HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

E não é que Nick Mordekay foi a Assembleia Regional?


Uma história para ser publicada em outro blog. Como as eleições serão no próximo mês, porque não postar aqui?

Fracassar ou ter sucesso num dado dia não constitui indicador de seu próprio valor ou de sua felicidade como pessoa.
Dr. Wayne W. Dyer.

E não é que Nick Mordekay foi a Assembleia Regional?

                       Foi sim. Mas antes é preciso voltar um pouco ao passado. Nick Mordekay não era novo e nem antigo Escoteiro. Tinha somente sete anos como escotista. Não tinha filhos no grupo. Passou viu a escoteirada, gostou e porque não ajudar? Foi bem recebido. Viu que eles precisavam de voluntários. Nunca pensou que uma organização pudesse atraí-lo tanto. Depois soube que foi picado pelo mosquito Badeniando. Risos. A tropa de escoteiros não tinha Chefe. Chefe Fantini o Diretor Técnico era quem tomava conta. Nick Mordekay entregou-se de corpo e alma a sua nova tarefa. Fez tudo direitinho. Os cursos que podia fazer ouviu conselhos e orientações do seu Assessor pessoal e aos poucos desenvolvia com amor a programação feita por ele e os Monitores. Assim aprendeu nos cursos.

                      Nick Mordekay era um Chefe Escoteiro simples. Não falava muito e só o necessário. No grupo tinha amigos, mas só ali. Fora a não ser um e-mail seus contatos eram poucos. Conhecia muitos escotistas dos outros grupos, pois sempre participava das reuniões onde ele era convidado. Bem no grupo eram poucos chefes. Ele, Chefe Beth sua Assistente, Noêmia a Akelá e o Chefe Fantini. De vez em quando alguns pais ajudavam, mas eram poucos. Chefe Beth estava com ele por causa das meninas. Ele mesmo fez o convite. Achava que os jovens poderiam procurar os chefes para um aconselhamento e dependendo o assunto ele não era o mais indicado. Chefe Beth era devagar. Quase não ia às excursões e acampamentos. Pudera. Já entrava nos sessenta anos.

                     De uns tempos para cá, Nick Mordekay passou a observar que em um ano mais de vinte e cinco por cento dos jovens da tropa saíram. Notou também que a procura era pouca e sempre um número maior de meninas. Elas pelo menos ficavam mais tempo em atividade. No principio nem notou. Nick Mordekay era o protótipo do bom Chefe escoteiro. Só se preocupar com os jovens do seu grupo e mais nada. Não discutia com outros Chefes alterações mudanças, nada. Ficou cismado quando na sua tropa o número de escoteiras era maior do que de escoteiros. – Porque os meninos saem mais que elas? Pensou. Procurou o Diretor Técnico. Ele nada tinha a acrescentar. Só disse a ele que aplicasse corretamente o programa de progressão Escoteiro. Mas ele fazia isto. Pelo menos acreditava que praticava o que aprendeu nos cursos e nos livros Escoteiros que tinha.

                    Nick Mordekay pediu autorização ao Diretor de seu grupo e procurou o Comissário Distrital. O que ele disse não ajudou em nada. Mesmo assim perguntou – Chefe! Porque não existe um seminário ou mesmo um curso para podermos discutir com quem faz e dá certo, com quem não tem este problema em seu grupo e assim poderíamos aprender? Nos cursos os formadores falam e falam, eu pergunto se ele tem experiência em seu grupo ou resultados e ele sai pela tangente. O comissário coçou o queixo e não soube responder – Porque não vai a Assembleia Regional? Disse. Lá é o lugar certo. Nick Mordekay não havia pensado nisto. Nunca tinha ido. Era hora de ir. Todos falavam que lá era o lugar onde poderiam sugerir mudar alguma coisa e tirar suas dúvidas. No dia programado levou sua carteirinha da UEB, pois como Chefe de Tropa ele poderia votar. – Minha nossa! Quanta gente! Ele não conhecia quase ninguém. Cumprimentou um ou outro. Os mais graduados só sorriam e iam em frente. Na secretaria perguntou quando iam discutir temas de interesse aos chefes de tropa. A mocinha lá não sabia dizer. – Olhe aquele ali é o atual Presidente. Fale com ele.

                     Decepção. Até que foi educado. – Meu caro Chefe este ano é de eleição, conto com seu voto e se foi. Nick Mordekay viu que se faziam rodinhas aqui e ali. Todos discutindo os planos, os programas tudo que eles os candidatos se propunham a realizar. Nick Mordekay foi de roda em roda. Ouviu tudo. Pensou consigo – Será que irão fazer tudo isto? Eram três chapas que se apresentaram. Nick Mordekay achou aquilo parecido com as eleições em sua cidade. Só faltavam os santinhos. Pelo menos o chão ainda estava limpo. Risos. Soube que em uma sala discutiam um tema. Correu lá – nada! Era uma das chapas apresentando seu programa. Descobriu naquele “montão” de gente outros chefes como ele. Queriam aprender, queriam sugerir, mas não sabiam como. Porque o comissário disse para ele que lá era o lugar certo para mostrar suas ideias?

                      Nick Mordekay ficou decepcionado. Até mesmo com as tais chapas. Pensou que pelo menos uma estaria conclamando a todos caso fossem eleitos, de fazerem um grande mutirão para discutir os temas que os chefes achassem válidos discutir. Que eles seriam transparentes. Que os programas deveriam vir de baixo e não de cima. Não era nada disto. Nick Mordekay pensou que seu problema de saída e abandono dos jovens pelo escotismo era só dele. Ninguém interessou a discutir com ele o tema. Quando um retrucou dizendo que se ele fizesse a progressão bem feita isto não aconteceria, Nick Mordekay se sentiu perdido. Ele não era um bom Chefe? Nick Mordekay ficou até o ultimo dia na Assembleia Regional. Conheceu muita gente. Viu muitos se mostrando com suas medalhas. Viu outros tantos sendo agraciados nas sessões solenes.

                      Nick Mordekay ficou sabendo que lá na Direção Nacional as assembleias não eram diferentes. Ir lá e apresentar um tema era perda de tempo. Um Chefe que foi uma vez disse que ficou decepcionado. Não pela confraternização ela foi ótima. Mas não só de confraternizações o escotismo sobrevive. Uma coisa Nick Mordekay aprendeu. Iria estudar muito. Iria fazer cursos e cursos. Iria conquistar sua Insígnia de Madeira. Lutaria depois para ser um formador. Iria ser um dirigente regional. Iria aprender os meandres do poder. Só assim ele acreditava que poderia um dia dizer a todos que todos, mas todos do escotismo deviam ser ouvidos. Deviam votar, deviam decidir o que eles queriam. Deviam discutir os seus problemas e não os que os outros pensavam.

                     O que Nick Mordekay não sabia era que o poder não corrompe os homens; mas os tolos, se eles adquirem uma posição de poder eles sim a corrompem. Leu isto uma vez. Era de George Bernard Shaw. Assim como também disse Benjamim Disraeli que todos amam o poder, mesmo que não saibam o que fazer com ele. Ele sabia das promessas de campanha. Será que ele também seria corrompido pelo poder? Será que quando se sentisse seguro no alto do seu pedestal seria o mesmo Nick Mordekay de hoje? É. Nick Mordekay pensava tudo isto quando em uma tarde livre, sentado na praça perto de sua casa ele sonhava. Sonhos utópicos. Sonhos de poder. Acordou assustado com o nariz coçando. Fora picado por uma abelha. Mau sinal. Risos.

                    Nick Mordekay chegou à conclusão que era melhor voltar para sua tropa. Ele sim iria descobrir o porquê um bom número dos seus jovens estavam indo embora. Chega de poder, quem foi quem disse que o poder no escotismo era o poder do nada? Que o poder corrompe? O poder absoluto corrompe absolutamente? Deixe com os outros esta liderança Nick Mordekay. Você é somente um simples mortal. Siga os passos de Charles Chaplin que disse: lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante!   

“Sit vir optimus lucror”
Que vença o melhor!
“Abundans cautela non nocet”
Cautela em excesso não faz mal a ninguém!


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O que devemos esperar de uma direção regional e ou nacional Escoteira?



Conversa ao pé do fogo.
O que devemos esperar de uma direção regional e ou nacional Escoteira nestas eleições?

Não esperamos muito. Esperamos que todos eles sejam simpáticos. Não precisam ser bonitos. Mas esperamos que eles tenham um belo sorriso. Ops! Educados é claro. Um passado exemplar. Que depois de eleitos não se achem os tais, que não sejam arrogantes e donos da verdade, que sempre procurem ter uma palavra de estímulo a todos os chefes e jovens. Que saibam incentivar e o mais importante – Que saibam ouvir!

Não esperamos que construam uma sede imponente. Não precisa. Quem precisa de uma boa sede são os grupos escoteiros. Não desejamos que tenham uma grande placa anunciando que se iniciou uma nova era no escotismo em sua região ou país. Desejamos muito que eles comprem a ideia que estão ali para fazer crescer os grupos escoteiros. Que estes sim são a célula mais importante do escotismo e eles é que devem crescer.

Ei! Não esqueçam, eles terão que se desdobrar sem reclamar cansaço. Terão que dar alegria e felicidade a um “montão” de gente. Fazer tudo para que os direitos sejam respeitados. Que conquistem pelo amor sem admoestações. Que façam o máximo para que todos os que tiverem direito a uma condecoração, ou uma ortoga de Lis de Ouro ou Escoteiro da Pátria que a recebam e para isto se precisar passar por cima da burocracia que passem. E olhe se possível que deixem em branco pedido para si, e não recebam nada durante sua jornada na direção. Que lindo exemplo!

Deverão sim ter uma boa estrutura para que os cursos sejam acessíveis. Não como aquele formador que nos disse que a taxa é menor que a diária de um hotel cinco estrelas. Ufa! Ninguém vai até lá em busca de conforto, mas sim de seu aprendizado técnico e teórico Escoteiro. E dormir em barracas não é um sonho? E fazer sua própria comida? Lindo isto. Uma taxa pequena e quem sabe premiar os mais humildes com taxa grátis? Risos. Claro, isto é possível e pode ser realidade.

Portanto, acho que todos ficariam felizes em saber que contrataram bons executivos que irão se pagar e vão dar todas as facilidades nas enormes taxas cobradas hoje. E ficaríamos felizes em saber que eles irão levar todos os cursos aos mais longínquos rincões do estado. Acho que iremos aplaudir e ficarmos felizes em saber que os interessados em fundar um novo grupo eles iriam correr para ajudá-lo em tudo. É assim que nosso efetivo pode aumentar. E sempre ter alguém ao seu lado para ajudar. Não como hoje, com livretos e mais nada, pois nem sempre se fala com o grandão por telefone. Ele não está ou está em reunião (?). E para não esquecer, atividades regionais poucas. Sem muita pompa. Taxas mínimas para que todos possam participar. E claro, ao terminar enviar a todos os grupos participantes o balancete. Transparência? Claro que sim.

 E que tivessem o mínimo de assistentes. Ninguém gosta de falar com assistentes. E nem sub do sub. Distritos sim, bem organizados e fiscalizados para que não surja um distrital déspota que acredita estar acima do bem e do mal. Que o líder da região tivesse um mínimo de dois dias na semana para atender a todos que o procurassem. Que ele fizesse o máximo de esforço de organizar e participar de muitos Indabas, seminários dos distritos e grupos, com programação deles e não imposta pela região.

E finalmente, que fizessem o máximo para um marketing sadio, nas escolas, nas fábricas, nas igrejas, nos colégios, nas grandes empresas de que o escotismo é bom. É sadio. Investir no escotismo é investir em si próprio e no crescimento ético de uma nação. As demais burocracias poderão existir, mas este seria a minha escolha se fosse votar. Risos. Se fosse. Não voto. Mas então, esta é uma diretoria de sonhos? Mas os sonhos não viram realidade? Um sorriso, um aperto de mão sincero, um abraço e o ver dizer – Chefe, eu gosto de você. Você para mim é o mais importante em nossa região. Seja sempre bem vindo e me tenha como seu irmão! Será tão difícil assim?

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A liberdade tem seu preço.


Povos livres lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada.

A liberdade tem seu preço.


                        Os tempos são outros. Lembro que houve épocas que não havia discordâncias, polemicas, e até sugerir temas polêmicos para nossos dirigentes era considerado tabu. Claro o moderno hoje é participar e aquela disciplina não imposta, mas aceita sem contestação não é mais a mesma. Bom isto. Está havendo mudanças no modo de pensar de muitos escotistas. Antes quando fui o pioneiro a lançar minhas ideias em blogs e em páginas de sites sociais e relacionamento poucos se arriscavam a discordar. A defesa que faziam aos nossos dirigentes eram ferrenhas. Ainda tinham aqueles que diziam que no escotismo o importante são os jovens. Uma maneira de dizer que aceitam tudo em benefício dos jovens. Ou quem sabe uma sensação de alívio por não se envolver. Ainda persiste a distância dos dirigentes em relação ao postado ou comentado e alguns escotistas resolveram arregaçar suas mangas e pôr-se a campo na defesa.

                 Em toda minha vida Escoteira de adulto lutei nas duas frentes. Junto aos jovens (que hoje são homens feitos) e em mudanças regimentais no nosso sistema diretivo. Alguns defendem este sistema. Quem sabe tem lá suas razões. Existem outros que se batem querendo mudanças. Insistem que as mudanças são válidas. Também acho que eles têm suas razões. Outros dizem que estamos crescendo ano a ano. Neste caso acho que não existem razões. Um pequeno estudo nas pesquisas do IBGE!2010 e vamos ver que nossa população jovem de hoje na idade de participarem do escotismo é ínfima. Aproximadamente oitenta milhões contra menos de sessenta mil jovens no escotismo. Isto não é nada.

                Não é questão de criticar. A questão é outra. É a de quem assume a liderança da associação e não abre o jogo das palavras, não busca ideias dos associados, resolve temas importantes sem ao menos fazer algum tipo pesquisa para ver se os membros da associação estão de acordo ou quem sabe gostariam de opinar. Nota-se que estes dirigentes se aferrenham em seus cargos, não dão um passo para se aproximarem dos demais e dificilmente alguns deles se arriscam a enfrentar a “turba” discordante. Seus seguidores e defensores próximos é que falam em nome deles. Insistem em dizer que a democracia é uma realidade e que temos o lugar certo para tirar duvidas, sugerir e saber o que se passa. A velha tese antiga para explicar que tudo está funcionando bem até hoje.

                Conta-se a dedo quem criou as regras que rege o escotismo hoje. Um POR que só agora abriram para sugestões, mas mesmo assim dois ou três irão dizer o que serve e o que não serve. Quanto aos Estatutos e o Regimento Interno feito a quatro ou cinco mãos dizem o que devemos ser e fazer. Os associados estão distantes. Alegam os seguidores que tudo pode mudar. Basta ir ao lugar certo. Como? Mais de onze mil adultos praticando escotismo e menos de trezentos falando em nome deles e claro, somente onze tomando posições finais? Um dia pensei que poderíamos ter uma constituinte Escoteira. Absurda a ideia? Não sei. Mas eleita por todos os associados. Adultos ou não. Como? Impossível? Esta é sempre a resposta de quem quer manter um sistema arcaico e feudal.

                Mas está surgindo uma conspiração silenciosa. No bom sentido. Nem todos hoje estão aceitando os mandos e desmandos, claro se existem por parte dos nossos dirigentes. Aqui e ali “pipocam” grupos, listas, blogs que já não são tão subservientes como antes. Quem sabe isto é uma bola de neve. Quem sabe em alguns anos veremos surgir uma nova casta de dirigentes, não tão fechada e sabendo que foram eleitos por uma maioria de toda a associação e não meia dúzia por estados e escolhidos por um sistema arcaico e que até hoje existem ainda defensores. Dizem que estamos crescendo. Como? A porcentagem do que éramos em 1980 populacionalmente diz o contrário. Quem quiser calcular vai ver que só decrescemos.

                Chega-se ao absurdo de alguns que defendem a alta cúpula dizerem que eles estão no caminho certo, que as mudanças foram excelentes e agora é esperar os resultados que já se fazem sentir. Incrível isto. Não se toca na evasão, não se toca na falta de credibilidade do escotismo nas altas esferas federais, empresariais, educacionais e politicas.  Conta-se a dedo quem um dia disse orgulhosamente que o escotismo é uma força educacional para o crescimento de quaisquer pais principalmente o nosso. Ontem um amigo Escoteiro me contou um fato e como piada é ótimo – Dizia ele que alguns antigos em um Grupo Escoteiro gostavam muito de visitar anualmente o grupo. Sempre encontram caras novas.

                     Ninguém é dono da verdade e ninguém tem as soluções à mão. Errado ou certo estas devem vir da maioria. E a maioria não aprovou os Estatutos e regimentos. Como dizia nosso fundador (hoje nas atas do CAN dificilmente falam nele, e ali tem alguns que dizem ser ele ultrapassado) o importante em nosso trabalho são os resultados. Pipocam aqui e ali grupos que aos trancos e barrancos vão alcançando a meta desejada. Mas são poucos. Os frutos que pelo menos existia no passado, hoje quase não existem mais. Quando tentamos dialogar com qualquer autoridade a dificuldade floresce. Temos que explicar o que somos como somos e o que pretendemos. E isto com assessores, pois os titulares dificilmente nos atendem.

                      Não vou entrar de novo na seara das mudanças. Dizem em todas as searas escoteiras que as alterações visando uma melhor compreensão do nosso sistema foi com aprovação geral. Quem sabe esta aprovação de pouco mais de 0,5% da elite do escotismo em suas diversas esferas são válida? Sinto falta do passado. Ele com boa mistura do presente daria um escotismo formidável. Esqueceram o espirito de aventura e estão dando aos jovens o mesmo que ele encontra na escola, no seu bairro e nas redes sociais. Tudo em nome da evolução dos tempos. Um pequeno exemplo. Chefe passou a ser Diretor de alguma coisa. Enquanto na Inglaterra o dirigente máximo ainda usa o título de Escoteiro Chefe e está presente em todas as solenidades fazendo proselitismo, aqui nossos dirigentes se escondem e só dão o ar da graça quando de uma atividade nacional ou por força das normas estatutárias nas reuniões a que são obrigados a ir. Nossa caraterística reconhecida por uma comunidade nacional no passado foi esquecida.

                      Se a liberdade Escoteira tem seu preço, acredito que ela está em andamento. Tudo que está acontecendo, seja o desejo de ser único ou mesmo de ditar as normas escoteiras no país está mudando. Não sei o valor, mas estamos pagando de diversas formas. Nada eu acredito vai impedir as mudanças do sistema hoje arcaico com um sistema mais democrático. Isto aconteceu em todas as organizações. O mundo hoje é outro. Ele não pertence a um só, a uma “casta” a uma minoria. Quem viver verá!




terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Legião dos Esquecidos & Altar dos egos e vaidades.


“Examinai todas as ações que se fazem debaixo do sol; na verdade, não passam de vaidade e correr atrás do vento."
 (Textos Bíblicos)

Conversa ao pé do fogo X.

A Legião dos Esquecidos & Altar dos egos e vaidades.

            Estou à procura deles. Alguém sabe onde estão? Porque os procuro em todos os lugares e não consigo encontrá-los? Agora são outros? Não tem rostos? Não tem nomes? Desapareceram no tempo? Deixaram de ser alguém como nós? Foram esquecidos na memória e ninguém mais lembrou que eles um dia foram como nós? Saudades. Muitas saudades. Difícil não relembrar os momentos vividos um dia. Se eles foram bons ou maus não importa, o que importa na verdade é a essência que ficou e marcou. A Organização peca. Eu sei que ela não é consciente e nem viva. Eu sei que ela é inanimada. Não aproxima de ninguém. Se hoje eles não estão mais ao lado dela para ela sim, eles se tornaram uma Legião de Esquecidos.

            E foram tantos e tantos. Foram aqueles que deram o que tinham e não tinham pela organização. Eles fizeram parte da história e a organização esqueceu. Eles sempre diziam que não era para ela e sim para colher flores colorida nos jardins da juventude. Ah! Foram pessoas que passaram e se foram. Tiveram seus momentos e de repente viraram lembranças. Ações que foram geradas no calor de um ideal e hoje, delas os acontecimentos se acabaram. Mas a organização é implacável. Tem as suas convicções e dela não abre mão. Ela vive o sonho de seus devaneios de altivez de pensar que eles aqueles que são a Legião dos esquecidos não tem mais serventia para ela. Ela sabe que tem sempre uma Legião dos presentes que quem sabe um dia poderá ir para outras plagas e ficaram também no limbo da Legião dos esquecidos.

            A organização não lembra que eles um dia foram presentes sacrificaram o que podiam e não tinham acreditando que ela, a organização estaria sempre ao seu lado. Não foi assim. Nunca foi. Já disse a organização nunca se interessou por eles. Interessa sim pelos vivos presentes nas fileiras do altar que jazem nos escaninhos da organização. Ela se sente bem com a fila que se forma, da reverência que se faz, do sim e o não sem discordar. Para ela todos os momentos que eles viveram intensamente acabaram se transformando em memórias tristes que ela faz questão de apagar e esquecer. Pergunta-se a organização o porquê ela não os procurou? O porquê ela não mandou pelo menos uma carta, pequena, simples, sem afetação, com poucas palavras escritas – Obrigado! Você me fez feliz um dia. Não. Nem isto ela fez e sabemos que ela nunca fará.

           Para ela, esta Legião dos Esquecidos não existe mais. São ignorados, não existe gesto de nobreza, não importa o que eles fizeram, se sacrificaram os seus que viviam ao seu redor, se fez dos seus proventos uma doação sem volta. Se ele ficou sem dormir para domar o vento e que ele pudesse soprar com carinho aqueles que estavam ali a dormir sob as estrelas. Ele deu tudo que tinha e nunca foi agraciado e um dia ele achou melhor partir. Tentou ao seu modo achar o caminho a seguir. Ele não acreditava que todos os momentos vividos intensamente acabariam se transformando em apenas memórias tristes ou quem sabe alegres. Para ele agora não vale a pena lutar. Lutar por um ideal. Não o da organização e sim daquele que criou o espirito aventureiro, que pensou que o amor, que a força de um ideal nunca seria esquecido. Pensou que ali estava o verdadeiro caminho do sucesso para formação de caráter. Esta sim foi sua paga quando ali estava sem um retorno da organização.

            São tantos, são milhares, estão por aí espalhados nesta terra imensa, que Cabral nos deixou. Eles hoje vivem com suas memórias ainda vivas de um passado. Uma poetiza sintetizou tudo sobre eles. O tempo. O tempo passa tão rápido. O tempo deixa para trás, os momentos vividos. Os bons e os sofridos, mas que jamais são esquecidos. Não há volta, não existe convite de retorno. A Organização não se presta para isto. Ela não importa de quem chega e de quem se foi. Claro, já foi dito e falado, ela não é consciente e nem viva e por isto segue seu caminho sem volta. Não haverá medalhas, não haverá um agradecimento, não existe nos escaninhos de seu ser qualquer menção a ser lembrada dos que se foram. Para ela eles são a Legião dos Esquecidos.

             Ah! Organização. Não precisava ser assim. Esta legião podia voltar. Tantas coisas a ajudar. Quem sabe um sorriso furtivo ajudaria? Quem sabe uma palavra de carinho? Porque não apagar esta insensatez, esta frieza e pensar que dar as mãos seria melhor? Sei que não. Não adianta remar sua própria canoa. As águas revoltas e os turbilhões da vida levaram a canoa e ela se foi para sempre. A organização esqueceu-se dos remos, agora ela tem quem rema para ela, sempre será assim, com rumos definidos que não comportam em suas fileiras esta Legião dos Esquecidos. E eu fico aqui matutando, e copiando Estefani Moury, que dizia, - E eu continuo olhando as estrelas e lembrando-se do seu sorriso, dos momentos com você vividos que nunca mais voltarão! 

Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo. Gênero não me pega mais. Além do mais, a vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora. Entender é sempre limitado. As coisas não precisam mais fazer sentido. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro.


O altar dos egos e vaidades existe?

            Se você perguntar irão jurar de “pé junto” que no escotismo não tem. Quando me dizem isto abaixo a cabeça e dou uma risadinha sem graça.  “Minino”! Não ria alto. Será mal interpretado. Pode ser que eles chamam por outros nomes, mas é um festival de vaidades e altos egos na nossa associação que poderíamos chamar de o Altar dos Egos e Vaidades Perdidas. Sei que existe em todo lugar. Mas aqui? Conheci alguns que para falar, se apresentar faziam trejeitos, voz pastosa ou cavernosa, peito inflado, firmando-se nos dois pés, cabeça alta e a técnica de “olho nos olho”. Um muito amigo meu me disse que eles estudavam em frente a um espelho como ficariam mais apresentáveis. Dias e dias ali. Faziam até discursos para a pasta de dente, a escova e o sabonete. Espontaneidade ali não existia. Meu amigo dizem-me, isto não existe mais. Hoje acabou. Todos são “iguais perante a lei”. A lei. Ora a lei.

               Em mil novecentos e antigamente conheci duas escotistas famosas. Ambas DCIM. Uma em um estado e a outra em outro. Também havia mais duas, mas distante ainda do estrelato. Quando se encontravam rajadas de ventos e raios pipocavam por todo o lado. Mas quem visse de longe veria duas chefes sorrindo uma para outra. Sorriso perfeito. Sorriso de grandes atrizes de Hollywood. Ah! Ainda bem que o lobismo ganhava com grandes performances das duas. Eram “feras” na história da jângal. Eu mesmo fiz um curso com uma delas. Mas não vamos deixar de lado os DCIMs que pipocavam de estado em estado. Um ar professoral pose de Velho lobo, não conheci pessoalmente, mas tinham jeito de BP. Alguns diziam que eles sabiam mais do o Velho fundador. Era assim – Pode galgar escada, mas, por favor, não me ultrapasse. Aguarde sua vez aqui ou na eternidade. Risos e risos.

               Garantem-me que isto hoje não existe mais. Só vendo para crer. As vaidades fazem parte da vida. Quem diz que não tem vai direto para um mundo melhor na espiritualidade ou no céu. No meio dos dirigentes infelizmente ainda existem aqueles vaidosos e aqueles que querem um dia ter a sua oportunidade também de ter a honra de ser vaidoso. Nietzsche foi feliz em dizer que a vaidade dos outros só vai contra o nosso gosto quando vai contra a nossa vaidade. Verdade verdadeira. Participei em minha vida de algumas centenas de reuniões onde os Grandes Chefes estavam presentes. Sempre faziam e ainda fazem as reuniões de Giwell. Sem menosprezar o festival de vaidades ali tinha seu lugar ao sol.

               Ei! Espere! Não vamos generalizar. Conheço milhares que não tem isto. São os abnegados. Os que dão a alma e o sangue pelo escotismo. São eles realmente que movimentam a engrenagem desta máquina maravilhosa que é a associação Escoteira. Você dificilmente irá ver neles, ou ostentando orgulhosamente uma Medalha Tiradentes, Uma Cruz São Jorge, uma gratidão ouro ou um Tapir de Prata. Não. Estas são reservadas para outros. Julgados mais importantes para ter este direito. Não me condenem. Tem muitos que recebem estas condecorações e não são vaidosos. Trabalham com amor e esforço para um escotismo melhor. Mas os vaidosos! Hummm! Ego ou egocêntricos? Sem lá.

              Toda vez que escrevo sobre algum tema que machuca na alma, recebo centenas de e-mail, e perco a conta daqueles que discordam falando francamente onde devia colocar a postagem. Risos.  Paciência. Não sou daqueles que arrastam frases como “A verdade dói”. Cada um tem a sua verdade. Mas será que eu já fui um deles? Se fui juro que não fui! Risos. Mas quantos não correm atrás de um taco a mais. De um cargo a mais. Não preciso dizer. Você que me lê e não é um deles sabe quem são. São aqueles que quando estão na alta cúpula e veem você, lhe dão um tapinha, um sorrisinho sem graça, um oi e um até logo. Estão sempre com pressa. Os grupinhos deles se formam na calada da noite. Os temas secretos. Mudanças. Nomeações. Escolhas. Fico com Augusto Cury que dizia – A Vaidade é o caminho curto para o paraíso da satisfação, porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve. Risos.

               Tenho saudades deles. Daria tudo para estar presente de novo nas assembleias e nos Congressos. Adorava no passado a apresentação da equipe em curso. Formados em linha. Empertigados. Podia ali marcar sem sombra de duvida os vaidosos. Já pensou? Eu em uma assembleia? Arre! Tremo só em pensar. Irão olhar para mim, olhos faiscando, dando um risinho sem graça – Você então é o Chefe Osvaldo? Risos. Turma é ele! Podem bater a vontade! Risos. Sem comentários. Não estarei lá. A saúde não permite. Tenho medo de ser expulso sem direito a defesa nas reuniões secretas que ali fazem. São elas sim que deviam ser abertas. Mas o melhor é ficar aqui. Um ermitão que já deu o que tinha de dar. Chega por hoje. Os vaidosos que me desculpem, mas prefiro lembrar-me de Jean de La bruyere e Paul Valéry que diziam - A falsa modéstia é o ultimo requinte da vaidade. Agradar a si mesmo é orgulho, aos demais, a vaidade.

"A vaidade, grande inimiga do egoísmo, pode dar origem a todos os efeitos do amor pelo próximo."
(Paul Valéry)