HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Uma mensagem para meus amigos e amigas. Fim de ano, a jornada continua.


Uma mensagem para meus amigos e amigas.
Fim de ano, a jornada continua.

                        Fim do ano. Não sei se deu resultados as mensagens que enviei através dos meus blogs, de meus contos e artigos Escoteiros nas redes sociais, mas tentei com todas as minhas forças, e a pequena experiência de 65 anos de escotismo transmitir aos meus amigos e amigas de tudo que participo o que seria o escotismo de BP. Um escotismo que muitos chamam de ultrapassado, mas é o que acredito. Talvez por ter vivido tudo isto e por não me adaptar ao moderno que muitos hoje fazem questão de postar como uma verdade absoluta. Gosto de escotismo de resultados não de escotismo de ficção. Se o moderno tem resultados merece meus respeitos. Resultados são homens e mulheres que passaram pelas fileiras Escoteiras pelo menos por dois anos e que trazem dentro de sí o orgulho de ter um caráter ilibado, uma visão social na sua comunidade, uma lealdade e respeito para com o próximo, uma palavra honesta que todos acreditam e vive em paz com todos principalmente com seu coração.

                    Lutei em muitas frentes sem temer adversidades. Considero-me amigo de todos não importa o grau que ele ache que tenha no escotismo. Isto para mim nunca fez diferença, pois acredito que somos todos iguais. Muitos acreditaram nas minhas palavras e a estes agradeço. Outros não acreditam e claro a eles também agradeço por ser uma critica feliz. Sem uma oposição a democracia nunca vai prevalecer. Respeito e respeitei a todos os membros do escotismo. Muitos atacaram minhas ideias e minhas histórias e eu lhes sou grato por isto. Mostrou-me que não sou unanimidade. Quando agradamos a todos muitas vezes perdemos a humildade de reconhecer que somos simples seres humanos e mortais. Minhas histórias contam lendas, mas lendas que poderiam muitas delas ter sido verdade. Mostrei meninos de todas as idades, pioneiros, chefes e dirigentes fazendo um escotismo leal sincero e profundo.

                  Meus blogs onde posto meus contos e artigos escoteiros atingiram no seu total mais de 170.000 visitas. Pouco é claro comparado com grandes blogs que atingem facilmente a marca de um milhão. Mas eu falo sobre escotismo, sobre como é gostoso ser Escoteiro, como é bom ter uma bandeira do Brasil solta ao vento em uma montanha, em florestas encantadas, em um vale feliz, em campinas verdejantes deste nosso enorme país. Não sou de deixar de escrever o que penso, respeito aos dirigentes Escoteiros Brasileiros até onde eles merecem ser respeitados. Nunca deixarei de comentar o que penso do que fazem no escotismo e mesmo não concordando com muitas de suas ações eu rezo todas as noites para que o escotismo no nosso país atinja todas as camadas sociais, que ele seja levado de norte a sul por igual, que não haja privilégios para ricos ou pobres, pois todos nós somos irmãos e iguais perante as leis.

                    Que o ano de 2015 seja a continuação da luta por um escotismo grande e forte. Espero que eu ainda esteja presente neste ano fazendo o que sempre fiz. Sei que não posso mais andar e correr com a juventude em um Grupo Escoteiro. Mas uso minhas palavras e minhas ideias que não são minhas, mas de Baden-Powell para levar a todos a boa nova que o movimento Escoteiro oferece. Que Deus me dê forças para continuar escrevendo.

               A todos vocês meus amigos e amigas de todas as idades e nações, meu abraço fraterno. Faço questão de juntar meus calcanhares num gesto simbólico e dizer meu Sempre Alerta alto e feliz a todos vocês. Amigos ou não. Que meu aperto de mão esquerda seja útil nesta jornada que caminhamos juntos. Cada um com seu trabalho cada um acreditando que o escotismo pode fazer de nossos jovens um orgulho para o futuro desta nação.

SEMPRE ALERTA!    

Chefe Osvaldo Ferraz. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Velhos amigos quarenta e cinco anos depois.


Crônicas de um Velho Escoteiro.
Velhos amigos quarenta e cinco anos depois.

                Esta noite de natal acordei ainda escuro, eram quatro e quinze da matina. Acordei suado, não é normal, mas tive um sonho, e fora um sonho lindo; Sentei em minha cama e me lembrei do sonho que tive. Um sonho do passado, dos amigos que ficaram em minhas páginas da história. Um sonho que me mostrou duas partes do escotismo que vivi e ainda vivo. O antes menino Escoteiro e o depois dirigente escoteiro. Eu era um Matuto Escoteiro vindo do interior cheguei a Belo Horizonte Minas Gerais em fins de 1965. Virgem ainda das benesses do poder. Desconhecia por completo. Já tinha feito meus cursos e nele conheci alguns da corte, mas minhas amizades eram com a plebe. Acreditava e ainda acredito que somos todos irmãos e ninguém é melhor que ninguém. Mas a hierarquia tinha de existir, sem ela muitas diretrizes ficavam no limpo. Logo comecei a participar do Grupo Escoteiro Walt Disney sediado no Alto da Serra no Convento dos Dominicanos. Vou pular as vezes que a policia do exército invadia o Convento a procura de comunistas. Muitas histórias ainda para contar das vezes que tivemos que encerrar as pressas às reuniões por causa do cerco do exército ao Convento. Muito bem armado a lutar com meia dúzia de franciscanos.

                    No inicio do ano seguinte foi realizado um acampamento Distrital, chamado de ADIP (acampamento distrital de patrulhas). Foi expedido convites para muitos estados. Disseram-me depois que eram mais de doze presentes. Acredito que foram mais de 800 participantes isto sem contar o Staff. Uma mordomia hoje onde chefes pagam para trabalhar e naquela época não. Era tudo muito simples. Patrulhas tinham de estar completas para participar.  Uma hora antes da abertura oficial fui procurado. Perguntaram-me se podia assumir um Sub Campo Senior. O titular não apareceu. Nunca soube quem me indicou. Claro que aceitei. Os jovens seniores ficaram meus amigos em menos de seis horas. Eram mais de 25 patrulhas. Conversas com monitores, abraços e aperto de mão nos campos de patrulha, enfim meu Velho estilo de fazer amizades. Fiquei o tempo todo ao lado deles. No último dia me carregaram nos ombros quando deram o debandar. Fiquei sem palavras. Voltei à velha rotina do Alto da Serra no Convento com seus militares em volta sempre a procurar comunistas. Eis que recebo uma cartinha. Do Escoteiro Chefe me convidando para no dia tal, hora tal participar de uma conversa com ele. Porque não? O que queria de mim? Não vou entrar em detalhes, mas saí de lá nomeado Comissário Regional do Estado de Minas Gerais, uma espécie de Presidente hoje.

                  E agora José? O que fazer? Não entendia nada do riscado. Meu primeiro dia na sede regional foi só de perguntas. A sede tinha não mais que uns 32 m2 com uma escrivania, uma máquina de escrever, um armário de aço e uma poltroninha que cabia dois. Foi lá que conheci a Chefe Conceição. Funcionária nossa cedida pela Secretaria de educação. Chefe de Lobos e IM. Mulher notável. A chamávamos carinhosamente de Vovó Conceição. Foi meu braço direito por longos oito anos ou mais. Não sabia nada e perguntei a ela o que deveria fazer. Risos. Assim começou minha participação na corte dos nobres. E o Blair? Ficamos amigos no ADIP e estava triste com uma acusação infundada. Disse a ele – Estou com você para o que der e vier. Ficou ao meu lado por todos os anos que labutei como Regional. Está lá em Minas até hoje dando seus cursos. Entende pacas de escotismo! Coloca no chinelo muitos dos formadores cheios de gogó e presunção. Com ele os cursos aumentaram. Estávamos sempre juntos. Agora éramos três e aparece o Marcial. Oh Marcial! Difícil encontrar um cara como ele. Sempre com um sorriso, sempre pronto a viajar comigo para o interior. No seu fusquinha torramos todo tipo de estrada poeirenta naquele estado. Gostava das akelás, mas quem não gosta? A equipe crescia, veio o Marco Antonio. Ajudou-me a convidar figuras representativas para formar a diretoria, na época chamada de Comissão Executiva. Os quatros estão aqui representando os demais em foto anexa. Lembro que éramos jovens, meninotes ainda fazendo escotismo de gente grande.

                   Muito diferente dos dias de hoje. Não havia egoísmo, não havia a palavra não, não havia o disse me disse, em qualquer lugar que estivéssemos presentes campeava a fraternidade e a lealdade. Fizemos acontecer centenas de cursos, os Conselhos Regionais anuais (hoje chamados de Assembléia) “eita” povo que gosta de mudar. A fazer indabas locais, distritais e regionais. Em uma delas em Ouro Preto devíamos ser mais de quinhentos chefes. Desculpe, sei que hoje é diferente tem muito mais, mas era o início da década de setenta. Era gostoso demais. Uma amizade que nunca mais encontrei em tanta gente reunida. Para aquela época uma apoteose. Antes os Conselhos eram de duas três horas no máximo. Passamos para dois dias e finalmente três dias. Dois anos no interior e um na capital. Lembro que poucos estados tinham esta forma de ação em conselhos. Não tenho fotos em separados de outros da equipe que comigo colaborava. Luiz Flávio um IM “supimpa” em lobos. Hoje dizem ser um grande psicólogo na capital, Ronaldo Armond, um cabeludo de ouro com suas calças curtinhas de Escoteiro do Ar. Também me disseram ser famoso advogado na capital e Presidente da ordem em Minas. Não posso esquecer os que já se foram para as estrelas, meu compadre Vander, sua esposa Chefe Lucia, mulher incomparável. Padre Geraldo, Chefe João que virou padre e foi para o céu. Tem outros, mas fico nestes agora. Éramos uma equipe formidável. Esqueça picuinhas, maldades, incompreensões, egoísmo, isto não existia entre nós. Foram oito anos juntos lutando pelo crescimento de um estado. Com eles aprendi muito e sei que muitos nunca esqueceram aqueles momentos felizes que passamos juntos.

                  Tivemos presidentes e diretores que deram muito de suas vidas ao escotismo de minas. O Coronel Aragão o presidente com seu bigodinho sempre disposto a ajudar. Com ele fomos ao Palácio da Liberdade diversas vezes de calças curtas é claro. Não posso menosprezar a turma de Juiz de Fora, que sempre estava pronta a ajudar em tudo que fosse necessário. Uma fraternidade sem igual. Não sei se hoje ainda é assim em Minas. Antes soube que nunca houve uma equipe como a nossa depois não sei. Foi um escotismo de linha de frente. Sem dinheiro, a região não tinha um tostão furado. Quantas vezes todos nós nos cotizávamos para fazer uma extravagancia. Fizemos mil amigos. Na capital e no interior. Não medimos esforços aos pedidos que recebíamos para visitar uma cidade. Uma época em que grandes chefes nos davam toda a amizade e sempre presente a nos ajudar. Não posso esquecer a Chefe Maria Pérola Sodré.  Seus cursos, em mesmo fiz dois de lobinhos com ela. Época que os executivos profissionais da UEB eram presentes. Não ficavam lustrando cadeiras em salas atapetadas. O Hélio foi um deles. Grande cara. Ninguém esquece. Mas o baluarte de todo este trabalho se chamava Darcy Malta. Um amigo de verdade.


                   Fiquei oito anos como Regional. Ali aprendi muito do escotismo. Foi minha escola apesar de ter vivido grandes momentos deste o tempo que ingressei em 1947 para nunca mais sair. Outras atividades profissionais me levaram a terras distante. Parei em São Paulo onde estou até hoje. Aqui colaborei enquanto me deixaram colaborar. Sou mineiro, me orgulho do que fizemos pelo escotismo em nosso estado. Sem esta equipe eu não seria nada. Maria da Conceição Mendes, Blair de Miranda Mendes, Marcial Muzzi, Marco Antonio Gonçalves a vocês meu Arrê! Vocês representam uma época de ouro do escotismo Mineiro. Sempre Alerta!    

sábado, 20 de dezembro de 2014

Sonhando e esperando 2015 chegar...


Conversa particular ao pé do fogo.
Sonhando e esperando 2015 chegar...
  
                    O ano está chegando ao fim. Mais um que Deus me deu a honra de estar ainda em pé e lutando pelo bem do escotismo. Minha luta enquanto viver não para, para isto uso dos meios que tenho para levar a todos os amigos ou não uma palavra amiga, um abraço fraterno e um desejo único que somos todos irmãos. São anos de luta sem contar meus tempos de menino onde deste 1947 faço escotismo. Tive a honra de ser um Comissário de uma Região Escoteira, membro da Equipe de Formação por anos e anos, assistente regional, Comissário de Distrito Chefe de várias sessões Escoteiras. Sempre fui presente e me chamavam de orgulhoso por não abaixar a cabeça para ninguém. Isto não se faz, pois no escotismo somos todos iguais. Tenho duas páginas no Facebook com mais de 8.500 participantes. Quatro grupos que somados tem mais de 19.000 inscritos. Quer ser meu amigo virtual? É bem vindo. Dos meus sete blogs que administro os leitores são de os mais diversos países.

                    Nunca me senti bem trabalhando no escotismo para receber dividendos. Até hoje não sou a favor de propaganda daqueles que usam dos meios que temos para fazer marketing dos seus produtos. Penso que deveriam sim fazer marketing dos valores Escoteiros. Escrevo um ou dois contos por dia. Já devo estar passando dos 2.000 escritos sobre o movimento Escoteiro. Dizem que por ser aposentado tenho todo tempo do mundo. Não sei se é verdade, pois quando mais jovem corria em todo meu estado e os vizinhos para ajudar, dar cursos e criar novas unidades Escoteiras. O que gastei do meu próprio bolso perdi a conta há tempos. Já disse aqui que não tenho registro na UEB. Já tive por mais de 40 anos hoje não mais. Brinco com amigos que minha melhor época Escoteira era quando não me metia em política, fazia meu escotismo gostoso devendo responsabilidades aos meus pais e os chefes somente. Não pertenço a nenhuma outra associação no Brasil. Acredito na UEB, mas não como é dirigida atualmente. Por isto escrevo muitos artigos que muitos não gostam, pois sempre digo o que penso dos desmandos e das imposições e da falta de transparência dos lideres que a dirigem.

                 Tenho somente um objetivo hoje em minha vida, é levar alegrias, sonhos, e conhecimentos Escoteiros aos que necessitam e uma visão gostosa do escotismo como acredito deva ser realizado. Como seria bom mostrar o escotismo na forma que BP deixou, alegre e solto, sem imposições, feito sempre que possivel ao ar livre acampando ou excursionando. A burocracia que hoje existe não faz parte do que penso do escotismo aventureiro. Acredito que o escotismo devia ser bem  trabalhado no meio mais humilde. Os menos favorecidos hoje não tem condições de fazer escotismo como deveriam fazer. Enquanto aqueles que têm condições financeiras participam das alegrias de um Jamboree muitos só ficam nos sonhos. As atividades regionais e nacionais são caríssimas, os dirigentes não se preocupam em baratear as taxas e custos. Impossível? Não. É possivel sim desde que se trabalhe para isto. Sabemos que o Jamboree deste ano terá uma participação menor que 5% (cinco por cento) do efetivo nacional. Isto sem levar em consideração que quase 50% dos participantes são adultos. Ou seja, menos de 3.000 jovens irão participar. Escotismo que acredito é feito de fraternidade mutua. Não compactuo com a busca do aumento do caixa das regiões e da nacional.

                   O ano termina. Não deixarei nunca de tentar semear a felicidade escoteira onde possa alcançar. Não tenho as mágicas para dizer Abracadabra. Luto por isto nas minhas páginas, grupos ou Blogs. Sempre direi e sempre repito que somos todos irmãos não importa onde. Meu sonho é que um dia os donos do poder também pensem que os direitos são iguais e não de uma minoria mais abastada e que não somos fantoches para ser manejados como eles fazem hoje.  

                 Peço a Deus que 2.015 possa ser o ano da mudança. Se eu conseguir chegar até o final do ano, continuarei serrando fileiras com todos aqueles que fizerem do seu caminho um caminho para o sucesso que tanto Baden-Powell desejou.


Sempre Alerta a todos e um natal Escoteiro para todos! 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Baden-Powell Cidadão do Mundo!


Conversa ao pé do fogo.
Baden-Powell Cidadão do Mundo!

               Quem foi ele? Um Sonhador? Um visionário? Um excêntrico sem visão no futuro? Claro que não. Ele foi o homem cujas obras marcaram para sempre o coração de milhões de jovens no mundo. Afinal alguém conhece outros como ele cuja bibliografia e história são conhecidas por dezenas de milhões de meninos e meninas que fazem o escotismo no mundo? Muitos alardeiam e com razão o Mito de Pestalozzi, Tomás de Aquino, Comênio, John Dewey, Emile Durkheim. E tem muitos outros mitos na educação que são preservados na memória como grandes educadores da humanidade. Mas e Baden-Powell? Porque não é lembrado em todo o mundo principalmente onde se pratica o escotismo como um dos grandes educadores da história? Será que seu êxito fica restrito somente entre nós Badenianos? Pensem bem, façam comparações. Existem organizações de jovens que tem inicio meio e fim? Cujo método pode até não ser único, mas se provou capaz de formar homens e mulheres dentro dos princípios que se espera de alguém de caráter, honra, lealdade e tudo aquilo que é descrito no seu método e na Lei Escoteira?

               Imagine um homem, um general, condecorado pelas suas atuações a serviço do Exército de sua Majestade, que recebeu títulos importantes como SIR e LORD entregues pela rainha como autos elogios? Um herói de guerra aclamado por toda a comunidade Inglesa? Porque deixar suas glorias e pensar que os rapazes poderiam ser ajudados na sua auto-educação e formação na escola da vida? Tentem entender um pouco de seu programa, seu método, as delicias de acampar, viver na natureza tudo sempre pensando que o jovem aprende a fazer fazendo? Ele pensou em tudo quando criou as bases do escotismo. Um gostoso Sistema de Patrulhas, onde se vive em grupo, a liderar e ser liderado, a ter responsabilidades e o melhor, ensinando que a amizade escoteira poderia dar a volta ao mundo e que o Movimento Escoteiro fosse o embrião de uma fraternidade mundial? E atrás disto tudo trouxe as tradições, as místicas os sonhos de um menino em também ser um herói como em seus sonhos.

              Impossível pensar no primeiro acampamento de Brownsea. Que maravilha ver aquela meninada, junto ao seu ídolo, recebendo e aprendendo o que leu nos fascículos que se publicava em bancas do Escotismo para Rapazes na época. E ele não parou por aí, escreveu livros de orientações, deixou acordado que o escotismo era um movimento alegre, gostoso, sem complicações e dedicado exclusivamente aos jovens não importando sua classe social. Quem já leu seus livros, O Guia do Chefe Escoteiro, Escotismo para Rapazes e o Caminho para o Sucesso pode sentir que atrás de seus escritos estão colocados toda a filosofia do amor ao próximo, da boa ação que nada mais é que a caridade tão expressada hoje nas religiões. Ler o Caminho para o Sucesso é se encantar com seu escritor. Puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações. Ele não se esqueceu dos adultos, precisava levar os conhecimentos Escoteiros como ele pensava ser aos milhares de chefes que surgiam nos mais diversos países. Quem não ouviu falar em Gilwell Park? Um centro de adestramento mundial que hoje é copiado em todos os países que praticam o escotismo?

               Sabemos que foi na África que suas ideias foram colocadas em prática. Ele adorava este continente as pessoas e sua cultura. Aprendeu diversos dialetos e seguiu de perto o povo Zulu que se impressionou com o jovem militar britânico, pela sua coragem e destreza. Foi através deste povo que lhe foi atribuído vários nomes conforme pensavam da sua personalidade: M’hlalapanzi – O homem que faz planos com cuidado. Kantankye – O homem do chapéu grande. Impeesa – O lobo que nunca dorme. Dizem os historiadores que o que ele mais gostava era ser chamado de Impeesa, por considerar o maior elogio que jamais recebera. A história de Baden-Powell é contada nas rodas de meninos e meninas Escoteiras ao redor do mundo. Lembrados em Grandes Fogos de Conselho, nas Conversas ao pé do fogo onde se fica horas e horas a lembrar de um homem amado por milhões de jovens. Milhões? Pensem quantos jovens cresceram nas fileiras Escoteiras e pensem quantos seriamos seguidores de BP. Na ativa ou fora dela. Seriam centenas de milhões.

                  Um dia os historiadores, os educadores na sua maioria irão reconhecer que nenhum outro homem deu o que Baden-Powell deu aos jovens do mundo. Muitos deles que hoje fazem nas suas classes os chamados grupos de trabalho, aqueles que sem saber de onde surgiu tentam ao seu modo ensinar a arte de aprender fazendo. Deixara que os jovens crescessem aprendendo com seus erros e sem saber que isto é uma auto-educação. Quem sabe estes que aplicam sem saber o método Escoteiro poderão dizer que dentre muitos e muitos educadores e formadores de jovens Baden-Powell um dia lembraram que ele no escotismo já faz parte no panteão da história? Baden-Powell como poucos acreditava no sorriso, na amizade, na compreensão de egos, na força do amor e podemos dizer sem desmerecer ninguém, que ele sempre sonhou um mundo Escoteiro, onde a fraternidade e o respeito entre nações faria do escotismo um símbolo da paz no mundo. Suas últimas palavras foram de fé, esperança e deixar que a felicidade seja um caminho para todos os membros do escotismo: (a parte final).                       


- Eu tive a sorte de viver feliz e desejo que cada um de vós possa dizer o mesmo.
Creio que Deus nos pôs na terra para sermos felizes e termos gosto em viver. A felicidade não vem da riqueza, nem do êxito que possa ter na nossa carreira, nem do alto conceito em que nos tenham. Dareis um grande passo para a felicidade se formardes um corpo vigoroso e são na juventude, para que possais ser úteis e viver felizes quando fordes homem. (...) Mas o verdadeiro caminho da felicidade é dar felicidade aos outros. Procurai deixar o mundo depois de o tornares um pouco melhor do que o encontrastes. E, quando chegar a vossa vez de morrer, morrei felizes pensando que não perdeste o tempo, que fizeste o melhor que pudestes.
Estai Prontos nesta vida de modo a viverdes e a morrerdes felizes. Lembrai-vos da vossa promessa Escoteira... Sempre! Mesmo quando já não fordes um rapaz, e que Deus vos ajude a cumpri-la. Lord Baden-Powell of Gilwell! 

sábado, 13 de dezembro de 2014

A lenda do Tesouro perdido no Vale de Negev


Mais um livro em meu curriculum: - A lenda do Tesouro perdido no Vale de Negev.

             Seis meses escrevendo. Muitas vezes voltando para reescrever uma história fantástica, pois sempre me perdia em suas páginas. Tive que ler e reler o Novo e o Velho Testamento várias vezes para não perder o fio da meada. Ali tive os subsídios que necessitava para escrever esta história. A Lenda do Tesouro perdido no Vale de Negev foi o livro que mais exigiu tempo e pesquisa sobre todos os demais. Quarenta e oito páginas parece pouco, mas não é. Uma história diferente, uma lenda de um tesouro escondido pelo Pirata inglês Edward Teach, que no ano de 1682 desembarcou no Arroio de São Bartolomeu no norte da Bahia e rumou terra adentro e em local incerto e não sabido enterrou o tesouro. Não existem mapas e muitos dizem que quem achar uma caverna proximo ao Vale de Canaã antes de chegar nas planícies de Moab, no vale da Judeia pode encontrar o tesouro. Foi lá que surgiu a cidade de Jericó. Uma cidade mágica e mística que um dia uma patrulha Escoteira perdida descobriu surgindo então o primeiro grupo Escoteiro Mar da Galileia. Contam os historiadores que quem descobrir o caminho sagrado sobre o Monte Sinai, o Vale da Judeia, cruzando o Vale do Rio Eufrates, Represa do Lago Hule, Vale do Canaã, Rio Nilo e a Montanha do Monte Tabor irão viver felizes para sempre.

                Esta fabulosa aventura começa pelo Chefe Zebulon e termina com o Chefe João Batista. O crescimento do Grupo Escoteiro não podia acontecer sem Judá, o primeiro Monitor, Simão Zelote, um Escoteiro que aceitava desafios e muitos outros. Abraão Monitor da Garça Real, Tiago da Patrulha Camelo, Uziel da Gralha e Batuel da Corvo, todos eles e seus patrulheiros fizeram acontecer a maior aventura de suas vidas. Ele a chamaram de Operação Arca da Aliança. Jericó era uma cidade incrível, ninguém sabia onde ficava não estava nos mapas e nenhum governo sabia de sua existência. Só os escolhidos poderiam chegar atravessando o Mar da Galileia. Jericó era uma espécie de Xangrilá, onde todos viviam felizes e com amor no coração. Ela tinha a proteção de Nabucodonosor um escravo fugitivo e seu fundador e de seus três administradores - Melchior, Baltazar e Gaspar conhecidos como os Três Reis Magos. Tem muitas outras personagens que ao desenrolar da história os leitores irão conhecer.

                Mais um livro, mais uma história. Uma aventura sem igual feito pela tropa Rio Jordão percorrendo a pé por doze dias sobre lugares históricos do Novo e Velho testamento. Quatro patrulhas e um Chefe que ficarão marcados na mente de cada um. Vocês irão conhecer uma aventura fantástica por lugares nunca antes imaginados. Seja um dos primeiros a ler. Faça seu pedido inteiramente grátis e receba hoje ainda em PDF. Aguardo seu pedido no meu e-mail elioso@terra.com.br. É só escrever: - Chefe pode enviar o livro do tesouro?

               Será que eles encontraram o tesouro? E os fantasmas do Galeão Pirata iam deixar? Se Jericó era um tesouro que todos amavam e lá eram felizes para sempre iriam querer mais? E o escravo fugitivo Nabucodonosor qual foi seu papel na história? Grupo Escoteiro Mar da Galileia, onde a fraternidade, o respeito e o amor convivem lado a lado com a Lei e da Promessa Escoteira!         

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Afinal existe oposição no escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
O caminho para o sucesso.
Afinal existe oposição no escotismo?

                Alguns dizem que o escotismo é uma filosofia de vida, outros dizem que é uma diversão e outros fazem da sua participação um aprendizado para a vida toda. Poucos são aqueles que discordam e falam o que pensam e se assim o fazem é somente em OF e afirmam que o escotismo é para colaborar e fazer os jovens caminhar para o sucesso. Sempre me pautei por criticar nossos dirigentes, claro quando achei que merecem. Sabemos que entre eles tem muitos cheios de boas ideias, mas que ainda se aferram no cargo que estão nunca discordando do certo e do errado. Poderia enumerar aqui centenas deles. Porque não crescemos apesar de que nossos dirigentes dizem ao contrário. Aceitamos tudo de mão beijada e nunca damos nossa opinião e quando o fazemos logo tem um para dizer – O Escoteiro é obediente e disciplinado. Dito isto todos concordam e não dizem mais nada. Isto é bom para nossos dirigentes. Eles decidem entre eles o que fazer como fazer e nunca nos perguntam se deveria ser assim ou não.

                Se os meus leitores tiverem paciência vão ver que tenho muitos artigos aqui publicados que mostram onde estamos errando. Participo de algumas listas aonde por e-mail vamos discutindo e aprendendo uns com os outros. Ainda nesta semana um amigo mineiro escreveu respondendo a uma pergunta minha sobre a evasão. Tudo surgiu porque outro amigo mostrou um estudo da UEB sobre ela. O estudo baseou em poucos associados e ali nada poderia ser levado em conta. Não representava nada em relação ao que todos nós estudiosos do escotismo estamos vendo, uma evasão que prejudica e se ela acontece é porque o escotismo não caminha para o rumo do programa que um dia BP nos deu. Não vou me alongar e transcrevo abaixo tudo que um Chefe meu amigo escreveu. Vou manter o nome dele em OF. Sei que já não participa mais diretamente conosco. Poderia eu mesmo ter escrito em outras palavras, mas sobre evasão ele atingiu em cheio tudo aquilo que penso. Com a palavra o meu amigo:

- Às vezes eu acho os participantes do escotismo inocentes. Não há interesse da UEB em computar e divulgar números da evasão. Percebam quais são os principais argumentos dos politicamente corretos defendendo nossos lideres: Eles dizem - "Se está tão ruim porque estamos tendo crescimento? meu distrito cresceu, meu GE está com fila de espera", como se não houvesse evasão, como se não faltassem adultos, como se jovens não estivessem largando o Movimento Escoteiro pelos mais variados motivos. Aliás, estes tipos não dão a menor importância para a evasão, pois vivem a apontar a porta da rua para quem está insatisfeito com os rumos da instituição. Mesmo que haja um enorme déficit de adultos voluntários que, em geral eles sabem que quando deixam o ME levam mais algumas pessoas consigo. O que acontece é que o adulto voluntário não é valorizado. A direção trata os adultos como mão de obra barata que deveriam se sentir demais satisfeitos e privilegiados por serem aceitos como voluntários. A oposição não é bem vinda, as críticas às patacoadas muito menos (não é escoteiro apontar os erros que fazem) e, claro, se o sujeito não sair por livre e espontânea vontade se arruma um processo na comissão de ética com acusações imbecis e infundadas ou o colocam no ostracismo.

O ME hoje é dividido em dois extremos: os "Profetas do Caos" e os "Senhores de Xangri-la". Os primeiros conseguem enxergar que o Movimento Escoteiro é uma ferramenta válida para a formação dos jovens, acredita nos ideais, mas não fazem vistas grossas às constantes patacoadas da direção. Os segundos vivem em um mundo perfeito, aonde o Escotismo brasileiro vai muito bem, onde dirigentes não cometem erros sérios, onde tudo é justificável e relativo e, claro, pensando e agindo assim, tem um lugar ao sol junto à direção. Esta é a turma que vive falando de Lei e Promessa para os que criticam, mas acham que tais mandamentos não se aplicam aos dirigentes, em especial aqueles de notório Poder dentro da instituição. Então para esta turma, por exemplo, é muito ético, normal, escoteiro, que um comissário indique a si mesmo para se manter no cargo, como se entre 80 mil associados não exista outro capaz de exercê-lo. É a turma que afirma ser a AR uma instituição democrática, mas quando uma jovem é censurada não mexe uma palha quanto isto.

O que tenho constatado em conversas com outros escotistas de todo país é que existe MUITA GENTE descontente com esta turminha que vem há anos se revezando na direção nacional. O caminho que muitos têm escolhido é deixar o ME e levar consigo amigos e parentes, pois não acreditam valer a pena ficar dando murros em ponta de faca tentando mudar o que uma maioria, por interesses vários, deseja manter. Os que apoiam não o fazem, muitas vezes, por que são a favor do que está sendo feito e sim com vistas às medalhas, honrarias e cargos.


                Como disse eu deixei o nome do Chefe que escreveu em OF. Melhor assim, ele tem caráter, tem honra, faz tudo para que o escotismo cresça, mas hoje é considerado “persona no grata” por muitos dirigentes. Não sei se já recebeu sua IM. Estava guardada em alguma gaveta de um dirigente. Sinto tristeza nesta hora em ver que ainda existem pessoas de índole contrária a que se espera de um movimento fraterno, onde a Lei e a Promessa só vale para os amigos. Ele é mineiro e tudo que aconteceu com ele enfrentou de cabeça erguida. Quando fui Comissário neste valoroso Estado sempre me orgulhei das amizades e das transparências que fazíamos para que todos tivessem oportunidade de dizer sim ou não. Sei que meu estado tem um contingente muito grande de valorosos escotistas que lutam para que o movimento seja um exemplo de formação da juventude. Não vou alongar mais, melhor mesmo é colocar a cabeça no travesseiro e pensar se o escotismo como dizia BP tem seu Caminho Para o Sucesso garantido. A sede de poder, a vontade de ser alguém e pertencer à casta dos lideres ainda vão existir por muitos e muitos anos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Miscelânea e Salsada. Um pouco de cada um numa gostosa conversa ao pé do fogo.


Conversa ao pé do fogo.
Miscelânea e Salsada. Um pouco de cada um numa gostosa conversa ao pé do fogo.

Jamboree
                    - O acampamento em silêncio. As patrulhas já se recolheram. Brilham estrelas no céu. Chefes estão ali em volta do fogo. Um bate papo gostoso. Todos calados, o fogo crepita. Fagulhas sobem aos céus. Um Chefe comenta: - E muitos partindo para o Jamboree. Só fiquei triste porque o escoteirinho de Brejo Seco não foi. – Porque não foi? Pergunta outro Chefe. - Ir como? Mora em um barraco, sua mãe é faxineira e seu pai se mandou. Ela custou para fazer seu uniforme (traje) e recebeu um recado do grupo que agora teria outro. Uma tal de vestimenta. Mas como ela podia comprar? E o que ela vai fazer com o que ele tem? Dizem que o prazo está vencendo para a troca. – chefes começam a discutir. Um distrital diz que seu grupo vai em peso. Cada um sugerindo como baratear tudo para muitos poderem participar. Ideias mil. Um Chefe mais idoso não fala nada. Ele queria dizer que disseram a ele que isto poderia ser feito. No jamboree do Rio muitas empresas fizeram parcerias e doações. O Velho queria dizer que um dia pediu para ver o balanço e nunca lhe mostraram. Outro Chefe sorri. Nossa região via participar com uma enorme delegação. Parece que vai ser bom. Bom para quem pode pagar quem não pode esqueça disse um Chefe que se mantinha calado.

Vestimenta.
                     Conversam daqui, conversam dali e o tema vai e volta. Dizem alguns que ela foi feita para uniformizar. Estávamos com mil tipos e isto não era bom, disse o Formador que estava presente. Outros gritaram no circulo do fogo que muitos jovens achavam feio o uniforme atual e com a vestimenta eles iriam participar. – Pois é completou o Chefe, a vestimenta vai atrair muitos nas fileiras Escoteiras. Esperando para ver disse um Chefe e riu. Um magrinho, mas muito sabido comentou o truste da UEB. Dona exclusiva da marca não deixa ninguém confeccionar. Só ela através dos escolhidos. – Porque não deixar os estados também responsáveis? Não seria uma maneira de compartilhar os lucros? Quem sabe alguma empresa pode fabricar mais barato? – Um silêncio mortal. Mudaram de assunto. O Chefe do norte disse que existe  liberdade de escolha no Grupo Escoteiro. Outro disse que não. Alega que antes da votação muitos chefes já se apresentavam com a vestimenta. Afinal dizem eles, a votação para chefes não vale? E aquele que disse que agora vale votar? E antes não valeu? O que gostei mesmo em volta do fogo foi um Chefe dar uma talagada no café do fogo e queimar a boca. Kkkkk. Mas ele logo disse que a vestimenta estava virando uma “bagunça”. Cada um usa como quer e compra o que quer. Afinal são 18 tipos disse. E aquele na ponta da tora que dizia que o caqui vai acabar? Gerou uma bela discussão. Acaba ou não tem muitos já muitos correndo para a vestimenta. E o Velho Escoteiro? Ele riu e disse: - Nem morto, nem morto! Risos.

Estrelas de metal.

               - Um Chefe comentou sobre elas. Eram lindas, ver alguém com uma brilhando e com a flanela referente ao ramo atrás dava um destaque especial. Amarela para os lobos, verde para os Escoteiros, marrom para os seniores, vermelho para os pioneiros e azuis para os chefes. Porque acabaram com as estrelas de metal? Perguntou um Chefe. Alguém prontamente respondeu: - Era perigoso. Podia acontecer acidentes. Todos riram. Um disse que tinha mais de sessenta anos de escotismo e nunca viu isto. Completou dizendo que ia a todos os lugares com ela e nunca viu sequer um acidente.  Outro disse que tirar a magia de abrir o olho do lobo foi cruel. Magia? O que é isto? Perguntou um novato. – Antigamente o lobo quando nascia não enxergava, ao fazer a promessa já podia andar e para começar a ver tinha de abrir um olho. Como? Insistiu o Chefe: - Simples, ele fazia algumas provas e recebia a estrela de metal no boné de lobo. E para ver melhor só com as duas estrelas ao lado do distinto de lobo no boné. – Era assim mesmo? Muito bonito disse a Akelá. Porque acabaram com esta magia? Aquele Chefe mais galhofo riu e disse: Todos querem ter um pouco de Baden-Powell, não sendo tem de inventar. Será que não estão vendo tantos lá na UEB inventando?

               E assim os chefes ficaram horas conversando, contando histórias,  discutindo, cantando até que a madrugada surgiu e resolveram cochilar um pouco até o toque da alvorada!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Vestimenta? Uniforme? Traje? Chega! Isto já é passado.


Conversa ao pé do fogo.
Vestimenta? Uniforme? Traje? Chega! Isto já é passado.

               Risos será mesmo? Todos os dias me defronto com discussões sobre estes temas. Adoro todos eles. Sabe por quê? Porque os hoje dirigentes da UEB não gostam dos tradicionalistas. Fazem tudo para desmerecê-los. Em uma roda de amigos e não foi uma conversa ao pé do fogo, o que seria formidável, dois amigos comentaram sobre a vestimenta. O direito de usar, a luta pelo que viram em seu tempo Escoteiro, um grupo de caqueanos pensando em mudar e assim por diante. Foi longo o debate. Depois de tudo eu disse a eles: - Amigos não vou polemizar com vocês.  Quero que saibam que respeito o ponto de vista de cada um e espero que respeitem o meu. Contaram sua história? Tudo bem, agora vou contar a minha e porque não vou nunca usar esta vestimenta. Desculpem mas ela me dá coceiras.

             Eu vesti o caqui pela primeira vez em 1950, antes usava o azulão dos lobos. Sabe como comprei? Engraxando sapato, varrendo e capinando quintal. Com isto comprei meu chapéu, meu cantil meu meião e muitas coisas mais. Meu pai era seleiro e mal conseguíamos sobreviver. Nunca fui rico e até hoje não sou. Por tudo isto sempre tive orgulho do meu caqui. Quem sabe não como hoje que por mais humilde que seja o jovem sempre tem uma oportunidade melhor que a do passado. Com o caqui eu corri vários estados do Brasil. Andei de barco no Rio Negro e onde aportei todos disseram: - Olhe! São Escoteiros! Cozinhei estradas, montado em meu cavalo de aço a bicicleta. Acampei por mais de 800 noites. A maior das aventuras foi percorrer três estados em cima do meu cavalo andando mais de seiscentos quilômetros. Tudo em cima de um caqui. Em 1975 para satisfazer alguns que não achavam ficar bem de calça curta foi adotado o social. SOCIAL! Veja bem. Eu conheço bem a história. Estava lá. Depois ele se transformou em traje, em não sei, aos o que e tudo foi permitido. Use lenço, use qualquer camisa, a camiseta Escoteira vale, esqueça a cor e mande bala. Agora você é um Escoteiro.  Os que nunca usaram o caqui sempre na sombra estudavam uma maneira de criar algum novo. Criaram. A história de como fizeram me entristece. Sou Escoteiro, procuro ser leal e eles não foram. (vide abaixo um relato de um amigo).

            Vocês dizem que nos outros países ele está desaparecendo? Claro, lá como aqui a democracia imposta aconteceu.  E a maioria deles já usavam cores diferentes. Mas muitos deles principalmente aqueles de milhões de Escoteiros ainda usam o caqui. Dizer que a UEB copiou de outros países prefiro não dizer. Agora dizer que a democracia de escolha no grupo escoteiro é válida pode até ser. Mas o escotismo é feito de exemplo, BP foi enfático em dizer isto. Nos somos os espelhos dos jovens. Agora pensando bem a UEB não serve como exemplo. Ela não é e nunca foi democrática. Vocês sabem meus amigos os que são ligados a ela mudaram da noite para o dia. Como permanecer com alguns dirigentes e formadores com a vestimenta e como ficar com o antigo se nosso movimento para ficar bem com todos infelizmente somos obrigados a nos humilhara e até em casos especiais bajular? E o pior nunca vi tanta gente com a vestimenta tão mal uniformizada. Um exemplo que ninguém deveria seguir. Podem não acreditar, claro, vocês são almas boas e eu não. Não sonho em ser um deles. Já vivi neste meio sei como é o sonho em ser um dirigente, um formador. Mas para isto acontecer à maioria sabe como é.

Acreditem, eu não sou contra a vestimenta, claro eu não gosto dela, acho horrível, mas tem quem gosta. Afinal verde é verde e azul é azul. Se tudo fosse feito na lealdade Escoteira tudo bem. Não foi. Discutir o discutido é perder tempo. Eu só lembro a todos que a liberdade de usar aquilo que gosta é um direito. Eu Velho e longe das tropas nunca usarei. Não serei como alguns que querem ser enterrado com o caqui. Nada disto. Já pedi a Célia que desse de presente a alguém que precise. Finalmente, eu pago para ver uma autêntica democracia em um grupo, cuja direção nacional peca por não ser democrática. Mas demagogia? Não faz parte de mim.
Abaixo transcrevo o que um amigo virtual escreveu: bom para meditar.

- O que eu vejo, por exemplo, são adultos usando o novo vestuário e a tropa usando o cáqui. Ou seja, usam o novo vestuário à margem da vontade de jovens. São casos e casos. Só que não há como condenar ninguém, por exemplo, por optar por esse novo. Com a campanha desleal que a UEB fez para o novo vestuário, manipulando literatura oficial da WOSM, fazendo crer que quem optou pelo cáqui não ouviu os jovens e que são saudosistas antidemocráticos (essa veio da equipe de comunicação), fazendo crer que quem optou pelo novo é descolado, pronto pra aventura, progressista, moderno e mentindo em cima de pesquisas ou de relatórios de Jean Cassaigneau; mandando conselheiros do CAN promover o novo vestuário em unidades locais... É normal que os grupos acabem cedendo.

- Usaríamos Pink se fosse necessário, mas desde que com o aval do coletivo. Ao ver esse vestuário, como havia dito, não vejo apenas a salutar necessidade de desenhar uma roupa moderna e segura para as atividades próprias ao movimento; vejo membros do CAN engordando seu portfólio e outros da ENIC se projetando para ocupar cargos na interamericana, cargos na comunicação, cargo como assistente de espiritualidade... Enfim, para acumular cargos e satisfazer o fetiche de poder que deve ter. Vejo, também, a UEB tentar construir um mercado e seu respectivo monopólio para engordar receita. Por exemplo: Vamos como quem não quer nada, propor que se federalizem as regiões, e que possam confeccionar seu próprio uniforme ou literatura. Vocês já sabem o que aparece a partir daqui: nós somos união, isso é quebrar a Lei e a Promessa Escoteira, é ódio no coração... Mas, na verdade, é uma simples questão da UEB querer continuar a ser a única a vender insumos escoteiros no Brasil, o que caracteriza truste, e, para isso, vai ao judiciário desde 2006 brigar pelo mercantilismo.

E vocês, ao justificarem a inclusão do novo vestuário com "mas é bonitinho", "é fofuxo", "os jovens gostam", nada mais fazem do que patrocinar a mentira, que parece ser a nova forma de administração do escotismo brasileiro. Aliás. Foi decisão DOS JOVENS a inclusão desse vestuário no movimento escoteiro? Porque tiveram duas assembleias nacionais para sondar opiniões, além de ferramentas para fazer pesquisa... Mas a ENIC e a DEN não fizeram nem uma coisa nem outra.

PS - A página no Facebook construída para o novo vestuário foi retirada do ar. Talvez porque não queriam que ficasse registrado o rechaço em direção ao vestuário.


Sem maiores comentários.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Para onde caminhamos?


Conversa ao pé do fogo.
Para onde caminhamos?

                     Existe um tema que sempre escrevo sobre ele. “Pesquisas”. Alguns partidos políticos odeiam. Acham que elas não são bem vindas. Mas elas existem em todos os segmentos da nossa sociedade. E no escotismo? Alguém conhece alguma? Pelo que eu saiba nunca foi feita e se foi não deram pistas de como fizeram, se foi pelas técnicas usadas pelas empresas do ramo. Temos uma série de bons temas que valeriam pesquisas sérias para melhorarmos em nosso crescimento quantitativo e qualitativo. Poderia citar a evasão, o programa atual, as normas estatutárias, as mudanças feitas em distintivos, onde erramos, porque não crescemos e outros. Posso até estar errado, mas em nossas assembléias dificilmente discutimos abertamente os assuntos que nos interessam. Nunca interagimos com nossos dirigentes lá. Eles educadamente podem até nos ouvir, mas nunca levar a sério nossas palavras. Quando muito fazem seminários com temas pré-estabelecidos e os resultados dificilmente aparecem.

               No passado eram comuns os questionários pós-cursos para vermos onde erramos (formadores) e melhorar no futuro. Eu mesmo cheguei à conclusão que quase todos não se interessavam pelas respostas. Poucos membros da equipe se dispuseram a comentar e levar adiante os temas divergentes. Hoje sei que os formadores costumam se reunir em diversos estados, mas os temas nestas reuniões já vem pronto da UEB ou dos dirigentes responsáveis pela atividade. Tomemos como exemplo a vestimenta. Ela já foi exaustivamente discutida e guardada no baú para quem sabe daqui a muitos anos possa se pensar onde erraram e tentar melhorar. Volto no tempo sobre o programa. Alterado sem nenhuma pesquisa. Os distintivos da UEB idem. Os acampamentos nacionais são idealizados por poucos e os comentários partem daqueles que viram jovens sorrindo. Muitas vezes copiados de atividades internacionais realizadas em outros países. Ninguém nunca questionou se o Sistema de Patrulhas poderia fazer parte de tudo.

                      Todas as decisões hoje da UEB não se baseia em pesquisas. Quando muito um dos dirigentes nacionais dá exemplo de sua vida Escoteira em seu grupo ou distrito ou região. Muitos se apegam na sua experiência pessoal e por ela dão dados que muitas vezes são válidos e outras vezes distorcidos. O número x por cento fica a critério de cada um. É comum ouvirmos que tantos por cento aconteceu na minha área de atuação. Quem um dia se dispuser a ler as atas da direção nacional verá que as decisões se baseiam na ideia de um e rapidamente aprovada pelos demais. Errado? Alguns podem dizer que não, mas seria isto a verdadeira essência do escotismo? Afinal irão alterar a vida de milhares de associados que nem consultados foram. Seria isto um erro? Quem se arroga em dona da verdade e tem medo do que pode dizer ou pensar a maioria pode mesmo dizer com certeza que isto terá validade no futuro? Porque a duvida da consulta? Porque a duvida da pesquisa? Elas poderão levar a um caminho contrário do que eles pretendem?

              Infelizmente este mal que nos aflige sem perceber é assimilado pelas Regiões, Distritos e Grupos Escoteiros. Em sua maioria também erram em não saber ouvir, em não entender o ponto de vista alheio. Perdemos hoje muitos voluntários porque quando entraram pensaram que nosso movimento era democrático, que poderiam opinar divergir e serem ouvidos. Viram que boa parte (nem todos) dos lideres dos grupos distritos e Regiões agiam de forma ditatorial sempre a dizer que as normas são estas. Alguns tinham a petulância em dizer que: - Se não aceita a porta da rua é a serventia da casa. Dificilmente se faz pesquisa. E olhe que o sistema de patrulha é enfático neste tema. O Monitor tem a obrigação de ouvir sua patrulha, levar em conta sua opinião e dizer ao Chefe o que pensam. Mas isto só lá na patrulha. Dai em diante tudo se modifica. A UEB pode explicar melhor isto.

            Se desta forma estamos formando jovens para uma vida adulta na sociedade com poder de pensar, de agir e interagir e acreditar num sistema democrático, eu não sei se estamos no caminho certo ou se é o mesmo que BP. Acreditava: -  O Caminho para o Sucesso. Acredito que precisamos meditar e não nos escondermos em palavras bonitas tais como os meninos em primeiro lugar, o Escoteiro é obediente e disciplinado, o escotismo é minha filosofia de vida e as normas são para serem cumpridas. Eu já escrevi muito sobre isto. Francamente não sei se meu objetivo foi atingido. Só posso assegurar que se pudéssemos ter grandes pesquisas Escoteiras nacionais, poderíamos melhorar em muito nosso caminho para o sucesso. O eu sei, o eu entendo, o eu tenho experiência sem perceber pode nos levar a pensar que uma ditadura é melhor que uma democracia. Precisamos abrir nossa mente de uma maneira clara e insofismável. Ninguém tem o direito de mudar sem uma consulta ampla e irrestrita. Somos homens e mulheres que pensam. Não somos ovelhas a pastorear no campo enquanto o pastor tira um cochilo embaixo de uma árvore e decide a hora que iremos voltar.


         - Afinal, quando teremos a liberdade de entender a nova postura que um dia poderia ser realizada, e assim entender porque tal mudança foi feita, que agora podemos acreditar na sua validade, pois opinamos e fomos ouvidos? Ou será melhor que todos acreditem que o sistema atual é realmente aquele que nos levará ao caminho para o sucesso? 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Monitor.


Conversa ao pé do fogo.
O Monitor.

              Conheci e convivi com centenas de monitores de todas as idades possíveis. Baden-Powell dizia que o mais "Velho" e mais forte mesmo não tendo boa liderança deveria ser o Monitor. Bem não foi tão categórico mas deixou explicito seu pensamento. Como foi uma época que ainda não tínhamos os seniores, os rapazes de quinze, dezesseis e dezessete anos atuavam na monitoria. Hoje não. Existe toda uma preparação para eles. Muitos se preocupam em demasia com sua liderança isto é muito bom. Ouve tempos que se discutiu muito sobre o tema. O bom líder nasce assim ou podemos formar um líder?

             Se o escotismo além de suas necessidades e pensando que nosso método tem vantagens e ele também é uma escola de formação de liderança, seria importante que fossemos confiar a monitoria a um Escoteiro mesmo que este não seja líder nato? Então eu pergunto a responsabilidade é do Chefe? Vejo dois lados da questão. O primeiro aquele que o Chefe escolhe seu Monitor. O segundo o que foi escolhido pela Patrulha. Qual o melhor? Tem correntes fortes para um e correntes fortes para o outro. Eu fico com o segundo. Acho que a eleição é a melhor maneira para nomear um Monitor desde que ele permaneça no cargo até a passagem para sênior. Por quê? Simples, a preparação dele demora, e para que ele se torne um bom Monitor tem que ter muita experiência que custou a adquirir com seu Chefe nas atividades feitas com a Patrulha de Monitores. Poderia ficar horas e horas comentando sobre o Monitor, mas hoje dei uma lida rápida do livro de Roland E. Philips, o Sistema de Patrulhas. Antiguíssimo. Mas super valioso. Pode ser adaptado sem sombra de duvida aos dias atuais. Se algum dia se interessar em ler, me escreva. Mando para você em seguida.

               Escrevi vários artigos sobre os Monitores sendo o último com o titulo A Patrulha de Monitores. Um artigo que mostra como se prepara os monitores para liderarem seus amigos de patrulha. Vocês sabem que nenhum Chefe Escoteiro (a) conseguirá desenvolver o Sistema de Patrulhas sem bons Monitores. Nos cursos atuais acredito que é um tema muito falado, mas da teoria a prática a um longo caminho. Quero deixar claro que faço ressalvas com o Ponta de Flecha. Por quê? Amanhã irei postar um artigo a respeito. Vejamos algumas observações sobre como deveria ser um bom Monitor: 

Guia - um exemplo a seguir;
Companheiro - um amigo que dá ajuda e conselhos, compreensivo;
Comunicativo - diz as suas ideias;
Leal - de confiança, preocupa-se muito com o que faz;
Democrático - respeita todas as opiniões da mesma maneira;
Humilde - não mostra a toda à gente as capacidades que tem e dá valor às dos outros;
Trabalhador - aplica-se nas suas tarefas;
Responsável - faz sempre as suas tarefas; 
Assíduo e pontual - chega na hora e não falta;

Participativo - ajuda em tudo o que é preciso, está sempre pronto.
Não esquecer ainda a velha máxima de um Chefe Escoteiro que disse: “O Monitor não manda, o Monitor orienta!”. BP também disse que o Monitor não empurra a Patrulha. Providencia para que ela vá ao seu lado.

E para encerrar, porque não lembrar também que o Monitor não é e nem deve ser:
- O sabichão, saber tudo ou ter a mania que sabe;
- O mandão, mandar em todos ou ser mandado;
- O mauzão, zangar-se quando as coisas estão mal; 
- O patrão, delegar tarefas e não fazer nada; 
- A carne para canhão, assumir sozinho as responsabilidades de uma situação de patrulha; 

                      Para os que estão tendo a felicidade de acertar meus parabéns. Bons Monitores sempre são sinais de tropas excelentes. Parodiando o livro Monitores, transcrevo o que lá está escrito - Já ouvi um Chefe Escoteiro dizer que “Designei meus Monitores tal como B-P. desejava, mas eles não são capazes de dirigir suas Patrulhas em coisa nenhuma. Na prática eu é que tenho de assumir a chefia”.
A resposta para esse queixa é a seguinte: A principal função do Chefe Escoteiro no Movimento é fazer com que seus Monitores sejam capazes de dirigir as suas Patrulhas.


                       Quando o Chefe sem experiência assume todas as funções na tropa sem consulta aos monitores, quando o Chefe não dá oportunidade para que eles deem sugestões nos programas ou acampamentos e ou outras atividades afim, quando o Chefe prefere ele mesmo tomar as decisões da Corte de Honra sem saber o que os demais pensam, eu posso garantir que o Sistema de Patrulhas está passando longe em sua tropa. Se isto acontece os resultados esperados sempre serão contrários ao que se espera na formação do jovem. Leiam muito. Conversem muito. Ouçam muito. Verão que em pouco tempo suas patrulhas estarão sem sombra de dúvida no Caminho para o Sucesso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!


Lendas Escoteiras.
Era uma vez... Um planeta azul chamado Terra!

               A vista era maravilhosa, debaixo daquele enorme castanheiro que sempre teve frutos e em um banco simples de madeira feito como uma pioneiria eterna estava sentado nosso mestre Lord Baden-Powell. Ele gostava de todas as tardes ficar ali, olhando seu planeta azul que se destacava no infinito entre milhares de estrelas brilhantes e as lembranças sempre a aflorar na sua mente. Aquela Colônia que tão singelamente batizaram de “Fraternidade” era uso fruto dos Escoteiros que um dia partiram para as estrelas. Lord Baden-Powell fazia questão de receber com um sorriso com um aperto de mão um abraço forte todos que chegavam da terra. Sorrindo dizia que armassem a barraca no campo mais verde, nas campinas mais florida ou vales dourados, onde o jorro de uma nascente ou cascata acontecia, e árvores frutíferas que proliferavam. Cada um escolhia seu próprio campo Escoteiro. Absorto em seus pensamentos Lord Baden-Powell não viu chegar seu amigo Kenneth Maclaren. Amigos de longa data desde a Guerra do Transvaal e do primeiro acampamento em Browsea, eles grandes amigos sempre se reuniam ali.

                Recebi seu recado General – Disse Kenneth. Lord Baden-Powell o olhou com carinho. Sabia que ele teve muitas propostas de outras colônias no céu, mas recusou todas. Era um amigo de verdade. – Sabe Kenneth, disse Baden-Powell, gostaria de um favor seu – Diga e eu o farei meu amigo General! – Baden-Powell riu e prosseguiu. Tem vários anos que não vou a terra e não sei como vai o escotismo por lá. Você sabe que eu quase não viajo mais e nem sei se posso ajudar os Escoteiros terrenos. Se você tiver condições tire uma semana e faça um périplo na terra observando. Tente ver como está o método e o aprender fazendo que deixei e se o sistema de patrulha está como sempre pensamos que fosse. Veja também se eles se lembram daquela gostosa tradição que um dia ensinei a todos. – Seu pedido é uma ordem general. Irei nesta semana mesmo. Kenneth se despediu não sem antes deixar lembranças a Lady Olave St. Clari Soames, a esposa de BP. Logo que ele partiu Lord Baden-Powell avistou uma tropa de chefes em curso comandada por seu outro grande amigo Chefe John Thurman. Ele sabia que John um antigo diretor de Gilwell Park era mestre em cursos deste tipo. Havia ali em sua colônia muita gente boa. Claro que problemas existem, mas ele sabia como contorná-lo.

                   Na semana seguinte foi procurado pelo amigo Kenneth. – Já de volta? Disse BP. Já General. E olhe não trago boas notícias. BP sorriu de leve. Vamos até ao nosso ponto de reunião. Você sabe que eu amo sentar embaixo daquele castanheiro. – Eu sei General, eu sei. O senhor fez questão de fazer uma réplica de um que existia em Mafeking. Lembro que o senhor adorava ficar lá sentado pensando sobre a guerra. Lord Baden-Powell sorriu. - Sente-se aqui comigo e me conte tudo! – Para dizer a verdade General não tenho muito para contar. Desde a última vez que lá estive em nosso planeta azul que o escotismo não é mais o mesmo. Estão fazendo grandes modificações. Existe uma liberdade tal que mais parece uma indisciplina assistida. Países que se dizem modernos abrem mão em varias questões que em sua época não iriam acontecer. Uma liderança mundial chamada de WOSM ou OMME tem aprontado poucas e boas. Eles não produzem nada de bom para um escotismo simples e sem riquezas.

                  BP. Já sabia deste pormenor. Não havia como mudar. – Bem continue meu amigo Kenneth, disse Lord Baden-Powell. Olhe General rodei vários países, mas demorei mais no Brasil. Francamente? Sei que o senhor nunca esteve lá e fez muito bem. Eu até que gostei de muitos chefes novos no escotismo, são voluntários de valor e tentam ao seu modo educar a mocidade. Pena que lutam só. As autoridades brasileiras desconhecem o movimento. Dizem que eles vendem biscoitos e ajudam a atravessar idosos nos sinais de trânsito. Muitas cidades aproveitam deles para plantar árvores, limpar praças, ajudar nas calamidades e carregar viveres para os necessitados. Até aí tudo bem, boas ações dos Escoteiros são sempre bem vindas. Mas acampamentos? Poucos. Muito poucos. Eles dão enorme valor aos encontros nacionais e internacionais. – Me diga falou BP sabe se o escoteirinho de Brejo Seco foi em algum deles? Nem pensar General. Tudo é muito caro e viajar de um estado a outro o custo é enorme. Contaram-me que os lideres gostam disto, sempre tem os que se sacrificam e pagam. A associação Escoteira sempre tem apoio de algumas empresas e o lucro é certo. Verdade ou não quase nunca fazem prestação de contas nestas atividades. Os mais pobres e humildes não tem vez. Lá a palavra de ordem é: - Escotismo é para ricos! - BP pensou: - Coitado do escoteirinho de Brejo Seco.

                 – Olhe General, a direção escoteira brasileira se apropriou de muitos termos e programas que o senhor fez. Registrou tudo como se eles fossem os donos. Surgiram outras associações e elas são tratadas a ferro e fogo. Todas levadas às raias dos tribunais de justiça. Mas olhe, o tempo vai ensinar a eles que o escotismo é feito de fraternidade como é feito aqui em nossa Colônia. Do nosso uniforme que usamos lá na terra foi tudo alterado. Os novos dirigentes acreditam que mudar o passado é melhorar o presente e fazer um grande escotismo no futuro. Criaram novas cores e quer saber general? São mais de dezoito tipos de uniforme a escolher. Uma pequena parte aderiu ao nosso caqui e outra a tal vestimenta que eles criaram. Quer saber general? É comum colocar o lenço e se dizer Escoteiro. Tem muita coisa general. Muita mesmo. Eles agem sem consultar ninguém. Não há transparência do que fazem. Pesquisas? Nunca existiram. Felizmente boa parte dos chefes são pais novos e desconhecem as tradições e acreditam que eles caminham na trilha do sucesso.

                  Lord Baden-Powell olhou melhor o seu planeta azul. Rezou muito. Pediu ao senhor que desse força a todos e que o escotismo fosse reconhecido no mundo para que se faça uma grande fraternidade mundial. Lady Olave estava chegando com  John Thurman. Este sorriu e disse – Eu já sabia General. Em 1954 antes de vir para cá, deixei para eles uma mensagem onde escrevi com todos os meus conhecimentos adquiridos. O chamei de os Sete Perigos. Disse tudo que poderia acontecer. Falei sobre administração, sobre centralização, Seriedade demasiada, falei sobre exclusividade transparência e austeridade. Disse o que o senhor pensava sobre o escotismo entre os pobres. Falei da sua simplicidade e do prazer do rapazes que faziam um escotismo simples. E terminei dizendo que os únicos capazes e por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Finalizei dizendo que se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficientes, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento.


                 Lord Baden-Powell de supetão perguntou ao seu amigo Kenneth: Sabe me dizer se o Osvaldo Escoteiro já chegou? – Não General, ele ainda vai ficar na terra por mais alguns anos. Ele acha que pode ajudar ainda nos erros que cometem. Mas eu acho difícil, ele não tem nenhuma condição de ser ouvido por todos. BP não disse mais nada. Não havia o que dizer. O melhor era se dirigir ao grande cerimonial de Bandeira que todas as tardes acontecia em sua colônia. Pelo menos ali a disciplina, a fraternidade e o respeito era comemorado em todos os dias da semana. – Parou cumprimentou a todos na enorme ferradura e ao comando de arriar a bandeira fez sua saudação Escoteira com orgulho. Sabia que tudo iria mudar e que mudasse para o bem. Rezou pedindo que todos se lembrem de que o escotismo não tem dono, que ele tem uma função única para rapazes e moças do mundo. Olhou de novo o planeta azul ajoelhou e pediu ao Senhor que fizesse da Terra um mundo feliz entre os Escoteiros!