HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Você lembra do penacho usado no chapéu escoteiro?


Conversa ao pé do fogo.
Você lembra do penacho usado no chapéu escoteiro?

                     Publiquei este artigo há pouco tempo. Muitos chefes, no entanto me escreveram perguntando o que era o penacho e outros por que foi desatualizado. Quando ao que era respondi prontamente e porque foi retirado até hoje não sei por quê. Acredito que queriam acabar com o chapelão escoteiro e o penacho não teria lugar para ficar. São conjecturas somente. O penacho sempre foi uma tradição, sendo usado no chapéu, na boina e em outras coberturas. Dava status o penacho. A cor identificava o ramo e o cargo na chefia. Se os dirigentes tivessem feito uma consulta às bases garanto que ele estava sendo usado até hoje. São coisas que a gente vê, sente falta e não sabe o porquê.

               Com o penacho muitos símbolos desapareceram. As estrelas de atividade de metal um sabido disse que eram perigosas e substituíram pela de pano. Houve uma época que criaram um distintivo de Chefe por ramos e modalidade. Ficou por pouco tempo. Foi criado o uniforme Social, avacalharam com ele e foi extinto. Agora temos uma vestimenta que cada um veste como quer. A jarreteira com exceção dos escoteiros portugueses foram extintas. Interessante é que meia dúzia na liderança nacional decide e nem pergunta as bases o que elas acham. Assim as tradições vão desaparecendo como se fosse um planejamento não escrito para tudo mudar e um novo escotismo surgir. Sempre pensei que extinguindo uma tradição estamos perdendo parte de nós mesmos. Estamos apagando o passado e esquecendo parte de nossa memória. Já estamos sendo um movimento sem memória.

               Sei que o penacho assim como a jarreteira são usados em alguns países que não perderam suas tradições principalmente em Portugal onde é levada a sério. A preocupação em ter o distintivo de lapela, a moeda da boa ação e as estrelas de metal ficou no passado e quase ninguém fala mais deles. Não é mesmo uma piada dizerem que a estrela de metal poderia provocar acidentes? Poxa! Usei por muitos anos e nunca vi ninguém acidentar. O chapéu escoteiro também virou peça de museu. Alguns usam outros não. Pelo que saiba não é obrigatório. Soube que se encontra nas Lojas escoteiras, mas com preços proibitivos.

                O penacho foi usado por muitos anos identificando o ramo e modalidades de todos participantes do escotismo. Mesmo não me lembrando ele tinha suas cores para identificação dos ramos, modalidades ou cargos. O amarelo era para lobos, verde para escoteiros, marrom ou grená para os seniores, vermelho para os pioneiros e os chefes de ramo usavam as cores de sua sessão meio a meio com sua posição de chefe. Dirigentes, Diretor Técnico e formadores usavam o azul. Mas como surgiu o penacho? A explicação logica é que ele é geralmente colocado acima da cabeça, nos elmos, capacetes, cocares, chapéu e etc., expressam o esforço do ser para elevar-se a uma posição além da que se encontra. Pode também representar o amor, a alma e a personalidade.

                 Sei que até hoje existe muitas reclamações da extinção do uso do penacho. Muitos chefes se ressentem de não ter nenhum distintivo de identificação. A IM o Anel de Gilwell não são todos que conquistam. As estrelas de pano não dão visibilidade. Insisto que não dá para fazer comparação entre as de pano e as de metal. O simbolismo, a apresentação o orgulho em mostrar seu tempo de escotismo sempre era destacada com as estrelas de metal. O penacho trazia uma mística própria. Usei o penacho por anos até sua extinção quando Chefe escoteiro. Sei que hoje no Brasil não se encontra para comprar. Se alguém quiser ter um para recordação quem sabe no exterior. Soube que na Inglaterra se encontra fácil nas lojas Escoteiras. Bom mesmo os ingleses. Ainda mantém muitos distintivos do passado e o chapéu de abas largas nunca é esquecido. Sua Loja Escoteira tem sempre em estoque.

                    Dizem que sou um critico nato de muitas coisas realizadas pela Liderança da UEB. Mas não dá para engolir um dirigente resolver mudar alguma coisa, na Reunião do CAN ou similar apresenta suas questões e lá vem uma resolução mudando. Muitas vezes nem dão satisfação e se alguém pergunta as respostas não vêm. Milhares de escoteiros, lobos, sêniores pioneiros e voluntários que não são perguntados, não puderam opinar e muitos já aprenderam que é melhor sorrir e aceitar. Veja o caso da Flor de lis. Dizem que a nova é estilizada (tirar o máximo de detalhes de uma figura para que se possa ser identificada). Será mesmo este o motivo para sua mudança? Um desenho de muitos anos é trocado sem mais nem menos?

                    O que acho interessante é que os dirigentes nunca aparecem para dar explicações. Dizem que isto só pode ser feito nos Congressos ou nas Assembleias. Mais interessante ainda é que a UEB tem dezenas de chefes para defender sem ao menos ter estado presente na hora da mudança. Soube que é obrigatório o uso da vestimenta nas atividades internacionais. Verdade? Ainda bem que temos uma plêiade de chefes que não estão nem aí para determinações da EB. Vejo dezenas de chapéu de pano, bibico de pato, cores diferentes até na vestimenta, uma verdadeira Torre de Babel. Sei que a cada geração sempre aparece os sabidos para mudar. Tudo é vendido. O distintivo de Patrulha, o da monitoria, agora é de pano pelo preço X.  
               
                    Tivemos muitas tradições que se perderam nos escaninhos da UEB. Muitas delas agora são lembradas em órgãos especializados com a Memória Escoteira. A sede do lucro vai mudando a fim de beneficiar o caixa que dizem não pode nunca dar prejuízo. Enquanto em Portugal fizeram um Acampamento Nacional com mais de 27.000 participantes pela módica quantia de noventa euros, (cinco dias), enquanto os desbravadores na mesma arena onde vai ser realizado o Jamboree Brasileiro teve taxa de menos de trezentos reais (muitos não concordam, sempre tem eles para defender o indefensável), iremos ter nosso Jamboree por módica quantia de seiscentos e poucos reais sem alimentação. E a petição para reduzir o preço parece que a EB nem tomou conhecimento. Servir ou ser servido? É... Viramos sim pedintes da UEB!


                 Dizem que saudosismo não enche barriga. Dizem que agora somos modernos e temos uma nova era pela frente. O passado ficou só na lembrança e o presente sim irá dar uma nova mentalidade ao escotismo do Brasil. Sou um Velho Escoteiro feliz. Usei minha jarreteira, meu penacho, meu chapelão, minhas estrelas de metal, meu cinto com fivela que não entorta minha flor de lis de lapela, minha medalha da boa ação e andava por aí de lenço no uniforme com nó nas pontas para não esquecer que o “ESCOTEIRO FAZ TODOS OS DIAS UMA BOA AÇÃO”!

Nota de rodapé: -  Este artigo do penacho escrevi há tempos atrás com outras palavras. Alguns chefes me pediram para explicar o que significava e o porquê foi extinto. Resolvi reescrever agora mais ácido, pois não me abstenho de criticar as mudanças e as tradições que no Brasil são feitas por tempos em tempos. Estamos sem memória, sempre tem um que quer ficar na história mudando o que nunca deveria ser mudado. Ele poderia ter esse direito sem consultar ninguém?