HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Qual o valor do Monitor de Patrulha.


Conversa ao pé do fogo.
Qual o valor do Monitor de Patrulha.

                     É notável o papel que desempenha a Patrulha no Escotismo. Mas também é certo que ela será o que for o seu Monitor. O valor pessoal do Monitor, não o duvidemos, irá sempre influir tanto na vida social da Patrulha como na vida pessoal de cada individuo que a forma. Quando um dia perguntaram a Baden-Powell que grau escolheria nos quadros do escotismo se não fosse Chefe Mundial, ele respondeu: "Se me permitissem escolher um posto no Movimento, escolheria o de Monitor de Patrulha". Com isto queria significar o Grande Chefe, que julgava que o papel mais interessante dentro do escotismo é o de Monitor de Patrulha.

                 Disse um dia Proebel "é necessário que a vida do rapaz seja uma festa contínua; ele deve formar-se por meio do jogo, da alegria e da amizade. Baden-Powell para corresponder a esse desejo criou para os rapazes e moças algo de formidável onde eles possam desenvolver-se numa atmosfera de alegria e de bom humor". Eis o Escotismo que ele criou sobrepondo dois quadros cheios de atrativos: O quadro do ideal cavalheiresco e o quadro da vida de explorador, dos quais fez nascer à bela aventura da Vida Escoteira.

               O Monitor encontra aqui a sua grande missão, fazer dos seus rapazes atores desta aventura, sendo ele o mesmo realizador e um dos atores. Quanto mais viva for à realização, mais animado, agradável e feliz sairá o filme. Treinando os seus escoteiros, entusiasmando-os, amando-os e assim eles seguirão o seu monitor até ao final, evitando o aborrecimento nas atividades da patrulha, procurando criar cada vez mais qualquer coisa de novo, sem parar, vivendo sempre com o ideal de seguir sempre em frente até ao mais longe possível. Em tudo onde o monitor participe, deve ele acabar com os momentos vazios, cheios de palavras e de circunstância sem qualquer finalidade, porque antes de mais uma palavra clara e direta vale mais do que muitas palavras ocas.

                       A missão do monitor pode ser comparada ao de ser o Treinador, aquele que rega o que está árido, o Irmão Mais Velho, aquele que cura o que está ferido, o Modelador, aquele que dobra o que é duro e que aquece o que está frio, e finalmente o Exemplo, aquele que guia os passos dos desencaminhados. Para o Monitor obter bons resultados com o seu trabalho precisa ter: - sacrifício, dedicação, exemplo, franqueza, coragem, energia, pois a grande condição indispensável para se exercer uma ação de formação junto dos seus escoteiros é o seu exemplo como Monitor.

                    O Monitor não deve esquecer que deve partilhar esta missão de formação, com os seus Chefes, com o Assistente, com o seu Submonitor, pois deles exige-se a colaboração nesse sentido. Importante é que o Monitor nunca esqueça que a sua presença não deverá nunca apagar o individualismo de cada um dos seus patrulheiros. Por outro lado é bastante positivo que cada rapaz saiba que o seu Monitor está sempre pronto para ajudá-lo e que pode contar sempre com ele. O Monitor não é mais do que o modelador hábil que do barro mais resistente, dos caracteres mais difíceis, consegue fabricar autênticas obras de arte, Escoteiros conscientes, Homens para a Vida.

                  O Monitor antes de realizar esforços por formar os seus elementos, tem que os conhecer bem, assim que os mesmos entrem para a sua patrulha, assim será uma demonstração de que o Monitor se interessa pelos seus elementos, conhecendo os seus interesses, os seus gostos, os seus divertimentos, os seus estudos, a sua vida familiar e a sua vida no seio do seu Grupo. O Monitor deve ser responsável e isso implica saber responder pelos seus atos em qualquer momento. Partimos pelo pressuposto que todo o Verdadeiro Monitor é responsável, mas a sua responsabilidade situa-se até que ponto? Quem é que é responsável pelo Monitor?

                 Primeiramente, o Monitor é responsável pela sua própria pessoa. Sabemos também que do Monitor dependem outras sete pessoas, que o seguem, que o examinam, que colocam várias provas e obstáculos ao seu caráter e que conhecem melhor o Monitor que o próprio Monitor e finalmente são sete pessoas que imitam o seu Monitor, quer nas virtudes quer nos defeitos. Tudo o que acontecer dentro das competências do Monitor aos seus Escoteiros dependerá quase sempre do Monitor e do seu Submonitor da vontade de ambos. É necessário que o Monitor e o sub. saibam primeiramente o que desejam para si e depois de o saberem concretamente é que saberão o que querem para os outros.

Resumindo, conclui-se que o Monitor não é leal se exigir dos outros seus elementos algo que não exige de si, se lhes impuserem normas ou regras e é ele o primeiro a desobedecê-las. O Monitor deve sempre pensar num grau de exigência maior em relação a si do que dos seus elementos. O Monitor é Responsável pela sua patrulha, pois ele responde por ela onde quer se seja, quer em reuniões, quer em atividades, quer em jogos. Por isso o Monitor é responsável pelo espírito da sua patrulha/equipe, e, portanto deve ser o Monitor que o deve incutir nos seus irmãos escoteiros. O Monitor é também responsável pelo seu Grupo, pois a ele cabe um papel fundamental na discussão da vida do grupo a que pertence.

O Monitor não deve nunca deixar esse papel de lado, pois essa incumbência que é dada ao ele deve ser utilizada da melhor forma. Se a Chefia necessita do apoio dos seus Monitores no sentido de lhes ouvir as suas opiniões, informar sobre algumas indicações, falar sobre o espírito entre as patrulhas e a tropa e decidir os passos da caminhada da Tropa, o Monitor tem uma grande quota de responsabilidade sobre as orientações tomadas e realizadas pelo seu Grupo. Por último, o Monitor é Responsável por cada um dos seus escoteiros de patrulha, pois é ele que deve ser o primeiro a fazer com que os seus patrulheiros adquiram o verdadeiro Espírito Escoteiro, o espírito que se encontra presente na Lei do Escoteiro.

O Monitor não é apenas aquele que se diverte com os seus patrulheiros, mas sim aquele a quem compete fundamentalmente velar pela formação moral, intelectual, física, técnica e religiosa, é responsável pelos que abandonaram o escotismo, é responsável por aqueles que nunca sentiram o escotismo.

Adaptado do livro "Pistas para o Monitor de Patrulha”.