HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sábado, 30 de janeiro de 2016

A mística no Cerimonial da Promessa.


Conversa ao pé do fogo.
A mística no Cerimonial da Promessa.

                    A promessa escoteira não tem segredos. Todos que participam do Escotismo a fizeram. Cada um tem sua lembrança do dia especial e outros mais ainda. No passado o Manual de Cerimônias era nossa bíblia. Nos cursos, nas alcateias tropas seja onde for a Promessa tinha sua forma de realizar. Não tenho nenhuma dúvida que a promessa é para o jovem ou adulto uma forma de deixá-lo mais lobo, Escoteiro, ou mesmo um adulto feliz na filosofia escoteira. Vejo que muitos que saíram do escotismo seja por qual motivo for ainda guardam boas lembranças do dia de sua promessa. Cada um tem uma história para contar. Hoje sem pesquisar penso que a promessa virou um lugar comum. Sempre em um Cerimonial de Bandeira, todos os presentes e o dirigente toma a promessa. Alguns dão a responsabilidade ao Chefe da Tropa ou Alcatéia, outros tomam a iniciativa e fazem da promessa uma cerimonia sua e não do promessado.

                   Não estou reprovando ou desaprovando, pois sei que cada um faz conforme aprendeu. Dificilmente alcateias ou tropas fogem do estereótipo padrão que viram fazer ou que até eles mesmos fizeram. A liberdade criativa baseada na descoberta ou mesmo na mística praticamente deixou de existir. Pelo menos vejo que alguns ainda mantém algumas tradições que fazem da promessa um dia muito especial para o promessado. A promessa em si em feita pelo Chefe da sessão. Seja ele da Alcatéia ou Tropa. Exceção para as promessas de adultos que são feitas pelo Diretor Técnico. Digo isto em experiência de anos vendo estudando e aprendendo diversos tipos de promessas tomadas em nosso país. Afinal quem é a figura mais importante para o menino ou menina? Claro que é seu Chefe. Agora o Diretor Técnico representa o grupo e, portanto ele deve ser o responsável pela entrega do lenço. Não esquecer o monitor que representando a patrulha entrega o distintivo de patrulha ou matilha correspondente. Fica para o Chefe tomar a promessa e entregar o distintivo de promessa. A entrega do certificado depende da tradição da sessão.

                            Muitos utilizam depois da promessa dar o grito da patrulha do promessado ou um Grande Uivo, pois afinal é dia de festa na Alcatéia. Não sei por que muitos Grupos Escoteiros insistem em fazer as promessas com todos os membros do grupo presente em um cerimonial. Para mim enfadonho demorado e muitos desligados da cerimonia que está a se realizar. Sou mais aquele de promessar alguém somente com sua sessão presente. Afinal aí sim todos estarão imbuídos no sentido da importância do dia. É o dia dele, ou dela, do promessado. Merece todas as honras e lembranças. A sessão valoriza mais.  Abro exceções para os pais apesar de que nunca os convidei para isto a não ser a entrega de distintivos especiais. Uma boa cerimonia de promessa é aquela simples, que marca que bate fundo em todos os presentes, que simboliza o nascer de um novo lobo ou Escoteiro dentro dos princípios que regem o escotismo em sua forma lírica e mística. Cerimonias demoradas, cansativas onde se esquece da importância do jovem e o adulto sem perceber toma lidera como se ali o dia fosse seu.

                            Não me esqueço de dizer que nenhuma promessa é feita sem uma boa preparação do noviço. Ela está definida nas normas do programa Escoteiro e a participação do monitor ou do primo é primordial. São eles que podem dizer se o jovem está pronto para ser promessado. Ai está uma das bases de responsabilidade dos graduados. Em nenhuma hipótese a promessa é feita sem um bom bate papo, sem uma conversa amiga, sem ver realmente até quando o jovem está preparado para tal. Não é preciso apressar. Vai ser um dia único e a preparação faz parte da motivação e permanência do promessado. Eu costumava e aconselhava em cursos e visitas ou mesmo em indabas ou seminários que não poderia haver nenhum tipo de exceção para vestir o uniforme ou mesmo peças antes da promessa. Isto motiva por demais, o jovem ou a jovem que sonha com o dia e quando vai portar seu uniforme ou vestimenta escoteira.

                              Por outro lado dou muito valor às promessas feitas de maneira diferente, com simbolismo e mística criadas como uma espécie de tradição na sessão escoteira ou Alcatéia de lobos. Conheci tropas que só faziam suas promessas em fogo de conselho. O noviço aprendia a montar uma pequena fogueira, ascendia com um ou dois palitos de fósforos e então a cerimonia iniciava. Sobre o manto da noite, com as estrelas piscando no céu, um Chefe receptivo ao sorriso do interessado, com perguntas francas e diretas e um final apoteótico tais como o uso de espadas para dar uma conotação empírica, com bandeira nacional desfraldada por outros jovens ou caída e desfraldada através de um cabo de uma árvore próxima. Isto marca e muito mais quando ao final o Escoteiro é convidado a pular a fogueira com toda a Tropa saudando o novo promessado com seu grito de guerra usual. Já vi também promessas feitas em altos picos, em grandes florestas, já vi uma que foi feita somente por sinais próximo a uma grande cachoeira cujo ribombar ficou marcado para sempre na lembrança do Escoteiro.

                               Nunca esqueci uma vez que fui fazer uma atividade com monitores na Gruta de Maquiné em Minas Gerais, e no salão das Fadas fiquei emocionando ao encontrar uma Alcatéia fazendo duas promessas de lobos. Incrível como foi realizada. Tocou-me profundamente. Foi tão lindo que me lembrei das palavras de Guimarães Rosa que disse: - E, mais do que tudo, a Gruta do Maquiné - tão inesperadamente grande, com seus sete salões encobertos, diversos, seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos de luz – ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais glória resplandecente do que uma festa, do que uma igreja.” Tive a oportunidade de assistir a tantas cerimonias de Alcatéia muitas feitas de maneira diferente que penso sempre comigo se aqueles lobos que orgulhosamente fizeram suas promessas se a esqueceram ou se elas se perderem com o tempo que para eles foi o melhor em suas vidas.


                             Não tenho o dom da verdade. Só posso aconselhar com o que vi e tive a honra de um dia estar presente em alguma promessa das centenas de tropas e alcateias que conheci. A Promessa Escoteira é o ato mais sublime para um iniciante no escotismo. Ela marca para sempre. Este artigo sugere e não determina. E para terminar desculpe. Não me leve a mal, mas sou totalmente contra a promessa coletiva. Até que um ou dois vá lá. O melhor é tomar a promessa só de um. É o dia dele ou dela. Não é para ser dividido com ninguém. É o dia que vai ficar marcado para sempre em toda sua vida não só escoteira, mas como de um adulto que nunca poderá esquecer que um dia ele foi privilegiado por uma promessa. A promessa que Baden-Powell nos deu com algumas modificações para nosso pais. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os dez (10) países com mais escoteiros no mundo.


Conversa ao pé do fogo.
Os dez (10) países com mais escoteiros no mundo.

                 Dizem que já ultrapassamos a casa dos vinte e oito (28) milhões de escoteiros em todo o mundo. São 216 países. Isto nos enche de orgulho e torcemos para o Brasil sair de seu sobe e desce dos oitenta mil membros participantes. Cada país tem sua história, alguns apolíticos alguns ligados a alguma associação ou ONG do País outros dependentes de colaboração governamental.  Em todas as partes do mundo se discute qual o melhor caminho para que o escotismo possa ser aplicado em sua totalidade sem interferências no seu programa e método. Seria um tema para uma boa discussão entre os participantes do movimento Escoteiro brasileiro. Mas sabemos que isto é impossível hoje, pois são poucos que podem opinar. Quem sabe um dia seremos convidados para fazer com todas unidades Escoteiras uma imensa barraca onde todos terão direito a opinar ter voz e voto. Cada um tem sua opinião. Se apolítico é bom não discuto. Agora queira ou não somos dependentes da ajuda municipal estadual e federal. Pouca é claro, mas ninguém pode negar isto.

                Pelo que os historiadores contam o Brasil estava entre os dez primeiros países que formalizaram o escotismo quando posto em pratica na Inglaterra em 1910. Durante os primeiros anos ele subsistiu nos estados cada um fazendo seu escotismo sem ter uma união nacional. Um dia sentaram a mesa e surgiu a União dos Escoteiros do Brasil. Duas associações ligadas a UEB até hoje não aceitam interferência em sua filosofia e métodos e uniformização: – Os escoteiros do Mar e os Escoteiros do Ar. Dizem alguns que quantidade não é o primordial. Pode ser que sim. Mas quantidade aliada à qualidade é sim primordial. A formação escoteira tem tudo para dar aos países que dela usufruem uma formação moral pensando que o escotismo colabora com a família, a igreja e a escola. Isto tem dado bons resultados em muitos países.

                  Vejamos os dez países que possuem o maior efetivo Escoteiro no mundo.

- Primeiro lugar – Indonésia. Oito milhões e cem mil membros escoteiros. Uma república no sudeste asiático próximo a Austrália. População de mais ou menos duzentos e cinquenta e oito milhões de habitantes.

- Segundo lugar – Estados Unidos (EUA). Cinco milhões e novecentos mil membros escoteiros. Situado na America do Norte é o país de maior riqueza do mundo. Conta com uma população de trezentos e dezenove milhões de habitantes.   

- Terceiro lugar – Índia. Tem dois milhões e quatrocentos mil membros escoteiros. Situado no continente da Ásia têm uma população de um bilhão e duzentos e cinquenta milhões de habitantes.

- Quarto lugar – Filipinas. Tem um milhão e oitocentos mil membros escoteiros. Situa-se no continente Asiático tem uma população de noventa e oito milhões e quatrocentos mil habitantes.

- Quinto lugar – Tailândia. Tem um milhão e trezentos mil membros escoteiros. Também situa-se no continente Asiático tem uma população de quase sessenta e oito milhões de habitantes.

- Sexto lugar – Bangladesh – Tem oitocentos e noventa e seis mil membros escoteiros. Sua polução está por volta de cento e cinquenta e sete milhões de habitantes. Situa-se no continente asiático e interessante, dizem que a maioria de seus habitantes são pessoas pobres que vivem mais nas áreas rurais.

- Sétimo lugar – Paquistão – Tem quinhentos e vinte e seis mil de membros escoteiros. Mais um do continente asiático. Sua população ultrapassa os cento e noventa milhões de habitantes. 

- Oitavo lugar - Reino Unido – Tem quase quinhentos mil membros escoteiros. O Reino Unido é uma ilha da Europa que abriga a Inglaterra, a Escócia e o Pais de Gales. Sua população não chega a sessenta e cinco milhões de habitantes. Foi onde surgiu o escotismo em 1908/1910 fundado pelo General Robert Baden-Powell.

- Nono lugar - Quênia – Tem duzentos e sessenta e dois mil membros escoteiros. – Localizado no continente africano têm quase quarenta e cinco milhões de habitantes. Quem sabe este número foi motivado pela escolha de Baden-Powell em morar neste país e onde partiu para o Grande Acampamento em oito de janeiro de 1941.

- Décimo lugar – Coréia do Sul – Tem duzentos e quatorze mil membros escoteiros. Localizado também na Ásia tem quase cinquenta e um milhões de habitantes.

                    Estes dados são deveras interessantes. Podemos ver que dos quase vinte e oito milhões de escoteiros no mundo em duzentos e dezesseis países os dez mais populosos escoteiramente falando abarcam quase vinte e dois milhões de escoteiros. Então ficamos com seis milhões para mais de duzentos e seis países. Um conta danadamente ruim que não fecha. O que fizeram os dez para se sobressaírem tanto? Alguns dirão que a maioria deles fizeram um escotismo de estado, disciplina rígida, onde os pais obrigam a participação. Sei não.  Queira ou não como a OMME ou WOSM a Organização Mundial escoteira alardeia que temos mais de vinte e oito milhões de Escoteiro no mundo, estes dados poderiam ser melhor explicados. Quanto ao Brasil é melhor ficar calado. Crescer aqui se tornou tabu. Risos. Desculpem mas os tais planos de metas da União dos Escoteiros do Brasil ouço falar desde 1980. Resultados? Tentem fazer um gráfico dos duzentos e dezesseis países escoteiros e coloquem lá o Brasil.


                    Bem este artigo era somente para dar uma ideia aos nossos amigos que gostam de ser informados de boas notícias Escoteiras. Boas? Claro afinal temos mais de dez países com aproximadamente setenta e cinco por cento dos escoteiros no mundo. Eu posso ter errado, mas tentei aproximar ao máximo a realidade escoteira que existe hoje. Assustei por não ver a França, a Itália, a Suíça, a Alemanha ou mesmo o México em uma escala maior de membros escoteiros. Claro que tem explicação. Eu não sei qual é. Sei sim que muitos desses países de primeiro mundo que exportam a modernidade, a liberdade de escolha, o uso de qualquer peça escoteira como uniforme (dizem que a moda agora existe no escotismo) não estão tão bem assim em número de membros. Bem eles sabem o que fazem para que o seu escotismo seja o ideal a ser copiado, coisa que dirigentes brasileiros adoram. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Seu monitor é seu amigo?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Seu monitor é seu amigo?

                            É uma pergunta não uma afirmação. Sonhamos muito com a patrulha perfeita. Ordeira, trabalhando e aprendendo entre si, onde todos procuram ser lideres e liderados. É possível isto? Pode ser, mas não é fácil. Principalmente na idade da razão que anda nossos escoteiros ou mesmo seniores e guias. Demora tempos para termos uma patrulha que confiamos apesar de que confiar devia acontecer com todas as outras. Sei que cada monitor tem seu estilo, alguns mais exigentes outros mais calmos, e muitas vezes se deixando levar por um da patrulha cuja liderança se sobressai mais. Sei que a maioria leva tudo no grito, na força, na reclamação e no choro sem razão. Bem são monitores ainda não formados, mas se entre adultos não é fácil manter uma equipe que de lá entre jovens. Um Chefe de uma Tropa próximo a minha cidade dizia: - Monitor, enquanto estiver em uma equipe, siga o exemplo de seus dedos e lembre-se de que eles não fariam nada sozinhos.

                A patrulha unida onde cada um colabora para ser mais um encontra seu caminho para o sucesso em passadas largas. Hoje devido à evasão e a falta de adestramento dos monitores se torna difícil patrulheiros ou patrulheiras que ficam por mais de um ano na patrulha. Cada Chefe sabe onde aperta seu sapato. Isto deve ser para cada um a luta constante com seus monitores. Muitos aprendem com eles e com suas ideias ouvidas através dos seus jovens sabem que estão no caminho certo. Monitor não é um bicho papão, mas tem de ser ouvido e respeitado. Ele é sim o responsável pela patrulha, fala o mesmo idioma deles, sabe o que cada um quer e o que fazer para motivá-los a continuar na patrulha por muito tempo. O bom monitor gerencia a equipe pela afetividade, compreensão e sabedoria das palavras; nunca usa palavras de desmotivação e jamais impõe sua presença como força maior; e sempre se coloca como parte da equipe e não o cabeça da mesma. Alguns exemplos para os monitores:
    
Guia - um exemplo a seguir;
Companheiro - um amigo que dá ajuda e conselhos, compreensivo;
Comunicativo - diz as suas ideias;
Leal - de confiança, preocupa-se muito com o que faz;
Democrático - respeita todas as opiniões da mesma maneira;
Humilde - não mostra a toda à gente as capacidades que tem e dá valor às dos outros;
Trabalhador - aplica-se nas suas tarefas;
Responsável - faz sempre as suas tarefas; 
Assíduo e pontual - chega na hora e não falta;
Participativo - ajuda em tudo o que é preciso, está sempre pronto.

O que o Monitor não é e nem deve ser:

- O sabichão, saber tudo ou ter a mania que sabe;
- O mandão, mandar em todos ou ser mandado;
- O mauzão, zangar-se quando as coisas estão mal; 
- O patrão, delegar tarefas e não fazer nada; 
- Carne para canhão, assumir sozinho as responsabilidades de uma situação de patrulha;

                           Pensemos no monitor bem formado como aquele que aglutina e mantem o espirito da patrulha bem alto e feliz.  “O Monitor não manda, o Monitor orienta!”. O Monitor não empurra a Patrulha. Providencia para que ela vá ao seu lado. Roland Philipps dizia:
Não deves ser nem ama-seca, nem Tenente berrão, nem domador de feras, mas apenas um irmão mais velho que conduz porque sabe, e a quem se segue porque se ama. E completa mostrando como o Monitor deve agir: - Foste eleito porque a tua patrulha gosta de ti e tem confiança em ti. Os teus elementos não esperam que sejas perfeito, mas olharão para você para se orientarem. Pequenas coisas tais como chegar no horário nas reuniões, usar o uniforme corretamente e ter sempre boa disposição é um padrão para que eles possam te copiar. Se viveres de acordo com a Lei do Escoteiro e fizeres uma boa ação diariamente, os teus patrulheiros em breve te acompanharão. Se avançares no teu sistema de progresso, é provável que eles também o façam. Ser Monitor de Patrulha significa que deverás bom – ou pelo menos esforçar-te – nas coisas que esperas que a tua patrulha faça. Bom ou mau, eles seguirão o teu exemplo. Se for um bom exemplo, todos ganharão com isso – especialmente tu.


                Baden-Powell em suas lembranças e notificações dizia que o Monitor de Patrulha que obteve êxito tem todas as possibilidades de vir a vencer na vida quando for lançado no Mundo. O Monitor de Patrulha deve ganhar autoridade entre os seus patrulheiros, não por meio de constantes ordens e gritos, mas conquistando uma ascendência sobre eles por meio da amizade pessoal e pelo exemplo que é capaz de fazer ele mesmo tudo o que manda fazer, para que cada um faça o seu trabalho animado por uma enérgica lealdade para com o seu monitor e pelo desejo de ajudá-lo. Para se conseguirem do Sistema de Patrulhas resultados de primeira qualidade, é preciso conceder aos jovens Monitores de Patrulha responsabilidade autêntica e generosa; - concedendo-lhes apenas responsabilidade parcial, não se alcançam senão resultados parciais.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Palavra de Escoteiro ou palavra de honra? “Os dez artigos da Lei Escoteira”


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Palavra de Escoteiro ou palavra de honra?
“Os dez artigos da Lei Escoteira”

          Estava acampado como sempre fazia bimensalmente com os monitores e subs da tropa. Nos acampamentos de fins de semana eu sempre ia para o Sitio do meu amigo Tornelo. – Chefe, fique a vontade, nem precisa pedir autorização. Boa aguada muitos bambus um local excelente. Eram quatro subs e quatro monitores. Eles adoravam tais acampamentos. Eu também, pois tínhamos mais tempo para conversar, aprender fazendo e trocar ideias. Ouvir adolescentes e suas necessidades eram para mim uma alegria sem par. Com esta nova rotina a tropa deu um salto em motivação e crescimento. O dia já estava no fim e a noite chegava mansa. Jantamos um belo bife com arroz que estava soltinho. Um dos subs era um cozinheiro de mão cheia. Lá pelas nove eles chegaram de mansinho na porta da minha barraca. Eu tinha feito nos outros acampamentos dois bancos de troncos grossos que encontrei cortado perto da lagoa do Jacaré. Cada um foi se assentando e um deles já colocava as batatas no fogo já aceso. Eu terminara o café e no bule esmaltado já tinha colocado junto à fogueira pequena com pedras em volta para não espalhar as brasas.

          Era uma rotina que todos gostavam de participar. Ali ficamos conversando até que um Monitor me perguntou – E a história de hoje Chefe? Sorri de leve. Sempre tinha uma historia para contar. – Vamos lá eu disse. Hoje iremos falar da Lei Escoteira. Uma patrulha que sempre achou que a palavra do Escoteiro vale pela sua honra. Mas o que é honra? Melhor contar a história. Eles se serviram de um biscoito de polvilho e alguns do café que estava quentinho. Um silencio se fez em volta. Mal dava para ouvir os grilos e ao longe na lagoa uma sinfonia de sapos cururus se divertiam todas as noites. – Tudo começou quando a Patrulha Onça Parda estava reunida na casa do Escoteiro Santos Dumont. Estavam lá o Monitor Rui Barbosa, e mais os Escoteiros e escoteiras Olavo Bilac, Caio Martins, Anita Garibaldi, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Era uma rotina, pois todas as quartas feiras se reuniam em casa de algum membro da patrulha.  – Chefe! Interrompeu um Monitor, mas estes nomes são verdadeiros? Olhe que todos eles fizeram parte da história do Brasil. Bem pensado Antonio. Mas faz parte da história.  

          - Bem continuando, depois de discutido as sugestões que dariam para o programa do segundo semestre, eis que Anita Garibaldi levantou um assunto – Olhem meus amigos, lembram-se da última reunião que o Chefe fez um Jogo Escoteiro usando a Lei Escoteira? – Sim, disseram todos. Mas foi um jogo meio parado disse Olavo Bilac. – Concordo disse Anita Garibaldi, mas acho que valeu para nós. Afinal somos Escoteiros e o que significa a Lei Escoteira para um escoteiro? – Uma discussão simpática começou. Falou Caio Martins, Santos Dumont, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Rui Barbosa o Monitor só observava. Ele sempre se questionou sobre a lei. Cumprir ou não cumprir? Dizia para si. Fazer o melhor possível? Quem sabe assim era mais fácil. Foi Santos Dumont que abriu o jogo – Para dizer a verdade eu não sou muito de cumprir esta lei. Ela existe para nos dar um caminho a seguir. Cumprir todos seus artigos é impossível, finalizou. – Não sei se concordo disse Olavo Bilac. Anita Garibaldi não falava nada. Só ouvia. O mesmo fazia Joana Angélica. Barbara Heliodora não concordou. – Não acho que devemos seguir pela metade. Se ela existe e nós prometemos um dia fazer o melhor possível não podemos continuar assim por toda a vida.

          Joana Angélica que pouco falava lançou um desafio – Porque não decidimos que a Lei é tudo para os Escoteiros, que falamos em honra em palavra escoteira e em ética escoteira e tentamos por dez dias cumprir a risca todos os artigos? Quem sabe, prosseguiu, poderíamos fazer uma espécie de aposta e os que perdessem pagaria para todos uma rodada de sorvetes na Sorveteria do Paulão? Todos deram opiniões. Foi Rui Barbosa quem finalizou – Se todos aprovam eu estou de acordo. Lembrem-se que faltar com um artigo da lei é questão de consciência do próprio membro da patrulha. Para isto se ele não está preparado para cumprir os dois artigos da Lei que vão reger este desafio, não vale a pena continuar. Caio Martins entrou na conversa – Seria o primeiro artigo? O Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida? – Barbara Heliodora emendou – Este mesmo e eu acrescento o segundo. O Escoteiro é leal. Sem lealdade não existe amor, amizade, fraternidade e consciência de mostrar que acredita no que faz e sabe que os outros reconhecem seu Espírito Escoteiro.

             Aprovado o desafio, a reunião de patrulha terminou com um juramento de todos com as mãos entrelaçadas – Prometo ser leal e dou minha palavra escoteira que se errar direi a todos. – Era uma quinta, dia 12 de agosto. O desafio iria durar até o dia 22 de agosto. Rui Barbosa pensativo não sabia se conseguiria cumprir. Olavo Bilac ria baixinho – Este desafio eu tiro de letra - Caio Martins dizia para si mesmo que se quisesse vencer teria que caminhar com suas próprias pernas. Santos Dumont tinha dúvidas se também iria até o final. Anita Garibaldi não tinha dúvidas. Barbara Heliodora sempre se considerou leal e achava que sempre cumpriu os artigos da lei. Joana Angélica tinha medo de suas amigas de classe. Falavam muito palavrão e sempre contavam piadas que iam contra a ética e a honra escoteira. Os dez dias se passaram. Estavam todos reunidos na casa de Joana Angélica. Era a hora do acerto de contas. Hora que cada um devia dizer se cumpriu ou não a lei escoteira.

            Rui Barbosa deu o exemplo como Monitor – Não consegui no Sétimo artigo me perdi. Tudo por causa do meu pai. Encheu-me as paciências de tal maneira que fui indelicado com ele. Pedi desculpas depois, mas já havia infligido à lei. Joana Angélica sorriu baixinho e emendou – Eu também não consegui. O quarto artigo é danado. Amigo de todos? Isto inclui aqueles que não são Escoteiros. Tive que dar um empurrão na Rebecca minha prima. Entrou no meu quarto e fez uma bagunça que só vendo. Depois me arrependi. Afinal ela só tem cinco anos! Caio Martins comedido disse que cumpriu todos. Barbara Heliodora pediu desculpas, mas não cumpriu o quinto e o oitavo artigo. Não fui cortês com minha mãe e quando ela me repreendeu na frente de todos, eu chorei por dois dias. Nem me lembrei de sorrir. Olavo Bilac disse que cumpriu sem pestanejar e se precisasse ele ficaria para sempre cumprindo a lei escoteira. Anita Garibaldi também não conseguiu. Discuti com minha professora, pois ele me deu oito em história. Merecia um dez. Por último Santos Dumont disse que cumpriu todos.


            Os monitores e subs estavam de olhos arregalados. Chefe é história verdadeira? Quer saber? Eu não sei se eu iria cumprir como muitos fizeram. Não disse sim e não e encerrei a história com todos tomando sorvete na Sorveteria do Paulão. Empanturraram-se de tanto tomar sorvete. Um silêncio profundo em volta do fogo. Ninguém disse nada. Uma coruja piou ao longe. Os sapos pararam de coaxar. O céu ficou escuro e um relâmpago riscou o ar. – Boa noite meus caros monitores, chequem suas barracas a intendência e o lenheiro. Vem uma tempestade por ai!     

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Eles estão saindo do escotismo... Por quê?


Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê?
(caso tenha interesse de conhecer todos os artigos na Fanpage Só Histórias e Contos do Chefe Osvaldo tem as quatro primeiras publicadas sobre o tema).

Considerações finais.
                     Quatro artigos publicados na Fanpage só histórias e contos do Chefe Osvaldo. Quatro temas tentando analisar o porquê eles estão saindo do escotismo. Milhares leram ou tomaram conhecimento. Este último resolvi publicar em todos meus grupos e páginas. Em 2014 perdemos em um só ano mais de 5.720 associados. Comparativamente tivemos anos com melhores números. Dizem que em 2015 voltamos ao patamar de 2013. Não sei. Um sobe e desce que não se explica. Pode ser que alguns dos que saíram ainda estejam fazendo escotismo. Desistiram do registro ou desistiram da UEB? Claro que ela não reconhece sua culpa. Sabe que muitos perceberam este êxodo, mas não dá o braço a torcer. Para ela tudo continua um mar de rosas. Ela é Incapaz de vir a público para reconhecer que suas mudanças não deram resultados. Sabíamos da evasão a tempos, um entra outro sai. Agora a debandada foi demais (2014). Ela foi prepotente em colocar no seu relatório que estão crescendo. Falta-lhe humildade para reconhecer seus erros? Sei que teremos sempre os defensores a explicarem os motivos. A CULPA SÃO DOS CHEFES! NÃO ESTÁ SATISFEITO? VÃO RECLAMAR NA ASSEMBLÉIA. SE ACHAREM QUE PODEM MUDAR CANDIDATEM-SE E ALTERE O QUE PRECISA SER ALTERADO! Como diz um comediante: È bonito isto? Ou melhor... Faça-me de bobo que eu gosto!

                   Eu acredito que muitas das causas não foram só dela. Ainda temos uma plêiade de chefes que não se preocupam. Deixam acontecer sem tomar nenhuma atitude. São culpados? B-P recordava que devemos ver além da ponta do nosso nariz. Se ouve falta de bons cursos, transparência, pesquisas, consultas as bases isto foi resultado da politica da UEB. Muitos jovens deixam o escotismo porque os chefes não estavam preparados para aplicar um programa que motivador. Esqueceram-se das atividades ao ar livre, dos acampamentos, das atividades aventureiras e até mesmo o Lobismo deixou de lado a mística tão criativamente criada por Rudyar Kliping. Colocaram em suas mentes que o mundo mudou que o jovem é outro. Só esqueceram-se de consulta-lo se era isto mesmo que ele queria. Tudo hoje se tornou didático diferente do espírito aventureiro que o escotismo sempre ofereceu. O sistema de patrulhas foi esquecido. Tudo que antes valia pela motivação foi cancelado. As provas viraram um amontoado de coisas sem finalidade. Aprender fazendo é coisa de quatro mãos. Repito todos falam pelo jovem só ele mesmo não fala por si. Apareceram chefes com ideias fantásticas. Sempre com as soluções que aplicadas dão em nada. Alardeiam o novo programa, refazem, usam de palavras enviesadas para dizer que agora sim o escotismo será outro. Mudaram normas, mudaram nossas velhas tradições, distintivos foram jogados no baú das antiguidades. Os uniformes foram refeitos e chamados pomposamente de Vestimenta. Tudo isto sem perguntar, sem pesquisar. Simplesmente disseram: - Agora é assim!

                   Vemos uma parafernália do marketing da UEB em suas ações. Marketing inacessível para muitos mortais cuja luta pela vida é desigual. Os cursos, as atividades regionais e nacionais e até internacionais não alcançam o Escoteiro mais humilde. Tudo agora tem a preocupação de fazer um caixa forte sem retorno ao que esperamos do nosso crescimento e credibilidade junto à sociedade brasileira. Não tenho dados concretos, mas penso que o jovem cansou e nem tem mais a motivação de continuar. O jovem não é tolo. Ele e ela sabem perfeitamente se ali é seu lugar. Existem grupos e grupos, uns mais outros menos. Mas a grande maioria que a UEB usufruiu dos números anuais para alardear o crescimento veio destes mais pobres. Aqueles que lutam por um lugar ao sol. Para eles não interessa se serão Grupo Padrão Ouro, ou Prata, ou Bronze. Querem sim fazer escotismo, mas não sabem como fazer. Enquanto no sudeste e no sul se esbanja Grupos Escoteiros bem formados cheios de pompa o mesmo não acontece em estados longínquos. 

                     A gama enorme de novos chefes voluntários fez deles (nem todos) muitos sonhadores em fazer o escotismo que não tiveram a oportunidade de fazer na infância. Esqueceram que eles são espectadores e seus jovens e que precisam do escotismo. Eles ainda não sabem que o jovem tem de andar com suas próprias pernas e que fazer fazendo até aprender o certo faz parte do caminho para o sucesso. Quantos já leram os livros bases do fundador? O Escotismo para Rapazes, O Caminho para o Sucesso e o Guia do Chefe Escoteiro? Estas literaturas estão aí para dar um caminho, diferente daquele que a UEB acredita. Já me disseram que o Para ser Escoteiro do Floriano de Paula hoje é procurado por muitos chefes. Poderia acrescentar o Guia do Escoteiro do Velho Lobo, O Almirante Benjamim Sodré. Estão ultrapassados? Quem sabe uma boa adaptação do passado com o presente seria a melhor solução?  Simplesmente alardear que o jovem de hoje quer outro tipo de atividade, que a parafernália eletrônica mudou muito sua maneira de pensar é querer enganar a grande evasão que acontece. O jovem ainda tem o sonho aventureiro. Esqueceram-se de perguntar a ele se a vida aventureira ainda tem seu valor na sua motivação.

                    Precisamos de uma dose de humildade e isto não faz mal a ninguém. Reconhecer os erros sempre foram fatos históricos de grandes homens da humanidade. Que eles procurem falar melhor para a aldeia escoteira e não para os pedagogos e psicólogos que sem ter vivência acham que tem a solução nas mãos. Os defensores não procuram saber se existem resultados. Saem sim que eles não existem. A população brasileira está esquecendo-se do escotismo. Na imprensa só o mal e nem mesmo a velhinha recebendo ajuda do Escoteiro foi esquecida. Não temos homens e mulheres formados na educação escoteira para dizer e confirmar que somos uma organização que pode ajudar e muito na formação de jovens. Chega desta suntuosidade, de taxas absurdas, do marketing visando arrecadação financeira. Se o passado passou então que tenhamos um presente visando nosso crescimento de maneira sadia, dentro dos princípios Badenianos que sempre tivemos sucesso.

                     Estou cansado de ouvir que não existem almoços grátis. Claro que não, mas já vi homens escoteiros inteligentes tendo a colaboração de terceiros para ajudar na formação de chefes e participação dos jovens nos eventos nacionais. Eu vi isto no passado que condenam. Não havia sede luxuosas, soberba em cobranças para custear os poderosos. Utopia? Doce utopia. Diferente do passado temos uma realidade escoteira hipócrita onde só os ricos e poderosos tem condições de participar da maiorias das atividades Escoteiras nacionais e internacionais. Já disse e repito não temos profissionais preparados para alavancar dentro da sociedade brasileira o valor do escotismo. Carecemos de bons conferencistas, oradores debatedores, não temos abertura na imprensa falada escrita e televisada. Onde estão nossos valores escoteiros na sociedade, nos meios empresariais, até mesmo politico do qual hoje ficamos sim preocupados se algum diz ter sido Escoteiro e investigado por falcatruas?


                         Precisamos deixar de lado esta mania de grandeza. Quem sabe aparece um Mahatma Gandhi ou um Martin Luther King Jr, que pela paz, pelo amor ao próximo conseguem mudar as ideologias do Grande Irmão e vencerem sem usar a força. Fico por aqui. Sempre digo que palavras são palavras e elas se perdem no tempo e na história.  É hora de mudar de rumo e voltar a minha velha seara de contador de histórias como sou conhecido. Histórias da carochinha, histórias de Sherazade, histórias épicas, histórias de Escoteiros e Lendas que ainda encantam a juventude Escoteira no Brasil. É hora de entreter a escoteirada. Eu gosto deles e de vê-los com seus olhinhos a olhar o contador de história nas luzes vermelhas da fogueira em uma floresta qualquer. Eles olhando incrédulos querendo ser uma das personagens que aparecem nas histórias. Entretanto ainda acredito. Mesmo sabendo que é um sonho porque não sonhar?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Escotismo tradicional e Escotismo de resultados.


Conversa ao pé do fogo.
Escotismo tradicional e Escotismo de resultados.

                   Escotismo tradicional. Sim. Este é o tema da moda. Cada um de nós interpreta a sua maneira. Tem aqueles que leram toda a biografia de BP e acreditam que assim deve ser feito. Outros aprenderam em seus Grupos Escoteiros e acreditam que praticam o tradicional. E tem aqueles mais esclarecidos que analisam pedagogicamente levando em consideração a evolução dos tempos. Para esses o tradicionalismo não é importante. Estes últimos acreditam que o escotismo tem de evoluir e não importa o método a ser empregado. Se ele o novo método tem dado certo nos países de primeiro mundo aqui também vai dar. Disseram-me uma vez que nosso movimento dentre outras necessidades pretende a formação e adestramento de jovens e suas lideranças. Sem menosprezar que devemos fornecer aos jovens boa cidadania, iniciativa e desenvolver suas potencialidades físicas, mentais e espirituais. Seria isso?

                            Existem algumas correntes interessantes no escotismo. Uma delas é que as técnicas utilizadas no passado, que sempre atraiu o jovem pela sua própria simplicidade hoje não fazem o mesmo efeito. Era uma linguagem fácil bem diferente dos termos técnicos e pedagógicos utilizados hoje. Era uma época da escola do aprender a fazer fazendo, a prática da demonstração e descoberta, recheada de atividades ao ar livre, aprendizado por patrulhas que se tornam uma equipe onde cada um pode aprender vivenciando a fraternidade e o aprendizado. Muitos acham que estas técnicas escoteiras idealizadas por B-P deveriam se manter atuais até hoje. Alguns dizem que o aplicado agora em termos modernos na prática ainda não deram bons resultados na aplicação. Comentam que muitos repetem essas técnicas sem colocar novos atrativos, e isto pela ausência do método a ser aplicado trouxe um enorme desinteresse para os jovens.

                            Costumo pensar muito no escotismo de resultados. Apesar de me manter fiel ao método de Baden-Powell e ter lido que ele também acreditava se os resultados forem os esperados podemos sem sombra de dúvida fazer e aplicar a nova metodologia e aplaudir. Entretanto o que vejo é que no domínio da educação somos considerados um movimento atrasado e ineficaz. Perdemos nosso rumo? Rumos definidos com crescimento satisfatório, perfeita sincronia do jovem com o adulto, motivação constante e uma permanência mais efetiva e com isto produzir os frutos que esperamos. Por mais que se diga, se tente não estamos alcançando êxito.  A cada ano, a cada década novos lideres nos trazem experiências de outros países e o que estamos vendo são resultados incompletos. São sessões vazias, entrada e saída de jovens que permanecem por pouco tempo nas lides Escoteiras, programas complicados e muito pouca atividade ao ar livre.

                         Não tenho dados dos que dizem realizar o escotismo tradicional nas diversas unidades locais em todo território Brasileiro. Aquele orgulho de um dia ter sido Escoteiro está se arrefecendo. Testemunhos são dados por muitos que se ressentiram dos métodos, dos chefes e da organização. Repetir que B-P considerava um tempo mínimo de dez anos para que o método Escoteiro pudesse ter algum resultado nos dias de hoje isto é utópico. Quando muito os jovens permanecem por um ou dois anos, mas a grande maioria fica no máximo por seis a oito meses. Resultados assim? Esqueçamos os dez anos, vamos pensar em um programa que dará consistência de permanência pelo menos por dois ou três anos. Temos? Quando teremos um programa que a maioria dos jovens quando adulto irão se orgulhar do escotismo que fizeram?

                          Quando B-P reuniu em 1907 na Ilha de Brownsea na Inglaterra vinte jovens de diferentes meios socioeconômicos e educativos, ele trouxe uma enorme contribuição educacional que na época estava estagnado. O escotismo veio dar uma nova visão mais abrangente às escolas e elas é que estão atirando partido das técnicas Escoteiras da demonstração, observação e dedução e aplicando em suas classes. Vejamos, o escotismo é uma fraternidade livremente aceita, não tem caráter de obrigação e o adulto só atua com supervisão. Alguns se ressentem pelo método idealizado por B-P e até outros lideres de outros países são citados como os verdadeiros criadores do movimento Escoteiro. Afinal era um método novo que se apresentava de uma maneira simples e que atraia os jovens pela sua própria simplicidade. Uma linguagem fácil muito afastada dos termos técnicos no mundo pedagógico e sociológico de hoje.

                                      Ajudar hoje aos jovens para que amanhã eles possam se orgulhar de terem sido escoteiros deveria ser uma meta. Se não esquecermos que o método de B-P sempre se mostrou confiável e se o aplicarmos de maneira correta não há duvida que os resultados vão aparecer.  As técnicas de aprender fazendo e tentar fazer sem saber, até descobrir o certo através do erro, sempre foram partes do método Escoteiro. Confiar no rapaz para que ele próprio seja responsável pela sua autoeducação e disciplina sempre fez parte do Escotismo. Sempre pensando em dar liberdade ao jovem para que ele próprio seja responsável pela sua autoeducação e disciplina. Liberdade ao espirito de competição e da aventura, através de jogos, acampamentos e excursões. Este é o Programa Escoteiro tradicional e que bem realizado se mantém na liderança das técnicas até hoje empregadas.

                                    Resultados aparecem com bom escotismo. Com técnicas Escoteiras bem realizadas. Ainda não temos personalidades brasileiras que no escotismo tiveram boas recordações e hoje dão seu testemunho das vantagens da formação escoteira. Precisamos ter profissionais a altura para nos representar nas diversas áreas, seja utilizando o marketing corretamente na imprensa falada escrita e televisada. Precisamos de bons profissionais para dar testemunho das vantagens do escotismo na formação da juventude. Ressentimos com a falta de bons conferencistas, homens e mulheres com trânsito livre nos meios educacionais e empresariais. Lutam por uma Frente Parlamentar, mas os resultados dela são pífios.  É impossível hoje e cobrar um passado que mesmo sendo saudosista para muitos não nos deixou grandes homens na liderança escoteira seguindo o caminho do sucesso tão esperando.


                                 Quando nos entendermos do mais alto escalão ao mais humilde Chefe de uma unidade local que conversando trocando ideias e sugestões ouvindo os jovens, pesquisando e sendo transparentes nossos objetivos serão alcançados. Cobrar hoje o escotismo de resultados é cobrar uma utopia. Nossa nação precisa urgente de homens e mulheres formados no escotismo que possuem honra caráter, ética, responsabilidade, respeito às leis, e claro formação não só moral como também ser exemplo na comunidade em que vive.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Projetos de Pioneiras


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Projetos de Pioneiras

  - Você pode ver em ambos os casos que o crescimento nunca vai se igualar, mas a verdade é que a sua maneira, cada uma dessas patrulhas estão alcançando o objetivo. - Disse o Chefe. A diferença estava à vista. Logo ao chegar ao acampamento de fim de semana, uma Patrulha nova, recém-formada, tentava fazer o melhor possível para sua instalação do campo. Às outras três, bem mais experientes, estavam bem à frente, com quase todos os acessórios necessários prontos.

  Era um acampamento de dois dias. Chegaram sábado pela manhã, e iriam retornar no domingo à tarde. No entanto, a instalação padrão sempre foi exigida. O motivo era simples: - Precisavam aprender que o campo de Patrulha seria uma extensão de suas casas e o mínimo de conforto deveria ser conseguido. Não se pretendia formar técnicos em construções e projetos, mas cada um deveria ter a mínima noção de que sua parte era importante nesta montagem de campo. Era assim o Sistema de Patrulha e assim se trabalha em equipe.

  Nada ali era improvisado. Às patrulhas em reuniões anteriores, tinham decidido o que fazer e como fazer.  Muitos dos escoteiros já conheciam bem o “Projeto de Pioneiras”, que o chefe sempre falava. “Os projetos” tanto poderiam ser de uma pequena ou uma grande pioneiria. Devia ser levados em consideração a duração do acampamento, o material que estaria disponível no campo e o programa. Tudo era muito simples, dizia o Chefe:

  - Nada de burocracia.  A experiência com o tempo facilitava muito mais a montagem de campo já que os projetos em sua maioria estavam prontos no arquivo da Patrulha. A liberdade para criar e modificar era ampla e irrestrita. Havia o básico para um acampamento de uma noite ou de mais, dependo do planejamento anual.

  - É possível que você tenha razão, - Comentou um Chefe mais experiente. - Hoje já não é possível encontrar facilidades de locais para acampamentos e principalmente em florestas com alguns tipos de madeira para corte. Mas vamos olhar para o outro lado da questão. Não pretendemos que o jovem se adestre para se preparar de uma eventual possibilidade de no futuro usar tais conhecimentos. (apesar de saber que é um excelente meio para descobrir seu potencial profissional!) A possibilidade de se perderem numa floresta é mínima.

  - A técnica de pioneirías tem a finalidade de preparar seu espírito para a vida de adulto - continuou -. Saber que às dificuldades serão vencidas, e que em qualquer ramo de atividade é necessário estar bem preparado e só assim poderá vencer na luta pela sobrevivência profissional. A inventividade faz parte do homem, mas a maturidade traz o sucesso.

  - Também não vejo tanta dificuldade em conseguir um local para pelo menos duas vezes ao ano, poder utilizar a técnica de pioneirías. Existem tantas fazendas e grandes sítios, onde algumas árvores são consideradas como “praga” que pôr mais que se corte mais ela se multiplica. Um exemplo é o “Assa peixe“, sem nenhuma utilidade e qualquer proprietário (desde que seja amigo dos escoteiros - emendou) ficaria satisfeito pela poda ou corte e não irá ser prejudicado e nem iríamos agredir o meio ambiente. Também se podem usar outros tipos de madeira, tipo eucaliptos, bambus etc. que são plantados com a finalidade de uso diversos, principalmente na construção civil. O que não se pode, é tentar formar e adestrar técnicas de campo, usando um fogareiro a gás, pois isto não traz nenhum beneficio a não ser a técnica de cozinha, e que claro também faz parte do adestramento.

  - Infelizmente, alguns de nossos Escotistas pôr não estarem devidamente preparados já que não vivenciaram tais técnicas, procuram de todas às formas motivos diversos para fazerem Camping e não acampamentos. - Posso afirmar que é possível manter um padrão técnico de pioneirías em qualquer parte do mundo. E afinal é o sonho de qualquer jovem saber que vai participar de um acampamento com padrões escoteiros, dormindo sob-barracas, fazendo sua própria comida, construindo sua cama sua cadeira sua mesa e até sua torre de observação.  

  - O importante é o trabalho em equipe. A Patrulha é a base para que esta técnica seja primordial no seu crescimento. Os chefes não podem de maneira nenhuma tentar modificar as estruturas e métodos somente porque acham que não é possível ou pode ser substituído.

  - Vou ser sincero, o que cortamos de madeira em um acampamento, claro, desde que o Projeto foi bem feito é o mínimo e não prejudica de forma alguma o meio ambiente. Quando você corta uma arvore, em alguns casos elas produzem diversas mudas que pela simples razão da natureza se multiplicam. E se você ensina aos jovens como plantares mudas, você está retribuindo em dobro o que cortou. - Devemos também ensinar aos rapazes e moças que a proteção e o respeito à natureza faz parte da formação e do “Espirito Escoteiro”.

Tive que concordar com o Chefe antigo. Escotismo é campismo na sua forma primitiva. Mudar isto seria mudar o sistema e a sua maneira de ser. Nós e amarras são técnicas escoteiras com finalidades objetivas. Se for para fazer Camping, um ou dois nós bastam para armar a barraca.


  Foi ótimo a conversa. A gente sempre aprende mais com os antigos chefes escoteiros. Projetos de Pioneirías? Apenas um esboço de patrulha. Bem guardado a sete chaves no Livro da Patrulha. Meu Adestramento estava sempre aprimorando, principalmente agora que bolei uma nova mesa de patrulha com apenas quatro pedaços de madeira de 2 metros!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Um tributo a Baden-Powell


Apenas uma pequena nota sobre o dia 08 de janeiro de 1941.
Baden-Powell - Fundador do Escotismo. Cidadão do mundo.
“Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram.”  (Baden-Powell).
Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (conhecido também apenas como Baden-Powell ou B-P) é considerado uma referencia de alguém que se importa com o próximo e com o mundo, sendo que até hoje muitas pessoas, dentro e fora do movimento escoteiro, seguem seus ideais. Nascido em Londres, no dia 22 de fevereiro de 1857, B-P foi um tenente-general do Exército Britânico e também o fundador do Escotismo.
Seu pai era o reverendo Baden Powell, professor catedrático em Oxford, e morreu quando Robert tinha aproximadamente três anos. Sua mãe, filha do almirante inglês W. T. Smyth teve de criar sozinha B-P e mais sete filhos. Robert e seus irmãos cresceram ao ar livre, recorrentemente excursionavam e acampavam em diversas localidades da Inglaterra.
Em 1870, Baden-Powell conseguiu uma bolsa de estudos e ingressou na Escola Charterhouse em Londres. Não era um estudante que se destacasse, mas era um dos mais ativos. Estava sempre metido em tudo que acontecia no pátio do colégio, e cedo se tornou popular pela sua perícia como goleiro da equipe de futebol de Charterhouse.
Dentre seus mais diversos talentos, muitos também apreciavam suas habilidades como ator. Mas B-P tinha também vocação para a música, e seu dom para o desenho permitiu-lhe mais tarde ilustrar todas as suas obras.
Além de ter uma exemplar carreira no serviço militar, chegando a capitão aos 26 anos, B-P ganhou o troféu desportivo mais desejado de toda a Índia, o troféu de “Sangrar o Porco” (caça ao javali selvagem, a cavalo, tendo como única arma uma lança curta). Aparentemente não parece algo difícil, mas este desporto é muito perigoso, basta saber que na Índia o javali selvagem tem sua ferocidade comparada com a de um tigre.
Baden-Powell e sua Esposa Olave Baden-Powell.
Em 1887, B-P participou da campanha contra os Zulus na África. Logo após foi promovido a Major em 1889, e em Abril de 1896 dirigiu uma expedição contra os Matabele em Rodésia. Esta era uma época formativa para B-P, pois muitas das idéias fundamentais do escotismo têm sua origem aqui. Nesta guerra B-P iniciou uma amizade com o escoteiro americano Frederick Russell Burnham, que mostrou a ele a maneira do Oeste americana do woodcraft (escotismo), e foi aqui que ele usou seu chapéu Stetson (chapéu comumente usado pro B-P) pela primeira vez.
Com suas habilidades e promoções no Exército, BP tornou-se famoso rapidamente. Os nativos da tribo dos Ashantis temiam-no tanto a perícia de Baden Powell como explorador, sua coragem e sua impressionante habilidade em seguir pistas, que lhe batizaram “Impisa” (“lobo-que-nunca-dorme“), mais tarde essas qualidades de B-P foram transmitidas ao Movimento Escoteiro.
Durante o ano de 1899, Baden-Powell tinha sido promovido a Coronel. Na África do Sul, as relações entre a Inglaterra e o governo da República de Transvaal tinham chegado ao ponto do rompimento. B-P recebeu ordens de organizar dois batalhões de carabineiros montados e marchar para Mafeking, uma cidade no coração da África do Sul.
B-P defendeu Mafeking durante 217 dias (a partir de 13 de outubro de 1899) na Guerra dos Bôeres. Mafeking estava cercada por forças esmagadoramente superiores do inimigo, até que tropas de socorro conseguiram finalmente abrir caminho lutando para auxiliá-lo, no dia 18 de maio de 1900.
Promovido agora ao posto de major-general, Baden Powell tornou-se um herói em seu país para adultos e crianças. Então em 1901 voltou para a Inglaterra e descobriu que a sua popularidade pessoal dera também muita popularidade ao livro que escrevera para militares: Aids to Scouting.
No ano do 1920, B-P recebeu do rei Jorge V a honra de ser elevado a barão, sob o nome de Lord Baden-Powell of Gilwell.
Quando suas forças afinal começaram a declinar, depois de completar 80 anos de idade, Baden Powell regressou à sua amada África com a sua esposa, Lady Olave Baden-Powell (falecida em 1976). B-P faleceu em oito de Janeiro de 1941, na Quênia, faltando um pouco mais de um mês para completar 84 anos de idade.
- Após o falecimento de Robert Baden-Powell (1857-1941) carinhosamente chamado de B-P, foi encontrado entre suas coisas uma carta de despedida. Dizia o seguinte:

“Escoteiros”: Se vocês tiverem visto a peça "Peter Pan", deverão estar lembrados de que o chefe-pirata estava sempre fazendo o seu "discurso de moribundo", porque receava que, possivelmente, quando chegasse a hora de ele morrer, não tivesse mais tempo para dizer tais coisas.
Acontece quase a mesma coisa comigo e, assim, e embora neste momento eu não esteja morrendo - qualquer dia destes eu morrerei -, quero enviar a vocês uma palavra de despedida. Lembrem-se de que será a última vez que vocês ouvirão minhas palavras. Portanto, pensem bem nelas. Eu tenho tido uma vida muito feliz e quero que cada um de vocês também tenha uma vida feliz. Acredito que Deus nos colocou neste mundo alegre para que sejamos felizes e para aproveitarmos a vida. A felicidade não provém do fato de ser rico, nem meramente de ter sido bem sucedido na carreira; e, tampouco, de sermos indulgentes para com nós mesmos. Um passo na direção da felicidade é o de tornar-se saudável e forte enquanto se ainda é jovem, de sorte que possa vir a ser útil e aproveitar a vida quando for homem.

O estudo da natureza mostrará a vocês quão repleto de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para vocês aproveitarem. Alegrem-se com o que receberam e façam bom proveito disso. Olhem para o lado bom das coisas, ao invés do lado ruim delas. Contudo, a melhor maneira de obter felicidade é proporcionar felicidade a outras pessoas. Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram e, quando chegar à vez de morrerem, possam morrer felizes com o sentimento de que, pelo menos, não desperdiçaram o tempo, mas fizeram o melhor que puderam. Estejam preparados, desta maneira, para viverem e morrerem felizes, sempre fiéis à Promessa Escotista, até mesmo depois que deixarem de ser jovens - e que Deus os ajude a cumpri-la. “Vosso amigo, Baden-Powell.”