HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Abri a porta da gaiola do passado e voei para o presente.













Abri a porta da gaiola do passado e voei para o presente.

Foi um belo sábado. Sol a pino, nuvens no céu para fazer um dia perfeito. Pontualidade inglesa eu disse aos meus caroneiros. Levantei cedo, banho e comecei a rotina de anos e anos para colocar meu uniforme. Olhei o cinto, brilhando. Ótimo. Olhei o chapéu. Abas largas e retas. Cadê o sapato? Marido melhor ir com o tênis preto. (só tenho ele. Kkkkk). Bem não gostei, mas fazer o que? O sapato preto era 38 e meu pé engordou. Não serve mais. Calça, camisa bem presa dentro da calça, coloco o meião e depois o tênis.  Eu não. A Célia. Não consigo dobrar o corpo. Celia uma mulher sem igual. Ser Velho não é mole. Veja se as estrias estão retas! Eu disse. – Você sabe que eu sei disso afinal fui escoteira por 30 anos foi à resposta. Fui para o espelho, lenço sobre o pescoço o ritual do anel bem postado. Por último o colar. Agora o chapéu. Fácil. Vou para a varanda. Os dois chefes amigos (Geraldo e Denis Corazza) chegaram com 32 segundos atrasados, não gostei. Mas os perdoei, pois são dois grandes escotistas. Tentei conversar na viagem e falei pouco. O danado do ar faltando. Chegamos. Alegria, abraços, sempre alerta, ainda bem que nenhum SAPS. Detesto o SAPS.
 
Fotos, abraços e com minha cara de sapo morto tento sorrir. Espero que me entendam. A grande ferradura fica pronta. Centenas de meninos correndo. Rapidamente estão formados. Bandeiras ao vento e lá no céu vi o passado descendo ali. Quantos disto eu vi? Quantas vezes participei? Desde 1947. Perdi a conta. É o tempo não apaga o tempo. Emoções começam a vir à tona. Sou chamado ao centro da ferradura. Meu anfitrião o Robson, um Escoteiro meu do Águia Branca da década de oitenta e que ainda usava fraldas ali agora homem feito e emocionado quase chorando. Robson o Distrital e chefão da atividade Eu não sabia o que falar. Uma ferradura enorme. Robson repita para eles o que vou dizer – Chefe vou tentar, vou tentar estou engasgado. Incrível este momento. São coisas que só os grandes Escoteiros entendem. Falei uns dois minutos. Não é hora para discurso. A atividade de abertura terminou. Hora de bater pernas e voltar. Impossível continuar, pois meu ar vai e vem. Daria tudo para ficar os dois dias, sentir o calor do Fogo do Conselho, sentir o ar da mata do Jaraguá que tantas e tantas vezes senti no passado. Quem sabe o Macaquinho Tião ainda estaria vivo? Ou o Quati doidão? A Jaguatirica já deve ter ido para o céu. Quem sabe a coruja buraqueira amiga de tantos cursos que ali colaborei? Seria pedir muito lá se foram quase trinta anos – Chapéu a postos procuro a mochila que não levei. Rotina que não se esquece. Robson e Denis me dizem - Chefe aguarde. O Cido vem aí. Intimamos ele a vir. Cido, ele e a esposa Celia amigos do peito desde 79. Sempre juntos até hoje. Ele chegou. Fiquei contente estava de calça curta. Anda por aí se exibindo com a comprida. Peguei na orelha dele um dia. Veio do Cemucan de uma atividade para me dar um abraço. Mais de quarenta quilômetros.

Mais abraços e a partida. Chefe Geraldo me levou. Vai me levar domingo as onze ou meio dia de novo a visitar o Falcão Pelegrino. Amigão o Geraldo. Vou conhecer o George Hirata Chefe dos Falcões. Aqui somos velhos amigos virtuais. Devo conhecer outros e assim comecei minha jornada nas estrelas desculpem minha nova jornada na terra. Ainda pretendo abraçar muita gente. Basta me convidar e vir me buscar e trazer em minha casa. Não posso dirigir.


Valeu e se valeu. O Velho Escoteiro bateu asas e voou agora nas asas da imaginação pisando devagar no sonho real. Sempre Alerta meu amigo e minha amiga assim direi quando encontrá-lo por aí nestas minhas andanças. Quantas? Não sei, mas quer saber? Se um dia nos encontrarmos por aí já sabe o que vou dizer – SEMPRE ALERTA! É UMA HONRA CONHECER VOCÊ. POSSO LHE DAR UM ABRAÇO?