interessante que ela diz palavras já conhecidas tais como que o maior problema do movimento são os adultos. Perfeito. Termina agradecendo a todos que lhe deram apoio e deixando um alerta e um abraço aos amigos que fez. Não entra em detalhes sobre o que aconteceu.

Segundo – Um Chefe consultou a UEB na figura de um profissional ou Consultor Jurídico sobre a participação de Grupos que não possuíam o certificado de autorização emitido pela UEB. Sua resposta foi curta e grossa: Leia o artigo 6º da Resolução 05/2014. Ele é explicito sobre isto. O Grupo Escoteiro que não possuir o Certificado de Autorização de Funcionamento Anual não pode promover e participar de atividades de qualquer natureza, nem fazer uso dos direitos previstos no Estatuto e Regulamento da UEB. Perfeito. Sua Excelência com toda sua sapiência fechou a questão.

                      Como se pode observar um assunto nada tem de relevante com o outro. Mas será isto mesmo? Eu na minha insignificância fico pensando nos tipos, estereótipo, vulgar e banal que hoje temos no escotismo. É bom possivel que estes tipos sempre existiram desde que Adão descobriu o Éden e aprontou. Fico pensando com meus botões, porque existem no escotismo pessoas de má índole, intolerantes, prepotentes, donos da verdade e o pior aqueles que querem estar acima dos demais? Estamos cheios destes tipos por aí. Eles se agarraram na Liderança da UEB em algumas Regiões, em distritos e o pior existem até nos Grupos Escoteiros. Consideram-se uma raça ou quem sabe uma casta a parte. Gostam de citar normas, artigos, POR e se gabam de ter conhecimentos acima de qualquer mortal escoteiro.  

                       Afinal o exemplo vem de cima. A UEB é supra sumo do escotismo brasileiro. Está em um grau mais elevado que os demais mortais escoteiros. Ela determina, manda, não pergunta a ninguém, não discute, não faz pesquisa se acha na posição máxima de ditar o que quer e o que não quer. Não me venham dizer que ela é a entidade máxima do escotismo nacional. Na verdade se pensarmos em termos democráticos ela sempre foi eleita por menos de 0,2% do efetivo adulto Escoteiro e quem sabe menos de 0,001% de todo o efetivo nacional Escoteiro. Por favor, não venha me mostrar os estatutos, esta ínfima percentagem foi ela quem determinou e escreveu. Não representa a vontade de todo o escotismo brasileiro. Nunca em tempo algum ela perguntou se estava acertando. Nunca em tempo algum ela pesquisou se era isto mesmo que seria de interesse dos escoteiros do Brasil.

                       Sem perguntar a ninguém definiu um emaranhado de vestimentas sempre com um ou outro a defender. Não deu oportunidade a ninguém de dizer que não devia ser assim. Jogou o pano, o feitio, a confecção e os preços para cima dos grupos e determinou a tal votação para escolher entre o caqui e a vestimenta. Dizer o que? Se antes disto ela determinou a todos seus comandados com mais “status” a darem o exemplo usando a vestimenta falar mais o que? Mas não é este o tema que queria escrever. É sobre os dois comentários que abriu esta crônica. Alguém sabe por acaso se o Doutor em leis da UEB se preocupou com a saída da Chefe com 13 anos de atividade? A UEB por acaso mandou para ela um e-mail, deu um telefonema, nomeou algum representante para ouvir suas razões e quem sabe pelo menos tentar entender sua atitude? Isto seria uma piada se acontecesse. A UEB é onipotente!

                       Agora o escoteirinho de Brejo Seco e o Zé das Quantas seu Chefe tirem o cavalo da chuva. Se não registrar e fazer escotismo pode ser processado. Os grupos que não satisfazerem as normas esqueçam-se de participar com seus irmãos escoteiros. Olhe, sei da necessidade do registro, mas estamos caminhando para um fascismo puro e líquido. Hoje não se vê mais o amor, o abraço, o sonho impossível de dormir sob as estrelas. Não se vê mais um Sempre Alerta, um melhor possivel gostoso de um Lobinho ou mesmo o Servir do Pioneiro. Agora é a vez do SAPS, do oi, do olhar direito que se aprende nas escolas do direito. Será que nós chefes não estamos seguindo o mesmo caminho? Onde estão os sonhos aventureiros dos meninos e meninas? Onde está a mística da Jângal no olhar do Lobinho e da Lobinha? Ontem mesmo um Chefe me contou que sua Chefe voltou de um curso e disse que acabou A TRILHA ESCOTEIRA! É assim? Sem mais nem menos? Sem perguntar se deviam mudar e o porquê quando e como?

                       Eu fui Presidente de uma Região Escoteira. Faz tempo, muito tempo. Quantas atividades nacionais e regionais organizei? Nunca coloquei na inscrição a obrigatoriedade do registro. Todos eram bem vindos. Não importa a cor, o credo, não importava o uniforme não importava as leis e normas. Para mim o importante era o sorriso do jovem. Sempre dei muito valor aos acampamentos bem feitos. Hoje não se fala mais nisto. Embolam jovens de todas as idades onde o Sistema de Patrulha, os acampamentos de Gilwell estão desaparecendo como o vento perdidos nas tempestades e não sabe aonde ir. Não sei e não afirmo, mas estes dirigentes presunçosos, cheio de saber, querendo se mostrar os tais no escotismo não fizeram o verdadeiro escotismo de B-P. Eles quem sabe se ressentem de não ter recebido um aperto de mão sincero, um abraço, um sorriso e nunca ouviram alguém dizer: - Chefe seja bem vindo, sem você não somos ninguém, pois a fraternidade não tem fronteiras.


Termino com poucas palavras: - Não tenho registro na UEB, amo o escotismo de B-P, sou Escoteiro deste os sete anos e hoje nos meus setenta e quatro anos eu sei que vou morrer Escoteiro. Não sou de outra associação, tenho minha maneira de pensar e sou livre para dizer o que penso. A Escotista que está saindo tem razão e muita razão – OS ÚNICOS CAPAZES E POSSÍVEIS DE PÔR O ESCOTISMO A PERDER SÃO OS PRÓPRIOS CHEFES E DIRIGENTES.