HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Obrigado pela visita, volte sempre!



Um pouco do autor.

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Anotações de Baden-Powell. O Caráter.


Anotações de Baden-Powell.
O Caráter.

                     É pelo caráter dos cidadãos, e não pela força das suas armas, que uma nação se revela superior às outras. Reconhece-se que o caráter é mais importante para fazer um bom cidadão do que a simples instrução livresca. E, todavia, não existe nenhum esquema prático que permita incluí-lo na educação, nem mesmo em grau equivalente.

                     É sem dúvida a influência materna que, em regra, dá o primeiro impulso ao caráter. Mas uma mãe não pode dar aquilo que ela mesma não possui. É por isso que é tão importante que as mães da nossa pátria possuam um caráter da maior qualidade, a fim de o inculcarem nos seus filhos.

                    O caráter é em grande parte uma questão de ambiente e de formação e, mais tarde, de experiência. O caráter forma-se mais por influência do ambiente que reina fora das paredes da escola do que pela instrução ministrada dentro delas; esse ambiente tanto pode agir no bom sentido como, ao mesmo tempo, desviar muito facilmente para maus caminhos.

O saber sem o caráter não é mais do que a crosta de uma empada.
O caráter tem mais valor do que qualquer outro atributo na vida.
O êxito nos negócios não é tanto uma questão de sorte, de favor ou de interesse, nem sequer de saber, como de capacidade e de caráter.
Uma especialização no teu trabalho será decerto útil e proveitosa, mas para a promoção a postos superiores, o caráter - isto é, o ser-se digno de absoluta confiança, enérgico e ponderado - é essencial.

                    O caráter não pode ensinar-se numa turma. Tem, necessariamente, de ser desenvolvido no indivíduo, e em grande medida graças a um esforço por parte dele mesmo.

Por caráter equilibrado entendo uma maneira de ser calma e imbuída de bom senso por parte de indivíduo, que lhe permita resistir ao pânico ou a deixar-se arrastar pelo espírito de rebanho e, pelo contrário, manter a cabeça no lugar e olhar em frente com coragem e optimismo apercebendo-se do que é melhor para a comunidade, e desta forma ajudar a conduzir a nação em segurança através do nevoeiro das ideias contrárias para a atmosfera límpida da paz e da prosperidade.

- Ajudando um novo membro da Patrulha.
                       Você lembra quando iniciou no Escotismo? Tudo era novidade, você não sabia como fazer as coisas direito, e recebeu a ajuda de seus companheiros para se ambientar. Agora que você não é mais um novato, e já está bem integrado na Patrulha e na Tropa, é a sua vez de ajudar quem está chegando.
Vamos ver algumas formas de fazer isso: 

                    - Orientando o novo membro da Patrulha sobre como adquirir o traje ou uniforme, bem como os distintivos necessários; Ajudando o Monitor a ensinar os procedimentos básicos de formação, saudação e cerimônias;  Emprestando livros que ajudem a conhecer a história de Baden-Powell e do Escotismo; Contando passagens interessantes das atividades que já participou que motivem o novo escoteiro;

                    - Ajudando-o para que entenda bem as tarefas que lhe cabem na Patrulha, e como devem ser feitas; Orientando-o na aquisição de material de acampamento, como mochila, saco de dormir, etc., para que ele não desperdice dinheiro e tenha o necessário. . Ajudando o novo escoteiro a sentir-se membro da Patrulha e da Tropa, e a conquistar os itens do Período Introdutório, fazer sua Integração e sua Promessa Escoteira. 

                   - Sendo um exemplo a ser seguido. 
Um escoteiro ajuda a quem precisa; Quando tinha apenas oito anos de idade, em uma carta endereçada ao avô, o menino Robert Baden-Powell inseriu uma página intitulada: "Leis para mim quando ficar velho", com o seguinte texto:
 “Farei com que as pessoas pobres sejam tão ricas como nós. Elas, por direito, devem ser tão felizes como nós. Deus fez os pobres serem pobres e os ricos serem ricos; e eu posso dizer-lhe como ser bom, e agora vou dizer-lhe:
você deve rezar a Deus sempre que puder, mas você não pode ser bom apenas com sua prece. Tem, também, que tentar, com muito empenho, ser bom.”. 

                 - Com este seu código infantil, Robert Baden-Powell já definia parâmetros que mais tarde seriam muito importantes para escrever a Lei a Promessa Escoteiras, totalmente positivas e ativas, ou seja, não basta saber a Lei, é necessário agir para aplicá-Ias e ser, então, verdadeiramente um "escoteiro”.


BP. 1911.

Nota de Rodapé: - A atitude do Chefe é da maior importância, já que os rapazes moldam os seus caracteres em grande parte a partir do dele; o Chefe tem, pois, a obrigação de ter uma visão do seu cargo mais ampla do que se baseada em critérios meramente pessoais, e de estar disposto a sacrificar os seus próprios sentimentos para o bem do conjunto. É isto a verdadeira disciplina. B.P.

domingo, 13 de agosto de 2017

Lembranças de meu Pai.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Lembranças de meu Pai.

               Hoje me lembrei de meu pai. Afinal é seu dia. Que Deus o tenha. Tivemos poucas chances de nos conhecermos melhor. Mas ele se foi e conversamos pouco. Caladão circunspecto me olhava de um jeito especial. Sei que não foi o melhor pai do mundo, mas foi o meu pai. Ensinou-me a ser educado, obediente, cumpridor dos meus deveres em qualquer tempo ou lugar. Fazia questão de dizer que meu direito terminava onde começava o do outro. Tinha apenas o quarto ano primário. Não fora doutor. Um sapateiro, um fazedor de selas para cavalo e depois o técnico de conserto de TV. Se ele fosse vivo eu poderia dizer que ele copiou as palavras do Dalai Lama a dizer aos seus discípulos: - Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais Velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez.

                      Meu pai foi um homem do seu tempo. Fazia questão da honra, exigia muito dos filhos quando se pensava em caráter. A palavra para ele era tudo. Era daqueles que dizia que o fio do bigode valia mais que uma assinatura. – O homem que não tem palavra não pode ser considerado homem dizia sempre. Não foi um pai severo, nada disto, nunca o vi levantando a mão para qualquer filho. Bastava seu olhar e todos obedeciam sem pestanejar. Errado seu estilo? – Hoje quem sabe muitos poderiam condenar sua maneira de agir e interpretar diferente da educação moderna que muitos alardeiam como a melhor.

               Meu pai não foi Escoteiro. Não teve oportunidade. Levou-me a pescar, a dormir em grutas, a subir em árvores e me ensinou a engraxar, a costurar uma botina e muitas coisas do seu saber que hoje nem existe mais. Meu pai acredito que foi único, quando pedi para fazer uma jornada de 48 horas com outro Escoteiro e mais ninguém ele pensou e balançou a cabeça dizendo: - Pode ir, confio em você! Nem me perguntou o que era uma jornada de primeira classe. Primeira Classe? Risos. Um pensador antigo dizia que de nada valeria o que vivi, se meu passado não estivesse tão presente em meu futuro. De nada valeria dizer que eu trocaria todos os meus amanhãs por um único ontem. Ah! Meu pai. Viveu lá no passado e dele fez sua vida. Ao seu modo acho que ele foi feliz apesar de não sorrir muito.

               Meu pai se estivesse no mundo de hoje se sentiria como extraterrestre. Ele e muitos outros de sua raça iriam se assustar com a nova tecnologia. Um pensador e poeta escreveu que o passado é uma percepção do que aconteceu. Já o futuro como ainda não é lembrança, não precisa fazer nenhum sentido. Sinceramente pouco foi ao grupo escoteiro ou em algumas atividades escoteiras como visitante. Mas era um eterno admirador do que o escotismo tinha em mente. Ele dizia que o caráter de um homem não muda. Muda-se sim uma interpretação do que foi e do que é.

                Outro dia li um artigo da educadora Adriana Friedmann, que contou sua tese de doutorado desenvolvida no âmbito da antropologia da infância. Seu principal foco foi dar voz às crianças a partir de expressões verbais e não verbais, fazendo incursões nos universos infantis, no sentido de escutá-las, conhecer sua cultura, sua realidade, suas angustias, seus interesses e necessidades. Sua linguagem seu pensamento não é mais o que pensamos do método Escoteiro no seu verdadeiro sentido. Ela escreveu dizendo que não podia de maneira nenhuma achar que sua época era única. Eu acredito. Sei que os jovens de hoje também irão dizer que sua época era a única.

               Darcy Ribeiro comentou que o presente, passado e futuro não existem. A vida é uma ponte interminável. Vai-se construindo e destruindo. O que vai ficando para trás como o passado é a morte. O que está vivo vai adiante. Quando leio isto penso que se meu pai estivesse aqui hoje tenho certeza estaria deslocado no tempo. Acredito mesmo que ele não teria sido Escoteiro. Ele teria duvidas se o que dizem pelos escaninhos escoteiros é real. Meu pai não aceitaria isto. Se alguém dissesse a ele que era ultrapassado, que usar bobagens de roupas que não dizem nada, que métodos que foram ontem não são mais e de uma maneira jocosa, sensacionalista, querendo atrair sobre si sinais de competência ele não daria atenção.

               Ele nunca iria me dizer que os resultados são os mais importantes e o método é um mero caminho para se chegar lá. Se o presente forja homens e mulheres que podemos nos orgulhar temos que aplaudir. Como dizia o poeta à leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados. O passado de cada um é o que determinou o seu futuro.      

              Meu pai não está mais aqui. Eu seu descendente estou. Agora um Velho Chefe Escoteiro ultrapassado. Um Velho que se orgulha do pai que teve. Um pai que mesmo não sendo escoteiro acreditava na fraternidade, no respeito, principalmente com os mais velhos, coisa que hoje não se leva tão a sério. Sou um filho perdido no tempo. Um Velho de calças curtas, de chapelão, um Velho que faz questão do respeito do garbo e que se orgulha do seu passado. Meu pai não fez curso escoteiro, não acampou nas mais altas montanhas, não foi ao pico dos Marins para ver se um menino sonhador desapareceu para nunca mais voltar. Meu pai se estivesse aqui saberia onde iria pisar e entender que o futuro não é incerto é uma realidade.

                      Se meu pai estivesse aqui ao meu lado ele iria olhar para mim e repetir as palavras de Richard Back: - “Quase todos nós percorremos um longo caminho. Fomos de um mundo para o outro, que era praticamente igual ao primeiro, esquecendo logo de onde viemos, não nos preocupando para onde íamos, vivendo o momento presente.”. Mas meu pai nunca iria aceitar a maneira desatenciosa, mal educada, mistura de pessoas sem formação que acham que suas palavras são as melhores. Ele iria ficar calado e sair sem responder. Ele era assim. Eu penso diferente, como Goethe, direi que o que passou, passou, mas o que passou luzindo resplandecerá para sempre! Não importa o passado ou o presente importa sim se os resultados são alcançados. O resto é historia da Carochinha para boi dormir!


                     Nossa! Que falta que meu pai me faz! 


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Você lembra do penacho usado no chapéu escoteiro?


Conversa ao pé do fogo.
Você lembra do penacho usado no chapéu escoteiro?

                     Publiquei este artigo há pouco tempo. Muitos chefes, no entanto me escreveram perguntando o que era o penacho e outros por que foi desatualizado. Quando ao que era respondi prontamente e porque foi retirado até hoje não sei por quê. Acredito que queriam acabar com o chapelão escoteiro e o penacho não teria lugar para ficar. São conjecturas somente. O penacho sempre foi uma tradição, sendo usado no chapéu, na boina e em outras coberturas. Dava status o penacho. A cor identificava o ramo e o cargo na chefia. Se os dirigentes tivessem feito uma consulta às bases garanto que ele estava sendo usado até hoje. São coisas que a gente vê, sente falta e não sabe o porquê.

               Com o penacho muitos símbolos desapareceram. As estrelas de atividade de metal um sabido disse que eram perigosas e substituíram pela de pano. Houve uma época que criaram um distintivo de Chefe por ramos e modalidade. Ficou por pouco tempo. Foi criado o uniforme Social, avacalharam com ele e foi extinto. Agora temos uma vestimenta que cada um veste como quer. A jarreteira com exceção dos escoteiros portugueses foram extintas. Interessante é que meia dúzia na liderança nacional decide e nem pergunta as bases o que elas acham. Assim as tradições vão desaparecendo como se fosse um planejamento não escrito para tudo mudar e um novo escotismo surgir. Sempre pensei que extinguindo uma tradição estamos perdendo parte de nós mesmos. Estamos apagando o passado e esquecendo parte de nossa memória. Já estamos sendo um movimento sem memória.

               Sei que o penacho assim como a jarreteira são usados em alguns países que não perderam suas tradições principalmente em Portugal onde é levada a sério. A preocupação em ter o distintivo de lapela, a moeda da boa ação e as estrelas de metal ficou no passado e quase ninguém fala mais deles. Não é mesmo uma piada dizerem que a estrela de metal poderia provocar acidentes? Poxa! Usei por muitos anos e nunca vi ninguém acidentar. O chapéu escoteiro também virou peça de museu. Alguns usam outros não. Pelo que saiba não é obrigatório. Soube que se encontra nas Lojas escoteiras, mas com preços proibitivos.

                O penacho foi usado por muitos anos identificando o ramo e modalidades de todos participantes do escotismo. Mesmo não me lembrando ele tinha suas cores para identificação dos ramos, modalidades ou cargos. O amarelo era para lobos, verde para escoteiros, marrom ou grená para os seniores, vermelho para os pioneiros e os chefes de ramo usavam as cores de sua sessão meio a meio com sua posição de chefe. Dirigentes, Diretor Técnico e formadores usavam o azul. Mas como surgiu o penacho? A explicação logica é que ele é geralmente colocado acima da cabeça, nos elmos, capacetes, cocares, chapéu e etc., expressam o esforço do ser para elevar-se a uma posição além da que se encontra. Pode também representar o amor, a alma e a personalidade.

                 Sei que até hoje existe muitas reclamações da extinção do uso do penacho. Muitos chefes se ressentem de não ter nenhum distintivo de identificação. A IM o Anel de Gilwell não são todos que conquistam. As estrelas de pano não dão visibilidade. Insisto que não dá para fazer comparação entre as de pano e as de metal. O simbolismo, a apresentação o orgulho em mostrar seu tempo de escotismo sempre era destacada com as estrelas de metal. O penacho trazia uma mística própria. Usei o penacho por anos até sua extinção quando Chefe escoteiro. Sei que hoje no Brasil não se encontra para comprar. Se alguém quiser ter um para recordação quem sabe no exterior. Soube que na Inglaterra se encontra fácil nas lojas Escoteiras. Bom mesmo os ingleses. Ainda mantém muitos distintivos do passado e o chapéu de abas largas nunca é esquecido. Sua Loja Escoteira tem sempre em estoque.

                    Dizem que sou um critico nato de muitas coisas realizadas pela Liderança da UEB. Mas não dá para engolir um dirigente resolver mudar alguma coisa, na Reunião do CAN ou similar apresenta suas questões e lá vem uma resolução mudando. Muitas vezes nem dão satisfação e se alguém pergunta as respostas não vêm. Milhares de escoteiros, lobos, sêniores pioneiros e voluntários que não são perguntados, não puderam opinar e muitos já aprenderam que é melhor sorrir e aceitar. Veja o caso da Flor de lis. Dizem que a nova é estilizada (tirar o máximo de detalhes de uma figura para que se possa ser identificada). Será mesmo este o motivo para sua mudança? Um desenho de muitos anos é trocado sem mais nem menos?

                    O que acho interessante é que os dirigentes nunca aparecem para dar explicações. Dizem que isto só pode ser feito nos Congressos ou nas Assembleias. Mais interessante ainda é que a UEB tem dezenas de chefes para defender sem ao menos ter estado presente na hora da mudança. Soube que é obrigatório o uso da vestimenta nas atividades internacionais. Verdade? Ainda bem que temos uma plêiade de chefes que não estão nem aí para determinações da EB. Vejo dezenas de chapéu de pano, bibico de pato, cores diferentes até na vestimenta, uma verdadeira Torre de Babel. Sei que a cada geração sempre aparece os sabidos para mudar. Tudo é vendido. O distintivo de Patrulha, o da monitoria, agora é de pano pelo preço X.  
               
                    Tivemos muitas tradições que se perderam nos escaninhos da UEB. Muitas delas agora são lembradas em órgãos especializados com a Memória Escoteira. A sede do lucro vai mudando a fim de beneficiar o caixa que dizem não pode nunca dar prejuízo. Enquanto em Portugal fizeram um Acampamento Nacional com mais de 27.000 participantes pela módica quantia de noventa euros, (cinco dias), enquanto os desbravadores na mesma arena onde vai ser realizado o Jamboree Brasileiro teve taxa de menos de trezentos reais (muitos não concordam, sempre tem eles para defender o indefensável), iremos ter nosso Jamboree por módica quantia de seiscentos e poucos reais sem alimentação. E a petição para reduzir o preço parece que a EB nem tomou conhecimento. Servir ou ser servido? É... Viramos sim pedintes da UEB!


                 Dizem que saudosismo não enche barriga. Dizem que agora somos modernos e temos uma nova era pela frente. O passado ficou só na lembrança e o presente sim irá dar uma nova mentalidade ao escotismo do Brasil. Sou um Velho Escoteiro feliz. Usei minha jarreteira, meu penacho, meu chapelão, minhas estrelas de metal, meu cinto com fivela que não entorta minha flor de lis de lapela, minha medalha da boa ação e andava por aí de lenço no uniforme com nó nas pontas para não esquecer que o “ESCOTEIRO FAZ TODOS OS DIAS UMA BOA AÇÃO”!

Nota de rodapé: -  Este artigo do penacho escrevi há tempos atrás com outras palavras. Alguns chefes me pediram para explicar o que significava e o porquê foi extinto. Resolvi reescrever agora mais ácido, pois não me abstenho de criticar as mudanças e as tradições que no Brasil são feitas por tempos em tempos. Estamos sem memória, sempre tem um que quer ficar na história mudando o que nunca deveria ser mudado. Ele poderia ter esse direito sem consultar ninguém? 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Aplicando o Sistema de Patrulhas.


Conversa ao pé do fogo.
Aplicando o Sistema de Patrulhas.

                       Falar aqui sobre o Sistema de Patrulhas é demasiado para muitos Chefes Escoteiros. A maioria conhece melhor que eu. Afinal sem ele não existiria o Escotismo. Verdade? Vejamos. Será que todo tem consciência da importância de uma patrulha completa na tropa por anos e anos com os mesmos patrulheiros masculinos ou femininos com evasão mínima? Como manter a unidade? Quando jovem participei por anos em uma Patrulha escoteira e uma sênior. Todas duas com poucos saindo e quase ninguém entrando. Quando fiz meus primeiros Cursos Escoteiros já adulto senti a dificuldade em manter a unidade na Patrulha no início. Mesmo ficando cinco dias ou mais acampados, dependendo o curso, não foi muito fácil para nós. Nos primeiros dias todos cavalheiros e cortesia demasiada. Todos eram irmãos. Beleza! Como dizem os jovens hoje.

                      A simpatia e a cortesia impera nos primeiros dias depois a dúvida aparece, pois começamos a nos conhecer melhor. Já sabemos quem é preguiçoso, o mandão, o dorminhoco, o bobão (tem sim, desculpe) o bajulador, o metido a sabe tudo. Não esquecer o doente, sempre reclamando. Claro eu era perfeito! A amizade era um vai e vem que a cada dia transparece de uma forma. Nos últimos dias começávamos a nos entender. Mais amigos e respeitando um ao outro. A união dos Touros, dos Lobos dos Maçaricos e Corvos começava a se desabrochar. Diferente do meu tempo na Patrulha onde fazíamos escotismo todos os dias, sempre juntos, decidíamos, a casa de um e outro podia ser a sede para uma reunião. Já éramos amigos de longa data.

                     Quando comecei a atuar como Chefe escoteiro em outros grupos notei que muitas vezes os jovens eram advindos de comunidades diferentes. Normas de condutas diferentes. Formação individual diferente. Não se conheciam. Características que devem prevalecer até hoje. Quando se aplica corretamente o Sistema de Patrulha demora-se meses e anos para que todos adquiram o respeito e a amizade que deve existir entre um e outro em uma equipe. Aprendi muito estudando e observando como manter uma união duradoura. Tenho visto hoje e claro havia naqueles tempos também patrulhas que só servem para jogos, para alegria do chefe em ver um grito de patrulha e a sua satisfação em receber uma apresentação dos meninos.

                      Patrulha? Não. Conta-se a dedo uma Patrulha que os meninos permanecem nela por toda a vida no ramo escoteiro ou sênior. Três ou quatro anos dependendo a idade que se inicia. Isto era e é uma dificuldade imensa para fazer um bom programa de tropa. Sei de muitas tropas que andam desmanchando as patrulhas para formar outras. Jogos? Os touros têm três? Tira dois da lobo. Por quê? Por quê? Para que servia a união de uma patrulha? Que tipo de amizade iria sair dalí? Era o começo para desistir. O programa na minha rua é melhor deviam pensar. Lá meus amigos me respeitam. – Os acampamentos não tinham a consistência que se espera. Os campos de Patrulha eram um abandono com ninguém se interessando.

                        Não sei vocês chefes, mas me dói formar uma tropa e lá ver patrulhas com três ou quatro e quando se vai realizar um jogo começa o tal complemento. Tira um para por ali, tira outro para por acolá. Esta é a hora para meditar e analisar o porquê as patrulhas não ficam completas. Onde erraram? Sei e até compreendo que muitos chefes não admitem estar errados. Acham-se mais velhos, experientes e até dizem a todos que sabem o que o jovem quer. Reclamar de reuniões ruins? Reclamar do Monitor mandão? Reclamar de ficar tempo ouvido palestras do Chefe de ficar tempo demais no cerimonial de bandeira e sem contar jogos sem graça e sem motivação?

                        Pergunto-me sempre se os chefes tem conversas individuais com seus escoteiros, se frequentam suas casas, se procuram saber o porquê estão faltando ou mesmo porque saíram do escotismo. Sei de muitos que ainda não se colocaram na posição de educadores. Não tem culpa. Não aprenderam como fazer e agir. Conheço alguns que estão no lugar errado. Esquecem-se dos monitores e eles mesmos saem a ensinar ou adestrar seus escoteiros, não perguntam não pedem opiniões. Sei que tem alguns mais durões, com aquele rompante em dizer que ser Escoteiro é ser homem. Ou então vir com aquela frase que se não tem amor pelo escotismo é melhor sair.

                       Tenho minhas dúvidas de quantos chefes temos que procuram entender, ouvir sem ficar retrucando e se explicando. Tropa com patrulhas de três ou quatro significa mau programa, má formação dos monitores (ou mau chefe, risos) enfim, uma série de fatores que só mesmo os dirigentes da tropa podem analisar com carinho olhando para dentro de sí.
.
                         Não posso afirmar, pois não estou atualizado, mas antes cursos eram feitos no sistema de Patrulha. Seja lá o curso que for. As sessões, as unidades didáticas tudo era feito de maneira que ficasse claro a todos que esta é a base correta para termos a metodologia Badeniana. Ensinávamos as vantagens de aprender fazendo, a ouvir e corrigir se necessário. Não adianta repicar que o escotismo é para os jovens se o chefe se acha perfeito, acha que sabe o que fazer e se julga superior aos jovens e sabendo o que ele quer. Posso afirmar sem ser antipático que a evasão é culpa da formação inadequada do Chefe Escoteiro. Nenhuma Tropa ou Alcateia sobrevive sem ter chefes preparados para orientar e dirigir.

                           Baden-Powell colocou todas suas fichas no Sistema de Patrulha e na formação dos monitores. Temos que nos atualizar, aprender e compreender como atuar na liderança de uma sessão. O Chefe deve procurar ler muito e principalmente os livros do fundador. Ouvir, sorrir, entender, ler e participar sem ser o dono quem sabe seria a fonte inesgotável de como podemos ter sucesso. Mas antes e preciso ver. Muitos não querem ver. Não sabem o porquê o jovem saiu, não aceitam que a evasão em sua sessão é uma realidade.


                          Faça o “feijão com arroz”. Não complique muito. Estamos caminhando para um escotismo pedagógico cheio de verdades que não as de Baden-Powell. Converse com seus monitores. Ensine-os aprenda com eles e a tropa vai andar firme no rumo ao caminho do sucesso! E lembre-se você Chefe é o único responsável para isto dar certo!

Nota de rodapé: -  Nada que a maioria dos chefes não conhecem. Outros assim pensam também, mas a verdade é que ainda não se tocaram o porquê muitos estão saindo. É difícil ter jovens por mais de dois ou três anos na tropa e olhe, Baden-Powell dizia que dez anos seria o mínimo necessário. Será que estamos caminhando rumo ao sucesso com esta enorme evasão?

domingo, 6 de agosto de 2017

Dia do Chefe Escoteiro. Uma simples homenagem a quem devemos tanto.


Dia do Chefe Escoteiro.
Uma simples homenagem a quem devemos tanto.

                    A história começa em 1907 quando Baden-Powell reuniu em Brownsea pela primeira vez uma tropa de escoteiros começando aí sua carreira de Chefe Escoteiro do Mundo. Tempos depois em 06 de agosto de 1920 ao final do I Jamboree Mundial, em Olympia, ele foi aclamado, por uma manifestação espontânea de milhares de jovens de dezenas de países, como Chefe Escoteiro do Mundo. Ele aceitou um título que nenhum Rei ou Governo podia conferir, e de todas as honras que lhe eram destinadas, este era para ele o mais apreciado.

                  Na ocasião, disse: “Que esta seja a vontade de vocês. Antes de partir estamos dispostos a desenvolver entre nós mesmos e nossos jovens esta amizade, através do espírito mundial da Fraternidade Escoteira, a fim de que possamos ajudar a levar a paz, o bom humor no mundo, e a boa vontade entre os homens”.

                  Tempos depois a Região Interamericana, em uma reunião de Escoteiros-Chefes do Cone Sul, por uma proposta do Paraguai, acordou em promover o dia 6 de agosto como o Dia Interamericano do Escotista, precisamente em comemoração a data em que o Fundador Robert Baden-Powell foi proclamado Chefe Escoteiro Mundial.

                   O simbolismo do nome Chefe Escoteiro engloba os chefes de todos os ramos e modalidades não sendo específico a um ramo somente. Baden-Powell escreveu bem o que ele pensava deste a quem devemos tanto por ser o baluarte do Escotismo como um todo. Dizia ele:

- A ideia do Escotismo quando surgiu parecia caminhar bem. Sabia-se que o menino estava preocupado, mas ansioso por fazer tudo àquilo que acreditava. Embora ele tivesse uma ideia de como realizá-lo, havia a pergunta mais importante da necessidade de obter a liderança adulta para organizar a sua administração na prática. De uma forma muito considerável essa questão foi resolvida pelos próprios meninos. Eles tiveram o bom senso de reconhecer que os oficiais crescidos eram necessários, e procuraram os seus lideres em seus respectivos bairros até que encontrassem aqueles dispostos a se tornar seus chefes.

- Pessoalmente, eu tinha visto um trabalho dedicado e esplêndido dos voluntários e dos funcionários da Boys 'Brigade, e então eu percebi que havia em nossa população um número considerável de homens patriotas que estariam dispostos a fazer o sacrifício de tempo para ajudar.  Mas eu nunca previ a resposta surpreendente que foi dado por tais homens à chamada do Movimento Escoteiro.

- Para eles, é devido o crescimento notável e os resultados alcançados até o momento. Eu tinha estipulado que a posição dos Chefes Escoteiros não seria nem a de um professor, nem de um oficial comandante, mas sim a de um irmão mais velho entre os seus meninos. O importante era juntar as suas atividades e compartilhar seu entusiasmo, e, assim, estar na posição de conhecê-los individualmente, capaz de inspirar os seus esforços e para sugerir novas diversões quando seu dedo sobre o pulso lhe disse que a atração de qualquer mania atual fosse se desatualizando.

                        O termo Chefe Escoteiro não era novo. Era um título antigo Inglês usado por Cromwell, que tinha "Chefes Escoteiros" em seu exército, e seu ramo de Inteligência estava sob a direção de um "Chefe Escoteiro-Geral”.

                        Muito devemos a estes bravos colaboradores que mantem em todas as cidades onde tem um Grupo Escoteiro o espirito de luta, enfrentando desafios e até mesmo sacrificando sua vida pessoal no intuito de dar um pouco a noção de cidadania e civilidade, construindo caracteres de ética, honra e caráter aos rapazes e moças para que a nação um dia tenha em seu seio homens e mulheres em que podemos confiar.

- A todos os chefes escoteiros do Brasil e do mundo, nossos Bravoô, aplausos mil, saudações e o nosso Anrê, um simples agradecimento que se transforma em uma homenagem a estes homens e mulheres que fazem o escotismo ser o que é.


Sempre Alerta! 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Uma tarde para pensar...


Uma tarde para pensar...

“Não chores, meu filho; Não chores, que a vida é luta renhida: Viver é lutar.
A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar”. Gonçalves Dias.

                 Hoje compartilhei um Vídeo de Eder Tadeu. Está aqui nesta página para quem quiser tomar conhecimento. A cada dia vejo publicações que se rebelam com as atitudes que praticam os nossos dirigentes da UEB ou EB como agora querem chamar. Não só ele mas eu e muitos há tempos temos publicados o que se tornou nossa Associação hoje. Não sei se posso dizer “nossa” pois já teve um canhestro Chefe a dizer que por não ter registro não pertenço à associação. Ele completa que temos direitos sim, basta escrever para a sede nacional ou comparecer as Assembleias. Puro engodo. Só mesmo os mais inocentes acreditam nisto.

                  Tempos em tempos alguns mais afoitos são eleitos para o cargo máximo no CAN (Conselho de administração Nacional). Como candidatos fazem promessas e parecem com os nossos políticos sorridentes antes e vaidosos depois. Nada muda, tudo se copia e nada se transforma. Temos muitos “çabios” que adoram mudar. Tantas vicissitudes, tantas idiossincrasias e se esquecem da máxima dos Pioneiros: - Servir! – Perguntem para eles e dirão que estão servindo a nação com afoiteza e dando o que tem de melhor. Porque então não querem ouvir? Porque não dão voz aos mais simples do escotismo escondidos em suas sessões fazendo tudo para dar aos jovens um pouco da metodologia Badeniana? Porque não perguntam o que queremos, o que pensamos quando mudam sem consulta ou pesquisa para ver se podem realmente mudar?

                 Bah! Eu não tenho registro mesmo. Como ter? Sou macaco velho nas minhas lides escoteiras. Já passei por poucas e boas e se não saí é porque tenho o coração escoteiro. Sei como funciona a engrenagem. “Para os amigos tudo, para os indiferentes a lei” Eita Getúlio Vargas que sabia o que dizer. Onde anda os dirigentes nas páginas sociais? O que eles dizem? Alguns em suas páginas publicam o que querem publicar, aplaudem os da casta e dizem amém para a Corte do Poder. Só quem não quer ver não vê a mazela de tantas normas que são publicadas. Mas o exemplo vem de cima. Expande-se nas regiões distritos e grupos. É um tal de ouvir que quem manda aqui sou eu que não está no gibi.

                 Aqueles puro de pensamentos palavras e ações vão assimilando e enquanto dura sua filosofia e seu amor, vão batalhando nas suas tropas, nas suas alcateias pensando como bom anjos escoteiros que o importante é fazer o bem e ajudar esta juventude tão necessitada. A Escoteiros do Brasil aplaude. Ela não gosta de oposição. Admoestações e prepotências são corriqueiras nas diversas hierarquias escoteiras. – Chefe! Estou saindo. Peguei meu chapéu e saí por aí. Vou levar saudades, vou levar lembranças mas Chefe, não dá mais!

                   E assim a evasão vai formando uma enorme fila que dificilmente irá se desfazer. E quem se importa? E não me venham com palavras. Chico Anísio dizia que palavras são palavras nada mais. Os lideres adoram seu informativo onde exaltam seus feitos. Onde estão? Dizem que um deles comentou que a EB não pode ter prejuízo. Tudo tem de ser cobrado. E agora José? – Em Portugal fizeram realizar um acampamento nacional que humildemente não chamaram Jamboree, com a presença de mais de 27.000 membros do escotismo. Para um efetivo próximo de Oitenta e poucos mil em suas associações (todas amigas, diferente do que a UEB faz com seus congêneres).

                   E aqui? Preços absurdos. Inimagináveis para uma população brasileira que vê afundar dia após dia seus proventos. Eita UEB e Região que adotam uma taxa absurda no seu próximo “Jamboree” que nem cobre a alimentação. Para que temos uma associação que não valoriza o termos “Servir” dos pioneiros? Ela só quer ser servida? Que associação é esta que nem sabe deter a evasão, que dificilmente chega aos noventa mil membros associados, que decide em uma assembleia com menos de 0,2% do seu efetivo nacional? O Eder perguntou para que tanto dinheiro. Milhões em caixa. – Chefe! Diz um inocente. – Ela tem gastos! Precisa! Eita piada para rir!

                   E lá se foi um amigo queixoso dizendo não voltar mais. Cada dia vai mais um e vamos perdendo de tempos em tempos pessoas que foram adestradas e que tentamos dar a eles um conhecimento mínimo para sua atuação na formação de jovens. Quantos cursos por ano? Quanto receberam de taxas? Quantos participaram? Quantos ainda estão no escotismo? Só não vê quem não quer. Sem desmerecer aqueles que fazem um bom escotismo, fico triste ao ver que muitos grupos lutam para sobreviver, os conhecimentos que precisam são escassos e não se vê nenhuma ajuda da liderança nacional.

                    Eu já escrevi centenas de artigos como este. Publico aqui e em meu Blog desde 2009. Resolveu? – Necas de catibiriba! - Eu não vou sair, não vou abandonar meu ideal. Vou falar, vou gritar, vou insistir com o que acredito. O Escotismo tem tudo para dar a nação homens e mulheres dignos, com excelente ética e caráter, com honra que tanto precisamos em nossa liderança politica. Mas o exemplo o trabalho dos que necessitamos não fazem acontecer. Eu? Desistir? Nunca! Que importa se amanhã eu vou para minha estrela e nada do que disse aconteceu. De uma coisa irei me orgulhar de pensar que cumpri com meu dever. Tentei e tentei, se não adiantou cada um terá contas há prestar um dia em qualquer lugar.


Sempre Alerta!       

Prefácio: - O que disse John Thurman, Chefe de campo de Gilwell Park (já falecido) - Austeridade demasiada. Acho que tendemos a nos fazer demasiado respeitáveis e a nos converter em um movimento para apenas os rapazes bons, em vez de levar o Movimento para os rapazes que dele necessitam. O Escotismo nasceu em 1907 entre meninos pobres e, se economicamente os rapazes melhoraram desde então, por outro lado moral e espiritualmente existem rapazes tão pobres como naquela época, que necessitam do Escotismo. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Algumas explicações aos amigos. Boa tarde!


Algumas explicações aos amigos.
Boa tarde!

Tenho três páginas no Facebook. Todas com quase 5.000 participantes o máximo que é permitido. Mensalmente devido à alta procura de outros querendo participar, faço uma pequena triagem e vou aceitando a todos que me procuram. A triagem é feita pelos que pouco participam da página. Dificulto a entrada de quem não tem fotos ou com comentários que não condizem com nossa ética escoteira tais como nomes estranhos e ou segundas intenções que não o escotismo. Muitas vezes os amigos me procuram para participar das três páginas. Não é necessário todas publicam sempre o que a outra publica, nada diferente.

Tenho também uma Fanpage, que é muito procurada e sem contar três grupos todos com um bom número de participantes – Conversa ao pé do fogo, Espirito Escoteiro e Escotismo e suas histórias. Tenho também seis blogs, e só quatro ainda mantenho na ativa. Para encontrá-los basta digitar Chefe Osvaldo no Google e quando entrar vai ver o endereço das demais. Está aberto a todos o meu e-mail (ferrazosvaldo@bol.com.br) e nunca deixo de responder a quem quer que seja. São dezenas de e-mails por dia.

Infelizmente não posso dar a atenção devida a todos principalmente no Imbox. São mais de 30 chamadas em cada pagina um por dia. Outros querendo conversar no Messenger. Não tenho mais aquela força do passado e nem tempo, a saúde me proíbe. Ontem cai da poltrona, pois dormi sem perceber. Kkkkkk.

Sou aposentado tenho todo tempo do mundo, mas corro contra o tempo antes de ir para o tal Grande Acampamento (não sei se ficarei lá) escrevendo. Afinal são 76 anos de idade e quase setenta de escotismo. A saúde não é mais a mesma. Gosto de escrever e a escrita ainda mantem a minha mente aberta leve e solta. É o meu hobby e quem sabe a minha herança para tentar mostrar um escotismo que sempre acreditei ser o de Baden-Powell.  

Lembrem-se aceito todos que me procuram menos aqueles que posso ter alguma decepção no futuro. Nas minhas paginas estão amigos de todos os tipos. Jovens, adultos, muitos de outros países, e soube que entrou um do Planeta Crípton terra natal do Super Homem. Fez um pedido tão singelo disse que vão vai usar seus poderes contra todos que não fizerem o escotismo Badeniano. Jurou-me que irá mostrar o ideal escoteiro e se deixarem fazer a promessa usará sem sombra de duvida o uniforme Caqui curto. Fazer o que? Se o Batman e o Capitão Marvel já estão aqui, sempre serão bem vindos a turma de super heróis da Marvel Comics.

Uma boa tarde para todos vocês. Vou voltar aos meus escritos. Hoje sem sono. Uma dorzinha aqui outra ali e logo estarei bom de novo. Boas leituras dos meus contos. E lembrem-se, Servir é o meu lema, sorrir também. Para mim todos os dias são iguais. Vale cantar, mas não vale chorar. Estou sempre fazendo meu escotismo nas asas da imaginação. O tempo das “falas novas” para mim já passou.

Sempre Alerta!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A embriaguez da primavera. Parte III.


A embriaguez da primavera.
Parte III.

-"O amanhã é nosso. Somos do mesmo sangue, tu e eu... Boa caçada!" Disse Kaa... - As estrelas desmaiam, concluiu o Lobo Gris, de olhos erguidos para o céu. Onde me aninharei amanhã? Porque dora em diante os caminhos são novos”.

– Porque não morri nas garras dos dholes, gemeu Mowgly. Minha força esvaiu-se e não foi veneno. Dia e noite ouço um passo duplo no meu caminho. Quando volto à cabeça sinto que alguém se esconde atrás de mim. Procuro por toda parte atrás dos troncos, atrás das pedras, e não encontro ninguém. Chamo e não tenho resposta, mas sinto que alguém me ouve e se guarda de responder. Se me deito, não consigo descanso. Corria corrida da primavera e não sosseguei.

Banho-me e não me refresco. O caçar enfada-me. A flor vermelha está a ferver em meu sangue. Meus ossos viraram água. Não sei o que... – Para que falar? Observou Baloo. Akelá disse que Mowgly levaria Mowgly para a alcateia dos homens outra vez. Também eu o disse, mas que ouve Baloo? Bagheera, onde está Bagheera esta noite? Ela também sabe disso, é da lei.

– Quando nos encontramos nas Tocas Frias, homenzinho, eu já o sabia, acrescentou Kaa. Homem vai para homens, embora o Jângal não o expulse. – A Jângal não me expulsa, então? Sussurrou Mowgly. O irmão Gris e os outros três uivaram furiosamente: – Enquanto vivermos ninguém ousará...

Mas Baloo interrompeu: – Eu ensinei-lhe a lei, disse. A mim cabe falar, embora meus olhos não vejam a pedra que está perto, enxergam tudo que está longe. Rãzinha toma teu trilho, faz teu ninho com esposa do teu próprio sangue e de tua raça; mas quando necessitares pata, olho ou dente, lembra-te, senhor do Jângal, que todo o Jângal acudirá o teu apelo. – Também o Jângal médio estará contigo, disse Kaa. Falo por um povo muito numeroso.

– Ai de mim! Exclamou Mowgly em soluços. Eu não sei o que sei! Não vou, não vou, não quero ir, mas sinto-me arrastado por ambos os pés. Como poderei deixar de viver estas noites do Jângal? – Ergue os olhos, irmãozinho, disse Baloo. Não há mal nisso. Quando o mel está comido, abandonamos os favos. – Depois que soltamos a pele velha, não podemos vestir de novo, ajuntou Kaa. É da lei.

– Ouve querido de todos nós, disse Baloo. Não há aqui, nem haverá palavra que te detenha entre nós. Ergue os olhos! Quem ousará interpelar o senhor do Jângal? Eu te vi brincando no pedregulho, lá embaixo, quando não passava de pequenina rã; e Bagheera, que te comprou pelo preço de um touro gordo, viu-te também. Daquela noite do “Olhai, olhai bem ó lobos!”, só ela e eu restamos de testemunhas; Raksha, tua mãe adotiva, está morta, teu pai adotivo está morto; a velha alcateia daquele tempo não existe; tu sabes o fim que teve Shere-Kahn e viste Akelá acabar entre os dholes, que nos teriam destruído se não fosses tu. Só vejo ossos, velhos ossos.

Hoje não é o filhote de homem que pede licença a sua Alcateia, é o senhor do Jângal que resolve mudar de caminho. Quem pedirá contas ao homem do que ele quer ou faz?

– Bagheera e o touro que me comprou! Respondeu Mowgly. Eu jamais... Suas palavras foram interrompidas por um rumor nas moitas próximas. Lépida, forte e terrível como sempre, Bagheera acabava de saltar para dentro do grupo. – Pelo que acabas de dizer, disse ela, estirando o corpo, não vim. Andei em caçada longa, mas agora ele está morto na relva, um touro de dois anos, o touro que te vai libertar irmãozinho!

Todas as dívidas assim ficam pagas. Além disso, minha palavra é a palavra de Baloo. A pantera lambeu os pés de Mowgly. – Lembra-te que Bagheera te ama, disse ela por fim, retirando-se num salto. No sopé da colina entreparou e gritou: Boas caçadas em teu novo caminho, senhor da Jângal! Lembra-te sempre que Bagheera te ama.

– Tu a ouviste, murmurou Baloo. Nada mais há a dizer. Vai agora, mas antes vem a mim. Vem a mim, ó sábia rãzinha!

– É difícil arrancar a pele, murmurou Kaa, enquanto Mowgly rompia em soluços com a cabeça junto ao coração de urso cego, que tentava lamber-lhe os pés.

– As estrelas desmaiam, concluiu o lobo Gris, de olhos erguidos para o céu. Onde me aninharei doravante? Porque agora os caminhos são novos...


FIM

Nota final: -  E Mowgly chega à idade adulta. Quase todos os que conheciam na selva já estão mortos. Os que sobraram estão pouco se importando com sua crise existencial, já que é primavera e todos estão ocupados com seus afazeres. Entediado, deprimido e irrequieto, Mowgly vaga pela floresta sem saber o que lhe acomete. Quer conhecer mais? - Não esqueça, o Livro da Selva é o livro de cabeceira dos chefes de lobinhos. E segunda feira próxima peça o BLOCO 27 Lobinhos em ação II com estas três partes da Embriaguez da primavera e de novas aventuras de Mowgly o Menino da Selva no meu e-mail.