HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sexta-feira, 31 de março de 2017

O "velho" e saudoso bastão Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
O "velho" e saudoso bastão Escoteiro.

                      Tenho lido aqui no Facebook comentários a respeito do bastão Escoteiro. Interessante. Já há tempos foi abolido e abandonado na maioria das tropas Escoteiras. Apenas algumas ainda se arriscam a tê-los. Quem comenta mais são os saudosistas. Eu entre eles. Agora que não existem mais ainda bem que sobrou o bastão da Patrulha, claro sem ele como usar totem? Tenho receio que também vão aboli-lo.  Não sei. E o totem onde vai parar? Os “çabios” da UEB sempre irão achar um lugar! Não digo que não usaria de novo. Mas porque não? Para dizer a verdade eu usaria sim. Mas concordo com o que dizem. Um trambolho para levar e trazer do acampamento e muitos que não estão acostumados irão esquecê-lo em qualquer encruzilhada de uma aventura, acampamento, ou seja, lá o que for. Mas meus amigos, sempre disse que tudo é uma questão de costume. Hábito de comportamento.

                         Quando jovem eu mesmo o fiz assim como os demais patrulheiros. Calmamente sem pressa. Escolhi o meu primeiro de um pé de goiabeira, acho que durou muitos anos. Mesmo passando para os seniores eu ainda o usava, apesar de que nesta sessão praticamente ninguém nunca o usou. A Patrulha sabia reconhecer um bom bastão escoteiro. Ele contava a história de seu dono. Seu tempo de atividade, seu crescimento, suas etapas, seus acampamentos. Mil coisas. Lembro que até os cursos escoteiros do passado todos os alunos ainda usavam o bastão.

                     Mas o bastão queira ou não tinha mil e uma utilidades. Abrir picadas em matas, se defender de animais peçonhentos, e olhe importantíssimo em trilhas desfeitas para fazer barulho e espantar alguma cobra no caminho. Elas correm ao ouvir o som. Ele era imprescindível em jogos, (lembranças gostosas do Quebra Canela!) serviam como escada para elevar um Escoteiro em uma árvore alta, na montagem de campo e claro nunca esquecer suas mil e uma utilidades nos casos de emergências: - Uma torção do pé, alguma dor na coxa e se necessário se transformar em uma maca rapidamente com duas camisas. Quando acampava ninguém ficava sem seu bastão.

                  Logo ao descer a tralha da carretinha ou de um ônibus sempre lembrava que não deviam esquecer-se de fazer seu bastão Escoteiro e andar com ele. Fácil de fazer. Medidas? Altura até o inicio do pescoço, uma circunferência do dedo indicador e polegar em forma de O, e pronto você tem seu bastão escoteiro. Escolher uma madeira boa nem sempre é possível. Mas você deve lembrar aos escoteiros que ele deve aguentar seu peso, e não deve ser pesado para que fique fácil seu manuseio. Dependendo do bambu é uma boa pedida e pode ser usado sem sombra de dúvida. Claro que ao terminar o acampamento ele seria descartado.

                    Muitos não gostavam. Escolheram tanto e agora jogar fora? Não dava para pegar ônibus urbano, mochila, sacos de intendência e bastão. Mas sempre dávamos um jeito. Lembro-me que qualquer Escoteiro sabia como usar. Quando estavam em forma, em posição de alerta (sentido), descansar ou saudando a chefia e a bandeira e andar em marcha de estrada. Até hoje gosto de ver um Monitor ou sub. passando o bastão para o outro. Uma cerimonia que todos orgulhavam. Não sem se ainda fazem assim. Mudou-se tanto! Ah! Esses “çabios” da liderança de hoje inventam tanto!

                Mas convenhamos que hoje ele seja supérfluo. Quem o dispensou eu não sei, mas deviam ter feito uma pesquisa nacional com os escoteiros para dizerem sim ou não. Afinal para que serve o velho ditado: “Consultem os jovens”. Isto é só para “inglês” ver? Aos poucos retiraram ou mudaram muitas coisas do passado. Acredito que os jovens agora pensam de maneira diferente. Tenho que concordar. Nossos dirigentes devem saber o que fazem. Mas me pergunto, está dando certo? Resultados? - Acreditem, quando vejo uma foto de outros países ou mesmo aqui do nosso, onde os meninos estão de bastão fico orgulhoso. Dei boas gargalhadas quando alguém me disse que BP colocou o bastão para lembrar o fuzil do exército, pois ele sempre viu todos como futuros soldadinhos. Risos. Tem cada uma desses valentes pensadores escoteiros.

                Pois é, dizem tanto sobre BP. Meu amigo BP! Falam tanto sobre ele que até esqueço se foi verdade mesmo que existiu. Quem sabe agora existem os novos que são modernos, querem ser amados, chamados de Grande Chefe de Lider nacional de formador e o escambal. Quem sabe um dia serão considerados os novos Baden Powell da liderança mundial escoteira. Mais modernos mais atuais. Fazendo um escotismo forte e vigoroso. Orgulho da nova geração. Uau! O que seria o escotismo sem eles?


                Um dia vou por aí a vaguear pelos campos e se achar um belo bastão e eu o trarei comigo. O meu não tenho mais. Já tive um famoso, um metro e sessenta duas e meia polegada, ponteira de aço, histórias de fatos marcados a ferro e fogo. E se tiver a sorte de achar um, num pé de goiabeira qualquer, vai ficar em lugar de honra em minha casa. Irei colocar nele tudo que fiz e que ganhei na minha vida Escoteira. Mas isto não deve interessar a ninguém. Não mesmo. Existem outras coisas mais importantes para oferecem aos escoteiros para os motivarem. É melhor deixar com os antigos as recordações. São coisas de “Velhos” escoteiros rabugentos e suas manias. Risos.  


Os que viveram no “Tempo das Diligências” lembram-se do Bastão Escoteiro. Quem não teve um? Quem não aprendeu suas normas e seu uso? Dava gosto de ver. E os monitores esbeltos a fazerem piruetas no ar com o seu? O orgulho da patrulha, do totem, de ver cada um com suas lembranças marcadas a fogo no bastão. Belos tempos!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Crônicas do Velho Chefe Escoteiro. Nada de novo no Front!


Crônicas do Velho Chefe Escoteiro.
Nada de novo no Front!

                 Foram inúmeros os artigos que fiz sobre o Escotismo Brasileiro. Comentei sobre a evasão, a nova metodologia de formação, o sistema utilizado para a escolha dos nossos dirigentes e inúmeros sobre a perda da identidade através da tradição que devíamos ter observado com mais atenção. Publiquei e foram poucas as manifestações o que me deu a impressão que a maioria concorda com os desmandos, exigências, admoestações e ameaças feitas no silêncio da madrugada. Baden-Powell nos deu a mais sublime maneira para sermos felizes, aprendermos mutuamente até nos transformar em uma Fraternidade Mundial com inúmeros benefícios para a humanidade. O tempo foi demonstrando que não era bem assim. Faz parte da evolução de um povo e nossa associação se transformou em uma redoma de vidro, onde os que estão não querem sair e outros querendo entrar e não conseguem.

                  Conforme a Wikipédia uma Associação é uma organização resultante da reunião legal entre duas ou mais pessoas, com ou sem personalidade jurídica, sem fins lucrativos para a realização de um objetivo comum. São voluntárias, aberta a todas as pessoas aptas a usar os seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades de sócio, sem discriminação social, racial politica, religiosa e de género. São controladas pelos seus sócios que participam ativamente no estabelecimento das suas políticas e tomadas de decisões. Bem isto deveria também ser subtendido em nossa associação escoteira. Somos uma associação única que através de uma promessa e uma lei, nos coloca disciplinarmente a aceitar tudo que a Associação define. Os estatutos que não foram discutidos abertamente com todos os sócios tolhem em muito a possibilidade em termos crédito, dar opiniões votar e ser votado.

                   O sistema de castas e projeções hierárquicas não permite que muitos contrários dos atos da associação possam ser discutidos abertamente. Qualquer membro sócio sabe que sem obedecer à disciplina férrea ou mesmo a subserviência dificilmente alguém poderá alcançar um dia o topo da hierarquia da associação. É fato notório que em todas as suas bases, seja na Unidade Local, regional e nacional as eleições são direcionadas para que a mesma liderança anterior permaneça ou então sejam eleitos os já escolhidos de antemão. É como dizem que amigos do rei é meu amigo. Ou melhor, para o amigo tudo para o inimigo a força das normas Escoteiras. Poderia alongar em muito que nestes meus quase setenta anos de escotismo vi e senti o porquê ainda somos considerados não só um país de terceiro mundo, mas nosso escotismo também.   

                 Conforme o último censo, chegamos aos noventa mil. Um nada comparado com a média populacional de jovens em nosso país. Quantas alterações imposições de novas formas de aprendizado e quantas modificações houveram em nossa associação nos últimos 40 anos? Em todas as Assembleias Nacionais ou Regionais os mesmos fatos acontecem e não mudam. Teremos agora um Congresso Nacional onde alguns lutam para serem eleitos como Delegados com vista até mesmo a disputar uma vaga no CAM (Conselho de Administração Nacional). Sabemos que aqueles que não tem uma linha de simpatia ou então são considerados “persona non grata” dificilmente serão eleitos. O legado do escotismo nacional está cheio de homens e mulheres que não se importam com o destino de nossa direção e a disciplina imposta dirige a todos para o bem comum que é a formação da juventude. A associação aplaude.

                    Sabemos de antemão que são poucos que discordam, dão opiniões e sabemos também que muitos que assim fizeram foram admoestados e muitos tiveram que sair do movimento. Enumerar os desmandos da nossa Associação são tantos que várias paginas não dariam para anotar todos. Ultimamente um dos motes preferidos é de que nenhuma atividade ou programa onde se tem dois ou mais escoteiros tem por obrigação dar lucro. A palavra prejuízo é proibida entre os dirigentes da Associação. Veja o caso do MUTPIO (Mutirão Pioneiro), uma atividade para pioneiros que o descaso dos dirigentes simplesmente ignora que nem todos podem arcar com esta despesa. Esqueceram-se de outros gastos como transporte alimentação na ida e volta entre outros.

                   Um Mestre Pioneiro meu amigo me escreveu: - Chefe sabia que o MUTPIO de novembro em Salvador Bahia, terá uma taxa de R$700,00? São três dias chefes, e olhe eu cobrei de um membro do CAN o qual torci e ajudei a ser eleito e ele respondeu que os valores estão corretos e que nada podia fazer. Três dias. Três dias por setecentos reais. E olhe que aqui nas Redes Sociais ainda aparecem chefes defendendo tais valores. E dizem que pobre não tem vez no escotismo. Veja bem, um Pioneiro é um jovem em fase de formação profissional e educacional, e sabemos que além do grande desemprego no Brasil muitos não tem nem mesmo vínculo empregatício. Se ele pensou em ir, perdeu seu tempo. Esta é a realidade no nosso Escotismo Nacional. Pagou? É amigo do Rei? Então está conosco, ao contrário peça para sair! 


               Prefiro não entrar nos detalhes da taxa extra do Jamboree no Japão, nas cobranças dos dois últimos Jamborees nacionais onde pipocavam faixas de empresas fazendo seu marketing. Pois é, sempre achei que a associação tudo pode para dar alegria aos seus associados. Nossos dirigentes (seu não meu) atuais pensam diferentes. Pagou! Bem vindo. Não tem como pagar? Peça para sair! E termino com um breve comentário de Martin Luther King um dos mais importantes lideres do movimento de direito civis: - “O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons".


 Hoje me lembrei de um artigo que fiz há tempos: “Ensinando Democracia”. Sempre acreditei que nossa associação poderia ser uma democracia plena o que não é atualmente. Anos passaram e continuamos na mesma. As unidades locais (Grupos Escoteiros) que são o verdadeiro motivo para a existência da Associação não têm os direitos que deveria ter. Ser consultada, poder votar e ser votado em qualquer escalão. Ela hoje é uma mera seguidora sem voz. Sei que muitos discordam, um direito, mas quem conhece o sistema sabe como funciona. BP comentou uma vez que nós não devemos ficar sempre a olhar para a ponta do nariz. Existem outros horizontes. E quem se habilita?

domingo, 26 de março de 2017

Fatos e tradições do Movimento Escoteiro.


Conversa ao pé do fogo.
Fatos e tradições do Movimento Escoteiro.

ORIGEM DAS BANDEIROLAS DE PATRULHAS.
As bandeirolas de patrulha surgiram no acampamento de  Brownseano ano de 1907, quando Baden-Powell colocou a prova suas idéias sobre o nascimento do movimento juvenil. No primeiro día do “acampamento piloto" organizado pelo fundador, se formaram quatro  patrulhas: TouroMaçarico, Corvo e Lobo. Estas patrulhas eram dirigidas por um jovem mais velho que recebio título de "guía" (monitor) e era o portador de um bastão com uma bandeira triangular de cor branca que tinha desenhado ecor verde o animal "tótem" dessa patrulha. 

O mesmo tinha sido desenhado  pelo próprio Baden-Powell e tinha também a inscrição "BA", simbolizando a primeira e última letra da palavra "Brownsea", nome da ilha onde estavacontecendo o acampamento.  Um ano mais tarde, quando escreveu "Scouting for Boys", BP regulamenta de forma geral esta tradição dizendo simplemente que "todo guía (monitor) de patrulha leva um bastão com uma pequena bandeirola com a silhueta do animal de sua patrulha em ambos os lados". 

Também se especifica nesta obra as cores das patrulhas, que até hoje se respeitam na maioria das associações escoteiras do mundoAs bandeirolas de patrulha fazem parte das tradições de patrulha que ajuda a formar o espírito de patrulha. O célebre Roland Phillips declarava que "o espírito de patrulha e uma disposição moral, uma atmósfera especial o ambiente natural de onde se desenvolvem os jovens, que se faz sentir-se parte essencial  de uma unidade completando-aSua presença se manifesta até nas palavras mais insignificantes e no atos e gestos de cada jovem. 

É necessário que cada escoteiro "sinta" que sua Patrulha deva ser a melhor e para isto deve fazer tudo que puder, para poder falar com orgulho "Eu pertenço a esta Patrulha"   O novo escoteiro deverá aprender a desenhar o emblema de sua Patrulha usando como uma assinatura. Estas são os meios para fazer germinar e arraigar profundamente o espírito de PatrulhaEm se tratando de escotismo os mínimos detalhes tem uma extraordinária importância porque contribuem para criar o ambiente. O essencial e que cada patrulha tenha uma característica própria e que escoteiro tenha consciência de que possui alguma característica  que os destinge dos demais.

UM CINTO ESCOTEIRO DA UEB NA LUA.
Um dos grandes momentos do Escotismo Mundial aconteceu com a primeira missão do homem na lua. Três astronautas, sendo eles todos escoteiros, realizaram a primeira Excursão Escoteira à Lua no histórico voo da Apolo 8Frank Borman foi escoteiro no Arizona, William Andres foi escoteiro na Califórnia e James Lowell atualmente atua como Escotista de uma Alcatéia de Lobinhos no Texas.

Na missão da APOLO 11, um fato importantíssimo aconteceu, Neil Armstrong, que ficou conhecido como o Escoteiro Astronauta da Apolo 11, foi o primeiro homem a pisar no satélite natural, a lua. Este fato tem para nós Brasileiros um significado todo especial. Pois, Neil Armstrong usou no seu espetacular voo à Lua o Cinto Escoteiro do Brasil, que recebeu de presente do escoteiro Carlos Laucevícius, por ocasião de sua visita em nosso pais. Os astronautas cumpriram importante tarefa como escoteiros para "construir um mundo melhor".

Quando Armstrong desceu na Lua milhares de escoteiros de todo o mundo tiveram um motivo especial para acompanhar o desenvolvimento de seu êxito, afirmou hoje o Departamento Mundial de Escotismo. É que Armstrong foi "Águia", o grau mais elevado dos escoteiros nos Estados Unidos. Por outro lado o Escritório Mundial do Escotismo informou que dos primeiros 57 astronautas que fizeram parte do programa espacial dos USA, 44 foram escoteiros.
Fonte: Texto publicado no Diário de Mogi em 13 de Julho de 1969 por Rodolpho P. J. Mehlmann.

As últimas décadas do século XIX viram nascer pensadores que muito contribuíram com teorias, pesquisas e metodologias educacionais em prática na atualidade, como Rudolf Steiner, Baden-Powell, Freinet, Maria Montessori, Dewey, Piaget e Vygotsky. Cada um com suas peculiaridades: Steiner e sua Pedagogia, Waldorf que ensina através de vivências e embasando-se no desenvolvimento e nas diferentes características das crianças e jovens. Uma pedagogia holística encarada do ponto de vista físico, anímico e espiritual. Baden-Powell propõe uma educação paralela à da escola, família e igreja, que se utiliza da natureza para a formação cidadã e acredita na identidade de idéias plantados nos jovens de todo o mundo como caminho para a ambicionada paz mundial.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Curso Ponta de Flecha.


Conversa ao Pé do Fogo.
Curso Ponta de Flecha.

                Vez ou outra eu vejo um convite para um Curso Ponta de Flecha. Alguns anos atrás um Chefe meu amigo me pediu opinião do curso. Não costumo deixar sem respostas qualquer indagação que me fazem do escotismo. Minha resposta não foi o que ele esperava e nem adequada pelo que ele acredita ser o curso para seus monitores. No passado vi dezenas de cursos ou treinamento de monitores. A primeira vez que ouvi falar no curso foi no inicio da década de sessenta. Já me disseram que ele é oriundo de Gilwell. Quem sabe seja, mas nunca vi nada na história de Gilwell sobre o tema. Comentam que existem apostilhas com boas UD (unidade didáticas) e que o curso tem respaldo da UEB. Em um pequeno manual que guardo em meu poder o introito ou prefácio diz: – “Acampamento ou curso Ponta de Flecha é destinado somente para monitores e sub-monitores, pois tem o enfoque em técnicas e liderança, que é necessário para os responsáveis das patrulhas.”.

                   Fui durante muitos anos Chefe de Tropa. Simultaneamente fui Dirigente de cursos para chefes escoteiros. Aos poucos fui assimilando e até mesmo aceitei dirigir um Ponta de Flecha e olhe que foi uma luta para ter somente 32 graduados no curso. Apareceram mais de 180 candidatos. Não ouve nada relevante na aplicação do método, no treinamento e adestramento dos monitores. Sinceramente anos depois vi que este não era o caminho. Pensei muito e cheguei à conclusão que o papel do Chefe é estar junto aos seus monitores, treinando-os, aprendendo com eles, estar ao lado deles faça chuva ou sol. Ter um ombro amigo para ajudar e colaborar. Conhecer os pais, conversar trocar de ideia, pois nenhum Chefe substitui o pai do jovem. Um Chefe que se preocupa com seus monitores, tem atividades só com eles, acampamentos, excursões supre perfeitamente qualquer curso que venha a ser planejado.  

                   Pensando por este lado, o responsável para treinar os monitores é o Chefe e mais ninguém. Ele pode até participar com eles em uma palestra, conferencias, mas é dele sua responsabilidade. Nem todos os chefes têm conhecimentos e porque não um ponta de flecha para os chefes? Uma vez fiz uma visita em uma Tropa e um dos monitores comentou que o curso foi ótimo. Pena o Chefe não estar lá para aprender como agir com os monitores. Aquele jovem se sentiu melhor com os dirigentes do curso que com seu Chefe. É como dizem de pais que deixam os filhos nas reuniões para ter um tempo livre. Será que o Chefe não faz o mesmo com seus monitores? E quanto às palestras, são tantos sábios formadores que ficam tempo demais a falar a falar e a maioria a dormir, dormir e sonhar e no final o que aprenderam?

                   Acredito que a responsabilidade única de formar preparar e treinar os monitores é seu Chefe e de mais ninguém. Muitos dos dirigentes de tais cursos, ou de encontros casuais em acampamentos não têm nenhum treinamento ou aprendizado do sistema de liderança que os monitores devem conhecer. Eu se fosse hoje um Chefe não levaria meus monitores para um curso assim. Eles são meus amigos e eu os prezo muito para jogá-los neste ninho de marimbondos. (sem ofensas). Vá lá que se o curriculum do curso e os chefes dirigentes terem exemplos pessoais na sua lide escoteira posso até pensar a respeito. Agora se eles não tem uma boa Tropa, se o sistema de patrulhas que fazem for perfeito, se a Tropa não tem evasão e se a alegria é reinante por muitos anos quem sabe até compreenderia entregar meus monitores para um curso assim.

                    Não existe nada mais sensacional que ir acampar só o Chefe e os monitores, juntos aprenderem pioneirías, construções rústicas, pescar, observar a natureza, sentar em volta de um fogo, cantar, sorrir contar piadas (dentro da lei escoteira) e trocar ideias de como liderar e ser liderado. Porque não nestas atividades só para monitores o Chefe passar o comando da patrulha para outro? Ele mesmo entrando em forma como um cozinheiro, bombeiro lenhador, faz tudo, intendente e outros? Ir fazendo trocas tantas como forem necessárias para todos sentirem como desenvolver sua patrulha. Treinar e ensinar aos monitores é papel do seu Chefe. Ele os conhece bem. Sabe como são e conhece sua vida pregressa e seus pais.

                      Técnicas de campo, técnicas especiais de orientação jornadas bivaques, medidas, percurso de Gilwell entre muitos outros é responsabilidade do Chefe e de mais ninguém. Interessante que o nome Ponta de Flecha é sugestivo. Chamativo. Mas eu fico mais na aplicação dele para formar e treinar os chefes. Um curso especifico para mostrar como desenvolver a potencialidade do monitor. Lembro que no passado adaptei um curso técnico para chefes sobre o Sistema de Patrulhas e formação de monitores. Se ele valeu ou não eu o repetiria sempre. Sei que em alguns estados que fazem cursos de Técnicas mateiras e Sistema de Patrulha para o Chefe é sucesso absoluto.

                      Posso até concordar com um Ponta de Flecha ou similar voltado para a troca de ideias entre monitores, dando possibilidades a cada um em dinâmica própria e desenvolvida democraticamente em grupos de trabalho, deixando que os monitores liderem sob a supervisão de um Chefe. Isto quem sabe poderia superar as expectativas. Não serei muito radical com o curso Ponta de Flecha. Baden-Powell comentava que o importante são os resultados. Se ele achava que dez anos seria o tempo ideal para que o escotismo pudesse aplicar seu método para formar bons cidadãos, eu acredito piamente que os monitores tem parte importante nesta idéia.

                       Finalmente lembro que sem bons monitores não existe sistema de patrulhas e sem esta não existe escotismo. Se tivesse que tomar resoluções, em faria tudo para que um distrito motivasse sempre seus chefes para aprenderem a motivar, adestrar e formar seus monitores. Os chefes repito. Ajuda sempre é valido, mas que o Chefe esteja sempre presente é ele quem toma decisões, ele é o monitor de seus monitores e através dele a formação de todos os jovens da patrulha poderá ser concretizada conforme esperamos. Como dizia Baden-Powell, me mostre uma patrulha desleixada, com poucos elementos e direi que o erro está na preparação dos monitores. Em síntese também do Chefe que não soube preparar seus monitores.


                 Sei que o mundo está mudando, aceito isto. Mas eu não mandaria meus monitores para alguém que desconhece o que eles são não sabem de sua vida e nem de seus conhecimentos escoteiros. Sempre Alerta!

Ser Chefe escoteiro é ser condutor de escoteiros e de seus sonhos. É como lapidar diamantes. Muito cuidado com o que fazes. Lembre-se que mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Pensamentos de quem tem orgulho de ser Escoteiro.


Pensamentos de quem tem orgulho de ser Escoteiro.

Não importa se você gosta de uniforme, de farda, de traje de vestimenta, ou seja, lá o que for. Não importa se você aprecia o caqui, o verde, o azul o amarelo ou o vermelho. Importa sim é que você saiba que o público está julgando você pela sua postura e seu garbo. O escotismo não pode perder seu prestígio por causa de uns poucos que ainda não se tocaram na apresentação. Veja o que disse BP sobre o uniforme:
- O garbo e a elegância no uso do uniforme e a correção dos detalhes podem, talvez, parecer coisa fútil e sem importância. Muito pelo contrário, desenvolvem amor-próprio e exercem grande influência na reputação do Movimento perante o público, que julga pelas aparências. Nesta matéria, o exemplo é tudo! Apresentem-me uma tropa descuidada com seus uniformes e eu (sem ser Sherlock Holmes!) poderei deduzir que seu chefe é negligente com seu uniforme escoteiro. Você deve pensar bem nisto, quando estiver envergando seu uniforme ou dando um toque pessoal impróprio a ele. Você é modelo para os jovens e seu garbo e elegância vai refletir neles.

Agora se você não liga pelas palavras de BP, se você acha que é moderno se apresentar de qualquer jeito, lembre-se que se o escotismo não tem o reconhecimento que merece ter, quem sabe você também tem um pouco de culpa.


- Amar o escotismo, não é só dizer eu te amo, é demonstrar isso sem precisar de palavras! 

sábado, 18 de março de 2017

sabado, dia de reunião


Hoje tem reunião, alegria de montão.

“Arriba” em frente Caqueanos,
Pé na taboa vestimenteiros...
Vai na trilha sem engano,
Hoje é dia de escoteiros.

No barco estão os do mar,
Içam a vela da flor de lis,
No céu voando os do ar,
Todos cantam, pedem bis.

Alguns estão na estrada,
Vão fazer acampamentos.
No almoço tem carne assada,
Isto é bom, belos momentos.

Canta a lobada altaneira,
Guias e Sênior de montão,
Pioneiras bem faceiras
Chefes fazem boa ação.

Aprendem a ser verdadeiros,
Honra pátria e coração
Eles são bons escoteiros
Orgulho da nossa nação.

Ventos que vem do norte,
Neste céu cor de anil,
Desejamos boa sorte
Aos escoteiros do Brasil!