HOTEL ESCOTEIRO

HOTEL ESCOTEIRO
cada foto tem uma história

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

SOBRE O UNIFORME ESCOTEIRO





Quando a porta da felicidade se fecha, outra porta se abre. Porém, estamos tão presos àquela porta fechada que não somos capazes de ver o novo caminho que se abriu."

Sobre o uniforme escoteiro

É difícil falar hoje sobre o nosso uniforme. Lembro que lá pelos idos de 1970, uma charge mostrava um desenho de vários tipos de uniforme, ar, mar e básico. E dizia – E ainda dizem que somos um movimento uniformizado.

O tempo passou, não acompanhei a evolução das modificações de uniforme, e vendo aqui e ali, vi que todos estavam completamente perdidos em relação à uniformização. É uma profusão de abas largas, boné, boina, bibico, chapéu de diversas nacionalidades (principalmente escotistas), sem contar as cores das camisas e calças, curtas ou compridas. É de dar inveja a qualquer charge do passado.

Lembro que na época, em qualquer atividade distrital, regional ou nacional, cada um via ali seus próprios interesses. Sem contar os lobinhos e escoteiros, estes ainda com seu caqui e azulão tradicionais, os seniores, pioneiros e escotistas nos fóruns devidos reclamavam do uniforme e apresentavam sugestões, quase sempre baseadas no interesse pessoal ou de uniformes aventureiros apresentados na imprensa falada, escrita ou televisada. Se houvesse varias reuniões ao ano, vários uniformes seriam criados, pois a cada discussão apareciam novas idéias.

No Brasil, até uma determinada época, usamos o caqui tradicional, calças curtas com o chapéu de abas largas como uniforme. Inclusive os escotistas (claro escoteiros da modalidade básica – deixo de comentar as duas outras modalidades). No passado, muitos reclamavam das calças curtas, pois havia um preconceito e sempre éramos (nós adultos) ridicularizados. Lembro inclusive, que ao deslocar a sede de uniforme, tínhamos que ir de ônibus e atravessávamos boa parte da cidade de calças curtas e chapelão escoteiro, eu mesmo passei por esta experiência, claro que nunca me preocupei com isto. Tinha orgulho do meu uniforme mas era constrangedor. Diferente dos que tinham veículo próprio como acontece hoje em dia com a maioria dos adultos no movimento escoteiro, não tiveram tais experiências (mesmo assim conheço alguns que vestem o uniforme na sede, dando um mau exemplo e mostrando que não se orgulham do movimento a que pertencem).

Estava eu na época como Comissário Regional (hoje outro nome), através do Escoteiro Chefe (que saudades dos nomes tradicionais, mas acho que mudaram para ficarmos mais conhecidos e iguais a outras organizações, isto fez com que crescêssemos mais) fui convidado a participar de reuniões onde se discutiria a uniformização dos escotistas. Repito dos escotistas, aí incluindo os pioneiros.

Não participei de todas, mas a idéia discutida e aprovada (isto aconteceu entre 1970 a 1972) foi de que fosse criado um uniforme social com calças compridas para nos os adultos. O tradicional ficou como uniforme de campo sem alterações. Claro tudo isto em função da reclamação dos escotistas sobre a calça curta e da falta de uma boa apresentação em cerimônias sociais.

Ficou bastante claro, que a mudança seria somente nos casos específicos. Foi distribuída entre as regiões amostras da camisa e da calça (o de hoje, mas com a calça de tergal ou similar, nunca os jeans hoje usados, pois aí não teria mais sentido o social). O calçado seria sapatos pretos. Inclusive na época também foi implantado o social completo, mesma cor com paletó e gravata. Quando junto a sua seção, o escotista usaria o uniforme tradicional. Tudo isto foi publicado no POR da época.

Estava-se exigindo uma uniformização de cores e não iria ser admitidos novos tipos criados a bel prazer.

Assim foi feito, assim foi realizado. A partir de então se via um grande numero de adultos com o novo uniforme somente em atividades sociais.

O tempo foi passado, aqui e ali um e outro foi alterando, cada um com uma explicação pessoal que ia da dificuldade a falta de condições financeiras.

Não posso afirmar, pois não acompanhei na época, me disseram que a Direção Nacional havia flexibilizado o uniforme facilitando modificações a critério das regiões, distritos e Grupos Escoteiros. Verdade ou não as mudanças foram a pleno vapor em diversos estados brasileiros. Permaneceram aqueles grupos antigos, com sua uniformização sem nada a modificar.

Achei estranho tudo isto. Lembro bem que quando era escotista de tropa escoteira, éramos de periferia e quase todos possuíam seu uniforme, seu chapelão, sua mochila, seu cantil, sua faca mateira, sua machadinha e seu cinto com as fivelas tradicionais e quase todos nós escotistas tínhamos os três uniformes – o uniforme de campo (caqui tradicional), o social simples e o social completo.

Mas hoje acredito não existe uma preocupação maior e não sei as providencias das autoridades nacionais a respeito. Mas os escotistas radicados nos grupos deviam procurar conhecer mais sobre as normas, os estatutos, principalmente lendo detalhadamente o POR (não conheço bem hoje) e que deve falar com bastante conhecimento sobre o assunto.

BP era enfático em dizer que – mostre um escoteiro mal uniformizado e direi a ele que não pegou bem o sentido da coisa – dizia também que o melhor proselitismo era um escoteiro (claro que os escotistas também) bem uniformizado, fazendo boas ações.

Claro, vários que estão lendo este artigo não vão concordar, e isto é razoável. Não sou a pessoa indicada no momento e nem tenho autoridade para isto.

Mas uma coisa tenho certeza, todas as organizações se preocupam com seus uniformes, sua postura, sua apresentação publica. Todas elas conhecidas pelos uniformes o que está sendo alterado no nosso tão querido movimento escoteiro.

Se cada escotista procurasse dar sua contribuição teríamos um passo gigante dado no rumo daquele escotismo tão sonhado e conhecido pelos cidadãos brasileiros.

Gostaria de não ver mais calças jeans pretas, azuis, verdes, amarelas e olhe, já vi ate calças vermelhas. Sem chapéu de caubói, canadense, australiano e outras copias que desafiam a lógica da uniformização do nosso movimento escoteiro.

Exijam dos seus jovens a postura, o garbo e verão que um grande passo está sendo dado na formação e no caminho da realização dos nossos ideais. Vistam o uniforme de sua seção (exceto lobos) e darão um grande exemplo para seus jovens que irão é claro admirá-los ainda mais.

Como disse um lobo da Jângal, - “Boa caçada”

* Às vezes é melhor ficar quieto e deixar que pensem que você é um idiota do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida.