HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

domingo, 30 de agosto de 2015

A incrível epopeia da evasão escoteira.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
A incrível epopeia da evasão escoteira.

                   Acordei cedo hoje. Um pensamento me martelava a mente. Não foi a primeira vez que discuti comigo mesmo temas que sempre me preocuparam e que eu mesmo dizia ser um dos motivos da evasão de adultos no escotismo. Sei que temos outros tantos motivos e atacá-los seria o mais conveniente. Nossa associação peca pela falta de interesse nos motivos mais óbvios. Ela através da imensa gama de chefes espalhadas pelo Brasil não quer saber o que acontece, por que não crescemos, porque não temos apoio logístico das autoridades brasileiras e nem mesmo porque não temos reconhecimentos nos meios acadêmicos. Infelizmente sempre ouvimos o Velho chavão da maioria dos chefes escoteiros: - “Nossa preocupação é com os meninos, vivemos para eles”!. Estes nunca se perguntaram se estamos realmente formando jovens para o futuro do amanhã. Ou se perguntaram deveriam pensar porque estamos falhando tanto. Que nossos lideres se preocupem, dizem eles. Que lideres temos afinal você os conhece? Sabe o que acontece nas entranhas ou nos escaninhos desta liderança que ainda não deu frutos?

                    Mas voltemos a um pequeno tema que nunca foi discutido exaustivamente pelos responsáveis e nem teve a mínima noção de olhar aonde vai e quais os planos para sanar os erros que porventura estão sendo cometidos. Claro se assim pensarem pois deste os primórdios que me entendo por membro Escoteiro adulto ainda não vi ninguém dizer a si próprio: Eureka! Estamos pisando em terreno arenoso em que as mudas não florescem! – Falo dos nossos cursos, de como são produzidos, dos resultados, pois o que se vê agora assim como a quarenta ou cinquenta anos atrás nada se modificou. Modificou sim, aprimoraram a maneira de conduzir e introduziram técnicas modernas de treinamento e informação. Todos conhecem a alegria geral de fim de curso. Abraços, elogios e promessas de voltar sempre a Gilwell se assim for preciso. Não sei ainda se os formadores ainda mantem aquele Velho questionário pedindo a opinião dos alunos sobre o curso. Já dei muitas risadas com isto. Precisavam ver a cara de formadores quando criticados. Quem gosta de uma critica mesmo que construtiva? No escotismo nem pensar!

                     Mas vamos dissecar um pouco as vantagens e desvantagens dos cursos de antes e de hoje, considerados mais modernos. Pensemos hipoteticamente que anualmente aplicamos uma média de 150 cursos de formação no Brasil. (acredito ser quase o dobro disto). Destes pelo menos 100 são voltados para o inicio da formação do voluntário. Consideremos também hipoteticamente que teríamos a média de 20 participantes por curso. Note-se que estou calculando por baixo pois o número é bem maior. Assim sendo atingiríamos uma média de 2.000 adultos voluntários treinados por ano. Para efeito de estudo vamos considerar os cursos aplicados nos últimos vinte anos. (deixemos de lado os anos de 1970 a 1990 pois senão seria assustador). Pelos meus cálculos se não estiver errado devem ter passado nestes últimos vinte anos pelo menos cerca de 40.000 adultos voluntários! Se ainda não passamos de 12.000 membros adultos registrados anualmente então temos uma evasão de mais de 28.000 mil adultos que não ficaram no movimento Escoteiro. 

                    Se isto estiver correto posso considerar que nossa formação escoteira deixa a desejar em vários aspectos. Sabemos que esta evasão tem vários motivos e não só a formação nos cursos escoteiros. Já ouvi histórias e estórias de chefes e dirigentes que deixaram as fileiras Escoteiras. Analisar todos os pontos falhos seria de primordial interesse dos formadores. Mas me desculpem estes, pois até hoje ainda não entraram subjetivamente na preocupação se o curriculum aplicado está sendo correto. Nosso movimento Escoteiro parte da premissa do aprender fazendo, do sistema de patrulha da autoeducação individual, dos jogos da vida ao ar livre. Será que os cursos de formação estão sendo aplicados dando vivencia aos alunos de parte destes predicados tão sobejamente vivenciados no método Escoteiro? Fico a pensar que a preocupação hoje é outra. Outro dia irei analisar melhor.

                   Dizem-me alguns que estão passando momentos no seu aprendizado Escoteiro que os formadores são hoje uma casta de dirigentes cuja preocupação é exclusivamente de se auto elogiar, valorizar-se e criar em volta de si uma aureola de grandes mestres hoje chamados de Velhos Lobos. (Desculpem existe exceções e muitas). Assim como muitos que entram nesta fila para ser um deles os que estão lá poucos se preocupam com as mazelas que estão acontecendo nas lideranças Escoteiras, principalmente com os diretores e presidentes da UEB. (vide o blog Café Mateiro). Uma blindagem destes dirigentes fazem parte dos que podiam tomar alguma atitude. Principalmente aqueles quem eu chamo de politicamente corretos. Estes como dizia B-P não querem ver o que acontece além da ponta do seu nariz! Deixando de lado estas rabugentas considerações de um Velho e chato Chefe Escoteiro aposentado, sem chefes nunca teremos oportunidade de crescer em qualidade ou quantidade.

                 A UEB ou EB (nem sei mais como dizer) não se preocupa com a evasão. Se ela existe estamos caminhando em terreno minado. Não como forma de extinção pois sempre haverá alguém para levantar a bandeira do escotismo de BP ou da forma que acreditam nesta tal nova mentalidade moderna como muitos querem fazer crer. Seria tão bom se fossemos um movimento reconhecido por parte da sociedade brasileira. Se tivéssemos gente séria na direção que se voltassem para a formação dos chefes nos seus mínimos detalhes e se preocupando in-locum com cada um quando de sua saída. Não fazer como hoje em fazer perguntas sem base qualitativa conforme estão fazendo. Precisaríamos de um trabalho honesto feito de comum acordo como pensa toda a comunidade escoteira do norte ao sul do Brasil.


                 Estas pesquisas impróprias e falsas na sua interpretação feita pela nossa associação tais como: - Porque você deixou o escotismo, o que acha da vestimenta, dê sugestões para os estatutos, quais são as suas sugestões é em minha opinião, uma forma de enganar e dar respostas esdruxulas aos anseios de muitos que querem ver um escotismo democrático e forte dando uma resposta positiva à nação brasileira. Se antes nos impuseram de forma desleal e ditatorial todos estes dados que hoje querem saber o que pensamos, estas pesquisas não condiz com um escotismo verdadeiro que desejamos. Se houvesse uma preocupação maior por parte de todos os membros associados, se cada um visse sua responsabilidade na forma de escolher seus representantes e souber o que eles estão fazendo, quem sabe nossos netos e seus descendentes possam ter um país com um futuro promissor, mais honesto, mais sério e pensando que o caráter e a honra tem um valor enorme para atingir o Caminho para o Sucesso que todos nós esperamos.