HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

sábado, 17 de dezembro de 2011

PONTA DE FLECHA


“Os guerreiros montados que se retiravam avançaram para Castor Manco, e mais dois o feriram. Ele já estava sangrando por vários ferimentos, mas apanhou a ponta de lança que o atingira na perna e tentou defender-se com ela. Entretanto, um quinto pawnee o atacou pelas costas com uma lança que o atravessou e foi sair no peito. Com isso, Castor Manco chegou ao fim.
Agarrando a ponta exposta da lança, começou a cair para a frente, mas ainda teve animo para dizer as palavras do seu canto de despedida:
- Só as pedras, duram para sempre.
O bisão corre.
Mas eu não vejo o pó.
O castor bate a cauda
E eu não ouço.
Os chefes se reúnem,
Mas não dizem palavras
O inimigo começa seu ataque
E as lanças brilham
Só as pedras....

Um tremor lhe passou pelo corpo e estrangulou-lhe o canto. Tentou arrancar a lança fatal através do peito, mas as forças lhe faltaram. Caiu para a frente no pó do campo de batalha, diante do corpo de Água Brusca, mas não viu seu inimigo. Sua ultima visão terrestre foi à égua malhada galopando na planície.
- A morte de Castor Mancho enfureceu nosso povo. Todos sabiam que ele tinha ido para a batalha disposto a morrer.
Cobra que Salta decretou que fossem dados a Castor Manco os funerais e um chefe. Uma alta plataforma de madeira foi construída em três choups as margens do Platte. Ali, bem acima do chão, seu velho corpo despedaçado foi depositado para descansar. A estaca que ele se amarrara foi colocada ao lado dele, e as correias de honra ficam flutuando ao vento.
Ali, no alto, acima das planícies que amara e do rio que tantas vezes seguira, descansava Castor Manco, o homem dos muitos golpes.

De James Michener – retirado do livro A Saga do Colorado

PONTA DE FLECHA



Recebi de um amigo muito chegado a pergunta – o que acha do Ponta de Flecha? A minha maneira respondi na mesma hora o que achava. Acho que ele não gostou. Mas fiquei pensando sobre o assunto e lembro-me de épocas passadas, talvez lá no final da década de 60, onde começou a idéia de fazer um curso para monitores. Talvez houvesse antes um cursos destes, mas não tomei conhecimento.

O preâmbulo acima e no roda pé do artigo do livro de James Michener, nada tem a ver com o tema. Mas não sei por que “cargas d’água” resolvi colocá-lo para abrir e encerrar meu artigo, talvez fosse pela ponta da flecha, que me lembrou de tribos indígenas e era um nome sugestivo que apareceu oportunamente.  Pensei até em retirá-lo, mas vou deixar porque quem sabe, alguém anima a ler o livro de 1054 fls., um dos melhores que já li.

Na época até que aceitei, mas depois vi que o objetivo proposto era inteiramente contrário aos objetivos que se propunha. Quem conhece e aplica o Sistema de Patrulhas, deve ter uma experiência adequada ao assunto. Escrevi também dois artigos sobre o tema, inclusive o “A patrulha de Monitores” Se você já leu e conhece como funciona, é difícil concordar com este curso.

Qual o seu objetivo? No inicio deste artigo ele se descreve:
 – “Acampamento ou curso Ponta de Flecha é destinado somente para monitores e sub-monitores, pois tem o enfoque em liderança, que é necessário para os responsáveis das patrulhas.”

Muito bem, mas isto não é papel do (a) chefe escoteiro (a)? Ele não é o monitor de seus monitores, ele não ensina, adestra forma e é amigo deles em todas as horas? Não é ele quem acampa, vive o sol, a chuva nas atividades ao ar livre, vai a casa deles, Conhece seus pais, como vão na escola, na igreja, troca idéias e sabe o que dizem na Corte de Honra? Como um dirigente de um curso deste pode atingir o que se propõe? Por isto não entendo a necessidade do Ponta de Flecha.

Já vi realizarem alguns, e nem sempre o Escotista da seção está presente. Conheço alguns casos que os monitores infelizmente colocaram o chefe na berlinda. Ele não foi ou foi uma figura apagada. Para eles, o dirigente do curso ou outro nome que queiram dar, é quem melhor conhece a técnica, o sistema e tudo mais. E vi também diversos dirigentes destes cursos que nunca passaram por uma tropa e pelo menos adquiriam algum conhecimento prático dirigindo.

 Obtiveram um manual e o aplicaram. Afinal ele o manual é da UEB não? Merece confiança. Muitos deles não têm experiência anterior e nem sabem analisar a vantagem ou não do tal curso, pois não viram no futuro o crescimento de tropas, como os monitores se desenvolveram etc. – claro, sempre tem alguns com muita experiência. Mas isto não torna o curso imprescindível.

Dizem-me, mas todos os chefes estavam presentes! – E fico a imaginar o futuro de tudo isto. Pela quantidade de pontas de flecha realizados no Brasil, deveríamos ter um movimento forte, em plena expansão, boa técnica, excelentes monitores, grandes acampamentos, sistema de patrulhas funcionando a todo vapor. Será isto mesmo?

Meus amigos acho que o tal Ponta de Flecha (não deixa de ser um nome sugestivo) deveria ser aplicado com os adultos que participam das seções. Quem sabe são eles que estão precisando? (sempre digo, nem todos) Na minha época de Regional juntamente com outros membros da equipe, isto em dois estados brasileiros onde tive a oportunidade de atuar mais profundamente, adaptamos um Curso Técnico para Escotistas. (hoje existem muitos deles) Ali, tentamos passar para eles, o seguinte currículo:

- Técnicas Mateiras – uso do machado, serrote do lenhador, traçador (diversos tipos), cortes de galhos mais altos, serrar toras – construções de pioneiras simples (grandes pioneiras só com atividade própria para isto) – Construções de pontes simples – uso da corda em árvores, rios, despenhadeiros, nós simples, nós de marinheiro. – uso da bússola (silva e prismática) – leitura de mapas, azimute, passo duplo, percurso de Giwell, orientação (inclusive noturna, sem bussola e com chuva) passo duplo - Construções de abrigos simples. – Marcação de distancias, previsão do tempo - sinais de pista de animais, reconhecimento de pegadas – Enfim, várias técnicas que eles iriam passar para os monitores e ele sim vai melhor adestrar sua patrulha. Não esquecendo: A velha e boa semáfora e Morse.

Quanto à liderança e como formar um líder, aplicamos também neste curso, mas sempre acreditávamos que com a arte de aprender fazendo e o aconselhamento este seria um tema freqüente e sempre motivo de discussão por parte de todos os monitores. Ah! Não esquecendo que os monitores são eleitos por períodos aprovados em Corte de Honra. Portanto, se fosse um curso com validade ele teria de ser aplicado anualmente com datas pré-estabelecidas.

Voltando ao curso Técnico, o Escotista podia não sair um excelente mateiro, mas tinha uma boa noção de como deve se adestrar ou formar como quiserem dizer, o monitor e sub.

Não serei radical com o curso Ponta de Flecha. Até aceito. Aceito sim como uma forma de confraternização dos monitores do distrito, incluindo aí algumas bases para diversão e adestramento. Insisto, no entanto que a presença do Chefe da Tropa e/ou assistente são imprescindíveis. Se hoje voltasse as lides escoteira, nunca em tempo algum deixaria meus monitores participarem de tais atividades.. Claro, com as ressalvas que assinalei acima ate que poderia aceitar desde que eu estivesse presente e tivesse a autoridade igual a todos os demais. Inclusive com modificações no programa se houvesse necessidade para tal.

Para encerrar, me desculpem por não ter agradado a todos. Mas acredito ainda em um escotismo nos padrões e métodos idealizados por BP. Sei que o mundo está mudando, aceito isto. Não mandaria meus monitores para alguém que desconhece o que eles são não sabem de sua vida e nem de seus conhecimentos escoteiros. Mas alerto aos chefes que participam e convidam seus monitores ir aos cursos programados, que devem ver o programa, sugerir, pensar em suas patrulhas e claro, estar presente sem ser um expectador privilegiado.

Bom Ponta de Flecha, que seja uma excelente confraternização de graduados!
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De um Tratado de 1868:
Nenhuma pessoa ou pessoas brancas poderão colonizar ou ocupar qualquer porção do território ou, sem consentimento dos índios, passar pelo mesmo.
A palavra dos Índios:
“Fizeram-nos muitas promessas, mais do que me posso lembrar.
Mas eles nunca as cumpriram, exceto uma:
prometeram tomar a nossa terra e tomaram-na.”
(Nuvem Vermelha, dos Sioux Oglala)
“Soube que pretendem colocar-nos numa reserva perto das montanhas.
Não quero ficar nela.
Gosto de vaguear pelas pradarias. Nelas sinto-me livre e feliz.
Quando nos fixamos, ficamos pálidos e morremos. Pus de lado a minha lança, o arco e o escudo, mas sinto-me seguro junto deles.
Disse-lhes a verdade. Não tenho pequenas mentiras ocultas em mim, mas não sei como são os comissários. São tão francos como eu?
Há muito tempo, esta terra pertencia aos nossos antepassados. Mas, quando subo o rio, vejo acampamentos de soldados nas suas margens.
Esses soldados cortam a minha madeira, matam o meu búfalo e, quando vejo isso, o meu coração parece partir-se. Fico triste…
Será que o homem branco se tornou uma criança, que mata sem se importar, e não come o que matou? Quando os homens vermelhos matam a caça, é para que possam viver, e não morrer de fome.”
(Satanta, dos Kiowas)

“Quando a pradaria pega fogo, vêem-se os animais cercados pelo incêndio.
Vê-se que eles correm e que tentam esconder-se para não se queimarem.
É dessa maneira que estamos aqui.”
(Najinyanupi, dos Sioux)

“Se não fosse o massacre, haveria muito mais gente aqui neste momento. Mas, depois deste massacre, quem poderia ficar?
Quando fiz a paz com o tenente Whitman, o meu coração estava muito grande e feliz.
A gente de Tucson e de San Xavier deve ser louca. Agiram como se não tivessem cabeças nem corações. Devem ter sede do nosso sangue.
Essa gente de Tucson escreveu para os jornais e contou a sua história.
Os apaches não têm ninguém para contar a sua história.”
(Eskiminzin, dos Apaches Aravaipa)

“Esta guerra não nasceu aqui, na nossa terra. Esta guerra foi trazida até nós pelos filhos do Pai Grande, que vieram tomar a nossa terra sem perguntarem o preço, e que, aqui, fizeram muitas coisas más. O Pai Grande e os seus filhos culpam-nos por estes problemas…
A nossa vontade era viver aqui, na nossa terra, pacificamente, e fazer o possível pelo bem-estar e prosperidade do nosso povo. Mas o Pai Grande encheu-a de Soldados que só pensavam na nossa morte.
Alguns do nosso povo que saíram daqui de maneira a poder mudar alguma coisa, e outros que foram para o norte caçar, foram atacados pelos soldados desta direção e, quando chegaram ao norte, foram atacados pelos soldados do outro lado. E agora, que desejam voltar, os soldados interpõem-se para os impedir de regressar ao lar.
Parece-me que há um caminho melhor do que este. Quando os povos entram em choque, o melhor para ambos os lados é reunirem-se sem armas e conversar sobre isso, e encontrar algum modo pacífico de resolver.”
(Cauda Pintada, dos Sioux Brulés)

“Não queremos homens brancos aqui.
As Black Hills pertencem-nos.
Se os brancos tentarem tomá-las, lutaremos.”
[Tatanka Yotanka (Touro Sentado), dos Sioux]

“Onde estão hoje os pequot? Onde estão os narragansett, os moicanos, os pokanoket e muitas outras tribos outrora poderosas do nosso povo?
Desapareceram diante da avareza e da opressão do homem branco, como a neve diante de um sol de Verão.
Vamos deixar que nos destruam, por nossa vez, sem luta, renunciar às nossas casas, à nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos dos nossos mortos e a tudo o que nos é caro e sagrado?
Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!”
(Tecumseh, dos Shawnees)

"Enterrem o Meu Coração na Curva do Rio"

       Dee Alexander Brown

Desculpem-me. Hoje minhas leituras indígenas me inclinam a falar deles. Mas nada tem a ver com o Ponta de Flecha!oHH