HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

sábado, 21 de outubro de 2017

Obrigado pela visita, volte sempre!



Um pouco do autor.

                Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Chefe Escoteiro. Aposentado é claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas após em que BP faleceu no Quênia - África (num lugar tranqüilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobinho. Escoteiro e Sênior. Permaneci no Clã pioneiro até os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatéia como Akelá, em tropa escoteira e sênior. (Mestre Pioneiro também). Fui ainda Diretor Técnico (nome horrível, prefiro Chefe de Grupo), Comissário Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Adestramento até 1990.

                Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formação (prefiro adestramento) em diversos estados.  Se não me falha a memória, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a não mais continuar na ativa. Saúde, emprego, enfim me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regionais precisavam, ali estava eu a Servir.

                Feito esta introdução, quero agradecer sua visita. Seja bem vindo. Aqui vais encontrar artigos sobre diversos assuntos. Alguns polêmicos, outros informativos e outros tantos tentando ajudar a cada um na sua labuta escoteira em seu Grupo. Alguns irão achar que sou contra tudo que é feito pelos dirigentes escoteiros regionais e nacionais. Engano. Meu intuito é alertar. Claro, a possibilidade de ser lido e entendido por eles é um longo caminho.  Como digo sempre em todos os artigos, nosso movimento está sofrendo uma espécie de letargia, achando que tem rumos definidos, mas que não estão trazendo resultados legítimos para o devido reconhecimento por parte de nossas autoridades nacionais. Existe a ênfase de exaltar aqui e ali aqueles homens dignos (poucos muito poucos) que foram um dia escoteiro. Penso diferente. Se eles receberam deveriam agora dar de si para o reconhecimento de nossa organização, mostrando o prestígio que tem dentro de nossa sociedade nacional.

                Sei da luta de todos os dirigentes. Acreditam estar no caminho certo. Decidem com poucos, não fazem pesquisas, fizeram um estatutos que nada muda e sem nenhuma base sólida vão mudando tudo achando que o caminho a seguir é feito de um homem só. As pesquisas que eu faço de boca a boca não são boas. Seria bom uma volta ao passado, quando a Federação das Bandeirantes do Brasil seguiu este caminho e não acertaram. Depois, tarde demais voltaram às origens.

                Leiam meus artigos. Se forem de conformidade ou não, não importa. Não sou infalível e nem o dono da verdade. Queria sim uma grande participação de todos, para que a responsabilidade do acerto ou erro no futuro recaia sobre nossa própria identidade. O meu e o seu desejo é tenho certeza que o Escotismo seja uma grande força na formação de jovens em nosso país.

Obrigado pela vista.
Faça sua própria aventura!

Chefe Osvaldo

               

Anotações de Baden-Powell – Número 2. Apenas basta sorrir!


Anotações de Baden-Powell – Número 2.
Apenas basta sorrir!

“Quando tudo vai mal e parece inclinado,
    A tornar-se pior e mais turvo a seguir,
   Não dê coices, nem grite e não fique afobado;
        Apenas basta sorrir.

           Quando alguém, a você, quer passar para trás.
              E tomar mais que a parte que lhe competir,
                Seja firme, gentil e paciente rapaz:
                  Apenas basta sorrir.
             
                     Mas se um dia você ficar “cheio“ demais
                       (certas vezes você ficará abafado)
                           Não podendo sorrir, não se irrite jamais
                              “Apenas fique calado”.
                  Do Livro o Caminho para o Sucesso. Baden Powell.

Boa disposição.
- A falta de riso significa falta de saúde. Deves rir tanto quanto puderes que te faz bem; por isso, sempre que puderes dar uma boa gargalhada ria à vontade. E faz rir os outros também quando puderes, visto que lhes faz bem. Se estiveres a sofrer, ou em apuros, faz por rir da tua dor ou das tuas preocupações; se te lembrares disto, e te obrigares a rir, vais ver que te faz realmente bem. Uma dificuldade deixa logo de ser uma dificuldade assim que te rires dela e a enfrentares.

- A vida do Escoteiro torna-o tão jovial que ele está sempre a sorrir. “Um sorriso leva duas vezes mais longe do que uma careta”. Uma palmada amigável nas costas é um estímulo mais poderoso do que uma picada de alfinete. Se olhares para um verdadeiro lobo, vê-lo-ás sempre de focinho franzido, como se estivesse a sorrir. Então, o lobinho também deve andar sempre sorridente. Mesmo que não te apeteça sorrir - e por vezes até podes ter vontade de chorar - lembra-te de que os lobinhos nunca choram. Com efeito, os Lobinhos sorriem sempre, e quando têm problemas ou estão com dores, quando estão em apuros ou em perigo, sorriem sempre e aguentam.

Nos Lobinhos, o sorriso do escoteiro deve ser um riso aberto. O riso neutraliza a maior parte dos defeitos das crianças e promove a alegre camaradagem e a abertura de espírito. O rapaz que muito ri pouco mente. Uma Escoteira anda sempre a sorrir e a cantar, dando alegria aos outros e a si mesma, especialmente em tempos de perigo, pois mesmo então nunca deixa de fazê-lo.
«Ri enquanto trabalhas» (lema sugerido para as Escoteiras)

Em geral, existe sempre um lado divertido até mesmo nas piores alturas. O bom humor é tão contagioso como o sarampo. Uma boa dose de riso é um banho para o cérebro. Com carácter e um sorriso, o rapaz vencerá os males que se lhe deparem no caminho. Há muito tempo, descobri por experiência própria quanta verdade existe no ditado; «Um sorriso e uma bengala ajudar-te-ão a atravessar todas as dificuldades que há no mundo»; e quando ganhei mais experiência, percebi que normalmente até se pode deixar a bengala em casa.

Se um rapaz se habitua a mostrar um semblante alegre quando vai pela rua, já faz muito. (Não nos esqueçamos de que ele adquire este hábito graças ao exemplo do seu Chefe). A sua atitude ilumina e torna mais felizes muitos dos que passam por ele, comparada com as deprimentes centenas de caras tristonhas com que também se cruzam. A alegria e a tristeza são tão contagiosa uma como a outra.
«Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações».

As Escoteiras nunca resmungam perante as dificuldades, nem refilam umas com as outras, nem se põem de má cara quando ficam de fora. Acho que nós, os Escoteiros, podíamos acrescentar mais uma às sete virtudes cristãs - concretamente, a boa disposição. Há uma divisa que afirma: “Sê bom, e serás feliz”. A minha versão é: “Sê bem disposto, e serás feliz”.

Vede sempre o lado melhor das coisas e não o pior.

Nota de rodapé: - Hoje dia de reunião poucos irão ler agora a magnifica interpretação de Baden-Powell sobre a alegria e o riso. Sei que quando saírem da reunião na primeira oportunidade irão ler. Vale a pena. BP foi um homem além do seu tempo. Em tudo que fez e criou. “Sê bem disposto, faça uma boa ação e serás feliz”.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Crônicas de um Chefe escoteiro. Finalmente cheguei a Gilwell Park.


Crônicas de um Chefe escoteiro.
Finalmente cheguei a Gilwell Park.

                Duas da manhã. Cochilando ainda escrevia meu novo livro. O telefone tocou. Parei de escrever pensando se o titulo era correto: - “Dez passos para ser um Politicamente Correto da UEB”. Atendi. Surpresa, nada mais nada menos que o Scout Bear Grylls, celebre Escoteiro Inglês e muito meu amigo. – Chefe Vado Escoteiro, desculpe incomodar esta hora, mas recebi da Rainha Elizabeth Alexandra Mary Windsor Isabel II para convidar o Senhor a uma recepção no Palácio de Buckingham. Estarão presentes toda a realeza e o Principe Willian me incumbiu de dizer que é seu fã. Conversamos como bons amigos no idioma inglês no melhor estilo Oxfordiano. Confirmei minha ida.

                Em Cumbica tomei meu lugar na primeira classe em um voo da British Arways. A simpática Flight Attendant (aeromoça) me recebeu como se eu fosse um Chefe de Estado. – Sir Osvald! Desculpe chamá-lo assim, mas me disseram que receberá o título das mãos da Rainha e saiba que também sou sua fã! – Demais. Linda, simpática, graciosa falando assim com o Chefinho Vado matuto das Minas Gerais. Foi um voo tranquilo. Durante a viagem beberiquei um autêntico Ballantines que escolhi dentre os Blach and White, Buchanans e Burrberrys. No almoço Pedi uma Omelete de cinco mil dólares, igual a que comi no Norma’s Restaurante e no Hotel Le Parker Meridien em Nova York.

                  Pousamos as 6:15hs no Aeroporto Heathrow. Gosto da pontualidade britânica. Atrasamos seis segundos e o Comandante Ehlmut Wick, filho do célebre aviador da Segunda Guerra Major Helmut Wick pediu desculpas pelo atraso. Eita povo de Baden-Powell, são demais! Uma limusine me esperava e fui direto para o Palácio da Rainha. Soube que a Câmara dos Lords iria formalizar meu titulo de Lords cujo certificado já recebera via Correios com seis meses de atraso. Eita correio do Brasil não tá com nada! Porque tanta homenagem? Será pelo fardão que me entregaram com o titulo dado pela Academia Escoteira de Letras? Ela ainda não existe e tem muitos dando palpite.

                  Fiquei pouco tempo no Palácio. Meu intuito era ir direto a Gilwell Park para o Fogo de Conselho do Ano. O convite era de Baden-Powell meu velho amigo a quem admiro muito. Bear Grylls fez questão de me levar. Estava sem graça ao dizer: - Chefe Sir Vado, recebi um telegrama das autoridades escoteiras brasileiras. Disseram que o senhor não tem registro, veste o caqui em vez da vestimenta, não usa a camisa prá fora e não pagou a taxa de viagem a eles em dólares. Pediram para não receber o senhor. Pensei comigo: - Que autêntica palhaçada! Risos.

                 No célebre portão de entrada de Gilwell, vi o machado cravado num tronco, idealizado por Francis Gidney a quem todos chamavam carinhosamente de “homem-rapaz”. O machado se tornou um símbolo do Parque de Gilwell. Foi construída uma cabana no parque com o nome do seu benfeitor Francis Gidney que até hoje é usada. O pior estava a acontecer. Não sei se à custa deles ou da UEB diversos dirigentes brasileiros estavam lá gritando que eu não poderia entrar. Cambada de idiotas! Foi então que Percy Bantock Nevill, um espirito amigo me levou por outra trilha onde confirmei que é mais verde a grama lá em Gilwell.

                Minha visão se estarreceu. Em volta de um pequeno fogo sentados em tocos de madeira lá estavam: - Lord Baden-Powell, Percy Bantock Nevill, John Gayfer, Francis Gidney, o escoteiro americano Frederick Russell Burnham, Sir William de Bois Maclaren, a esposa de BP Olave St. Clari Soames, a Chefa americana Juliette Lowe, a Srta. Vera Barclay, Sir Percy Everet, Jonhn Thurman e muitos outros. Ops! Esqueci-me do meu amigo Floriano de Paula e Darcy Malta. Estava embasbacado! Não merecia tamanha honraria. Aproximei-me deles, todos ficaram de pé e vieram me abraçar. Chorei. Isto sim era fraternidade diferente dos dirigentes e donos do poder do escotismo no Brasil e em alguns países do mundo.

               Baden-Powell com seu sorriso cativante me convidou a sentar ao seu lado. Quando ele ia fazer a abertura do fogo, quando começou a chamar os Ventos do Norte, os Ventos do Sul eis que uma cambada de Politicamente Corretos da Escoteiros do Brasil invade o campo. Aos gritos de acabem com o Vado Escoteiro, acabem com esta tradição besta, eles não estão registrados e não tem direito de se chamar escoteiros. Nós sim, temos registro no IMPI! Quanta boçalidade. Graças a Deus que ao meu lado estava meu bastão escoteiro de um metro e setenta, duas e meia polegadas com ponteira de aço. Eles iriam ver como eu era no jogo dos bastões que aprendi com um Zulu nas Matas de Luanda.

              A coisa começou a pegar fogo. Levei um catiripapo na orelha. Tentei revidar, mas nunca vi tantos puxas saco da UEB reunidos. A gritaria era demais. Os Grandes chefes do Passado estavam perplexos com tudo aquilo. Eles eram fraternos, irmãos, davam as mãos a todos que amavam o escotismo independente de sua condição, raça, cor ou escolha pessoal da associação. Tremia de raiva, não sabia mais o que fazer. Apanhava e batia. Gritava feito um louco. Uma vozinha doce e suave me chamava:


              - Vado Escoteiro, acorda! Acorda meu querido. Outra vez estes pesadelos? Marido, você precisa ter mais calma, afinal aprendeu que a fraternidade não é só uma palavra é muito mais. – Sábia a minha mulher. Perdi o melhor de tudo, o fogo de conselho que sempre imaginei participar. Mas me desculpem estes politicamente corretos, será este mesmo o escotismo que querem fazer?

Nota de rodapé: - Ops! Não se revoltem. Calma, é apenas um artigo divertido e sem nexo do Chefinho Vado. Sem ofensas. Não me levem a mal. Sou um pobre escoteiro metido a escritor que gosta de escrever sobre tudo. A história é inverossímil e sem cabimento. Assim não me processem, pois os que me conhecem sabem que não posso ser processado. Sou duro, não pago advogado e nem tenho onde cair morto! Kkkk. E viva Baden-Powell!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Técnicas de dobras de lenço Escoteiro


Conversa ao pé do fogo.
Técnicas de dobras de lenço escoteiro.

               Tem técnicas? Risos. Acho que não. Cada um dobra como aprendeu. Com ferro de engomar, enrolando com os dedos, conheci um Chefe que cortou um galho reto sem fissuras e depois de limpar e envernizar o usava para enrolar o lenço. Muitos custam a lavar e outros lavam toda semana. É questão de escolha e gosto. Os primórdios do lenço dizem que BP copiou dos cowboys americanos, outros dos exploradores africanos e australianos. Todos davam só uma volta e colocavam n pescoço. Tem história o lenço, já contei aqui um dia deste volto a postar novamente.

                Hoje quero mostrar uma dobra de lenço que nada tem de inédito. Sei de mais de um milhão escoteiros que já fizeram assim. No passado (tem gente que não gosta, poxa! O que eu posso fazer?) “entonse” no meu tempo de escoteiro a gente ia aos acampamentos e muitas vezes ficava lá dias e dias. Nas férias eu acampei diversas vezes por mais de quinze dias. Meu Chefe ia visitar uma vez por semana. Não podia ficar lá o tempo todo, pois era como vocês hoje, escravos do tempo, trabalhando como um danado para comprar o pão e o leite das crianças.

                 Nestes acampamentos sabíamos quando ele chegasse ia fazer inspeção e o uniforme era o mais cobrado. Tínhamos uma técnica própria para passar o uniforme depois de lavado e o lenço. Coisa simples que quatro ou cinco varas de marmelo não podia resolver. Bem sei que muitos conhecem varas de marmelo de outra forma, mas hoje o tal Estatutos da criança proíbe. Um tapinha, delegacia, xadrez e ouvir sermões do delegado. É duro, pois muitas veze o cara nem tem filhos e vem querendo ensinar como agir. Saudades da mamãe e sua vara de marmelo.

                Esticadas entortadas lá ia secar o uniforme e o lenço. Duas horas depois de sol quente era tirar com calma dobrar guardar e esperar a hora certa para vestir e formar em frente ao pórtico de campo esperando o Chefe chegar. Foi numa dessas que me lembrei de um fato acontecido há anos passados. Eu estava na casa da Chefe Cida, uma formadora residente em São Caetano, e lá estavam também diversos chefes de uma seita, Ops! Digo Grupo de amigos do Google se confraternizando. Uma atividade gostava repetida anos depois. Eram bons abraços, bons apertos de mão, bons sorriso e sempre um semblante mostrado de bons companheiros.

                 Eis que chegou a hora de tirar a foto oficial. Um amigão estava a enrolar o lenço em uma mesa. Porque não ajudar? Lá fui eu intrometido a dobrar seu lenço no método boca dedo, criado por um Zulu com quem encontrei em sonhos na Caverna dos Macacos no alto do Kilimanjaro. Todos passaram a me olhar como se fosse um ET escoteiro recém-chegado do espaço. Sei que poucos imaginaram que se podia enrolar assim! A turma se divertiu a valer. Muitos contaram como enrolavam e as técnicas utilizadas. Se ainda não conhecem este modo simples, fiquem a vontade para treinar e se divertir. Afinal nos acampamentos não tem mesa nem ferro de passar.

                E chega por hoje. Quem gostou, gostou quem não gostou paciência. E olhe uma vez fiz este comentário e nossa! Houve milhares a demonstrar outros métodos que conhecia e sei da sua validade. Lenço, agora é um símbolo para demonstrar que é escoteiro. E “vamo que vamo” mais tarde tem conto e boa noite. Até mais...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Poemas do Chefe Osvaldo. Poemas, poesias sempre encantam. Porque não publicar uma?


Poemas do Chefe Osvaldo.
Poemas, poesias sempre encantam. Porque não publicar uma?

No mundo da fantasia... Mora a escoteira Luzia.

No mundo da fantasia, vivia a escoteira Luzia.
Sorriso alegre bem faceira, uma linda escoteira,
Na Tropa da imaginação, Luzia entregou seu coração.
Sonhava noite e dia, para o escotismo vivia.

Morava em uma tapera, encantada em sua quimera,
Entregou-se a uma ilusão, e ao escotismo seu coração.
Só falava só cantava na patrulha que amava.
Não importavam os ventos, adorava acampamentos.

Tinha um sonho dourado, e Deus seja louvado,
Sem criar desavença, montar uma barraca suspensa.
O tempo sem um final, no campo deitou temporal.
E na chuva molhada, a patrulha ela gritava:
Irmãos consegui. Na barraca sobrevivi.

Zé Santana, Nonatinha, Lovegildo e Renatinha.
Ela, Tonho monitor, todos da patrulha Condor.
Reuniões, saudação amores e dissabores.
E no aperto de mão mostravam que eram irmãos.

Noites viagens ligeiras, dormindo sob as estrelas,
Conquistas e façanhas, escalando belas montanhas.
Bussola, Rosa dos ventos, chuva toma tento.
Ela participava e sorria, assim era a escoteira Luzia.

Mas a vida não é sorriso, e tudo parece improviso.
Eis que de repente, alguém a olha sorridente,
Ela se ergue no ar, é o príncipe do além mar!
Olá, sua voz ecoou! Seu coração disparou!

E assim em poucos instantes, iniciou um romance.
Foi amor de improviso que aumentou seu sorriso.
Mas ele com seu gesto mostrou não ser honesto.
Amou Vania, amou Vanda, amou demais Maria Ana.

A bela não mais sorria coitada da linda Luzia.
Tinha abandonado as amigas, chorava com suas cantigas.
Escoteira tomou resolução. Ele não vai partir meu coração.
Escoteira acorda e não dorme, vá vestir seu uniforme.

Voltou, esqueceu-se da ilusão. A todos pediu perdão.
Na bandeira bem faceira, sorria a bela escoteira.
Junto aos amigos de fato, a todos deu um abraço.
A historia termina em euforia, Voltou à escoteira Luzia.

Que jurou o seu amor, a patrulha do Condor!        


Nota de rodapé: Meus amigos tomem acento,
Neste belo acampamento.
Em sonhos fui acampar,
E resolvi poetar...
E chega de romarias,
Apresento a escoteira Luiza.
Se gostarem batam palmas,
Se não cuidado com suas almas.
Abraços fraternos.

domingo, 15 de outubro de 2017


Crônica de um Velho Chefe Escoteiro.
O poste.

                            Ele não sabia há quanto tempo estava ali naquele Grupo escoteiro. Podia chover fazer sol e lá estava ele firme sem reclamar. Afinal aprendeu a ser um mero cumpridor de ordens. Bem não vamos ser tão críticos, mas o poste nunca recebeu um tapinha nas costas um obrigado ou um incentivo. Ele sabia que era um poste e sua utilidade era uma só. Segurar os fios do telefone e força elétrica e esperar as ordens do seu superior hierárquico no Grupo Escoteiro. Mais nada. Mais nada? Ele sabia que ninguém invejava a vida de um poste. Mas cá prá nós, ele se sentia satisfeito, o sorriso da moçada, da lobada e isto o fazia sorrir também.

                            Acreditava piamente que fazia sua parte na formação da juventude no país. Um dia ele se achou mais importante do que era, mas alguém achou que não. Mandaram calar e se não estivesse satisfeito que procurasse outro lugar. Notou que em todos os Grupos Escoteiros que visitava sempre tinha um ou mais postes. Sabia que neles muitos foram trocados por se revoltarem com sua condição de poste. Uns por velhice outros por atraírem beijos da meninada e logo o acusavam de tudo. Ele se comparou ao poste da esquina. Os veículos eram atraídos como mel nas flores e soube que o anterior um raio o partiu ao meio. Bem ele sabia que nenhum deles fez falta. Quem sabe pensou se um dia se revoltasse poderia dizer que eles os postes eram de uma casta muito importante?

                     Ele sabia que os demais chefes riam a beça dos postes. Não tinham o mínimo de respeito por eles. - Aqui é o fim da fila? - Uma Assistente de tropa perguntou só de gozação. Ele riu e respondeu: - Não, não, é o começo, só que estou de costa. Pois é, ela brincou, tome cuidado com os cães! Adoram fazer de vocês postes banheiro publico. E olhe que algum “bebum” pode passar e acha que você é um vaso sanitário. Ele ficou pensativo. - E daí? - Quem poderia se incomodar com ele? Não tinha dúvida nenhuma que era um poste. Mandavam-lhe varrer a sede, fazer limpeza nos banheiros e nos acampamentos lhe davam serviços de segunda categoria. Se o “bebum” escorava nele, se entortava todo e em dado momento caia esborrachado no chão não era seu problema. Ele pensava e ria. O que diria? - Nossa, caiu? - Não, senti atração pela Terra e decidi abraçá-la. Ele ria afinal chorar para que? Ele era apenas um poste. Ele gostava da escoteirada, da lobada e isto o fazia feliz. Fingia não ver os erros que os chefões faziam, e mesmo ele tentando ajudar sabia que sua ajuda não teria valor.

                     Um dia ouviu um Diretor Técnico chamar os outros chefes e dizer: - Não é melhor o mandar sumir? Afinal é um poste e como tal é um verdadeiro perigo! Nenhum poste poderia ser pretendente a um Chefe Escoteiro. Porque não? Perguntou a Akela mandona. - Porque se vier alguém em alta velocidade impreterivelmente vai bater nele. Era verdade. Ele não sabia por que as batidas eram sempre em cima dele. Quando ouvia um cantar de um pneu fechava os olhos esperando a batida. Tentou tudo para deixar de ser um poste e não conseguia. Por quê? Será que era o seu destino? Interessante que ele não sabia das estatísticas do SIGUE que todos os dias eram centenas de postes que apareciam para ficar em uma esquina esperando uma batida.

                     Afinal e pensando bem, eles os postes não eram imprescindíveis? Será que os Grupos Escoteiros poderiam viver sem um poste? Ele passava a maior parte do seu tempo pensando nisto. Como fazer para desviar dos chefes e suas ordenanças estapafúrdias. Reclamar? Ele sabia que não podia, afinal era um poste pombas! Ele sabia que desde os primórdios do escotismo existiam os postes. E olhe que sempre tinha um para lhe recordar que o poste Escoteiro é obediente e disciplinado.

                        Mesmo se fosse de família importante ele não deixava de ser um poste. Pensou em fazer uma Indaba com todos os postes do Brasil. Vamos nos revoltar? Vamos mudar de esquina e ir ser poste em outro lugar? Ele não gostava das eleições. Todos se julgavam no direito de colar cartazes, santinhos e ele ficava uma sujeira só. E depois diziam que eles eram civilizados e ele um poste.  E as piadas? Detestava. Tá lavando a calçada? – Não, tô regando prá ver se nasce aqui um pé de poste. Era assim nos fogos de conselho. A escoteirada e lobada ria a mais não poder. Alguns sentiam pena, mas eram motivados pelos durões chefes Escoteiros. Sonhou um dia que um policial deu um tapa num marginal e o prendeu no poste. Era ele. Não pode fazer isto aqui, ele queria dizer ao policial. Mas ele nem aí. Deixaram o marginal lá por dois dias e depois soltaram. Ele teve de ficar ouvindo o matraquear do marginal que prometeu matar ele, seu pai, sua mãe e todos que tinham seu sangue.

                        É, dizem que é isto mesmo. Poste é poste e não adianta discutir. Está ali para ser mandado, sabe que sua estirpe, sua árvore genealógica sempre foram postes. Quem sabe um dia iriam reconhecer seu trabalho? Afinal poste é poste e ser humano é ser humano. Não diziam que o espelho das sombras é um poste iluminado? Afinal será que você quer passar o resto da vida vendendo ilusões ou quer ter uma chance de mudar o mundo? Isto dê o primeiro passo, deixe de ser poste, educadamente mostre que você pode fazer tão bem como eles fazem e se não acharem assim, o melhor meu amigo é por seu boné e procurar outra esquina e continuar sendo um poste!


                      Pois é, e o pior é alguém sentir sua falta. Isto pode acontecer? - Cadê o poste? O poste sumiu! E o au, au que queria fazer xixi? Cadê o poste!  O poste já era. O poste foi ser Chefe Escoteiro em uma esquina da vida. Lá aprendeu qual a diferença de um poste e aquele que é amigo de todos e irmãos dos demais Escoteiros. Sei que em muitos Grupos Escoteiros tem um ou mais postes. Aqueles que deixam o tempo passar sem preocupações. São aqueles bem mandados, que aceitam tudo, que não discutem e sempre com um sorriso nos lábios a dizer: sou feliz, pois amo esta meninada e faço tudo por eles. O que outros fazem não me preocupo. “Seria ele um poste”?

Nota de rodapé: -- “A maior ameaça a uma democracia é o homem que não quer pensar pôr si mesmo e não quer aprender a pensar logicamente em linha reta, tal como aprendeu a andar em linha reta”. A democracia pode salvar o mundo, porém jamais será salva enquanto os preguiçosos mentais não forem salvos de si mesmos. Eles não querem pensar, desejam apenas ir para frente, seguindo a ponta do nariz através da vida. E geralmente, estes, alguém os guia puxando-os pelo nariz! Saia da sua estreita rotina se quer alargar sua mente. B-P. E eu completo: Afinal você não é um poste!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Pérolas dos livros de Baden-Powell.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Perolas dos Livros de Baden-Powell.

                      Nos cursos escoteiros que tive a honra de dirigir ou colaborar, sempre disse a todos os chefes voluntários que sem ler pelo menos duas vezes os Livros do Fundador (Caminho para o Sucesso, Escotismo para Rapazes e Guia do Chefe Escoteiro e o Guia do Lobinho) não poderiam ter uma ideia de como participar agir e fazer o Escotismo que ele idealizou. Sei que hoje tem centenas de livros, livretos, apostilas e etc. nas lojas escoteiras, mas se não tiverem lidos os principais ninguém em sã consciência mesmo sendo portador da Insígnia de Madeira pode dizer que está preparado para formar e adestrar lobos e escoteiros. Deixei anotado aqui algumas perolas retiradas de suas publicações. Anotei poucas delas. Seus versos e suas frases mostram como podemos praticar o escotismo do Fundador.

Pérolas do fundador:
- Um sorriso é a chave secreta que abre muitos corações. Nenhum homem pode ser chamado de educado, se não tem uma vontade, um desejo e uma habilidade treinada para fazer a sua parte no trabalho do mundo. - Nosso método de treinamento é o de educar a partir de dentro, em vez de instruir a partir do exterior, oferecendo jogos e atividades também atraentes para o rapaz. Educação moral, mental e física. - “Sem Chutar o IM sílaba da palavra impossível, ninguém terá a certeza de sucesso.”. - "O acampamento é de longe a melhor escola para dar aos jovens as qualidades de caráter.”. - “O teste da educação bem sucedida não é o que uma criança sabe, com base após exames escolares, mas o que ela estará fazendo dez anos depois”.

- Cada um terá que escolher por si próprio qual será o verdadeiro lema. O egoísmo é mais cómodo; o Serviço envolve sacrifício. Se um indivíduo não é capaz de se sacrificar, não tem direito de se chamar Homem. “Mas se se sacrifica para servir, exprimindo da melhor maneira possível o seu amor, pode estar certo de que a vida será para ele um bem muito real, cheia de Felicidade”.

- Levar-se muito a sério enquanto jovem é o primeiro passo para tornar-se um “PEDANTE”. - Um pouco de bom humor poderá tirá-lo deste perigo e também de muitas ocasiões desagradáveis. - Aquele que se elogia é geralmente aquele que necessita de ajuda; - Um cidadão equilibrado vale meia dúzia de extravagantes; - Muitos querem seus direitos, antes de os terem merecido.

“Quando tudo vai mal e parece inclinado, A tornar-se pior e mais turvo a seguir, Não dê coices, nem grite e não fique afobado; Apenas basta sorrir. - Quando alguém, a você, quer passar para trás e tomar mais que a parte que lhe competir, Seja firme, gentil e paciente rapaz: Apenas basta sorrir. Mas se um dia você ficar “cheio“ demais (certas vezes você ficará abafado) Não podendo sorrir, não se irrite jamais, a Apenas fique calado“. (Anotações do Livro Caminho para o Sucesso).

- Nos momentos difíceis, um sorriso nos 99% das dificuldades. Sede constantes. – Muitos fracassam por falta de vontade, paciência e perseverança. Não me distingui em nada, mas provei muitas coisas que me permitiram gostar das alegrias que o mundo oferece.

- A amizade é como um boomerang; tu dás a tua amizade a um dos teus companheiros, e depois a outro e a outro ainda, e eles retribuem-te com a sua amizade. Assim, a tua amizade e boa vontade iniciais vão-te fortalecendo à medida que vão sendo transmitidas aos outros, e acabam por regressar a ti, em retribuição, tal como o boomerang regressa à mão de quem o lança. Se não tiveres medo das pessoas que encontras nem sentires antipatia por elas, também elas, da mesma maneira, não te recearão nem desconfiarão de ti e terão tendência para gostar de ti e ser tuas amigas.

- Aprender fazendo. - Todo o escoteiro tem de começar como Pata-Tenra e cometer alguns erros no princípio. Como disse Napoleão, “Um homem que nunca fez erros nunca fez nada”. A criança quer estar a fazer coisas; por isso, encorajai-a a fazê-las na direção correta, e deixai-a fazê-las à sua maneira. Deixai-a cometer os seus erros; é por meio destes que ela ganha experiência. A prova do pudim só se faz quando o comemos. Não faça ele (o chefe) muito daquilo que compete aos próprios rapazes, e assegure-se de que eles o fazem. “Quando quiserdes que uma coisa se faça, não a façais vós” é a divisa apropriada.

- “É a vara que muitas vezes faz o covarde e o mentiroso”. - Buda disse “Só há uma maneira de expulsar o Ódio do Mundo, e essa maneira é incutir nele o Amor”. Temos diante de nós a oportunidade para, em vez do egoísmo e da hostilidade, inculcarmos paz e boa vontade no espírito das gerações vindouras.

- Baden-Powell era muito preocupado com o exemplo pessoal do chefe escoteiro, tanto que no Guia do Chefe Escoteiro repete por diversas vezes isto. Quando ele fala de religião ele diz que uma das maneiras de o Escotismo ajudar é pelo exemplo pessoal do Chefe Escoteiro, e ele enfatiza isto escrevendo que “Não há dúvida nenhuma que aos olhos de um jovem, o que interessa é o que a pessoa faz e não o que a pessoa diz”.

Curiosidades: - A primeira versão portuguesa do livro Caminho para o Sucesso foi publicada pela Associação dos Escoteiros de Portugal com o título "Manual do Escoteiro", encontrando-se esgotada há várias décadas. O Escotismo para Rapazes continua a ser um best-seller, estando traduzido para todas as principais línguas do planeta. O Escotismo para Rapazes passou para o domínio público em 2011, 70 anos após a morte do autor. Em 2008 foi comemorado o centenário deste livro.


A última mensagem de BP: - “Procurem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram, e, quando chegar a hora de morrer, poderão morrer felizes sentindo que pelo menos não desperdiçaram o tempo e que procuraram fazer o melhor possível. Deste modo estejam sempre ‘Bem Preparados’ para viver felizes e para morrer felizes – mantenham-se sempre fiéis à sua Promessa Escoteira – mesmo quando já tenham deixado de ser rapazes – e que Deus ajude a todos a procederem assim.” - Robert Baden-Powell.

Nota de rodapé: -  Muitos chefes com quem convivi no passado foram unânimes em dizer que o Chefe que não leu os quatro principais livros de Baden-Powell (Escotismo para rapazes, Caminho para o Sucesso Guia do Chefe Escoteiro e o Guia do Lobinho) não está preparado para dirigir uma sessão escoteira seja ela qual for. Verdade ou não sempre aconselhei a todos os chefes nos cursos que participei dirigindo ou na equipe que tivessem estes livros em sua cabeceira. Escotismo é muito simples, aprender com BP e ouvir os rapazes. Mais que isto é complicar o que é muito fácil de realizar.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Era um cego e conduzia outro cego e sabe o que aconteceu?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Era um cego e conduzia outro cego e sabe o que aconteceu?

“Porventura pode um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?”  (Lucas, VI, 39.) - “Sabes que os fariseus ouvindo o que disseste, ficaram escandalizados? Mas ele respondeu: Toda a planta que meu Pai Celestial não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os, são cegos guias de cegos. Se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.” (Mateus, XV, 12:14.).

                   Porque a introdução da minha crônica desta parábola tão conhecida? Talvez para dar exemplo ao movimento escoteiro no Brasil. Estamos ficando cegos. Não enxergamos nada a frente. Fazemos o hoje sem pensar no amanhã. Será que estou errado? Só eu estou enxergando? Não posso também estar cego com minhas palavras que nem sempre são acreditadas pela maioria? Pode ser. A verdade absoluta só há de Deus. Mas tentem ver a realidade hoje. Quem sabe programaram para tudo mudar no futuro, mas que futuro?

                  Um pensador disse que há cegos do corpo e cegos do espírito, e se horrível à cegueira do corpo, mil vezes pior é a do espírito. O dito popular que diz que um cego conduz outro cego pode ser apenas uma metáfora. É fato que o desejo de muitos dos que imaginam um novo escotismo gostam de criar de refazer de se sentirem realizados com o que fizeram. Mas deu resultado? Onde estão? Onde existem hoje homens ou mulheres forjados no método escoteiro que dizem ser moderno, que nas suas posições de comando nas diversas áreas empresariais, politicas e educacionais dão seu testemunho da validade do escotismo?

                  Já tivemos no passado alguns homens bem posicionados onde eram bem reconhecidos e podiam dar seu testemunho escoteiro. Sim, poucos talvez, mas tivemos. Hoje? Sei que ainda temos muitos antigos escoteiros que amam o escotismo, que tem dele boas lembranças, mas que dentro de sua vivência atual pouco pode fazer para que os educadores atuais reconheçam a validade da formação escoteira de Baden-Powell. Porque Baden-Powell? Porque o escotismo foi seu sonho e foi por ele iniciado. Muitos discutem hoje sua validade em 1910 e 2017. Não sou “Douto” para explicar em pormenores a metodologia que ele criou e as atuais que os novos pedagogos estão criando.

                  Dizem que no escotismo nada precisa ser criado e sim copiado. Bem quem diz isto tem lá suas razões. Se os novos pedagogos e pensadores escoteiros pensam o contrário e criam sem consultar ninguém, sem pesquisar, sem pelo menos ver se vai dar certo, e vão ao seu bel prazer mudando sem ver o rastro da criação que vão deixando eu pergunto: - Porque não crescemos? Somos 60 a 80 mil membros escoteiros nos últimos 30 anos. Nada muda. Sempre um sonhador dirigente a dizer que estamos crescendo. Onde? A mística se foi, a tradição pouco existe. A apresentação pessoal que foi orgulho de muitos deixou de existir. O orgulho de ser escoteiro ficou no passado daqueles que não estão mais na ativa.

                  Quem contradiz? Quem pode dizer que este não é o caminho? – Chefe, vá à assembleia, lá você pode dar seu testemunho. Verdade? Alguém já fez isto e deu resultado? Uma verdadeira massagem cerebral vem sendo posta em prática. Os antigos são esquecidos e os novos recebem o tal neo-escotismo que um amigo meu gosta de comentar. Porque nossa liderança ainda não fez uma boa pesquisa entre os brasileiros o que acham do escotismo nacional? Quais as respostas? Ainda existem? Onde estão? O que fazem? E esta apresentação tão simplória com falta de garbo e ordem?

                 É, é mesmo difícil reverter este quadro. Sempre os idealistas que quando chegam à posição de mando nada fazem e em vez de pelo menos copiar o escotismo verdadeiro de Baden-Powell simplesmente inventam e vão seguindo seus antecessores. Imaginemos, agora, um cego do futuro escoteiro, conduzindo uma multidão de cegos da mesma natureza, o que acontecerá? O que será de todos eles no futuro, afinal são cegos que entraram onde era desconhecido e foram apresentados a outra ideologia que não a de Baden-Powell. Qual o resultado?

                Enquanto isto os dirigentes, os novos formadores, os formados na Insígnia de Madeira tão desfigurada, sem contar os APF (assessores pessoais de formação) que foram preparados conforme o mando nacional seguem e sabem que nada podem mudar. E vou citando uma mãe que também é Chefe que desfia suas lamentações em dizer da tristeza de ver os meninos, querendo ser escoteiros ou lobos, mal vestidos, roupas grandes ou curtas demais, pais lamentando o preço que não podem pagar e um Chefe novo dizendo a ela que no curso o formador disse que isto é certo. Está no POR!

                Decididamente ninguém pode saber sem aprender, ninguém pode aprender sem estudar, assim como ninguém pode ver sendo cego. Escrevi tudo isto baseado na parábola de Jesus sobre o tema. Um cego não pode guiar outro cego. Um Dirigente não é o dono da verdade. Escotismo tem na sua origem Baden-Powell. Ele criou suas normas, regulamentos, simbologia, místicas e métodos. Quaisquer outra coisa que for aplicada não pode ser chamada “Escotismo”. Adaptações quem sabe, mas ouvindo os associados que hoje sabem sobejamente que nada fazem para mudar. Lembro as palavras de B. B. Valentine do Livro o Caminho para o sucesso de Baden-Powell:


- “Tem gente que é um gansinho no modo que vai atrás”... Dos outros que vão à frente – nem sabe para onde vai... Nas pisadas do pai ganso, vai pisando o filho atrás! Ele nunca fará nada que não tenha feito o pai!

Nota de rodapé: - - Em meus artigos eu não faço apologia a nenhuma associação escoteira existente no Brasil. Para evitar Patrulhamento ideológico que existe principalmente na maior delas eu não tenho registro na UEB. Nasci sob sua égide e a tenho até hoje no coração. Já lutei em diversas frentes na defesa de um escotismo autêntico que acredito dar os resultados esperados. Mesmo perdendo batalhas não desisto e ainda luto ao meu modo, escrevendo o que penso e o que vi até hoje no Escotismo Brasileiro. A mudança de pensar de atitudes de poucos que se acham donos das novas ideias que estão sendo implantadas não é o escotismo que acredito. Que cada um siga a direção do vento que achar melhor.

domingo, 8 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. O azulão que fez história.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O azulão que fez história.

                Quem não se lembra? Quando surgiu? Os antigos escoteiros contam que sempre existiu com a mesma cor e o mesmo brim. Tem cem anos? Não sei, mas eu e muitos que estão lendo e que foram lobinhos sabemos e conhecemos bem o azulão. Um uniforme que deixou saudades. Hoje sei que algumas alcateias estão mudando para a vestimenta. Já aparecem lobinhos e lobinhas com a camisa fora da calça, roupa larga, sem medida própria que desfigura quem a veste. Afinal o exemplo é o Chefe. Sem desmerecer, o preço da vestimenta daria para comprar três azulões. Mas isto é outra história. Aqui a intenção é falar do azulão.

                Onde quer que você fosse, onde quer que você ouvisse falar eles os azulões eram idênticos em todos os cantos do Brasil. Se você visitasse uma alcateia no sul ou no norte do Brasil não iria encontrar diferença. Sempre com suas meias cinza, seus calçados pretos, sua calça e camisa de brim azul, e seu boné de lobo. Quem os visse sorrindo uniformizado sabiam que eles eram perfeitos no dobrar do lenço e na imagem da apresentação pessoal que faziam quando uniformizados. Notaram que eles eram quase todos iguais? Não havia moda de cobertura. Era o boné e pronto! Dava gosto de ver os azulões. Brincavam, cantavam, corriam, faziam caminhadas e sempre com aquele uniforme bem postado que dava gosto ver o garbo e boa ordem.

                No passado não havia camisetas com logotipo do Grupo ou da Região sem contar agora os da Escoteiros do Brasil. (Sempre tem um querendo faturar). Voce via os azulões nas reuniões, nas atividades sociais, nos acantonamentos, nas excursões nas viagens de trem ou ônibus sempre impecáveis em seus uniformes. Lembro que até a criação do famoso traje que a Escoteiros do Brasil enterrou a sete palmos, as chefes usavam também o azulão. Como sempre lindas, impecáveis, sem invenções de cobertura. Algumas até usavam o boné de lobo, mas a maioria não.

                 O azulão seguia a sina de bons lobinhos. Quando você adentrava em uma sede e via alguns lobos com seus uniformes azuis já desbotando era bom sinal. Sinal que ele tinha tempo de lobinho. Lá estava suas estrelas de atividade, sua 2ª Estrela no Boné de lobo, e claro ele podia ser um Segundo ou um Primo com suas tiras amarelas no braço esquerdo. Ou será o direito? Não me lembro mais. A mamãe ou a titia cortava um triangulo pequenino em feltro para identificar a cor da Matilha. Houve uma época que existia o Mor. Escolhido entre os mais antigos dos lobos. Depois um “çabio” da UEB achou que não devia ter mais.

                 Tudo muda. Dizem que a modernidade se obriga a todos mudarem. O passado é passado dizem os novos pensadores e pedagogos escoteiros. Lembro que em uma década fizeram mais de seis tipos do “Manual do Lobinho”. Cada líder de lobinhos querendo ficar na história (ou faturar?). Para que? O de BP não bastava? Para mim sempre foi aquele que usei e ajudei a formar lobos por anos e anos de atividade como Chefe deles. Chamam-me de saudosista, será que sou? Se for amo ser um deles. Afinal quantos vestiram seus azuis e hoje não voltam ao passado para lembrar dos velhos e lindos tempos?

                 O que importa a saudade? O que importa a tradição? Afinal porque ser diferente em pleno século XXI? Li outro dia um comentário de uma Chefe entendida em uniforme que dizia ou respondia a uma dúvida de algum Chefe: - Todos mudam. Mais de 20 países já fizeram mudanças no uniforme. Não podemos ficar atrás. Afinal é uma escolha e devemos abraçar esta escolha. Parece aquele politico puxa-saco que dizia: - O que é bom para a Inglaterra, para os Estados Unidos é bom para o brasil!

                  Pois é. Poderia dizer muito sobre estes dizeres de mudança. Quá! Já disse e escrevi muito sobre tradição. Como sou antigo, do tempo da onça e como dizem alguns Papas-escoteiros modernos, eu ainda vivo no Tempo das Diligências. Será? Como sou brasileiro e aqui nunca andei de diligencia, eu só as conheci através dos filmes de “faroeste” onde a Wells Fargo era uma companhia de diligências do Velho Oeste. “Tempo bão sô”!

                 Mas do azulão não esqueço nunca. O usei por quase quatro anos. Amo este uniforme como amo o caqui. Posso dizer que sou um azulão e um caqueano de coração, afinal fui um deles com muito orgulho. Deixo aqui meu fraterno abraço e meu Melhor Possível aos lobos azulões. Eles nas suas trilhas da Jângal seguem a orientação de Akelá de Balu da Bagheera da Kaa, da Raksha e de tantos que lá estão ao seu lado mostrando que a vida na selva é linda e entre amigos ela é mais fácil de ser vencida.


                Azulões, lobos, boné típico, primeira e segunda estrela, quantos anos? Sei não. Cada um sabe contar como foi e o que sentiu quando vestiu pela primeira vez aquele lindo uniforme azul. Saudades de um Azulão que mantém ainda em alguns a velha saga das tradições que muitos não querem esquecer.

Nota de rodapé: - Um domingo qualquer. Sol, chuva, nuvens escuras no céu. Diz à meteorologista que vai chover a cântaros no final da tarde. Que venha a chuva gosto dela. Sentei na poltrona, liguei meu computador, minha máquina de sonhos e fiquei pensando. Escrever o que neste domingo? Pum! Eureka! Porque não escreve dos azulões? Afinal eles estão aí até hoje e mesmo que alguns chefes estão impondo a vestimenta, os que já foram nunca esqueceram dos tempos que portavam com orgulho seus azulões. “Bom demais sô!”.