HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Carta a Baden-Powell


Osasco, 24 de outubro de 2016.

Prezado amigo Baden-Powel.
Uma ótima tarde para você aí no céu.

Desculpe incomodar você novamente. Desculpe a informalidade na escrita. No ultimo sonho que tive com o senhor disse para mim: – Vado Escoteiro não me chame de senhor, nem Sir nem Lord. Pode ser general, mas sei que seus irmãos escoteiros do Brasil, não todos, não gostam de militarismo. Vá entender por que. Fico feliz, no entanto que a maioria gosta de um bom desfile, de uma formação nos triques e de uma boa apresentação. – Gosto de receber BP em meus sonhos. “Afinal é meu ‘guru”. “Assessor” não. Pensando bem nunca serei um bom “Assessor”. Sou liberal, gosto de discutir pontos de vista e não impor meus pensamentos só porque li a respeito. Eu não me sentiria bem em adotar um Chefe e fazer dele uma copia de mim. Chega de Robô. Ora Chefe, desculpe. Se falo assim é porque faz parte de Velhos Escoteiros falantes. O pior é que tanto falei que estou perdendo a voz e tossindo feito um danado!

Pois é chefe, deste a última carta que lhe enviei não há nada de novo no “Front” Escoteiro aqui no Brasil. Ainda são os mesmos na liderança da nova EB (dizem que é Escoteiros do Brasil outros dizem que é Eita Bagunça). Eles adoram permanecer nos cargos e fazem tudo para mudar as normas ao seu favor. Cobram taxas e abrem processos com os que não querem pagar principalmente os que não querem se filiar a eles. Adoram cobrar. Imagine que até as condecorações são cobradas? Pois é. Cada uma tem seu preço. Montaram uma estrutura em Curitiba é que faz inveja. Só falta ter “profissionais cobradores de impostos” para correr de grupo em grupo cobrando os atrasados. Com eles é assim, não tem almoço grátis. Ou paga ou vá escoteirar em outra freguesia. Pobre São Francisco que deu tudo que tinha aos que não tinham nada. Sabia que a tal vestimenta custa os olhos da cara? E tem muitos que trocam de seis em seis meses? E vá dizer que o caqui dura por anos e anos.

Baden-Powell desculpe, não queria entrar nesta seara novamente, mas você me conhece. Sabe que sempre fui um contestador. Não sou daqueles que vivem dizendo que “Se hay gobierno soy contra”. Tento não ser repetitivo e chato. Faz parte da minha índole. Enquanto a vestimenta tem um preço inacessível para muitos o Uniforme caqui custa três vezes menos. Mas quem se importa? Quem reclama que a vestimenta desbota, perde a cor com facilidade, rasga facilmente e é ótima isca para acender Fogo de Conselho? Mas vá dizer isto para eles. – Logo gritam: - Comissão de ética! “Bota este chefinho no seu devido lugar”. Não dá meu guru, não dá. Outro dia vi uma linda Alcatéia que se esbaldava em seus azulões agora estão com a nova vestimenta. E os pais, não chiaram em pagar? Sei não. Garanto que não são da turma do salário mínimo.

Baden-Powell é chato só ficar reclamando. Aqui o silêncio faz parte da chefaiada. Como entraram para ajudar os jovens não reclamam. Fico pensando se tivesse um salário para chefes a briga para admissão seria um grande jogo na escuridão. Pois é, o senhor não acha um absurdo pagar por uma medalha? Um Uebeano legítimo me disse que se ninguém pagasse quem iria fazer? Quem eu não sei, não é meu “probrema”. Fui Comissário por oito anos e nunca cobrei nada de ninguém. E olhe tudo ia registrado nos correios e pagos por nós. Perdi a conta quantas vezes peguei um “tomove” para fazer a entrega pessoalmente. Hoje não em nada de graça. Se vai sair do Brasil com a vestimenta (não aconselham mais o uniforme) tem taxa e é em dólar! Tem taxa prá tudo meu Chefe.

A tal EB (não confundir com UEB que eu pertenço deste o tempo de lobinho) que grita em ser moderna criou enormes sites e grandes programas para que a escoteirada acesse e dê informações ou peça informações e possa pagar com Cartão de Crédito. Nem o “Grande Irmão” do livro de George Orwell tinha uma parafernalha de uma estrutura assim. Eu nunca entrei no tal SIGUE. Falam maravilha. Nunca vou entrar não tenho registro e quem não tem não existe para a EB. Alguns bons amigos fizeram de tudo para me registrar: - Vado Escoteiro fazemos de graça para você. Não precisa ir ao grupo. Será uma honra para nós! Eu aceitar? Never! Nunca irei fazer um registro a troco de benesses da EB. Seria contra meus princípios escoteiros. Gosto de sugerir de ouvir boas ideias, de discutir e ver se alcançaremos os resultados Coisa que os Uebeanos detestam. Já me entregaram medalhas demais no passado. Em seis anos foram dez. Não preciso de mais. Quem sabe um milagrezinho acontece e a EB vai querer ouvir e pesquisar mais?

Um Velho Escoteiro me disse para tomar cuidado. Não tenho direitos de me chamar Escoteiro. Este nome está registrado no INPE em nome da associação e eu não tendo registro posso ser processado. “Ora viva” o Vadinho Lobinho promessado em abril de 1947, promessado em maio de 1950, com milhas rodas escoteirando com seu caqui do coração e a EB que nunca me deu nada (só a UEB as medalhas) vai me processar? Eu sou o que sou porque gosto, porque amo o escotismo, e o senhor sabe muito bem que o escotismo exige disciplina, mas não a possibilidade de discordar e dar opiniões baseadas em bons princípios escoteiros. E vem um “gozador” escoteiro me dizer: - Vado Escoteiro se quer reclamar vá a Assembleia! Beleza! Ele sabe das coisas. Tente levantar um tema qualquer que vá de encontro às diretrizes Escoteiras de hoje que foram impostas sem consulta à plebe. Nunca será ouvido. Eu sei que se tentar vai levar um chega prá lá para nunca mais tentar!  

“Opa” desculpe Chefe, fui muito longe nas minhas reclamações. Mas o senhor sabe que sou um Escoteiro das antigas, dizem chato de galocha e que acredito no escotismo de aventuras, de fazer fazendo, de sistema de patrulhas de lei e promessa e de deixar para ver os resultados sem imposições pessoais. Sabe que faço questão de dar exemplos não só como pessoa, mas na minha apresentação pessoal. Bem chega por hoje!

Até breve chefe! Não deixei de me visitar em meus sonhos. Fico feliz quando vem conversar comigo. Um abraço fraterno do amigo,

Chefe Osvaldo.