HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sábado, 26 de julho de 2014

E você acredita que Acampamentos e acantonamentos são os Encantos dos chefes?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
E você acredita que Acampamentos e acantonamentos são os Encantos dos chefes?

              Todos dizem: - Acampar é viver no paraíso. Outros dizem – Acantonar e viver com a natureza e desperta os lobos para uma vida de alegria e felicidade. Acredito nisto. Mas cá entre nós, você assim como eu sabe que não é bem assim. Existem “causos e causos” acontecido com todos nós. Você pode ter a experiência que eu tenho de mais de sessenta anos de escotismo ou pode ter apenas dois ou mais anos. Não difere muito dos fatos que acontecem na saída e na chegada de um acampamento ou acantonamento ontem e hoje. No fundo são todos iguais. Quem sabe você vai me dizer que isto não aconteceu com você. Parabéns! Precisamos conversar um dia para você me ensinar o caminho da felicidade dos chefes nestes dias. Interessante que todos reconhecem que se conhece o seu Escoteiro ou lobinho em acantonamento ou acampamento. Verdade, mas eu diria mais - Também na preparação, na saída e na chegada destas atividades.

                É nestas horas e nestes dias que a gente pensa quanto vale um Chefe ou uma Akelá. Valor imenso se pensar no que eles passam. Claro é divertido, pois passado os dias das alegrias da saída e chegada lembramos gostosamente de tudo. O programa diz que a atividade vem aí. Hora de você arregaçar as mangas e começar o “preparamento” como dizia o prefeito de Sucupira. Material de patrulha, de chefia, material extra, cardápio, compras supermercado, um mundão de coisas. Alguns fazem reunião com pais para discutirem tudo (a maioria não comparece e os que aparecem enchem a paciência), e claro não se esquecer do pedido de autorização da atividade. Então começamos nossa via sacra. Na tropa se as patrulhas não tem um excelente Intendente começa a briga para ver o material. Tem isto, falta aquilo, precisamos comprar. Adoro este precisamos comprar. “Money”? Procure o Diretor Técnico que o manda procurar o Diretor Financeiro que diz estar duro!

              Seu Pafuncio do Mercadinho ajuda com alguma coisa. Ótimo. Aí começa um escotismo às avessas. Você sabe que na entrada os pais foram cientificados que escotismo é no campo. Que eles vão acampar ou acantonar. Que eles vão aprender a se virar para ficarem independentes, que eles irão crescer mais e mais em cada atividade destas. Os pais balançaram a cabeça concordando. Mas quando chega a hora os novos começam a chorar: - Chefe, Mamãe não quer deixar ir. Chefe papai disse que dinheiro não nasce em árvores por isto não vai pagar a taxa do acampamento. E um sábado qualquer antes do evento aparece algumas mães: -
Chefe Ricardinho Pé de Pano tá gripado, Chefe Mané Orelhudo não foi bem na escola, Chefe e se ele chorar e não gostar? O que o senhor vai fazer?  - Você coça a orelha. Franze a testa. Sabe que sempre foi assim com os novatos. Mas como bom Chefe dá a volta por cima e chega o momento sublime ou o tormento sublime.

                Tudo programado para saírem às oito da manhã. O ônibus já encostou. Metade ainda não chegou. Chega uma mãe: - Chefe aqui está à lista de remédios, ele tem hora viu? – Chefe ele está tossindo muito a noite. Não deixe de ir à barraca dele e cobrir ele direito! – Chefe ele é enjoado para comer. Não come qualquer coisa. Dei a ele umas bolachas e algumas latas de conserva. Se ele não gostar do que o cozinheiro fizer o deixe comer o que tem! E assim prossegue a fila de mães. E eis que aparece um pai. – Chefe, cuidado com meu filho, estou entregando e confiando ele ao senhor intacto sem ter nada. Me entregue ele do mesmo jeito. Se acontecer alguma coisa o meto na cadeia! Putz! E agora? O pai nunca apareceu nem na admissão do filho. Sempre foi a mãe agora o ameaça? Dá vontade de mandar ele para a Tonga da milonga do cabuletê! Risos, o pior é que eu mando mesmo!

                  Sabe o que eu mais gosto nestas atividades? Dos pata tenra. Adoro. Eles chegam com aquele sorriso de que vai viver uma grande aventura, a mochila? Nossa! Tem de tudo. Mamãe, vovô, titia e vizinha sempre dizendo – Leve isto e mais isto. Não cabe mais nada. Então arrumam uma sacola, um saco e coisa e tal. Quando ele chega à sede mal consegue descer do carro. Mamãe e família atrás. Cada um ajuda como pode. Chefe! Gritam de longe. Não deixa ele se cansar! E lá está cobertor, travesseiro, saco de dormir, tem até desodorante e xampu para cabelo! O que fazer? Deixar. Tive um caso de um que a Vovó chegou com uma TV portátil – Chefe, ele assiste todos os dias a novela das seis no SBT! Caramba. Mas voltemos à rotina, você sabe que metade daquilo que trouxeram não será utilizado. Outra metade vai sumir no acampamento e por mais que você seja severo sabe perfeitamente que ele ainda acha que Mamãe está ali para guardar a bagunça dele.

                      Enfim, as patrulhas já transportaram tudo para o ônibus. Ou as matilhas nada fizeram e os chefes se desdobraram para guardar tudo no bagageiro. Partida, sorrisos, piadas, canções uma animação tremenda. A história começa ali, ainda não tinha começado. Chegar ao campo, montar campo, um Chefe prevenido levou um lanche para cada um. Alguns querem dois ou três. Carregar material para o campo escolhido. Mosquito mordendo. Um calor dos “infernos” a patrulha dá o grito. Tudo vai começar. Começar? O pata tenra quer um facão para cortar bambu. Nem sabe pegar no facão. Ele não quer fazer mais nada. Furar buraco para fossa, catar lenha, ajudar a fazer um fogão uma mesa e ele só olhando. Nada de almoço ele reclama, quer comer. Na sua casa já tinha almoçado. O Monitor suando e correndo aqui e ali e quando tem um Chefe que gosta de apitar coitado dele. Almoço lá pelas três quatro da tarde. Tudo atrasou. – Monitor, eu não como isso! Não como aquilo. O arroz tá preto. O bife da torrado! O Monitor está de saco cheio com o pata tenra.

                       Você macaco Velho já sabe disto. Se ele continuar na tropa o que é improvável o problema dele acaba e começa com outro novato que vem em seu lugar. E vem a noite. A hora mais terrível para o Pata Tenra. O Monitor vem correndo - Chefe o Nonô Pé de Pato está chorando e gritando que quer a Mamãe! O que fazer? É a vida do Chefe é só de alegria. Telefonar para a família vir buscar? Nem morto filho. Nem morto ele diz. Manda chamar o Escoteiro. Cada um tem um modo de agir. Eu só olho para ele e digo, chore a vontade. Vou te deixar ali debaixo daquela árvore. Chore a vontade, seu choro é bom para chamar onças e cobras. Vamos lá! Ele te olha arregalado, para de chorar e volta para sua patrulha. Não existe mais reclamações. Aos poucos os pata tenra vão aprendendo. A maioria torna-se ótimos lobos e ótimos Escoteiros. Outros dão adeus e não voltam mais. Melhor assim eu penso e vocês também podem pensar.

                     Aí vem a parte mais interessante. A chegada à sede. No ônibus a cantoria e os “causos” acabaram. Agora só roncos. Dormem o sono dos justos. Chega-se a sede. Está apinhada de pais querendo ver seus filhos e se mandar. Se o ônibus atrasou caramba, é um Deus nos acuda. Os pata tenras querem ser os primeiros a descerem e correr para abraçar a mamãe. Não pode você diz. Ele e sua patrulha tem obrigações a fazer, descarregar o ônibus, guardar o material, relatórios, avisos e os pais ali em volta impacientes. Eles não preocupam se você fez tudo para que seus filhos fossem felizes, para aprenderem que a vida é muito mais que um abraço da mamãe. Ninguém quer saber se você dormiu todas as noites e da sua preocupação, afinal eles tem um ou dois filhos e você tinha quantos lá no campo? Não se preocupe. Isto é muito comum.  Enfim tudo guardado, avisos dados vem o debandar. Alguns pais poucos é claro vem lhe agradecer. Adeus Chefe diz um mais antigo, até sábado diz você.


                   Enfim a sede fica vazia. Você olha os espíritos amigos que ali estão e diz: - Mais um, valeu, acho que fiz minha parte e ajudei a mim mesmo. Hora de partir, seu carrinho ou sua esposa lhe espera. Ela sabe como é, pois tem experiência de anos com você chegando dos acampamentos ou acantonamentos. Você pega sua mochila, caminha em direção a ela. Um beijinho e uma última olhada na sede. Até sábado, pois a vida continua. Mesmo com tudo isto você sorri. Você sabe que é um Chefe Escoteiro feliz! 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Você está satisfeito com nosso efetivo atual?


Causas e efeitos
Você está satisfeito com nosso efetivo atual?

O tema para mim sempre foi fascinante. Não para nossos dirigentes. Pode até ser que estou enganado. Não acredito que o tema mais importante para o Escotismo hoje seja a EVASÃO. Se nossos dirigentes estão preocupados se estão tentando saber as causas e os efeitos estão entre quatro paredes. Os grupos na sua maioria estão contentes com o que fazem. A preocupação com a evasão é mínima. Diversas vezes comentei aqui minha opinião. Mas hoje vou entrar a fundo. Talvez possa ferir susceptibilidades. Paciência. Tenho até a certeza que não atingirei o alvo pretendendo. Que assim seja. Não adianta mais malhar ferro frio.

Vejamos um histórico do passado com respeito à evasão. Até 1980 ela existia, mas não na proporcionalidade de hoje. Os grupos conseguiam manter a maioria dos jovens praticando o escotismo e mesmo que o crescimento não fosse satisfatório, era comum o lobinho passar para Escoteiro, idem Sênior e até Pioneiro se o grupo possuísse o Clã. Sempre se encontrava nos grupos vários escotistas nascidos e crescidos nas hostes escoteiras. Na comunidade em que existiam por não haver a facilidade hoje de locomoção os escoteiros eram bem conhecidos. Isto até ajudava em muito na admissão de novos membros.

Em 1984/85 deu-se o inicio do escotismo feminino. Iniciado com varias normas de conduta e não era totalmente liberado como hoje para sua organização. Isto trouxe novo ânimo aos Grupos, pois muitas jovens queriam participar e o bandeirantismo nem sempre estava acessível. Tropas e alcateias separadas é claro. Não tenho dados em mãos, mas acredito que no período 85/90 com raras exceções o escotismo se fortaleceu bastante. Foi então que começou a experiência nas alcateias e tropas mistas.  Conheço muitos casos que isto foi provocado pela falta de chefia. Os grupos sem base querendo crescer foram aceitando as inscrições e se viram forçados a entregar as tropas femininas aos chefes que já labutavam em tropas masculinas. Dai foi um pulo a unificação em patrulhas mistas. Mas isto foi bom, podem dizer principalmente os modernistas. Não concordo. Foi o principio do afastamento e saída de muitos jovens. Não só entre os elementos masculinos, mas em alguns casos até com o elemento feminino.

Por quê? Posso afirmar com convicção que o sistema de patrulhas, a maneira de desenvolver as tropas, o programa Escoteiro idealizado por Baden Powell (BP) não podia ser realizado em tropas mistas. Não são palavras minhas, mas a diferença é enorme. Alguns itens que aleatoriamente peguei na internet, mas que poderiam é claro ser interpretados de outra maneira:

- Meninos apresentam níveis mais elevados de testosterona, o que estimula neles um comportamento mais agressivo que o das meninas;
- Desde o início, meninas controlam suas emoções mais que meninos. Eles choram mais quando estão tristes, enquanto elas dão preferência a chupar o dedo; (risos).
- Durante as conversas, as filhas ficam mais tempo olhando para os pais (chefes) do que os meninos. Aos quatro meses, elas reconhecem mais rostos que eles;
- Meninas estão mais preparadas para construir relacionamentos e interpretar suas emoções;
- Meninos comunicam-se por palavras em 60% do tempo. Os 40% restantes são completados por barulhos feitos com a boca, reproduzindo ruídos de socos, carros, motos, aviões. Meninas praticamente só usam palavras e raramente imitam motores.
- E finalmente, nos bairros as turmas de amigos sempre fizeram e fazem programa separado um do outro. Meninas de um lado meninos de outro. Até nas casas onde se é possível existe o quarto do menino e o da menina.

 Como se vê, meninos e meninas são diferentes e apresentariam disparidades de comportamento ainda que criados na selva por gorilas, feito Tarzan. Até chegar a essa conclusão, a ciência consumiu décadas em debates, pois havia uma dúvida. Um segmento de estudiosos achava que as crianças não nasciam com diferenças cerebrais ou comportamentais perceptíveis. Na opinião deles, tal distinção se manifestaria apenas em decorrência das atitudes dos pais durante o processo de criação dos filhos. O debate não acabou, pois há grande divergência sobre o peso do DNA na determinação do "destino" comportamental da criança. Os estudos, no entanto, concordam em que a carga genética produz diferenças menores do que a carga cultural exercida pela criação.

 Por que os pais se preocupam tanto quando uma menina quer brincar com espada ou o menino quer pentear a boneca? Não reforce as diferenças. Meninos dão preferência a jogos competitivos e meninas a brincadeiras cooperativas. Este estudo finaliza - Não obrigue seu filho ou sua filha a brincar com crianças do sexo oposto. Nos primeiros anos de vida, tanto meninos quanto meninas preferem estar com crianças do mesmo sexo.

Sei que haverá centenas de escotistas e pedagogos a me contradizer. Ótimo. Não sou perfeito, só confirmo que o escotismo não cresce em quantidade e qualidade e que talvez, repito talvez este possa ser um dos motivos. Dizer que ele está crescendo é desmerecer a mentalidade de alguém que está vendo o dia a dia do escotismo nacional. Mas vamos continuar o nosso ponto de vista. Se for válido ou não fica a critério dos leitores escotistas. Você já viu uma charge onde se diz que o jovem entrou para o escotismo pensando encontrar atividades fortes, aventureiras e não encontrou nada disto? Seria possível realizar tais atividades com patrulhas mistas?

Dizer que em uma Patrulha os jovens aceitam de bom alvitre as meninas e os meninos seria dizer que eles não conhecem o programa Escoteiro na sua forma tradicional. E olhem, podem dizer: Em minha tropa isto não acontece! Bom, mas não acredito que a liberdade de uma Patrulha se faria com meninos e meninas juntos. Se digo isto tenho experiência própria. Já vi Patrulhas masculinas e femininas em tropas separadas fazendo um excelente escotismo e permanecendo por longos anos no Grupo Escoteiro. Claro, atividades em conjunto existiram. Mas devidamente programadas e aceitas pelos jovens.

Porque as atividades aventureiras, os acampamentos no molde de Gilwell rarearam? O menino tem um sonho. A menina tem outro? Não vejo como haver competitividade entre eles e olhem que esta é base do programa Escoteiro. Quando se tem tropas mistas e patrulhas mistas os jogos não podem ter o mesmo efeito para ambos. Como fazer um jogo de briga de galo (exemplo) entre meninas e meninos? Está fora de propósito nos objetivos a serem conseguidos. E finalmente as atividades aventureiras rarearam. Os grandes acampamentos de tropa estão desaparecendo. As atividades Intergrupos, distritais regionais e nacionais passaram a ter fator preponderante. O programa de tropa foi substituído por estas atividades e muitas delas surgidas sem programa preparatório. A maneira de programar foi totalmente alterada. Hoje qualquer um pode ver nas redes sociais, jovens e escotistas motivados ou motivando nas participações de atividades que surgem do nada e claro, devem alterar de forma surpreendente qualquer programa de tropa.

Encontros religiosos, encontrões escoteiros, passeio em tal e tal lugar, atividades distritais, regionais e nacionais que tomam todo o tempo de uma sessão Escoteira. Claro, pode ser um chamativo. Mas seria para todos? Que o digam os jovens que estão saindo. Alguém já foi até eles perguntar e fazer uma pesquisa de campo bem feita? E esta disparidade do uniforme? Uns a favor do atual e novas mudanças e outros não? Por acaso a UEB sabe quantos grupos usam só o caqui e quantos só o cinza mescla em todo território nacional?

E o tal do traje? Apesar de que tem aí um novo, vejo que agora só o lenço identifica o membro do escotismo. Não sei se o sonho do jovem ou da jovem acabou. Aquele chapelão, o caqui conhecido de norte a sul do Brasil e tantas outras coisas que fizeram o sonho daqueles que permaneceram por longos e longos anos. Isto sem dizer da tal progressão do jovem em sua senda Escoteira. Estão confundindo muito a modernidade com o verdadeiro espírito que existia no escotismo. Mudaram tanto que esqueceram o método de BP, as tradições e estão colocando agora um novo escotismo. Este eu não conheço.


Infelizmente as causas e efeitos da evasão ainda não foram devidamente estudadas e analisadas. Para se ter voz e voto só pertencendo à elite dos dirigentes nacionais. Tudo bem. Enquanto isto a procura dos motivos reais da saída de milhares de jovens por ano das fileiras escoteiras ficam sem resposta. Ninguém foi perguntar a eles porque saíram. Não tenho o dom da infalibilidade. A perfeição ainda não consegui atingir. Mas não é da maneira que estão fazendo os nossos dirigentes que iremos atingir o ponto X da solução final. Iremos talvez crescer aqui e ali. Mas não será um crescimento real. Enquanto os jovens e adultos participantes do escotismo Brasileiro não permanecerem pelo menos por alguns anos nas fileiras escoteiras o hoje e o amanhã será conforme agora. Que o digam aos dirigentes nacionais.


domingo, 20 de julho de 2014

Sinais de pista e nós.


Conversa ao pé do fogo.
Sinais de pista e nós.
Técnicas escoteiras, uma maneira de divertir aprendendo.

              Simples, já foi feito em sua tropa isto eu tenho certeza. Mas agradou? Os Escoteiros e Escoteiras gostaram da atividade? Você repetiu? Bem vejamos o que BP dizia sobre pistas: - “Para um bom explorador, seguir as pistas torna-se um costume. Sem saber, ele está sempre em busca de ”pistas”, enquanto se ocupa de outros serviços”. O Escotismo é uma arte em que a gente se exercita a vida toda, mas dificilmente um homem “branco” chega àquela perfeição a que tem um indígena (sudanês Bosquímano da África do Sul, Gonds da Índia ou negro Australiano). Onde o branco supera o indígena é no uso da inteligência para descobrir o significado dos sinais. Pôr pistas, não se entende só os passos, tudo aquilo que envolve sentidos, é pista. – Portanto se ainda não chegou a este ponto quem sabe uma boa conversa com seus monitores não iriam surgir novas ideias?

                Comecemos com uma tropa que já tem uma boa ideia sobre pistas. Ela já seguiu por mais de dois quilômetros e se saiu bem. Agora é hora de subir um degrau na arte de seguir pistas. Vamos treinar a todos a seguir e entender as pegadas em suas diversas situações. Comece em uma pequena estrada, quem sabe proximo a uma fazenda ou um sitio. Se não encontrar um trecho molhado e com barro faça com eles um trecho assim. Quem sabe uns dez metros para começar. Primeiro passa um Escoteiro o menor da tropa e por ultimo o maior. Depois ao lado das pegadas deixadas faça de novo, desta vez com as mochilas. E para encerrar com um Escoteiro carregando outro. Todas as patrulhas em volta como se fosse um jogo de Kim. Depois um relatório sobre o que observaram. Qual a diferença de pegada por pegada? Vamos lembrar que uma só vez é o começo de pista. Isto deve ser repetido diversas vezes. Toda vez que as patrulhas estiverem em marcha de estrada deixar que eles relatem por escrito todas as pegadas que viram.

                  Interessante é a diversificação. Pegadas descalço, pegadas com sapato, com tênis ou chinelo. Botina ou bota é uma boa. Agora é hora de tentar descobrir pegadas de animais. Esta só em uma fazenda. Pegadas do gado, de porcos, de galinha, de cães enfim toda a bicharada que lá esta. Guardar na memória para saber posteriormente. Uma pegada de um cão, daqueles maiores se aproxima um pouco do de uma onça. A diferença é que ela anda devagar e quando corre é em saltos. Seguir também pistas feitas sem usar as nossas conhecidas. Um pequeno galho quebrado apontando a direção. Onde se quebra quem segue pode saber a altura de quem fez. Um galho virado para o chão explicando que houve uma parada dos que faziam a pista. Nada de riscar árvores. Cada patrulha deve ter seu estilo e o bom mesmo é se ela criou seus próprios sinais. Se as outras não souberam pode dar um excelente jogo de seguir pista.

          Pegadas, pistas simples ou não. Estas sempre devem ser cobradas em marcha de estrada ou mesmo uma jornada ciclística. Um lembrete já conhecido de todos, mas que sempre é bom lembrar: - Pista não é para um somente. Pelo menos dois para evitar desacertos. Os sinais são feitos à direita dos caminhos. No inicio da aprendizagem os sinais devem ser visíveis. Quando venta não podem ser utilizados papéis ou folhas. Os sinais não devem ser traçados a mais de um metro de altura do solo. Nos cruzamentos de estradas deve sempre ser colocado o "caminho a evitar" nas que não vão ser utilizadas. Nos lugares de movimento devem ser feitos muitos sinais. Os sinais devem ser traçados obedecendo às condições do terreno: em terrenos difíceis de dois em 2 metros, nas rochas de cinco em cinco, nas matas de 20 em 20, nos campos de 30 em 30 metros.

           Jogos de sinais de pistas sejam eles dentro dos padrões conhecidos da tropa sempre chamam a atenção principalmente se antes de seguir uma boa e curta história for contada. Se criarem situações reais ou imaginárias dos perigos que estão em volta das pistas na trilha ou estrada. Quando uma patrulha está seguindo uma pista evitar outra junto a ela. Dar certa distância entre as patrulhas. Lembrar ao Escoteiro ou Escoteira que ao seguir uma pista não se deve chamar atenção falando alto, gritando e comentando. Use da imaginação com seus monitores. Pistas são excelente meios para desenvolver a mente.  Kipling célebre escritor britânico, escreveu diversos livros e no escotismo dois são bastante utilizados. O Livro da Jângal e a novela Kim que celebrizou o menino observador. Aconselho aqueles que puderem adquirir este ultimo livro que ele denominou de novela a ler com atenção. Baden Powell em Brownsea já comentava as utilidades do menino Kim na arte da observação e dedução.
       
"Se você interroga uma criança de sete ou oito anos sobre suas atividades diárias (especialmente quando ela quer dormir), ela se contradiz com satisfação. Se cada contradição for tomada como uma mentira no café-da-manhã, a vida não é fácil. Eu experimentei um bocado de intimidação, mas isso era tortura calculada – tanto religiosa quanto científica. Ainda assim, isso me fez dar atenção às mentiras que eu, cedo, achei necessário contar: e isso, eu presumo, é à base do meu esforço literário."

Rudyard Kipling.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Prometo pela minha honra! Afinal somos todos irmãos?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Prometo pela minha honra!
Afinal somos todos irmãos?

“Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas”.

          Devíamos ser fraternos. Pelo menos tentar um pouquinho para aceitar a amizade e fraternidade de alguém que um dia fez uma promessa. Afinal não fomos nós mesmos que aceitamos falar aos quatro ventos que iriamos obedecer à lei? Que lei? Penso ser a dos Escoteiros, pois ali naquele dia diversos outros do mesmo sangue sorriam em nos ver promessado. Prometo, pelo minha honra... Ele sabia o que dizia e o que prometia. Nada foi escondido para ele. Prometer diziam seus chefes ou seus superiores era obrigar-se verbalmente ou por escrito a aceitar o escotismo como ele era. Afinal quando ele chegou acreditou na fraternidade, sorriu para os outros chefes, e ele não era homem de prometer levianamente.

           E agora? Do que adiantou aquela linda cerimônia? Será que ele não viu que dezenas de meninos acreditaram que ele seria mesmo um Chefe Escoteiro? Amigo de todos e irmãos dos demais? Ele não foi obrigado a prometer nada. Ninguém disse isso para ele, mas se ele gostou da filosofia, do sistema, dos abraços e do Sempre Alerta ele não tinha o direito de ser o que está sendo. No início palavras calmas, amigas, sinceras e com o tempo tudo mudou? Agora só ele sabe o que é o certo e o errado? Discorda assim sem mais nem menos? Porque ser diferente do que foi? Porque trazer o benefício da duvida em uma promessa que os jovens ainda acreditam? É difícil entender. Sabemos que ele não foi menino, não teve o amor entre todos de um movimento altruísta, amigo, onde dizemos que se necessário daremos nossa vida pelo nosso amigo, nosso irmão Escoteiro.

             Hoje, na minha “carreira” que fiz no escotismo eu não posso aceitar. Não posso mesmo. Estamos cheio de melomaníacos que acreditam que o escotismo foi descoberto por eles! Irmãos que acreditávamos agora sonham com o poder. Não medem consequências nas palavras, não se preocupam se ferem uns e outros. Sua ideia é que é importante. Ele é capaz de se explicar a BP que os ventos novos estão chegando. Eles são muitos, alguns tímidos outros arrogantes. Julgam-se ter as ideias que ninguém nunca teve. Ai daqueles que forem contra. Eles falam ásperos, falam de maneira invulgar, se necessário ofendem a quem eles acham que merece, mas também sabem falar mansamente como se fossem santos do Senhor. Eles estão aí, enfronhados em Grupos Escoteiros e nas lideranças nacionais, sempre como donos da razão.

               Nos grupos eles querem que suas ideias sejam levadas a frente e nem se importam que outros não tenham a mesma opinião. Fazem tudo para que suas palavras sejam aceitas. Prometem arco íris, prometem o éden, quem sabe irão trazer a felicidade de Shangri-la ao seu habitat. Eles não estão somente nos grupos, eles habitam as altas esferas, estão lá enraizados na corte do poder. Quando chegam estão armados com seus sorrisos marotos. Depois os dentes enormes do lobo mau aparecem. Acham que podem salvar o movimento e esquecem que deviam salvar de si mesmo. Vão atropelando, mudando, forjando status, tudo em nome da lei. Da lei? Lei que eles ou seus antigos superiores fizeram. Nunca consultaram a ninguém se a lei é boa ou ruim. Criaram um escotismo na mente. Um escotismo que eles mesmos acreditam ser a redenção do nosso movimento Escoteiro.

            Nem todos os bens aquinhoados com o poder falam o mesmo idioma. Isto faz parte da autocracia que impuseram a sí mesmos. Se não vai por bem vai como eu quero alguns dizem. Alguns com dez quinze e até trinta anos se esbaldam em dizer que conhece o escotismo como poucos. Que a experiência foi vivida nos belos momentos Escoteiros da vida. Conta-se nos dedos os que ainda meninos colocaram sua mochila e saíram por aí onde os ventos os levassem a acampar... Nas pradarias, nas montanhas, e pudessem sorrir com a lua, com o sol, com aquela bela árvore da montanha nas lindas searas de um acampamento grandioso. Agora não se entendem. Jogaram por terra aqueles que deram o sangue na juventude e na velhice quiseram fazer um escotismo de amor e fraternidade. Isto para eles não é importante. Importante é criar um nome, quem sabe no futuro ser chamado de Chefão! Quem sabe ser um Velho Lobo respeitado e amado pelos seus súditos, digo membros do escotismo? Eles sabem que a fama vem e tem muitos a bater palmas. Aqui meu amigo, dizem eu sou o rei. Para mim um reinado triste, sem base, sem futuro que eles juram que tudo irá mudar... E para melhor! Coitado de são Tome!

             Eles um dia olhando a bandeira do Brasil, bandeira que é amada e idolatrada como diz nosso hino, prometeram: - Prometo pela minha honra... Mas a promessa às palavras tão belas que ela tem e não mudam a dezenas de anos não tem mais nenhum significado para eles. Pena eu sinto deles. Vejo muitos por aí. Diversos amigos contam-me histórias deles. O que eles fazem em seus grupos, nos distritos, nas regiões e na própria nacional. Ela agora acreditam ser um ser supremo, cheio de vontades, junto a outros “chefes” que falam por nós, que nunca nos consultaram e que sabem arrotar com perfeição que temos nosso direito. Vá a Assembleia é o charme hoje no dizer deles. Mas eles estão se desentendendo. Se irmãos se Caim se desentendeu com Abel era notório que isto visse a acontecer. Agora tentam esconder as turras que estão vivendo. Não falam com os simples mortais escoteiros. Mas acreditem eles sabem sorrir, fingir que são irmãos.

              Não é o escotismo que acreditei. Pelo menos nossos abraços e nossos apertos de mão não eram falsos. Nunca foram. Nunca dissemos SAPs, nunca dissemos Servir a União dos Escoteiros do Brasil. Só dissemos servir a Deus e a nossa Pátria. Agora mudaram não é mais União, é Escoteiros do Brasil. E viva tudo que eles fizeram mesmo se desentendendo, mesmo aqueles que dentro dos órgãos que fazem escotismo acreditam ser superiores, que querem e acham que só o que eles dizem é fato, então nada há mais a dizer, mas só lembro a todos eles que: - Será que aquela promessa não teve valor? Será que aquela promessa já não existem mais em seu pensamento e em seu coração? Quão belo é dizer que somos todos irmãos. Quão belo é dizer que nosso movimento é uma grande fraternidade e que isto é nosso alicerce para dizer aos quatros ventos: -

“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem por que ama, nem o que é amar”...

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Opiniões? Eu as tenho, mas acho que todos também têm.


Opiniões? Eu as tenho, mas acho que todos também têm.

                   Gosto de escotismo e falo muito sobre ele. Acredito que conheço o movimento como todos, melhor não, mas tecnicamente falando me considero um estudioso e expert no tema. Escotismo para mim não tem segredos. Afinal foram mais de sessenta e cinco anos e centenas de acampamentos, excursões viagens e dezenas de atividades aventureiras. Porque escrevo isto? Bem porque não até o momento não me imiscui em assuntos da copa do mundo e passo ao largo das eleições deste ano. Claro que sou brasileiro como qualquer um, mas sofri e torci pelo meu time. Não deu. Vou me esganar por isto? Daqui a um mês todos voltam aos seus times e apesar das tristezas a vida continua. Sou daqueles que ganhe o melhor e o melhor queira ou não foram os Alemães.

                     Está vindo ai as eleições. Opinar? Será que todos não têm já uma opinião formada? Cada um sabe onde aperta o calo e no fundo já tem seu candidato. Se gostar do que existe bata palmas e se não gostar pense se pode mudar seu modo pensar. O que não entendendo em nosso país é que bons candidatos como pedagogos, professores, outros profissionais que são homens e mulheres de caráter são preteridos por alguns que nada oferecem. Basta à fama para serem eleitos. Eleger um analfabeto que se diz “estudado”, eleger um cantor, ou jogador de futebol se ele merece tudo bem. Mas só porque canta bem? Só porque joga bem ou é divertido?

                      Nas últimas eleições escrevi um artigo em que dizia sobre escolhas e porque não os oriundos do escotismo? Bem ou mal eles são ou foram escoteiros. Mas eles não foram eleitos. Nunca são. União dos Escoteiros? Sei não. Dizem que somos apolíticos. Acreditam? Sei de muitos que aproveitam do escotismo nas eleições. Em nossas lideranças regionais e nacionais tem vários exemplos. Agora eu pergunto: - Porque eleger o Zé das Quantas quando podemos eleger alguém nosso, ou quem sabe quase nosso? Veja esta bancada Escoteira no Congresso Nacional que dizem trabalhar por nós, alguém já viu o que fizeram? Agora nas eleições eles irão aproveitar nosso potencial (se o tivermos é claro) e falarem que são Escoteiros para angariar nossos votos?

                     Que cada um faça suas escolhas, não importa o partido, mas, por favor, procurem ver um pouco da Lei Escoteira em cada um. Não vá você colocar um lenço no pescoço de um candidato. Seu lenço tem honra, tem glória e tem passado. Pelo menos respeite o esforço dos chefes e jovens do seu Grupo Escoteiro que um dia lutaram para fazer uma promessa e ter orgulhosamente o símbolo do grupo no pescoço. É rotina sempre nesta época nos aconselharem, a saber, o que nossos candidatos fizeram nos últimos quatro anos. Se alguém faz isto não sei, mas eu faço e por isto já apaguei da minha lista muitos deles. – Mas Chefe, o fulano me faz muitos favores! Tudo bem, mas ele é probo e tem a Lei Escoteira como principio de vida?

                       Eu não dou conselhos e nem aponto escolhas. Só lembro que em toda minha vida lutando pelo escotismo foram poucos que se declararam Escoteiros não só nas eleições, mas em toda sua vida. Repito sempre que não temos pessoas bem colocadas na sociedade brasileira, que vem dar testemunho do valor do escotismo na imprensa falada, escrita e televisada. Claro que temos excelentes homens, honestos, caráter ilibado que sabem do nosso valor e alardeiam aos quatros ventos. Mas os que são altos dirigentes empresariais, os altos dirigentes políticos e aqueles que se assanham com o poder nada dizem e nada fazem. Mesmo aqueles que já se foram procurem saber o que fizeram pelo escotismo.

                  Nosso país carece muito de homens dignos que foram Escoteiros e nos dão valor devido. Qualquer estudioso sabe que nos demais que tem o escotismo como fato que são bem aquinhoados com cidadãos que alardeiam sua condição Escoteira. Temos muito que mudar, mas por onde começar que cada um comece agora. Escolha bem e lembre-se nas eleições Escoteiras pense bem se o que você está elegendo merece seu voto. Se ele vai dar transparência em seus atos e se vai prestigiar você ouvindo suas opiniões.


Abraço fraterno a todos. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Afinal existe oposição no escotismo?



Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Afinal existe oposição no escotismo?

                Alguns dizem que o escotismo é uma filosofia de vida, outros dizem que é uma diversão e outros fazem da sua participação um aprendizado para a vida toda. Poucos são aqueles que discordam e falam o que pensam e se assim o fazem é somente em OF e se firmam que o escotismo é para colaborar e fazer os jovens caminhar para o sucesso. Sempre me pautei por criticar nossos dirigentes. Claro que sabemos que entre eles tem muitos cheios de boas ideias, mas que ainda se aferram no cargo que estão nunca discordando o certo e o errado. Poderia enumerar aqui centenas deles. Porque não crescemos apesar de que nossos dirigentes dizem ao contrário. Aceitamos tudo de mão beijada e nunca damos nossa opinião e quando o fazemos logo tem um para dizer – O Escoteiro é obediente e disciplinado. Isto é bom para nossos dirigentes. Eles decidem entre eles o que fazer como fazer e nu
nca nos perguntam se deveria ser assim ou não.

                Se os leitores deste blog tiver paciência vai ver que tenho muitos artigos aqui publicados que mostram onde estamos errando. Participo de algumas listas aonde por e-mail vamos discutindo e aprendendo uns com os outros. Ainda nesta semana um amigo mineiro escreveu respondendo a uma pergunta minha sobre a evasão. Tudo surgiu porque outro amigo mostrou um estudo da UEB sobre ela. O estudo baseou em poucos associados e ali nada poderia ser levado em conta. Não representava nada em relação ao que todos nós estudiosos do escotismo estamos vendo, uma evasão que prejudica e se ela acontece é porque o escotismo não caminha para o rumo que BP um dia nos deu. Não vou me alongar e transcrevo abaixo tudo que o Chefe escreveu. Poderia eu mesmo ter escrito em outras palavras, mas sobre evasão ele atingiu em cheio tudo aquilo que penso:

- Às vezes eu acho os participantes desta lista inocentes. Não há interesse da UEB em computar e divulgar números da evasão. Percebam quais são os principais argumentos dos politicamente corretos defendendo nossos lideres: Eles dizem - "Se está tão ruim porque estamos tendo crescimento? meu distrito cresceu, meu GE está com fila de espera", como se não houvesse evasão, como se não faltassem adultos, como se jovens não estivessem largando o Movimento Escoteiro pelos mais variados motivos. Aliás, estes tipos não dão a menor importância para a evasão, pois vivem a apontar a porta da rua para quem está insatisfeito com os rumos da instituição, mesmo que haja um enorme déficit de adultos voluntários que, em geral, quando deixam o ME levam mais algumas pessoas consigo.

O que acontece é que o adulto voluntário não é valorizado. A direção trata adultos como mão de obra barata que deveriam se sentir demais satisfeitos e privilegiados por serem aceitos como voluntários. A oposição não é bem vinda, as críticas às patacoadas muito menos (não é escoteiro apontar os erros que fazem) e, claro, se o sujeito não sair por livre e espontânea vontade se arruma um processo na comissão de ética com acusações imbecis e infundadas ou o colocam no ostracismo.

O ME hoje é dividido em dois extremos: os "Profetas do Caos" e os "Senhores de Xangri-la". Os primeiros conseguem enxergar que o Movimento Escoteiro é uma ferramenta válida para a formação dos jovens, acredita nos ideais, mas não fazem vistas grossas às constantes patacoadas da direção. Os segundos vivem em um mundo perfeito, aonde o Escotismo brasileiro vai muito bem, onde dirigentes não cometem erros sérios, onde tudo é justificável e relativo e, claro, pensando e agindo assim, tem um lugar ao sol junto à direção. Esta é a turma que vive falando de Lei e Promessa para os que criticam, mas acham que tais mandamentos não se aplicam aos dirigentes, em especial aqueles de notório Poder dentro da instituição. Então para esta turma, por exemplo, é muito ético, normal, escoteiro, que um comissário indique a si mesmo para se manter no cargo, como se entre 80 mil associados não exista outro capaz de exercê-lo. É a turma que não vê o menor problema de um alto dirigente ser flagrado saudando a bandeira, ao mesmo tempo em que fala ao celular. (foto vista no Facebook) É a turma que acha que rombos em lojas escoteiras e que não foram apurados devidamente devem cair no esquecimento e apesar de serem muito ativos muito apaixonados pelo Escotismo, não exigem que este tipo de coisa seja esclarecida. É a turma que afirma ser a AR uma instituição democrática, mas quando uma jovem é censurada não mexe uma palha quanto isto.

O que tenho constatado em conversas com outros escotistas de todo país é que existe MUITA GENTE descontentes com esta turminha que vem há anos se revezando na direção nacional. O caminho que muitos têm escolhido é deixar o ME e levar consigo amigos e parentes, pois não acreditam valer a pena ficar dando murros em ponta de faca tentando mudar o que uma maioria, por interesses vários, deseja manter. Os que apoiam não o fazem, muitas vezes, por que são a favor do que está sendo feito e sim com vistas às medalhas, honrarias e cargos.

Sobre a entrega da Insígnia da Madeira

Por fim, o que acontece hoje no ME são pessoas se aproveitando dele para promoção pessoal e afago ao ego. E, felizmente, existem muitos que não concordam com a bandalheira que tem acontecido. Vamos lembrar que a IM é mera conclusão do nível de formação do Escotista: não é medalha, não é honraria, não é benesse. É DIREITO de quem participou dos cursos e os concluiu com o devido aproveitamento. No entanto em algumas Regiões a IM virou uma honraria reservada aos alinhados com o Poder. Como viram aqui, até insinuar que eu não recebi a minha porque não sei nada sobre Escotismo já fizeram. Aliás, isto normal, já que para alguns a direção nunca erra: a culpa é sempre do escotista. Hoje dizem que não posso receber minha IM porque no que pese registrado, meu GE não está ativo. Ora, posso participar de qualquer curso (pagando taxas para tanto de R$ 100,00), posso comprar na Loja Escoteira, posso exercer qualquer direito meu dentro da UEB com meu atual registro, mesmo não estando meu GE ativo, mas não posso receber minha IM? Já pensei em recorrer à Justiça, mas desisti por dois motivos: o primeiro em respeito e agradecimento ao meu APF; o segundo que não quero ficar conhecido como um escotista que conseguiu a IM no "tapetão".


                Deixei o nome do Chefe em OF. Melhor assim, ele tem caráter, tem honra, faz tudo para que o escotismo cresça, mas hoje é considerado “persona no grata” por muitos dirigentes. Sua IM está guardada em alguma gaveta. Sinto tristeza nesta hora em ver que meu estado natal tem pessoas de índole má, onde a Lei e a Promessa só vale para os amigos. Um dia fui Comissário neste valoroso estado, pessoas com estes que se arvoram como dono da verdade não existiam. Mas hoje os tempos são outros. Melhor mesmo é colocar a cabeça no travesseiro e pensar se o escotismo como dizia BP tem seu Caminho Para o Sucesso garantido. A sede de poder, a vontade de ser alguém e pertencer à casta dos lideres ainda vão existir por muitos e muitos anos.