quinta-feira, 16 de julho de 2015

O fantástico e extraordinário SIGUE!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
O fantástico e extraordinário SIGUE!

                Quem ainda não ouviu falar? O Super. MUC da Alemanha é fichinha perto dele. O Vulcan da IBM quando falam nele se esconde em uma sala fechada de medo. O K Computer no Japão tem uma inveja danada dele. Ninguem supera o fantástico SIGUE. Pergunte aos escoteiros do Brasil. Não sei o tamanho dele, Dizem e eu não posso afirmar que este monstro da informática, desenvolvido pelos especialistas Uebeanos, foi criado no Laboratório da sede nacional em Curitiba, com quase 700 Terabytes de RAM, 40 Petabytes de HD e um fluxo constante de 17,5 petaFLOPS de informações por segundo. Impressionante! Ele sabe de tudo. Especialistas do Google tentam descobrir suas mil e uma utilidades com medo que ele um dia passe a ser um programa de buscas e informações o que já é.

                  A escoteirada brasileira se esbalda com ele. Orgulham-se dele. Quem não tem a sua senha está por fora e não sabe de nada e já está mortinho da silva escoteiramente. Quer saber quem você é no escotismo? Vá ao SIGUE. Quer saber sua utilidade no escotismo? O SIGUE está lá para isto. Lá além das futricas que você provoca, tem tudo sobre a UEB, Institucional, programa, agenda, downloads, registros, convênios loja e o escambal. Dizem que está surgindo um novo programa que irá quadruplicar o número de escoteiros no Brasil, basta apertar a tecla ENTER. Ali estão currículos de cursos, currículos dos membros da corte, mais vulgarmente conhecidos como casta dos nobres. E você meu nobre amigo ou amiga está lá também. Ele é carinhosamente chamado de Meu SIGUE. Sua sigla significa SISTEMA DE INFORMAÇÕES E GERENCIAMENTO DE UNIDADES ESCOTEIRAS. Pera la! Só das unidades? Não posso ter informações dos grandões das regiões, da UEB e dos famosos formadores do Brasil?

                   Convenhamos que a utilidade do SIGUE é fantástica. Já pensou? Eu quero saber quantas especialidades tive no escotismo, quais foram às datas e ele sorri para mim e começa sua tagarelice maneira imitando ser MATRIX? (- Neo: O que é Matrix? - Morfeu: Você quer saber o que é Matrix? Matrix está em toda parte […] é o mundo que acredita ser real para que não perceba a verdade. - Neo: Que verdade? - Morfeu: Que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu em cativeiro. Nasceu em uma prisão que não pode ver cheirar ou tocar. (Uma prisão para a sua mente). Risos. Mas convenhamos a sua maneira o SIGUE presta enormes serviços para a sociedade escoteira local. Não sei se os Uebeanos copiaram de outros países, pois são mestres nisto, ou se um futuro Escoteiro brasileiro ganhador do Tapir o concebeu. Mas olhe cuidado, muito cuidado, pois se você não tem registro meu amigo Escoteiro você é um eterno desconhecido para ele. Você é um nada, um perdedor um Zé Ninguém!

                  Não vai adiantar ajoelhar nos seus pés, começar a ladainha que tem X anos de escotismo, que foi lobo, Escoteiro e Sênior. Que é Chefe há muito tempo. Não adianta gritar no ouvido dele que você quer uma Medalha! pois você merece! Nada o fará mudar. Sem o registro e senha você nem consegue falar com ele. Você meu amigo é igual ao escoteirinho choroso de Brejo Seco. Só quem pode ganhar só quem pode dar risadas, só quem pode ir para o Japão, só quem pode comprar os dezoito tipos da vestimenta na loja são os registrados. Pagou? Valeu. Não pagou? Danou-se! Outro dia vi um amigo mineiro com foto de um curso que estavam dando do SIGUE. Já pensou? Tem curso meu amigo, você que não é bom de internet entre nele e vá passear nas suas entranhas e saber da vida de todo mundo! Dizem que os Sigheanos no futuro serão os primeiros a poder acampar na Estrela Verde próximo a GILWEL onde moram os felizes escoteiros do além que nunca ouviram falar no SIGUE! Rarará!

                    Eu perguntei a um amigo, formador, registrado, bem relacionado, se o SIGUE tem democracia. Ele riu: - Claro que sim Velho Chefe Escoteiro Chato de Galocha! Lá tem muita democracia. Já estão colocando um sistema de relacionamento humano, um sistema de consultas, um sistema de pesquisas, você vai ver muita coisa nova! – Fiquei embasbacado! Parece que tudo vai mudar mesmo. Insisti com meu amigo formador bem relacionado e pertencente à casta dos nobres: - Posso ver os julgamentos dos que feriram as normas Escoteiras, posso saber o que dizem nas reuniões sigilosas do DEN e do CAN? Posso saber qual o nome de quem tem o direito de confeccionar a vestimenta, qual a porcentagem recebida nas compras e vendas? o que a E.N.I.T. resolve e o que ela está estudando para mudar mais no escotismo brasileiro? Insisti e não obtive mais resposta do chefe formador da casta, O SIGUE está orientando os currículos dos cursos de formação? Será que teremos novamente a volta do orgulho Escoteiro ao vestir sua vestimenta? Será que seremos um dia todos iguais aos olhos do público?

                    O Chefe formador da casta me olhou, franziu a testa e ia me mandar para... (acampar é claro) e disse: - Aceite Chefe, é a revolução escoteira. A norma agora é a modernidade. Não podemos ficar parado no tempo. – Aproveitei para dar mais uma mordida no tal Chefe formador da casta: - E os quase seis mil membros da UEB que se mandaram, o SIGUE sabe o porquê? Ele fechou a cara deu meia volta e me mandou... Entrar no SIGUE! – Fiquei pensando, se é um programa tão espetacular não iria servir para saber o motivo de muitos saírem? Não seria uma maneira fácil de estudar o porque da evasão escoteira? Não seria supimpa saber porque muitos não conseguem terminar o programa Escoteiro tão falado? É quando tenho respostas elas não me satisfazem. Só sei que o SIGUE nem sabe que existo. Não sou registrado. Minha promessa minha vida de Lobinho, de Escoteiro, de Chefe e Formador ele não está nem aí comigo. Acho que nem sabe a data e os nomes das oito medalhas que ganhei quando era da casta dos nobres em Minas Gerais. Ele nem sabe quem é o Chefe Osvaldo. Afinal ele é uma criatura matemática com uma coleção de instruções com um código fonte e uma linguagem própria de programação ou arquivo. Portanto não sou nada para ele.  


                   Aí eu fico pensando se vale ainda minha ficha modelo 120. Quem se lembra dela? Linda anotei item por item. Quantos ajudei a preenchê-la? Mas ela coitada, foi desprezada, virou artigo descartável, Afinal agora estamos em 2.015, avançando a cada minuto a cada dia semana mês e ano rumo ao infinito. Não precisamos mais de consultar se o caminho para o sucesso é o de Baden-Powell. O SIGUE é nosso guia. Não precisamos saber como funciona o Sistema de Patrulhas, técnicas Escoteiras são contos da carochinha, Corte de Honra e a glória de ser um Primeira Classe ficou na história. Ouvir o ponto de vista do rapaz é um ponto de interrogação já respondido pelos adultos no movimento Escoteiro. Eles sabem de tudo. Sabem o que o rapaz quer e o que ele merece. Não acredita? Vá ao SIGUE se não estiver lá, vai estar mais breve do que pensar. Pergunte ao Neo ou ao Morfeu. Eles sim venceram a MATRIX, mas o SIGUE não. Ele é o futuro do escotismo no Brasil!                   

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O dia que o Sênior Apolônio, acabou com a vida do Demônio.


Cantigas de fogo de conselho. Belos contos de cordel.
O dia que o Sênior Apolônio, acabou com a vida do Demônio.

Medo? Já dizia Zé barrica, meu amigo isto é coisa de maricas.
Pois a verdade lhes digo, e vou contar a história...
Seu nome era Apolônio, não nasceu de um belo sonho,
Do jeito que sempre viveu e eu guardei na minha memória.

Era um Sênior bonito, grandão metido a valente,
Namorava a guia Dorita, Submonitor intendente.
Vivia contando prosa, de graça a fama não veio,
Todo mundo o admirava, quando tinha fogo de Conselho.

Orgulhava do que era, pois era filho do norte,
Chapelão de abas largas, e a faca na cintura,
Saía de calças curtas admirando o seu porte.
Adorava o escotismo e uma bela aventura.

Uma tarde encontrou Marreco que era bom cozinheiro,
Disse-lhe ao pé do ouvido, se queres ser bom mateiro.
A hora é agora, meu caro amigo Apolônio;
Eu sei onde encontrar facilmente o seu amigo Demônio.

E ele não se fez de rogado, desta vez eu mato o moço
Capa preta, esculacho, vou ver o diabo mocho.
Desta vez não me escapa, vai dormir o sono eterno,
Se for Satanás vai voltar prás prefundas do inferno.

A patrulha foi na frente, não iam enfrentar o diabo,
O sol queimando a testa, estrada igual quiabo.
Acamparam dia ainda ali na rocha vermelha,
Comeram uma sopa gostosa, e depois mingau de aveia.

A cidade em polvorosa, se assustou com Apolônio
E se o valente Escoteiro não matasse o Demônio?
Sem lua e sem estrela, onze da noite em ponto
Ele partiu rumo à porteira, do Fazendeiro Afonso.

O vento se acalmou, e veio uma pequena aragem.
O povo bateu palmas pra este Escoteiro de coragem.
Lá foi ele, na trilha do defunto à frente,
Apareça Satanás, e te quebro muitos dentes.

Apolônio foi Lobinho Escoteiro e monitor,
Nunca correu de nada, sabia do seu valor.
Dizia pra todo mundo e até a escoteirada,
Comigo é mais embaixo, não tenho medo de nada.

Zefiraldo Balantaines, seu Chefe Escoteiro,
Tinha orgulho do Sênior, um valente a se orgulhar...
Pensou em seguir com ele na fazenda aventureira
Mas sabia de antemão, tinha medo de Satanás.

A estrada era pequena, tinha cercas de montão.
A lua correu de medo e ficou a escuridão.
Andando pisando forte, na poeira de argila,
Eis que Apolônio sentiu um peso enorme
Nas suas costas, alguém sentou na mochila!

Deu um salto pra direita, e outra bem pra frente
Eu juro que é verdade, pois Escoteiro não mente,
Seu facão triscou no ar em busca do Satanás,
Desta vez tu não me escapa, sua cabeça vou decepar!

Dizem as almas penadas, que nas noites de segunda,
Apolônio Escoteiro mandou lá pras prefundas
Gritou alto e altaneiro vai dormir seu sono eterno!
Seu Capeta seu diabo, bem no meio do inferno!

A noite não acabou, e eu repito Escoteiro não mente,
Apolônio seguiu sorrindo na estrada sempre em frente.
Ao chegar à encruzilhada, sentiu seu belo momento,
Avistou lá nas montanhas o seu lindo acampamento.

Olha, quem me contou foi o Chefe Zé Barrica,
Bom amigo e admirador do deputado Tiririca.
Verdade eu não afirmo, pois não serei seu algoz
Afinal Apolônio, sempre foi um Escoteiro feroz.

Mas para finalizar eu confirmo, e digo pra todo mundo
Escoteiro não tem medo, quem tem medo é o Edmundo.
Ele é Chefe e Chefe meu chapa só reclama na corneta,
E acredite meu amigo, ele tem medo danado do chifrudo do Capeta.

Vou parando por aqui, eu conheci Apolônio
Um valente Escoteiro que um dia matou o Demônio.
Se não acredita no que digo, vá vestir a sua tanga,
Esqueça-me e nem comente, por favor passe de banda!

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Adoro entrar numa fila!


Crônicas de Um Velho Chefe Escoteiro.
Adoro entrar numa fila!

                                Tecnicamente dizem que a teoria das filas surgiu da probabilidade de quem estuda a formação de filas, através de análises matemáticas perfeitas, feitas nas propriedades mensuráveis das filas. Interessante não? Ela provê modelos para demonstrar previamente o comportamento de um sistema que ofereça serviços cuja demanda cresce aleatoriamente, tornando possível dimensioná-lo de forma a satisfazer os clientes e ser viável economicamente para o provedor do serviço, evitando desperdícios e gargalos. Coisa de louco meu! Risos. Deus do céu! Então é isto a história das filas? Dizem que foi em Bruxelas que se bateu o recorde da maior fila do mundo, quando 756 pessoas esperavam para usar um banheiro publico no centro da cidade. Já pensou? Você apertado e entra em uma fila destas? Quanta sujeira haja máquinas de lavar. Bem como diz um compadre meu, tem gente que gosta. Mas esqueceram-se as famosas filas para tirar visto de entrada nos EEUU. Está sim, é uma fila não para receber, mas para pagar.

                                 Não existe maneira de fugir das filas. Elas estão em todo lado. Ontem estive em um hospital da cidade e após longas horas em uma fila olhei para recepcionista que me atendia e me lembrei de uma piada velha: - Uma velhinha consegue com muito custo chegar ao guichê. – Sinto Muito senhora! Só temos vaga para sua consulta daqui a cinco meses! – Puxa diz ela, mas até lá eu já morri! – Na maior cara de pau a recepcionista responde: - Neste caso senhora lembre ao seu marido se acontecer para ligar desmarcando, temos outros esperando a vaga! – Pois é não tem jeito. Fila é fila e se quiser entre ou faça como os sabidos furadores de fila. Dizem que em qualquer lugar do mundo tratar bem o consumidor é uma questão de honra. Mas você acredita nisto? E no supermercado, você anda e anda escolhe o que quer e quando vê a fila nos caixas quase dá vontade de desistir. Outro dia fui cortar o cabelo. Procuro um salão barato e lá sempre cheio. Chego cedo, tenho tempo e aqueles que chegam abraçando o os cabelereiros? Passam na frente.

                            O pior das filas é que a gente paga e é sempre mal servido. No restaurante espera horas para desocupar uma mesa e ainda paga caro no final e dá uma gorjeta a quem não merecia um centavo! Uma vez li uma pomposa declaração que as extensas filas em banco em pouco tempo seriam coisa do passado. Bem isto faz uns vinte anos. Você por acaso notou se as filas acabaram? Entre nas dos velhos para ver. Nunca vi ser tão mal atendido. Houve uma época na União Soviética quando ela existia que as donas de casa saiam pela madrugada com enormes bolsas vazias a tiracolo. A primeira fila que encontravam elas entravam. Nem perguntavam para que servia aquela fila. Passavam horas para comprar um pão, uma dúzia de ovos e se Deus ajudasse meio quilo de carne. Chegavam a casa escurecendo e sorrindo. Valeu entrar na fila elas diziam.

                            Agora fila boa mesmo é no escotismo. Sempre existem. A escoteirada ou a lobada esperou meses para a excursão. Pegaram uma estrada carroçável e lá estavam eles na fila, um atrás do outro e o Chefe no meio da estrada comandando sua eterna fila! Ora e a fila da Patrulha? E a fila da bandeira? – Todos formados em fila! Grita o Chefe. Deve ser um treinamento para quando crescerem saberem entrar em uma fila ou quem sabe tem uma especialidade de fila! Só pode ser. Afinal na escola sempre estão em fila não? A escoteirada forma em linha, em fila, por patrulha, em circulo, em ferradura e tantas outras mais. Bem lá ninguém reclama a não ser do Monitor ou o primo que vivem gritando com eles. Fiquem na fila! Soube de fonte fidedigna que a UEB está estudando acabar com estas filas para não dar a impressão que somos disciplinados como os militares. O duro da fila é nas tropas que não tem sistema de patrulha. O Chefe resolve fazer uma falsa baiana ou um Comando Crow e formam imensas filas. Um de cada vez! Ele grita. E a fila do almoço? Enormes. - Mas Chefe porque a patrulha não cozinhou? Para ganhar tempo em outras atividades ele diz altaneiro. E lá está à fila da refeição, os pais fizeram a boia. Todos em fila esperando sua vez. A lobada e a escoteira adora. Na fila se divertem a bater no prato, com garfo e pobre da caneca.

                          Interessante que os marmanjos dirigentes da casta nunca entram em uma fila. Uma vez fui a um Acampamento Regional de Patrulhas. Teria mais de 3.000 participantes. A modernidade acabou com a intendência para as patrulhas fazerem suas próprias refeições. Tudo moderno. Agora eram restaurantes para atendimento geral. Mas sabe o que vi? Um para a escoteirada e um para os da casta, os da corte do rei. Sou um chato de galocha e entrei no restaurante da casta e perguntei? Porque não estão juntos com a meninada? Afinal somos ou não exemplos para eles? Olharam-me com uma cara de matar qualquer um do coração. Não deram bolotas e em pouco tempo as mesas cheias e todo mundo contando “causos” e enchendo a pança. E a escoteirada que se vire como aqueles tais chefes do Staff que pagam para trabalhar. Haja espírito Escoteiro. Uma vez pensei em como terminar com as filas no escotismo. Pegaram-me de jeito na esquina. Quase fui para o hospital.

                         Pois é, não importa mesmo de alguém lhe diz não, na fila sempre existe um milhão. Meu amigo, você gosta de fila? Saiba que a fila anda e a catraca gira. Se você sentiu saudade, é melhor ir pru fim da fila! E abaixo as filas. Melhor as multidões fazendo mutirões, correndo pela cidade, parando todo mundo, reclamando dos reis, dos dirigentes nacionais. Mas lá no congresso tem fila? De deputados só para votar a besteirada que votam. Agora fila boa mesmo é a dos chefes pata tenras que sonham em pertencer à corte e a casta dos nobres da UEB. Esperam anos humildemente para o carguinho qualquer. Uma fila que não anda, pois quem está lá não quer sair. É igual carrapato em carne macia. Outro dia vi uma foto de um encontro de formadores com mais de cem participantes. – Perguntei a um formador: - Todos formadores? – Não Chefe, só trinta os outros setenta estão sendo preparados. Deus do céu! Há que ponto chegamos. E a fila para ser eleito membro da Assembleia Nacional? Esta é de matar. Entra ano e sai ano são os mesmos.


                 Eu gosto de glosar nossos amigos chefes que tem um desejo enorme de ser da corte, da casta suprema dos formadores. Adoro ver a fila, a subserviência, o puxa-saquismo. Mas fazer o que fila existe em qualquer lugar do mundo. Até para ser papa. São centenas de cardeais a escolher. Mas Deus dá um jeito e todos elegem um papa Francisco. Cara, mesmo ele sendo argentino é gente fina. Agora na realidade não grite na fila em lugar nenhum. Se fizer arruaça e reclamar muito da fila tome seu rumo porque o gás de pimenta vem ai! E na delegacia você vai entrar na fila para se explicar ao delegado. Fila é fila e só damos valor depois que disseram: Acabou a fila! E não esqueça a fila anda e neste interim outra pessoa já está ocupando o lugar que não é mais seu!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

A canção que ela fez para mim!


Lendas de um Chefe Escoteiro.
A canção que ela fez para mim!

                     Naquele sábado fui para a reunião meio desanimado. Não sei por quê. Muitas reuniões parados na sede, nenhuma excursão, jornada ou até um acampamento de fim de semana. Para ser franco eu também não mexi uma palha para animar a patrulha. Você sabe como é. Aqueles dias que uma recordação ou mesmo uma saudade machuca o coração da gente. Na sede ninguém. Por quê? Sempre nos encontramos ali antes do inicio, falar dos outros, papear, “causos” não era uma rotina? Fui para o pátio da sede. Então eu a vi. Fiquei sem fala. Linda! Impossivelmente linda! Uma princesa ou uma rainha? Desceu das nuvens direto na sede? Ou quem sabe um anjo que Deus mandou para dar novo ânimo aos seniores? Olhe meu coração disparou. Minha mente deixava o corpo e se transportava para os mais lindos locais que já tinha ido. Fui à Cachoeira do Sonho, fui na Montanha Da Lua, passeei no vale das Borboletas Douradas, fui até no despenhadeiro das Mil Mortes. Joguei-me lá de cima. Sabia que não ia morrer. Mas ela valia a pena dar a sua vida!

                 Foi então que percebi. Lá estavam os Seniores. Todos eles. Não faltou ninguém. Em pé todos encostados na parede da sede, e como eu não tiravam os olhos da linda moça dos cabelos dourados. Cachos despencando como na Cascata do Sol Nascente. Olhos? Azuis! Incrivelmente azuis como uma água marinha do fundo do lago dos peixes que um dia mergulhando eu encontrei. Uni-me a eles. Não notaram a minha presença. Seus olhos esbugalhados assim como o meu só tinham uma direção. Cláudia Alvonaro. Seu corpo? Não posso dizer aqui. Sênior não tem pensamentos impuros. Ele é limpo de corpo e alma! Mas ela parecia ter sido esculpido por Michelangelo, ou melhor, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. Ah! Una Madonna Escoteira? Quem sabe ali estava sua obra prima da renascença sua bela escultura a Pietá. Não podia ser. Estávamos em 1958 e não 1498 quando ela foi esculpida.  

                   A paixão tomou conta de mim. De mim só não de todos os seniores. Dezoito rapazes perdidamente apaixonados pela bela Cláudia Alvonaro. Mas de onde ela veio? Da cidade não era. Conhecíamos todas as beldades. – Ela é de Vitória. Espírito Santo disse Lucas um Monitor. Meu Deus! Capixaba e linda assim? Bendita Vitória do Espírito Santo. Santino o Chefe Sênior adentrou ao pátio. Jovem ainda. Vinte e oito anos. Viu-nos e foi até nós cumprimentando. Ninguém olhou para ele. Inteligente como todo Chefe Sênior descobriu através de um “Kim” imaginário o motivo de nossa perplexidade e imutabilidade. – Ora, ora, parecem que nunca viram uma garota! Ele disse. Sem respostas. Continuávamos mudo. Olhos vidrados na bela Cláudia Alvonaro. A mais bela capixaba que o mundo conheceu. E nós os bravos seniores da tropa Anhanguera ali pensando que os anjos do Senhor também existem.

                     Ela estava linda. Uniforme azul, bonezinho de lobo. Saia curtinha (que pernas meu Deus!). Akelá? Não tinha mais de dezoito anos! Não seus bobos disse o Chefe Sênior. Ela é Assistente. Tem dezessete. Está fazendo uma visita. Vai embora hoje no trem noturno das oito. – Vou também! Falaram todos ao mesmo tempo. Chefe Santino riu sonoramente. Que vida. Descobrir o amor de nossas vidas, a nossa alma gêmea e ela vai embora assim? E para piorar tudo ela começou a cantar. Os lobos sentados em círculo e ela cantando uma canção que não conhecia. Voz? Ela não devia estar ali. Devia estar cantando na Broadway ao lado de Frank Sinatra e Lisa Minelli. Uma cantora nata! Ninguém na sede tirava os olhos dela. Maravilhosamente bela e uma voz harmoniosa, que podia seguramente ser a maior cantora de todos os tempos. Que me desculpe Edith Piaf.

                   O céu que me condene! Que me mate! Que acabe comigo. Estava “deverasmente” apaixonado. Perdidamente apaixonado. E o pior aconteceu! Ela olhou para mim e deu um sorriso. Senti o corpo tremer. Tive que sentar. Que sorriso! Que voz! Que rosto! Que corpo! Não podia ser uma mulher Akelá. Era uma deusa trazida do Olimpo. Se Afrodite, Arthemis e Athena aparecessem ali, morreriam de inveja, apesar de que deusa não morre. É imortal! E eis que como se fosse uma chicotada, como se tivesse caído uma pedra enorme em minha cabeça, um Chefe novo de uns vinte e cinco anos, metidão com cabelo penteado a Elvis Presley entrou acompanhado do Chefe João Soldado.  – Vamos embora meu amor! O que? Meu amor? Então olhei melhor, ele estava com a aliança na esquerda e ela também. Marido e mulher. Macacos me mordam! Com mil demônios! Que mil raios caiam em minha cabeça. Pelas barbas de Maomé. O sonho fugiu pelo ralo. Era comprometida. Quem sabe poderia combinar com alguns seniores e dar um sumiço no tal Chefe?


                  Ela se foi. Deu um “xauzinho” sorrindo, e disse um Sempre Alerta com uma vozinha tão doce que nunca mais, nunca mais mesmo e eu juro, irei esquecer. A mulher dos meus sonhos, a mulher que iria ser a minha vida, a minha alma gêmea se foi. Se houve reunião de seniores eu não sei. Acho que os outros também ficaram como eu no mundo da lua. Começamos mudos e terminamos calados. Chefe Santino sorria no alto dos seus vinte e oito anos. Um homem experimentado sabendo o que sentia aqueles garotos que estavam crescendo e aprendendo com a vida. Cláudia Alvonaro virou a esquina abraçado com seu amado. A tropa acompanhou com os olhos seu ultimo adeus. E eu? Fiquei meses sonhando com ela, pensando até que um dia!... – Conheci a Celia!

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A presidenta, o Velho Chefe Escoteiro e o escambal.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A presidenta, o Velho Chefe Escoteiro e o escambal.

           - Sente-se! – Era uma voz firme, daquelas que estão acostumadas a mandar e todos obedecerem. Estava em pé, meu chapéu de abas largas no peito, sempre fora assim em sinal de respeito. Olhei para ela assustado. – De novo ela disse: - Sente-se Chefe! Tinha de obedecer. Ao lado dela o Mercadante. Seu bigode preto grande e que parecia aqueles Coronéis de Fazenda de antigamente era uma sombra do passado. Agora embranquecido ralos. Ele me olhava gostosamente como a glosar da minha cara. Atrás dela o Vice-Presidente Michel Temer sem saber o que dizer. Mais ao lado Jaques Wagner sorria baixinho. Ele sempre teve cara de gozador. José Eduardo Cardoso com sua ordenança, por sinal uma linda moça tinha ares de General. Até o Cassab estava lá. Porque não sei. Vi num cantinho meio sem graça, aquela cara de menino riquinho o Ministro Joaquim Levi. Raios! O que ele e eu faziam ali?

              Tudo começou com a Celia me chamando. – Marido tem um carro da policia Federal ai na porta. Querem falar com você. Cacilda! O que eu fiz? Não tenho nada com a Petrobras e continuo duro sem um tostão para gastar! – Eles educadamente disseram: - Senhor vista seu uniforme Escoteiro o caqui de calças curtas e leve o chapelão. A Presidenta Dilma quer falar com o senhor! Nossa mãe! E agora José? Em Congonhas entrei em um jatinho da FAB e uma hora e meia depois desembarquei na Base Aérea em Brasília. Uma Mercedes preta com quatro batedores me levou direto ao Palácio do Planalto. Eu tremia igual vara verde. Será que vão me jogar no pau de arara? Banho de afogamento? Lembrei-me do Carlos um amigo meu que na revolução o DOPS arrancou a unha de um dedo da mão dele. Coloquei as duas mãos no bolso de medo.

              Subi a rampa com honra militares. Lá estavam os Dragões e Granadeiros fazendo continência. Um tocava clarim. Quase pedi para tocar também. Agora estava gostando. Acenei como o Obama acena quando vai a uma solenidade importante em Londres ao visitar a Rainha da Inglaterra. Fomos direto ao segundo andar. Quando entrei na sala presidencial quase borrei as calças. A nata do governo estava lá. Minhas pernas começaram a tremer. Onde meu Deus eu amarrei minha égua? A Presidenta levantou e foi ao meu encontro me cumprimentando. Com a mão esquerda! Tentei sorrir e não consegui. O medo era demais. Chefe Osvaldo seja bem vindo! Caramba, não sabia que era tão importante, mas já previa a Policia Federal na porta na minha saída. Destino? Cadeia da Policia Federal no Paraná ou Presidio da Papuda. Agora sentado eu olhava de soslaio a cambada em minha volta. Não tinha a menor ideia do que queriam de mim. Afinal sou um Velho Chefe Escoteiro sem eira nem beira, duro sem um tostão, mal consigo falar, pulmão sempre reclamando falta de ar, pernas que não me obedecem mais. O que será que queriam com esse velhote chato de galocha e metido a Escoteiro sabido?

              Dona Presidenta não se fez de rogada. Entrou logo no assunto: - Chefe, precisamos do senhor. Vou fazer uma revolução em meu governo. Todos dizem que estou em bancarrota, fragilizada, não tenho mais nada a oferecer e o Aecinho só quer me ver na lona. Vou mostrar a ele como se rema uma canoa. Não é assim que dizia seu Líder Baden-Powell? Madre de Dios! A presidenta sabia de tudo. Continuei calado. Não sabia o que ela queria e o que eu podia ajudar. Já pensou? Ajudando a Dona Presidenta? A turma do Facebook iria me jogar na fogueira. – Olhe Chefe ela continuou, vamos colocar a meninada brasileira para ser escoteira. Do Oiapoque ao Chuí. Irei baixar uma Medida Provisória, e o Levi aqui presente vai acompanhar a gastança. O Cassab ministro das cidades ficará responsável. Duzentos milhões de reais para começar. Um Grupo Escoteiro para cada 5.000 habitantes. Chefes profissionais, bons salários, serão treinados pelo senhor! Levantei assustado. Eu Dona Presidenta? – O senhor mesmo, é o homem que confio. Mas Presidenta! E a União dos Escoteiros do Brasil? E a ENA o DEN e a E.N.I.T.? Eles quem mandam no escotismo brasileiro!

              Não mandam mais, mandei o Cardoso prender todos eles. São fanfarristas, dizem que vão fazer o escotismo do futuro e até hoje nada. Nem o Dossiê do Dr. Jean Cassaigneau eles se interessaram. São uns come quieto! O senhor sabe que no ano passado quase seis mil escoteiros se mandaram? De quem é a culpa? Caramba, ela estava me jogando em uma fogueira. Iria levar pau de todo lado. A imprensa ia cair matando. Já antevia os jornais noturnos da TV gritando: Velhote Escoteiro agora é o dono do escotismo no Brasil através de decreto da presidente do Brasil! – Dona Presidenta não me deu folga. – Chefe! Quero em dois anos, dois milhões de escoteiros e escoteiras, quero ver os meninos e meninas de caqui e chapelão, nas montanhas cantando o rataplã, quero ver eles desfraldando a bandeira do Brasil! - Mas Dona Presidenta, agora o uniforme é outro, é uma tal de vestimenta! – Esqueça Chefe, não gosto dela por isto escolhi o senhor!


                Todos ficaram de pé. Olharam para mim, alguns sorriram outros pensaram; - Ali está um coitado, vai levar pau de todo lado! – Ela foi até próximo a mim. Chefe posso experimentar o seu chapéu escoteiro? Sempre amei este chapéu! Colocou na cabeça, pipocaram fotos, todos correram para cumprimentá-la. Até que tinha estampa eu pensei. Será que ficaria bem de calça curta caqui e lenço cor de anil? – Osvaldo! Osvaldo! Era a Célia. Danada de linda mulher e esposa. Acordar-me àquela hora? Agora que me sentia importante? Nem deixou eu fazer continência aos Dragões da Independência! Levantei espreguiçando e pensando. Até que foi bom, já pensou eu o Escoteiro Chefe do Brasil? Melhor seria o Escoteiro Chefe Imperador do Brasil!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ensinando democracia.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Ensinando democracia.

                     Não sei se a maioria dos Grupos Escoteiros tem levado ao conhecimento dos seus associados jovens o significado da Democracia ou mesmo se em sua estrutura ela é levada a sério e respeitada. Sei de muitos Grupos Escoteiros que fazem assim. Isto é bom, pois as escolas hoje ensinam conforme o pensamento dos dirigentes políticos educacionais. Se quisermos formar homens e mulheres dentro de um conceito democrático, precisamos antes de tudo praticá-lo e exercitá-lo o melhor possível. Será que todos os nossos jovens sabem o que significa democracia? Sabemos que uma das principais funções dela é a proteção dos direitos humanos, a liberdade de expressão, de religião, a proteção legal e as oportunidades de participação da vida pública econômica e cultural da sociedade. Afinal democracia é a forma de governo em que a soberania é exercita pelo povo.

                     Tivemos e ainda estamos tendo uma liberdade de escolha para decidir o que iremos vestir. Muito badalado pelos nossos dirigentes e pelos escotistas dos Grupos Escoteiros que deram a liberdade de escolha. Foi mesmo uma forma democrática o fato acontecido? Todos na unidade local (Grupos Escoteiros) estavam cientes de suas responsabilidades? Os jovens estavam preparados para decidir? Não houve interferência ou ingerência de nenhuma forma pelos adultos do grupo Escoteiro? Cada um deve ter analisado amplamente se a realidade democrática foi completa na decisão. Pensemos um pouco civilizadamente sobre o próprio grupo Escoteiro se em seu meio a democracia existe e se ali temos exemplos bons para os rapazes e moças, afinal o que eles vêem e sentem serão copiados. Não vamos discutir aqui o termo democracia e disciplina. BP em suas explanações foi enfático nisto. Ele acreditava que sem a democracia e aprender a fazer fazendo, o caminho era incerto. Se os jovens são formados com disciplina rígida como se fossem soldadinhos e não tinham direto de opinar, interferir e sugerir eles só aprenderão a seguir a ponta do nariz e mais nada.

                    Quando o grupo Escoteiro tem as bases para isto é meio caminho andado. Vejamos como podemos ensinar a eles a exercitarem a democracia entre todos os participantes do grupo. Vamos iniciar pela Alcateia. A idade não é pequena para eles entenderem? Eu acredito e não tenho nenhuma duvida é o melhor caminho para começar a exercitar a Democracia. Como? Um conselho de primos bem feito para começar. Chefe, mas isto existe? Se for proforma melhor não ter, mas se for para exercitar a democracia tem grande valia. Veja os primos, eles são preparados desde cedo para autuarem democraticamente em suas matilhas? Ou eles são meros formadores e suas funções não condiz com a responsabilidade que deveriam ter? Pensemos que as matilhas não são meros ajuntamentos para formar e fazer jogos. Nada disto. Não confundamos com o Sistema de Patrulhas, mas ele o sistema de patrulhas tem muitas lições a dar. Claro se for realizado a contendo.

                      Eu não costumo abrir mão na Tropa escoteira e sênior do Conselho de Patrulha, do Conselho de Tropa e da Corte de Honra. Cada qual com sua responsabilidade, mas todos visando o amplo debate, com direitos de voz e voto e a chefia só interferindo para orientar ou mostrar até que ponto aquela decisão pode trazer benefícios a toda Tropa. Eu costumava solicitar aos monitores no passado pelo menos um Conselho de Patrulha a cada quinze dias. Sem a minha presença é claro. Ele podia ser realizado na casa dos patrulheiros ou na sede em horários que não prejudicassem a rotina do jovem e a reunião de Tropa. O Conselho de Tropa deve ter um motivo sério e pedido por uma patrulha ou uma decisão de monitores ou cinco ou mais escoteiros da Tropa. Reúne-se ordinariamente a cada dois meses e extraordinariamente quando se fizer necessário. Ele discute, toma ciência, vê o que está errado, mas a decisão final cabe a Corte de Honra. Como porque quando e onde são tratativas que devem ser decidas pela Corte de Honra com seus monitores ouvindo primeiramente seus patrulheiros.

                        Tanto na Alcateia como na Tropa escoteira e Sênior o Chefe ou a Chefe tem de ter razoável conhecimento sobre a prática democrática. Sem isto nada tem valor. Se eles os chefes não gostam de ouvir, de entender os jovens, de abaixar até a compreensão deles então nada pode dar certo e eles nunca irão aprender o que é democracia. Lembremos que em todos os órgãos dos jovens é importantíssimo dar condições de funcionamento, ensinar como realizar debates, votações nominais ou abertas. O Grupo Escoteiro estatutariamente já deve praticar a democracia através da Assembleia de Grupo. Ela tem sua importância para uma vivencia democrática entre seus associados. Entretanto eu valorizo mais o Conselho de Chefes do Grupo. Na assembleia tudo passa a ser normativo, onde vale o artigo ou o item. Ali a possibilidade de dirimir dúvidas, aumentar amizades, criar raízes entre os adultos é mais burocratizado e pouca preocupação para a compreensão das partes ou da fraternidade que tão sobejamente damos valor. Claro, que votar e ser votado, aceitar a opinião da maioria é fato preponderante em um sistema democrático.

                     Tenho sempre em minha maneira de pensar que o melhor para um Grupo Escoteiro funcionar democraticamente é o CONSELHO DE CHEFES o maior e mais importante órgão ativo na unidade local. É nele que se pode falar sem constrangimento, que se pode dar sugestões mesmo que estapafúrdia, que dá oportunidade de sanar desavenças (elas existem, acreditem) e o melhor, ali se conhece mais profundamente cada um dos adultos atuantes em um grupo Escoteiro. A rotina da reunião de chefes é decidida por todos. Mensal ou quinzenal e nunca mais que isto. Muitos adotam o regime de atas outros não. Fico na duvida. Tenho como principio que Grupos Escoteiros que não levam a sério os pequenos órgãos criados nas sessões e o Conselho de Chefe, antevejo que a Assembleia de Grupo não funciona democraticamente.

                     Existem milhares de Grupos Escoteiros no Brasil. Cada um deles com sua criatividade, com a sua democracia ou sua autocracia. Alguns tem um pseudo ditador, fundador ou hereditário. Estes muitas vezes andam fraquejando. Que me desculpem os Presidentes e Diretor Técnico a culpa é exclusivamente deles. As razões não são de um só. As razões são individuais e elas só devem ser consideradas quando o sistema democrático atingir a todos os membros do grupo Escoteiro. Seria bom esquecer o linguajar tão formal e utilizado hoje em dia por boa parte de nossa chefia, tais como: - O meu grupo, a minha Tropa, a minha Alcateia, o meu monitor, o meu primo. Isto dá um sintoma possessivo e muitas vezes não é benéfico para desenvolver a democracia entre os jovens.


                  Temos uma finalidade muito importante no contexto educacional. Nenhum grupo Escoteiro poderá formar jovens conforme esperamos na filosofia escoteira sem ter a democracia por inteiro. Sem ela seremos a metade do que poderíamos ser.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A história do Parque de Giwell (Gilwell Park)


Conversa ao pé do fogo.
A história do Parque de Giwell (Gilwell Park)

Na história do Escotismo, o Parque de Gilwell e a Insígnia de Madeira têm um lugar de destaque pela sua longevidade e importância no Movimento. O parque é um local místico que todos os Escoteiros procuram visitar quando vão à Inglaterra, sempre repletos de jovens e adultos nas mais diversas atividades. Foi aqui que surgiu a Insígnia de Madeira, no curso de formação de dirigentes que, entretanto, se espalhou pelo mundo. Este artigo é dedicado aos chefes Escoteiros e porque não aos demais jovens escoteiros cuja curiosidade ainda não está satisfeita.

Um nome
O mais antigo registro de terras pertencentes ao Parque de Gilwell (ou Gilwell, como se escrevia antigamente) remonta a 1407, quando faziam parte da Paróquia de Waltham Abbey. O seu proprietário era John Crow, que chamava às suas terras “Gyldiefords”. As terras mudaram de dono poucos anos mais tarde e, como era hábito na época, o novo dono (Richard Rolfe) alterou o nome das terras para “Gillrolfes”, usando o seu próprio apelido. O prefixo “Gill” vem de uma palavra do inglês antigo que significava vale ou depressão. Pouco depois da morte de Richard Rolfe, em 1422, as terras foram separadas em dois campos, conhecidos como Great Gilwell e Little Gilwell. O sufixo “well” vem do inglês antigo “wella”, que significava nascente ou ribeiro. Assim, Gilwell seria um vale com uma nascente ou ribeiro.

Um parque com história
Ao longo dos vários séculos, as terras que hoje constituem o Parque de Gilwell mudaram de proprietário diversas vezes, tendo sido agregadas e divididas muitas vezes. Na década de 1730, as terras de Gilwell foram guarida para um mítico salteador inglês, Dick Turpin. Em 1793, a família Chinnery mudou-se para Gilwell, tendo sido os mais importantes ocupantes do parque. Esta família era um modelo da alta sociedade londrina, dinâmicos, enérgicos e ligados às artes. William Chinnery, um jovem ambicioso com um rápido sucesso profissional, foi agregando à propriedade outros terrenos ao redor que iam aparecendo para venda. Margaret Chinnery transformou os terrenos em magníficos jardins e decorou o edifício principal a rigor, organizando frequentemente serões, chamando, assim, as atenções da alta sociedade. Até os membros da família real eram frequentadores de Gilwell, como o Rei Jorge III, o Príncipe Regente e o Duque de Cambridge. Em 1812, foram descobertos os estratagemas fraudulentos que William Chinnery usava para desviar enormes quantias de dinheiro dos cofres do reino e assim alimentar a glamorosa vida social da família, tendo-lhe sido confiscado o Parque de Gilwell.

A propriedade voltou a mudar de dono várias vezes, tendo, em 1858, sido comprada por William Gibbs, um industrial excêntrico, poeta e inventor. A sua invenção de maior sucesso foi à pasta dentífrica “Gibbs”, que era produzida na sua própria fábrica. Após a sua morte, em 1900 a mulher e filhos viram-se incapazes de manter a propriedade dados os elevados custos de manutenção, acabando por vendê-la.

Escoteiros compram o Parque de Gilwell
William Frederick de Bois Maclaren era um generoso empresário escocês e também escoteiro, sendo Comissário Distrital de Roseneath, em Dumbartonshire. Foi diretor de uma empresa ligada às plantações de borracha, café e cacau. Pertencia ao clã escocês dos Maclaren, que remonta ao século XIII, cujo tartan encontramos no Lenço de Gilwell. Faleceu em Junho de 1921. Numa visita que fez a Londres, Maclaren impressionou-se ao ver os escoteiros londrinos fazerem as suas atividades em ruelas e terrenos baldios. Em Novembro de 1918, Maclaren contatou B-P, manifestando-lhe o seu desejo de comprar um campo escoteiro para a associação, que ficasse perto de Londres e acessível aos escoteiros da parte oriental da cidade. B-P falou nesta ideia a Percy Bantock Nevill, na altura Comissário para Londres Oriental. Ainda em Novembro, Maclaren e Nevill juntaram-se para discutir o assunto e, após estudar várias opções, acordaram em procurar uma propriedade em Hainault Forest ou em Epping Forest, tendo Maclaren oferecido 7 mil libras para a compra.

Vários grupos de escoteiros procuraram propriedades em ambas às áreas durante algum tempo, sem sucesso, até que, um dia, o dirigente John Gayfer sugeriu a Nevill o Parque de Gilwell, perto da vila de Chingford, onde costumava ir observar aves, e que estava à venda. Nevill visitou o local e ficou bem impressionado, apesar do aspecto deplorável em que se encontrava o parque. A propriedade, com um total de 53 acres, estava à venda por exatamente 7 mil libras. B-P visitou o local a 22 de Novembro. Feita a compra, Nevill levou para Gilwell os seus seniores, na Quinta-feira Santa de 1919, para começarem uma operação de limpeza e recuperação durante as férias da Páscoa. Os edifícios estavam degradados e a vegetação desgovernada cobria os terrenos. Na primeira noite, descobriram que os terrenos eram demasiados húmidos para montar tendas, por isso ficaram numa velha cabana de jardinagem que batizaram de “The Pigsty” (a pocilga), que ainda hoje existe.

As despesas com a recuperação do edifício principal foram subestimadas, mas Maclaren, entusiasmadíssimo com os trabalhos, doou mais 3 mil libras. Durante vários fins-de-semana, grupos de Escoteiros e seniores deslocaram-se ao Parque de Gilwell para participar nos trabalhos. Em Maio de 1919, Francis Gidney foi nomeado Chefe de Campo, orientando de forma mais consistente e direcionada os trabalhos de recuperação. A inauguração oficial do Parque de Gilwell deu-se a 26 de Julho de 1919. A esposa de Maclaren cortou as fitas e o próprio Maclaren foi condecorado por B-P com o Lobo de Prata. O parque evoluiu muito desde 1919 até hoje, com novas construções, reconstruções e marcos importantes. Durante a Segunda Guerra Mundial, o parque foi requisitado pelo Ministério da Guerra para centro de treino de armas antiaéreas e quartel-general para a defesa de instalações militares próximas. Por causa disto, o parque foi alvo de bombardeamentos inimigos. Num dos ataques, caíram três bombas, tendo uma delas dado origem ao lago conhecido como “Bomb Hole”, o qual foi alargado posteriormente para se poder fazer canoagem. 

Formação de Dirigentes
B-P deu os primeiros passos na formação de dirigentes, organizando palestras no início da década de 1910. Era evidente que esta formação era demasiado teórica e era necessária uma vertente mais prática, só possível com um local adequado. B-P convenceu Maclaren de que o Parque de Gilwell era suficiente para albergar também um centro de formação de dirigentes.


Seguindo as linhas orientadoras definidas por B-P, Gidney dirigiu o primeiro curso de formação de dirigentes em Gilwell, de 8 a 19 de Setembro de 1919, com 18 formandos. Fizeram parte dos conteúdos temas como organização de patrulhas, pioneirismo, faca e machado, formaturas, marcha, bandeiras, higiene e saúde em campo, latrinas, fogueiras, tendas, campismo, pontes, fauna e flora, Morse e homógrafo, pistas, jogos, medição de distâncias, mapas, etc. O curso foi um sucesso, ficando conhecido como curso da “Insígnia de Madeira”, devido à certificação que era dada a quem o concluísse. Nos primeiros cursos, os formandos eram divididos em patrulhas e aprendiam como treinar os seus rapazes através de jogos. As atividades práticas, ao ar livre, eram a tónica principal.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Eu sou um Escoteiro a moda antiga...


Crônicas de um Velho Chefe escoteiro.
Eu sou um Escoteiro a moda antiga...
(Plagiando um pouco Roberto Carlos em Amante a moda antiga)

Eu sou Escoteiro a moda antiga,
Daquele que ainda manda flores;
Aquele que tem no peito o escotismo,
De saber que será sempre seus amores.

Se... Fazer mais de quarenta nós Escoteiros e de marinheiros, treinar a fazê-los de costas, olhos fechados, com uma só mão e até o nó de evasão, se seguir pistas à noite, nas madrugadas; se atravessar rios caudalosos numa jangada improvisada; pagar o que puder para um bom acampamento, não esquecer a noite enluarada, se ter orgulho de ser um primeira classe, ser o terceiro Escoteiro Escriba da Patrulha Lobo com orgulho; se viajar nos sonhos de BP como se fossem reais; se saber abraçar, sorrir, amar ao próximo e dar um sempre alerta gostoso; se tudo isto faz de mim um Escoteiro, então eu sou mesmo um Escoteiro a moda antiga.

Eu amo de montão acampamentos,
Que curte uma trilha de aventuras,
Que olha apaixonado o céu de madrugada
Na fogueira abraçando a namorada.

Se... Ter orgulho de sua jornada de primeira classe, se nela leu mapas croquis da trilha do caminho, se fez um percurso de Gilwell como manda os mandamentos, se o azimute tirava de letra, se os pontos cardeais, colaterais e sub. colaterais sabia de olhos fechados, se dominava uma bússola silva ou uma prismática com perfeição; Se a distancia cobria sempre com seu passo Escoteiro; se medir distâncias, alturas se tirava de legra; se tirar o chapéu para cumprimentar uma linda Escoteira, se abrir portas, dar sempre preferencia a quem precisa, se saber se portar como um Escoteiro em festas e aniversários não sendo um boca suja sujar o que não é seu; se dirigir aos mais velhos com respeito falando sempre “Senhor”; Se respeitar a todos com educação mesmo o outro não tendo razão, se tudo isto faz de mim um Escoteiro, então eu sou mesmo a moda antiga um Escoteiro.  

Eu sou um tipo bem diferente,
Que não existem mais em nossos dias:
Gosto de um abraço e um aperto de mão,
E dizer meu Sempre Alerta de montão.

Se... Tratar bem a todos e ser um cavalheiro; se da técnica escoteira fazer dela os seus penhores; se armou barracas nas mais lindas terras do Brasil; Se dormiu em lugares nunca antes imaginados; se gostar de respeito para ser respeitado, se pensar que o escotismo é dos jovens e não é meu nem seu; Se segue todas as regras de segurança; se aprendeu a ouvir e falar menos possivel; Se ensinou e deu alento aos seus monitores; se tem orgulho do seu uniforme seja qual for e o usa com respeito; se não é daqueles que vestem sempre na sede dando maus exemplos; Se sabes respeitar o tempo não perdendo tempo precioso; se tens orgulho de sua palavra de Escoteiro; se não abusa do horário dos outros chegando sempre na hora; se tudo isto faz de mim um Escoteiro, então eu sou mesmo a moda antiga um Escoteiro.

Diferente dos padrões modernos e atuais,
Sou do tipo cavalheiro, por isto sou Escoteiro.
Não me comparem com escoteiros intelectuais!

Se... Ser disciplinado sem ser um bajulador; se dar um boi e uma boiada pelas suas ideias e seus pensares; se der valor ao sistema de patrulhas; se afirmar que não há nada mais lindo que um bom acampamento; se aprendeu com orgulho a ser um bom Sinaleiro; Se sorrir nas dificuldades faz parte do seu destino; se aceitar os outros mesmo que pensem diferente de você; se no campo domina com maestria um machado, um facão respeitando a natureza; se amar um lampião a querosene nas noites mais escuras e frias; se gostas mesmo de uma refeição feita por um excelente cozinheiro de patrulha, se tudo isto faz de mim um Escoteiro, então eu sou mesmo a moda antiga um Escoteiro.  

Apesar da modernidade que apregoam,
Tantos conceitos e padrões atuais;
Sou do tipo que na verdade
Do seu passado ainda sente saudades.

- Se... Sonhar que um dia chegaremos ao milhão tão sonhado; se acabarmos com a evasão que assola nosso organização; se pensarmos que a trilha de BP é uma só; se aceitar opiniões ser transparente e democrático; Se em seu grupo evitar a palavra “meu” tudo meu! Se der valor ao que trabalha ao seu lado; Se sonhar que a UEB faça tudo isto sem exceção, que a ENIT não seja a dona de tudo e não dê satisfações; se o orgulho ferino de ser o melhor, da casta dos lords acabar e o velho amor Escoteiro voltar; se houver no coração de cada um mais humanidade Escoteira; se pensarmos que não devemos ter fronteiras intransponíveis pois somos todos irmãos; se tudo isto faz de um Escoteiro, então eu sou mesmo a moda antiga um Escoteiro!   

Eu sou mesmo um Escoteiro a moda antiga.
Que no fogo adora uma cantiga,
E para terminar acreditem, sou aventureiro,

E a moda antiga eu repito: Eu fui e serei um Escoteiro.