HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O exército do eu sozinho.

"A democracia... é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade indiferentemente a iguais e a desiguais." (Platão).

Conversa ao pé do fogo.
O exército do eu sozinho.

                 Não existe exército, o título nada tem há ver com o artigo. Pensei em dar outro nome: Unipartidarísmo solitário. Também não sei se encaixa. Difícil arranjar um título. Mas vamos ao que interessa. Desde que entrei para o movimento que pouca coisa mudou em sua estrutura. Eles os dirigentes mudaram sim desde as normas estatutárias ao programa, os uniformes, a formação enfim foram mudanças que os novos nunca irão discordar. Afinal eles entraram no escotismo com a politica autocrática existente e nem pensaram, ou melhor, nem pensam em uma democracia plena e transparente. Não é uma preocupação natural. Assim está assim deixa ficar. Todos que usufruem das benesses escoteiras defendem a associação e não aceitam de maneira nenhuma o termo “autocracia”. Alegam e talvez com razão que existe um Estatuto, temos normas e órgãos próprios onde possamos reclamar. De norte a sul de leste a oeste se alardeia esta pseudo-democracia escoteira.

                 Li um artigo interessante na Internet onde se dizia que um dos maiores e mais impressionantes poder que temos é a palavra e a fala. A palavra pode levantar ou derrubar, agradar ou desagradar, emocionar ou irritar, trazer para perto ou afastar. Pode ser mel ou fel, tanto para quem ouve como para quem fala. A palavra pode estar respaldada na verdade ou esconder a mesma verdade. Mas isso não é difícil de perceber por aquele que tem uma consciência maior de si mesmo e, portanto, do outro. Simplesmente porque a palavra não vem sozinha nunca. A palavra pode estar respaldada na verdade ou esconder a mesma verdade. Mas isso não é difícil de perceber por aquele que tem uma consciência maior de si mesmo e, portanto, do outro. Simplesmente porque a palavra não vem sozinha nunca.

                 Desde os primórdios do escotismo que no Brasil existe esta tecnocracia. A palavra de ordem é uma só – Disciplina escoteira. Que ser um de nós? Então aceite as regras e pronto. Esta é à maneira do porque no escotismo sempre fomos um movimento ditatorial. Alguns poderiam dizer que é a ditadura dos meios. Contrariamente ao que se pensa o tecnocrata não é um realista pragmático. Não pensa que os fins justificam os meios. Pensa sim que os fins são irrelevantes ou indetermináveis. Vemos, portanto uma acomodação dos associados e eles não são culpados por esta situação sem pensar que poderia haver outro caminho. Entraram pensando mil coisas de como ajudar a juventude, compraram as ideias de Baden Powell e nunca em tempo algum discordaram, pois vivem o dia a dia com seus jovens e quase não pensam que acima deles, lideres estão a tomar decisões que poderiam ou podem afetá-los.
            
                  A associação parece que não tem desejos autênticos, porque para ela todo o desejo autêntico é, por definição, impossível de satisfazer. O êxito deles consiste em acumular instrumentos a que nunca dará uso; e o próprio dinheiro, que é o instrumento por excelência, serve apenas para ganhar mais dinheiro. Ou poder, que é outro instrumento; mas isto, para a associação já é uma perversão - uma intromissão dos associados que nunca foi levado em conta. Melhor me fazer entender mais simplesmente. Afinal Tristan Bernard dizia que “um bom argumento vale mais do que muitos argumentos melhores”. Nunca em tempo algum até hoje a Associação deu a todos os associados voz e voto. Nunca em tempo algum a Associação consultou ou mesmo fez algum tipo de pesquisas com os associados. Ela nunca foi transparente nos seus atos. E interessante, são estes os associados que carregam a Associação, pois sem eles ela deixaria de ter utilidade.

              Dizem que a essência da democracia reside em dois princípios fundamentais: o voto e a liberdade de expressão. Quando nascem a liberdade e a democracia, aparecem os associados, símbolos da participação na soberania escoteira. Portanto, se pudemos entender como liberdade de expressão seria como uma divisão de forças dentro da Associação para que ela não se ache soberana e dona de todas as ideias possíveis para se desenvolver. Afirmar que hoje isto é possível é duvidar da inteligência dos associados. Impossível participar do órgão máximo da Associação cuja representatividade é menor que 0,5% do efetivo total. Isto dificulta em muito a difusão do pensamento, além de não estimular os associados a manter, exprimir e defender suas opiniões.

              Convenhamos que fatores diversos levaram a Associação a continuar com esta atitude arrogante. Por mais que ela se arvore em dizer o contrário Ela determina o que vai ser alterado nos seus estatutos, no programa Escoteiro e em todas as suas ações tomadas à revelia dos seus associados. Dizer que as normas estatutárias lhe dão este direito é o mesmo que dizer que seus atos não podem ser contestados de um Estatuto que ela mesma fez para não ser contrariada. Do passado ao presente a Associação nunca deu condições plenas aos associados insatisfeitos e para estes sempre ela agiu de forma totalitária. Com ameaças, admoestações o que levou a saída de muitos que a seu modo amavam o Escotismo e não queriam deixá-lo, resolveram fundar outras e elas estão aí pululando em quase todos os estados.

               Baden Powell por algumas vezes chegou a comentar e
escrever em seus livros que os chefes devem ter livre arbítrio para decidir, e insistiu que eles devem olhar bem à frente e não só a ponta de seu nariz. Remendou dizendo que não devemos ser um gansinho, daqueles que vai atrás, nas pegadas do pai ganso sempre tem o filho atrás. Poucos muito poucos de nós acreditam mesmo que poderemos mudar. Sempre haverá aqueles para defender a ferro e fogo os desmandos da associação. As alternativas são sempre difíceis e a não ser uma mudança natural ouvindo a voz dos seus associados, não teremos em tempo algum, mudanças radicais visando transparência e democracia plena. Desde que a UEB foi fundada que seu sistema pouco mudou. Passou por mãos muitas vezes iluminadas, mas que não teve forças para mudar o que precisava.

                 Assim como eu todos que comungam do escotismo nunca tiveram oportunidade de pensar como seria diferente, se tivéssemos um sistema democrático e transparente, com todos tendo direitos de voz e voto, se teríamos mais força na sociedade brasileira, se seriamos reconhecidos como um movimento sério de ajuda na formação da juventude nos meios educacionais e se políticos e lideres empresarial fossem mais um de nós. Nunca nos deram esta oportunidade. Só enxergamos o que nos deram condições de ver. Maciçamente vendem suas ideias, seus programas, seus valores e alardeiam aos quatro ventos seu sucesso no crescimento de associados. Ninguem os contradiz. Não existe oposição. Uma visão da realidade para eles fantástica. Para outros não. Outros gostariam de galgar o pico da montanha para ver o que tem do outro lado. É o que todos os associados deveriam fazer. Quem sabe um dia iremos mudar? Quem viver verá!

A simplicidade é transparente, a franqueza é translúcida. Quando emanam luz, só a transparência se deixa ver por dentro.