HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A liberdade tem seu preço.


Povos livres lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada.

A liberdade tem seu preço.


                        Os tempos são outros. Lembro que houve épocas que não havia discordâncias, polemicas, e até sugerir temas polêmicos para nossos dirigentes era considerado tabu. Claro o moderno hoje é participar e aquela disciplina não imposta, mas aceita sem contestação não é mais a mesma. Bom isto. Está havendo mudanças no modo de pensar de muitos escotistas. Antes quando fui o pioneiro a lançar minhas ideias em blogs e em páginas de sites sociais e relacionamento poucos se arriscavam a discordar. A defesa que faziam aos nossos dirigentes eram ferrenhas. Ainda tinham aqueles que diziam que no escotismo o importante são os jovens. Uma maneira de dizer que aceitam tudo em benefício dos jovens. Ou quem sabe uma sensação de alívio por não se envolver. Ainda persiste a distância dos dirigentes em relação ao postado ou comentado e alguns escotistas resolveram arregaçar suas mangas e pôr-se a campo na defesa.

                 Em toda minha vida Escoteira de adulto lutei nas duas frentes. Junto aos jovens (que hoje são homens feitos) e em mudanças regimentais no nosso sistema diretivo. Alguns defendem este sistema. Quem sabe tem lá suas razões. Existem outros que se batem querendo mudanças. Insistem que as mudanças são válidas. Também acho que eles têm suas razões. Outros dizem que estamos crescendo ano a ano. Neste caso acho que não existem razões. Um pequeno estudo nas pesquisas do IBGE!2010 e vamos ver que nossa população jovem de hoje na idade de participarem do escotismo é ínfima. Aproximadamente oitenta milhões contra menos de sessenta mil jovens no escotismo. Isto não é nada.

                Não é questão de criticar. A questão é outra. É a de quem assume a liderança da associação e não abre o jogo das palavras, não busca ideias dos associados, resolve temas importantes sem ao menos fazer algum tipo pesquisa para ver se os membros da associação estão de acordo ou quem sabe gostariam de opinar. Nota-se que estes dirigentes se aferrenham em seus cargos, não dão um passo para se aproximarem dos demais e dificilmente alguns deles se arriscam a enfrentar a “turba” discordante. Seus seguidores e defensores próximos é que falam em nome deles. Insistem em dizer que a democracia é uma realidade e que temos o lugar certo para tirar duvidas, sugerir e saber o que se passa. A velha tese antiga para explicar que tudo está funcionando bem até hoje.

                Conta-se a dedo quem criou as regras que rege o escotismo hoje. Um POR que só agora abriram para sugestões, mas mesmo assim dois ou três irão dizer o que serve e o que não serve. Quanto aos Estatutos e o Regimento Interno feito a quatro ou cinco mãos dizem o que devemos ser e fazer. Os associados estão distantes. Alegam os seguidores que tudo pode mudar. Basta ir ao lugar certo. Como? Mais de onze mil adultos praticando escotismo e menos de trezentos falando em nome deles e claro, somente onze tomando posições finais? Um dia pensei que poderíamos ter uma constituinte Escoteira. Absurda a ideia? Não sei. Mas eleita por todos os associados. Adultos ou não. Como? Impossível? Esta é sempre a resposta de quem quer manter um sistema arcaico e feudal.

                Mas está surgindo uma conspiração silenciosa. No bom sentido. Nem todos hoje estão aceitando os mandos e desmandos, claro se existem por parte dos nossos dirigentes. Aqui e ali “pipocam” grupos, listas, blogs que já não são tão subservientes como antes. Quem sabe isto é uma bola de neve. Quem sabe em alguns anos veremos surgir uma nova casta de dirigentes, não tão fechada e sabendo que foram eleitos por uma maioria de toda a associação e não meia dúzia por estados e escolhidos por um sistema arcaico e que até hoje existem ainda defensores. Dizem que estamos crescendo. Como? A porcentagem do que éramos em 1980 populacionalmente diz o contrário. Quem quiser calcular vai ver que só decrescemos.

                Chega-se ao absurdo de alguns que defendem a alta cúpula dizerem que eles estão no caminho certo, que as mudanças foram excelentes e agora é esperar os resultados que já se fazem sentir. Incrível isto. Não se toca na evasão, não se toca na falta de credibilidade do escotismo nas altas esferas federais, empresariais, educacionais e politicas.  Conta-se a dedo quem um dia disse orgulhosamente que o escotismo é uma força educacional para o crescimento de quaisquer pais principalmente o nosso. Ontem um amigo Escoteiro me contou um fato e como piada é ótimo – Dizia ele que alguns antigos em um Grupo Escoteiro gostavam muito de visitar anualmente o grupo. Sempre encontram caras novas.

                     Ninguém é dono da verdade e ninguém tem as soluções à mão. Errado ou certo estas devem vir da maioria. E a maioria não aprovou os Estatutos e regimentos. Como dizia nosso fundador (hoje nas atas do CAN dificilmente falam nele, e ali tem alguns que dizem ser ele ultrapassado) o importante em nosso trabalho são os resultados. Pipocam aqui e ali grupos que aos trancos e barrancos vão alcançando a meta desejada. Mas são poucos. Os frutos que pelo menos existia no passado, hoje quase não existem mais. Quando tentamos dialogar com qualquer autoridade a dificuldade floresce. Temos que explicar o que somos como somos e o que pretendemos. E isto com assessores, pois os titulares dificilmente nos atendem.

                      Não vou entrar de novo na seara das mudanças. Dizem em todas as searas escoteiras que as alterações visando uma melhor compreensão do nosso sistema foi com aprovação geral. Quem sabe esta aprovação de pouco mais de 0,5% da elite do escotismo em suas diversas esferas são válida? Sinto falta do passado. Ele com boa mistura do presente daria um escotismo formidável. Esqueceram o espirito de aventura e estão dando aos jovens o mesmo que ele encontra na escola, no seu bairro e nas redes sociais. Tudo em nome da evolução dos tempos. Um pequeno exemplo. Chefe passou a ser Diretor de alguma coisa. Enquanto na Inglaterra o dirigente máximo ainda usa o título de Escoteiro Chefe e está presente em todas as solenidades fazendo proselitismo, aqui nossos dirigentes se escondem e só dão o ar da graça quando de uma atividade nacional ou por força das normas estatutárias nas reuniões a que são obrigados a ir. Nossa caraterística reconhecida por uma comunidade nacional no passado foi esquecida.

                      Se a liberdade Escoteira tem seu preço, acredito que ela está em andamento. Tudo que está acontecendo, seja o desejo de ser único ou mesmo de ditar as normas escoteiras no país está mudando. Não sei o valor, mas estamos pagando de diversas formas. Nada eu acredito vai impedir as mudanças do sistema hoje arcaico com um sistema mais democrático. Isto aconteceu em todas as organizações. O mundo hoje é outro. Ele não pertence a um só, a uma “casta” a uma minoria. Quem viver verá!