HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

domingo, 24 de novembro de 2013

Seria este o escotismo de BP?


Conversa ao pé do fogo.
Seria este o escotismo de BP?

      Temos aqui nesta rede social uma enormidade de membros Escoteiros participando. Isto é bom, pois vamos aos poucos assimilando e aprendendo uns com os outros. Quando comecei os grupos e os que falavam em escotismo eram poucos, hoje não. São dezenas e dezenas. Sou sempre convidado quando iniciam e sempre dou uma passada por lá. Mas nem sempre me sinto bem com alguns participantes. Por quê? Difícil explicar. Talvez pela minha educação escoteira que foi toda ela feita de amor, de educação, de aceitação e compreensão de cada um que um dia resolveu fazer sua promessa escoteira. Eu aprendi muito aqui na minha página e no Grupo que criei. Houve casos que fiquei estupefato e quase desisti. Sempre pautei pelo respeito e pela boa cidadania e nem sempre encontramos isto aqui, apesar de que é mínimo aqueles que faltam com o cavalheirismo que sempre pensamos encontrar no seio do nosso movimento. Escrevi dezenas de artigos. Sou um Velho do passado, mas estou com o pensamento e os olhos no presente.

      É incrível como ainda vemos alguns que escrevem de maneira autoritária e se isto é resposta de outro que também se ofendeu penso como seria se em vez de estarem distante uns dos outros eles se encontrassem pessoalmente. Seria este o tratamento? Hoje estou vendo e sentindo que o autoritarismo está aos poucos se infiltrando aqui e ali em órgãos Escoteiros. Desculpem mas não era assim no passado. Claro sempre foi na alta cúpula um jogo de interesses, mas com a estrutura da época não faltavam abraços e o Sempre Alerta a quem quer que se apresente como Escoteiro. Aos poucos passei a não mais participar de Assembleias e Congressos Escoteiros. As mudanças que estava sendo posta em prática, as reuniões em salas fechadas, a ditadura do líder de uma região exigindo que se votasse em bloco foram consistentes para meu afastamento. Não era o escotismo que pensava. Um escotismo puro, alegre cheio de amor para dar e receber. Garantiram-me que hoje não é mais assim. Sei não, está imposição do uniforme me deixa na duvida.

     Leio com tristezas de amigos que me escrevem dizendo que no seu próprio grupo isto é real. Quem sabe exemplo dos órgãos regionais e ou nacionais. Aqui nesta rede muitos que se tornaram meus “amigos” se afastaram. Acharam por bem não se misturar a este Velho Escoteiro que dizem não fala coisa com coisa. Eu ainda fico pensando se no grupo a que pertencem estão formando jovens dentro dos padrões que esperamos para um perfeito “Espírito Escoteiro”. Se for um grupo forte e unido. Se o respeito à cidadania e a democracia em um Conselho de Chefes, onde muitas vezes uma conversa ao pé do fogo tem mais validade que uma discussão inútil com muitos se digladiando. Muitas vezes deixei de responder a um e outro por um artigo ou história que escrevi. Não valia a pena. O Escoteiro adulto que me respondia não era delicado, prestativo e pelo menos respeitoso. Valia-se de um conhecimento técnico que muitas vezes não dou muito valor. Citar para mim itens de normas estatutárias me faz voltar ao passado onde nossa preocupação era fazer do jovem um menino feliz. Afinal estas normas foram decidas por pouco.

     Quando vejo alguém contestando indelicadamente costumo fazer uma visita em sua página. Nem sempre ela demonstra quem é a pessoa. Mas pelo seu histórico, pela sua maneira de uniformizar, pela apresentação dos meninos (a maioria nem fotos tem dos meninos) eu sinto pena do Escoteiro adulto que não entendeu até hoje a linguagem do escotismo de BP. Muitos destes usam termos que homens educados não usam. São daqueles que ao menor ataque montam um pelotão de guerra para contra atacar e vencer. Fico pensando se isto não seria uma forma de muitos jovens desistirem cedo de serem Escoteiros e assim aumenta a evasão mais e mais. Hoje praticamos um escotismo de leis de normas e aí daquele que sair fora delas. Mas a bajulação que desde os primórdios existiu ainda é uma verdade no escotismo. Beira ao ridículo alguns se bajulando para serem bajulados no alto escalão.

     Um artigo duro? Não devia escrever o que escrevi? Meus amigos e minhas amigas foram anos vivenciando tudo isto. Ninguém gosta quando se diz que existem ainda as castas escoteiras. Castas de alguns e não de todos. As mudanças que se fazem eles defendem com unhas e dentes. Nunca em tempo algum vi algum formador ou dirigente postar aqui que estas mudanças deveriam ser mais transparentes. Que os grupos escoteiros deviam ser ouvidos. Que as consultas que nunca foram feitas deveriam ser frequentes. Nunca vi, mas pode ser que existe e não li. São tantos a se arrogar donos da verdade que penso se eu fosse um tolo e hoje o escotismo fosse divido em ações eu não fiquei com nenhuma. Nem ao portador nem as nominais. Francamente? Temos milhares de bons Escoteiros adultos. Calculo que quase a totalidade. Mas estamos presos a estes que se julgam donos. Das ideias, das normas, de tudo.

        Eu ainda tenho sonhos, sei que nunca seriamos uma horda de homens e mulheres advindos de Shagri-la. Sei que já ouviram falar Se trata de uma obra literária de 1925 do inglês James Hilton, Lost Horizon (Horizonte Perdido), é descrito como um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre pessoas das mais diversas procedências. Shagri-la será sentido pelos visitantes ou como a promessa de um mundo novo possível, no qual alguns escolhem morar, ou como um lugar assustador e opressivo, do qual outros resolvem fugir. Seria isto mesmo? Não sei. Ainda temos milhares acreditando que sim. No escotismo tudo é possível. Quantos ainda acham que podem continuar assim? Não sei. Não é uma preocupação maior dos Escoteiros adultos. A maioria não pensa nas estruturas até que esta se vire contra ele. Até que um belo dia eles dão uma parada e se perguntam: - O que estou fazendo aqui?


    Com a palavra os donos do escotismo. E não venham me dizer que todos somos donos. Não somos. Tentamos ao nosso modo simples e fraterno dizer que sim. Mas o escotismo no Brasil meu amigo e minha amiga ainda não pertencem a nenhum de vocês. É sim o seu trabalho como voluntário. Obedecendo as normas que foram criadas sem você nunca ter sido consultado. A velha rotina das raposas que dizem que podemos e temos poder de mudar é uma falácia. Tem-se um medo generalizado de dar voz e voto a todos. Apregoam ser impossível a organização sobreviver. Enquanto isto eles se sentem bem com o andar da carruagem. Os que se arrogam contra sofrem processos ou são escamoteados. Melhor voltar a viver em Xangri-la. Não dizem que viver de sonhos é melhor que a realidade?