HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

sábado, 27 de junho de 2015

A saga do uniforme caqui. Capítulo 8.375.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A saga do uniforme caqui. Capítulo 8.375.

            Mais um capítulo. Quando vai se encerrar esta saga? Bem eu já devia ter encerrado há muito tempo. Só não o fiz por que apareceram novos saudosistas e eu não podia deixá-los sós. Eles como eu têm sonhos, tem lembranças, são tradicionais ao seu modo. Para eles pouco importa o que hoje os valorosos lideres Escoteiros em nosso país façam. Eles sabem que não podem esmorecer e continuam sua luta. Luta inglória. Luta difícil, é uma história diferente onde eles não tem valor para a alta direção. Ela não prestigia seus colaboradores voluntários. Não acredita na palavra deles. Faz gato e sapato com exigências incabíveis e muitas vezes não aceita. Para mim isto é um absolutismo incomparável. Qualquer um que acompanhou a história sabe que a vestimenta foi imposta, foi quase obrigatória, condições? Duas: - Podem usar o caqui quem quiser. A vestimenta será padrão que a UEB já escolheu. Não acreditam? Conhecem algum dirigente ou formador que ainda usa o caqui? 

            Foram dois anos ou mais discutindo, montando peças, dando liberdade a um órgão que nem eleito foi para a escolha. Depois em uma longínqua Assembléia jogaram aos presentes o fantástico espetáculo de apresentação copiado do Faschion Week, um desfile de modas que todos conhecem. Espetáculo para ninguém colocar defeito. Planejado nos seus mínimos detalhes. A apresentação dos modelos e das modelos vendeu a todo Brasil um novo estilo, uma nova moda, uma nova apresentação que no dizer dos lideres seria a revolução do escotismo Brasileiro. Deu certo, a maioria aprovou sem pestanejar e tem muitos que se sentem ofendidos quando se comenta o histórico. E aqueles que alardeiam que houve consultas? Que houve transparência? E os preços? E a confecção de péssima qualidade? Coisas que acontecem dizem com qualquer roupa dizem. Que o digam os que esperam meses e recebem tudo errado. Mas não é o tema de minha crônica.

             O que queria escrever e defender é o meu tradicional uniforme caqui. Sei que não é tão tradicional assim houveram outros antes dele. Estão martelando situações que eu não conhecia sobre ele. Dizem que o brim é quente, que não é bom para andar no mato, que no frio as pernas de fora gelam. Outros disseram que é démodé, que ninguém gostava que a meninada sempre pedia para mudar o uniforme. Interessante que eu nos meus 66 anos de escotismo nunca ouvi isto. Quando a UEB abriu a participação feminina a tão falada coeducação a UEB determinou um uniforme. Era até simpático e palatável ao meu modo de ver. Mas a partir da década de noventa começaram as mudanças. Disseram que as moças queriam ficar iguais aos rapazes. Muitas partiram para o traje e outras para o caqui dependendo o que o Grupo usava. A UEB como sempre deixou as águas rolarem. Bagunçaram tudo. Não entendo esta posição em relação ao caqui. Afinal eu o uso deste que passei para a Tropa Escoteira. E olhe que os meus amigos da tropa e de outros grupos amigos nunca reclamaram. Naquele longínquo tempo nunca vi um Adestrador, um membro dirigente da UEB ou da Região se posicionar contra o caqui. Eles usavam sorrindo!

             Afinal sem me considerar o melhor Escoteiro, com o brim caqui passei noites em invernos rigorosos no Pico da Bandeira. Noites no Pico do Itatiaia, e nas Agulhas Negras, na Serra do Cipó, e em locais cujo frio pela manhã a gente via o gelo se formando no capim. Nem comentar de São Lourenço. Poucos conhecem. E tudo isto em barraca de duas lonas. Afinal para que serve um Fogo Espelho? Cruzei matas, florestas enormes, cai em rios, lagos, despenhadeiros e o uniforme secando no meu corpo. Eu mesmo aprendi a lavar e passar no campo (passar a moda Escoteira). Andei com ele pelo Vale do Rio Doce com sol de quarenta e cinco graus. Dei voltas no Vale do Aço, do Jequitinhonha, e tantos outros vales deste Brasil. Fui a Teófilo Otoni e de lá a cidade de Canavieiras na Baia voltando por Vitória no Espírito santo de Bicicleta. Sempre com ele. Calor? Frio? Para que a manta? Para que a camiseta quando precisava? Contar o que fiz com meu brim caqui que durava mais de oito anos enquanto a gente não crescia é impressionante. Será que a vestimenta fará o mesmo? Quem sabe fará. Hoje o programa é outro, e aquele de aventuras ficou no passado.

               Comentar que antes os chefes vinham dos lobos, dos Escoteiros, dos seniores era meio caminho andado. Depois tudo mudou. A evasão chegou fazendo alarde. São poucos que chegam à idade adulta em um grupo Escoteiro. A maioria hoje são pais voluntários que acompanhando os filhos resolveram colaborar. Bem vindos, no entanto alguns poucos resolveram se tornar porta voz da UEB. Denigrem um uniforme que não conhecem a tradição. Que nunca usaram como os antigos. Calça comprida no caqui? Só fui ver isto na década de oitenta. Vergonha? Sei não, eu nunca usaria, mas aceito quem o faz. Para a vestimenta não vou e nem sonho em ir. Os poucos novos (de oitenta para cá) denigrem o caqui, o chapéu, o meião e dizem que não gostam e agora estão contentes com a vestimenta. São mestres em dar explicações sobre o escotismo moderno e vejo alguns deles dizendo que se BP fosse vivo faria isto também. Coitado do BP. Deve estar lá em cima em volta do fogo em uma estrela perdida no universo a ruminar onde ele guardou seu chapéu.

               Eu sei que é fato consumado a vestimenta. Não tem volta. E querem saber mais? Não dou dez anos para que o caqui desapareça. Quem sabe ficará uma minoria de cinco por cento do efetivo com ele. Quem viver verá. Esta conversa que a UEB liberou os dois não dá para engolir. Quando foi lançado todos os dirigentes e formadores foram “intimados” a dar exemplo. Chefes sem a menor consideração passaram a usar em suas tropas ou Alcateia isto sem a liberdade de escolha conforme é determinado pela UEB. Agora deram liberdade! Democracia arrostam os politicamente corretos. Você só usa se o Grupo votar sim. Balela! Conheço uma infinidade de grupos que surgiu cisões, muitos foram contra, muitos resolveram sair do escotismo,  mas a vestimenta prevaleceu. Se o Grupo ainda não tem o domínio ou a emancipação democrática; seja através de um Conselho de Primos, de Tropa; Conselho de Patrulha; Corte de Honra e Conselho de Chefes onde todos aprenderam a discutir votar e aceitar o veredito, não adianta insistir que a liberdade foi completa para quem escolheu a vestimenta.

                Se você não gosta do caqui é um direito. Pena que o direito no escotismo é só da UEB que determina, manda, resolve o que vai fazer sem nenhuma transparência. Dizer que ela não costuma ser transparente, democrática, que faz pesquisas de qualidade não é verdade. Nunca em tempo algum agradeceram aos voluntários antigos ou os novos de alguma maneira. Quem já recebeu algum e-mail, uma cartinha ou algum parecido? Alguém foi contemplado sem primeiro fazer um dossiê ou processo? O que muitos receberam e que agora são obrigados a fazer uma documentação com firma reconhecida se quiserem fazer o registro. Como sempre o Chefe não tem palavra, tem de provar que é honesto.


                 Eu sei que a vestimenta já é fato consumado. Aceito a escolha de quem a usa. Mas se possivel que tenham mais seriedade, mais apresentação pessoal com seus jovens e maior orgulho da vestimenta. Foram dezenove tipos. Porque isto nunca entendi. Já ouvi de amigos muitos comentários jocosos da vestimenta. Ainda a tempo de consertar isto. Nem sei se a UEB viu ou vai tomar alguma providência. Uma coisa garanto, não precisa ir longe para saber por que partiram os seis mil Escoteiros no ano passado.  Perguntem a vestimenta! Ela sabe até onde tem culpa.