HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Viva Pancho Villa!

A ignorância é uma das maiores desgraças da minha raça... A educação de todos os filhos é algum que não deve passar despercebida pelos governantes e cidadãos. Nunca o problema educacional tem sido dado à atenção necessária...
Pancho Villa

Conversa ao pé do fogo.
Viva Pancho Villa!


                      Doroteo Arango nasceu em Durango e viveu até os 16 anos como trabalhador rural. Com essa idade, foi acusado de matar um fazendeiro que atacara sua irmã e para fugir das perseguições da justiça, se alista no exército mexicano. Como chefe de guarnição, em 1910, apoia Francisco Madero no combate a ditadura controlada por Porfirio Díaz. Assim começa a história de Pancho Villa. Um caudilho mexicano lá pelos idos de 1915 onde os americanos passaram poucas e boas com ele. Pancho Villa nunca foi escoteiro. Nunca se interessou por nada que Baden Powell escreveu ou deixou para nos. Ele dizia que era um visionário, mas muitos o consideravam um sanguinário. Queira ou não, caudilho ou ditador ele ficou na história. Muitos como ele também ficam.

                     No escotismo dificilmente aparecem caudilhos. Claro que eles existem. São muitos. Eles se escondem. Não aparecem. Você nunca vai receber sua visita em seu grupo escoteiro. “Mali, Mali” um dia poderá apertar as mãos deles se comparecer a um encontro nacional. Eles estarão lá. Rodeados pela chumaça da casta que habita a corte dos Grandes Chefes e que é o sonho de muitos outros pequenos caudilhos existentes no escotismo. Eles os caudilhos sabem do que você precisa. Sua opinião não tem valor e esquece, nunca vão pedi-la. Assim são os caudilhos. Acreditam que sabem o que fazem e cercados de uma dezena de outros decidem a bel prazer o que mudar e construir. E o pior, eles os caudilhos juram que tudo que fazem é de comum acordo com os associados. Que foram consultados. Risos. Eu pergunto eu ouço eu olho e não vejo ninguém que foi consultado. Não tenho nada contra os caudilhos. Eles sacrificam suas horas, alguns até suas economias e seus familiares. Claro em prol do escotismo. Um dia vi um Chefe suando em bicas. O grande jogo que estava em ação não dava certo. Praguejou, praguejou e nem pensou que o culpado era ele mesmo. Esqueceu-se dos monitores, esqueceu-se da patrulha, esqueceu-se da tropa. Ninguém deu sua opinião. Ele era o sabe tudo. Quis fazer uma surpresa. Assim são os caudilhos. Eita casta danada de boa!

                 Eu gosto eu adoro mesmo quando me dizem que temos onde dar opinião, onde reclamar, onde sugerir. “Temos normas chefe”! Normas claras completam. Engana-me que eu gosto. Façam a experiência. Vistam seu melhor uniforme, ou quem sabe se você tiver condições financeiras compre o novo traje. Dizem por aí que é caro e você não pode mandar fazer. A confecção é exclusiva da organização. Paciência. Escotismo também é para pobres, mas é melhor ser rico não? Compre mais de um tipo. São vários. Agora você pode escolher a vontade. Assim você vai chamar a atenção deles vestindo cada um de hora em hora. Eles irão rir a toa. Você vai servir de
exemplo. Depois compareça a um encontro nacional. Vá apertando mãos que aparecerem pela frente. Os simples como você irão dar um belo sorriso e vão querer conversar ou lhe dar um abraço. Não fique triste se os caudilhos não lhe derem atenção. Eles estão sempre com pressa. Vou olhar para você, apertar sua mão e dizer prazer! E sairão de fininho. Quando estiveres em plenário peça a palavra. Diga o que tem de dizer isto é claro se derem a palavra a você. Muitos caudilhos não dão. Eles tem o tempo certo para cada ação. Melhor é deixar escrito suas ideias e suas sugestões. Entregue ao Presidente que está lá na mesa de direção. Não se preocupe se ele fechar a cara ou então fazer promessas. Faz parte, mas não acredite. Agora volte satisfeito. Você não foi ouvido e nem bem recebido, mas mostrou que não é submisso.

                Caudilhos! Casta! Corte dos poderosos. Sem ofensas me parece uma raça superior. Encastelam-se no poder e mesmo dizendo que agora é por pouco tempo não acredite. Eles têm o dom de continuar na corte, ainda fazer parte da casta. A alternância do poder dão a eles condições de brincar como nós nas danças das cadeiras. Não vamos criticá-los muito. Vamos dar um voto de confiança. Eu mesmo venho dando há quarenta anos assim quem sabe tudo pode melhorar? Se você acredita ótimo. Eu não. Cansei de acreditar. Mas eu não sou ninguém. Como já disse sou um pária sem casta.  Nem grupo eu tenho quiçá um registro. Portanto não incomodo ninguém e assim vou vivendo pisando no pé de alguém. Alguém? Risos. Claro, os caudilhos, os dito cujo da casta e aqueles que dão risadas por pertencer à corte, pois ali sim, o poder é exercido. Será?

                   Eu sei de meia dúzia de escotistas que não concordam com as ações dos caudilhos. Mas são poucos. Suas vozes nunca são ouvidas. Um deles sobre o novo uniforme ou traje como eles querem, disse o seguinte – Amigos, sim, do jeito como a coisa foi feita corremos um grande risco de num desfile parecermos um bando de "sem teto", se bem que acho que até eles se uniformizam melhor, iria ser uma miscelânea de calçados diferentes, cintos diferentes, coberturas diversas, uniformes diversos, enfim, uma verdadeira zorra. Acho que vamos ter que pensar numa forma de alinhamento de pensamentos e ações e ver como poderíamos agir neste caso. O que acham? Ninguém achou nada. Claro deram suas opiniões, mas elas ficaram perdidas no grupo que pertencem e poucos muito poucos tomaram conhecimento ou concordam.

                  Listas correram onde os associados puderam reclamar. Eu mesmo vi uma com mais de quatrocentas assinaturas. Não só desta nova vestimenta que foi enfiada goela abaixo e de que adiantou? Eles os caudilhos nem deram “pelota”. Eles nunca dão. Fazem um comunicado impositivo dizendo que fica determinado isto e aquilo. São mesmos os donos do poder. Sempre me perguntam – Chefe qual o caminho a seguir? Difícil dizer, difícil aconselhar. Mas se cada um comentasse com outro que enviassem seus pensamentos aos dirigentes do seu distrito da sua região já seria um bom caminho. Nada será possível mudar enquanto a estrutura que temos hoje não mudar também. Os estatutos estão aí. Eles se apegam nele e claro foram eles que o fizeram. E dizem que tiveram várias mãos na sua confecção. Da vontade de rir. Estão a mudar. Ainda vão mudar muito. E infelizmente a aceitação será continuada nos grupos escoteiros.

                   Para mim chega do velho conto do vigário em que dizem que temos nosso órgão próprio para sugerir e dar opinião. Um engodo. Os associados esquecem que são mais de setenta mil membros. Não mais que 0,5% deste efetivo participa e dizem que decidem em conjunto. Risos. Só rindo mesmo. Eles estão lá se sentem importantes, mas também não decidem nada. Tudo chega pronto e decidido, pois meia dúzia já discutiu, votaram entre si e claro eles acreditam que assim deve ser.  Agora é deixar os outros votarem para justificar os estatutos. E o desejo de se sentir importante de estar ali na corte quem votará contra. Meu amigo, se você é Escotista veja se um dia foi consultado em algum ato ou decisão dos dirigentes. Você viu alguém dando sugestões para o traje? O uniforme? Pergunte a amigos de outros grupos. Nunca a não ser que você seja da corte, seja mais um dos futuros caudilhos que ano a ano são criados na alta cúpula. Nosso movimento tem um valor enorme e precisa de uma injeção de democracia. Não se pode deixar a maioria dos associados sem voz e voto. Ninguém tem a verdade, o caminho, as decisões. Não podemos continuar neste estado de coisas. Cada um deve pensar bem se é este o caminho correto. Eu já disse em outros artigos que só vemos um lado da montanha, até hoje ninguém tentou ver o outro lado. Nem experiência foi feita.

Final da historia de Pancho Villa.

                  Pancho Villa não foi escoteiro. Nem poderia. Um caudilho que acreditava que a força era sempre uma solução para resolver os problemas de seu país. Quem sabe se ele tivesse pensado que a democracia fosse a maneira correta para vencer ele teria tido sucesso. Mas não, pouco a pouco Villa foi-se convertendo em um novo guerrilheiro e suas atividades se limitaram cada vez mais pela escassez de armas. Assim se manteve de 1917 a 1920, salvo um período de reaparição, quando Felipe Angeles voltou ao país para lutar ao lado de Francisco Villa. Adolfo de la Huerta, ao assumir a presidência interina do país como fruto do movimento de Agua Prieta, sugeriu a rendição de Francisco Villa. Em 26 de junho de 1920, Villa assinou os convênios de Sabinas, obrigando-se a depor as armas e a retirar-se na fazenda de Canutillo, Durango, que o governo lhe havia concedido em propriedade por serviços prestados pela revolução.
                   Sua popularidade entre os mexicanos reforçara-se ainda mais depois do ataque a Columbus, pois viram-no, metaforicamente, além de ser uma espécie de "Robin Hood", o grande vingador das tantas derrotas passadas dos mexicanos frente aos poderosos "gringos", um símbolo da resistência nacional, alguém que ninguém conseguira colocar a mão, uma lenda, "un hombre" - Seu nome acabou por tornar-se lenda entre os mexicanos. Ironicamente, hoje, ao lado de Columbus, cidade americana, existe um lugarejo chamado Pancho Villa, bem como um parque nacional com o seu nome.
                   Não temos em nossa liderança nenhum Pacho Villa ou será que temos? Mas também não temos nenhuma democracia participativa e aberta onde tudo é feito as claras. Ou será que temos? Pancho Villa não serve de exemplo para nós apesar de que é considerado um herói mexicano e eu como admirador de heróis tiro meu chapéu. Vejamos o que ele deixou escrito para a história:
- É justo que todos aspirem ser mais, mas será que todos podem um dia analisar os seus atos?
- A igualdade não existe, ou melhor, até pode existir. Seria uma mentira que todos nós podemos ser iguais, o que precisamos é dar a todos um lugar adequado.
- Agora eu pergunto o que seria do mundo se todos nós estivéssemos falando ao mesmo tempo, se fôssemos todos nós capitalistas ou pobres?
- Ninguém faz melhor o que você conhece bem, e, portanto, numa república ignorante você vence com qualquer plano que for adotado.
 
É hora de dizer que o preconceito acabou que a sociedade está estabelecida e está mais sólida, mais natural, mais sábia, mais justa e nobre.

Pancho Villa