HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

TRADIÇÕES - PARA QUE SERVEM!




Didaticamente, definimos tradição tudo aquilo que foi incorporado ao estilo de vida de um grupo especifico de pessoas e que foi mantido e repetido através dos tempos conferindo-lhe um aspecto cultural.  Isso associado à constituição genético-morfológica e ao ambiente irá determinar e qualificar esse povo.

O tradicionalismo é um sistema filosófico que coloca a tradição como critério e regra de decisão, entendendo a tradição como o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter uma sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem.

Tradições – vale a pena tê-las?


Sou freqüentemente chamado de tradicionalista. Acho que sou mesmo. Talvez por ter entrado no movimento há muito tempo, quando ainda lobinho. Por ter passado por muitas e muitas situações no Movimento Escoteiro.

Tenho dificuldades em aceitar mudanças que apesar de tudo, podem e devem acontecer. Claro, temos que manter a modernidade como meio de adaptação. Tanto para nós escotistas como para os jovens. Aprendi que não podemos ficar parados no tempo, por isto aceito de bom grado modificações que podem gerar ganhos, apresentação e crescimento individual.

Mas fico pensando se valeu as mudanças e nomenclaturas existentes no passado. Eu as considerava como uma tradição do nosso movimento, não sei se estou certo. Era tão bom lembrar como era e me soa estranho algumas expressões e assuntos que são discutidos pelos nossos escotistas. Fico pensando naquele antigo escoteiro, que depois de muitos anos volta à sede para rever amigos e seu passado e encontra tudo mudado. É um estranho no ninho.  

Ainda me lembro com saudades de certos aspectos que de certa forma, nos identificava, pois nosso movimento era único a usar e ter em seu seio, nomes que também ajudavam a nos identificar. Apesar de não pretender reverter o passado, pois o que mudou não volta atrás, não deixo de lamentar o que sinto a respeito. Através de amigos e leitura de normas da UEB fui tomando conhecimento de algumas alterações que foram feitas. O motivo, não sei, acho que foi em beneficio do nosso crescimento e aceitação da sociedade visando uma identificação mais efetiva. Será? Vejamos: 

 – Chefe do Grupo, Comissões Executivas, escoteiro noviço, segunda classe, primeira classe, eficiência I e II etc. especialidades, comissário distrital, comissário regional, escoteiro chefe, Cursos com siglas de CAB – Adestramento básico – CIM – insígnia de madeira – Diretores de cursos chamados de DCIM, DCB e muitos outros.  O termo adestramento, tão criticado, mas usado com orgulho, o bom e querido uniforme caqui, a calça curta, a fivela do cinto, o saudoso chapéu de abas largas com seu tope tradicional e os penachos, hã! Os penachos. As Jarreteiras! Ah! Estas não. Poucos os conheceram.

A lista não para por aí, de conselhos, passamos para congressos; vejam bem, não estou criticando, só achei que para mim, o que era nos identificava como movimento escoteiro. O escotismo era conhecido e era um orgulho saber que éramos únicos. A fivela usada no cinto, conhecida na minha época era uma marca. Quando encontrávamos alguém em viagem ou em nossa cidade usando o cinto sem o uniforme (o que não concordávamos) sabíamos que era ou tinha sido escoteiro. Era uma forma de identificação.

Hoje somente o lenço nos identifica, pois o tal uniforme de camisa azul clara e jeans de cores diversas se misturam no emaranhado do traje escoteiro nas diversas sessões existentes. Isto sem contar o chapéu de abas largas, pois fomos os primeiros a usá-los e depois vieram as policias florestais dos estados copiando (não tínhamos o monopólio). Mas nós tínhamos os três bicos e eles quatro.

Enfim, tem muito mais e fiquei desatualizado. Será que valeu a pena, será que isto trouxe uma situação melhor para o nosso movimento? Seja de crescimento e apresentação junto à sociedade brasileira? – Não sei não, tenho minhas dúvidas. Iniciaram as mudanças em fins de 90 e até hoje nosso efetivo é o mesmo.

É, é um assunto polemico. Sei disto. Mas como amo o movimento e como vivo com ele em espírito nas minhas vinte e quatro horas por dia, acho que tenho o direito de me manifestar.

Sempre acreditei que as modificações poderiam acontecer, mas não como foi e como está sendo feita. Acredito nas palavras de BP em seus livros, que o importante são os resultados. Mas qual os resultados hoje? Os números não aumentaram e a evasão é uma praga que não nos abandona. (em cada ano entra um e sai outro)

Isto não acontecia no passado. Hoje tento ver escoteiros na comunidade, participando, bem uniformizados, mostrando o espírito escoteiro. Poucos muito pouco ainda estão por aí praticando sua Boa Ação, e olhe desconheço aqueles que tem no bolso sua moeda da boa ação ou então com nó no lenço na ponta só para não esquecer.  Quem sabe em cidades menores ou maiores não importa, estas mudanças está criando um movimento sólido, alegre, dedicados a causa, fiel ao movimento e com um excelente Espírito Escoteiro?

Em todos os sites da UEB, vejo que temos milhões de escoteiros no mundo. E nós? Menos de 60.000. (no ano passado 64.000) Não somos nada em expressão mundial. Em termos latinos acho que somos os menores. Perdemos para países com população menor que muitos estados brasileiros. Por quê? Não vejo claramente nenhum comentário dos órgãos nacionais comentando tal fato. Leio os relatórios e nada tem escrito sobre a evasão em nosso efetivo. Criam comissões de estudos, comissões disto, comissões daquilo. Mas e os resultados? Ninguém cobra dos nossos dirigentes? 

Devem haver centenas de Escotistas com formação superior a minha, com argumentos convincentes e divergentes do meu.  Aceito isto, já estou velho demais para ficar por ai discutindo opiniões. No meu prefácio dos Fascículos Escoteiros no meu blog, escrevi sobre isto, houve uma época que poderia ter interferido mais. Não o fiz. Paciência, não é hora de arrependimentos.

Ainda sonho com um escotismo ajudando grande parte dos nossos jovens pelo nosso imenso pais. É este o meu sonho. Como disse o célebre inglês Winston Churchil, nunca tão poucos fizeram tanto por muitos. Não sei se enquadra nos meus pensamentos, mas para mim vale pelo que dei ao meu amado Movimento Escoteiro.

Bem, este é um artigo que não leva a nada. Não posso mudar e ninguém vai mudar e os que mudaram dão como fato consumado. Tenho que me acostumar. Paciência. Preciso escrever mais para ajudar meus amigos escotistas e escoteiros e não ficar criando dúvidas que não vão ajudar os nossos valorosos escotistas que estão na ativa hoje.

Quisera ter uma máquina do tempo, e levar todos ao passado, para ver o Garbo, a Boa ordem, a apresentação de um uniforme com padrões que hoje são completamente desfigurados. Onde nos orgulhávamos de dizer – Olá amigo Comissário. Caramba! Eis aqui o Escoteiro Chefe! Sempre Alerta chefe do Grupo! Sabe hoje vou me adestrar em um CAB e depois irei fazer o CIM. Sei que isto nunca mais vai acontecer. No entanto o mundo da tantas voltas que pode aparecer um para acabar com lenço, com a promessa e quem sabe com a mística da Jângal!

Tradições, uma palavra que mostra a força de uma organização. Estamos perdendo esta força. Estamos nos tornando um movimento comum, nos igualando a tantos outros. Estas mudanças estão nos tirando nossa historia nosso passado e em pouco tempo nem teremos mais uma identidade própria. Paciência! Em nome de uma disciplina, aceitamos de olhos fechados. Um dirigente já disse que nossa promessa diz que no final devemos “Servir” a União dos Escoteiros do Brasil. Mas alerto que isto pode não trazer os benefícios que alguns esperam.

Já conheço esta historia, mas gosto sempre de repetir - Cuidado! Não se deixe guiar por um cego, pois quando menos se espera ambos vão cair em um despenhadeiro!

Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.