HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Meu nome é Osvaldo... Um Escoteiro!


Meu nome é Osvaldo... Um Escoteiro!

        Muitos sabem pouco sobre mim. Afinal mesmo colocando minhas fotos e se assim o faço é para mostrar que devemos levar a sério nosso uniforme, pois ele significa muito para que saibam quem somos quase não comento minha vida escoteira e o que sou. Alguns mais antigos conhecem este Chefe que não difere nada de milhares que existem no movimento Escoteiro. Desculpe, mas alguns estão dizendo que sou uma lenda viva, eu? Impossível. Lendas são narrativas “fantasiosas” transmitidas pela tradição oral através dos tempos. Não sou lenda. Nunca fui. Meu escotismo é jogado aberto e sem censuras, talvez seja este um motivo de me considerar uma oposição ao escotismo moderno. Para mim nem BP foi uma lenda. Ele existiu, foi real, fez o que ninguém fez pela juventude com um programa fácil de assimilar e que hoje estão tentando complicar.

      Estou com 73 anos, entrei em 1947 há quase 67 anos, portanto se eu não conhecesse o escotismo não deveria estar aqui. Mas olhe meu escotismo como dizem por aí foi aquele de “raiz”. Aquele que o jovem pensava e agia. Onde os chefes eram mais irmãos e menos pais. Onde os chefes sorriam quando fazíamos e não como hoje que muitos ainda querem fazer. Onde o respeito, a palavra, o exemplo e a sinceridade faziam parte de nossa formação. Acampei demais, atividades aventureiras sem fim. Não dei a volta ao mundo, mas conheci lugares lindos para ver e sentir que a vida vale a pena ser vivida. Não fiquei rico com o escotismo, até fiquei mais pobre e hoje no fim da vida luto com extrema dificuldade, mas sou feliz ao meu modo, muito feliz. Não sou doutor ou formado em Faculdade ou Universidade e meus conhecimentos foram adquiridos na Escola da Vida. Acreditava e acredito que o escotismo é para todos e não para uma classe privilegiada como o escotismo está caminhando hoje. Não adoto a postura que nossos dirigentes mantêm. Consideram-se sem perceber uma casta. Aquela que pertencem tem tudo e os que não pertencem não tem nada, há não ser ouvir e concordar com os poderosos.

      Eu também já fui desta casta. Fui Presidente de uma região escoteira que na época era chamado de Comissário Regional. Eu fui em MG e SP membro da equipe de formação antes chamada de equipe Nacional de Adestramento. Dirigi centenas de cursos. Aprendi mais que ensinei. De um simples Chefe de sessão eu vivi grandes momentos. Mas por favor, dizer que sou uma lenda viva? Nunca fui e nunca serei. Acho que foi o Paulo Coelho quem escreveu em seu livro o Alquimista que a lenda pessoal é aquilo que você sempre desejou fazer. Todas as pessoas, no começo da juventude, sabem qual a sua lenda pessoal. Nesta altura da minha vida vivo de sonhos e recordar o passado, entretanto à medida que o tempo vai passando, uma misteriosa força tenta provar que é impossível realizar o sonho da lenda Pessoal.

     Não gosto de cara feia e sei que não sou bonito. No passado assustava os jovens pela minha maneira de ser. Demorava em mostrar que o meu coração era aberto a todos e não havia nenhum sinal de caminho a evitar. Fiz milhares de amigos, tinha facilidade para arregimentar adultos a trabalharem pelo escotismo, mas sempre fui contra os chefões, os que se sentem acima do bem e do mal no escotismo e hoje estamos cheios deles. Aqueles que sem consulta se arrogam como dono da verdade. Sem ao menos pesquisar impõe normas e apetrechos que nada tem a ver com o escotismo alegre e solto que BP nos deixou. Se quiserem mesmo saber não faço registro na UEB há anos. Motivo? Evitar conchavos, evitar admoestações, evitar tomar atitudes que um Velho Escoteiro que se julga ético e cavalheiro possa tomar.

         Poderia ter fundado a minha própria organização escoteira, mas isto seria trair a minha consciência, pois entrei como lobo pertencendo a UEB e quero morrer sendo da UEB, mas sem ser um simples “pau mandado” onde o mote é dizer que se não está satisfeito vá a assembleia, lá é o lugar certo para discordar, ou se não quer pertencer ou cumprir o sétimo artigo da lei, cala-te ou pegue seu chapéu e vá embora. Aceito as outras organizações escoteiras que existem no Brasil. Os considero irmãos de ideal.  É um direito de eles discordarem e viverem o ideal de BP como acreditam. Isto se chama democracia. Quero ter o direito de discordar, de sugerir (e isto sempre fiz) sem criar inimigos. Conheço inúmeros casos em regiões que muitos foram perseguidos por discordarem. Sei de um caso que no grupo onde um Chefe recebeu o comunicado pessoal de exclusão do movimento quando do cerimonial de bandeira. Um absurdo!

       Não acuso os dirigentes de hoje a não ser de nunca terem feito na liderança uma democracia participativa, uma democracia plena, aberta e transparente sem limites conforme o direito universal do homem. Para mim chega de ver a prepotência de alguns (não todos) onde os que estão fora se querem algum têm de ir atrás. Parece o Gansinho descrito do livro de BP O Caminho Para o Sucesso. Por favor, nunca me digam que posso sugerir e participar e nem tampouco que devemos aceitar em nome dos nossos jovens. Isto para mim é um insulto, pois sei muito bem como se rege e funcionam os Estatutos da UEB. Um estatuto que não foi discutido por todos os grupos Escoteiros. Impossível? Só para os que não querem pensar. Não tenho mesmo registro e nem Grupo Escoteiro. Este último é impossível, pois minha saúde não deixa. Enquanto pude tive o orgulho de participar de cinco grupos e no último provei que do zero aos 180 participantes era questão de tempo. Os lideres que sempre combati cavalheirescamente desde a década de 60 nada diferem dos de hoje. Ouve claro, exceções onde grandes homens escoteiros participaram da liderança nacional.

         Portanto meus amigos eu não sou um suprassumo na especialidade escoteira e nunca serei uma lenda imortal. Eu sou o Osvaldo um Escoteiro, o contador de causos e história, mas que conhece nosso movimento como ninguém. Até os últimos dias na terra irei lutar dentro dos meios que disponho (a facilidade da escrita) e tentar até meu último suspiro dizer que o escotismo é lindo, que o amor que ele poderia reger sobre a terra não tem tamanho para medir. Sempre direi a todos que um sorriso vale mais que mil palavras, dizer que ser amigo e irmão de todos são ponto de honra, e dizer ainda a todos sem exceção que abraçaram a causa, seja ela onde for merece que tiremos o chapéu (pobre chapéu que um dia nos representou tão bem) e digamos: A fraternidade é uma só, ser fraterno com alguns e outros não, não faz parte do que BP nos legou. Meu sonho é que seja feito uma nova mentalidade na arte de fazer o escotismo. Democracia, ética, respeito, fraternidade e respeitar a opinião de todos que dele participam! E olhe mesmo dizendo que se não tenho registro não tenho direitos, eu digo que sou Escoteiro e ninguém, ninguém mesmo vai dizer que não sou!


Sempre alerta!