HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Conversa ao pé do fogo. VII


Os fracos desistem, os guerreiros continuam, mas só os heróis vencem.

Conversa ao pé do fogo. VII

Pais, o que fazer com eles?

Já escrevi diversos artigos nos meus blogs sobre o tema. Não sei se serviram ou se simplesmente quem os leu sorriu e disse para si mesmo – Tenho outras ideias. Claro que deve ser assim. Quem não pensa e não segue seus projetos de vida e não têm objetivos nunca será nada na vida. Nem saberá como alcançá-los. Mas eles os pais são a razão da existência do Grupo Escoteiro. Infelizmente quando eles chegam veem tudo diferente. Parece que o dono de tudo é o Chefe Escoteiro. Esta é a impressão e acontece mesmo na maioria dos grupos escoteiros. É comum dizerem – “Meu” grupo, “Minha” tropa, “meu” Escoteiro, “minha” sede, comprou tudo! Ninguém disse a ele que é apenas o irmão mais "Velho". Nada mais que isto. Continuando, acho que na Loja Escoteira seja da sua região ou da nacional deve ter vários livros abordando o tema. Nos cursos hoje chamados de formação deve ter havido varias sessões para comentar e discutir o tema. Portanto o que escrevo não deve ser seguido à risca.
Mas acreditem. Vivi isto a minha vida Escoteira. Todos dizem que quem entra para o Grupo Escoteiro é o pai e não o filho. Verdade? Acreditam nisto? Eu sempre acreditei, mas o que vejo é escotistas reclamando da falta de participação deles. E ainda tem alguns a dizerem – O que fazer? O jovem é excelente! Grande Escoteiro! Os pais não ligam e eu o que faço? Claro, não o deixarei só. Se necessário sua manutenção no grupo fica por minha conta. Lindo não? Um Chefe abnegado. Mas ele está certo? Para muitos sim para mim não. Você é um voluntário. Um Escotista. Não é o pai, não é um religioso e nem é o professor ou professora dele e nunca vai substitui-los. Sua função? Colaborar no seu crescimento visando sua formação na escola, na igreja e no seu lar. Enfim você um colaborador e se o pai não entende isto tem muita coisa errada no seu modo de proceder.
É claro que em muitos grupos os pais tem receio em se aproximar. Os chefes se colocam em posição tal que são considerados “seres do outro mundo” (risos) perante aos pais. Quantos quiseram ajudar e o receio de não entender nada? Parece que escotismo é um bicho de sete cabeças! Claro, tem os outros que nem aparecem lá no Grupo Escoteiro. Culpa de quem? Do Chefe é claro. Já vi casos que um outro Chefe levou um jovem e o inscreveu dizendo – O pai é gente boa. Meu amigo ou meu irmão ou meu vizinho. Se precisarmos ele estará pronto a ajudar. É Certo isto? Totalmente errado. Conheço outros casos. O pai ou a mãe e claro na maioria das vezes sempre é a mãe, pois o pai não liga ou está ocupado. (?) Telefona ou passa rapidamente no grupo e diz – Chefe meu filho que ser Escoteiro. Pode fazer sua inscrição. Estou sem tempo agora, mas outro dia volto aqui para a gente conversar mais!
E assim vem caso sobre caso. Os erros vão se avolumando e o grupo passa a ser mantido por poucos e muitos escotistas financiando seus jovens. Um belo dia alguém em sua casa diz – Fulano! Você ganha pouco e ainda está gastando tudo no escotismo? E sua casa? Como é que ficamos? Claro, você pagou taxas dos meninos, pagou uniforme, e financiou seu próprio conhecimento técnico pagando as taxas de cursos que fez. E os pais? Para quem você está fazendo tudo isto? Para os filhos dos outros? É certo? – Meus amigos, torno a repetir quem entra para o Grupo Escoteiro são os pais, os filhos os acompanham. E só.
No dia que alguém os procurar, sejam claros. A presença de ambos é necessária. E não aceite desculpas. Serão dadas as dezenas. Quando aparecerem não faça pose de chefão. Procure sorrir, cumprimentar, apresentar-se, falar um pouco do que faz se tem família e depois ouvi-los. Deixe-os falar. Não fale nada! E só após isto, após ter uma abertura comece explicando o que é o escotismo e o que pretende. O que espera dele o pai e da mãe. O que ele o movimento fará pelos seus filhos desde que eles estejam presentes. Sem eles você não conseguirá nada.
Perca pelo menos uma hora com eles. Você está ali para isto. Se fizer tudo certo no primeiro dia um passo importante foi dado. Agora não abra uma exceção para o filho começar no primeiro dia. Eu sem um cursinho de pelo menos quatro horas com a presença de ambos não aceitava a inscrição. Mas admito que outros façam diferentes. Marquem duas semanas depois. Apresentem os pais ao grupo após o cerimonial de bandeira. Depois apresente o filho. Que o grupo os receba com uma palma Escoteira, que o filho ou a filha receba as boas vindas da sessão que vai ficar.
Teria aqui mais mil ideias, mas fica para uma continuação. Só para terminar, ligue telefone, visite. Você tem a obrigação de conhecer a família. Se conseguir ser amigo meu caro, você conseguiu tudo. E olhe, não o deixe de fora. Uma atividade social em casa dele e depois em outras se revezando. Todos levam bebidas (alcoólicas pode até ser, mas cuidado) e salgados. Tente reunir todos e quem sabe jogar? Claro porque não? Bons jogos com os pais são união e força e um belo caminho para eles no grupo. Se os pais são presentes, você terá dor de cabeça para dar função a todos. E nunca mais vai tirar do seu bolso o que pertence a sua família. E isto é muito bom! E vais sorrir nos cursos, pois pode fazer todos. Agora são os pais que pagam! Não acredita? Eu fiz assim. E conheço muitos que ainda fazem. Como diz o nosso amigo Lord Baden Powell (BP), este é o CAMINHO PARA O SUCESSO!

A empáfia de todos nós.

Não, todos nós? Claro que não. Afinal dizer que todos nos somos possuidores de arrogância, desdém, intolerância são adjetivos fortes demais. Porque não dizer que somos prudentes, discretos, humildes, circunspecto? Isto assim seria melhor. Mas seria isto mesmo o que eu queria dizer? Bem, procurei outros adjetivos e não encontrei o que queria e quem sabe hoje não estou muito inspirado. Mas vejamos será que estamos mesmos ouvindo os jovens em nossas sessões? O que? Claro que sim irão me dizer. Mas eu ainda insisto, e porque tantos se afastam? Porque não temos a maioria das sessões escoteiras em todo o país completas, sem vagas, e com isto nosso movimento iria atingir proporções excelentes dentro da comunidade?
É costume ver por aí, alguns dizendo – Eu sei o que eles querem. Eu sei o que o meu Escoteiro quer. Eu sei o que meu Monitor quer. Eu sei o que os lobinhos querem. Eles sabem que eu os entendo. Dou o meu melhor. Mas porque não temos patrulhas completas anos a fio? Agora é fácil dizer que sabe o que eles querem. Aprendemos com nossos dirigentes. Eles sempre agem assim. Dizem saber o que precisamos e o que nós queremos. Sei da boa intenção de todos, mas boas intenções? Sem polemizar vejam a ata (no site da UEB) onde se comenta o novo uniforme. Leiam calmamente. Analisem e pensem – Porque pelo menos não deram ciência ou colocaram em votação na Assembleia Nacional? Notem que alguns dos membros falam sobre isto. E no final dizem – Vamos mostrar no Jamboree. Mostrar e dizer – Eis o uniforme novo. Podem bater palmas! Só nas lojas escoteiras!
Mas não quero falar sobre uniforme. Já me enchi com os tais que se arrogam em defensores de tais atos com justificativas plenas e abrangentes que satisfazem a muitos. Eu sinto que temos uma falha muito grande em não sabermos fazer pesquisas, ouvir a todos (dependendo do tema todos setenta mil como consta no relatório) para se ter uma ideia do que fazer. Mas pesquisa não é coisa de amadores. Hoje mesmo vi um artigo do Ombudsman da Folha de São Paulo, que critica o jornal pelas pesquisas e diz coisas interessantes sobre ela – Não devemos nos impressionar com milhares de entrevistas realizadas. – É preciso saber como foi o questionário aplicado – Desconfiar sempre em pesquisas da Internet – Transparência é importante. O tema é longo, e olhem não sou um expert no assunto. Mas do jeito que anda as coisas está ruim. Atenção, nada a ver com a explicação da UEB sobre a pesquisa que fizeram do novo uniforme.
Uma vez, dirigindo um encontro de jovens (aproximadamente oitenta deles de todo o estado) o tema principal fugiu devido à liderança de dois ou três que resolveram colocar em questão o uniforme. Deixei a discussão andar. Oitenta discutindo? Nada disto. Não mais que cinco ou seis. Os demais acompanhando sem opinar. E no final chegaram à conclusão que o uniforme usado no exercito pelas forças de fronteiras (no Amazonas) seria ótimo para os seniores. Bem, no ano seguinte as mesmas discussões agora aprovaram outro. Das forças especiais americanas. Porque isto? Cada ano uma escolha? Acredito que os chefes não ensinaram para eles os valores básicos do escotismo e que dai se incluem as tradições.
Quando ouço alguém falar que sabe o que é melhor para sua tropa fico preocupado. Se verificarem bem todos que assim procederam pode ser que alguns não tiveram bons resultados finais e não foi BP quem disse que só os resultados interessam? Até hoje os resultados não foram os piores, mas também não foram os melhores. Estas mudanças quem sabe influíram no nosso crescimento quantitativo e qualitativo. Quando todos chegarem à conclusão que o Grupo Escoteiro é a parte mais importante em toda a organização e para isto ele deve ser ouvido em qualquer mudança então só assim poderemos acreditar na força do nosso movimento. Até lá parece que não temos direitos e como dizem alguns nós somos a parte que devemos preocupar como nossos jovens e fazer deles cidadãos de bem. E os dirigentes? Liberdade para fazerem o que quiserem? Normas dirigidas por uma pequena fração representativa?
Comece agora a ouvir seus jovens. Faça-o como BP nos ensinou em seus livros escoteiros. O Escotismo para Rapazes e o Guia do Chefe Escoteiro. Não acredite no que dizem alguns que eles estão ultrapassados. Não estão. Adaptações sem alterar o conteúdo são válidas. Mas ali está a essência do escotismo. Se isto não tiver mais valor, é melhor chamar de outro nome, mudar a organização e deixar de lado as bases do escotismo que deu enorme contribuição e pode ainda dar muitas contribuições na formação da juventude de uma nação. Quem se arroga como proprietária do nome Escoteiro no Brasil deveria honrar as tradições. Pelo menos isto!

O grito de Patrulha.
              O escotismo é interessante. À medida que vamos conhecendo seus estilos, seus fatos, suas histórias e tradições mais e mais vão entregando nossos corações. Ele nos conquista de tal maneira que para muitos é difícil explicar. A cada dia que vamos prestando atenção a tudo que acontece em volta, uma marca vai ficando e nunca mais sai do nosso ser. E como marca. Hoje resolvi comentar sobre o Grito de Patrulha. Isto mesmo. Sei que vocês também sabem seu valor. Aqui comento sem o intuito de ensinar. Não se ensina o que todos conhecem tão bem como eu. Gritos são tradições imutáveis. Existem para dar vida a Patrulha. É como se ela quisesse dizer: - Jovens, se unam como um todo em volta da fraternidade, aqui somos um só. E como é delicioso, agradável quando se vê uma Patrulha orgulhosa dando seu Grito de Patrulha.
             Cada tropa tem seu estilo. Cada uma tem sua história. Tem aquelas que as patrulhas ficam em circulo fechado, bastão ao meio, todos ali segurando e o Monitor eleva acima o totem da Patrulha e dão o grito. Tem outras que se formam em linha e todos olhando a frente com o Monitor com bastão levantado dão seus gritos sorrindo deliciosamente. Não importa como. Mas prestem atenção quando do grito. Por ele sabemos se a tropa está firme nos seus ideais, se a Patrulha é unida, se o oitavo artigo está ali presente sempre. Os gritos mostram muito. A valentia simpática do Monitor e o prazer e alegria do mais novo em participar.
            E quando terminam? Uma apoteose. Vejam o olhar! Vejam o orgulho de pertencer a Patrulha. Só quem esteve lá sabe como é. Não importa se o grito é longo, curto, se é em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. Não importa mesmo. Mas sabem o que é mais importante? Nunca aceitar que troquem o grito. Ele é uma tradição e tradições se mantem firmes no coração de cada um. Alguém que assumiu a monitoria não gosta? O Chefe também? Mas meu amigo, quantos ali passaram e deram este grito? Você está esquecendo que eles um dia junto a outros escoteiros que aí não estão mais gritaram alto, com toda a força dos seus pulmões? Sentiram a vibração da Patrulha? O orgulho de pertencer a ela? Portanto grito não se muda nunca. É eterno. Para sempre. Forever!
           Quando Escoteiro o grito era dado sempre quando se formava. Sempre quando o jogo terminava, sempre do inicio de uma atividade. E o grito ao levantar no acampamento? Alvorada, cedo, orvalho caindo, um frio danado e lá estávamos nós. Bastão ao meio, totem levantado e gritava! Que sono meu Deus! Que frio danado! Mas o grito era dado. Com chuva ou sem chuva lá estava a Patrulha a mostrar que tinha orgulho, tinha união e seu grito nunca podia ser esquecido. Nosso grito foi marcado em montes e vales, em altas montanhas, em diversos estados, dentro de vagões em viagens intermináveis, em ajuris, em ARP, e olhe uma vez eu e um membro da Patrulha com orgulho demos nosso grito orgulhoso quando estivemos ao lado de um candidato a presidente do Brasil. Depois de eleito foi uma decepção. Mas ele ouviu nosso grito, se assustou sorriu e disse – Sempre Alerta!
          Eu sei que existem os gritos de tropa, de grupo claro todos são importantes, mas o Grito da Patrulha é único. Ele dá uma comichão no corpo, uma sensação deliciosa de ser mais um. E quando alguém vai embora? Nunca mais volta? Dá-se o grito da despedida. Sem choro, ali escoteiros e escoteiras não choram. É só uma maneira de homenagear, de mostrar que ele foi importante assim como o foi quando adentrou a Patrulha e o Monitor explicou a ele o porquê do grito, como era feito e que agora ele era mais um. E amigos, é preciso ver o olhar de um jovem novato quando do primeiro grito. Não existe nada que possa substituir o olhar, o sorriso a voz ao gritar, o ser a vibrar por dentro e dizer, agora eu sou mais um.
          Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer!

No esporte, existem campeões e existem heróis.

Campeões vencem porque são bons no que fazem e tiram proveito particular de suas vitórias.
Heróis vencem quando menos se espera, superam seus próprios limites, e quando recebem os louros dividem suas vitórias com uma nação inteira...