HOTEL ESCOTEIRO

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cada foto tem uma história

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PARA ONDE VAMOS? QUAL SERÁ NOSSO DESTINO?


ARTIGO PUBLICADO NO HTTP://CHEFEOSVALDO.BLOGSPOT.COM ONDE O VELHO ESCOTEIRO A VOVÓ E O CHEFE ESCOTEIRO, COMENTAM EM FASCÍCULOS SEUS CONHECIMENTOS ESCOTEIROS




PARA ONDE VAMOS? QUAL O NOSSO DESTINO? Fasc. 61
Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento.
AOS JOVENS PORQUE O ELES SÃO A RAZÃO DE SER DO MOVIMENTO ESCOTEIRO
       
     Estava difícil a caminhada. A chuva nos pegou na metade do caminho. Na estrada carroçável não encontramos nenhuma proteção. Aqui e ali algumas arvores e sabíamos não ser uma boa idéia ficar debaixo delas. Nenhuma casa, nada. Parar não adiantava. Éramos dezoito escoteiros. Três patrulhas de seniores e mais três escotistas. Incrível como ninguém reclamava. Os seniores à frente, com uma cantoria das boas. A chuva aumentou mais. Agora os raios salpicavam os céus. O ribombar dos trovoes assustavam. Ainda faltavam mais de seis quilômetros para chegarmos à periferia de nossa cidade.

     Como sempre fazíamos, uma vez em cada dois meses realizávamos um acampamento de fim de semana. Ração B, material Urso Maior. Todos sabiam o que significavam. Afinal eram anos e anos de convivência. Claro tínhamos ração A, B e C. A ultima para acampamentos de quatro dias ou mais. Tudo era ensacado de tal maneira, que levamos sempre as costas ou em duplas. Encontrávamos-nos na sede lá pelas dez da noite e de ônibus íamos à estação de trem. Uma hora e meia de viagem e chegávamos ao nosso destino. Uma estrada gostosa, um céu estrelado e mais dez quilômetros chegávamos ao nosso local de campo.

       Sempre foi assim. Conhecíamos mais de dez locais e sempre mantínhamos amizade com os proprietários. Bastava um telefonema e do outro lado uma voz dizia: - Fiquem a vontade, façam de conta que lá é de vocês! Aquele foi um acampamento normal. Nosso plano era fazer uma ponte em um riacho próximo, onde a enchente tinha levado à existente. Não seria “aquela ponte!”, mas serviria para passagem dos moradores próximos.

       Eu ficava assustado com os raios. Sabia do perigo. Local descampado, poucas árvores sem abrigo. A chuva não parava. Insistia em cair mais e mais forte. Agora estávamos acostumando. Eu sentia a alegria dos seniores naquela caminhada. A lama protagonizava belos tombos! Pensava como o escotismo tinha essa força. Era realmente marcante ver jovens alegres, bem dispostos a cantarem em marcha simples sem medo e considerando tudo aquilo uma bela diversão, uma bela aventura.

      Na quinta feira seguinte a fadiga tinha tomado conta de mim. Uma lassidão enorme. Meu corpo estava em frangalhos. Tive de me desdobrar em vários na empresa que trabalhava. Uma gripe forte abateu sobre diversos funcionários e o Depo. Medico dispensou vários deles. À noite ao chegar a casa, pensei em ir à casa do "Velho", mas o cansaço era forte. Tomei um banho e fiquei o tempo todo pensando naquela atividade feita na semana anterior. Interessante. Todos nós pegamos uma enorme chuva e ninguém ficou com gripe, nada. Sei de antemão que o retorno do acampamento de fim de semana ficará gravado para sempre na memória de cada um.

       Gostaria de conversar com o "Velho" e saber dele diversas dúvidas que me assaltavam. Não naquela quinta feira. O fim de semana aproximava e claro, sabia que a Vovó iria me deliciar com um almoço dos Deuses no domingo. Era sempre assim. Minha esposa dizia que eu era um “fila-boia”, mas ela também não perdia um domingo na casa do "Velho". Ele e a Vovó adoravam nossa visita. Agora quase ninguém ia a sua casa e sua filha e os dois netos mudaram para o exterior. Um convite de uma multinacional irrecusável. Ele sentia uma falta incrível deles.

       Dos milhares de escoteiros e escotistas com que conviveu, acredito que somente eu e mais um ou dois o procuravam sempre. Não sei por que isso acontece. Dizem que é sempre assim. A velhice chegou e até outro dia! Achavam que os velhos eram repetitivos e se consideravam sábios, o que muitos não apreciavam. Eu adorava o "Velho". Perdi o meu pai muito cedo e depois que o encontrei, alem do meu mentor e mestre escoteiro, o considerava como meu segundo pai. Ir a sua casa era meu programa favorito.
     No sábado a tropa sênior tirou um tempo para uma análise do acampamento. Claro, tudo anotado em livro de ata cujo escriba era um sênior com mais de oito anos de escotismo. Pelos prós e contras a nota foi boa. Todos foram de acordo que o acampamento merecia um nome especial. Era para ficar gravado não só no livro de ata, mas também na memória de todos. O acampamento dos Raios do Trovão. Foi como o chamaram e batizaram. Ficou no livro sênior para a posteridade.

     Saí da sede depois de nove da noite. Era dia da reunião do Conselho de Chefes e diversos assuntos foram pautados como importantes. Eu gostava de nossas reuniões e do Conselho de Chefes. Éramos todos grandes amigos e nosso Diretor Técnico uma pessoa formidável. Não tinha sido escoteiro, mas já estava conosco a mais de dez anos. Amigo, companheiro, um grande líder. Sempre quando acontecia o Congresso de Grupo em época de eleições, ele era reconduzido por unaminidade. Dali eu sabia que iríamos até uma pizzaria e lá alem de pizzas saborosas, belos e gostosos chopes seriam apreciados.

     No domingo cheguei cedo à casa do "Velho".  Ele me olhou de soslaio e perguntou se estava vivo. Se havia quebrado a perna. Entendi. Passei toda a semana sem ir lá e ele para não dizer que sentiu minha falta usava de seu estilo meu velho conhecido. No inicio fingiu que eu não estava lá. O "Velho" era assim. Essas infantilidades nada mais eram que a solidão de um dia ter tantos a sua volta e hoje ver todos os amigos distantes. Eu mesmo peguei uma cerveja e fui para o salão dos fundos.

         Logo a Vovó apareceu com umas mandioquinhas fritas e pedaços carnudos de torresmo. Naquela manhã me subestimei. Tomo no máximo uma latinha de cerveja e já estava na segunda. A Vovó com aquele sorriso encantador vinha toda hora com diversos petiscos. Linguicinhas fritas na cebola com alho e óleo, batatas fritas ao molho de tomate, pelas barbas do profeta! Eu mesmo nem sabia se ia almoçar direito, pois era um petisco atrás do outro. O "Velho" pouco ficava ao meu lado. Sempre fora assim aos domingos pela manhã. Conversava com minha esposa, com a Vovó e dava uma olhada vendo se algum vizinho estava à porta.

     Olhe meu amigo prefiro nem comentar. O almoço foi de tirar alguém do sério. Estava já sem fome quando a Vovó nos chamou para o almoço. Fui pensando se havia algum lugar no meu estomago. Inacreditável! A Vovó judiava! Havia ali uma travessa enorme cheia de um fumegante nhoque ao molho, salpicado de semolina, um dos meus pratos favoritos. Um arroz soltinho com bacalhau desfiado, pasteizinhos de mandioca se desmanchando, um pastelão de batata e ervilha. Uma tigela de feijão preto com pedaços de costelinhas de porco, pedindo para serem deglutidas. Hoje iria me empanturrar!

    Dizem que o olho sempre é maior do que a boca, como dizia minha mãe. E ali eu era prova viva da “gulodice”. Comi o que não podia. Uma sonolência, meus olhos querendo fechar e lá fui eu para a Sala Grande, sentar no meu banquinho de três pés, meu preferido. Eu sabia o que me esperava naquela maravilhosa tarde de um domingo.

     Encontrei o "Velho" em sua poltrona de vime a ouvir Verdi. Francesco Giusepe Verdi Fortunino. A música maravilhosa se espalhava pela sala harmoniosamente. Sua vitrola antiga estava ainda no seu apogeu.  La Donna é móbile “do Rigoletto”, Va pensiero (o coro dos escravos hebreus). Era fechar os olhos e sonhar. Ainda deu para ouvir La Traviata e depois os sonhos me transportaram para o teatro La Escala de Milão, e era como la estivesse na primeira fila a ouvir Verdi.

     Fiquei ali não sei por quanto tempo. Mas ao abrir os olhos não vi o "Velho". Levantei e lá estava ele na varanda, já com o sol se pondo no horizonte, seu local favorito das belas tardes de setembro. Levei meu banquinho de três pés e ao seu lado, também admirava o por do sol entre os prédios, mas a vista mais ao longe era maravilhosa. Podia-se ainda ver a montanha azul, onde ele esquadrinhou palmo a palmo toda sua topografia há tempos atrás. Durante um bom tempo ficamos ali em silencio. Isso era normal entre nós. Afinal anos e anos nos deram uma convivência fraterna de entendimentos mútuos.

     O "Velho", passado alguns minutos, me perguntou – Voce já viu o novo relatório da nossa direção nacional do ano anterior? Estão rindo a toa. Um aumento no efetivo de aproximadamente seis por cento. – Olhe "Velho" falei. Não sei por que você se preocupa tanto. Voce sabe como eu que não vai haver mudanças. Elas se vierem serão paulatinas e os resultados poderão ser ou não bons no futuro. Ele me olhou com os olhos levantados e depois virou para o lado como se fosse dormitar.
      - Olhe, falou novamente me pegando de surpresa. – No ano retrasado o numero de membros registrados foram de 60.000. Numero esse que vinha se mantendo ao longo dos anos. Agora no ano passado chegaram a 64.000. – Mas é ótimo – disse - "Velho" não vê? Quase seis por cento de aumento. É melhor que nada. Ele não me interrompeu. Ficou ali me olhando e meditando.

    - Mas sabia que só um estado do norte do país contribuiu com mais de 50% desse aumento? Disse. Como se explica isso? Esse Estado merece ser estudado. Esses resultados não podem ficar a sete chaves. Tem de ser mostrado para os demais. O que fizeram? Porque acertaram tanto? Qual o motivo desse aumento vertiginoso e em apenas um ano dobrarem o efetivo? Qual o milagre? – Olhe, continuou os maiores estados da federação, cuja população supera os demais não tiveram nenhum aumento de efetivo. Um deles até teve um decréscimo.

     - Fiquei ali a meditar. – O "Velho" continuou. Nesse ano o efetivo dos que foram registrados sem taxa adicional foi de quase 40% do aumento do efetivo. Será que isso não explica esses 6%? Estado modelo mais taxa adicional é igual a aumento do efetivo. Afinal muitos reclamam que a taxa é muito alta e diversos Grupos Escoteiros comentaram comigo da dificuldade para que se aprove junto aos órgãos responsáveis o registro sem a taxa adicional. Não sou tão bom em matemática, mas pensava que a direção nossa pudesse explicar melhor tudo isso. Só forneceram o aumento do efetivo e grifaram em vermelho!
     A noite chegou de mansinho, as luzes da cidade agora espocavam aqui e ali. O céu brilhante, uma brisa suave, e de novo a Vovó com seu carrinho mágico, nos convidando para um pequeno lanche. Pequeno? Cala-te boca! Focaccia de queijo, canudinhos de galinha, enroladinhos de salsicha, panquecas com recheio de carne e um bigatone recheado com lingüiça. Vovó! Deus do céu! O que fazes? Eu e o "Velho" devoramos mais uma fornada dos deliciosos pratos da Vovó.


Eu aprendi...
·... Que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;
PARA ONDE VAMOS? QUAL O NOSSO DESTINO? Fasc. 62


A TODOS OS DIRETORES DE TODOS OS ORGÃOS, POIS SÃO ELES A RAZAO DE SER DE UMA BOA GESTÃO NO GRUPO ESCOTEIRO


     A anoite entrou pela varanda sem tréguas. Os poucos veículos que ali passavam estavam se recolhendo em seus lares. Minha esposa já tinha ido embora. Eu pretendia ficar mais um pouco com o "Velho".  Minha mente ainda matutava o aumento do efetivo, tão protagonizado pelo "Velho", mas tão pouco discutido nas bases. Achava que ninguém se preocupava. O trabalho dos escotistas no Grupo absorvia tanto a ponto de que a preocupação única era com seus membros juvenis.

      O "Velho" me olhou e disse – Voce tem razão. Os escotistas em nossos pais tem uma labuta tão grande e com um tempo curto para se dedicarem integralmente em suas sessões, esquecem ou talvez não queiram pensar porque seu próprio grupo não tem nos últimos anos um crescimento satisfatório. Em muitos casos estagnou ou decresceu.  Se isso acontece no seu grupo o que pensar em termos nacionais? Caramba! Como o "Velho" sabia o que estava pensando?

     - Ainda, dissertava o "Velho" – Ainda procuro uma luz no fim do túnel. Claro que fiquei contente com o relatório, mas vou com calma estudá-lo ponto por ponto. Sabia que poucos se preocuparam em lê-lo integralmente? Deveria ser sem sombra de duvidas ser discutido com mais detalhes, dando oportunidade a todos para compreender melhor os fatos importantes nele contido. Ainda repiso que o caso do estado que duplicou em um ano seu efetivo, merece ser analisado com carinho e servir de exemplo para os demais.

      - Se você assim como tantos escotistas no país tirassem um tempo para ler com calma ponto por ponto, então teríamos uma análise talvez profunda do porque de nosso crescimento ínfimo. Mas não é isso que acontece. Entra ano e sai ano lá estão todos aplaudindo, não se interessando por detalhes e sim uma participação vip onde ver e ser visto é o mais importante. – O "Velho" era ferino em suas palavras. Mas não podia discordar. Já conhecia o funcionamento desses congressos. Recordava mesmo os meses que o antecederam e foram de interessantes fatos marcantes. Nomes importantes no escotismo nacional eram apresentados como candidatos usando pela primeira vez a internet como veículo de propaganda.
      - Isso mesmo, disse o "Velho". – Danado de "Velho", sempre adivinhando o que penso. Está agora desenvolvendo a faculdade de ler pensamentos? – Claro, disse ele. Pasmei! – Agora deveria tomar cuidado com minha mente. – O "Velho" sorriu, um sorriso maroto e continuou sua saga de escólios, tentando coordenar suas palavras com o intróito anterior. – É importante que assim como eu, todos os escotistas tomem conhecimento e façam a si próprio indagações do que leram.

     - Infelizmente o que acontece é exatamente o contrário. A uma aceitação de tudo como se estivéssemos no melhor dos mundos. Olhe, disse ele, desde os primórdios que vejo no escotismo uma disciplina, uma aceitação sem questionamento que sempre me preocupou. Isso se tornou uma norma não escrita, onde dizem que ou aceitamos as regras ou procuramos outras moradas para armar a barraca. Será isso o certo? Se alteram as regras será que temos de aceitar também? Se mudam as normas, sorrimos? Se mudam o método acreditamos que é para o bem de todos e a felicidade geral da nação?
     - O "Velho" não parava. Sua metralhadora invisível atirava para todos os lados. Eu o ouvia, pois sabia que sua razão era legítima. Era uma verdade. Infelizmente muitos que discordavam abandonavam o escotismo onde começaram e iam procurar onde seria melhor fossem compreendidos. Era um número crescente. Poucos estavam sabendo disso. A Direção Nacional se matinha calada. Aqui e ali em conversas com amigos, quase ninguém sabia da existência dos outros irmãos escoteiros que estavam fazendo um bom escotismo em outra organização. Isso não era certo. Alguém era culpado pelo surgimento deles e ninguém dizia nada.

     - Vi que o "Velho" me olhava espantado. Talvez meu semblante não fosse aquele de sempre. – Pigarreou e prosseguiu sem tentar dizer que me entendeu. – Acredito - disse, voltando ao crescimento extraordinário de membros escoteiros em um só estado, que se eles puderam duplicar seu efetivo, porque tantos outros estados vizinhos não o fizeram? Porque o sucesso de um não foi o sucesso de outro? Um dado interessante é quanto ao numero de membros por grupo escoteiro. Media de 56 por grupo. Ou seja, a maioria deve ter uma alcatéia e uma tropa, ambas incompletas e uns poucos seniores. Pioneiros e Escotistas complementariam o restante.

      Fiquei sem saber onde o "Velho" queria chegar. Parece que estava a tempos esmiuçando o relatório anual há tempos. Claro, sei que muitos não fazem isso, eu mesmo nunca fiz. Para dizer a verdade nunca me preocupei. Não será por isso que nosso crescimento é pífio? Resolvi que daquela data em diante seria mais responsável com os destinos do escotismo em meu país. Afinal que adianta ter uma meia dúzia de bons grupos e outra meia dúzia que precisavam de ajuda e sequer conseguiam registrar anualmente seus escoteiros?
      - Olhei para o "Velho", que parecia dormitar em sua poltrona de vime. Achei que já era hora de encerrar esse excelente bate papo. Quando fiz menção de levantar ele mandou que eu me sentasse – Não acabei ainda disse. Afinal que serviria meu estudo do relatório se não tivesse pelo menos você a quem mostrar os acertos e erros? – Claro, eu sabia disso. Eu era seu ouvinte. Seu único contato do movimento escoteiro. Não havia mais ninguém. Pensei comigo se teria alguma conseqüência eu saber ou não. Falar para quem?

       - O "Velho" me olhou, balançou a cabeça, sorriu de leve e como se estivesse com uma platéia de milhares de escotistas, e disse pomposamente: - Sabemos eu e você que é malhar em ferro frio. Isso não é preocupação de nossos companheiros de ideais. Seus caminhos são outros. Estão contentes com o que fazem. E isso até é bom. Assim os jovens ainda recebem algum programa, mesmo que mínimo do que BP nos legou.
      - Mas eu, garanto a você que estudaria melhor o porquê do crescimento vertiginoso de uma região escoteira. E olhe, no PIB nacional, não é lá bem colocada. Levando em consideração o IDH (índice de Desenvolvimento Humano) medido pelas Nações Unidas (ONU) é bem inferior a de muitos estados da confederação. Tem que ter uma explicação. Precisamos copiar seu programa, parabenizar tão belo trabalho a não ser é claro que existe erro na elaboração do relatório.

       - Agora, nós sabemos que nem sempre a quantidade supera a qualidade, mas levando em consideração o numero de adultos pelo de membros juvenis, ele nada fica a dever as regiões mais bem posicionadas. Infelizmente, continuou o "Velho", estes pouco cresceram. Suas médias de membros por grupo é igual ou até inferior a estados menos favorecidos. Sabe, tem tanta coisa oculta nesse relatório e principalmente o aumento satisfatório de membros com registro isentos, que até me atrevo a dizer que ele está muito pomposo e bonito.
        - Dizem, continuou o "Velho" que seus planos são de um bom crescimento em quatro anos. Não discuto. Faço votos e torço para que isso aconteça. Mas ainda bato naquela tecla já conhecida que ali não existe democracia. Parece que tem, mas não. Se escotistas bem posicionados, com altos cargos em suas regiões de origem, procuram batalhar uma vaga nas hostes do Congresso, os escotistas menos favorecidos e conhecidos nunca terão direito a voz e voto.

       O silencio reinou na sala. Logo o som maravilhoso de A Dama das Camélias, baseada no romance de Alexandre Dumas, estava sendo maravilhosamente interpretado. Era a mais popular opera de Verdi. Dizem que alcançou o segundo lugar no Operabase (lista de operas mais executadas em todo o mundo). Eu gostaria de ficar ali, mas as horas avançavam e no outro dia o dever seria novamente cobrado. Olhei para o "Velho" para me despedir e com surpresa lá estava ele, na sua poltrona de vime favorita, abraçado a Vovó, dormitando um no ombro do outro, um casal perfeito, maravilhoso que seriam invejados por muitos casais que não atingiram como eles a plenitude do amor eterno.
      
      De novo a rua me tomou de pronto. Uma rajada de ar frio me sufragou o rosto. Levantei a gola do meu paletó e me apressei pela rua deserta em busca do meu lar. Minha mente pensava em muitas coisas, dos meus afazeres profissionais, da minha esposa que já deve estar em casa dormindo, e no Movimento Escoteiro. Tantas coisas para qual se vive, se luta, uma busca incessante para que nossos filhos, nossas futuras gerações possam viver em um mundo melhor. Gostaria de avançar no tempo, talvez por centenas e centenas de anos e ver, jovens ainda com seus lenços coloridos, a dizerem que graças a um grande homem poderão se tornar cidadãos de bem. Obrigado Lord Baden Powell. Obrigado.

 
Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são provas de idade e não de prudência.
Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico.
Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.
Há sempre alguma loucura no amor. Mas a sempre um pouco de razão na loucura.
A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.