HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Vamos bater um papinho? Você é meu convidado.


Conversa ao pé do fogo.
Vamos bater um papinho? Você é meu convidado.

                   Olá meu caro Chefe, não se acanhe, sente-se aqui comigo. Feche os olhos e pense que estamos em frente a um fogo gostoso, tem mandiocas, bananas assadas na brasa, tem café e tem até chimarrão! Bom isto não? Agora vamos conversar ou você prefere primeiro cantar uma canção? Posso escolher? Vamos lá, quem sabe o Freres Jacques? Uma vez um Chefe nos ensinou a cantar esta canção, ele nos dividiu assim: - Três turmas, a primeira começava, a segunda continuava logo após terminada a primeira frase, e assim a canção desenvolveu maravilhosamente. Amei esta canção depois daquele dia. E olhe tinha até um saxofone para acompanhar.

                Você já deve saber que sou um Velho Escoteiro do tempo das Diligências. Velhos sempre são manientos. Fiz coisas do arco da velha no escotismo. Algumas esplêndidas outras nem tanto. Fiz milhares de amigos, mas fiz também inimigos. Sou humano como qualquer um uai! De Lobinho a Chefe, de formador a dirigente e nossa! Acampei demais. Sabe o que dizia a todo mundo? Que meu sonho era ver todos no campo, dormindo em barracas esticando pioneirías, pescando, poetando e se abraçando com enormes apertos de mão. Escotismo tradicional? Pode ser que sim.

                    Cheguei na terceira idade. A vida me obrigou a ficar na tenda de tocaia sem poder sair. Queria que fosse como outrora nas centenas de cursos que colaborei ou nas palestras que fiz por aí. Me prendi nas escritas. Quando comecei me chamaram de poeta da roça. Iletrado sempre cheio de erros do nosso “letrario” português nacional. Se por um lado tive decepções por outro sorri demais. Vou acompanhando o escotismo no seu passo do elefantinho que me lembra o caranguejo. Um prá frente dois prá traz. Um dia me achei um Dom Quixote, saí a enfrentar os moinhos de vento. Me senti bobo, mas não desmoronei ao primeiro que veio criticar. Interessante que os figurões projetam um escotismo do amanhã como se fosse uma bombástica clareza para a plebe e isto nos enchem de esperanças com um futuro promissor e lá vem os dois passos prá traz. São os Pafúncios da história.

                      Eles são supimpas no alto do pedestal a dar diretrizes e não olham a sua volta. Não precisa, pensam. Temos normas leis e o escambal. Todos estão aqui para obedecer. Você já viu alguém da alta liderança aqui no Facebook discutindo, comentando pedindo opinião ou postando? Bem eu nunca vi. Eles os altos dignatários tem sempre seus politicamente corretos para falar e defender suas ações em nome deles. Hoje os “Facebocando” escoteiros estão mais ativos. Comentam, discordam, reclamam e tem temas que passam de duzentos comentários. Ideias mil. Algum dignitário da corte? Nem pensar! Eles são supimpas, tem tudo na mão, sabem onde pisar. São ungidos pelo espirito santo. Demais não? Anos e anos crescendo e decrescendo. Quando teremos cem mil? Uma meta? Nem posso imaginar.

                     Observe a turma do taco, do cargo, da aguarda espera para ser assistente, da escolha da turma dos formadores e de seu saber inigualável. Antes gritavam agora estão quietinhos. Pertencem a Corte do Poder. Tem outra casta. Vez ou outra aparece um rabanete que se aposentou para dizer seu saber sobre determinado assunto. Um grande filosofo Escoteiro comentou o porquê o jovem não é consultado. – Não precisa. Sabemos o que eles pensam. Bato na madeira e digo: Pé de pato, mangalô três vezes! Pois é, os de hoje sabem o que querem e não ficar abiscoitando palavrórios e formaturas que na escola já enche o saco. E vem o sabido dizer que sabe o que precisa para fazer feliz a escoteirada.

                    Eu só digo que no alto da minha sapiência, se não está gostando ele se manda. Tem explicação melhor? Gostou ficou e animou sua turma da esquina do bairro. E de quem é a culpa? Do jovem? Do Chefe? Porque perguntar se perguntar não ofende? Os cursos tem culpa? A EB tem culpa? Moço, dizem, a culpa é sempre do voluntário que não aprendeu a fazer. Sempre assim, voluntário culpado e ainda paga para errar no escotismo. Se você escrever aqui que precisamos consultar os jovens garanto que centenas dirão o que eles pensam. Chefe! Não tem os Jovens Líderes? Têeem! Alguns deles estão na chefia meu “fio”! E dizem que são jovens. Na idade deles já tinha casado e com filhos.

                     E eu como sempre me enveredei pelos maus caminhos. Quero ver fotos de meninos acampando, em campos de patrulhas, aprendendo a fazer fazendo e não vejo. Fotos? Tem muitas. Fulano recebendo seu taco, sua IM sua medalha ou em pose magnifica no seu curso Escoteiro. Buá! E os jovens? Chefe! Não precisamos. Já se fala em Grupos Escoteiros só de voluntários e sem meninos. Vai ser mais fácil para comandar e acampar! Será supimpa e atividades ao ar livre never! Vamos fazer a boa ação planejada e dirigida pelo chefe! Pois é. E olhe sabem quem é o culpado de tudo de errado no escotismo? – É o “Mordomo” Chefe. Sempre foi ele!


                  Vamos encerrar o papinho. O fogo parou de crepitar. As brasas estão adormecendo. Um vento sul vem aí para esfriar o esqueleto. Melhor é deixar alguns com seu chimarrão, outros com o cafezinho e deixar rolar outro papinho nesta Conversa ao Pé do Fogo, onde menino e menina não entra!