HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Conversa ao pé do fogo. VII


Os fracos desistem, os guerreiros continuam, mas só os heróis vencem.

Conversa ao pé do fogo. VII

Pais, o que fazer com eles?

Já escrevi diversos artigos nos meus blogs sobre o tema. Não sei se serviram ou se simplesmente quem os leu sorriu e disse para si mesmo – Tenho outras ideias. Claro que deve ser assim. Quem não pensa e não segue seus projetos de vida e não têm objetivos nunca será nada na vida. Nem saberá como alcançá-los. Mas eles os pais são a razão da existência do Grupo Escoteiro. Infelizmente quando eles chegam veem tudo diferente. Parece que o dono de tudo é o Chefe Escoteiro. Esta é a impressão e acontece mesmo na maioria dos grupos escoteiros. É comum dizerem – “Meu” grupo, “Minha” tropa, “meu” Escoteiro, “minha” sede, comprou tudo! Ninguém disse a ele que é apenas o irmão mais "Velho". Nada mais que isto. Continuando, acho que na Loja Escoteira seja da sua região ou da nacional deve ter vários livros abordando o tema. Nos cursos hoje chamados de formação deve ter havido varias sessões para comentar e discutir o tema. Portanto o que escrevo não deve ser seguido à risca.
Mas acreditem. Vivi isto a minha vida Escoteira. Todos dizem que quem entra para o Grupo Escoteiro é o pai e não o filho. Verdade? Acreditam nisto? Eu sempre acreditei, mas o que vejo é escotistas reclamando da falta de participação deles. E ainda tem alguns a dizerem – O que fazer? O jovem é excelente! Grande Escoteiro! Os pais não ligam e eu o que faço? Claro, não o deixarei só. Se necessário sua manutenção no grupo fica por minha conta. Lindo não? Um Chefe abnegado. Mas ele está certo? Para muitos sim para mim não. Você é um voluntário. Um Escotista. Não é o pai, não é um religioso e nem é o professor ou professora dele e nunca vai substitui-los. Sua função? Colaborar no seu crescimento visando sua formação na escola, na igreja e no seu lar. Enfim você um colaborador e se o pai não entende isto tem muita coisa errada no seu modo de proceder.
É claro que em muitos grupos os pais tem receio em se aproximar. Os chefes se colocam em posição tal que são considerados “seres do outro mundo” (risos) perante aos pais. Quantos quiseram ajudar e o receio de não entender nada? Parece que escotismo é um bicho de sete cabeças! Claro, tem os outros que nem aparecem lá no Grupo Escoteiro. Culpa de quem? Do Chefe é claro. Já vi casos que um outro Chefe levou um jovem e o inscreveu dizendo – O pai é gente boa. Meu amigo ou meu irmão ou meu vizinho. Se precisarmos ele estará pronto a ajudar. É Certo isto? Totalmente errado. Conheço outros casos. O pai ou a mãe e claro na maioria das vezes sempre é a mãe, pois o pai não liga ou está ocupado. (?) Telefona ou passa rapidamente no grupo e diz – Chefe meu filho que ser Escoteiro. Pode fazer sua inscrição. Estou sem tempo agora, mas outro dia volto aqui para a gente conversar mais!
E assim vem caso sobre caso. Os erros vão se avolumando e o grupo passa a ser mantido por poucos e muitos escotistas financiando seus jovens. Um belo dia alguém em sua casa diz – Fulano! Você ganha pouco e ainda está gastando tudo no escotismo? E sua casa? Como é que ficamos? Claro, você pagou taxas dos meninos, pagou uniforme, e financiou seu próprio conhecimento técnico pagando as taxas de cursos que fez. E os pais? Para quem você está fazendo tudo isto? Para os filhos dos outros? É certo? – Meus amigos, torno a repetir quem entra para o Grupo Escoteiro são os pais, os filhos os acompanham. E só.
No dia que alguém os procurar, sejam claros. A presença de ambos é necessária. E não aceite desculpas. Serão dadas as dezenas. Quando aparecerem não faça pose de chefão. Procure sorrir, cumprimentar, apresentar-se, falar um pouco do que faz se tem família e depois ouvi-los. Deixe-os falar. Não fale nada! E só após isto, após ter uma abertura comece explicando o que é o escotismo e o que pretende. O que espera dele o pai e da mãe. O que ele o movimento fará pelos seus filhos desde que eles estejam presentes. Sem eles você não conseguirá nada.
Perca pelo menos uma hora com eles. Você está ali para isto. Se fizer tudo certo no primeiro dia um passo importante foi dado. Agora não abra uma exceção para o filho começar no primeiro dia. Eu sem um cursinho de pelo menos quatro horas com a presença de ambos não aceitava a inscrição. Mas admito que outros façam diferentes. Marquem duas semanas depois. Apresentem os pais ao grupo após o cerimonial de bandeira. Depois apresente o filho. Que o grupo os receba com uma palma Escoteira, que o filho ou a filha receba as boas vindas da sessão que vai ficar.
Teria aqui mais mil ideias, mas fica para uma continuação. Só para terminar, ligue telefone, visite. Você tem a obrigação de conhecer a família. Se conseguir ser amigo meu caro, você conseguiu tudo. E olhe, não o deixe de fora. Uma atividade social em casa dele e depois em outras se revezando. Todos levam bebidas (alcoólicas pode até ser, mas cuidado) e salgados. Tente reunir todos e quem sabe jogar? Claro porque não? Bons jogos com os pais são união e força e um belo caminho para eles no grupo. Se os pais são presentes, você terá dor de cabeça para dar função a todos. E nunca mais vai tirar do seu bolso o que pertence a sua família. E isto é muito bom! E vais sorrir nos cursos, pois pode fazer todos. Agora são os pais que pagam! Não acredita? Eu fiz assim. E conheço muitos que ainda fazem. Como diz o nosso amigo Lord Baden Powell (BP), este é o CAMINHO PARA O SUCESSO!

A empáfia de todos nós.

Não, todos nós? Claro que não. Afinal dizer que todos nos somos possuidores de arrogância, desdém, intolerância são adjetivos fortes demais. Porque não dizer que somos prudentes, discretos, humildes, circunspecto? Isto assim seria melhor. Mas seria isto mesmo o que eu queria dizer? Bem, procurei outros adjetivos e não encontrei o que queria e quem sabe hoje não estou muito inspirado. Mas vejamos será que estamos mesmos ouvindo os jovens em nossas sessões? O que? Claro que sim irão me dizer. Mas eu ainda insisto, e porque tantos se afastam? Porque não temos a maioria das sessões escoteiras em todo o país completas, sem vagas, e com isto nosso movimento iria atingir proporções excelentes dentro da comunidade?
É costume ver por aí, alguns dizendo – Eu sei o que eles querem. Eu sei o que o meu Escoteiro quer. Eu sei o que meu Monitor quer. Eu sei o que os lobinhos querem. Eles sabem que eu os entendo. Dou o meu melhor. Mas porque não temos patrulhas completas anos a fio? Agora é fácil dizer que sabe o que eles querem. Aprendemos com nossos dirigentes. Eles sempre agem assim. Dizem saber o que precisamos e o que nós queremos. Sei da boa intenção de todos, mas boas intenções? Sem polemizar vejam a ata (no site da UEB) onde se comenta o novo uniforme. Leiam calmamente. Analisem e pensem – Porque pelo menos não deram ciência ou colocaram em votação na Assembleia Nacional? Notem que alguns dos membros falam sobre isto. E no final dizem – Vamos mostrar no Jamboree. Mostrar e dizer – Eis o uniforme novo. Podem bater palmas! Só nas lojas escoteiras!
Mas não quero falar sobre uniforme. Já me enchi com os tais que se arrogam em defensores de tais atos com justificativas plenas e abrangentes que satisfazem a muitos. Eu sinto que temos uma falha muito grande em não sabermos fazer pesquisas, ouvir a todos (dependendo do tema todos setenta mil como consta no relatório) para se ter uma ideia do que fazer. Mas pesquisa não é coisa de amadores. Hoje mesmo vi um artigo do Ombudsman da Folha de São Paulo, que critica o jornal pelas pesquisas e diz coisas interessantes sobre ela – Não devemos nos impressionar com milhares de entrevistas realizadas. – É preciso saber como foi o questionário aplicado – Desconfiar sempre em pesquisas da Internet – Transparência é importante. O tema é longo, e olhem não sou um expert no assunto. Mas do jeito que anda as coisas está ruim. Atenção, nada a ver com a explicação da UEB sobre a pesquisa que fizeram do novo uniforme.
Uma vez, dirigindo um encontro de jovens (aproximadamente oitenta deles de todo o estado) o tema principal fugiu devido à liderança de dois ou três que resolveram colocar em questão o uniforme. Deixei a discussão andar. Oitenta discutindo? Nada disto. Não mais que cinco ou seis. Os demais acompanhando sem opinar. E no final chegaram à conclusão que o uniforme usado no exercito pelas forças de fronteiras (no Amazonas) seria ótimo para os seniores. Bem, no ano seguinte as mesmas discussões agora aprovaram outro. Das forças especiais americanas. Porque isto? Cada ano uma escolha? Acredito que os chefes não ensinaram para eles os valores básicos do escotismo e que dai se incluem as tradições.
Quando ouço alguém falar que sabe o que é melhor para sua tropa fico preocupado. Se verificarem bem todos que assim procederam pode ser que alguns não tiveram bons resultados finais e não foi BP quem disse que só os resultados interessam? Até hoje os resultados não foram os piores, mas também não foram os melhores. Estas mudanças quem sabe influíram no nosso crescimento quantitativo e qualitativo. Quando todos chegarem à conclusão que o Grupo Escoteiro é a parte mais importante em toda a organização e para isto ele deve ser ouvido em qualquer mudança então só assim poderemos acreditar na força do nosso movimento. Até lá parece que não temos direitos e como dizem alguns nós somos a parte que devemos preocupar como nossos jovens e fazer deles cidadãos de bem. E os dirigentes? Liberdade para fazerem o que quiserem? Normas dirigidas por uma pequena fração representativa?
Comece agora a ouvir seus jovens. Faça-o como BP nos ensinou em seus livros escoteiros. O Escotismo para Rapazes e o Guia do Chefe Escoteiro. Não acredite no que dizem alguns que eles estão ultrapassados. Não estão. Adaptações sem alterar o conteúdo são válidas. Mas ali está a essência do escotismo. Se isto não tiver mais valor, é melhor chamar de outro nome, mudar a organização e deixar de lado as bases do escotismo que deu enorme contribuição e pode ainda dar muitas contribuições na formação da juventude de uma nação. Quem se arroga como proprietária do nome Escoteiro no Brasil deveria honrar as tradições. Pelo menos isto!

O grito de Patrulha.
              O escotismo é interessante. À medida que vamos conhecendo seus estilos, seus fatos, suas histórias e tradições mais e mais vão entregando nossos corações. Ele nos conquista de tal maneira que para muitos é difícil explicar. A cada dia que vamos prestando atenção a tudo que acontece em volta, uma marca vai ficando e nunca mais sai do nosso ser. E como marca. Hoje resolvi comentar sobre o Grito de Patrulha. Isto mesmo. Sei que vocês também sabem seu valor. Aqui comento sem o intuito de ensinar. Não se ensina o que todos conhecem tão bem como eu. Gritos são tradições imutáveis. Existem para dar vida a Patrulha. É como se ela quisesse dizer: - Jovens, se unam como um todo em volta da fraternidade, aqui somos um só. E como é delicioso, agradável quando se vê uma Patrulha orgulhosa dando seu Grito de Patrulha.
             Cada tropa tem seu estilo. Cada uma tem sua história. Tem aquelas que as patrulhas ficam em circulo fechado, bastão ao meio, todos ali segurando e o Monitor eleva acima o totem da Patrulha e dão o grito. Tem outras que se formam em linha e todos olhando a frente com o Monitor com bastão levantado dão seus gritos sorrindo deliciosamente. Não importa como. Mas prestem atenção quando do grito. Por ele sabemos se a tropa está firme nos seus ideais, se a Patrulha é unida, se o oitavo artigo está ali presente sempre. Os gritos mostram muito. A valentia simpática do Monitor e o prazer e alegria do mais novo em participar.
            E quando terminam? Uma apoteose. Vejam o olhar! Vejam o orgulho de pertencer a Patrulha. Só quem esteve lá sabe como é. Não importa se o grito é longo, curto, se é em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. Mas sabem o que é mais importante? Nunca aceitar que troquem o grito. Ele é uma tradição e tradições se mantem firmes no coração de cada um. Alguém que assumiu a monitoria não gosta? O Chefe também? Mas meu amigo, quantos ali passaram e deram este grito? Você está esquecendo que eles um dia junto a outros escoteiros que aí não estão mais gritaram alto, com toda a força dos seus pulmões? Sentiram a vibração da Patrulha? O orgulho de pertencer a ela? Portanto grito não se muda nunca. É eterno. Para sempre. Forever!
           Quando Escoteiro o grito era dado sempre quando se formava. Sempre quando o jogo terminava, sempre do inicio de uma atividade. E o grito ao levantar no acampamento? Alvorada, cedo, orvalho caindo, um frio danado e lá estávamos nós. Bastão ao meio, totem levantado e gritava! Que sono meu Deus! Que frio danado! Mas o grito era dado. Com chuva ou sem chuva lá estava a Patrulha a mostrar que tinha orgulho, tinha união e seu grito nunca podia ser esquecido. Nosso grito foi marcado em montes e vales, em altas montanhas, em diversos estados, dentro de vagões em viagens intermináveis, em ajuris, em ARP, e olhe uma vez eu e um membro da Patrulha com orgulho demos nosso grito orgulhoso quando estivemos ao lado de um candidato a presidente do Brasil. Depois de eleito foi uma decepção. Mas ele ouviu nosso grito, se assustou sorriu e disse – Sempre Alerta!
          Eu sei que existem os gritos de tropa, de grupo claro todos são importantes, mas o Grito da Patrulha é único. Ele dá uma comichão no corpo, uma sensação deliciosa de ser mais um. E quando alguém vai embora? Nunca mais volta? Dá-se o grito da despedida. Sem choro, ali escoteiros e escoteiras não choram. É só uma maneira de homenagear, de mostrar que ele foi importante assim como o foi quando adentrou a Patrulha e o Monitor explicou a ele o porquê do grito, como era feito e que agora ele era mais um. E amigos, é preciso ver o olhar de um jovem novato quando do primeiro grito. Não existe nada que possa substituir o olhar, o sorriso a voz ao gritar, o ser a vibrar por dentro e dizer, agora eu sou mais um.
          Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

No esporte, existem campeões e existem heróis.

Campeões vencem porque são bons no que fazem e tiram proveito particular de suas vitórias.
Heróis vencem quando menos se espera, superam seus próprios limites, e quando recebem os louros dividem suas vitórias com uma nação inteira...



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nem tudo é o que parece.


Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!

Nem tudo é o que parece.

                Voces sabem que eu amo o escotismo. Aqui escrevo de maneira alegre, direta e honesta. Honesta no meu modo de ser. De vez em quando publico artigos que não agradam a todos. Claro, agradar todo mundo nem Jesus Cristo quando veio a terra conseguiu. Até hoje muitos que procuram portas diferentes pensam que ele nos indicou a porta certa. Também no escotismo temos o péssimo habito de prejulgar tudo antes mesmo de ter uma visão completa dos fatos. E o puritanismo? Minha nossa! Mas que falso puritanismo é esse? Ou será que não é falso e sim real?
                Quando falo em uniforme aparecem tantos a defenderem nossos dirigentes que até me orgulho da disciplina Escoteira. De olhos fechados. Lembro-me da brincadeira de seguir o Chefe. Eles têm sempre razão. Existem explicações para tudo. E isto é bom. Democracia sem reciprocidade. Lá de cima não vem nada em troca. Ninguém pergunta o porquê, como, quando e onde. Que venham às noticias, que venham as determinações. Só aplausos. Ora, por quê? Não pode haver quem discorde? O que? Temos os órgãos necessários para isto? Você já aprofundou neles para ter voz e voto? Você por acaso conseguiu colocar ideias que achou válidas ao escotismo como um todo?
                Já repisei aqui inúmeras vezes. A célula mais importante no movimento Escoteiro é o Grupo Escoteiro. Mas que importância ele tem? Hoje nas decisões nenhuma. Os adultos participantes podem participar de uma Assembleia regional. Mas nem todos têm direito a voz e voto. Ou quem sabe a voz sim, mas quando? Peça a palavra para ver quando irão prestar atenção a você e claro desde que a palavra lhe seja dada. Tente nesta assembleia apresentar sugestões. Dificilmente serão discutidas. Claro a não ser que você seja um autêntico líder, daqueles que se saem bem em publico, que arrebata multidões com sua voz. Risos.
                Às vezes eu me sinto como aquele Escoteiro que luta só.  Muitos falam o que pensam, mas sempre com receio de admoestações. E quantos casos assim aconteceram? Milhares! Tenho dados sobre isto. Ou um Diretor Técnico que ameaça ou um distrital, ou alguém da regional e até da nacional. Já sabem agora o Conselho de Ética atua e tem respaldo. Suas normas foram apresentadas a todos. É como se dissesse – Fale e eu te enquadro.
                Então, onde está o direito de discordar? Onde? Nas assembleias? Já soube de casos em que houve julgamentos neste conselho de ética onde o acusado nem ficou sabendo. Isto é democrático? Não existe direito de defesa? Se o acusado um dia procurar um profissional da área para defendê-lo então se prepare. Será para sempre um pária (indivíduo excluído da sociedade, marginal) Mas ainda não chegamos a tanto, ou será que chegamos? Não vou entrar no mérito, mas conheço muitos casos.
                Gostamos tanto do escotismo que muitas vezes fechamos os olhos em nome de uma disciplina, de uma lei, de uma promessa. Mas é claro, o sabor de participar do movimento está lá junto aos jovens. São ela a razão de ser do movimento Escoteiro. E isto sempre alguns me lembram. Sempre falam para mim que é com eles que devemos preocupar. Acho interessante isto. O quem fazer no escotismo? Não foi para tentar ter o maior número de jovens possíveis para que a nação pudesse se orgulhar dos homens quem foram escoteiros que estou até hoje? Ou foi só para admoestar os nossos dirigentes no que fazem?
                Os que acompanham meus artigos, minhas histórias, minhas fábulas acho que já tem uma ideia do que penso. Nos jovens. Na sua luta para serem escoteiros. Nos seus sonhos para ter os mesmos direitos que os outros. Para que possam ser puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e ações, para que possam acampar, excursionar, ir aonde tantos vão, mas que só poucos terão o prazer de ir.
                 Estes puritanos que tanto criticam algumas fotos, charges ou desenhos que publico e são muito poucos com a intenção de divertir, que me perdoem afinal o Escotista não é humano? Ele tem de ter uma aparência austera, rígida e se mostrar severo com tudo? Será que não olharam em volta de sí mesmo? Tantos que não prestam atenção e nem mostram ser puritanos com vários jovens cujas frases muitas vezes estão cheias de palavrões?  Será que estão prestando atenção no que acontece com moças e rapazes em acampamentos ou mesmo reunião de sede? Será que muitos que estão no grupo ou distrito, estão no lugar certo? Podem-me dizer que existe seleção e maneira de saber se o voluntário pode ou não participar. Mas sabem que na maioria dos grupos isto não acontece.  
                 Ver os erros de outros, sentir na pele o que fazem e dizem eu até posso acreditar que alguns assim procedem, mas as providencias? As atitudes? Procuraram as autoridades responsáveis ou então preferem dizer - Tenho que me preocupar com meus meninos. Eles são a razão de tudo para eu estar aqui. Isto é bom. Uma parte feita e outra por fazer. Infelizmente não aceitamos que também somos responsáveis. E isto inclui toda a cúpula Escoteira. Desde a do grupo até a da UEB. O que Rui Barbosa escreveu um dia eu não vou me esconder atrás de suas palavras. Ele disse que sentia vergonha por ter sido educador, por ter batalhado sempre pela justiça, por primar pela verdade e agora via que muitos enveredavam pelo caminho da desonra.
                O medo não faz parte dos fortes. Eles sempre lutam pelo seu ideal. Nossos dirigentes não podem pensar que os que não pensam como eles devem ser punidos ou banidos. Ou você acredita e luta ou então será sempre um conformado com tudo acreditando que este é o caminho para o sucesso. Muitos viveram o presente o que o escotismo lhes mostrou. Desconhecem o passado suas tradições e outros não dão valor. Acreditam que as mudanças são válidas e que a modernidade assim o diz. Nada comprova que este é o caminho certo. Também não afirmo que mudanças não são válidas, mas o escotismo foi criado por Baden Powell (BP) com métodos próprios. Falar em nome dele que se fosse hoje pensaria de modo diferente é em minha opinião uma falsa ideia da verdade. Todo o contexto que eles nos legou foi deixado para trás na década de 90. Portanto dizer que agora não vai dar certo é assoberbar como dono da verdade de alguma coisa que não aconteceu.
                Não afirmo que o escotismo não pode crescer, não pode se afirmar com todas as mudanças que estão acontecendo. Só tenho receio de que cada um que assumir uma posição de direção irá pensar de maneira diferente e novas mudanças irão sempre acontecer. Tudo que é bom deve ser colocado em prática, mas o que muitas vezes é bom para mim não é para os outros. Alguém já comentou que as alterações no programa e no uniforme fizeram muitos abandonar o escotismo. Como não temos uma pesquisa confiável fica o dito pelo não dito. Mas que todos saibam, a evasão é enorme. Muito grande. Se estão saindo é porque encontram programas melhores fora do escotismo.
               Willian Allen White um filósofo disse que não devemos ter medo do amanhã porque já vimos o passado e amamos o dia de hoje. Eu vivi o escotismo por mais de 65 anos. Hoje não posso mais estar presente, mas se pudesse iria provar para mim e para todos que o escotismo que a maneira que BP planejou daria certo. O sistema de patrulhas, aprender a fazer fazendo, o rapaz e a moça responsável pela sua educação e centenas de atividades ao ar livre da maneira gostosa de Gilwell iria mudaria a maneira de pensar do jovem. Tenho certeza que em seus sonhos ele ainda sonha em ser um herói. Quem sabe um herói da floresta, um herói explorador um Indiana Jones a procurar os mais belos tesouros nos mais recônditos rincões desta nossa bela terra.
               Mas isto são sonhos. Não penso que nossos dirigente faram alguma coisa. Os que podem decidir já disse se calam. Tem até alguns que preferem se manter no anonimato para se expressarem sobre escotismo. Deixar como estar para ver como fica? Disseram-me uma vez que o medo derrota mais pessoas que qualquer coisa no mundo. Ousar e ir contra é fortalecer os que se acreditam fortes com ameaças de punição, Conselhos de Ética, e admoestações que não condiz com quem fala que o Escoteiro é cortes, amigo de todos e irmão dos demais. E eu que um dia achei que o escotismo é quem precisa de mim e não o contrário.
                 Mas como dizem todos, nem tudo que parece é. Os caminhos são muitos e a luta também, mas poucos acreditam nisto. Preferem o caminho mais fácil da obediência plena esquecendo que seguir o cego ele pode cair no buraco mais rápido do que pensa. Em um artigo meu escrevi, disse que gostaria de estar aqui para ver o que vai acontecer daqui a dez ou vinte anos. Se os resultados fossem ótimos, se neste prazo conseguíssemos atingir pelo menos 500.000 membros, se a evasão não chegasse a dez por cento, eu os abraçaria, daria os parabéns e ia dizer: - fui um tolo em ser contra. Voces é que estavam certos. Mas se por acaso nada mudasse, se o crescimento fosse uma ilusão, onde a evasão continuaria e se estivessem mudando os novos programas então eu não diria nada. Apenas lamentaria. Quem sabe sentaria na minha varanda e iria prantear ou lastimar o caminho que tomaram. Mas este não é o meu caso. Não estarei mais aqui para ver.

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."
(William Shakespeare)


quinta-feira, 7 de junho de 2012

O profissional Escoteiro e Projeto 2.000


“Viva a cada dia na sua plenitude, os problemas de ontem estão escritos na areia, varridos fora da existência pela própria mão de Deus”. As coisas do futuro que nossos corações possam temer podem ser resolvidas, todas, quando amanhã estiver aqui da nossa vida inteira, apenas estas horas – as horas de hoje.

O profissional Escoteiro e Projeto 2.000 – fasc. 74

          "Velho" vou ficar mais de um mês fora. A empresa me mandou para uma cidade no estado do Maranhão, pois abriram uma nova filial e tenho de organizar o setor de manutenção. – O "Velho" me olhou com aqueles olhos azuis, nada zombeteiros, mas mesmo assim disse – Ótimo, graças a Deus. Vou ficar livre de você por um bom tempo! Quem sabe gosta de lá e não volta nunca mais? – Gosto do "Velho". Muito. Amo como se fosse meu pai e sabia que suas palavras eram de tristeza pela minha ausência.  O "Velho" como a adivinhar o que eu pensava pela primeira vez me surpreendeu. – Olhe ele disse, vais fazer uma tremenda falta. Aprendi a gostar de você de sua maneira de ver o escotismo e hoje o considero um grande Chefe Escoteiro. Gostaria de ter tido um filho como você. Vê se não demora. Não sei quanto tempo ainda tenho nestas minhas horas extras que faço aqui na terra. Não irei embora sem me despedir de você!
         Danado de "Velho". Pegava-me assim sem mais nem menos com esta declaração. Deu vontade de levantar do meu banquinho de três pés e abraçá-lo. Forte. Dar um beijo em sua face e dizer a ele – "Velho", eu amo você como se fosse meu pai! Mas sabia que não poderia fazer isto. Ele não gostava. Nem com os netos e sua filha. Até ri no dia que a Vovó deu nele um beijo gostoso na boca. Ele ficou vermelho, sorriu de leve, não disse nada, pois a Vovó ele respeitava. Bem eu tinha um assunto que gostaria de falar com ele antes de partir. Ele também sabia que eu queria fazer alguma pergunta. O som da vitrola antiga tocava baixinho Thais: Meditation com Gheorghe Zamfir. Linda. Como toca este moço com sua flauta mágica.
       Sabe "Velho", ontem sem querer participei da reunião da diretoria do grupo Escoteiro, e eles discutiram sobre a diferença de um Escoteiro profissional e a de um profissional escoteiro. Alguém deu a ideia de quem sabe o grupo ter um. Já falamos muito sobre isto e para dizer a verdade eu mesmo fiquei em dúvida. Nunca vi em nenhum grupo um profissional assim. Já vi pessoas que trabalham na sede Escoteira. Mas sempre como administrativos. Você tem conhecimento sobre isto? – O "Velho" balançou a cabeça concordando. Escutou os acordes finais de Zamfir, me olhou com aqueles olhos azuis e os cabelos brancos caindo sobre a testa e ficou a pensar.
     - Para lhe ser sincero, falou o "Velho", acredito que nosso movimento poderia ter dado um salto bem maior em quantidade e qualidade se tivéssemos nos preocupado mais com os profissionais escoteiros. Veja bem, entendo como profissional Escoteiro alguém com uma função específica em um órgão Escoteiro, para desenvolver programas de expansão, proselitismo, arrecadação de fundos, e ser um contato entre os grupos escoteiros entre si, seja distrito, região, direção nacional ou mesmo um Grupo Escoteiro. Estou, a saber, que há poucos meses nosso órgão máximo contratou um profissional. Ótimo. Quanto tempo ficaram sem ele. Nunca é tarde para começar.
      Veja bem, estamos falando de um profissional Escoteiro e não um Escoteiro profissional. Acredito que este último está fora de cogitação por enquanto. Ele existe na Boy Scout dos Estados Unidos. Trata-se de um técnico Escoteiro e trabalha como profissional conforme é solicitado nos estados e em grupos. Chega a ponto de alguém contratá-lo para organizar uma tropa, fazer um acampamento, preparar chefes escoteiros, substituir chefes em férias ou viagem enfim múltiplas funções. Aqui acredito que eles irão demorar em existir. Agora bem diferente do Profissional Escoteiro. Sua função é outra. Para isto deve ser bem treinado, pois irá lidar na comunidade em busca de apoio financeiro e apoio logístico.
        Eles também são muito úteis com bons programa de expansão do escotismo. Isto falta para que nosso escotismo dê um grande salto, principalmente por reconhecimento das autoridades municipais, estaduais e federais. Impossível para amadores executarem esta tarefa. Vou lhe contar uma história que aconteceu comigo a muitos e muitos anos atrás. Recebemos a visita de um antigo profissional já conhecido do CIE (Conselho Interamericano de Escotismo) hoje mais conhecido como Oficina Scout Interamericana. Não sei se realmente se chama assim, mas isto não importa. Não me lembro agora do nome do profissional que nos visitou. Eu já o conhecia de outras visitas com outras finalidades. Uma pessoa muito simpática e quando vinha ao Brasil parecia pisar em ovos. Mais tarde explico por que.
        Seus lideres conseguiram em vários países através de uma grande campanha financeira e até com boa ajuda da BSA, uma quantia razoável para a expansão do escotismo na América do sul. Foi feito um plano que chamaram de Projeto 2.000. Um plano simples, mas eficaz. Deu certo em vários países menos aqui no Brasil. Vamos a ele – Contrata-se um Profissional Escoteiro que em principio deve conhecer bem o escotismo, paga-se um bom salário (acho que hoje seria por volta de dois mil e quinhentos dólares) No contrato ele receberia integral no primeiro ano, setenta por cento no segundo e no terceiro só trinta por cento. Após o quarto ano a verba seria suspensa. Ele continuaria como profissional, mas teria que fazer seu próprio salário.
         Enfim, O projeto consistia em escolher uma área, que seria denominado distrito e o profissional iria allí desenvolver o escotismo com objetivo de em menos de três anos ter dois mil escoteiros. Nota-se que a área não poderia ter nenhum grupo. O próprio Profissional do CIE iria treinar os profissionais escolhidos no Brasil, pois o projeto iria abranger mais de oito estados brasileiros. Ele o profissional iria aprender como manter contatos e se relacionar com fábricas, igrejas, comércios, empresas diversas, enfim a seara para desenvolver o escotismo na área. Ele seria responsável para arrumar sedes, chefes, diretorias e principalmente os meios necessários para prover todas as necessidades do Grupo Escoteiro no seu início. Depois a diretoria seria a responsável. Pensava-se que cada grupo Escoteiro teria por volta de cem membros. Portanto teria de ser organizado mais de 20 grupos.  De toda arrecadação que conseguisse na comunidade, teria uma porcentagem para suprir seu salário, seu escritório e futuramente auxiliares.
        Um grande plano. Foi-nos passado que deu certo em muitos países. Se desse certo no Brasil teríamos em três anos mais dezesseis mil escoteiros desta vez em grupos bem organizados e estruturados. Mas o plano não iria parar por aí. A própria UEB daria prosseguimento em outros estados e a expansão nos demais estados onde foi implantado. Belo Plano. Belo mas no papel. Aí começaram as dificuldades. Chefes Escoteiros com ciúmes do profissional. Trabalho inteiramente diferente, mas os chefes não viam isso. Muitos desempregados ou mal pagos assistiam com criticas o desenrolar do Projeto. O Distrital da área achava que o outro profissional era pago e ele não. Muitas vezes dizia que era preterido pela região me razão do outro.  Vários amigos escoteiros sem condições insistindo para serem escolhidos. Os ciúmes e dúvidas também chegaram à direção regional. Algumas delas achavam que o profissional do CIE era mais importante e a palavra final nunca eram deles.
         Finalmente soube que dois estados aceitaram. Em um atingiu-se parcialmente o desejado no outro se extinguiu em menos de um ano. A índole do Chefe escoteiro em nosso país se firma muito no servir e muitos não sabem discernir entre o profissional e o Chefe Escoteiro voluntário.  Veja bem, soube que a BSA (sempre ela, mas é nosso referencial) tem centenas de profissionais Escoteiros e também muitos Escoteiros Profissionais. São designados para todos os distritos nos estados e o resultado é surpreendente. Nunca teria os cinco milhões que hoje possuem de membros se não fossem o trabalho dos profissionais escoteiros e olhe, estão lutando para em dez anos chegarem aos trinta milhões de escoteiros! Lá se faz um trabalho sério.
        Difícil no Brasil pensar assim. Somos leigos neste assunto. Vou lhe dar outro exemplo. A muitos e muitos anos atrás um estado no Brasil através do seu presidente contratou um Profissional Escoteiro com experiência em outros países. Como o Presidente era pessoa bem relacionada e um profissional experiente na comunidade e em suas empresas o sucesso não se fez esperar. Combinou-se com ele (o profissional) uma porcentagem em todas as arrecadações e se não me engando era coisa de dez por cento. Ele conseguiu tanto dinheiro que os dez por cento se transformou numa fábula de salário. Daí para os ciúmes, desavenças (ele passou também a colaborar como técnico em cursos) foi um passo. Eu mesmo fui visitá-lo uma vez. Recebeu-me muito bem e me ofereceu um uísque importado. Um absurdo na mente dos voluntários escoteiros. Quando foi eleita nova diretoria mandaram-no embora. Como dizem por aí, o leite secou. A região empobreceu.
         Na década de sessenta e setenta, um Profissional da UEB deu grande contribuição para o desenvolvimento Escoteiro no Brasil. Ficou muitos anos, pois era uma pessoa bem relacionada e amiga. Deu enorme contribuição para a formação de muitos escotistas em vários estados brasileiros onde aplicou cursos e palestras diversas. Com exceção do novo Profissional contratado pela UEB recentemente, há muitos anos não temos ninguém nesta seara. Claro, as leis trabalhistas no Brasil muitas vezes prejudicam em muito a contratação de um profissional. Não sei das regiões, mas acredito que nenhuma possui um profissional Escoteiro como se espera. Nada a comparar com funcionários executivos dos escritórios locais.
         Agora veja bem, já pensou se cada grupo tivesse um? Não precisava ser um alto executivo. Mas deveria ser alguém bem treinado para se sair bem em suas funções. Quais? Acho que deveria ter boa escolaridade e melhor se fosse curso superior. Trabalhar no comercial local da sua comunidade em busca de sócios, colaboradores e doadores ao Grupo Escoteiro. Já pensou? Mas quanto ele receberia? Salário seria impossível. Nenhum grupo teria condições de pagar um profissional assim. Mas e se lhe dessem vinte por cento de tudo que conseguisse? Será que os grupos topariam? Mesmo? Acredita nisto? E se amanhã ou depois ele conseguisse arrecadar mais de trezentos mil por ano? Muito? Menos? E ele ficaria com vinte por cento?
        Claro que haveria gritos, sussurros, reclamações, pois dificilmente a maioria dos escotistas dos grupos escoteiros no Brasil atingem um salário como o executivo iria receber. E depois até onde ele iria? Conseguido os valores programados poderia abrir um escritório seu ou ficaria no próprio grupo? E o Diretor Técnico? Os Presidentes? Passariam a exigir dele como exigem do voluntário? Ouve uma época que a UEB desenvolveu um Curso de Profissional Escoteiro. Não conheci o curriculum do curso. Os resultados foram pífios. Não sei se deram continuidade. Muitos senões, muitos ventos a favor. O "Velho" parou de falar. Para mim seria um tema que achava deveria ser obrigatório em todos os órgãos escoteiros. Nunca seriamos nada em termos de quantidade e qualidade para comparar a tantos outros países sem bons profissionais escoteiros em número razoável atuando em todo Brasil.
          Nenhum plano de expansão teria êxito sem eles. Não sei o que estão fazendo, quais os planos, objetivos, mas seria bom que todos pensassem a respeito. Um profissional hoje é um pingo d’água no oceano. Tomei um café rapidamente e me despedi do "Velho". Um abraço afetuoso e fraternal. "Velho"! Eu disse, eu voltarei! O "Velho" riu, mas vi em seus olhos pequena gotas de lagrimas escondidas. Desci as escadas sem olhar para trás. A lua enorme mostrava toda sua força provando que Deus existe. Um vento frio e gostoso soprava em uma brisa leve e intermitente. Um profissional Escoteiro será que eu poderia ser um? Risos. Acho que não. Os jovens são meus preferidos. Um mês e quinze dias sem ver o "Velho". Meu coração ia aguentar?
“Siga tranquilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio”. Tanto quanto possível sem se humilhar, mantenha boas relações com todas as pessoas. Fale a sua verdade mansa e claramente e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, pois eles também têm sua própria história.