HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O meu querido distintivo de lapela.


Conversa ao pé do fogo.
O meu querido distintivo de lapela.

                          Quem já teve nunca o esqueceu. Houve uma época que tínhamos que correr atrás para conseguir um nas lojas escoteiras. Quando vi o meu pela primeira vez me encantei. Só não chorei porque o meu sonho agora era real.  Pequeno, dourado, com uma linda flor de lis em cores verde e amarelo. Minha mãe me entregou e disse: - Um presente que seu tio Vadim trouxe para você do Rio de Janeiro. Parecia que ele foi feito para mim. Até seu formato era a Flor de Lis perfeita. Com sua presilha se prendia facilmente na gola da camisa ou no paletó social. Um ano depois comprei outro. Eu mesmo na Cantina Escoteira da capital.

                         Foi uma época de identificação de qual organização você pertencia. Era comum vermos os rotarianos, os do Lions Club, partidos e religiosos e tantas outras organizações onde todos postavam com orgulho o seu botton de lapela. Os padres também usavam o seu. O prefeito também. Na Câmara de Vereadores idem. Naquele tempo não saímos por aí com o lenço no pescoço tentando nos identificar de maneira diferente. O botton era tudo. E que orgulho amigo eu o colocava na lapela e íamos desfilar para que os outros soubessem que ali estava um Escoteiro. Quando pela cidade encontrávamos alguém com ele, logo corríamos para cumprimentar: Sempre Alerta! Escoteiro de onde? Prazer. Eu sou o terceiro Escoteiro Escriba da Patrulha Lobo. (tem gente que não gosta quando me apresento assim, risos). Abraços, aperto de mão, histórias, lembranças tudo em questão de minutos era conversado entre nós. Nossos chefes nos ensinavam que o uniforme se vestia completo. Nada de usar peças por aí. Usar só o cinto? O Lenço? Nem pensar.

                       Já contei aqui quando fizemos uma vaquinha, que rendeu além do esperado. Todos que participaram do Grupo Escoteiro na minha cidade e aqueles que procuramos colaboraram. Como se fosse hoje, chegamos a ter mais de quinhentos reis! Uma fábula para a época. Para que? Para custear uma viagem de um escoteiro até a capital, o Rio de Janeiro. Motivo? Comprar bugigangas escoteiras e  distintivos de lapela para todos. Iriamos presentear também alguns ex-Escoteiros. Fui o escolhido e lá fui eu viajando nos meus treze anos. Viagem perfeita. Nunca mais esqueci.

                     Era para comprar também a moeda da boa ação. Poucos tinham. Mas o dinheiro não deu. Eu já tinha a minha há tempos. De manhã bolso esquerdo. Feita a boa ação, bolso direito. Claro, nunca nos contentávamos e voltávamos para o bolso esquerdo novamente como a dizer: - Uma boa ação só hoje? Nunca! Tinha de ser várias. Pelo menos mais uma e mais uma.  Quantos distintivos tinham lá. Quantas coisas bonitas. Quantos livros. Fiz questão de trazer um que passou de mão em mão por todo o tempo que fiquei lá no Grupo Escoteiro. - O Guia do Escoteiro do "Velho" Lobo. Lindo! Espetacular! Quando o levei para casa não queria dormir. Ficava ali sentado na cama lendo, relendo.

                A escoteirada e a lobada sorriam pelas esquinas com seu distintivo de lapela. Quando seu Leôncio o prefeito recebeu o dele, logo colocou com orgulho (fora Escoteiro quando menino). Agora todos sabiam quem era ou quem foi escoteiro na cidade. E claro, um orgulho em usar na escola, no trabalho (eu era engraxate) na igreja, ou seja, em qualquer lugar. Não precisa dizer – Era como o distintivo de lapela falasse - Olhem! Estou sem uniforme, mas sou Escoteiro de coração!

Meu lindo distintivo de lapela que nunca esqueci. Se vocês tiverem um devem sentir o que eu sentia. O orgulho em usar e dizer a todo mundo: - Eu sou um Escoteiro! Se hoje os políticos lá no seu habitat usam eu não sei. Mas ainda lembro-me de muitos profissionais, médicos, engenheiros e tantos outros que orgulhosamente o colocavam como a dizer, sou isso mesmo, esta flor de lis fez parte da minha vida.  Eu sempre amei o escotismo e hoje sou o que sou graças a ele.


São coisas do passado. Mas que ficaram gravadas até hoje no presente. Será que hoje ainda tem alguém que usa a linda Flor de Lis de Lapela em todos os lugares aonde vai? Que se orgulha em se mostrar como Escoteiro? Claro, tenho certeza que sim. Mas porque escrevo isto? Não sei. Gosto de lembrar-me dos meus velhos tempos e quem não gosta? Foram tantas e tantas coisas que marcaram. Tradições gostosas que permanecem para sempre em todos nós, Escoteiros do Brasil.