quarta-feira, 10 de junho de 2015

meus livros escoteiros


Uma noite de autógrafos.
Risos. Fico aqui vendo, lendo aplaudindo e pensando. São tantos que tem a primazia de ter uma noite de autógrafos, do seu livro editado, vendido ou doado. São novos escritores, novos pensadores e até mesmo aqueles que se tornaram conhecidos com seu livro da vida. Faço a ideia de sua alegria, de ver que agora muitos podem levar para casa seu livro, seu amor de criação, sendo olhado e emprestado para quem quiser ler. Bom demais isto. Quem sabe um dia terei isto também? Tantos livros Escoteiros eu fiz, tantas opções de fazer um escotismo gostoso e aventureiro escrevi. Mas acho difícil um dia ter o meu. Quem dá mais? Um prú Manoel, outro para o Joel! Ops! Não quero vender, vai ser de graça, basta gostar e estarei pago. Pois é afinal dólar não tenho, conhecimentos com este pessoal de editora também não. Muitos amigos já me deram tantas ideias que cansei de tentar e não conseguir. Acho que esta estrada livreira não é para mim. Impossível caminhar com minhas próprias pernas. Mas mesmo assim obrigado aos que acharam que seria fácil e deram enorme contribuição com “ideias”. Enquanto isto grito aqui e ali, que estão disponíveis de graça em PDF. Quem quer ler? Afinal feijão não é arroz e quem quiser que conte “2”! Risos. É só pedir! (três de cada vez, por favor!)
Se quiser peça também minha biografia dos livros que escrevi e condensados.

ferrazosvaldo@bol.com.br

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Você sabia? (curiosidades do escotismo na Inglaterra)


Conversa ao pé do fogo.
Você sabia? (curiosidades do escotismo na Inglaterra)

- Você sabia que a primeira apresentação pública de David Bowie aconteceu nos Escoteiros? Ou que HERG E 's Tintin lendário personagem é baseado em um Escoteiro? 

- Primeira performance musical pública de David Bowie estava em um acampamento escoteiro na Ilha de Wight, em 1958. David acompanhou o seu amigo George Underwood no ukulele, enquanto George jogado washboard baixo e cantava?

- Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 50.000 escoteiros foram treinados para realizar tarefas do Serviço Nacional de Guerra, incluindo atuando como mensageiros da polícia, bombeiros e maqueiros?

- 31 milhões de pessoas são ativas no Escotismo em todo o mundo - que é igual à população do Peru?

- Grupos Escoteiros em Merseyside mantem o atual recorde mundial para a cadeia de aperto de mão mais longo?

- O livro de Baden-Powell Scouting for Boys já vendeu 150 milhões de cópias desde 1908, tornando-se o quarto livro best-seller de todos os tempos, depois da Bíblia, o Alcorão e Pequeno Livro Vermelho de Mao?

- Rolling Stones roqueiro Keith Richards agradece aos escoteiros com carinho a sua carreira musical. "Eu tenho que ser líder da patrulha dentro de seis semanas” - Eu só tiro para o topo. Uma vez eu tive um monte de caras juntos, não importa se era os escoteiros ou uma banda, eu podia ver meu caminho claro para puxar todos os seus vários talentos juntos?

- Nos últimos cem anos, mais de meio bilhão de homens e mulheres fizeram a Promessa Escoteira?

- Em janeiro de 2012, o Escoteiro Bryony Balen tornou o mais jovem britânico de sempre a esquiar até o Polo Sul?

- Há um cartaz Escotismo em ambos os EastEnders e cafés de rua da coroação?

- Para marcar o centenário do Escotismo em 2007, os escoteiros plantaram meio milhão de árvores em todo o Reino Unido?

- Que existem apenas cinco países do mundo que não têm o Escotismo - China, Cuba, Laos, Coréia do Norte e Andorra?

- Os escoteiros foram os originais dos Jogos Olímpicos Makers. Durante os Jogos Olímpicos de 1948 "austeridade" em Londres, Scouts foram descritos como 'The Oil dentro das rodas dos Jogos Olímpicos de Organização' - executar tarefas como servir chá, correndo mensagens e carregando cartazes na cerimônia de abertura?

- Gilwell Park, UKHQ dos escoteiros é o lar de parte da ponte velha Londres projetado no 19º século por John Rennie. O resto é no Arizona?

- Liam Payne do mundo, dominando boyband One Direction é um ex-escoteiro, como é 'Reem' tornozelo relógio vestindo TOWIE estrela Joey Essex?

- A cada dia 100 mil pessoas no Reino Unido participam de atividades do Escotismo - mais do que a capacidade do estádio de Wembley?

- O primeiro Jamboree Escoteiro Mundial, em 1920, teve a participação de 8.000 escoteiros de 34 países, bem como um jacaré de Florida, um crocodilo bebê de Jamaica, a leoa filhote da Rodésia (Zimbabwe), os macacos da África do Sul, um filhote de elefante e um camelo?

- A cantora e DJ Jarvis Cocker doou o disco de platina para o maior álbum do Pulp nunca, Different Class, ao seu antigo Grupo Escoteiro em Sheffield?

- Em 2012, o Escotismo foi votado como aquele que mais pratica caridade e o mais inspirador e prático do Reino Unido?

- O atual e mais jovem Chefe Escoteiro, Bear Grylls, foi uma das pessoas mais jovens de subir varias vezes até o cume do Monte Everest, na tenra idade de 23 anos?

- Robert Baden-Powell, o fundador do Movimento Escotismo, foi votado no Reino Unido como a 13 ª pessoa mais influente do século vinte?

- Em 2009, um grupo de escoteiros (com idade entre 8 a 10), fazendo lobby contra o "imposto da chuva" foram impedidos de entrar no Parlamento por ser muito jovem?

- John Lennon e Paul McCartney foram Cubs (castores) juntos?

- Quando Escoteira voluntária A duquesa de Cambridge foi fotografada usando um par de Le Chameau Vierzonard galochas e as vendas das botas dispararam mais de 30%?
        
- Scouts estão na notícia o tempo todo! A cada mês, mais de 70 menções positivas são feitas no rádio, TV e nos jornais? (no Reino Unido)

- O conhecido Polar e explorador Ernest Shackleton levou dois Scouts com ele em sua última expedição à Antártida no RSS Descoberta.

- Durante a Semana Escoteira da Comunidade, 16 mil escoteiros e voluntários em todo o Reino Unido recolheram 800 toneladas de lixo, o que equivale a 65 completos autocarros de dois andares?

- Centenas de Escoteiros do Mar ajudaram a evacuar Dunquerque durante a Segunda Guerra Mundial?

- Na última década, 43 mil meninas e mulheres jovens se juntaram aos Escoteiros e Cubs? (castores). Isso é o mesmo que a população de Folkestone.
         
- Os Escoteiros e Líderes (chefes) contribuem com o equivalente de 37 milhões de horas de trabalho voluntário a cada ano - no valor de cerca de £ 380.000.000?


- Última – Edward Michael Grylls, conhecido como Bear Grylls, nasceu na Irlanda do norte, tem a idade de 41 anos, é um ex-servidor das Forças Especiais Britânicas. Aventureiro, escritor, apresentador de programas de aventura na TV, e atualmente contratado pelo Escotismo Britânico como Chefe dos Escoteiros, onde faz um excelente trabalho profissional de Marketing junto ao povo britânico sobre as vantagens do escotismo.  

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Reme sua própria canoa.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Reme sua própria canoa.

Tem hora que da vontade de largar tudo, voltar para o paraíso, virar pescador e viver da terra, teria muito menos de decepções. (P.H.M.)

             Passo tempos pensando em me calar. Chega de ser tão crítico. Mas danadamente eu sou um Velho Escoteiro insistente. Passei por poucas e boas e entregar minha velha garrucha ao bandido não vai dar. Não vai mesmo. Não que haja bandidos em nosso meio, nada disto, no escotismo todos são mocinhos. Todos estão imbuídos nas melhores das intenções. Mas olhe, você sabe que de boas intenções o inferno está cheio. Agora, ofender e ferir susceptibilidades sei que não é correto. Aqueles que me seguem sabem que minha luta é para um escotismo forte, cujos princípios éticos deviam ser reconhecidos pela sociedade brasileira. Não tem jeito, a cada semana sempre tem uns poucos a querer me mostrar o verdadeiro caminho do sucesso. Só que acho que eles ainda não sabem qual sucesso pretendem chegar. Cada um tem sua maneira de pensar. Muitos fazem questão de dizer que temos que pagar o preço da modernidade. Pagar? Modernidade? Ora, afinal BP não dizia que devemos remar nossa própria canoa? O exemplo maior é a falta de crescimento, é a evasão bandida que assola nosso meio. É a falta de credibilidade por parte da sociedade brasileira como um todo.

                 Quer saber uma verdade? Tem muita gente falando sobre os caminhos do escotismo e a gente percebe que eles não têm nenhuma experiência no tema. Como dizem os antigos escoteiros, nunca fizeram a massa e assim nunca irão fazer o pão. São estudiosos, doutores, pedagogos, pensadores e leem muito e assim vão acreditando que os novos tempos devem ser adaptados e muitos defendem os atos dos nossos dirigentes e acreditam mesmo que eles estão acertando. Já vi alguns dizendo que nos dias de hoje não precisamos de bússola. Para que aprender a seguir as estrelas, o sol, as árvores se existem o GPS? Semáforas? Morse, nós Escoteiros? Sinais de Pista? Para que isto se o celular e o Google mostram aonde ir? Lembro-me de BP que sempre escrevia sobre o movimento, dizendo que ele precisava sim de mudar e se adaptar a vida moderna, mas sem perder a sua característica da vida ao ar livre, do aprender a fazer fazendo e de seguir seu próprio caminho.

. Ele sempre dizia que somente pelo resultado e não pelo método que se julga a instrução. Não basta ter jovens disciplinados obedientes, mas sem personalidade e nem força de caráter, sem espírito de inciativa ou de aventura. Jovens incapazes de se “virarem”. Dizia e isto naquela época sem os milagres da metodologia moderna de hoje. Ele dizia que com o moderno crescimento das cidades, fabricas rodovias e linhas telefônicas, e de tudo aquilo que chamamos “civilização” a natureza é mais afastada ainda das pessoas. Suas belezas e seus milagres se tornam estranhos as nossas afinidades pessoais com a criação divina e se perdem na vida materialista das multidões, com suas deprimentes condições entre as espantosas construções erguidas pelo homem. A natureza vem sendo expulsa para fora da nossa vida e é substituída pela artificial e graças à bicicleta, ao carro, ao elevador, as nossas pernas acabarão pôr atrofiarem-se pôr falta de exercícios e os nossos filhos terão cérebros maiores, mas sem músculos.  Sua formação ao fazer as atividades mateiras e de campo irão desenvolver seu cérebro, dar autodomínio, ensinar o fazer fazendo, pois um dia ele vai ser dono de si mesmo. Mas quem é este tal de BP para achar que é o dono da verdade?

                   Uma vez resolvi fazer uma canoa. Risos. Isto mesmo. Ganhei um tronco de mais ou menos sete metros por uns 400 mm de circunferência. Falei com meu pai que queria fazer uma canoa. Meu pai conhecia o Zé do Dedo, um carpinteiro bem conhecido na cidade. Disse para ele me ensinar. Como descascar a madeira, como tratar e conservar, mantê-la seca e arejada se possível mergulhada na água. Você vai precisar de uma proteção do sol, não deixar o tronco em contato com o solo enquanto trabalha. Ele mesmo me disse que o tronco era um Cedro. Perfeito ele disse para uma canoa. Eu tinha uma machadinha, meu pai me deu um Enxó, uma Goiva e um serrote. O próprio Zé do Dedo me emprestou um machado e um traçador. Claro que para usá-lo precisaria de duas pessoas. A Patrulha se aliou a mim e durante três meses ficaram ao meu lado depois desistiram. Não foi fácil. Voltava da escola e ficava de uma a duas horas a trabalhar na canoa. Zé do Dedo era formidável e meu pai não deixando eu desistir.

                   A cada dois ou três dias passava por lá a me ensinar e ver o que tinha feito. Foram seis meses. A canoa ficou pronta. Pesada, eu mal aguentava levantar sua lateral. Devo dizer que a canoa na visão de um bom construtor era feia, desajeitada, e qualquer corredeira ele iria virar o contrário e afundar. Quando ficou pronta precisava ser transportada para o rio. Um amigo do meu pai tinha um carroção. Ele meu pai, eu e minha Patrulha a colocamos no carroção e na beira do rio fomos tipo escada rolante levando até o rio. Boiou! Palmas fiquei super alegre. Dei pulos para o ar. Vamos testar. Zé do Dedo aconselhou ir só dois. Meus remos eram pesados e em pouco tempo não aguentávamos mais remar. Levei a canoa até próximo ao Curtume. Conhecia o vigia. Ele se prontificou a tomar conta. A canoa serviu para muita coisa. Não era a melhor canoa do mundo nunca foi. Mas até hoje eu não esqueço o que fiz. Não durou muito tempo. Uma enchente e ela sumiu. Não me tornei um carpinteiro e nem fabricante de canoas. Meus calos, minhas dores nas omoplatas nunca as esqueci, mas valeu!

                 Escoteiros adoram desafios. Desafios que eles podem sonhar e planejar em fazer. É no campo que temos os maiores desafios. E não posso acreditar que oferecer ao jovem uma boa atividade Escoteira no campo poderá ser substituída pelo que o mundo moderno oferece hoje. Só aqueles que não passaram por isto podem tentar dar outra conotação a este desafio. Aprender fazendo é uma arte. Ser seu próprio mentor e construtor é outra. Um dia todos os jovens irão viver nova vida fora do domínio dos pais. O escotismo os ensina a vivenciar isto. Difícil afirmar onde é o caminho da modernidade e o caminho do desafio no campo. Acredito que ambos se complementam. Oferecer a eles algum diferente que o interesse será momentâneo e não continuo. Oferecer a eles uma vida de aventura, deixar que pensem que podem ser heróis e deixar que eles vivam todos estes sonhos até o fim, isto sim irá motivar sua participação para sempre. Muitos estão tratando nosso jovens como bonecos de louça. Medo disto, medo daquilo. Ele está sendo proibido de pensar. Adultos estão pensando por eles. Decidem por eles. Saber onde e quando e como é tarefa dos chefes, mas colocar a Patrulha na estrada é tarefa dos jovens. Os novos pais chefes devem entender bem isto. Desafio faz parte do jovem, deixe-o seguir com os outros para fazer acontecer sua grande aventura.


                Nunca esqueci minha canoa. Meu pai foi meu instrutor e dos bons, não deixou que eu desistisse. – Se você começou termine! Dizia. Obrigado meu pai. Obrigado ao escotismo que me ensinou que desafios são para aqueles que irão até o fim. Infelizmente os resultados não são bons. Qualquer um pode ver isto dentro de sua própria comunidade. Somos uns eternos desconhecidos e dizer o chavão que a culpa é de cada um não vai levar a lugar algum. Isto vem sido dito há anos! Nossos lideres precisam dar um passo. Conseguir melhores condições para a atuação dos chefes, conseguir apoio, ter profissionais competentes para um marketing forte mostrando as vantagens da educação Escoteira. Não isto que oferecem hoje. Os programas que eles fizeram quase tudo é encontrado na escola, nos clubes e junto a amigos sem esquecer o “fabuloso” celular. Não serve talvez como exemplo, quem sabe serve como uma pesquisa de amostragem: - Nas redes sociais e sites de amizade, procurem ver as fotos que fazem mais sucesso e são compartilhadas. Barracas suspensas, pontes, pórticos e jovens partindo para suas grandes aventuras de exploração da natureza. Ainda não vi o que os modernistas escoteiros estão sugerindo e implantando. Ou melhor, será que vi e só não vi os resultados? Afinal foram 6.000 Escoteiros que abandonaram o escotismo em 2014. Falar mais o que?

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Vai acampar? Pernas prá quem vos quero! – Parte II.


Conversa ao Pé do Fogo.
Vai acampar? Pernas prá quem vos quero! – Parte II.

              Muitos chefes desanimam hoje em dia em preparar e sair para um acampamento. Sei que não é fácil e dá um trabalhão danado. A burocracia é grande e preparar materiais, transporte, intendência muitas vezes desanimamos. No entanto quando se têm monitores bem preparados, patrulhas bem formada e pais atuantes tudo fica mais fácil. Já pensou em acampar sem estas bugigangas que desanimam a todos nós? Mas lembre-se o acampamento bom é o seu, o da tropa. Deixe seus irmãos lobos para que façam seus acantôs, e os seniores suas grandes aventuras. Impossível O acampamento é da sua tropa! Sua tropa! Cada sessão deve ser autônoma e se isto um dia acontecer que todos estejam próximos, mas com liberdade de ação. Quando a Alcateia em seu programa tem três ou quatro acantonamentos por ano e ela mesma parte para suas atividades é sucesso na certa. A mesma coisa com os Escoteiros e os seniores. Cada um num local, cada um com seu programa sem a obrigação de atividades conjuntas. O Velho proverbio que diz  que quem vai para o mar avie-se em terra é bastante significativo para tornar o acampamento, excursão, bivaques ou atividades aventureiras em atividades gostosas e atraentes. Atividades que marcam muito o jovem Escoteiro ou escoteira que participam.

            Tente ao seu modo fazer tudo muito simples. Você tem vários caminhos para escolher, mas eu fico com aquele que tudo é feito de maneira simples e confiando nos seus monitores. Já comentamos isto antes. Se você não tem uma boa equipe de monitores, se ainda não criou sua patrulha de monitores e sub monitores não é fácil partir para um acampamento de aventuras. Prepará-los é meio caminho andado. Faça com eles acampamentos em separado aproveite para mostrar a eles como tratar seus Escoteiros, como eles podem ajudar a motivar para que mais e mais jovens permaneçam mais tempo no escotismo. Uma noite em volta de um foguito, deixe que discutam aquelas considerações que todos conhecem sobre a formação dos monitores. Procure nas atividades que fizer com eles ser um irmão mais Velho, aconselhando o caminho a seguir, mas nunca mostrando que você é o melhor e fazendo por eles. Comece com pequenas excursões. Cada cidade tem sua peculiaridade e você deve conhecer as melhores. Um ônibus ou trem que os deixa em local longe da civilização, uma pequena jornada de seis ou dez quilômetros, Mochilas as costas, caminhadas cantantes, em um domingo, uma parada para um lanche e porque não cozinhar um ovo? Uma linguiça para comer com pão? Porque não fazer um café? Isto é bom demais para começar.

                 Conheci tropas cujas patrulhas estavam tão preparadas para acampar que bastava a Corte de Honra aprovar e eles podiam sair em qualquer hora. Ensine-os a levar o necessário na mochila, se alguém quer levar mais que leve, mas ninguém vai ajudá-lo a carregar quando se cansar. Aprender a fazer fazendo não? Organize o sistema de rações. É barato, todos tem em casa e a taxa? Fica só para transporte e mais nada. Rações para um dia, para dois dias e até para três dias. O que significa? Simples, um cardápio comum, aquele que todas as residências têm. Um arroz, macarrão, um bife, um ovo, uma linguiça, batatas, açúcar, sal, óleo, café sabão, Bombril e etc. É simples. Calcule o que cada Escoteiro come, quais as refeições serão usadas e cada um colabora com um pouco. As rações devem estar bem empacotadas e serão levadas por eles na mochila. Para isto devem usar vidros bem arrolhados, latas, papel alumínio e outros que ajudam a transportar tudo na mochila. Muito cuidado porque se algum vazar as roupas sofreram as consequências. Risos. É muito importante uma reunião de pais para informar que isto substitui a taxa de campo que pesa para muitos.

                    Calcule com eles (sempre com eles) o que vai ser a ração “A” para um dia. A “B” para dois dias e a “C” para três dias. Todos farão sua lista particular e deverão ter sempre consigo. Não complique o cardápio. O essencial somente. Um pequeno caldeirão, uma caçarola pequena, e não se precisa de mais para cozinhar e fazer o café. Claro não esquecer o coador, uma colher grande, faca de cozinha (muitas vezes substituída pela faca do Escoteiro). Lembremos que cada Escoteiro leva alguma coisa da intendência e do material de sapa, portanto leve estritamente o necessário, pois tudo será transportado por eles. Quando se chega ao campo todos retiram suas rações para que o Intendente possa organizar a intendência. Ele sabe o que gastar para cada refeição. Uma pequena lona comum e monta-se uma barraca para guardar tudo. Nunca leve nada a mais. O tempo vai ajudar para saber o que vai e o que não vai. Na alimentação é melhor sobrar do que faltar. Alguns grupos tem barracas de peso mínimo fácil de prender na mochila. Se não tem, lonas comuns destas vendidas em casas especializadas que custam uma bagatela. Bem armadas sobre estrados dão ótimas barracas. Um facão, uma machadinha e um sorriso e pronto, agora é partir para o acampamento.

                    Costumo dizer que a “alma do negócio” é fazer com que a patrulha tenha responsabilidades em conjunto e não só o Monitor resolve tudo. Não é fácil fazer de um Escoteiro um bom mateiro; um bom aguadeiro ou um lenheiro; um bom cozinheiro ou um bom intendente. Na patrulha de monitores isto se fará presente, cobrado e motivado para depois eles fazerem o mesmo em suas patrulhas. Todos terão uma ou mais responsabilidade e você Chefe deve incentivar sempre para que eles façam o melhor possível para cumprir com suas obrigações. Muitas tropas perdem um tempo enorme para preparar os materiais para um acampamento. Uma ou mais reunião para ver tudo. Errado é a patrulha ficar responsável para uma vez por mês “checar” se tudo está nos “conformes”. Muitos têm a caixa da patrulha, outros têm o saco da patrulha, não importa o que a patrulha tenha. Lembre-se que a responsabilidade do material é do intendente. É nesta hora que se dá valor a um bom vibrante intendente.

                   Para começar a andar com suas próprias pernas, faça primeiro com os monitores e subs depois com todos. Uma ou duas excursões de um dia, quem sabe uma noturna dormindo sob as estrelas. Em tese tudo será levado por eles. Assim vão aprendendo para um acampamento de dois ou três dias. Junto aos monitores aprendam a fazer fogo, construir um fogão estrela, um tropeiro ou mesmo um suspenso no barro para começar. Esqueça o fogareiro a  gás. Putz! Detesto este fogareiro! Não tem nada de Escoteiro! Tente fazê-los aprender a cozinhar. Um bom cozinheiro tem um valor imenso. Se ele é bom o sorriso e o abraço vai acontecer com todos na patrulha. Não esqueça, se possivel façam lamparinas (aqui no Google se aprende rápido) ou veja se é possivel comprar lampiões a querosene. Estes precisam de técnica não só para transportar (vazios) como para limpar, acender, tamanho do fogo no pavio e olhos de lince para acostumar à escuridão. Adoro estes lampiões. Quando a patrulha é boa, quando ela sabe manter corretamente seu material de campo, quando o intendente for caprichoso e ter tudo anotado em lista, nada some e tudo é corretamente guardado e anotado.


                   Vamos experimentar deixar que eles andem com suas próprias pernas, ou melhor, que aprendam a fazer fazendo. Nosso objetivo é criara neles ou nelas responsabilidade. Só se aprende fazendo e deixe a conversa para a noite do fogo ou da Conversa gostosa ao pé do fogo. Uma boa tropa bem adestrada acampa em qualquer situação. Pense você se estivesse no lugar deles, o que diria de ficar só em reuniões de sede, cochilando, pensando quando aquilo vai acabar? Melhor é ir para casa e brincar com seus amigos do bairro. Crie o “tchan” de aventura que muitos querem e não podem realizar. Escotismo é campismo. Sede Escoteira é como uma estação de trem, a gente chega, desce, toma um cafezinho e parte a correr pelos trilhos em busca de aventuras sem fim. Olhe, aqui não dá para falar de tudo, mas já disse, é fazendo que se aprende. E antes que esqueça – Um bom acampamento deve ser em um local onde ninguém vê sinais da civilização. Postes de eletricidade, casas, barracos, estradas e trilhas onde muitos passam serve para os Escoteiros Pata-tenra! Aqueles que ainda não sabem ser bons mateiros. Dormir ouvindo motores de veículos próximos? Luz elétrica? TV? Internet? Putz! Melhor ficar em casa. Agora meu caro Chefe é com você. Prepare seus monitores, pernas para quem vos quero e em breve terão lindos locais para acampar... Sem pagar nada!     

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Vai acampar? Pernas prá quem te quero!


Conversa ao pé do fogo.
Vai acampar? Pernas prá quem te quero!

                        De volta aos meus conselhos. Melhor algumas sugestões. Afinal porque levar para o outro mundo o que aprendi e amei por toda a vida? Sem que muitos não concordem e isto é um direito, por isto escrevo sempre aos os novos chefes. Os antigos estão escolados não precisam dos meus conselhos. E eu então “supimpamente” pergunto: Será que o que fazem leva ao caminho do sucesso? Precisamos reconhecer que uma de nossas fincões é de segurar o jovem na idade que estiver o maior tempo possivel no escotismo. Isto só terá êxito se ele gostar do que faz e do que vai fazer. Muitos ainda insistem em dizer e falar em nome dos jovens dizendo que é o que eles gostam. É mesmo? Será que a resposta satisfaz? Se ele come minhoca o dia inteiro, nunca vai comer caviar. Não vai gostar. Mas se um dia ele jogar o prato de minhoca pela janela é porque ele não gostava, não é mesmo? O que o jovem quer? Já vi dezenas de chefes dizendo que o mundo mudou hoje ele pensa diferente e suas escolhas não são mais aquelas dos jovens de outrora. Verdade? Chegaram-me a afirmar que ele não entrava para os escotismo porque a apresentação não impressionava, tinha vergonha do que vestiam, e tantas explicações mais.

                  Sei não. Os que não entraram não vão entrar nunca. Sabemos disto porque nenhum país teve ainda toda sua população infantil e juvenil praticando o escotismo. Sempre teremos aqueles que gostam e aqueles que não gostam. Sei que um bom programa é êxito certo. Mas qual é o bom programa? Os que hoje estão sendo feitos eu fico em dúvida se estão nos  levando a uma trilha perfeita. Se não estamos conseguindo segurar os jovens e nem tampouco os adultos é claro que a trilha não é perfeita. Ninguém quer arriscar a cair em um despenhadeiro. Se ela é boa ninguém quer sair. Então antes de dizerem que tudo está dando certo olhe para sua sessão. Analise os últimos três anos. Lembremos que uma boa tropa não funciona adequadamente com menos de três patrulhas e com seis Escoteiros e Escoteiras cada uma. Quantos neste período permaneceram? Passaram para outra sessão e ainda estão firmes? Quantos saíram? Porque saíram? Alguém os procurou? Ouviu por acaso suas ponderações e considerações sem dar desculpas? Quem sai dificilmente volta e argumentar que tudo vai mudar nem sempre dá certo. Seja jovem seja adulto. Se você perdeu mais de trinta por cento de seus jovens nestes três anos, meu amigo tem algum errado nisto. Precisamos fazer com que eles gostem do que estão fazendo. Melhor precisamos voltar no tempo e ver se hoje eu fosse um menino ou uma menina estaria alegre com o que o escotismo que faço?

                Para que passar uma semana esperando o dia de reunião e encontrar as mesmas coisas? Mesmo com novos jogos aquilo se torna rotina e toda rotina é enfadonha. Sei que sair para o campo não é fácil. Dá um trabalhão danado, mas acredite, se você está ali deve saber que o escotismo se faz no campo. Não importa se acampado, se excursionando, se aventurando em atividades exclusivamente Escoteiras. Sei que hoje estamos vivendo em um mundo difícil com a marginalidade e a exploração de áreas que se tornaram restritas. Mas tudo isto pode ser contornado. Infelizmente temos que voltar no passado onde a patrulha era quase autônoma. Onde ela em um sábado montava sua mochila, com tudo que precisava, colocava ali uma ração para um ou dois dias e partia célere para o campo. Precisa do Chefe? Sim hoje precisa, mas ele vai ter facilitado e muito seu trabalho de preparação para um acampamento. Não é fácil assim pensam muitos. Mas para que serve a patrulha?

                 Vamos deixar a patrulha andar com suas próprias pernas. Para isto temos que preparar os monitores. Eles são quase responsáveis pela permanência dos escoteiro ou da Escoteira na patrulha. Ninguém gosta de participar com quem não está preparado para liderar. Não dá para aceitar ordens estapafúrdias, o mandão que grita o dono da verdade e que só ele sabe e da ordens. Eu se fosse menino ia correr dele. E não adianta o Chefe ficar no pé do Monitor, ou ele confia ou não confia. Faça em paralelo ou em separado atividades só para monitores. Se você não tem experiência leia os livros de BP, ali tem uma fonte de informações perfeitas para ajudar você. Não tem tempo para isto? Então meu amigo, acho que você deve trocar de função, pois está no lugar errado. Se você em um ou dois meses, ou mais tempo se necessário conseguiu dar uma chave de braço gostoso na sua turma de monitores, então meio caminho andado. Olhe, é gostoso demais sair com os monitores e subs por aí. Deixá-los como digo sempre seguir ao sabor do vento. Dormir em uma noite de luar olhando as estrelas, aproveitar para cantar, trocar ideias sobre orientação noturna, acordar de madrugada com os pássaros cantantes e preparar com eles um bom café e devagar bem devagar, esticar os braços para espantar a preguiça e começar os trabalhos de um novo dia.

                     Quantas coisas a aprender e a ensinar com eles? Quer saber? O melhor livro de pedagogia ou sociologia, sem esquecer a psicologia juvenil, é viver com eles. Ali está uma fonte enorme de aprendizado. Cada passo, cada conversa, cada ação se transforma em um só o Chefe e o Monitor. (sempre lembro que os sub também fazem parte) Um sábio Escoteiro já dizia que se quiser conhecer seu Escoteiro ou seu Monitor, vá acampar! É no campo que está o seu verdadeiro eu. Na sede não. Não sede podemos dizer que todos são um só fazendo as mesmas coisas tentando ao seu modo encontrar se ali está o que gostaria de ser para sempre. Quando for para o campo faça o programa curto seco e grosso. Risos. Imite a Constituição Americana, poucas linhas, poucos artigos, mas que acobertam todo o período de vivencia que precisa para desenvolver caráter. Só estando junto a eles vai atingir sua meta. Esqueça programas que  começam dizendo que as tantas horas faremos isto, as tantas faremos aquilo. Cá prá nós, isto é um “saco”. A vida não é contada por horas, não é vivida dentro de um relógio. Se vai acampar aprenda bem o que é tempo livre, o que é atividade tempo livre, o que é conversar, se entender sem horário marcado. Sinceramente eu acredito que dentro de um horário pré-estabelecido não dá para aprender, viver e fazer as coisas boas que um Escoteiro gostaria de fazer.

                   Vamos aprender nós se preciso, vamos aprender a compreender as estrelas e vamos aprender a piscar a lanterna conversando um Morse gostoso em uma noite escura de verão. Vamos andar a vontade, esqueça a fila. Maldita fila que tira todo o espetáculo da descoberta e do prazer de caminhar. Se a estrada é perigosa escolheu mal. Devia ter escolhido outra. Coloque uma patrulha a frente e outra atrás, onde todos devem saber que não podem ultrapassar nem ficar para Titia. E os programas o que fazer? Bah! Fale com eles. – Patrulha Lobo, o que vamos fazer ou aprender nesta atividade? Que tal uma pioneiria para atravessar o riacho? – Chefe bacana, mas vai demorar! Mas não temos tempo? Afinal que tempo o tempo tem para ficarmos preso a ele? Mãos a obra, lembrem-se da lei Escoteira, lembrem-se dos artigos da lei que faz com que respeitamos para ser respeitado e vamos em frente que atrás tem gente.


                    Nunca esqueça em nenhum momento. Deixe-os fazer. Errando se preciso e refazendo novamente até fazer o certo. Fique longe observando, não vá onde eles estão desenvolvendo um projeto. Sua presença vai inibi-los. Mas olhe meu amigo Chefe ou minha amiga Chefe, o importante é observar se o olhar o sorriso os comentários deles mostrarem que valeu a pena. Nunca deixe de conversar com eles, trocar ideias, deixe-os falar, não interrompa. Analise e depois mãos a obra. Você está ali para ouvir e orientar e não para fazer. Na semana e na outra, aguardem sugestões de atividades ao ar livre. Abraços fraternos!  

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Histórias da Insígnia de Madeira.


Conversa ao pé do fogo.
Histórias da Insígnia de Madeira.

                       Conta-se que na manhã de oito de setembro de 1919, dezenove homens vestidos de calças curtas e meias até o joelho, mangas de camisas arregaçadas, formadas por patrulhas iniciavam um curso de Chefes de Escoteiros. Um novo adestramento realizado em Gilwell Park, em Eping Forest, nos arredores de Londres, Inglaterra. O campo foi projetado e orientado por Sir Robert Baden Powell (BP), um general de 61 anos reformado do Exercito Britânico e fundador do Movimento Mundial dos Escoteiros. Quando terminou seu adestramento em conjunto, Baden Powell (BP) deu a cada homem um cordão de madeira simples, como se fosse um colar que ele havia encontrado em uma cabana abandonada de um Chefe Zulu. Isto aconteceu quando estava em campanha na África do Sul em 1888. Para os primeiros deste curso, foi um grande sucesso e se tornou tradição por muitos e muitos anos. As perolas de madeira eram reconhecidas para os que tiveram a oportunidade de passar por aquele adestramento.

                        Com o passar dos anos, as contas como eram agora chamadas, eram talhadas da mesma forma pra manter a tradição criada por Baden Powell. O curso passou a ser conhecido no mundo inteiro como o Curso de Insígnia de Madeira. É reconhecido não só na Inglaterra como também em todo o mundo como um curso de formação avançada para líderes do Escotismo. Na época do primeiro curso BP apresentou um Chifre de Kudu que ele tinha capturado durante a Guerra Matabele em 1896. Seu som profundo em expansão iria servir para convocar os membros dos cursos em assembleias, reuniões e atividades e foi utilizado lá por muitos e muitos anos.

                       Baden Powell (BP) usou esse mesmo chifre para abrir o terceiro Jamboree Mundial realizado no Arrowe Park, Birkenhead, Inglaterra em 1929. Esse chifre é usado até hoje por muitos cursos avançados no Movimento Escoteiro. A formação em um Curso da Insígnia de Madeira oferece uma oportunidade única para o aprendizado e para a liderança. Os participantes vivem e trabalham juntos em uma patrulha com outros escotistas. Assim aprendem sobre as habilidades de liderança a as técnicas de Socutcraft. Nota – Scoutcraft é um termo usado para cobrir uma variedade de conhecimentos e habilidades requeridas por pessoas que buscam se aventurar na vida selvagem e a se sustentar de forma independente. O termo foi adotado por Scouting, organizações escoteiras para refletir as habilidades e conhecimentos que se fazem sentir de fazer parte do núcleo de vários programas. Isso ao lado do conhecimento da comunidade e espiritualidade. Ali se aprendem habilidades tais como acampar, cozinhar, primeiros socorros, sobrevivência na selva, orientação e pioneirismo.

A Insígnia de Madeira ainda é considerada por muitos como uma experiência de suas carreiras no Escotismo. Ela tem servido como fonte de treinamento e inspiração para milhares de Escotistas em todo o mundo. Por sua vez, os possuidores da Insígnia são os responsáveis para a formação de milhões de jovens espalhados por todo o mundo.


Agora só falta você. Ainda não tem a IM? (insígnia da madeira). Mãos a obra. Pense olhando para frente e diga para si mesmo – “Se tantos conseguiram, eu também vou conseguir”. E lembre-se se você foi um bom lobo, um bom touro, um bom maçarico então não se esqueça de voltar sempre a Gilwell!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Conversa ao pé do fogo. Comentário de um amigo distante.


Conversa ao pé do fogo.
Comentário de um amigo distante.

                O tema para mim estava encerrado. Eu só ria voltar nele alguns meses mais tarde. Sei que alguns politicamente corretos e os lideres da UEB costumam ler o que escrevo, mas não espero em nenhuma mudança na sua maneira de dirigir o escotismo conforme acreditam. Se um dia vão pensar melhor não sei. Após receber meu condensado dos quatro artigos sobre Eles estão saindo do Escotismo – Por quê? Ele educadamente me mandou um e-mail que faço questão de transcrever aqui. Tocou-me profundamente. Concordo com ele em muito, mas a nossa única diferença que sou uma espécie de Dom Quixote, lutado contra os moinhos de vento e não desisto fácil. Eu ainda acredito. E mesmo errando vou continuar a tentar mostrar qual seria o melhor caminho para que o escotismo seja conforme BP nos deixou. O nome do meu amigo fica em OF. Não que ele pediu, mas achei melhor assim. Vejamos suas palavras:

Guaíba, Berço da Revolução Farroupilha, 16 de maio de 2015.

Meu Caro Monitor,
Sempre Alerta! Nada de SAPS ou qualquer outro modismo inventado para “fazer diferente”. “Fazer a diferença” é o que devemos procurar. Somos uma família onde devemos nos destacar pela qualidade e não pela modicidade. Li os seus artigos sobre a evasão do Movimento Escoteiro e por mais que isso me doa sou obrigado a discordar do senhor. Não há evasão do Movimento Escoteiro no Brasil pela simples razão que o mesmo já está morto, e não se pode sair de algo que não existe mais. Não tenho tanto tempo de Escotismo como o senhor, mas sou do tempo do chapelão, da calça curta, do meião, do cabo solteiro, da moeda no bolso da Boa Ação diária. Sou do tempo em que existiam Escoteiros e Chefes Escoteiros, Patrulhas, Conselho de Tropa e Corte de Honra. Sou do tempo em que durante a semana do Dia do Escoteiro atazanávamos a vida do nosso pobre chefe pelos ofícios solicitando o dispensa do uso do uniforme da escola naquela semana, para podermos ir uniformizados para a sala de aula.

Sou do tempo da malfadada frase: “O Escoteiro é uma criança vestida de idiota, comandada por um idiota vestido de criança.” Mas também sou do tempo em que “Ser Escoteiro” era motivo de orgulho. Do tempo em que aprendia a fazer nós não apenas para trocar de classe, mas para saber na hora em precisar fazer um, e fazer o certo. Do tempo em que as patrulhas faziam atividades em dias diferentes das reuniões de Grupo, para treinar e se qualificar para as especialidades, na busca de sempre estar um passo a frente das outras patrulhas. Do tempo em que o “Sistema de Patrulhas” era aplicado e não apenas um nome no rol das lembranças, onde a Bandeirola de Patrulha era cuidada, honrada e respeitada e nunca era largada no chão.

Como escreveu o senhor, do tempo da B.O.I.A. nos hasteamentos e arreamentos. E para quem não conhece a sigla significa Bandeira, Oração, Inspeção e Avisos. Lembro como o nosso GE (pequeno e um dos poucos no Estado do Rio Grande do Sul que não era patrocinado por ninguém) buscava apoio na comunidade, participava de campanhas, guardava à Pira da Pátria, ajudava na organização do desfile cívico e era conhecido e conceituado na comunidade. Francisco Floriano de Paula e Caio Vianna Martins eram nomes conhecidos. Mas como se diz aqui na minha terra, era no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Hoje não vemos mais nada disso. Vemos jovens que não tem motivação, pois não existe mais com que motivá-los.

Escotistas (tenho horror dessa palavra) que não sabem o que é Escotismo. Cursos que são uma piada de mau gosto e taxas, taxas e mais taxas. Não se dá o devido valor aos antigos Escoteiros formando as chamadas Patrulhas Dinossauro nos GE. Não se convida os antigos membros para participar ou mesmo visitar um acampamento. E sabe por quê? Pelo simples fato de que os Escotistas de hoje tem medo de ouvir: “No meu tempo de Escoteiro era diferente!” Tem medo de ter que dar explicação para os jovens dos motivos que levaram as mudanças. Culpa deles? Não, pois nem eles mesmos sabem dos motivos, guardados a sete chaves pelos medalhões.  No Brasil o Escotismo criado por BP não existe mais. Temos um simulacro, militarizado ou completamente solto. Uma disciplina imposta ou ignorada e não mais aquela disciplina que vinha de “dentro para fora” na medida em que íamos aprendendo o que era o Movimento Escoteiro.

Tínhamos os “Escoteiros” e não como hoje “Escoteiro disso” ou “Escoteiro daquilo”. Nada contra, pois são tentativas de uma volta as origens, mas que (até onde consegui ver) não conseguiram descobrir a verdadeira origem do Escotismo ou são impedidas de praticá-lo. O senhor listou quatro pontos: - Programa, Apresentação pessoal, Formação/qualificação do Chefe e Ouvir sempre o ponto de vista do jovem. Todos são válidos, mas se não resgatarmos a “Tradição Escoteira” e o “Escotismo de B.P.” eles de nada valerão. Se não devolvermos ao jovem o “Orgulho de ser Escoteiro” ele continuará a buscar isso em outros locais nem sempre muito recomendado.

 É inerente ao jovem participar de um agrupamento de iguais e buscar reconhecimento. B.P. identificou esse fato e criou um movimento voltado para aproveitar essa energia, esse sentimento de agregação, dando um norte e uma filosofia de vida baseada no caráter e na honra. E hoje, aqui no Brasil, foi realizado um excelente trabalho no sentido de desmantelar todo esse esforço e banalizar o termo Escoteiro a tal ponto que o jovem sente vergonha de ser identificado com Escoteiro e chegar à reunião com o seu uniforme ou aquele simulacro de uniforme adotado atualmente.

O senhor deve ter notado que não tenho participado muito das suas postagens. Mas isso não significa que não estou acompanhando-as, mas sim que sei que vou acabar em uma ou outra rusga com alguém. Sou chato demais nesse ponto e para mim, quando eu fiz a minha Promessa Escoteira foi para toda a vida. E a minha promessa não foi para o que se apresenta hoje como Escotismo, mas sim para o Escotismo de Baden Powell que estava em espírito representado na foto colorida sobre a mesa, entre o machado no tronco de Gilwell e a vela votiva com a promessa.

Deixo aqui o meu (considerado arcaico) Sempre Alerta e os meus votos de força e perseverança nessa sua jornada, a qual com certeza eu não escolheria por causa de meu pavio curto.


Um antigo Escoteiro que tem muito orgulho do seu passado.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Eles estão saindo do escotismo... Por quê? Considerações finais

Lembramos que toda a serie de quatro arquivos e as considerações finais estão disponíveis em PDF gratuito nos meus e-mail. Faça seu pedido caso tenha interesse em ter todos eles nos seus arquivos. Abraços Fraternos 



Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê?

Considerações finais.
                     Quatro artigos, quatro temas tentando analisar o porquê eles estão saindo do escotismo. Foram quase 6.000 em um ano. Alguns dizem 5.720 e outros 5.000. Não importa é um número expressivo. Comparativamente tivemos anos com melhores números de associados. Alguns quase suplantaram o ano de 2014. Pode ser que alguns dos que saíram ainda estejam fazendo escotismo. Desistiram do registro ou desistiram da UEB? Claro que ela não reconhece sua culpa. Sabe que muitos perceberam este êxodo, mas não dá o braço a torcer. Para ela tudo continua um mar de rosas. Ela é  Incapaz de vir a público para reconhecer que suas mudanças não deram resultados. Sabíamos da evasão a tempos, um entra outro sai. Agora no entando a debandada foi demais. Ela foi prepotente em colocar no seu relatório que estão crescendo. Francamente eu não entendi o porquê. Falta-lhe humildade para reconhecer seus erros? Melhor deixar para os politicamente corretos explicarem o inexplicável? A CULPA SÃO DOS CHEFES! NÃO ESTÁ SATISFEITO? VÃO RECLAMAR NA ASSEMBLÉIA. SE ACHAM QUE PODEM MUDAR CANDIDATEM-SE E ALTERE O QUE PRECISA SER ALTERADO! Como diz um comediante: È bonito isto! Ou melhor... Faça-me de bobo que eu gosto!

                   Eu acredito que muitas das causas não foram só dela. Talvez pela falta de apoio, pela falta de bons cursos, pela falta de transparência a UEB deveria assumir suas culpa. Muitos jovens deixam o escotismo porque os chefes não estão preparados para aplicar um programa que os agradem. Até acredito que os cursos de hoje deixam muito a desejar. Aplicam um didatismo que não condiz com o sentido da aventura, do sistema de patrulhas, da descoberta do fazer fazendo. Eu ainda insisto que sem ouvir o jovem esta debandada irá continuar. São poucos os que fazem isto. Em nome dos jovens eles tem a solução na mão. Alguns dizem que tem um programa espetacular, mas eu pergunto, os jovens foram consultados? Eles colaboraram na confecção deste programa? Cada um deve se lembrar de quando da primeira mudança do programa de jovens que a UEB fez. Em pouco tempo teve de mudar. Em ambos os casos não houve experiências nas tropas para verificar se o programa era bom ou se deviam mudar. Simplesmente disseram: - Agora é este.

                   Vemos uma parafernália do marketing da UEB em suas ações. Marketing inacessível para muitos mortais cuja luta pela vida é desigual. Os cursos, as atividades regionais e nacionais e até internacionais não alcançam o Escoteiro mais humilde. Porque continuar em uma associação que os programas que ele gostaria de participar não pode? O jovem não é tolo. Ele e ela sabem perfeitamente se ali é seu lugar. Existem grupos e grupos, uns mais outros menos. Mas a grande maioria que a UEB usufruiu dos números anuais para alardear o crescimento veio destes mais pobres. Aqueles que lutam por um lugar ao sol. Para eles não interessa se serão Grupo Padrão Ouro, ou Prata, ou Bronze. Querem sim fazer escotismo, mas não sabem como fazer. Enquanto no sudeste e no sul se esbanja Grupos Escoteiros bem formados cheios de pompa o mesmo não acontece em estados longínquos. 

                     A gama enorme de novos chefes voluntários fez deles (nem todos) muitos sonhadores em fazer o escotismo que não tiveram a oportunidade de fazer na infância. Esqueceram que eles são espectadores e seus jovens e que precisam do escotismo. Eles ainda não sabem que o jovem tem de andar com suas próprias pernas e que fazer fazendo até aprender o certo faz parte do caminho para o sucesso. Quantos já leram os livros bases do fundador: O Escotismo para Rapazes, O Caminho para o Sucesso e o Guia do Chefe Escoteiro? Estas literaturas estão aí para dar um caminho, diferente daquele que a UEB acredita. Já me disseram que o Para ser Escoteiro do Floriano hoje é procurado por muitos chefes. Poderia acrescentar o Guia do Escoteiro do Velho Lobo, O Almirante Benjamim Sodré. Não digo que tudo deve ser alterado. Uma adaptação do passado com o presente seria a melhor solução. Simplesmente dizer que hoje o jovem quer outro tipo de atividade, que a parafernália eletrônica mudou muito sua maneira de pensar é querer enganar a sí próprio. O jovem ainda tem o sonho aventureiro. Esqueceram-se de dar a ele e muitos nem sabem que isto existe.

                     Por favor, não culpem os chefes. Eles até podem ter sua parcela de culpa, mas a responsabilidade é única e exclusiva dos dirigentes. Foram eles que produziram os belos programas que não deram certo. Foram eles que fizeram do Chefe Voluntário um homem servil, subserviente, sem poderes para decidir os rumos a tomar. Em tempo algum se preocuparam em ter profissionais mesmo que em número reduzido, para viajar pelo seu estado ou pelo Brasil para ajudar a quem precisa.  Ainda persiste o sonho de ser alguém de ser um líder dirigente e formador. Cada estado tem os seus e outros na fila de espera. As fotos deles viajam pelas redes sociais.  Esperava-se que a direção seria um órgão diretivo para colaborar e participar de todas as formas necessárias e não se fechar em uma redoma de vidro se preocupando em ter as finanças em dia. Seria bom uma virada de mesa e ter mais um pouco de uma dose de boa vontade com os mais humildes que tanto precisam. Vamos distribuir sim as responsabilidades, mas as maiores são exclusivas da UEB.  

                    Uma dose de humildade não faz mal a ninguém. Reconhecer os erros sempre foram fatos históricos de grandes homens. Que eles procurem falar melhor para o povo Escoteiro e não para os pedagogos e psicólogos que tem na mão a salvação do escotismo e não enxergam que nada está dando certo. Que eles procurem encher seus bornais com as burras de dinheiro de suas suntuosas atividades nacionais e regionais, mas que este seja dirigido para os que precisam, para que os cursos sejam gratuitos. Que muitos possam receber um telegrama como eu recebi em 1963: Informamos que separamos uma verba para que seu grupo envie até dois chefes para um CAB (Curso de Adestramento Básico) na Capital do Estado. Serão cinco dias e todas as despesas pagas, inclusive transporte ida e volta. A Região de Minas Gerais agradece a participação de todos. Utopia? Precisamos ser realista. Não temos respaldo, não temos um programa que motive os jovens. Não temos apoio dos educadores nacionais e nem com as autoridades constituídas. Esta Frente Parlamentar poderia ser um caminho, mas ela precisa andar e provar que tem validade. (nem sei se nela tem alguém incriminado na Lava Jato) A UEB precisa fazer o necessário para um Marketing bem feito em todo o pais do que é e a validade do escotismo na formação de jovens. Aí sim, poderíamos precisar da colaboração de boas Agencias de Publicidade assessoradas por escotistas conhecedores do assunto.

                          Precisamos mostrar que não somos vendedores de biscoitos ou aqueles que ficam no poste esperando a velhinha atravessar a rua. Quem dera se tivéssemos influentes conferencistas, palestristas para propagandear o escotismo nas escolas, empresas e em toda a sociedade brasileira. Este sim deveria ser o programa para o futuro e não aqueles que nunca irão atingir a meta que esperamos para o escotismo nacional.  Precisamos deixar de lado esta mania de grandeza, os sabe tudo da vida deveriam se espelhar em Mahatma Gandhi ou um Martin Luther King Jr, que pela paz, pelo amor ao próximo conseguiram mudar as ideologias do Grande Irmão e venceram sem usar a força. Fico por aqui. É hora de mudar de rumo e voltar a minha velha seara de contador de histórias. Histórias da carochinha, histórias de Sherazade, histórias épicas, histórias de Escoteiros e as mais Lindas Lendas que encantam a juventude Escoteira no Brasil. É hora de entreter a escoteirada. Eu gosto deles e de vê-los com seus olhinhos a olhar o contador de história como se fosse uma das personagens que ali aparecem. Entretanto ainda acredito. Mesmo sabendo que é um sonho porque não sonhar?

                       Obrigado a todos vocês que me deram a honra de curtir, de comentar, de compartilhar, de alertar aos amigos dos temas que eu escrevi. Honrado em saber que tenho tantos amigos e amigas.


Lembrando o saudoso Dr. Spock, VIDA LONGA E PROSPERA A TODOS VOCÊS!   

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eles estão saindo do escotismo... Por quê? – Parte IV. O adeus sem volta dos chefes e diretores voluntários do escotismo.


Conversa ao pé do fogo.
Eles estão saindo do escotismo... Por quê? – Parte IV.

O adeus sem volta dos chefes e diretores voluntários do escotismo.

                 Uma vez eu escrevi um artigo cujo título foi A Legião dos Esquecidos. Comentava da saída de voluntários do movimento Escoteiro que nunca mais foram procurados pelos nossos dirigentes. O que fizeram ou os sacrifícios que muitas vezes lutaram para preservar o bom nome do escotismo e ao mesmo tempo sua luta para a formação da juventude, não passava de obrigação por parte deles. Foram esquecidos. Nem uma carta, um e-mail nada que pudessem saber que alguém se lembrou deles. Nossos dirigentes não se importam com quem foi embora. Quem sabe não se importam nem com quem está na linha de frente. Pergunta-se porque saíram? Porque deixaram o escotismo? Se eles um dia adotaram o escotismo como filosofia de vida e seu amor ao escotismo hoje nem lembrados são. A participação do adulto no movimento Escoteiro não é fácil. O sacrifício e enorme. Luta-se pela sobrevivência, luta-se para ser reconhecido e se não fosse o sorriso da criança nada mais teria valor. Muitos ainda insistem, mas a falta de apoio não só dos órgãos Escoteiros como da comunidade é fato comum. Os grupos bem estruturados não se ressentem disto, os pais são trabalhados para participar e sabem de suas responsabilidades. Eles dão sustento à continuidade em todas as áreas do Grupo Escoteiro. Ainda bem que tem chefes bem formados na escola Escoteira. Assim fica mais fácil.

                 Existe uma gama de chefes que mesmo continuando na ativa se ressentem do tratamento recebido pelas autoridades Escoteiras, e até mesmo de membros do próprio grupo. Nem sempre recebem sorrisos e elogios. Se não fizerem um pedido burocrático para um diploma de mérito ou uma condecoração, ou outra forma de agradecimento eles nunca serão lembrados. O papel em primeiro lugar. Um telefone? Um e-mail? – Olá Chefe, obrigado por estar conosco. Isto não existe. Os que estão chegando ainda estão com aquela motivação própria dos que chegam para ajudar, para somar esforços. A partir do momento que aprendem como funciona a engrenagem da associação, começa a vontade de por o boné e sair por ai cantando a canção da despedida. Eles aprenderam que a Lei e a Promessa diz muito, mas poucos da liderança a cumpriam. Sabiam que não estavam atrás de medalhas, de elogios, mas o tratamento sempre deixa a desejar. Outros acreditam que a disciplina é esta e não questionam. Alguns se escondem nos seus puros pensamentos que ajudar a juventude vale qualquer esforço e acreditam mesmo  que fatos no dia a dia de sua jornada Escoteira demonstrem o contrário.

                  Faltam-me dados completos para afirmar os motivos que levaram chefes voluntários a abandonar o Movimento Escoteiro. O que escrevo muitas vezes me foi passado por chefes que me escrevem que me telefonam ou mesmo quando posto um artigo e lá esta entre comentários os ressentimentos de muitos. Estão errados? Os mais comedidos ou os mais esclarecidos sempre defendem o indefensável. Eles ainda acreditam que precisamos andar com nossas próprias pernas e vencer as adversidade. Concordo em parte. Mas para que temos uma liderança? Para que eles estão lá a dirigir ao seu modo o escotismo que acreditam? Valorizam por acaso os voluntários? Colaboram com eles? O que vejo é receber e nada em troca. O voluntário é cobrado de varias formas, inventam normas para ele, fazem dele um mortal qualquer que na legislação de nosso pais tudo tem de ser provado. Provar que é leal? Que tem palavra? Isto então pode ser obtido em um cartório local? O papel com firma reconhecida prova tudo da sua lealdade ao escotismo?

                    Não falo dos grupos bem estruturados. Eles tiveram a sorte de ter lideres bem formados, conhecedores, com um passado Escoteiro e sabedores como agir. Mas eles são poucos,  e muitas vezes fechados dentro de sí mesmo. Seus exemplos não são fáceis de seguir. Os grupos menores ou os mal estruturados vão tentando sobreviver e seus chefes lutam com tremenda dificuldade. Não é fácil começar um Grupo Escoteiro. A sede própria é um sonho para poucos. Um cantinho hoje pode ser o despejo de amanhã. Como o movimento peca por não ter credibilidade e ao mesmo tempo por falta de apoio, o diretor hoje pode retirar a sede Escoteira que foi cedida pelo diretor de ontem. Nem o papel assinado tem valor. Vereadores mudam seu teor. Prefeitos não ligam. O escotismo não é reconhecido pelas autoridades. O Chefe se vê perdido. Busca uma ajuda que não tem. E ele então pergunta: - Onde estão nossos lideres?

               Sabemos que não há respaldo por parte das autoridades politicas e empresariais. Como a nossa estrutura não é pequena, manter tudo isto custa dinheiro, tempo e isto poucos Grupos Escoteiros conseguem. Na maioria nem mesmo o apoio dos pais eles conseguem. Temos como norma sermos apolíticos. Isto é bom. Mas ao mesmo tempo não temos o apoio que precisaríamos para dar aos chefes voluntários condições de conduzir suas sessões ou mesmo o grupo como um todo. Não temos representatividade no seio da comunidade. Muitos dos nossos chefes voluntários se mantem com sua própria condição financeira. O curso muitas vezes distante tem taxas que nem todos podem pagar. Pais, mães e outros que se aventuraram na senda Escoteira sabem que em primeiro lugar vem sua família e depois o escotismo. Mas a verdade mesmo é que a maioria paga do próprio bolso sua manutenção no escotismo e muitas vezes dos seus jovens.

                 Muitos reclamam por falta de apoio dos distritos, regiões ou mesmo pela direção nacional. A estrutura Escoteira está alicerçada em cima de um Estatuto, que não da o poder democrático a todos. “Lembro-me de uma parábola de Cristo onde ele dizia que muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos”. O poder está em mãos de poucos.  Sabemos da prepotência de muitos, o sonho de ser alguém, a dominação por uma disciplina quase imposta sem nenhuma chance de dar ao Chefe voluntário, o que qualquer organização ou associação prezaria: - A Democracia. A defesa desta maneira autoritária é uma arte que muitos que estão na liderança defendem. Esquecem que somos um movimento de amadores e querem de um dia para noite nos transformemos em profissionais. Temos salário? Que disciplina é esta que não dá a todos a oportunidade de discordar, de sugerir e votar?

                       Se esta for uma razão da evasão de muitos chefes e diretores voluntários é preciso mudar. Não podemos ter uma direção que não pensa em ajudar e colaborar com seus voluntários. Se decretos e normas resolvessem o Brasil seria um paraíso. Que procurem de uma maneira valorizar o trabalho dos voluntários em suas unidades Escoteiras. Se não existem profissionais pagos para tentar resolver os problemas deles, que pelo menos escrevam, sugiram, mas lembrando sempre que cada caso é um caso e o Acre é diferente do Rio Grande do Sul. Os cursos devem se voltar mais para estes fatos e não os burocráticos cursos de hoje que acham no Chefe um representante profissional em muitas áreas que eles não dominam e nem devem dominar. Esta debandada deve se melhor estudada. Sei que não podemos confiar nas autoridades. O quase fracasso do Escotismo nas Escolas foi um exemplo que muitos já sabiam que ia acontecer. Esta frente Parlamentar até hoje foi um blefe. Precisamos mostrar nosso reconhecimento ao novato voluntário e claro o antigo também. Precisamos ouvir e dar uma resposta que o satisfaça.

                    Um Chefe meu amigo e que está lá no céu sempre me dizia: Chefe Osvaldo é o escotismo quem precisa de você e não o contrário. Mas e então? Porque tantos lutam por uma causa  tão valida, e nunca são reconhecidos por parte de nossas autoridades Escoteiras? Para tudo é preciso ser subserviente, implorar e aceitar o que não acham válido. Todo caminho para o sucesso tem um começo. Os primeiros passos não podem acontecer com um só. Ou todos partem para uma solução ou então  mais cedo ou mais tarde irão pertencer a Legião dos Esquecidos. E chega de explicações que não deram certo. A evasão é uma realidade, explicar o inexplicável não trará o retorno dos que se foram.

 Não esqueçam comentem, compartilhem, precisamos de união, novas ideias, envolver o maior número de chefes voluntários nesta discussão. Sabemos que uma andorinha só não faz verão!