terça-feira, 10 de outubro de 2017

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Era um cego e conduzia outro cego e sabe o que aconteceu?


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Era um cego e conduzia outro cego e sabe o que aconteceu?

“Porventura pode um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?”  (Lucas, VI, 39.) - “Sabes que os fariseus ouvindo o que disseste, ficaram escandalizados? Mas ele respondeu: Toda a planta que meu Pai Celestial não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os, são cegos guias de cegos. Se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.” (Mateus, XV, 12:14.).

                   Porque a introdução da minha crônica desta parábola tão conhecida? Talvez para dar exemplo ao movimento escoteiro no Brasil. Estamos ficando cegos. Não enxergamos nada a frente. Fazemos o hoje sem pensar no amanhã. Será que estou errado? Só eu estou enxergando? Não posso também estar cego com minhas palavras que nem sempre são acreditadas pela maioria? Pode ser. A verdade absoluta só há de Deus. Mas tentem ver a realidade hoje. Quem sabe programaram para tudo mudar no futuro, mas que futuro?

                  Um pensador disse que há cegos do corpo e cegos do espírito, e se horrível à cegueira do corpo, mil vezes pior é a do espírito. O dito popular que diz que um cego conduz outro cego pode ser apenas uma metáfora. É fato que o desejo de muitos dos que imaginam um novo escotismo gostam de criar de refazer de se sentirem realizados com o que fizeram. Mas deu resultado? Onde estão? Onde existem hoje homens ou mulheres forjados no método escoteiro que dizem ser moderno, que nas suas posições de comando nas diversas áreas empresariais, politicas e educacionais dão seu testemunho da validade do escotismo?

                  Já tivemos no passado alguns homens bem posicionados onde eram bem reconhecidos e podiam dar seu testemunho escoteiro. Sim, poucos talvez, mas tivemos. Hoje? Sei que ainda temos muitos antigos escoteiros que amam o escotismo, que tem dele boas lembranças, mas que dentro de sua vivência atual pouco pode fazer para que os educadores atuais reconheçam a validade da formação escoteira de Baden-Powell. Porque Baden-Powell? Porque o escotismo foi seu sonho e foi por ele iniciado. Muitos discutem hoje sua validade em 1910 e 2017. Não sou “Douto” para explicar em pormenores a metodologia que ele criou e as atuais que os novos pedagogos estão criando.

                  Dizem que no escotismo nada precisa ser criado e sim copiado. Bem quem diz isto tem lá suas razões. Se os novos pedagogos e pensadores escoteiros pensam o contrário e criam sem consultar ninguém, sem pesquisar, sem pelo menos ver se vai dar certo, e vão ao seu bel prazer mudando sem ver o rastro da criação que vão deixando eu pergunto: - Porque não crescemos? Somos 60 a 80 mil membros escoteiros nos últimos 30 anos. Nada muda. Sempre um sonhador dirigente a dizer que estamos crescendo. Onde? A mística se foi, a tradição pouco existe. A apresentação pessoal que foi orgulho de muitos deixou de existir. O orgulho de ser escoteiro ficou no passado daqueles que não estão mais na ativa.

                  Quem contradiz? Quem pode dizer que este não é o caminho? – Chefe, vá à assembleia, lá você pode dar seu testemunho. Verdade? Alguém já fez isto e deu resultado? Uma verdadeira massagem cerebral vem sendo posta em prática. Os antigos são esquecidos e os novos recebem o tal neo-escotismo que um amigo meu gosta de comentar. Porque nossa liderança ainda não fez uma boa pesquisa entre os brasileiros o que acham do escotismo nacional? Quais as respostas? Ainda existem? Onde estão? O que fazem? E esta apresentação tão simplória com falta de garbo e ordem?

                 É, é mesmo difícil reverter este quadro. Sempre os idealistas que quando chegam à posição de mando nada fazem e em vez de pelo menos copiar o escotismo verdadeiro de Baden-Powell simplesmente inventam e vão seguindo seus antecessores. Imaginemos, agora, um cego do futuro escoteiro, conduzindo uma multidão de cegos da mesma natureza, o que acontecerá? O que será de todos eles no futuro, afinal são cegos que entraram onde era desconhecido e foram apresentados a outra ideologia que não a de Baden-Powell. Qual o resultado?

                Enquanto isto os dirigentes, os novos formadores, os formados na Insígnia de Madeira tão desfigurada, sem contar os APF (assessores pessoais de formação) que foram preparados conforme o mando nacional seguem e sabem que nada podem mudar. E vou citando uma mãe que também é Chefe que desfia suas lamentações em dizer da tristeza de ver os meninos, querendo ser escoteiros ou lobos, mal vestidos, roupas grandes ou curtas demais, pais lamentando o preço que não podem pagar e um Chefe novo dizendo a ela que no curso o formador disse que isto é certo. Está no POR!

                Decididamente ninguém pode saber sem aprender, ninguém pode aprender sem estudar, assim como ninguém pode ver sendo cego. Escrevi tudo isto baseado na parábola de Jesus sobre o tema. Um cego não pode guiar outro cego. Um Dirigente não é o dono da verdade. Escotismo tem na sua origem Baden-Powell. Ele criou suas normas, regulamentos, simbologia, místicas e métodos. Quaisquer outra coisa que for aplicada não pode ser chamada “Escotismo”. Adaptações quem sabe, mas ouvindo os associados que hoje sabem sobejamente que nada fazem para mudar. Lembro as palavras de B. B. Valentine do Livro o Caminho para o sucesso de Baden-Powell:


- “Tem gente que é um gansinho no modo que vai atrás”... Dos outros que vão à frente – nem sabe para onde vai... Nas pisadas do pai ganso, vai pisando o filho atrás! Ele nunca fará nada que não tenha feito o pai!

Nota de rodapé: - - Em meus artigos eu não faço apologia a nenhuma associação escoteira existente no Brasil. Para evitar Patrulhamento ideológico que existe principalmente na maior delas eu não tenho registro na UEB. Nasci sob sua égide e a tenho até hoje no coração. Já lutei em diversas frentes na defesa de um escotismo autêntico que acredito dar os resultados esperados. Mesmo perdendo batalhas não desisto e ainda luto ao meu modo, escrevendo o que penso e o que vi até hoje no Escotismo Brasileiro. A mudança de pensar de atitudes de poucos que se acham donos das novas ideias que estão sendo implantadas não é o escotismo que acredito. Que cada um siga a direção do vento que achar melhor.