HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Velho Chefe dançou e quase se escafedeu!


O Velho Chefe dançou e quase se escafedeu!

                   De longe eu vi a multidão na porta da minha casinha. - Pegou fogo? Morreu alguém? Respirei fundo e tentei correr. E quem disse que consegui? Só doze passos e mais nada. As pernas que não colaboravam me deixaram na mão. Ofegante tentei o passo escoteiro e nada. Um vizinho veio correndo me encontrar: - “Seu” Osvaldo, calma é a Policia Federal e a Ministra Carmem Lucia presidente do Supremo. – Putz grila! Qual o motivo de sua visita? Será que falei demais? Será que ela está de conluio com a DEN e o CAN dos Escoteiros do Brasil? Cheguei de mansinho. Célia servia um cafezinho mineiro para ela. Tinha feito um bolo de chocolate na véspera e ambas parlavam coisas de mulher. – Bom dia! Cumprimentei. Ele me olhou enviesada. – Seu marido? Celia balançou a cabeça. Desculpe Célia, mas ele é feio demais!

                 - Vado Escoteiro, sou mulher de poucas palavras, portanto vamos aos entretantos e os finalmente agora. – Estou convidando o Senhor para Substituir o Ministro Teori Zavascki na Lava Jato. Não confio em ninguém e me disseram que o senhor além de chato de galocha, é danadamente ético escoteiramente. Já reservei uma casa à beira do lago Paranoá para o senhor e Dona Celia morar enquanto estiverem em Brasília. Terá quinze juízes da segunda instância como auxiliares. Convoquei vinte chefes quatro tacos e a diretoria da UEB para servir a suas ordens. - Dona Presidenta desculpe, mas dispense a turma da UEB. Eles não são confiáveis, pois não gostam de confiar e nem de trocar ideias com os demais voluntários escoteiros. Se aceitar eu mesmo irei convidar o Chefe Mané e o escoteirinho de Brejo Seco. Com eles me sinto melhor e trabalharei com vontade.

                  - Olhe Chefão, - Presidenta, não me chame de chefão, sou uma simples ordenança a ajudar quem precisa. – Certo, arrume sua bagagem e vamos partir! – Poxa Presidenta, dá um tempo, pois tenho que retirar minha mochila do Baú onde guardo minha tralha usada no tempo das diligencias. – Eis que de supetão adentra na sala o Presidente Temer. – Carmem, ele disse – Não combinamos em promover o Kinder Ovo? (apelido dado pelo Simão da Folha ao Ministro Alexandre de Morais) - Porque levar este Chefe que está mais prá lá do que prá cá? Se quiser mando um jato da FAB levá-lo diretamente para a Penitenciária de Alcaçuz no Rio Grande do Norte! – Olhe eu gostava do Temer, mas agora o danado me desafiou. – Célia me faz um favor, pegue meu bastão com ponteira de aço de duas e meia polegada no porão. Vou mostrar a esta cambada da presidência com quantos paus se faz uma canoa!

                  - Nem vi o Ministro Gilmar Mendes entrando. – Foi logo falando: - Carminha, a vaga não era minha? – O Lewandowski ministro gritou lá do portão: - Artigo 35 do Regimento Interno, alínea C, nenhum pé rapado do escotismo pode assumir cargo no Supremo! – Este moço precisa de uma bastonada – pensei. Isto está virando um escambal. Nem bem o nosso querido Teori Zavascki foi para sua estrela no céu e aqui em baixo todo mundo querendo seu cargo. – Um grito se fez ouvir na rua em frente a minha casa. – Alguns dos chefões da EB chegaram com o Juiz Sérgio Mouro amarrado a um tripé com sisal velho de acampamento e gritando para botar fogo nele! Quando dei por mim meu bastão de duas e meia polegada com ponteira de aço estava zunindo no ar!

                     A Ministra desamarrou Sergio Moro e me ajudou a fugir daquela bagunça na Rua onde Moro. Ops! Não confundir com o Juiz. O Presidente Temer me pegou pelo ombro. – Chefe! Desculpe, sei que é limpo de corpo e alma, mas as 76 delações premiadas vão me levar para Curitiba! Precisa me ajudar! Estava gostando da ministrada do Temer, dos senadores e deputados tremendo de medo das delações. Que eles pagassem pelo que fizeram. – Falei então a Presidente Carmem: - Olhe aceito, mas que o Lula passe uma temporada na Papuda em Brasília e mais uns três anos no Complexo Médico-Penal de Curitiba. A rua ficou tomada de Policiais da PM, Federais, e no céu trinta helicópteros da Aeronáutica sobrevoavam minha simples mansão onde mora o Balu, o urso que hibernava em Osasco.


                     Um cara de vestimenta com a camisa fora da calça e de chinelinho de dedo se dizendo “devogado da EB” gritava que ia me levar às barras dos tribunais! Outros chefes amigos que estavam de caqui bem uniformizados e lindos de morrer gritavam sem parar: - Viva Baden-Powell! Levei uma mosquetada na cabeça, muito sangue, caí zonzo. – Cadê meu bastão? Gritava sem parar... Celia de novo me socorreu, marido, marido! Acorde! Chega destes pesadelos! – Acordei e vi pela minha janela pardais cantando como a saudar um novo dia.  Porque sonhar assim? Não me meto não quero ser o salvador da pátria. Alguém bateu a porta. Célia finja que não tem ninguém em casa. Não quero ser ministro, presidente e nem Escoteiro Chefe. – O Carteiro desistiu e deixou a correspondência no portão. Era uma cobrança antiga que não paguei!