HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

domingo, 10 de dezembro de 2017

Obrigado pela visita, volte sempre!



Um pouco do autor.

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Apenas uma lágrima Escoteira.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Apenas uma lágrima Escoteira.

“Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora”.

                  “Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre: não estão elas inscritas no teu livro?” Salmos 56:8. Lagrimas? Algumas têm este puro sentimento e outros têm dores. Mas é lindo quando ela expressa a alegria em ver gente sorrindo cantando e estando de bem com a vida. É comum ver um valente Chefe Escoteiro quando nota uma pequena lágrima a correr pela face se assusta. Ele pensa: - Nunca foi assim! Será que ele acredita que não fica bem para um líder mostrar sua lágrima mesmo nos momentos mais felizes de sua vida?

                Outros sorriem quando sentem a lágrima caindo pela face uma demonstração que sorrir pode trazer a felicidade. Esqueçamos agora as sensações românticas, inesquecíveis, devaneios da vida quando sentimos a lagrima cair e rolar pela face. Na vida escoteira ela irá existir. Não irá pedir permissão para rola na face até cair ao chão e desaparecer. São tantas os acontecimentos que não dá para segurar a hora que ela vai chegar. Pode ser uma Lobinha que sorri, olha para você com seus olhos brilhantes e sonhadores e com aquela vozinha pequenina a dizer: - Melhor Possível Chefe! Será possível evitar uma lágrima nesta hora tão sublime?

               Outras vezes a felicidade bate forte quando sentimos o orgulho de um escoteiro da tropa recebendo uma comenda escoteira. Não importa qual seja, basta olhar direito nos olhos daquele que recebe. Ele sorri e tem este direito, pois cada passo dado foi uma vitória e agora chegou sua hora: - Grupo Escoteiro firme. Escoteiro! Com orgulho entrego a você seu quinhão que tanto lutou para conquistar! - Uma lágrima aparece, corre pela face e cai ao chão abençoado.

                       Não sei você, mas conheço muitos inclusive eu que ao ver um fato importante na natureza e no universo sem perceber lá vem ela, a lágrima furtiva que faz a gente vibrar. Pode ser até mesmo numa história bem contada. Sei que existe aquela lágrima doida, da perda de um ente querido que relutamos em esquecer.

                      Lágrimas fazem parte da vida. Não tem como segurar. É mais forte que tudo. Nesta hora sufocada pelos sentimentos o coração bate apertado. Não tem jeito, só resta deixar a lágrima rolar para aliviar a dor e lavar a alma. Disseram-me ou me contaram que um dia a lágrima disse ao sorriso: - Invejo-te porque vives sempre feliz. O sorriso respondeu: - Engana-te, pois muitas vezes sou apenas o disfarce de sua dor...

                        É... Não sei se a lagrima vem ou ordenamos que ele chegue. Mesmo sabendo que o Chefe é forte pela razão, a Chefe é invencível pela lágrima. A razão convence; a lagrima comove. Já sentiu o sonho de um filho Escoteiro partir para uma grande atividade escoteira? A gente quer dar um sorriso, quer sentir força para saber que ele voltará, mas eis que a lagrima aparece calma, simples, rolando pela face calmamente como se não soubesse por que estava ali. Quantas vezes vimos varonis chefões escoteiros, de mãos entrelaçadas ao redor da fogueira a cantar displicente a canção do Adeus? Ah! Como são bobos, eles não querem olhar para ninguém, tentam evitar que vejam suas lágrimas que caem pela face caindo no chão abençoado.

                        Eu vi, juro que vi tantas lagrimas por este belo mundo escoteiro que nunca mais esqueci. Vi um Chefe nas campinas verdes do Centauro, olhando assustado um bem ti vi que cantava nas folhagens de um capim gorduroso. Vi uma Chefe espantada olhando o horizonte vermelho do sol se pondo tão distante onde nuvens brigavam entre si para deixar o sol passar. E do alto da montanha o Rio Altaneiro correndo por longos vales sem fim? Vi chefes chorarem em um desfile encantado com o orgulho de seus meninos. E a promessa? Quantas lágrimas? Mas a lágrima mais bela, mais singela foi quando um Monitor na jornada do sol de meio dia gritou: - Chefe uma nascente a sudoeste! Demais. Uma alegria estampada na tropa que na serra alcantilada uma bandeira arvora!

                     Qual o valor de uma lágrima? Acho que está no valor que você da à vida, no sentido em que deixa sua vida caminhar. Se deixar seu coração quebrantado deixará lágrimas valiosas rolarem, mas se endurecer seu coração colherá lágrimas de amargura e sofrimento. Deus resiste aos soberbos, mas aos mansos concebe graça e sabedoria. “Olharei o mundo através das lágrimas. Talvez eu veja coisas que eu não veria quando secos.” (Nicholas Wolterstorff). As lágrimas nos fazem entender o perdão, mesmo que leve tempo para isso. Menino! Eu juro! Eu dou minha palavra de Escoteiro! Eu vi milhões de lágrimas rolando pelas faces Escoteiras neste mundo afora. Lágrimas simples, lágrimas alegres, lágrimas chorosas. Lágrimas que valeram tanto que transformaram corações duros em corações cheio de amores e felicidades.


                    Escoteiros do mundo, escoteiros que tem sentimentos, que gostam de contar estrelas, que amam seu país e ao nosso Deus. Escoteiros que amam a natureza, que sentem uma lágrima cair quando ouvem o cantar de um pássaro no céu ou veem uma árvore florida. Escoteiros que sabem o valor de uma amizade, que gostam de dar as mãos, pois para eles o escotismo não tem fronteiras nem riquezas, nem cor, nem razões para odiar. Escoteiros que sabem o valor de sua lei, o quanto vale um abraço, um sorriso franco, aqueles que a gente vê uma lagrima, apenas uma lágrima aparecer escondida e rolar na face até cair ao chão. Escoteiros que sabem que a verdadeira lágrima não é a que escorre dos olhos e desce pela face, mas sim aquela que cai no coração e permanece na alma...

Nota - Sou lucidamente insano, malucamente calmo. Sou lágrima, sou sorriso. Pureza e pecado. Sou silêncio contido, palavras abstratas. Sou eterno no amor e efêmero na mágoa. Sou tudo ou nada! E você meu amigo Chefe me diga, suas lágrimas existem ou você tem o dom mágico de fazê-las desaparecer?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Páginas da vida.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Páginas da vida.

O auto Retrato

No retrato que me faço, - traço a traço -
às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas, de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem, mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco - pouco a pouco -
minha eterna semelhança, no final, que restará?
Um desenho de criança... Terminado por um louco!

                      O poeta O S Marden escreveu um dia que quando na vida uma porta se fecha para nós, há sempre outra que nos abre. Em geral, porém, olhamos com tanto pesar e ressentimento para a porta fechada, que não nos apercebemos da outra que se abriu. Acredito que todos nós temos uma porta. Muitos a mantém fechada outros não. Somos milhares de adultos no escotismo. Cada um interpreta a sua maneira como viver escoteiramente para ser feliz. Uns mais outros menos. Um dia também fechei a porta que sempre deveria ficar aberta como escoteiro. Tentei ao meu modo deixar que só aqueles e, que eu acreditava passassem pela porta para abraçá-los. Vi que com o passar dos anos sem perceber, alguns não quiseram passar por aquela porta. Significa que na vida deles eu não tinha mais direitos em entrar.

                     Sempre quando celebramos datas especiais que falam do escotismo estamos vendo adultos e jovens enaltecendo o que se passa em seus corações. São palavras lindas e tenho certeza à maioria a tirou dentro de sua alma. Mas o escotismo é isto? Tudo é maravilhoso? Não existem portas fechadas? Portas que não se abrem? – Todos os dias vemos aqui e ali insatisfeitos. Por quê? Não se deram bem com os demais irmãos onde montaram barraca? Graças aos céus que temos condições de analisar o bom e o mau. Assim dizem. Seremos maus? Seremos bons? Difícil dizer. Onde está a verdade? Com aquele ou comigo? Temos amigos ele também tem.

                Um dia fizemos a mesma promessa, a Lei Escoteira nos foi apresentada e todos nas entrelinhas disseram um dia cumprir. – Deixe-me entrar em sua porta? Posso? Não? Você não me acha merecedor? E eu o que acho de você? Um incapaz? Alguém sem Espírito Escoteiro? 

                    Não são todos com as portas fechadas. Em muitos grupos escoteiros vemos no dia a dia o afastamento de um e outro. Tentou entrar em portas daqueles que considerou amigo e não conseguiu. Afastou-se. Foi para casa. Outros não desistiram e abriram novas portas. Portas que sempre aceitava os que quisessem entrar. Mas e os mais novos também não se sentiram do lado de fora? Esperamos muito. Muito dos adultos. Nem perguntamos o que eles esperam de nós. Cada um tem sua maneira de agir, de pensar, de analisar e estamos deixando de lado um fato, um ato que esquecemos completamente.

                  Ouvir. Ouvir sempre. Augusto Branco um sábio comentou o que seria saber ouvir: - Saber ouvir e saber calar: nisto consiste o supremo valor do silêncio. Ouvir, silenciar, pensar, falar, silenciar e pensar outra vez evitaria muita coisa dita em vão. Por falar apenas e pouco pensar, pessoas cometem erros difíceis de reparar depois. E por ouvir tanto menos do que pensam, piores erros cometem ainda...

                      O escotismo se cercou de muitos que falam muito. Esqueceram-se de ouvir. Resolvem, tomam atitudes, decidem e até falam palavras que machucam assustando uns e afastando outros que muito teriam a contribuir. A cada mês, a cada ano as cisões nos grupos escoteiros fecham portas que não vão abrir a não ser para quem os donos das chaves acham que merecem. A cada temporada de novos grupos que surgiram sempre estarão ali os insatisfeitos, os que queriam entrar por uma porta e a encontraram trancada.

                    Seria este o escotismo que queremos? É tão difícil compreender? Elogiar alguém mesmo que não o achamos merecedor? Norman V. Peale disse que o mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela critica. Verdade? Assim confirma Sigmund Freud que disse também – Contra os ataques é possível nos defendermos: contra o elogio não se pode fazer nada.

                  Precisamos mudar para acreditar em nós mesmos. Sei que é difícil. Um grande poeta Chico Anísio já falecido (risos, grande sim) dizia que palavras são palavras, mas outro que desconheço emendaram: – Agua mole em pedra dura tanto bate até que fura. Não custa nada, faça um elogio honesto e sincero e vais ver quantos amigos podem passar pela sua porta para lhe abraçar e agradecer. Ou nos conscientizamos que somos irmãos escoteiros mesmo com nossas deficiências, ou então as portas do futuro estarão sempre fechadas para nós.


                 Pois é, eu nunca me esqueço de BP com sua frase mais famosa – A verdadeira felicidade é fazer a felicidade dos outros. É ótimo ver os olhos sorrindo. Mesmo que estejam rindo de mim, das minhas palavras, dos meus escritos me sinto feliz. Obrigado, entre, pois minha porta sempre estará aberta para você!

nota -  No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo um carinho no momento preciso o folhear de um livro de poemas o cheiro que tinha um dia o próprio vento... Mario Quintana. Se divirtam com esta crônica. Amanhã um novo conto uma nova historia. Abraços fraternos. 

domingo, 3 de dezembro de 2017

Conversa ao pé do fogo. O que você faz para ser feliz?


Conversa ao pé do fogo.
O que você faz para ser feliz?

Muitas vezes esquecemos como e se sentir feliz e fazer os outros felizes é bom demais. Já pensou transformar o mundo em um cidade como Xangri-lá? Romance do Escritor James Hilton em seu livro Horizonte Perdido, sobre a história de uma cidade escondida nas montanhas do Tibet e que além de perfeita todos possuíam a felicidade no coração. Gosto de ver pessoas dizendo: - Ah! Como sou feliz! Tem um marketing na TV que atrai: - O que você faz para ser feliz? Foi então que me lembrei que nós Escoteiros temos muito em comum para sermos felizes. São muitas maneiras. Impossíveis enumerar todas. Deixo para meus amigos complementar as que faltaram.

- Na estrada, em fila indiana, sol de rachar, mochila pesada, o chefe diz: Quinze minutos de descanso! Você joga a mochila no chão, faz ela de travesseiro, deita respira, fecha os olhos de mansinho e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Muito frio, de rachar, você em volta do fogo apagado, difícil acender, você treme de frio, o fogo começa, enorme, calor gostoso, você sorri e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Jogo difícil, complicado, disputa enorme. O jogo termina, o chefe diz quem venceu. Palma escoteira. É sua patrulha, você sorri e diz: - Ah... Como sou feliz!

- No acampamento, fome enorme. Cozinheiro novato. Termina o almoço, duas da tarde, arroz queimado, bife cheio de fumaça, sem sal, você se serve, pede bis... Que fome! Comida gostosa demais e aí você diz: - Ah... Como sou feliz!

- Cerimônia de bandeira, todos perfilados, você é chamado. Cordão Verde Amarelo, você conquistou. Entregam a você. Você sorri e diz: - Hã... Como sou feliz!

- No acampamento, jogo forte. Quase três horas de duração. O Chefe DIZ: Hora do banho! Você pula no remanso, sente no corpo a água gostosa, fria, mas boa demais. Então você diz: - Hã... Como sou feliz!

- Falsa baiana sobre riacho, corda bamba, você gordinha, com medo, todos olham, estão rindo, você não desiste. Insiste e eis que chega ao outro lado. Olha para todos, sorri, você venceu e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Reunião de patrulha, votação para Monitor. Contam-se os votos, você ganhou, é o novo monitor, você sorri era seu sonho e então você diz: - Ah... Como sou feliz!

- Dia de prova na escola, matéria difícil, tem excelentes notas, já mostrou aos seus pais e agora vai mostrar ao seu chefe, ele sorri lhe cumprimenta e diz: parabéns. Bom demais e você diz: - Ah... Como sou feliz!

- Amiga escoteira sumida você sente falta, ela aparece, sorri para você, voltei para ficar. Você diz: - Ah... Como sou feliz!

- Mãos doendo, calos, alguns cortes, machadinha pesada, facão enorme, mas você olha e vê a mesa pronta no campo. Dá alguns passos para trás orgulhoso, olha com carinho dá um belo sorriso e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Entrou em um Grupo Escoteiro. Noviço um mês, dois meses, etapas concluídas. Disseram – sábado sua promessa. Semana longa, não passa! Chega o dia. Saudação! Prometo pela minha honra... Incrível, seu corpo vibra, nunca sentiu isso na sua vida olha para todos e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Duas horas, três, quatro, cinco e chegam ao cume da montanha. Respiração ofegante, mochila pesada. Mas valeu! Uma pedra linda, você senta e olha o horizonte, incrível! Vista maravilhosa! Fecha os olhos e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Jornada a pé. Difícil, cinco quilômetros, sol bravo! Queimando! Uma árvore, linda, frondosa! A patrulha para, deita em volta, uma brisa no seu rosto. Você pensa e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Dia de reunião. Você chega à sede, amigos, abraços, apertos de mão, o chefe aparece, olha você, mão esquerda, ele diz baixinho – Os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda! Você sorri e diz: – Ah... Como sou feliz!

- Bandeira! Ferradura! Todos perfilados. Saudação! Olhos firmes vendo a bandeira farfalhando no ar, subindo orgulhosa, sua pátria! Você sorri, está orgulhoso e diz: Ah... Como sou feliz!

- À noite alguém se lembra de uma linda canção escoteira, final de fogo, deitados na relva, céu estrelado, cometas cintilantes, todos cantam. Uma coruja pia, o corpo vibra e você pensa como ama o escotismo e diz: - Ah... Como sou feliz!

- Fim de curso. Vários dias. Muitos amigos. Novos irmãos escoteiros. Um círculo, mãos entrelaçadas, canção da despedida, lágrimas nos olhos, saudades chegando. Abraçam-se, e dizem – Nunca mais vou te esquecer me escreva me visite! Você fecha os olhos e diz: Ah... Como sou feliz!

- Grito da tropa, ou do grupo. Todos abraçados. Você participa. Sua garganta arranha de tanta força que faz... Olha ao redor, todos sorrindo. Vê a felicidade verdadeira, uma coisa inexplicável. E então você diz: - Ah Como sou feliz!

São coisas assim que marcam que nos transformam que nos faz ser quem somos. Uns chamam de coração Escoteiro, outros de filosofia escoteira. Como diziam os poetas, “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.” São tantas coisas lindas que encontramos na nossa vida escoteira, que sempre lembro que as pessoas mais felizes não são aquelas que têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

Escotismo? - Ah... COMO SOU FELIZ!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Oba! Oba! Aconteceu... Eu fui ao Jamboree do Brasil.


Oba! Oba! Aconteceu...
Eu fui ao Jamboree do Brasil.

        Beleza! Avistei do alto do morro a entrada do Jamboree. Sorri de orelha a orelha. Quanto tempo eim? Pensei. É, fazia tempo que não ia a uma atividade assim. Já estava “aperreado” de tanto ficar em casa. Precisava escoteirar, andar por aí, abraçar alguém dizer Sempre Alerta, Melhor Possivel ou Servir. Sempre recebi muitos convites, mas sempre num cantinho estava escrito: - Tem taxa – E neste jamboree a Taxa era 680 paus sem merenda, sem lanche, sem rancho ou rango. Pagando com antecedência 679 paus. Como um Velho duro e aposentado como eu podia ir? De graça? E o Chefe na portaria me cobrando? – Pendure meu amigo. O Chefe tá duro! Valha-me Deus.

        Estava mesmo difícil fazer escotismo hoje em dia. Sem tostão sua vida escoteira não vale um vintém. Mas lá estava eu na porta do Jamboree. Eu sabia que seria fantástico. Impossível imaginar quanta gente presente. Quem sabe encontraria amigos meus que fiz e nunca vi pessoalmente? Garbosamente marchei na trilha que me levava à entrada do campo. – Cantarolava uma velha canção do passado: ♫♫♫Aonde vais tu, oh Escoteiro, com teu bastão lesto a marchar! Candência certa passo certeiro, aonde vais tu a acampar?

         Era ônibus, caminhão, automóveis e até helicópteros cheios de escoteiros. Escoteiro rico é outra coisa. Nada como enricar, pensei. Duas patrulhas de jovens lindas da Suécia passaram sorrindo com suas sainhas curtas. Deram-me um tchauzinho. Beleza! Escoteirada bonita, alegre cheia de espírito de B-P vale a pena olhar. No portão fui entrando seguindo a escoteirada. Meu caqui estava soberbo. Bem passado, botões abotoados. Lenço de Insígnia bem dobrado, minha botina preta brilhava. De raiva coloquei minhas jarreteiras verde e amarela. Pensei em colocar meu distintivo de Primeira classe e meus cordões de eficiência. Não podia, Chefe não usa. 

          No chapéu o penacho verde e amarelo de Chefe de grupo. Chefe de Grupo? Boa Vado escoteiro, isto não existe mais. Agora é Diretor Técnico. Puxa! Nome pomposo, garboso supimpa! – A minha mochila verde garrafa do exército Inglês brilhava. Minha faca John Rambo à direita, a machadinha Mundial fazia jus a sua fama. Meu cantil Guepardo Western da última guerra estava cheio. Nada de água, só o puro uísque Chivas 18 anos. Afinal água se achava em qualquer lugar, uísque não.

           Marchando garbosamente eu ia junto a uma patrulha escocesa, todos tinindo de uniformização com seus saiotes Kilt coloridos. Lembrei-me do famoso Tartan do Clã dos Maclaren. Eu estava adorando. Finalmente ia acampar. Na cancela alguém gritou: - Ei velhote! Aonde vai? Respondi cantando: ♫Prá longe eu vou, a pátria ordena, sigo contente meu monitor... Ele fechou a cara. Nem pensar! – Doutor do Staff, eu disse. Só uma noite e logo vou partir. Só quero matar saudades.

          – Ele me olhou enviesado: - Fez a inscrição? Pagou? – Eu? Eu não Doutor Stafado! Pensei em ficar só um dia e não ia precisar. - Precisa sim. Sem pagar não entra nem com suas medalhas fajutas. Poxa! Fajuta minhas medalhas? Ganhei há tanto tempo e foi de graça! – Moço pagante do Staff da UEB, deixa eu ficar algumas horas somente. Logo vou embora! – Esqueça velhote, vá acampar em outra freguesia. Aqui sem taxa nem morto, nem se fosse Baden-Powell! – Coitado do velhinho até hoje é esquecido pelos grandões da UEB e que não dão o mínimo valor aos seus métodos.

             Pensei em dar nele uma bastonada na cuca. Lembrei-me que escoteiro é cortês. Insisti e ele fechou a cara. – Ele gritou! Leandro do Staff vá chamar mais vinte dos Stafados que pagam para trabalhar e levar este velho chato de galocha daqui! Não demorou e logo chegou à turma Stafada. Eram de arrepiar. Tinha Chefe barrigudo, cabeludo e barbudo de fazer dó com a tal camisa da vestimenta solta na pança. Os donos do poder chegaram logo. Eu já tinha lido sobre eles. Eram onze. Alguns com aquele sorriso fajuto e outros com cara de mau. Vestimenta? Camisa solta, sandália, lenço amarrado nas pontas, cabeludo e barbudo. Bem cada um veste como quer quem sou eu para condenar! Kkkkkk.

         – Então é você? Um gritou. – Eu doutor? Eu sou um pobre Velho Chefe Escoteiro, que não tem onde cair morto Excelência. Melhor mostrar respeito. Afinal eram os donos da EB e podiam me processar. – Aqui não entra, nem pagando velhote. – Doutor, tô duro, não tem fiado e nem caderneta para pagar no fim do mês? – Necas, aqui gente da tua espécie não acampa! – Mas Eminência, que espécie sou eu? – Outro respondeu: - Espécie naftalina. Só vive no passado e acha que seu tempo era melhor que o nosso! Ah! Ah! – Então era assim? Escorraçado do Jamboree só porque sou um Chefe naftalina? Desta vez não ia deixar de barato. Chega de o barato ser marido da barata.

             Agora era usar minha força de Ulisses, do tronco de Stallone, do sorriso brejeiro de Schwarzenegger. Fiz a velha pose de Shaolin. Lembrei-me de Jackie Chan, Bruce Lee e Jet li. Afinal não fui campeão de Briga de Galo quando era um raquítico Escoteiro? Não entrei na caverna do Morcego e enfrentei a morcegada só de cueca? Essa turma do CAN e da DEN ia ver quem era eu. – Um deles apitou. Assustei. Vá apitar assim na Tonga da milonga. Chegaram dezenas de chefes armados até os dentes. – Eram todos do Staff da UEB. Só chefes sem curso, sem Tropa, sem Alcateia. Vi que eram fajutos chefes escoteiros. Ia falar um palavrão, melhor não.

       Que seja! Não posso entrar? Tá bom! Vocês vão conhecer a força de um Velho Chefe conhecido como Vado Escoteiro, o famoso escriba da Patrulha Lobo. – Lembrei-me da pose de Daniel San, o lutador de Karaté: - Pedi ajuda ao Sr. Miyagi. A luta foi “braba” peguei um Diretor pelo “cangote”. Notei que a sua camisa era verde garrafa. Turma danada gostam de mudar de cores. Levei um sopapo na testa outro na “zoreia” e tudo rodopiou. O chão era pequeno demais para mim.


          Acordei caindo da cama e a Célia como sempre correndo para me socorrer. – Mulher! Gemi. Apanhei prá xuxú. Esta turma do Staff e do CAN não é mole. Agarram no cargo como carrapato e não querem sair e nem me deixaram entrar no Jamboree! – Ela sorriu. Sabia que eu estava ficando senil. Pois é mulher, seu marido não está com nada. Ela deu uma gargalhada. – Porque não vai para a varanda ver o sol nascer atrás das montanhas? Montanhas? Hummm! Ela também estava como eu. Ali não tinha mais montanhas. Sumiram na modernidade da vida!

nota -  O meu jamboree foi diferente. Sem terras do arrebol. Cantei uma canção dolente e na entrada me disseram chispa! Prá onde seu Staff? Pru diabo que o carregue! Aqui só entra a turma endinheirada, se não pode pagar vá acampar em Brejo Seco. Você não é amigo do Escoteirinho pobretão e o Zé das Quantas do salário mínimo? Ué, “Minino” vou te contar, meu jamboree foi demais. Quem sabe ainda vou lá no próximo quando for mais baratinho?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Diário de um Velho Chefe Escoteiro Tradicional.


Diário de um Velho Chefe Escoteiro Tradicional.

Varrendo meu subconsciente abstrato filosófico, porque não dizer subjetivo, nada melhor que fazer uma autoanálise dos últimos dias e anotá-los sabiamente no meu livro da vida:

- De novo me disseram que devia procurar outra freguesia. UEB ou EB não têm interesse no meu passe. E daí? Ele estava à venda? Afinal sou um dos poucos que não dá lucro a EB.  Em 1947 mesmo sem registro fiz a promessa de lobo na UEB. Durante todos os anos que sou escoteiro ganhei distintivos e fui agraciado com tanta honraria Uebeana que adquiri certos direitos queira uns e outros não.

- Admiro as outras congêneres que fazem o escotismo que acreditam. Respeito apesar de ainda me considerar Uebeano mesmo não fazendo o registro. Ora bolas, se um dia me escolheram como DCIM, me deram medalhas sem pagar, nomear como Comissário e o Escambal hoje não sirvo mais só porque não comungo com as diretrizes dos novos dirigentes?

- Sou Facebocano desde 2009. Só escrevo Escotismo e nada mais. Aqui cada um escreve o que quer. Uns fazem politica, outros mandam bilhetes, falam de suas escolhas pessoais e religiosas. Afinal eu também não sou um tagarela nos meus escritos?  Minha caixa de mensagem vive cheia. Pena que não tenho tempo para ler tudo e enviar para todos os meus amigos como pedem. São mais de 10.000! Pois é. E dizem que estamos sozinhos por aqui. Sei não.

- Até hoje ainda não sei se o balancete dos dois últimos Jamborees Brasileiros foi publicado. Se foi bom para a EB e foi bom para a Região patrocinadora. Muito ou pouco “tutu”? Meio a meio? Metade para cada um? Os prejuízos também? Não sei. Disseram que estava na prestação anual de contas. Não vi no da UEB e nem sei se tem os das Regiões. Agora esse negócio de Staff pagar 50% é certo? Vale a pena pagar para trabalhar? Cada um sabe onde o sapato aperta. Como dizia o Chefe Wander meu compadre hoje lá no céu, “Tem gente que gosta”!

- Um tema que discutem muito é a participação dos Agnósticos, LGBT e outras religiões não cristãs em ter uma promessa própria no escotismo. Abstenho-me de opinar e nem sei se vale a pena concordar ou não. Queira ou não sou um dinossauro saudosista que não sabe se isto vai dar nova dimensão ao Escotismo moderno. Me apego aos resultados. Só aos resultados. Vi que estão organizando uma nova associação: - AEA – Associação dos Escoteiros Ateus. Sucesso para eles. Será que vem também a AELGBT?

- E vão mesmo acabar com o uniforme caqui? Quem ganha com isso? Maneiramente parece que a EB lucra. Mais associados para comprar a vestimenta. Haja tostão para ser escoteiro hoje em dia. E inventam mil maneiras para enricar: - Novos distintivos, novas taxas e algumas em “dólar!”. Olhe eu não sei se a “mula manca”, o que eu quero é rosetar... E o salário Ó’!

- Vai ser danadamente desagradável, mas enquanto viver vestirei aquele que usei pela primeira vez em abril de 1951 quando fiz minha promessa escoteira, lá nas Minas Gerais, no rincão do Ibituruna em Governador Valadares onde o Rio Doce virou poeira e lama. Será que vão me processar? Putz grila, vai ser demais. Serei meu próprio “Devogado”. Não tenho um tostão para contratar outro. Agora ficar atrás das grades não sei se vai dar. Velho maniento cheio de lugar comum morre em doze horas lá. Bem cada um morre onde pode não é?

- Ah! Encerrando. Depois de três anos de ida e vinda finalmente me tiraram a catarata da vista direita. Estou vendo até através das paredes. Saio na rua e consigo ver estrelas, ver lindas montanhas, florestas, vales e lindos riachos para nadar. “Bão demais!”. Pois é, agora posso ver a beleza das flores, do vermelho ao nascer e por do sol e do azul do céu. Me colocaram um olho azul, agora tudo azul na vida do Velho Chefe Escoteiro. Vida longa a todos vocês!!!!


Nota - E vocês meus diletos amigos escoteiros, tenham uma bela tarde, uma bela noite, uma linda madrugada e uma vida espetacularmente feliz!

domingo, 26 de novembro de 2017

Apenas um esquete em um Fogo do Conselho. Você mudou minha vida!


Apenas um esquete em um Fogo do Conselho.
Você mudou minha vida!

Cena 1 (ela) – Uma Escoteira surge ao pé do fogo dizendo:
- Quem é você? Será alguém que nunca vi e que apareceu na minha vida me trazendo uma nova maneira de viver? O que está a fazer com meus sonhos? Os que tinha já perdi e você agora me força a ter outros?

Cena 2 (ele)
– Você sempre esteve em mim. Mudou por mudar e por acreditar. Você sabe disto, sonhava comigo o tempo todo, pensava que comigo seria feliz. E quando me adotou voltou a flutuar e agir melhor...

Cena 3 (ela)
– Nunca pensei que chegasse a tanto. Você apareceu em um momento que estava na maior confusão, foi chegando de mansinho, me abraçando, ganhou minha confiança e logo após ganhou o meu coração. Toda minha vida esperei alguém como você que me estendesse à mão, e seu carinho me completou me fez feliz...

Cena 4 (ele)
– Eu sou assim. Distribuo amor, amizade e fraternidade. Tenho uma Lei que mostra o caminho da felicidade. Amo fazer as pessoas felizes. Você acreditou que podia mudar, acreditou que minha filosofia seria importante para crescer e fazer outros acreditarem como você. Sempre estarei em seu espirito na sua mente e sempre estarei em seu coração. Que minha Lei e a Promessa que fizeste um dia a transforme em um melhor ser humano. “Eu acredito em você”

Cena 5 (todos)
– Todos em volta do fogo se levantam. Uma palma escoteira ecoa no ar. No seio da mata pássaros começam a cantar, uma cigarra assustada ecoou seu cântico de amor. Ele o “Escotismo” olhou para o céu, viu estrelas brilhando a festejar aquela fogueira do amor. – Pensou consigo quantos acreditaram. Sempre aparecendo na sua vida e de repente, como uma estrela cadente abraçam a causa de uma fraternidade de amor para nunca mais desistir...


Sempre Alerta!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Olá Chefe, desculpe, mas não posso aceitar!

Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Olá Chefe, desculpe, mas não posso aceitar!

                      Obrigado pelo convite. Sei que ele é sincero. Olhe eu tenho pensado sobre isso. Eu já fui escoteiro agora não mais. Tenho pensado em voltar, mas confesso que estou em dúvida. Sabe Chefe, eu tinha um caderno que meu pai comprou. Um lindo caderno Chefe. E a capa? Irresistível. Muitos escoteiros em uma montanha, com uma bandeira do Brasil desfraldada. Era incrível Chefe. Nunca tinha visto nada igual. Pensei logo em ser um deles. Já pensou? Eu com aquele lindo uniforme, com aquele chapéu “bacana”, correndo pelas campinas com a minha querida bandeira do Brasil desfraldada ao vento? Pois é Chefe seria demais.

                     Pensava e sonhava com grandes aventuras chefe. Dormir em uma barraca, acampar em uma floresta desconhecida, ouvir o cantar da passarada, tomar um banho gelado na cascata, pescar... Chefe eu queria mesmo estar lá. Não sou um sonhador, mas adoro o vento as estrelas, o cheiro da terra molhada coisa que na minha cidade não tem. E então Chefe eu ia sorrir, gritar e cantar com minha Patrulha, e sabe mais? Eu ia usar a minha machadinha que iria comprar, queria mesmo construir belas construções belas pioneirías. Queria com meus amigos fazer um jogo cheio de aventuras, quem sabe a busca do Tesouro?

                     Sabe Chefe uma vez eu e meus amigos fomos até o morro do Papagaio procurar um tesouro escondido há muitos e muitos anos na gruta do Pirata. Foi lá Chefe, ao entardecer, um dos meus amigos que fora escoteiro me contou que a noite eles acendem uma fogueira, cantam, riem e que no céu sabem de cor todas as constelações. Quando ele dizia isso eu vibrava. Mas Chefe não foi isso que encontrei. Não foi mesmo. Pedi ao meu Pai para me levar lá. Foi triste. Nem apresentado aos outros eu fui. “Jogaram-me” em uma Patrulha. Não fui bem recebido. E na reunião só o chefe falava. O tempo todo o "Chefe" Escoteiro dizendo, faça isso faça aquilo.

                    Chefe um dia me levaram sem me perguntar se queria ir até a praça para fazer limpeza, o mesmo na beira do rio, em ruas esburacadas e até mesmo plantar. Até aí tudo bem. Amo as arvores. Acampamento Chefe? Uma vez por ano e olhe lá. Disseram-me que eu poderia comprar o uniforme. Caro, meu pai pediu para aguardar. E aí Chefe me venderam uma camiseta e um lenço. – Pode usar disse o Chefe. E olhe eu nem tinha feito minha promessa. Mas eu queria o chapéu, aquela calça e camisa escoteira, o cinto de couro. Chefe era isso que eu tinha sonhado e não uma camiseta.

                    Olhe Chefe eu queria aprender os sinais que tanto me contaram e deles fiz uma fantasia. Queria fazer ou seguir uma pista em campo aberto, saltar obstáculos, enganar meus seguidores com um caminho a evitar. Eu queria Chefe aprender como ver a altura de uma montanha, de uma árvore, eu queria Chefe ter uma bússola na mão para ver no mapa qual o caminho tomar. Eu queria aprender os nós de descer das árvores, de tirar pessoas do buraco, queria Chefe aprender a usar o facão, a armar sozinho a barraca, cozinhar, mas veja o Monitor não deixava. Era ele quem sabia fazer tudo ou quando o "Chefe" Escoteiro estava junto era ele quem fazia.

                    Sabe Chefe, eu esperei. Esperei meses. Minha Patrulha só diminuindo. Um dia vi que até o Sub Monitor não veio mais. Era eu dois novatos e o Monitor mandão. Pensei em seguir o mesmo caminho, mas ainda acreditava que parte do meu sonho podia acontecer. Queria meu uniforme, minha promessa, a especialidade de acampador. Eu queria Chefe ter um cordão de eficiência, e se o Monitor e o Chefe ajudasse eu seria um Escoteiro Lis de Ouro. São tão poucos no Brasil não é Chefe? Mas eis que chegou o grande dia. Era o acampamento. Chefe e meus sonhos?

                   Não foi o que pensei Chefe. Armamos a barraca com o Chefe ao lado dizendo como fazer. O primeiro almoço foi de “quentinhas” que um pai trouxe. E a tarde Chefe? Quase dormi para chegar minha hora de atravessar uma corda esticada. Pensei que seria um “Comando Crow”, mas não passou nem perto. Pioneirías? Nem pensar. O Chefe só falava que não podia cortar arvores, e até a moita de bambu tinha de ser preservada. Uma decepção Chefe o acampamento. A maior parte do trabalho de campo era os pais que faziam. O que eles estavam fazendo lá Chefe?  

                  Não posso reclamar de tudo. Teve um jogo de “lama” com todo mundo enlameado que gostei. Os outros jogos foi os que fazíamos na sede. Pois é Chefe, ali no campo, tantas árvores, um regato cantando nas pedras lisas, pássaros a granel para a gente fotograr. Até uma coruja eu vi em um carvalho que com a gritaria e os apitos do Chefe ela se foi. Eu queria que o Chefe perguntasse no final o que achamos, mas ele não perguntou. Ele nunca nos consultou. Ele e o Monitor eram o dono da bola, do jogo e quando queriam pegavam a bola como a dizer “Game Over”.

                      Obrigado Chefe, sei que o convite é sincero. Mas agradeço. Não dá mais. Até hoje meus amigos de turma do bairro dão risadas quando falamos em voltar a ser escoteiros. Eles dizem que seus programas são melhores e quem sabe são mesmos. Sabe Chefe eu o Tonho, o Zeca, o Betinho e o Zezé estamos juntos com a turma da rua há muitos anos. Só o Neném saiu, pois foi embora da cidade. E sabe Chefe, lá não tem chefes, somos nós que decidimos. Chefe, até pensei que quando crescer vou ser um Chefe Escoteiro, mas diferente, serei aquele que ouvi mais que fala. Que escolhe bem os monitores e os ensine que na Patrulha também tem gente.

                       Quando for um Chefe chegar um candidato, serei franco, direi a ele que quero ouvir sempre sua opinião. Direi a ele e aos demais que agora vamos fazer realizar seus sonhos. Que somos um equipe, “um por todos, todos por um”. Vou mostrar a eles a capa do meu caderno e dizer: Podem sorrir turma, agora é para valer! Segurem nossa bandeira, desfraldem-na contra o vento, pois vamos para o nosso acampamento e lá vamos viver mil aventuras!


                    Obrigado mesmo Chefe, desejo tudo de bom para o senhor. Acredito que outros meninos vão aceitar seu convite, mas eu chefe não posso. Infelizmente são diferentes dos meus sonhos e olhe não fique triste, desejo ao senhor e a todos que fazem do escotismo sua maneira de viver que sejam felizes, que o sucesso seja completo nas atividades que fizeram. E olhe Chefe, Sempre Alerta, até outra vez!

Nota de rodapé: - Um amigo escreveu para os chefes que quiserem aprender a fazer escotismo: Leia B-P, estude B-P e aplique B-P. Ele sabe o que diz, afinal foi quem criou o Movimento escoteiro. Leiam esta pérola dele: - Se lhe tivéssemos chamado o que ele era, a saber, “Sociedade para a Propagação das Qualidades Morais”, o rapaz não se teria propriamente precipitado para aderir. Mas chamar-lhe escotismo e dar ao rapaz a oportunidade de se tornar um explorador em embrião, foi algo completamente diferente.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Crônicas escoteiras. O Grande Acampamento no céu.


Crônicas escoteiras.
O Grande Acampamento no céu.

                 Dormitava, isto está virando rotina. Corpo do Velho Chefe Escoteiro só reclama. Não sei o que aconteceu, mas acordei em plena Via Látea aquela galáxia espiral no Sistema Solar. Lindo! Maravilhoso! O colorido era estonteante e até os mais amantes do universo ficam sempre boquiaberto com essa poluição luminosa. Como fui parar ali? Absorto com tão soberbo espetáculo alguém me tocou nos ombros: - Olá Chefe Vado, estou aqui em nome de Lord Baden-Powell, ele faz questão que o Senhor vá visitá-lo no Planeta Brownsea. – Brownsea? Mas não é uma ilha? – Ele educadamente disse que não. Era o novo planeta dos escoteiros. Interessei-me. Será que estou chegando ao Grande Acampamento do Universo? Falaram-me tanto sobre ele que jurei nunca passar por lá. Papo de morto não dá!

                Volitando no ar segui o Chefe de BP. Andar com as próprias pernas? Ali não precisava. Avistei o Planeta Brownsea. Lindo. Grandes florestas, rios enormes pássaros cantantes que me levou de volta a mata do Tenente onde acampei pela primeira vez. Do alto da montanha avistei um aparato enorme de barracas, mal armadas e algumas caídas no chão. – O que seria isto? Não pode ser escoteiro.

                Resolvi descer e conhecer o lugar. Era um enorme acampamento. Gigantesco. Chefes indo para nenhum lugar e sempre voltando. Milhares de chefes. Sussurravam uns para os outros que hoje seria o dia da Assembleia dos Escoteiros do Além. Além? Estava morto? Belisquei-me e não senti nada. Prestei mais atenção e notei enormes faixas escritas em diversos idiomas e penduradas nas árvores: - Vi faixa da BSA (boy Scout of America), da CES, (Confederação Europeia de Escotismo) a da AEBP (Associação des Ecalireurs B-P do Canada), da AGESCI (Associazione Guides e Scouts Cattolici Italiano) da ASDE (Federação de associaciones de Scout de Espanha) da OWS (Ordem of World Scout). Custei a ver a da UEB, mas ela estava lá também.

               Estava estupefato. O que era isto? Coisa de BP não era disto tinha certeza. Foi então que um Chefe do Sudão com aquela fleuma inglesa sapecou em seu inglês aristocrático: - Senhor Chefe Vado, Lord Baden-Powell pede sua presença imediatamente! Mesmo cansado e com as pernas atrofiadas e sem ar fui com ele até a Barraca de BP. Sua barraca verde limão estava muito bem armada, símbolo de quem tem técnica escoteira sabe como fazer. De braços abertos me esperava. Deu-me um abraço, juntou os cascos à moda militar e disse: - Be Prepared! – Você sabia que na Inglaterra escolheram esta saudação só porque as duas primeiras letras era B_P? E gargalhou a moda dos oficiais britânicos.

                      Sente-se aqui Chefe. Sentei em um banco feito da melhor peroba rosa que já vi, bem feito, cipós descascados, amarras no ponto e na mesa um lindo tampão com uma costura de arremate incrível. Ele então me disse: – Chefe Vado eu acho melhor o senhor partir. Aqui não é seu lugar. Assustei. – Porque Mestre? Ele triste falou – Temos aqui muitos chefes snobes, arrogantes e fúteis lutando para serem promovidos a Escoteiro Chefe Sideral. Uma luta da turma Inglesa, Francesa, Alemã, Italiana, americana e muitos brasileiros.

                     Mestre aqui também tem disso? – Pois é a turma do Brasil foi quem começou. Montaram um Estatuto, onde os eleitos se perpetuam no poder, onde só eles podem determinar e fazer o escotismo que querem. – Continuou B-P - Eu não moro aqui. Estou numa galáxia muito distante. Venho aqui vez ou outra para ver se salvo alguma alma escoteira com espírito Escoteiro. É fácil chegar lá. É na Galáxia de Andrômeda, uma estrela azul chamada Capella onde todos são felizes. É onde os escoteiros puros de coração vão morar quando vão para o céu. Espero você lá. Vai gostar. Lá todos estão bem uniformizados sem camisa solta em cima do barrigão! Os lenços bem dobrados e a maioria de uniforme caqui.

                 BP sorriu me deu outro abraço e como num passe de mágica desapareceu. Foi então que vi na porta da barraca vários chefões brasileiros me dando voz de prisão. – Por quê? Não interessa disseram. Vais direto para a Comissão de Ética da Ordem Galáctica mundial. – O que eu fiz? Eles riram como demônios investidos em escoteiros. Todos vestimentados, pano desbotado, de sandálias e dois deles de chapéu de boiadeiro. – Você se acha o tal, vive criticando a liderança brasileira, acha que pode resolver o problema Escoteiro no Brasil. O Grande Conselho discutiu e lhe condenou morar para sempre no Acampamento do Inferno! Mama mia! Desta vez entrei de gaiato no navio.

                      - Bem que BP me avisou. Tentei correr, levei uma bastonada na cabeça. Não tinha como reagir, estava sem meu bastão de um metro e setenta, ponteira de aço, sem meu cabo que se transformava em um chicote mortal. Desarmado me levaram em uma Biga mal feita de Bambuzinho Chinês. Ninguém me ajudou. B-P tinha me prevenido. Chefe Vado, aqui só vive que se acham os tais, os subservientes e os puxa sacos que não reclamam e nem se incomodam com isto. - Resolvi lutar. Como? Eu estava fraco, pulmão sem ar, pernas atrofiadas e mesmo assim lutei. Apanhei feito o “diabo” (será que ele apanhou algum dia?) Mesmo Velho rouco e sem voz tentei cantar uma canção, ia falar de paz sabendo que não adiantava. Arrastavam-me sem dó e nem piedade rumo a uma cratera de fogo. Eu berrava, gritava gemia e pedia a Deus para me salvar.


               Foi então que alguém me abraçou e me beijou. Querido sou eu, a Célia, acorde, é apenas um pesadelo! Olhei para um lado e outro e pensei... Neste grande acampamento no céu nunca mais... Nunca mais...

Nota de rodapé: - Ainda caindo pelas tabelas, mas preciso postar o que mais gosto. Beliscar os donos do poder, ou melhor, da UEB. Lembrei-me desta sátira de quando fui parar no grande acampamento no céu. “Minino!” A coisa lá é “braba”. Mas tem o outro lado da moeda, um dos bons e outros do mal. Se algum dia for para lá siga direto para Andrômeda. Procure o planeta verde chamado Capella com céu azul, lindas montanhas, grandes florestas e rios com nascente de águas límpidas e piscosas. Lá sim vale a pena ser um imortal Escoteiro e fazer o que mais gosta.