HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Vestimenta? Uniforme? Traje? Chega! Isto já é passado.


Conversa ao pé do fogo.
Vestimenta? Uniforme? Traje? Chega! Isto já é passado.

               Risos será mesmo? Todos os dias me defronto com discussões sobre estes temas. Adoro todos eles. Sabe por quê? Porque os hoje dirigentes da UEB não gostam dos tradicionalistas. Fazem tudo para desmerecê-los. Em uma roda de amigos e não foi uma conversa ao pé do fogo, o que seria formidável, dois amigos comentaram sobre a vestimenta. O direito de usar, a luta pelo que viram em seu tempo Escoteiro, um grupo de caqueanos pensando em mudar e assim por diante. Foi longo o debate. Depois de tudo eu disse a eles: - Amigos não vou polemizar com vocês.  Quero que saibam que respeito o ponto de vista de cada um e espero que respeitem o meu. Contaram sua história? Tudo bem, agora vou contar a minha e porque não vou nunca usar esta vestimenta. Desculpem mas ela me dá coceiras.

             Eu vesti o caqui pela primeira vez em 1950, antes usava o azulão dos lobos. Sabe como comprei? Engraxando sapato, varrendo e capinando quintal. Com isto comprei meu chapéu, meu cantil meu meião e muitas coisas mais. Meu pai era seleiro e mal conseguíamos sobreviver. Nunca fui rico e até hoje não sou. Por tudo isto sempre tive orgulho do meu caqui. Quem sabe não como hoje que por mais humilde que seja o jovem sempre tem uma oportunidade melhor que a do passado. Com o caqui eu corri vários estados do Brasil. Andei de barco no Rio Negro e onde aportei todos disseram: - Olhe! São Escoteiros! Cozinhei estradas, montado em meu cavalo de aço a bicicleta. Acampei por mais de 800 noites. A maior das aventuras foi percorrer três estados em cima do meu cavalo andando mais de seiscentos quilômetros. Tudo em cima de um caqui. Em 1975 para satisfazer alguns que não achavam ficar bem de calça curta foi adotado o social. SOCIAL! Veja bem. Eu conheço bem a história. Estava lá. Depois ele se transformou em traje, em não sei, aos o que e tudo foi permitido. Use lenço, use qualquer camisa, a camiseta Escoteira vale, esqueça a cor e mande bala. Agora você é um Escoteiro.  Os que nunca usaram o caqui sempre na sombra estudavam uma maneira de criar algum novo. Criaram. A história de como fizeram me entristece. Sou Escoteiro, procuro ser leal e eles não foram. (vide abaixo um relato de um amigo).

            Vocês dizem que nos outros países ele está desaparecendo? Claro, lá como aqui a democracia imposta aconteceu.  E a maioria deles já usavam cores diferentes. Mas muitos deles principalmente aqueles de milhões de Escoteiros ainda usam o caqui. Dizer que a UEB copiou de outros países prefiro não dizer. Agora dizer que a democracia de escolha no grupo escoteiro é válida pode até ser. Mas o escotismo é feito de exemplo, BP foi enfático em dizer isto. Nos somos os espelhos dos jovens. Agora pensando bem a UEB não serve como exemplo. Ela não é e nunca foi democrática. Vocês sabem meus amigos os que são ligados a ela mudaram da noite para o dia. Como permanecer com alguns dirigentes e formadores com a vestimenta e como ficar com o antigo se nosso movimento para ficar bem com todos infelizmente somos obrigados a nos humilhara e até em casos especiais bajular? E o pior nunca vi tanta gente com a vestimenta tão mal uniformizada. Um exemplo que ninguém deveria seguir. Podem não acreditar, claro, vocês são almas boas e eu não. Não sonho em ser um deles. Já vivi neste meio sei como é o sonho em ser um dirigente, um formador. Mas para isto acontecer à maioria sabe como é.

Acreditem, eu não sou contra a vestimenta, claro eu não gosto dela, acho horrível, mas tem quem gosta. Afinal verde é verde e azul é azul. Se tudo fosse feito na lealdade Escoteira tudo bem. Não foi. Discutir o discutido é perder tempo. Eu só lembro a todos que a liberdade de usar aquilo que gosta é um direito. Eu Velho e longe das tropas nunca usarei. Não serei como alguns que querem ser enterrado com o caqui. Nada disto. Já pedi a Célia que desse de presente a alguém que precise. Finalmente, eu pago para ver uma autêntica democracia em um grupo, cuja direção nacional peca por não ser democrática. Mas demagogia? Não faz parte de mim.
Abaixo transcrevo o que um amigo virtual escreveu: bom para meditar.

- O que eu vejo, por exemplo, são adultos usando o novo vestuário e a tropa usando o cáqui. Ou seja, usam o novo vestuário à margem da vontade de jovens. São casos e casos. Só que não há como condenar ninguém, por exemplo, por optar por esse novo. Com a campanha desleal que a UEB fez para o novo vestuário, manipulando literatura oficial da WOSM, fazendo crer que quem optou pelo cáqui não ouviu os jovens e que são saudosistas antidemocráticos (essa veio da equipe de comunicação), fazendo crer que quem optou pelo novo é descolado, pronto pra aventura, progressista, moderno e mentindo em cima de pesquisas ou de relatórios de Jean Cassaigneau; mandando conselheiros do CAN promover o novo vestuário em unidades locais... É normal que os grupos acabem cedendo.

- Usaríamos Pink se fosse necessário, mas desde que com o aval do coletivo. Ao ver esse vestuário, como havia dito, não vejo apenas a salutar necessidade de desenhar uma roupa moderna e segura para as atividades próprias ao movimento; vejo membros do CAN engordando seu portfólio e outros da ENIC se projetando para ocupar cargos na interamericana, cargos na comunicação, cargo como assistente de espiritualidade... Enfim, para acumular cargos e satisfazer o fetiche de poder que deve ter. Vejo, também, a UEB tentar construir um mercado e seu respectivo monopólio para engordar receita. Por exemplo: Vamos como quem não quer nada, propor que se federalizem as regiões, e que possam confeccionar seu próprio uniforme ou literatura. Vocês já sabem o que aparece a partir daqui: nós somos união, isso é quebrar a Lei e a Promessa Escoteira, é ódio no coração... Mas, na verdade, é uma simples questão da UEB querer continuar a ser a única a vender insumos escoteiros no Brasil, o que caracteriza truste, e, para isso, vai ao judiciário desde 2006 brigar pelo mercantilismo.

E vocês, ao justificarem a inclusão do novo vestuário com "mas é bonitinho", "é fofuxo", "os jovens gostam", nada mais fazem do que patrocinar a mentira, que parece ser a nova forma de administração do escotismo brasileiro. Aliás. Foi decisão DOS JOVENS a inclusão desse vestuário no movimento escoteiro? Porque tiveram duas assembleias nacionais para sondar opiniões, além de ferramentas para fazer pesquisa... Mas a ENIC e a DEN não fizeram nem uma coisa nem outra.

PS - A página no Facebook construída para o novo vestuário foi retirada do ar. Talvez porque não queriam que ficasse registrado o rechaço em direção ao vestuário.


Sem maiores comentários.